terça-feira, 22 de novembro de 2016

A entrevista de Bashar al-Assad à RTP e a tragédia do povo sírio...


Para garantir o pleno domínio no Médio Oriente, os EUA necessitam de abater o regime sírio. Não podendo fazer a guerra directamente, devido à impopularidade que essa acção desencadearia na opinião pública americana e na opinião pública mundial, mudaram de estratégia e começaram a encomendar a guerra a terceiros, a quem prestaram e prestam, juntamente com a França (socialista?), apoio logístico, financeiro e, ainda, um intenso treino militar no território sírio, dominado pelos rebeldes. O próprio ISIS é uma inspiração da CIA, que recrutou, doutrinou e instruiu os dois principais dirigentes daquele grupo terrorista, entre os prisioneiros árabes, que enclausurou nas suas prisões no Iraque, depois da invasão daquele país, ordenada por Bush e por Blair, e cuja justificação, que  veio a revelar-se falsa, se baseava na existência, em solo iraquiano, de armas de destruição maciça (nunca encontradas), ao dispor de Hussein Sadam. 

Na invasão da Líbia, os EUA recrutaram mercenários do Qatar, que se faziam passar, posando para as televisões ocidentais, por opositores líbios ao regime de Kadafi.

Kadafi e Sadam foram mortos, o primeiro de uma forma bárbara e o segundo foi enforcado, por sentença de um tribunal fantoche iraquiano, manipulado pela CIA. Houve a abjecta preocupação de exibir pelas televisões o seu enforcamento, para que a humilhação e o castigo servissem de exemplo para todos os dirigentes políticos que se atravessem a passar pelo caminho dos interesses estratégicos dos EUA.

Agora, as potências ocidentais querem fazer o mesmo ao líder sírio, Bashar-al-Assad . Para completar o cerco a Damasco, aquelas potências aliciaram as forças da oposição ao governo sírio, treinando-as e financiando-as, a fim de iniciarem uma guerra civil. Com o ISIS a atacar pelo nordeste e os grupos rebeldes a actuarem a oeste, o exército sírio não poderia, sozinho, oferecer resistência, se, entretanto, a Rússia, uma velha aliada do regime sírio, já desde do tempo da União Soviética, não entrasse na contenda, com a sua poderosa aviação militar.  

Com esta política suicida, que já tem vindo a ser aplicada, desde a fundação do Estado de Israel, os EUA criaram uma enorme desestabilização em todo o Médio Oriente e destruíram os dois países árabes com maiores afinidade culturais com o ocidente - o Iraque (a comunidade sunita) e a Síria. Mais grave ainda: com esta interferência criminosa no Médio Oriente, os EUA estão a contribuir para internacionalização do conflito, o que constitui uma ameaça para a paz mundial. 

A culminar toda esta desumana escalada da violência, provocada pela guerra, o mundo, incrédulo e estupefacto, confrontou-se com o drama dos refugiados, que escreveram a sua Odisseia Trágico-Marítima, que a História não apagará nem a memória colectiva esquecerá. 
Alexandre de Castro

1 comentário:

Graza disse...

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