quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A natureza perversa da dívida...


 A natureza perversa da dívida...

Perde-se a paciência em tentar explicar às pessoas a natureza perversa desta dívida, que Portugal se viu obrigado a contrair. Respondem-me que o senso comum diz que quem deve tem de pagar, como se as dívidas entre particulares fossem de natureza idêntica à natureza das dívidas públicas. Não percebem que a dívida imposta a Portugal teve como objectivo principal transferir para o Estado a dívida colossal dos bancos portugueses para com os bancos credores da Alemanha, França e Espanha, que, deste modo,  e, indirectamente, através das posteriores recapitalizações dos respectivos Estados, ficaram com a garantia de que iriam receber parte do seu dinheiro, através das receitas obtidas com a aplicação das políticas de austeridade e com os resultados da privatização do sector público empresarial (CTT, TAP, etc). Trata-se de uma dívida ilegítima, pois tratou-se de uma manobra manhosa e de grande alcance estratégico, que pôs os cidadãos portugueses a pagar a dívida dos bancos, bancos estes que, entretanto, já tinham recebido os lucros dos empréstimos feitos anteriormente às famílias, naquele período áureo, em que, para estimular a compra de casa própria e assim alargar a área de negócio, o sistema financeiro, intencionalmente, manteve os juros artificialmente baixos. Foi um presente envenenado. Os banqueiros e os seus accionistas ficaram mais ricos e a maioria dos portugueses ficou mais pobre.
AC

2 comentários:

Rogerio G. V. Pereira disse...

«Trata-se de uma dívida ilegítima, pois tratou-se de uma manobra manhosa e de grande alcance estratégico, que pôs os cidadãos portugueses a pagar a dívida dos bancos...»

Isso!

O Puma disse...

A canalha anda à solta
a custo zero

Abraço