domingo, 1 de outubro de 2017

O SIM, na Catalunha, já ganhou…


O SIM, na Catalunha, já ganhou…

O SIM do referendo já ganhou, mesmo sem contar os votos (o que é impossível, devido à intervenção selvagem dos gorilas policiais, enviados por Madrid). E ganhou, porque até os aborígenes tasmanianos, no outro extremo do mundo, já sabem que na Europa existe um povo, o catalão, que quer sacudir a canga de trezentos anos de ocupação, historicamente ilegítima. O mundo já sabe, e não vai faltar aos catalães a solidariedade dos povos.

Quem residiu em Barcelona, tal como eu, embora por um curto período de tempo, e ainda nos tempos duros do franquismo, sabe que a alma catalã não morreu, e que o sonho de recuperar a sua soberania, usurpada pela guerra, continua a ter a sua matriz original.

Tal como o martirizado povo palestiniano tem o direito inalienável ao seu território, que lhe foi usurpado, pela manha e pela guerra, pela seita do sionismo internacional, também a Catalunha anseia e luta pela reconquista da sua plena soberania, que o actual governo de Madrid, chefiado por um pós-franquista, e que agora está a revelar-se um pós-fascista, lhe quer negar.

Os legalistas de todos os matizes, esquecendo a História da Catalunha e a cultura da nação catalã, refugiam-se no falacioso argumento de que o referendo é ilegal. E é, na realidade, ilegal. Mas nenhuma revolução foi e é legal. Todas elas são desencadeadas, infringindo a lei do sistema instituído, que se pretende derrubar. E a Catalunha está a viver um período pré-revolucionário, que tem de desafiar a lei do dominador. Os capitães de Abril não pediram licença a Marcelo Caetano nem efectuaram um referendo para desencadear o golpe mortal contra um regime decrépito e odiado pelo povo.

Por outro lado, esses legalistas de ocasião, os indígenas e os de fora, nunca exigiram que se consultasse o povo palestiniano sobre a constituição do Estado sionista de Israel, no seu território.

Também a maioria dos países ocidentais se agarram à legalidade, quando isso convém aos seus interesses. Caso contrário, mandam-a  às urtigas, como aconteceu recentemente com a Ucrânia, em que a UE (leia-se Alemanha) se empenhou a fundo na queda de um governo eleito. No entanto, na recente reunião dos líderes europeus, de há dias, o tema da Catalunha, estrategicamente (pelo que se sabe) não foi abordado, como se não fosse importante para a UE, a braços com a emergência de muitas forças centrífugas no seu seio.

Alexandre de Castro
2017 10 01