quinta-feira, 14 de julho de 2011

Avaliação de “lixo” é à dívida pública, não ao país, lembra o presidente da bolsa de Lisboa


O presidente da Euronext Lisboa, Luís Laginha de Sousa, defende uma “maior cultura financeira” quando se fala do corte de rating da dívida soberana de um país para um nível considerado junk pelas agências de notação. Por isso, insiste, transpor essa classificação para o país é “exagerado”.
PÚBLICO
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Exagerada e muito retorcida é a afirmação do presidente da Euronext, que, num exercício contorcionista para se manter no discurso politicamente correcto, procura desvalorizar a última apreciação feita pela agência de rating Moody's a Portugal. 
O principal objectivo das agências de notação financeira consiste em proceder à avaliação do potencial da economia do país que se apresenta no mercado para contrair empréstimos, e a sua real capacidade em os resolver no prazo estabelecido para a sua maturidade, calculando o risco de exposição a que submetem os credores, seus clientes, embora não sejam estes a pagar-lhes o serviço. E, para calcular este risco, servem-se de muitos indicadores económicos (dívida pública e privada, défice orçamental, perspectivas futuras de investimento privado e público, evolução do consumo e das exportações, assim como da evolução do desemprego e a criação dos novos empregos. Até o ambiente social poderá ser avaliado, no sentido de percepcionar a aceitação ou a resistência dos cidadãos às eventuais medidas de austeridade a serem tomadas pelos governos. Como aos credores apenas lhes basta saber o nível de confiança, que vem espelhado na tabela de avaliação, as agências também não publicitam o conteúdo de todas estas variáveis, para não complicar a leitura das suas conclusões. 
E toda esta análise abrangente diz respeito ao país e não apenas a um dos indicadores, como Laginha de Sousa, erradamente, diz.

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