segunda-feira, 8 de agosto de 2011

As minhas notas: As revoluções dos jovens deserdados

Ralf Dahrendorf, um brilhante sociólogo alemão, mas que fez a maior parte da sua carreira académica em Inglaterra, chegando a ser director da prestigiada London School of Economics, previu, no início deste século, que as revoltas sociais não iriam ter o figurino da era industrial e da era pós-industrial, nem a classe média seria a protagonista principal. As revoltas iriam ser feitas, de forma caótica e sem uma organização política centralizada, pela juventude deserdada, que o sistema neoliberal deixou sem horizontes, principalmente aquela que se acumula nas cinturas das grandes metrópoles, e proveniente, na sua parte, das comunidades imigrantes. As revoltas em Paris, em 2007, e os recentes levantamentos populares na Tunísia e no Egipto confirmam a sua tese. O que se passou em Londres é a expressão consumada do profundo descontentamento que está a minar a ordem política, económica e social, que prevaleceu após a II Grande Guerra Mundial até aos nossos dias. Os sinais de degeneração dos países ocidentais, bem expressos no problema das dívidas soberanas, que são a parte mais visível do icebergue, vai colapsar inevitavelmente. O sistema imposto, na base do domínio do capital internacional, esgotou-se nas suas contradições. Percebe-se agora que o desenvolvimento se baseou na grande onda especulativa, que retirou investimentos à produção de bens serviços, e que ignorou o desenvolvimento de uma economia ao serviço do bem comum.
E, nestas coisas, nunca se sabe para que lado a História vai rodar, pois encontramos-nos no mesmo estado de ignorância, ao nível da previsão do futuro, em que se encontravam os europeus nas vésperas da Revolução Francesa, revolução que decisivamente impulsionou para melhor os destinos do Ocidente.