terça-feira, 28 de julho de 2015

Uma palavra só_ poema de maria azenha

Óleo sobre tela _ maria azenha

Uma palavra só_

Uma mulher sentada numa cadeira
na poeira de um segredo/
mantém-se iluminada por uma labareda acesa.
Como um capricho violento dos deuses
o poema aflora em seus níveis De incertezas
através de fragmentos de relâmpagos e memórias.
Procura o quê?
A clemência do instante invade então as horas
e as águas feitas de alçapões e prosas
encontram-se e desprendem-se.
Aqui vemos o céu escuro levantar-se das paredes
pousando a mão num momento incandescente/
entrando pelas sombras do vestido escarlate
que a mulher sustenta.
Através dos olhos dela posso ver um aquário
transparente/
onde pequenos peixes se movem/
como num teatro /
na própria luz do movimento.
Digo Uma palavra só. Uma palavra persistente.

© maria azenha
***
Comentário à pintura de Maria Azenha:
 A pintura ganha um especial relevo pela marcação de um forte contraste das duas cores, sabiamente escolhidas.

Comentário ao poema de Maria Azenha:
Aqui não se trata do vivo contrastes das cores, a marcar o Tempo. Aqui, no poema, são as vozes dos deuses a inspirar a “poeta”, quando “vemos o céu escuro levantar-se das paredes”. Depois são as “labaredas”, as “incertezas”, os “relâmpagos”, as “memórias” e as “horas”, que deixam ver “um aquário transparente”.

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