quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

Velhas glórias do socialismo democrático

Momento histórico em Portugal: Pela primeira vez um primeiro-ministro é incriminado

É um momento histórico, em Portugal. Pela primeira vez, um primeiro-ministro é incriminado por crimes cometidos durante o exercício das suas funções. A acompanhá-lo, está o Dono Disto Tudo, Ricardo Salgado, que, com o seu BES, provocou o maior terramoto financeiro, em Portugal. E nesta caminhada pela Justiça, que vai ser penosa, segue uma segunda linha de arguidos, em que aparece um alto dirigente da PT, que, em tempos, até foi condecorado pelo soba de Boliqueime. Depois, vêm os amigos de Sócrates, figuras medíocres, que apenas, julga-se, tinham a nata vocação para as golpadas.

Segundo o Ministério Público, que nesta investigação também fez história, todos eles cometeram crimes para ludibriar o Estado e fazer favores a troco de dinheiro. Como ainda não se pode fazer condenações na praça pública, pode-se, no entanto, louvar o trabalho do Procurador da República, Rosário Teixeira, que conduziu exemplarmente a investigação do Ministério Público. Obstinado, minucioso na avaliação da força das provas que foi carreando para o processo, corajoso a enfrentar os lobies, ele desmontou o bem escondido circuito do dinheiro sujo, desde a sua origem, a corrupção, até ao seu destino final, a sua lavagem e a sua entrega aos corrompidos.

Até ao julgamento, vamos assistir ao circo mediático que Sócrates irá montar, para reclamar a sua inocência. Tem todo o direito em o fazer. Mas eu, mesmo assumindo o risco de me enganar, também tenho todo o direito de dele duvidar.

Só lamento que a investigação não tivesse chegado a morder os calcanhares de Mário Soares, que solícito e solidário, foi visitar Sócrates à prisão de Évora, e Ricardo Salgado, na casa apalaçada do próprio, onde se encontrava em prisão preventiva domiciliária. Não querendo bater em mortos, que já não podem defender-se, mas eu pergunto-me de onde veio a fabulosa fortuna, que Mário Soares deixou aos filhos? É apenas uma pergunta. Talvez Rosário Teixeira saiba responder.

Alexandre de Castro
2017 10 11