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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A alimentação e a saúde…


Uma nova visão sobre o papel dos intestinos Entrevista com Dr. Kater no Salutis.

A minha amiga Lara Ferraz enviou-me este vídeo, em que o entrevistado, a propósito da abordagem que faz à importância do intestino, acaba por fazer uma incursão na Bioquímica. Enviei-lhe a seguinte mensagem

A alimentação e a saúde…

Amiga Lara:

Recordei, através do vídeo enviado, os conhecimentos de Bioquímica, adquiridos na faculdade, e que, na época, me deslumbraram. A bíblia da Bioquímica era o Tratado do Lehninger, por onde se estudava. Descobri um mundo novo e apaixonante. Tratava-se de uma nova ciência, desenvolvida nos EUA, em meados do século passado, no Instituto Rockefeller, e que veio possibilitar o conhecimento da mais profunda intimidade, a nível celular, da vida animal e vegetal, o que teve repercussões revolucionárias na Medicina e nas ciências agronómicas.

Penso, na realidade, tal como o especialista entrevistado neste vídeo, que é na alimentação que se encontra o segredo da saúde, saúde que não é apenas a ausência de doença, mas sim a harmonia do bem-estar, que só é conseguida pela prática de hábitos saudáveis, ao nível de uma alimentação, biologicamente correcta, ao nível do adequado exercício físico e, até (isto vai parecer uma opinião descabida, mas não é)  ao nível da actividade sexual.

Hoje, o Homem (e todas as espécies animais e vegetais) é o que é, no ponto de vista morfológico, anatómico e metabólico, devido aos recursos alimentares disponíveis, em cada época, e durante milhares de anos, para todos os seus antepassados, da respectiva linha evolutiva. Tivesse a alimentação, desses antepassados, sido diferente, e o Homem actual também seria diferente, em todos aqueles aspectos mencionados. Por isso, a alimentação actual, ao nível da composição bioquímica, deve estar em linha sequencial com a dos nossos antepassados. E não está… O impressionante desenvolvimento tecnológico da agricultura, da agro-pecuária e da indústria alimentar veio desequilibrar essa relação fundamental. O aumento da prevalência de muitas doenças degenerativas, tal como o cancro do cólon intestinal, tem como causa, indiscutivelmente, esse desequilíbrio.

A alimentação e a produção e transformação de alimentos são problemas globais, quer pela carência, em muitas zonas do globo, quer pela abundância, artificialmente conseguida por práticas incorrectas, em outras zonas. As soluções também têm de ser globais, e não podem ficar sujeitas ao livre arbítrio de cada governo. 

Se quisermos evitar uma grande catástrofe humanitária, a ONU, através das suas instituições especializadas, a FAO, a OMC e a OMS, tem de promover planos que evitem a degradação continuada dos solos, por não se respeitar a milenar prática do pousio, que permite a sua regeneração; restringir a utilização de fertilizantes e de outros químicos, usados para acelerar o crescimento dos produtos agrícolas, fertilizantes e químicos esses, que, além de também degradarem os solos, prejudicam o crescimento saudável dos produtos, que assim não têm tempo suficiente para poder desenvolver os elementos e compostos bioquímicos necessários, que garantam o seu valor alimentar natural; restringir o abuso do recurso às hormonas de síntese, utilizadas para acelerar o crescimento dos animais, destinados à alimentação humana; e outras e variadas políticas, a nível global e regional, que promovam, para o consumo da humanidade, e garantindo a sustentabilidade ambiental, a produção suficiente de alimentos saudáveis. E, na maioria destas questões, é a Bioquímica que se constituiu como ciência fundamental e estruturante, e em cujos pressupostos a Medicina Nutricionista e a Medicina Preventiva têm de se apoiar.
Alexandre de Castro
2017 02 05

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Dieta mediterrânica: "Mais do que um padrão alimentar, é um modelo cultural"


O autor da obra "Dieta Mediterrânica -- Uma herança milenar para a humanidade", que é apresentada na quinta-feira, em Lisboa, defende que este regime alimentar é "mais do que um padrão alimentar, é um modelo cultural de inestimável valor".

***«»***
Um livro a não perder. Pelo perfil académico do autor e pelas declarações já proferidas, estamos perante uma obra importante, que aborda de uma forma sistemática a identidade mediterrânica - que nos envolve - num contexto sociológico, histórico e cultural, a partir da base da "alimentação", o que é uma originalidade. 
Esta mesma identidade mediterrânica já foi abordada, sob outros prismas, por outros historiadores e sociólogos, que lhe traçaram o perfil e o longo percurso evolutivo. 
Podemos até falar de uma civilização mediterrânica, que se desenvolveu desde há 36 séculos. Se olharmos para o passado, reconhecemos que o mar mediterrâneo foi o centro da evolução da História, uma História exaltante, feita de grandezas e de misérias, que começou a ser construída, ainda na sua forma incipiente, pelos Fenícios, nos finais do século XVI A.C. Coube aos Romanos estabelecer a unidade política e administrativa de toda a bacia do Mare Nostrum, feito que nunca mais foi conseguido. Mas ficou como herança a cultura dos povos, com as suas semelhanças e as suas diferenças, e que é urgente e necessário preservar, sem renunciar à modernidade e às conveniências dos novos tempos.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Notas do meu rodapé: A crise alimentar que vem aí...

Banco Mundial diz que subida de preço de alimentos atinge nível de alerta
A subida do preço dos alimentos está a atingir um nível de alerta e poderá aumentar a instabilidade política, advertiu hoje o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, à margem de uma reunião dos ministros das Finanças do G20.
Segundo o Banco Mundial, a subida do preço dos alimentos fez cair 44 milhões de pessoas em todo o mundo no limiar da pobreza extrema entre Junho e Dezembro.
PÚBLICO
***
O alerta não é de agora. Em 2008, o Banco Mundial elaborara um alarmante relatório em que responsabilizava os biocombustíveis pela grande subida dos preços dos alimentos a nível mundial. Os biocombustíveis teriam sido responsáveis por 75 por cento do aumento do preço dos alimentos, verificado desde 2002, enquanto os preços dos fertilizantes e da energia teriam tido apenas influenciado em 15 por cento aquele aumento. Nesse relatório, que esteve congelado durante algum tempo, para não ferir as susceptibilidades do governo americano de George W. Bush, que atribuía o aumento do preço dos alimentos ao aumento da procura por parte da China e da Índia, o Banco Mundial apontava o dedo aos governos dos EUA e da União Europeia, que estariam a promover nos seus países a reconversão da produção cerealífera para os biocombustíveis, responsabilizando-os pelo aumento da pobreza a nível mundial (mais de 100 milhões de pessoas caíram no limiar de pobreza). Dizia-se nesse relatório, elaborado por Don Mitchell, economista sénior do Banco Mundial, que "mais de um terço do milho norte-americano é agora usado na produção de etanol" e que "a União Europeia Europeia tem como meta dez por cento de biocombustíveis nos transportes, até 2020". Por outro lado, e pela primeira vez, é abordada (denunciada) a especulação financeira no sector dos cereais.
Essa crise alimentar teve o seu pico máximo em Março de 2008, o que levou muitos países, grandes produtores de cereais, a limitarem a sua exportação a fim de, por prudência, aumentarem as suas reservas e assegurarem, no caso de uma situação extrema, a alimentação das suas respectivas populações. Foi também por essa altura que a China começou a estabelecer acordos com governos africanos, no sentido de comprar e alugar terrenos para produção agrícola, que satisfizesse a sua crescente procura.
Agora em 2011, o tema ganha nova actualidade (aqui, no Alpendre da Lua, já foi referida várias vezes a iminência de uma nova crise alimentar), e é novamente o Banco Mundial que vem lançar o alerta, pela voz do seu presidente, Robert Zoellick, que confrontou oa países do G20 com esta realidade. Seja qual for a causa que está a inflacionar o preço dos alimentos (os biocombustíveis, o aumento da procura, a subida do preço do petróleo, as alterações climáticas ou a especulação financeira), a resolução do problema encontra-se na mão dos dirigentes desses países, que, no seu conjunto, detêm 85 por cento da riqueza do planeta. Eles são os grandes responsáveis pelos 44 milhões de pessoas que, segundo o Banco Mundial, caíram no limiar de pobreza extrema, entre Junho e Dezembro de 2010. Hitler não chegou a este extremo de crueldade.
Actualmente o mundo defronta-se com a existência de 1,2 mil milhões de seres humanos que sobrevivem apenas com 1,25 dólares por dia e por pessoa. Hitler, se tivesse tido essa possibilidade, era muito bem capaz de os matar a todos nas câmaras de gás. Os dirigentes do G20 condenam-os a uma morte lenta.
E Portugal? O que é que este governo do PS, que alguns já alcunham de (P)artido dos (S)ucateiros, tem feito pela agricultura portuguesa? O PS, e, neste domínio, mais do que o PSD, constituiu-se no coveiro da agricultura portuguesa. Esse atentado contra a economia portuguesa iniciou-se com o seu patrono e fundador, Mário Soares, que abdicou em toda a linha, quando se negociou a adesão à então CEE, na reivindicação para a agricultura portuguesa das mesmas condições dadas a Espanha, e que já eram património dos outros países do clube. José Sócrates, nos seus seis anos como primeiro ministro, não tomou nenhuma medida estrutural que tirasse a agricultura e a floresta do marasmo em que se encontram, nem promoveu políticas activas que invertessem a progressiva desertificação humana e física do interior do país, onde os terrenos com aptidão agrícola se encontram abandonados. O resultado, caso a crise de alimentos, que virá agravar a crise económica e financeira em que o país se encontra, esteja próxima, Portugal vai ter dificuldades em comprar no exterior os bens alimentares de que a população necessita, e aqueles que se comprarem, será por um elevado preço. Passar-se-á com os alimentos o que actualmente se está a passar com a venda de dívida. O futuro prepara-se no presente. A esta falta de visão política junta-se a incúria, o desleixo, a incompetência e, acima de tudo, a falta de honestidade de quem tem governado este país.