quinta-feira, 20 de setembro de 2012

PSD cai a pique mas PS não sobe


Uma semana depois do anúncio de mais austeridade e depois de Portas revelar as suas divergências, o PSD surge a cair a pique nas intenções de voto dos portugueses. Os sociais-democratas perderam 12 pontos percentuais face a junho e recebem o apoio de 24% dos eleitores, o mesmo que PCP e BE juntos, de acordo com uma sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, Antena 1 e RTP hoje publicada.
Diário de Notícias
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Alguma coisa parece estar a começar a mexer-se na sociedade portuguesa. A D. Adelaide, uma senhora que tem um quiosque de jornais, a quinze metros da minha casa, mal me viu, esta semana, começou a acenar-me ao longe, apenas para me dizer, com grande euforia, que, desta vez, também tinha ido à manifestação, assim mostrando, desta forma inesperada e inédita, uma identificação, ainda que difusa e confusa, com as minhas posições políticas, que, afinal, e para minha surpresa, ela demonstrou conhecer. E, tal como a D. Adelaide, para muitas pessoas, esta foi a primeira manifestação em que participaram, impulsionadas por aquela irreprimível vontade de encontrar coletivamente uma forma de protesto que, individualmente, não conseguiam exprimir. A extrema dureza da austeridade levou-as a começar a perceber algumas das manigâncias do poder político, que está apostado, em obediência a interesses estranhos, em continuar a infernizar a vida da maioria dos portugueses. Perceberam também que têm uma voz para protestar e duas mãos para mudar o destino, tal como ficou demonstrado através dos efeitos do terramoto que as manifestações provocaram, ao ponto de terem começado a retinir todas  as campainhas de alarme dos gabinetes do governo e das sedes dos dois partidos que o sustentam. 
O poder político assustou-se e a primeira sondagem, após as manifestações, ainda o assustou mais, pois percebeu-se que este movimento coletivo começa a ter implicações nas intenções de voto. Daí, ter arrancado uma operação de branqueamento do governo, que momentaneamente ficou atado de pés e mãos, sem saber como reagir à inesperada mudança do posicionamento da opinião pública.  
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2779585