quinta-feira, 4 de maio de 2017

O lado negro da internet _ a morte em directo


O crime de Cleveland coincidiu com a conferência anual do Facebook, tendo Mark Zuckerberg repudiado o acto e prometendo tomar medidas, ao nível da sua rede social, para evitar idênticas tragédias.

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O lado negro da internet _ a morte em directo

Desde que comecei a participar activamente na blogosfera e no Facebook, tive logo a convicção que as redes sociais iriam operar mudanças no comportamento social das pessoas. De um momento para outro, abria-se um mundo novo e maravilhoso, através de um simples clik, capaz de emitir e receber informação, de modo instantâneo. O mundo tornava-se mais pequeno, pois passou a estar disponível nos ecrãs dos computadores. Textos, fotografias e vídeos inundavam o nosso quotidiano. Este é o lado positivo das novas tecnologias da comunicação, que vieram facilitar a vida das pessoas, das empresas e de todas as instituições sociais. Só que não há bela sem senão e medalha sem reverso. Por um lado, a intimidade e a privacidade das pessoas começou a estar ameaçada. Por outro lado, a actividade criminosa, escudando-se no anonimato e fazendo uso da boa-fé das pessoas, que julgam que "tudo o que é da internet é bom", passou a ser uma terrível ameaça à nossa segurança. Burlas, manobras de chantagem, crimes sexuais e calúnias começaram a aparecer na informação da comunicação social. E como nada foi feito para prevenir estes crimes, aparecem agora grupos de psicopatas, conhecedores das técnicas psicológicas de manipulação e de coacção, a promoverem a morte de pessoas em directo, quer a morte por suicídio, quer a morte por assassinato, tentando explorar o lado negro da morbidez humana.

É preciso parar para pensar. É necessário aperfeiçoar os métodos de vigilância, por parte dos operadores e também por parte dos governos, evitando-se, todavia, o recurso às compulsões censórias. Mas, principalmente, é necessário que cada utilizador das redes sociais se proteja a si próprio e à sua própria família. Eu fico abismado como é possível tanto descuido, quando vejo as pessoas a publicarem fotografias suas e dos familiares no facebook. É uma imprevidência que poderá custar caro a alguns utilizadores, que poderão ver essas fotografias utilizadas para outros fins, nada favoráveis aos seus titulares.

Há também uma outra frente a desenvolver. É urgente que os investigadores das áreas da sociologia, da psicologia social e da psicologia forense comecem a fazer estudos em profundidade sobre assunto, tentando perceber as causa e as motivações comportamentais dos utilizadores das redes sociais, assim como as dos criminosos que vão sendo apanhados pelas autoridades policiais.

Estamos perante um fenómeno novo. E como é novo, é desconhecido na sua profundidade, na sua extensão, na sua dimensão e na sua complexidade, que não resiste a teorizações de improviso e ocasionais. O tempo urge.
Alexandre de Castro

2017 05 02