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terça-feira, 26 de maio de 2009

Um Poema ao Acaso - Para o Ernesto Veiga de Oliveira no dia da sua morte- Sophia de Mello Breyner Andresen




PARA O ERNESTO VEIGA DE OLIVEIRA NO DIA DA SUA MORTE

Àquele que hoje morreu
tendo sido
Fiel a cada hora do vivido
Trago o poema desse tempo antigo:
Irisado cintilar dos areais
Na breve eternidade desse instante
Que não pode jamais ser repetido

Foi nesse tempo o tempo:
Longas tardes conversas demoradas
No extático fervor adolescente
Das grandes descobertas deslumbradas
Versos dança música pintura
Um mundo vivo em canto e em figura
Que a vida inteira ficará comigo
Agradecendo a graça do ter sido

Assim pudesse o tempo regressar
Recomeçarmos sempre como o mar

Sophia de Mello Breyner Andresen

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