quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Recado para o senhor primeiro-ministro



Recado para o senhor primeiro-ministro

As maiores demoras, com tempos médios de espera acima dos 1000 dias, verificam-se em unidades do interior norte, mas também do centro Litoral. Urologia no Hospital S. Pedro, em Vila Real, chega a ter um tempo de espera de 1600 dias (mais de quatro anos). Para uma consulta de Oftalmologia no Hospital de Chaves pode ter de esperar 1038 dias, enquanto que no Hospital de Nossa Senhora da Assunção em Seia, a demora para uma consulta normal é de 1015 dias.

Assim não, Senhor Costa!.. Assim, não!... Nem a “Geringonça” pode aceitar um escândalo destes. Estes números são uma vergonha!... São números dignos de figurar nas estatísticas de um país do terceiro mundo. Eu pergunto-lhe, senhor primeiro-ministro, quantas mortes não irão proximamente ocorrer - entre aqueles milhares de pacientes que vão esperar, meses e anos, por uma primeira consulta de especialidade médica - por não serem tratados atempadamente? E isso é crime, senhor primeiro-ministro. Entre estes desesperados pacientes, a mortandade vai ser superior à que ocorreu com os incêndios do último Verão. E, neste caso, o Marcelo não vai poder andar por aí, a promover o festival dos abraços e dos beijinhos, aos familiares das vítimas, nem as televisões vão montar a tenda para o circo mediático do costume.

O senhor primeiro-ministro é um hábil especialista no "tirar aqui, para dar ali", e é também muito expedito no "virar a página" do livro da "Boa Governança", que anda a ler, mas, vai-se sabendo e sentindo, apenas lê os capítulos que lhe interessam, passando por alto e fazendo vista grossa sobre aqueles que não lhe interessam. E,  de política de Saúde, o senhor fala muito pouco, para não dizer que não fala nada, o que não é de admirar, pois, neste capítulo, não tem nada para dizer, tal é a inoperância do seu ministro da Saúde, que está interessado principalmente em aplicar o já velhinho plano de meter os privados no SNS, quer através das Parcerias Público Privadas, quer através do alargamento de contractos de concessão de prestação de alguns cuidados de Saúde, como, aliás, já acontece com os meios auxiliares de diagnóstico, uma solução, que, imediatamente, até agrada ao utente, mas que também agrada ao Estado, pois alivia momentaneamente a pressão sobre o Orçamento do Estado, empurrando-se assim, com a barriga, os problemas dos custos para o futuro, quando a despesa acumulada se revelar muito superior àquela que se obteria se o Estado fizesse agora os necessários investimentos no pessoal da Saúde, que está a diminuir, e nos meios operacionais, que exigem uma periódica actualização e uma contínua manutenção.

Eu escrevi "meter os privados no SNS", e disse bem, pois isso é a mesma coisa que meter um lobo no meio de um curral de ovelhas.

Eu, ainda na última segunda-feira, fui fazer uns exames da especialidade radiológica a uma empresa privada, que tem contracto com o ministério da Saúde. Foi uma maravilha. Em meia hora sinalizei a minha presença, procedi ao pagamento da taxa moderadora e fiz os três exames requisitados. Instalações funcionais e com uma estética bem conseguida e um atendimento impecável. E eu, nestas situações, faço sempre, para mim próprio, a mesma pergunta: "Quanto tempo isto irá durar"? E é esta pergunta que eu faço aos meus leitores, ao senhor primeiro-ministro e ao "perigoso" ministro da Saúde, um homem que é um submarino do lobie da Saúde.

Alexandre de Castro

2018 01 24


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Este artigo ocupa, desde há três dias, o top das entradas mais lidas, no jornal electrónico Abril de NovoMagazine, um sinal evidente de que os militantes e simpatizantes da verdadeira esquerda já perceberam os joguinhos de António Costa, que, até ao fim do mandato, vai, alternadamente, começar a piscar o olho, ora à direita, ora à esquerda. Entretanto, o Serviço Nacional de Saúde ameaça ruptura. Ontem, num jornal, sinalizei quatro notícias sobre protestos das populações, em vários pontos do país, a denunciar as falhas e o mau funcionamento do serviço público de Saúde.
António Costa, ao anunciar a decisão de se avançar com a construção de um novo hospital, em Lisboa, em regime de PPP, também não explicou como é que o novo hospital, que vai ter menos camas do que as que existem, actualmente, nos cinco hospitais, que irão ser substituídos, pode responder com eficiência à crescente procura de cuidados médicos hospitalares da população de Lisboa, uma vez que a percentagem de população idosa aumenta de ano para ano.
2018 01 26