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sábado, 7 de junho de 2014

Quais são os três problemas da economia nacional? Reinhard Felke e Sven Eide


Dois especialistas na área económica e financeira, em análise à situação portuguesa, apontam os três principais problemas que têm impedido que o país cresça mais.
Num artigo hoje publicado [04 Junho] na revista Intereconomics, Reinhard Felke, economista da Comissão Europeia, e Sven Eide, membro do Ministério das Finanças alemão, analisam em detalhe a situação portuguesa e apontam os três maiores problemas da economia nacional.
Considerando que o processo de ajustamento económico do país está a ser conduzido “pelo crescimento das exportações”, os especialistas acreditam que ainda existem questões estruturais que devem ser melhoradas.
Primeiro, apontam o baixo grau da tecnologia como o responsável pelo fraco crescimento do sector exportador. Neste âmbito, as pequenas empresas “são um obstáculo quando é preciso entrar em mercados externos e promover a inovação".
Segue-se as baixas qualificações da população ativa, que se acredita serem responsáveis “por cerca de um terço da diferença de produtividade entre Portugal e os países mais desenvolvidos da OCDE".
Por fim, estão os elevados custos de financiamento que são "um impedimento significativo ao investimento e à expansão por parte das exportadoras".
Os dois especialistas salientam que os custos médios de financiamento em Portugal (juros de 4,5%) são cerca de um ponto percentual mais elevados do que os praticados em Espanha e na Irlanda, e nota que no caso de financiamentos mais baixos (menos de um milhão de euros) os juros chegam aos 6% para novos empréstimos.

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Destes três problemas estruturais, que o estudo identifica - baixo grau de tecnologia, baixas qualificações da população ativa e elevados custos de financiamento – os dois primeiros não são de agora. Vêm de longe. E isso explica o baixo nível de crescimento da produtividade da economia nacional. Nos ciclos de ouro de crescimento económico, que decorreram entre 1950 e 1974 e entre 1980 e 1990, o PIB da economia portuguesa, embora mais baixo do que o da média dos países da OCDE, cresceu ao mesmo ritmo do verificado nesses países. Contudo, o mesmo não ocorreu com a taxa de produtividade, que crescia mais lentamente, afastando-se progressivamente da média do crescimento das taxas de produtividade daqueles países, do qual resultou, pelo efeito cumulativo considerado, e ao fim desses trinta anos de crescimento económico, uma maior fragilidade da economia portuguesa, perante condicionantes externas adversas. Antes da revolução de Abril, a economia baseava-se numa política salarial restritiva, no protecionismo aduaneiro perante o exterior e numa tímida evolução do valor acrescentado. 
A produtividade foi sempre o calcanhar de Aquiles da economia portuguesa, que não conseguiu, através da inovação tecnológica, da formação profissional e da melhoria da gestão e da organização empresariais, dotar os trabalhadores portugueses de meios e de instrumentos de produção, que promovessem um maior valor acrescentado ao seu trabalho. Nesses dois períodos referidos, o crescimento económico, com base nas exportações, deveu-se essencialmente a fatores externos de conjuntura. No primeiro período pesou a reconstrução da Europa ocidental no pós-guerra, e, no segundo, a abertura das fronteiras aduaneiras às exportações para os países da União Europeia, então designada Comissão Económica Europeia (CEE). Por sua vez, naquele primeiro período referido, pelo menos um fator interno, de âmbito estrutural, e talvez o mais importante, remava contra a maré. Isto é: não favorecia um aumento significativo de produtividade. Referimos-nos à Lei de Condicionamento Industrial, do tempo de Salazar, que era altamente protecionista, quer limitando a importação de produtos, que no país já se fabricavam, quer impedindo o investimento estrangeiro em setores produtivos para exportação, que viessem fazer concorrência às unidades fabris nacionais, já instaladas. Com esta política, Salazar protegia os grupos económicos de meia dúzia de famílias da alta burguesia, que eram o sustentáculo do regime, sendo a inversa também verdadeira, com o regime a ser o sustentáculo daqueles grupos económicos, que ainda beneficiavam, além da repressão violente sobre os trabalhadores, da prática continuada de uma política de baixos salários.
Esta política de baixos salários teve efeitos perversos e muito negativos, que se mantiveram, embora de maneira diferente, depois da revolução de Abril. Sem concorrência e com salários controlados, os lucros estavam à partida garantidos, sem grande esforço e sem rasgos de imaginação. Podemos dizer que Salazar fez empresários preguiçosos. Para quê gastar dinheiro na inovação e na formação profissional de elevado grau, se o negócio, tal como estava organizado, era altamente rentável? Apenas se gastava algum dinheiro para apetrechar as forças policiais de meios eficazes para utilizar na repressão às greves reivindicativas por melhores salários, que foram muitas. Por herança genética, esta cultura empresarial transitou para as gerações seguintes de empresários, e ainda hoje se mantém em vastos setores, tendendo a aprofundar-se na crise atual, com a exploração laboral a entrar em roda livre.
Também o outro fator estrutural – baixas qualificações da população ativa – que o estudo daqueles dois investigadores assinala, e bem, e que também explica a baixa produtividade (e por arrasto a capacidade competitiva, centrada na qualidade e na inovação), tem antecedentes causais bem identificados, e que estão ligados ao caráter errático dos modelos educativos e às políticas centralistas do Ministério da Educação. E, aqui, os problemas são muitos, e que ameaçam perpetuar-se, o que aconselha ao seu tratamento isolado, numa outra ocasião. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

"Estou cansado" é a desculpa dos homens para a falta de interesse sexual - PÚBLICO


Estudo diz que mais de 10% dos homens portugueses diz ter falta de interesse sexual. A culpa é do cansaço, alega metade.
O cansaço e o stress profissional já não ficam à porta de casa e estão a afectar cada vez mais a vida sexual dos homens portugueses. De tal forma que estes dois factores foram apontados num estudo como as principais razões para a falta de interesse sexual dos inquiridos.
Os dados fazem parte do “Estudo transcultural sobre factores associados ao interesse sexual masculino”, que será apresentado nesta segunda-feira no ISPA - Instituto Universitário, em Lisboa, coordenado pela psicóloga clínica e investigadora Ana Carvalheira, em parceria com os investigadores Aleksandar Štulhofer, da Universidade de Zagreb, na Croácia, e Bente Træen, da Universidade de Olso, na Noruega.
PÚBLICO
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Não é nada o cansaço, a provocar a falta de interesse sexual. O problema é que o «tesão» já está a pagar imposto. A troika, no seu programa de ajustamento, quer também acabar com o mito do macho latino, ressuscitando um outro, que andava perdido, mas que é muito atrativo para os portugueses, o mito sebastianista. 

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Portugueses não conseguem poupar e põem travão no consumo


As expectativas dos portugueses são cada vez mais pessimistas. Nos próximos meses, 64 por cento admite que não vai conseguir poupar dinheiro e 81 por cento vai comprar o indispensável e não planeia aumentar as despesas.
Os dados constam do Observador Cetelem, feito a partir de um inquérito realizado a 600 pessoas, e foram analisados em colaboração com a Nielsen. “Estas conclusões mostram claramente que a prudência será o comportamento adoptado pelos consumidores portugueses durante o período de recessão”, refere o estudo.
Da amostra, apenas 32 por cento acredita que vai conseguir aumentar as poupanças. E a percentagem sobe nos inquiridos entre os 25 e os 34 anos (43 por cento). A faixa etária dos 55-65 anos é a mais pessimista: 69 por cento garante que não vai conseguir poupar. 
PÚBLICO
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Os 32 por cento dos portugueses que, no inquérito, responderam acreditar que iriam aumentar as suas poupanças, são precisamente aqueles que votaram convictamente no PSD ou no CDS, e que estão de acordo com o memorando da troika.  Nesta conjuntura, só pode poupar quem aufere rendimentos elevados. E é daquele grupo que vêm os piedosos apelos de que é necessário fazer sacrifícios. Os outros, claro.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Portugal: Duas em cada cinco crianças vivem em situação de pobreza

Percentagem de crianças em agregados familiares pobres, OCDE
 Portugal é um dos países da OCDE onde a percentagem de
crianças em agregados familiares pobres é mais elevada

Não são apenas as crianças que vivem com rendimentos abaixo do limiar de pobreza que são pobres. São também aquelas cujo bem-estar é afectado por condições de vida "deficientes" - e que, por isso mesmo, se considera que estão "em privação". É com base nesta abordagem que uma equipa de investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão, da Universidade Técnica de Lisboa, conclui que cerca de 40 por cento das crianças portuguesas vivem em "situação de pobreza".
Mas vamos por partes: uma em cada quatro crianças (23 por cento) estava, em 2009, inserida em famílias com rendimentos abaixo do limiar de pobreza; 27 por cento viviam uma situação de privação, tendo em conta 12 indicadores (ver entrevista). E mais de uma em cada dez (11,2 por cento) acumulava a forma mais gravosa de pobreza - estava em privação e, ao mesmo tempo, os seus agregados dispunham de rendimentos abaixo do limiar de pobreza.
PÚBLICO
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Um dos méritos do estudo, efectuado pelos investigadores do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), reside no facto de ter alargado o conceito da pobreza infantil, não a confinando apenas às condições económicas e monetárias. O estudo valorizou também, através de doze parâmetros, as situações de privação, que apanham aquelas crianças de famílias que (ainda) não se encontram abaixo do limiar de pobreza. E aqui, vista desta perspectiva, a situação é aterradora.
A pobreza infantil aumentou ao longo da primeira década deste século, acompanhando o declínio da economia, mesmo apesar dos específicos programas das políticas sociais implementados pelo governo. Com a suspensão destes apoios, principalmente ao nível do abono de família, e com o esperado empobrecimento da população mais vulnerável, incluindo a da classe média baixa, resultante da aplicação cega das medidas draconianas, impostas pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional, o futuro de cerca de 40 por cento das crianças portuguesas vai ser dramático. Se, neste domínio, a posição relativa de Portugal, ao nível da classificação da OCDE, já não é famosa, nos próximos anos ela tenderá a agravar-se, sem que isto venha a constituir qualquer escândalo para os políticos e ara a sociedade em geral.
Já aqui escrevi que um país que não sabe tratar das suas crianças e dos seus idosos não merece existir. E Portugal aproxima-se a passos largos do limiar dessa vergonhosa condição.
Seria saudável que os dirigentes dos partidos do arco da traição, de onde irá sair o que vai executar o programa de governo da troika, lessem atentamente o estudo do ISEG e anunciassem aos portugueses como pensam lidar com esta situação.
http://publico.pt/Sociedade/duas-em-cada-cinco-criancas-vivem-em-situacao-de-pobreza_1496617

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Estudo diz que ricos vivem em média mais 10 anos do que os pobres-PÚBLICO

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Não é o local onde se vive, mas os estudos que se têm que fazem a diferença na longevidade.
Operários morrem mais cedo
Um doente numa aldeia do Alentejo está mais longe de um hospital do que alguém a viver no centro de Lisboa. Porém, as grandes desigualdades na saúde têm mais a ver com a classe social a que se pertence do que ao local geográfico onde se vive, revela a investigação do sociólogo Ricardo Antunes. O estudo encontrou diferenças de longevidade de mais de dez anos entre os mais ricos e escolarizados e os mais pobres e com menos instrução.O autor do estudo Classes Sociais e a Desigualdade na Saúde foi tentar conhecer "as histórias de vida" através de processos clínicos de uma amostra de 1935 pessoas. O investigador do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Universitário de Lisboa, escolheu pessoas que morreram em 2004, num hospital de Beja e noutro de Lisboa, o que acabou por lhe dar um retrato de uma geração portuguesa que nasceu por volta das décadas de 1920 a 1930 e morreu com cerca de 70 a 80 anos. E as disparidades na doença e na morte são muitas.A grande conclusão do seu estudo, que foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, é que "a classe é mais importante que a geografia para explicar desigualdades em saúde". Comparando a longevidade dos chamados profissionais técnicos e de enquadramento - categoria que inclui as profissões mais qualificadas e que exigem licenciatura, como professores, advogados, e engenheiros -, com a dos operários, constata-se que a diferença de tempo de vida é, em média, de 13,8 anos em Lisboa e 11,5 em Beja. Isto significa que os mais ricos e qualificados viveram, em média, mais de uma década do que os mais pobres e com menos qualificações. Enquanto os profissionais técnicos e de enquadramento estudados viveram, em média, 82 anos, os operários ficaram-se pelos 68,8 anos.Acesso à informaçãoAs causas de morte da amostra estudada são as encontradas no país, as doenças cardiovasculares à cabeça, seguidas do cancro. Mas um profissional técnico e de enquadramento que morre de AVC vive, em média, 84,8 anos, ao passo que um operário com a mesma causa de morte se fica, em média, pelos 75 anos. Por detrás destas disparidades estão desigualdades no acesso à informação e recursos (associados a níveis de escolaridade) para a interpretar, nota Ricardo Antunes, a propósito das conclusões deste estudo que são a sua tese de doutoramento, no Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa, em Lisboa, mas cujos resultados preliminares já foram publicados pelo Observatório das Desigualdades do CIES. Enquanto as pessoas de estratos socioeconómicos mais elevados aproveitam a reforma para adoptar comportamentos mais saudáveis e prevenir doenças, os operários tendem a manter os seus comportamentos de risco até ao final da vida.É entre os operários que Ricardo Antunes encontrou hábitos tabágicos que começaram mais cedo, por volta dos 14/15 anos, e são mais frequentes - com consumos iguais ou superiores a dois maços por dia - e um consumo de álcool mais alto. Nos óbitos prematuros, assim chamados porque ocorreram antes da reforma, 43,6 por cento são de operários. O género tem aqui um papel e as mulheres, mesmo pertencendo a classes mais desfavorecidas, cumprem a regra geral e vivem mais do que os homens do seu estrato social.O investigador analisou outros grupos sociais, como os empresários, dirigentes e profissionais liberais, uma categoria que é enganadora quanto ao grau de escolarização, baixo nesta faixa etária. Muitos empresários não têm mais do que a quarta classe, explica. Apesar de ser uma classe com recursos financeiros e estes poderem ser transformados em casas mais seguras, por exemplo, com barras para as banheiras, ou mais aquecidas, a adopção de estilos de vida mais saudáveis, traduzidos na alimentação e no exercício físico, é mais frequente em pessoas mais escolarizadas, nota. Ter dinheiro não basta. "É o casamento entre recursos materiais e bons níveis escolares que potencia os resultados bons em saúde", diz o investigador.O fenómeno das desigualdades na saúde associado a diferenças sociais não é típico de Portugal e tem sido encontrado em muitos outros estudos internacionais, afirma. "Cá são diferentes, comparando com países mais igualitários, como a Suécia ou a Finlândia". Porém, "todas as medidas que combatem desigualdades nos rendimentos têm efeitos na saúde", remata Ricardo Antunes.
PÚBLICO - Catarina Gomes
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Qualquer dia, até a morte deixará de ser igual para todos...

sábado, 22 de janeiro de 2011

Estudo: Três décadas de boycracia. Em Portugal nunca faltaram jobs

O Estudo conclui que empresas públicas aumentam o número de contratações imediatamente antes e depois das mudanças de governo.
A conclusão é de Pedro Martins, professor de Economia Aplicada na Faculdade Queen Mary, da Universidade de Londres, que realizou o estudo. "Os nossos resultados indicam um impacto sistemático do ciclo político nos timings das empresas públicas em Portugal", diz o estudo. "Encontramos provas significativas de um grande aumento de contratações logo a seguir a um novo governo tomar posse, principalmente se for de uma cor política diferente (esquerda ou direita) do governo anterior. Além disso, as contratações tendem a aumentar antes de o novo governo tomar posse, independentemente do resultado das eleições."
Jornal i
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A verdadeira militância dos partidos do Bloco Central, o PS e o PSD, baseia-se praticamente neste numeroso exército dos designados boys. É a este nível que se pagam as fidelidades partidárias e se exerce o compadrio político. Os cargos que ocupam no aparelho de Estado são, na maior parte dos casos, de uma irrelevância e inutilidade extremas, e as elevadas remunerações atribuídas, um verdadeiro escândalo. Poder-se-á dizer que são a guarda-avançada do partido de turno na administração pública e nas empresas públicas.
Uma das causas do enquistamento da democracia repousa precisamente na existência deste exército de gestores e de assessores administrativos, aos milhares, que apenas servem, além de servirem-se a si próprios, para dar conteúdo ao prolongamento do partido nas instituições do Estado. E como eles são a seiva da árvore partidária desse bloco central, que se divide no exercício do poder político, pela alternância dos ciclos eleitorais, é impossível que os partidos, que o compõem, abdiquem deste voraz assalto ao cargo público, por mera nomeação governamental. Seria o seu suicídio. Assim, apenas o assassinato político poderá ser o veículo da moralização do sistema. E as eleições, mesmo que sejam as presidenciais, também servem para isto.