terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ex-ministro grego: "Vitória de Merkel significa o empobrecimento dos países do sul"


O ex-ministro da Presidência grego, Georges Contogeorgis, afirmou hoje, em Coimbra, que a vitória de Angela Merkel nas eleições alemãs de domingo significa "a desvalorização económica e o empobrecimento" dos países do sul da Europa.
Os países do sul "não vão sair deste impasse nem nesta, nem, provavelmente, na próxima geração", disse Georges Contogeorgis à agência Lusa, no final de uma conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, intitulada "Da crise ocidental à crise da Europa política - A natureza da crise".
O também ex-reitor da Universidade de Panteion de Atenas considerou que os governos de Portugal e Grécia "estão conformados" e "de acordo" com as medidas impostas pela ‘troika', defendendo que os países do sul, juntamente com o apoio da França, deveriam "exprimir-se, a uma só voz, contra a política alemã".
Notícias ao Minuto

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Estou de acordo com a posição expressa pelas duas altas individualidades gregas, que marcaram presença na conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, quando referem a pulsão totalitária da Alemanha, ao querer exercer uma hegemonia económica e política no continente europeu, um desígnio sucessivamente tentado, sempre sem sucesso, desde o início do último quartel do século XIX. Já aqui escrevi que a Alemanha de Merkel pretende fazer com o euro e com a política de austeridade o que Hitler não conseguiu fazer com os tanques e os canhões. Contando com a cumplicidade dos governos europeus (conservadores, socialistas e sociais democratas), a Alemanha, com o falso pretexto das dívidas soberanas, declarou uma guerra financeira aos países periféricos, procurando transformá-los, através das instituições comunitárias, em verdadeiros protetorados. Com esta política assassina, a Alemanha também procura salvar a desagregação da UE e da sua moeda única - uma e outra à beira da ruptura, tal é a instabilidade financeira instalada na Europa - recuperando para o BCE os resultados líquidos da austeridade, na forma de juros, respeitantes aos empréstimos dos chamados planos de ajustamento orçamentais, que por sua vez são canalizados à taxa de um por cento para os bancos do sistema financeiro europeu, o que permitirá cobrir os passivos tóxicos (títulos de dívida incobráveis), num processo que durará mais cinco anos, segundo a previsão das autoridades alemãs.

3 comentários:

O Puma disse...

Ainda há quem não queira ver as evidências

Lídia Borges disse...


O conformismo dos países do sul têm por base a conivência dos próprios governos. Eleitos democraticamente, diz-se...

Onde estão os heróis capazes de dar o peito às balas pelo seu povo? E o Povo? Demora a acordar...

Lídia

Alexandre de Castro disse...

Lídia Borges e Puma: E o que é certo é que o povo português ainda não acordou. O mito sebastianista ainda perdura!...