sábado, 13 de maio de 2017

A falácia para ocultar a irracionalidade do milagre de Fátima e a nova fase de evangelização global, através do culto mariano


A falácia para ocultar a irracionalidade do milagre de Fátima e a nova fase de evangelização global, através do culto mariano

Ontem, dia 12 de Maio, foi o dia da saturação e da intoxicação, em termos de comunicação social. Fui massacrado por todos os lados.
Desculpem-me os crentes honestos, mas Fátima faz-me comichão.
Tive tempo de ler uma entrevista do Bispo de Leiria-Fátima (um homem inteligentíssimo e que, quanto a mim, vai ser provavelmente o próximo Papa), em que ele, inspirado num texto de Bento XVI, sobre o mesmo tema, elabora um raciocínio rebuscado para tentar contornar e até ultrapassar a irracionalidade do milagre de Fátima (ele é um racionalista). Diz o Bispo António Marto, e disse o anterior Papa, que foi seu professor, na Alemanha (cito-os de memória), que não ocorreu em Fátima a presença corpórea da Santa, nem ela “desceu dos céus aos trambolhões,” não podendo, pois, falar-se de uma verdadeira aparição. Houve sim uma visão mística, de inspiração e intervenção divinas, que levou os três pastorinhos a transformá-la em realidade vivida. Bento XVI, naquele seu texto referido, até disse (e continuo a citar de memória) que Deus poderia manifestar-se aos humanos por intervenção nos fenómenos atmosféricos (como é que ele sabe isto?!), sendo esta asserção proferida para justificar o milagre da dança do Sol, que não teria sido outra coisa mais, do que uma intencional alteração da refracção da luz, provocada pelo Criador.
Apesar de se tratar de duas sumidades, no campo da Teologia, este artifício escatológico e de hermenêutica não consegue esconder a irracionalidade de um fenómeno, que os padres de Ourém e de Leiria transformaram, na sua origem, num indisfarçável embuste, que perdura e irá perdurar, já que se tornou a principal narrativa do catolicismo que, verdadeiramente, está a mobilizar os respectivos crentes. Esta visita a Fátima do Papa Francisco poderá muito bem ser o arranque de uma nova fase de evangelização, a nível global, esgotadas que estão as narrativas anteriores, baseadas nos evangelhos, e que convidam os crentes a resignarem-se perante o sofrimento.
A imagem original da Santa já percorreu o mundo, há uns sessenta anos, para levar aos crentes a mensagem anti-comunista da Santa Sé. Nos próximos tempos, poderá ocorrer uma coisa parecida, a fim de travar a expansão do Islão, principalmente na Europa, e recrutar novos crentes na Ásia e nos territórios africanos, onde ainda subsistem as frágeis religiões animistas. Se esta minha hipótese estiver certa, mais se adensa a minha convicção de que o próximo Papa será o bispo de Leiria-Fátima (que, entretanto, terá de ser consagrado cardeal), uma vez que será ele que estará em melhores condições, como conhecedor da realidade mariana de Fátima, de dirigir a Igreja Católica nesta nova fase de expansão evangélica.
Mas regressando às falácias do pensamento do bispo de Leiria-Fátima e do anterior Papa Bento XV, para retirarem os milagres de Fátima do campo da irracionalidade, somos levados a dizer que se desenganem aqueles crentes que julgam que a Religião pode sobreviver sem se encaixar minimamente na evolução da Ciência. Ao longo da sua existência milenar, a Igreja Católica teve grandes dissabores por querer contrariar as evidências científicas. Primeiro, com Copérnico e Galileu, em relação ao heliocentrismo. Depois, com Darwin, em relação à evolução das espécies. Ambas as doutrinas, comprovadas racionalmente pelo método científico, desmentiram a dogmática versão bíblica sobre a centralidade da Terra, em relação ao Universo, e sobre a origem do Homem. O Vaticano, derrotado e humilhado, e após muito tempo de estéreis resistências, teve de corrigir a rota doutrinal, adoçando-a e adaptando-a, de forma subtil, aos novos tempos.
Resta a Fé cega e irracional dos crentes, uns ingénuos, outros ignorantes, para que o mito tenha medrado, numa crescente alienação de consciências.
Temos de ter paciência (na paz do Senhor).

Alexandre de Castro

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Antes de escrever este texto, repesquei uma memória do Facebook, de há um ano, em que, ironicamente, me referi aos milagres da Fátima, e que deixo aqui.

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Hoje, é dia da Santa. Não deixe de olhar para o céu (use óculos) para ver o Sol a dançar.
De caminho, veja aqui a descrição do mais fantástico e inacreditável milagre, que ocorreu em 1453, e em que até os burros se ajoelharam aos pés do Santíssimo.
2017 05 13