terça-feira, 17 de maio de 2016

Resposta aos delírios estatísticos do director do Observador...


Seis meses de geringonça, modo de usar

O que está a correr pior é, sem surpresa, a economia. Porque sucedeu exactamente o contrário do prometido. O ritmo de crescimento económico abrandou. Não foram criados empregos, antes foram destruídos postos de trabalho. O investimento estancou. E o consumo, o prometido “motor” da retoma, não dá suficientes sinais de vida.
José Manuel Fernandes

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Aplique José Manuel Fernandes os mesmos critérios de análise política e o mesmo perfil de elementos estatísticos aos quatro anos de governação PSD/CDS e compreenderá quem é que destruiu a economia, quem é que promoveu o desemprego e a emigração dos jovens e quem é que golpeou a Educação e o Serviço Nacional de Saúde. E, pelo caminho, talvez fosse interessante olhar para os números da Dívida Pública, contraída através do Memorando de Entendimento com a Troika, que o PSD estimulou e também alegremente subscreveu. 
Esquece-se José Manuel Fernandes que a maioria das medidas adoptadas pelos governos tem efeitos a médio e longo prazo e que os resultados recolhidos das estatísticas, referentes aos quatro meses deste ano, são consequência do desastre provocado pela governação da coligação de direita, durante quatro anos. Ou não será assim?...

Comentário que deixei no Observador.
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Comentário posterior

Acabei de ler o Macroscópio de hoje, de José Manuel Fernandes. Tal como neste artigo, "Seis meses de geringonça...", ele volta ao delírio das estatísticas, aplicando-lhes o seu olhar enviesado e feroz, o que o leva a torcer e a retorcer os números, para que eles reflictam o que a sua "partidite" reclama. Se houvesse da sua parte mais isenção e se, previamente, ele consultasse os dados estatísticos do Eurostat, chegaria facilmente à conclusão que todos os países do euro, com uma ou duas excepções, viram as suas exportações a diminuir, contrariando as previsões, assim como aconteceu aos números do PIB. É preciso considerar que houve uma diminuição da procura global, e, no caso português, e para sermos justos e isentos, temos de considerar que as exportações de Portugal se ressentiram com a queda da procura da economia de Angola, que hoje se debate com a baixa do preço de petróleo, o pulmão da sua economia. 
Esta modalidade de ler as estatísticas, sem as contextualizar com as envolventes externas, faz-me lembrar o que se passou com a evolução das taxas de juro da Dívida Pública. A partir do início de 2014, e depois de uma subida em flecha, os juros começaram a baixar ao mesmo ritmo com que subiram. Logo os arautos das verdades definitivas, os comentadores direitinhas (não sei se JMF foi um deles) desataram, em júbilo, a cantar hossanas ao governo de Passos Coelho, para, numa manobra de ilusionismo, tirarem da cartola o argumento conclusivo de que a acção do governo estava a ser positiva e que os sacrifícios impostos aos portugueses estavam a dar resultados. Os incautos, os distraídos e os ignorantes acreditaram. No entanto, os mais atrevidos e os mais curiosos não se conformaram com o laconismo dos irmãos e primos políticos de JMF e descobriram a marosca. Olharam para o que se passava com os juros das dívidas de Espanha, Itália, Grécia e Irlanda. Todas elas, embora com valores diferentes, tinham o mesmo perfil evolutivo, o mesmo percurso paralelo. Em gráfico, as curvas respeitantes a cada país considerado tinham a forma de uma campânula, com o seu vértice na mesma linha vertical, o que quer dizer que elas começaram a descer ao mesmo tempo, evidenciando o mesmo paralelismo, verificado na subida. Conclusão: a descida dos juros da dívida soberana portuguesa teve a ver, essencialmente, com a envolvente externa, no caso, as manobras especulativas dos investidores nas bolsas de valores, e muito pouco com os cantados méritos do governo. 
A saga prossegue agora com o PIB e o défice. O método de iludir a realidade é o mesmo. Nada há a fazer para nos livrarmos da intoxicação mediática.