sábado, 31 de março de 2012

A propósito de uma polémica no Facebook sobre a Guerra - por Joaquim Pereira da Silva

Guerra Colonial
Guerra Civil de Espanha
Sem querer meter a foice em seara alheia (já meti), quero agradecer ao meu amigo Alexandre a oportunidade de de vez em quando poder alimentar alguma polémica que é sempre salutar, porque é áí que os neurónios se vão renovando. ... Evidentemente que os contextos das duas guerras são diferentes e as suas consequências também. O que eu queria salientar é que na realidade (em minha opinião), no Ultramar não ocorreu uma guerra civil. Naquele contexto havia um inimigo comum, os indígenas, que, se por um lado tinham toda a legitimidade (até por razões históricas decorrentes duma colonização algo agressiva, que se não notava nas cidades) para reivindicar os seus direitos de cidadania, por outro lado eram bastante instrumentalizados a partir do exterior. Isso é completamente diferente da guerra fratricida que ocorreu em Espanha (à qual também não foram indiferentes influências estrangeiras), mas que tinha razões sociológicas e ideológicas profundas e com consequências bem mais nefastas a nível geracional. Portanto o nosso problema resolveu-se e com a descolonização (exemplar ou não), todos nos encolhemos no nosso cantinho, uns a carpir as mágoas, outros exultantes porque realmente a nossa juventude estava a ficar completamente exaurida. As guerras civis são calamidades que deixam marcas indeléveis, geraçao após geração. Conviver com os assassinos de familiares nossos será porventura um tormento que nunca nos dará paz. Daí eu pensar que estando nós a atravessar um período tão difícil em termos de sobrevivência, e inseridos numa comunidade que também o atravessa, qualquer apelo a um extremar de posições não será talvez a atitude mais asisada. Da mesma opinião comunga um nosso comum amigo, ilustre capitão de Abril. Só intervim porque a Sr D. Helena Viegas deu a entender (ou eu percebi mal), que já não tínhamos coragem para voltar a virar isto do avesso. O problema é que as consequências seriam imprevisíveis e poderíamos voltar a entrar na idade das trevas. Mas que dá vontade, la isso dá.
Joaquim Pereira Silva