quinta-feira, 10 de novembro de 2016

As eleições americanas serão o princípio do fim?


As eleições americanas serão o princípio do fim?

O que eu valorizei mais, nestas eleições dos EUA, foi a estrondosa derrota do establishment. Além das elites políticas e económicas americanas, quem também está verdadeiramente assustado, com a vitória de Trump, são os dirigentes políticos dos países da ortodoxia neoliberal, aliados do império, e que já estão a ver o poder a fugir-lhes debaixo dos pés. Foi confrangedor ouvir e ver Holland, no seu discurso de felicitações (a fazer fisgas) ao novo presidente dos EUA, que mais parecia um discurso fúnebre, da assumpção da derrota, numas eleições francesas.

Trump, como elemento off side do sistema, baralhou o jogo do discurso do politicamente correcto, ao falar para todos aqueles americanos, que já não se reviam no sistema do bipartidarismo instituído, e que os impedia de aceder a uma vida digna. A população branca americana, marginalizada e pobre, descobriu, nestas eleições, um processo de dar uma grande machadada nas elites da política, da economia e das do mundo académico, que sempre a ignoraram, não optando, agora, pela clássica abstenção, mas votando em Donald Trump. Assim, Donald Trump seria o elefante, que iria entrar numa loja de porcelanas.

É certo que Trump é um populista perigoso e a sua eleição lembra-me a eleição de Hitler, como chanceler, que centrou o seu discurso na xenofobia, no antissemitismo e na restauração do orgulho germânico, humilhado em Versalhes.

De qualquer forma, não deixo de recorrer ao paradigma da História: os impérios nascem, crescem, atingem o firmamento na idade adulta, envelhecem e morrem. E o império americano e os seus apêndices ocidentais já estão, de forma acelerada, a envelhecer. Não sei se será Trump, que, inadvertidamente, lhes dará a machadada final. No entanto, uma coisa é certa: as contradições do imperialismo já são enormes e não têm solução à vista (a crise da dívida e do euro já dura há seis anos - são muitos anos - e uma nova crise financeira mundial está prevista para breve).

O Brexit constituiu o primeiro alarme, a evidenciar o desconforto de grande parte do eleitorado, em relação ao sistema, principalmente o oriundo da classe média. E, possivelmente, outras hecatombes eleitorais irão ocorrer brevemente na Europa (França, Itália e Alemanha).
Será o princípio do fim?
Alexandre de Castro

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