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quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Um Poema ao Acaso: Agradecimento - Ana Saraiva



Agradecimento…

ainda hoje hei-de voltar
se não for pelo mar
é num fio de corda
na voz travada
neste dia que agora
faço meu
agradeço aos teus poetas
todos os azuis
todos os nomes
para te poder chamar
pudesses tu acreditar assim
em mim

Ana Saraiva

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Um Poema ao Acaso: Mortalidades


Mortalidades

onde está a memória do teu rosto
que lhe quero tocar
os olhos atrás das mãos
e as mãos atrás dos dias
serás outro já
fiz-te outro
quando?
sei de ti como se fosses ar
espero-te com mãos de oleiro
certo é que chegas
em mãos ou em sonhos
proeza semi-mortal
Ana Saraiva

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Um Poema ao Acaso: Poema sem título...


tantos poemas
tanto mar e pássaros convocados
e tanta gente a passear pelos cais deste mundo
para ver se estás
e tu estás sempre, sempre
e isto é apenas mais uma maneira de dizer
da falta que fazes

o poema já começou
mas não sei se o acabo

sei que o vou continuar
mais daqui a pouco

da falta que fazes
tiramos luz
foste-te embora apenas
para poderes renascer todos os dias

Ana Saraiva

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um Poema ao Acaso: Rastos... - Ana Saraiva

Pintura de Cátia Rodrigues
Rastos…

leio no meu corpo o teu olhar
o amor não é, se fosse,
algo melhor
mais perfeito
mais uma qualidade
mais uma soma de ideais
mais um requisito preenchido
o santo graal é apenas um cálice
e os lábios de Jesus
empalidecem eternamente
o amor é, se fosse,
aquele que volta sempre
para fazer uma última pergunta
a arte da ressurreição
inacabada.
.
Ana Saraiva

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Um Poema ao Acaso: Escorrega-dor - Ana Saraiva



Escorrega-dor...

esse teu arco-íris onde posso escorregar sem pressas
onde vamos arranjar
essa chuva e esse sol
e que faremos da noite
e do frio agreste
que me faz correr para chegar depressa
para um abrigo que até podem ser todos os outros braços
e que faremos da manhã crua e pálida
e do sangue que nos toma lentamente
haja ou não sol
para queimar as ilusões
continuo?
e onde vamos arranjar
essa atenção
que propões desmedida e fácil como um amor
se os nossos olhos não vão além do mesmo tom
que foge em nuances ou gritos
já o vejo
não sei escorregar
.
Ana Saraiva
.
Retirado do abnoxio