terça-feira, 24 de novembro de 2020
segunda-feira, 23 de novembro de 2020
ERA
QUATERNÁRIA
a Quaternária,
de nervos e veias em relevo,
que, enfim,
uniu o polegar aos outros dedos ...
A gruta guardou a escuridão do tempo,
no silêncio cortante de arestas,
e o sílex rasgou a pedra
em riscos imberbes da primeira infância,
pela mão do homem
que, balbuciando preces
à luz, ao sol e ao trovão,
estremeceu aos vagidos de cada alvorada
Bípede, ergueu-se na altivez
da coluna erecta ...
Façanha única!...
Foi daquela mão talhando a pedra
que nasceu o inacabado poema
que a humanidade escreveu.
Alexandre
de Castro
Lisboa,
Maio de 1991
sábado, 21 de novembro de 2020
A Dança dos astros
ensaiaram a dança onírica das valências
que a matéria perseguiu o rasto da luz
que inspirou a “poeta”
as lágrimas de uma nuvem
criaram os mares e as águas
e o hálito quente da sua boca ardente
desenhou na Terra a primeira metáfora
com que inventou a Vida…
depois, muito depois, gozando as delícias da eternidade
e as da infinitude da palavra,
esperou pelo Homem para inventar o amor
… e os átomos continuaram a dançar…
sexta-feira, 20 de novembro de 2020
quinta-feira, 19 de novembro de 2020
terça-feira, 17 de novembro de 2020
Mãe
Naquele último momento
tentaste confessar-me um segredo,
um segredo qualquer
guardado uma vida inteira
e que eu não entendi
porque a tua fala desesperada
ficou suspensa
nos lábios imobilizados.
Só os teus olhos alarmados
mexiam de ânsia e de medo.
Mas não sei se seria realmente um segredo
o que me querias dizer
ou apenas um último lamento
ou até, quem sabe,
a recordação daquelas tardes de Junho,
quando eu ainda era criança,
em que te deitavas comigo
(enrolados num cobertor de papa)
com medo das trovoadas.
- É Deus que está a ralhar – dizias-me,
enquanto me apertavas com carinho,
para me proteger.
Talvez, também, quando, um dia, me perdi de ti,
e perguntei, depois de te reencontrar,
se eras realmente a mesma mãe,
se não eras outra, igual à primeira,
de um mundo que, por momentos,
eu imaginei duplicado, em coisas e pessoas,
e que, agora, sei que esse mundo não existe,
porque tu já morreste
e eu não vejo nem tenho outra mãe.
Lisboa, Maio de 2007
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
A sustentabilidade do tempo…
Nunca tenho tempo para nada
porque sempre julgo
ter tempo para tudo.
que contam o tempo devagar
quando afinal, e veloz como o vento,
o tempo passa a correr.
que contava os dias pelos dedos,
as horas pelo sol
e despertava ao cantar do galo.
E ela sempre teve tempo para tudo,
até para cuidar dos netos.
E foi sempre assim,
até morrer…
Alexandre de Castro
terça-feira, 10 de novembro de 2020
sábado, 7 de novembro de 2020
a estilhaçar a noite,
durante as tempestades
dos meus sonos agitados…
E, lá ao longe,
envolta num halo de luz, muito brilhante,
vejo uma mulher,
a acenar-me com um lenço branco.
Queria correr para ela,
mas os meus pés ficaram grudados
no alcatrão do caminho.
Ainda tive tempo de ouvir o seu lamento,
em forma de poema, a anunciar
que habitava “uma terra sem chão”
e que um pássaro, para a salvar, lhe disse para voar…
…
E ela voou…
Lisboa, Novembro 2020
quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Frases Soltas
terça-feira, 3 de novembro de 2020
segunda-feira, 2 de novembro de 2020
Esta noite choveu prata sobre o rio
Esta noite choveu prata sobre o rio
eram lágrimas de dor do sufoco do poema
derramadas às portas da cidade…
…
E Lisboa emudeceu...
Ficarei a vaguear por aqui
banhando-me no rio com as Tágides
até ao dia das auroras e da reverberação da luz
na lâmina líquida das águas
e a acordar todos os sonhos adormecidos...
...
E Lisboa adormeceu…
Alexandre de Castro
Lisboa, Dezembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2020
sábado, 31 de outubro de 2020
Livro de Assentos
Não
sei o que dizer!…
Não
sei!…
Só
sei que o Tempo corre depressa
e
escorre veloz pelos meus dedos,
já
doridos de tanto contarem as folhas
do Livro de Assentos, onde eu anoto
os
tempos das esperas e das tuas ausências…
…
E
a tua ausência dói…
E
tu sabes isso…
E
eu não sei se, com a minha dor, tu sentes prazer…
Alexandre de Castro
Lisboa, Outubro de 2020
terça-feira, 27 de outubro de 2020
Louros, grandes, rosados, de pele branca
bebem o sol às rodelas
em esplanadas de relva
ou nas línguas de areia que o mar descobre ...
nas vísceras da miséria que os cerca
e lá no íntimo, muito dentro de si,
enquanto bebem o seu whisky ou o seu gin,
pensam secretamente:
Que bom não ter nascido aqui!...
sexta-feira, 23 de outubro de 2020
Avô João de Castro - Poeta e Dramaturgo
A minha querida mana, Maria Helena, junto ao busto do nosso avô paterno, João de Castro, poeta e dramaturgo, a quem a Câmara Municipal de Carrazeda de Ansiães homenageou, em reconhecimento da sua obra literária e do seu empenho na organização de importantes eventos culturais.
"Horas Vagas" é o título da sua multifacetada obra poética, muito influenciada, na sua estrutura e na sua temática, pela escola romântica.
A nível teatral, destaca-se a brilhante adaptação do romance, "Amor de Perdição", de Camilo Castelo Branco, que terá sido, no meu entender e no entender de alguns críticos literários, a sua obra prima, e que foi considerada a melhor adaptação teatral daquele romance camiliano.
Também para o teatro, adaptou o romance "As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis.
"Alma da Pátria" foi a sua inédita obra teatral, e que se concentra na Revolução de 1640.
Todas estas peças teatrais foram representadas em Linhares de Ansiães, sob a sua direcção, como encenador.
Curioso em conhecer a sua árvore genealógica, lançou-se no árduo trabalho de vasculhar arquivos municipais, livros dos baptismos, nas sacristias das igrejas paroquiais, e recolher informações sobre nascimentos, casamentos e óbitos nas conservatórias do registo civil, tendo assim conseguido seguir o ascendente ramo familiar paterno até ao pai do sacerdote, Padre Manuel da Nóbrega (século XVI), sacerdote, este, que se notabilizou no Brasil, então colónia portuguesa, através da sua acção evangelizadora dos povos indígenas.
Segundo informação do meu pai, o meu avô teria emprestado os apontamentos do seu trabalho de investigação a um seu conterrâneo, de apelido Rosinha, que nunca mais lhos devolveu.
quinta-feira, 22 de outubro de 2020
Poema de Fernando Pessoa
É fácil trocar as
palavras,
Difícil é interpretar os
silêncios!
É fácil caminhar lado a
lado,
Difícil é saber como se
encontrar!
É fácil beijar o rosto,
Difícil é chegar ao
coração!
domingo, 18 de outubro de 2020
Que se lembrou de mim…
Não digas nada que eu não saiba.
Porque a dor é sempre maior do que a ferida
E eu já não tenho tempo para nada…
E as noites são cada vez mais frias…
Falta-me o teu calor para aquecer as mãos
Falta-me a tua voz e o teu canto
Para aquecer os dias…
Não digas nada daquele dia
Em que te encontrei à porta do poema
E tu disseste que já me conhecias…
Não digas nada da tua poesia
Que eu bebia numa taça de prata
Para me embriagar na volúpia dos meus sonhos
Até à chegada das festivas madrugadas.
……………………………………………….
Não digas nada meu amor…
quinta-feira, 1 de outubro de 2020
A dança dos astros
A dança dos astros
que a matéria perseguiu o rasto da luz
que inspirou a “poeta”
as lágrimas de uma nuvem
criaram os mares e as águas
e o hálito quente da sua boca ardente
desenhou na Terra a primeira metáfora
com que inventou a Vida…
depois, muito depois, gozando as delícias da eternidade
e as da infinitude da palavra,
esperou pelo Homem para inventar o amor
… e os átomos continuaram a dançar…
Alexandre de Castro
Lisboa, Fevereiro de 2013
domingo, 27 de setembro de 2020
Memória da Guerra Civil
Memória da Guerra Civil
Percorro
esta Espanha profunda e ferida,
incendiada
pela
metralha...
Farta
de fomes de vidas,
esfarrapada
em
sangue e dor...
Mataram
a esperança renascida
no
grito solto às portas de Madrid,
pela
Pasionária ...
"No
passaron" ...
Viva
la Muerte... Viva
la Muerte...
Era
o grito ébrio do vendaval do terror
da
outra barricada,
arrancado
do fundo das entranhas...
Ao
som dos clarins,
eles
desfilavam em triunfo nas marchas marciais,
invocando
a barbárie
nas
vibrações dos sabres, de sangue ainda quente,
manchados.
Mataram
Garcia Lorca, em Granada ...
Mataram
a cultura...
E
nos curros da praça de Badajoz
ficaram
sós
no
silêncio da matança,
deambulando
na orgia
da
sua loucura e da sua demência !...
Alexandre
de Castro
Lisboa, Abril de 2000
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Estou cansado…
Estou cansado…
Sinto o peso do chumbo
dentro de mim
e durmo embrulhado dentro da noite.
O Tempo foge-me pelos dedos
e queima-me a palma das mãos
e só agora descubro que ele existe
e que é tormento, dor,
uma ferida rasgada no coração,
uma fogueira que arde
e que nada nem ninguém pode apagar.
Já não sou o que era
e já não serei o que sou…
Alexandre de Castro
Lisboa, Setembro de 2020
domingo, 6 de setembro de 2020
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Poema bonito, mas de outra autora.
Leitor anónimo:
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
A propósito da Festa do Avante
"Tudo vai bem, quando tudo corre bem. O pior será se o André Ventura infiltrar, no espaço do evento, uma vintena de contaminados (pagos), e, nos dias seguintes, emergir uma corrente de transmissão, entre pessoas, que estiveram na Festa do Avante. Aí, cai o Carmo e a Trindade.
Declaração de interesses: Sou simpatizante do PCP, desde antes do 25 de Abril, votei no PCP em todas as eleições realizadas e fui candidato do PCP, à presidência da Câmara Municipal de Ourém, nas penúltimas eleições autárquicas.
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Poema aos ventos dos céus
Poema aos ventos dos céus
sábado, 15 de agosto de 2020
Dissertação para antecipar a velhice…
Dissertação para antecipar a velhice…
Tento sempre enganar a sombra



















