segunda-feira, 11 de maio de 2015

Centeno convidado para conferência da Presidência


Mário Centeno, o coordenador do programa macroeconómico do PS, vai ser mesmo orador convidado na Conferência Internacional sobre os Jovens, organizada pela Presidência no próximo fim de semana, no âmbito dos Roteiros do Futuro. E já tinha sido convidado para esta iniciativa, anunciada ainda no final do ano passado, muito antes de vir a público o citado programa.
O Expresso sabe que o economista e funcionário do Banco de Portugal é muito respeitado em Belém pela sua competência, tendo aliás participado em outras iniciativas da Presidência. Foi, por exemplo, um do participantes da conferência de 30 economistas de várias áreas ideológicas e políticas, que o Presidente reuniu em julho de 2013 no palácio presidencial, para discutir as alternativas económicas que se colocavam ao país, numa altura em que em plena troika o debate estava muito extremado.

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Começa a ficar provado. Centeno é uma carta do mesmo baralho. Está já a fazer o tirocínio para ser o Vítor Gaspar do PS, numa versão recauchutada. Para já, com aquele estudo económico, que orientou, destinado a servir de base programática para um futuro governo do PS, ele apenas procurou tapar o Sol com uma peneira. Nem uma palavra, sequer, sobre a dívida pública externa e o seu pagamento, nem sobre a necessidade da sua reestruturação. Também nada disse sobre o Tratado Orçamental, que é um autêntico travão à aplicação de uma séria política de crescimento económico. Olimpicamente, ignorou os avisos, que brevemente se transformarão em ordens, da Comissão Europeia e do FMI, que pretendem uma nova desvalorização salarial e mais cortes nas pensões. Esta falha propositada, referente àqueles parâmetros, deixou margem de manobra a António Costa para vir dizer "que não iria prometer que não venha a ter de reduzir salários e pensões", uma promessa feita pela negativa, o que vai permitir-lhe, quando estiver no governo, afirmar que não quebrou nenhuma promessa eleitoral.
A hipocrisia e a demagogia continuam a ser base argumentativa dos políticos do sistema.