FMI. Mundo pode estar à beira de uma
nova crise financeira
O
Mundo pode estar à beira de uma nova crise financeira, de grandes proporções e,
logo, altamente destrutiva para as economias, avisa o Fundo Monetário
Internacional (FMI) num estudo que sublinha o tom sombrio da comunicação da
passada terça-feira sobre as tendências macroeconómicas globais.
Se
houver nova rutura nos mercados, FMI conclui que 4% da riqueza mundial evapora
em cinco anos.
***«»***
Em
2014, o economista nobilizado, Nouriel Roubini, previu uma grande crise
mundial, a ocorrer em 2016, e que iria afectar os países emergentes e os países
do norte da Europa. Parece que, mais uma vez, não se enganou. Os países
emergentes (China, Brasil e outros) estão a desacelerar. A Finlândia já está em
recessão económica, há quatro anos, e já por lá se discute a saída do euro (a imprensa não fala
disto). A Suécia começou também, no ano passado, a ter problemas na sua
economia. E os países do sul acabarão, por ricochete, por sofrer impactos
negativos.
Posteriormente,
o economista Rogoff, o guru que inspirou as políticas de austeridade, aplicadas
aos países periféricos da Europa, veio dizer que esta crise iria ser muito pior
do que a de 2008.
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quinta-feira, 21 de abril de 2016
FMI. Mundo pode estar à beira de uma nova crise financeira
terça-feira, 4 de março de 2014
O caminho para a 3ª Guerra Mundial
Amabilidade de João Fráguas
A propósito deste tema, remeto o leitor para o meu apontamento em Notas do meu rodapé de 19 de Janeiro de 2013, que a seguir transcrevo:
As causas remotas da crise financeira internacional
Qualquer acontecimento (na
vida, na política, na economia e em tudo) tem causas e consequências. E a atual
crise económica e financeira internacional também teve causas, as próximas
(mais conhecidas) e as remotas (pouco divulgadas e pensadas), embora os corifeus
do sistema tentem apresentá-la como se de um fatalismo se tratasse,
imprevisível e inevitável, sem culpados e sem tratantes. E o excesso de
liquidez, ocorrido a partir dos finais dos anos setenta, é uma das causas
remotas da crise. Aquele aumento de liquidez resultou de vários fatores: da
enorme acumulação de capitais nos bancos dos EUA, proporcionada pela remessa de
avultados lucros proporcionados pela deslocalização das indústrias para a Ásia;
da então recente formação dos off shore financeiros, em diversas
partes do mundo, a fim de captar poupanças dos países menos desenvolvidos; da
decisão unilateral da desvinculação do dólar do padrão ouro, para poder
valorizar especulativamente aquela moeda; e, também, pelo facto dos pagamentos do
petróleo a nível internacional começarem a ser feitos em dólares, por imposição
dos EUA (houve, nesse sentido, uma negociação do governo dos EUA com a Arábia
Saudita e com outros países árabes do Golfo).
Neste novo quadro, concebido
pelos arquitetos do neoliberalismo, os EUA, cujo Tesouro saiu depauperado da
guerra do Vietname, reforçaram a liderança económica e financeira a nível
planetário, liderança essa que agora está a ser seriamente ameaçada pela
ascensão meteórica e sustentada da fulgurante economia chinesa.
Para rentabilizar rapidamente o
dinheiro, e uma vez que a economia, já amputada pelo efeito da deslocalização,
não podia absorvê-lo na forma de créditos às empresas, os bancos americanos
conceberam então a máquina financeira de multiplicar o dinheiro: o subprime.
Iniciou-se um processo gigantesco de crédito fácil e de risco, às famílias,
para a compra de casa própria. Os respetivos títulos, sem que os operadores se
questionassem sobre o seu valor real, entraram no jogo da roleta da Bolsa de
Valores, dando origem à economia de casino. Parecia que o mundo nunca iria
acabar, pois todos ganhavam dinheiro a rodos, com destaque para os bancos e os
seus acionistas, que trataram de colocar os seus dividendos em
lugares seguros, não fosse o céu desabar. E tinha que desabar, pois toda aquela
sumptuosa riqueza era falsa, uma vez que não tinha sustentabilidade na economia
real.
E o que se seguiu, já é
conhecido. Falência em cadeia do sistema financeiro americano, que foi salvo
pelos impostos dos cidadãos, num processo injusto e escandaloso da socialização
dos prejuízos. Os acionistas dos bancos, os verdadeiros donos do mundo,
ganharam mais uma vez.
Como esta crise era estrutural
e não conjuntural, e como a globalização aumentou a interdependência das
economias mundiais, a Europa não poderia passar incólume ao seu efeito
sistémico, principalmente os países periféricos, onde o subprime foi
incrementado. No entanto, existe uma diferença entre o que aconteceu nos EUA e
na Europa. Por um lado, a liquidez dos bancos europeus não atingiu o nível dos
seus congéneres norte-americanos, que muito beneficiaram com a
internacionalização do dólar. Por outro lado, a economia europeia começou a
viver um processo económico autofágico, a viver para si própria (e este é
o seu verdadeiro problema). Basta dizer que a Alemanha só exporta para o
exterior do espaço europeu trinta por cento do total das suas exportações. Por
outro lado, na Europa, a Alemanha e a França exportaram o subprime para os
países periféricos, promovendo o endividamento agressivo desses países. Tal
como aqui denunciámos (ver esta hiperligação), a Alemanha, num processo inédito de
engenharia financeira, e violando o Tratado de Maastricht, emitiu uma
quantidade enorme de dinheiro (marcos, depois convertidos em euros), que escondeu em depósitos bancários, tendo-o
utilizado, posteriormente, para forçar subtilmente o endividamento de Portugal,
Espanha e Grécia (a Itália defronta-se, principalmente, com o problema da dívida
interna), países que agora se encontram submetidos, por imposição da
Alemanha e de alguns países ricos da UE, a uma dura, penosa e asfixiante
austeridade, cujo obejetivo declarado será a promoção da redução dos seus
défices orçamentais, num horizonte temporal muito curto.
Adenda: Recebi do meu sobrinho, João
de Castro Mota, a seguinte observação, que acrescento aqui:
"Deixe-me só acrescentar
um elemento à sua análise: para além da criação das offshores, da queda do
padrão ouro, e de todos os factores que menciona, tomei conhecimento de outro
elemento no excelente livro http://www.webofdebt.com/.
A reserva federal americana tem andado a suportar as bolsas de valores nos EUA.
De todas as vezes que parece que vai haver um "crash" na bolsa de
valores, isso nunca acontece (seriamente). Por exemplo, não aconteceu com os
atentados de Londres ou das torres gémeas. Nessas alturas, a Reserva Federal
cria dinheiro e envia-o para fora do país (de modo a parecer um investidor
exterior) e compra acções nas bolsas, de modo a parecer que a confiança está em
alta".
*
Ver também aqui
domingo, 9 de dezembro de 2012
Taxar os Ricos (um conto de fadas animado)
Amabilidade do Diamantino Silva e do Joaquim Pereira da Silva
***«»***
Uns, poucos, perceberam logo à primeira. Depois, mais uns outros também vieram a perceber o esquema da fraude. Aqueles que continuavam ingenuamente a acreditar na bondade do sistema só perceberam quando a crise lhes bateu em cheio na cabeça. Mas ainda há uma maioria que nunca irá perceber o que está a acontecer-lhe.
A ignorância da maioria é o cimento do poder da minoria.
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Notas do meu rodapé: Ninguém pode dizer que não sabia...
Os riscos da redução do défice
Uma vaga de austeridade orçamental varre a Europa e os EUA. A magnitude dos défices orçamentais tomou muita gente de surpresa, no entanto, a maioria dos economistas acredita que foi a despesa pública que evitou uma nova Grande Depressão.
A curteza de vistas da banca ajudou a criar esta crise, porém, não podemos deixar que a curteza de vistas dos governos - incitada pelo sector financeiro - se prolongue no tempo. O crescimento rápido e o retorno sobre o investimento público geram maiores receitas fiscais. Ora, um retorno na ordem dos 5% a 6% é mais do que suficiente para compensar os aumentos temporários na dívida pública. Uma análise custo-benefício social torna essas despesas, ainda que financiadas pela dívida, particularmente atractivas.
Joseph Stiglitz
Diário Económico
13 de Março de 2010
***«»***
Guardei em arquivo estas palavras do economista nobilizado, Joseph Stiglitz. por, na altura, elas me parecerem premonitórias (quase proféticas) e corresponderem, de certa maneira, ao que eu pensava sobre as causas da grande crise económica e financeira, que se abateu sobre os Estados Unidos e, depois, por contágio, sobre a Europa, assim como em relação às opções políticas que, principamente em Portugal, deveriam ter sido tomadas, para rapidamente a ultrapassar.
A minha discordância com a aceitação do Memorando da Troika baseou-se muito no pensamento deste ilustre economista, assim como de outros autores de referência, que não embarcaram na mistificação das correntes neoliberais, tão do agrado (porquê?) dos agentes do capital financeiro, que, depois de terem procedido à financeirização da economia, acabaram por também procederem à "financeirização" da política e dos políticos, através da organização sofisticada de uma complexa rede de influências, em que a corrupção (por dinheiro ou por promessas de auspiciosas carreiras), ocupa um lugar destacado, tendo atingido um grau elevado, como nunca antes tinha acontecido. Hoje, é fácil identificar essa promiscuidade entre os dirigentes políticos e os grandes lobies da alta finança e das grandes empresas, quer ao nível internacional, quer ao nível doméstico.
A partir do último quartel do século XIX, não há registo de que as várias crises económicas e financeiras, entretanto ocorridas, tenham sido ultrapassdas com o recurso exclusivo à austeridade e à aplicação de medidas recessivas sobre a economia. As crises foram sempre resolvidas, num período curto de alguns anos, recorrendo à aplicação de políticas de crescimento económico, ancoradas no investimento público, a fim de promover o emprego e aumentar o consumo interno e as receitas fiscais, gerando-se assim meios suficientes para poder pagar os juros e amortizar a dívida pública, entretanto contraída para sustentar aquele investimento inicial. Uma política deste tipo funciona, pois, com dívida elevada e défices orçamentais pronunciados, mas com um horizonte visível a prazo, para a sua resolução, em face das expectativas do aumento da riqueza produzida. Um pequeno comerciante, que fracassou numa determinada área de ngócio, não põe a família a passar fome e não deixa de investir no futuro dos seus filhos, a fim de perseguir o obejetivo de amealhar dinheiro para aplicar noutro negócio com melhores perspetivas de sucesso, tal como preconizam os neoliberais, em relação às opções que apresentam para os endividados países do sul da Europa. Não. Aquele comerciante vai a um banco, apresenta garantias, demonsta a viabilidade e sustentabilidade do novo negócio, e perante as expectativas geradas, pede um empréstimo. No entanto, toma as devidas cautelas para não repetir os erros anteriores, que foram fatais. O negócio, agora bem gerido, floresceu, gerou receitas, com que vai pagando os juros e amortizando a dívida, nos prazos estabelecidos. Passados algns anos, uma vez paga a dívida, a pequena empresa cresceu, dando lucros compensadores.
Não foi isso que ocorreu com a Grécia e com Portugal. A União Europeia, sob a influência totalitária da Alemanha, Holanda e Finlândia, optou por pôr os gregos e os portugueses a passar fome.
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Dois presidentes, duas visões...
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| Amabilidade da Dalia Faceira |
Dois presidentes, duas posturas diferentes. O presidente da Finlândia, com um discurso impressivo, envolvente e patriótico, O presidente indígena, com um discurso subserviente, que obedece à voz do dono, um discurso canalha e, objetivamente, de traição à Pátria. A Finlândia não se submeteu às ordens do FMI, não capitulou, não alienou a sua soberania financeira, prendeu e condenou os políticos e os banqueiros, que foram os culpados da bancarrota, e conseguiu sair da crise de cabeça levantada, constituindo-se num exemplo de como deve enfrentar-se e combater-se a arrogância do capital financeiro internacional. Portugal, pelas mãos dos néscios políticos do arco da traição (PSD/CDS/PS), ajoelhou-se vergonhosamente, numa atitude de vassalagem, perante todas as exigências que lhe foram pedidas e institucionalizou a elevação dos mercados à categoria divina.
De facto, é preciso ter azar, ter de ser governado por dirigentes políticos, a soldo dos interesses estrangeiros. De facto, é preciso ter azar, ter de viver neste jardim à beira mar plantado.
domingo, 8 de abril de 2012
Admitir o não regresso aos mercados em 2013 mostra "rumo de desastre" das políticas do Governo
O PCP disse hoje que ao admitir que Portugal poderá não regressar aos mercados em 2013, o primeiro-ministro está a mostrar "o rumo de desastre" para o país das medidas de austeridade impostas aos portugueses.
Jorge Cordeiro salientou ainda que a entrevista do primeiro-ministro a um jornal alemão torna ainda mais atual a proposta que o PCP apresentou na quinta-feira para a renegociação urgente da dívida, pois só dessa forma será possível criar condições para "libertar o país do colete de forças que só traz mais e mais dificuldades".
Diário de Notícias
***&***
Nã há volta a dar. A realidade está a andar a uma velocidade muito superior à dos cenários traçados pelo governo. Se as previsões do Orçamento de Estado ficaram rapidamente ultrapassadas, as do Orçamento Retificativo são surrealistas. Ninguém acredita naqueles números. Dentro do quadro do regime (e refiro quadro do regime, porque pode vir por aí a caminho qualquer surpresa que ponha o país de pernas para o ar), além da renegociação e reestruturação da dívida, e tal como aqui temos defendido várias vezes, impõe-se o regresso a uma moeda nacional e a consequente saída da UE. Se, pelo contrário, a UE não estiver de acordo, terá de, pelo menos, dilatar o prazo para a consolidação orçamental. É impossível recuperar a economia (e não há finanças sem economia), continuando a aplicar compulsivamente um programa político altamente recessivo, como é o do memorando da troika. Só um asno não percebe que, cortando a variável do consumo interno, o PIB e as receitas fiscais não diminuiriam.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
"Esqueçam a Grécia. É Portugal que vai destruir o euro"
"Esqueçam a Grécia. É Portugal que vai destruir o euro
Um "default" é acidente. Dois já é uma crise sistémica. Quem o diz é Matthew Lynn, colunista da Bloomberg News, sublinhando que Portugal voltará a ter um importante papel no palco mundial. Mas pela negativa. Matthew Lynn, colunista da Bloomberg News e responsável pela “newsletter” da área financeira desta agência, traça um cenário sombrio para a Zona Euro. E diz que Portugal será o responsável pela queda do euro.
No seu mais recente artigo de opinião, Lynn começa por relembrar a importância do País para a história mundial, com a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que dividiu o mundo não europeu entre Espanha e Portugal em 1494. E salienta que 2012 pode ser o ano em que Portugal volta ao centro do palco mundial. Como? “Fazendo o euro ir ao ar”, responde.
“A Grécia já estoirou – e o seu incumprimento está já descontado pelo mercado. Mas Portugal está precisamente na mesma posição (…). Está também a resvalar para um inevitável ‘default’ das suas dívidas – e quando isso acontecer, vai ter um efeito devastador para a moeda única e infligir danos ao sistema bancário europeu, que poderão revelar-se catastróficos”, escreve o comentador da Bloomberg.
O analista compara a situação de Atenas e de Lisboa, destacando que “Portugal - um dos países mais pobres da União Europeia, com um PIB per capita de apenas 21.000 dólares, significativamente abaixo dos 26.000 dólares da Grécia – fixou metas de redução do seu défice de 4,5% em 2012 e de 3% em 2013”.
“Então e como está a sair-se?”, questiona-se. E responde: “Quase tão bem como a Grécia – ou seja, nada bem. Prevê-se que a economia grega registe uma contracção de 6% este ano e Portugal não fica muito atrás – o Citigroup estima que a economia ‘encolha’ 5,7% em 2012 e mais 3% em 2013”.
Matthew Lynn recorda o estudo da Universidade do Porto, divulgado na semana passada, que diz que a economia paralela aumentou 2,5% no ano passado e que representa agora cerca de 25% da actividade económica em Portugal. “E não há qualquer expectativa de que isso vá mudar em breve. As empresas portuguesas simplesmente não conseguem sobreviver a pagar as taxas de imposto que lhes foram impostas”, refere o especialista.
“O resultado qual será?”, pergunta. E volta a responder: “Os objectivos de redução do défice não vão ser cumpridos. No início deste mês, o governo reviu em alta a previsão do défice, de 4,5% para 5,9% do PIB este ano. Se a experiência grega for válida, esta meta continuará a ser revista em alta. A economia encolhe, cada vez mais pessoas transitarão para a economia subterrânea para sobreviverem e o défice continuará a crescer”.
“Em resposta, a União Europeia exige mais e mais austeridade – o que significa, muito simplesmente, que a economia continuará a contrair-se ainda mais. É um círculo vicioso. Se alguém souber como sair dele, então está a guardar o segredo para si próprio”, comenta Lynn.
Juros da dívida a escalarem
O comentador da Bloomberg recorda o corte do “rating” da dívida soberana de longo prazo de Portugal, para nível de “lixo”, por parte da Standard & Poor’s. Das três principais agências, só faltava a S&P para a dívida pública de Portugal ser colocada na categoria “especulativa” – ou seja, não é considerada “digna” de investimento, atendendo aos riscos que os investidores correm de não serem reembolsados.
Segundo Matthew Lynn, haverá mais “downgrades”. “Os juros da dívida estão a disparar. Na semana passada, as ‘yields’ das obrigações a 10 anos superaram os 14%. E deverão subir ainda mais”, prognostica. O analista relembra que a maturidade a 10 anos da dívida soberana grega já está com juros de 33% e diz que “não há qualquer razão para as ‘yields’ da República Portuguesa não atingirem os mesmos níveis”.
“E isso é importante”, sublinha. Isto porque, adianta, a crise grega poderia até ser vista como um caso especial. “Mas não a de Portugal. Não houve ‘manipulação’ nos números [Portugal] não registou défices excessivos – com efeito, quando caminhávamos para a crise de 2008, o País apresentava défices de menos de 3% do PIB, bem dentro das regras impostas pela Zona Euro. Não era irresponsável. O problema, muito simplesmente, é que Portugal não conseguiu competir no seio de uma moeda única com economias muito mais fortes. Agora, o País está a mergulhar numa depressão em toda a escala – tão má como o que se testemunhou nos anos 30 [Grande Depressão] – devido à união monetária”.
“Vai ser tão grave como na Grécia. E talvez até pior”, vaticina.
Lynn refere igualmente que os bancos europeus estão mais expostos a Portugal do que à Grécia. “No total, os bancos têm uma exposição de 244 mil milhões de dólares a Portugal, contra 204 mil milhões de dívida grega”, segundo os dados do Banco de Pagamentos Internacionais citados pelo analista da Bloomberg.
“O grosso da dívida portuguesa é detido pela Alemanha e pela França. Mas estes são os dados oficiais. É bem provável que grande parte da dívida privada, que é mais substancial do que a dívida pública, seja detida por bancos espanhóis. E estes já estão frágeis. Conseguirão assumir as perdas? Talvez, mas não apostaria a minha última garrafa de vinho do Porto nisso”, comenta Matthew Lynn.
Em seguida, diz o colunista da Bloomberg, esta situação também irá repercutir-se na moeda única. “Se um país entrar em incumprimento, dentro de uma união monetária, isso pode ser visto como um acidente infeliz. Todas as famílias têm uma ovelha negra. Mas quando um segundo país cai, o caso fica muito mais sério. A ideia de que isto é culpa de alguns governos irresponsáveis vai deixar de ser sustentável. A explicação alternativa – a de que o euro é uma moeda disfuncional – vai ganhar mais peso”.
Segundo Lynn, “um incumprimento da dívida soberana por parte de Portugal desencadeará uma retirada da Zona Euro – e neste momento, parece que esse poderá ser o motor que desencadeará o colapso do sistema”. “Foram cinco séculos de espera. Mas agora Portugal poderá estar prestes a desempenhar de novo um papel central na economia global”, conclui o especialista da área financeira.
Texto recebido por email, sem identificação do autor
25 Janeiro 2012
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Bispo D. Januário Torgal: Uma voz dissonante da Igreja Católica
“Os nossos governantes vão além dos sacrifícios impostos pela troika"
D. Januário Torgal acusou o governo de tratar os trabalhadores por conta de outrem como se fossem “os assassinos do país", defendendo que essa ideia "é uma calúnia e um aproveitamento, porque na crise revelam-se oportunidades para explorar os explorados". O Bispo das Forças Armadas defendeu a renegociação da dívida.
ESQUERDA.NET
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O Bispo das Forças Armadas afasta-se da linha assistencialista, do agrado da maioria do clero católico e estimulada pelo próprio governo, optando por, corajosamente, denunciar a maximização da exploração dos trabalhadores portugueses. Ao propor a renegociação da dívida, D. Januário Torgal alinha com todos aqueles que não aceitam este modelo de austeridade, como medida justa e eficaz para ultrapassar a crise.
Paul Krugmam: milhões de trabalhadores estão a pagar o preço dessa amnésia deliberada
"O que causa mais fúria nesta tragédia é que ela era absolutamente desnecessária. Há meio século, qualquer economista – ou mesmo qualquer aluno de licenciatura que tivesse lido o manual de Paul Samuelson “Economia” – podia dizer que enfrentar uma depressão com austeridade é uma má ideia. Mas os decisores políticos, os formatadores de opinião e, lamento dizê-lo, muitos economistas decidiram esquecer, em larga medida por razões políticas, o que tinham aprendido. E milhões de trabalhadores estão a pagar o preço dessa amnésia deliberada". Paul Krugman, (Prémio Nobel da Econonomia)
New York Times
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O que quer dizer que a crise não é aquela entidade nebulosa e difusa, determinada por um qualquer fatalismo, ou como se fosse provocada por um catalismo natural. Nem é uma crise inocente. Tem causas objetivas e tem culpados. Mas quem está a pagar as consequências são precisamente os inocentes.
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Notas do meu rodapé: Em Portugal, são os mais pobres que estão a pagar a crise...
Já aqui foi denunciado que as medidas de austeridade impostas ao país, quer através dos sucessivos PEC`s do governo de José Sócrates, quer através da aplicação cega do memorando da troika, pelo atual governo, elegeram como vítimas os grupos sociais mais vulneráveis, os desempregados e os pensionistas, precisamente aqueles que, no conjunto da população, têm menores rendimentos e onde se aloja a bolsa da pobreza e a de todos aqueles que se encontram em risco de pobreza. E é isto que a própria União Europeia, no seu estudo, vem confirmar. De todos os países, sujeitos a políticas de austeridade, Portugal foi aquele que mais sacrificou os pobres e protegeu os ricos, o que revela a cruel e abjeta insensibilidade deste governo para com os problemas sociais emergentes.
Durante o período de tempo da aplicação das medidas de austeridade regressivas, em Portugal, o segmento dos mais pobres e o dos que se encontram em risco de pobreza perdeu entre seis a a quatro por cento dos seus rendimentos, enquanto que os mais ricos apenas perderam dois por cento. Todos os outros países considerados no estudo, Estónia (EE), Irlanda (IE), Grécia (EL), Espanha (ES) e Reino Unido (UK), ou sobrecarregaram mais os maiores rendimentos ou distribuiram equitativamente os sacrifícios por todas as classes sociais.
Estes números envergonham Portugal. E é esta vergonha que os dirigentes europeus mais ortodoxos, como a senhora Merkel, elogiam hipocritamente, classificando Portugal como um bom aluno da Europa.
http://www.socialsituation.eu/research-notes/SSO2011%20RN2%20Austerity%20measures_final.pdf
http://www.socialsituation.eu/research-notes/SSO2011%20RN2%20Austerity%20measures_final.pdf
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Daniel Estulin - O GOVERNO, SA e uma visão do teu futuro...
Amabilidade de Joaquim Pereira da Silva
*
Este vídeo também foi enviado pelo Diamantino Silva, e que vinha acompanhado por um texto esclarecedor de João Sequeira, que aqui se publica:
Queridas Amigas e Amigos:
Queridas Amigas e Amigos:
Para os poderes instituídos na Europa e nos EUA tudo o que se diz nesta conferência de Imprensa não passa daquilo a que sobranceiramente chamam de “teoria da conspiração”.A maior parte desses vociferadores da “verdade única” ou do “politicamente correcto” não são estúpidos, nem estão enganados. Apenas se limitam e serem a voz do dono, pois sabem bem os dividendos pessoais que daí tiram.
Não adianta nada discutir com eles. Adianta sim “avisar a malta” como canta a canção antiga, cada vez mais actual. Adianta sim “acordar a malta, que é o que faz falta”.
Como vêem já existem vozes no Parlamento Europeu a explicar o que é óbvio e quem manda de facto no Mundo. Os governos que, descaradamente, já nomeiam à revelia dos eleitores, e as assembleias nacionais que aceitam esses factos consumados, só sabem dizer que tudo isto não passa de “teoria da conspiração” e o que importa é credibilizar os países perante o poder financeiro, pagando os empréstimos a tempo, mas esquecendo que a maior parte desses empréstimos já foram pagos nos juros agiotas impostos. Entretanto os Povos vão empobrecendo “alegremente” à espera que chegue o “salvador da pátria” o messias chamado Hitler, Salazar, Franco, Mussolini, ou um seu filio adepto à ordem do capital financeiro, como o senhor Monti e o grego do Goldman Sachs, que vem “acabar com a malandragem e meter isto na ordem!” se os povos os deixarem.
Os mais novos não sabem como é que os “messias” conseguem esse “milagre”, mas nós os velhos, sabemos, porque já os vimos. Basta matar ou deixar morrer mais uns tantos judeus, árabes, ou ciganos. Hoje é diferente porque nesses grupos muitos se passaram para o outro lado... Hoje é mais fácil identificar alvos sempre actuais: São os pobres e pedintes porque não se lavam, tresandam, incomodam, mendigam, e é um grupo crescente, que não se esgota, com candidaturas sempre prontas na classe média, de onde se desce mais depressa do que se sobe. Basta agir “inteligentemente” nas políticas de saúde, da segurança social e do trabalho. Depois é só esperar que morram!
Já me esquecia que tudo isto não passa de “teoria da conspiração”, para os súbditos apátridas e alguns “xico-espertos”, muitos deles sem se darem conta de que são “os senhores que se seguem”.
Espero que divulguem o anexo.
João Sequeira
Não adianta nada discutir com eles. Adianta sim “avisar a malta” como canta a canção antiga, cada vez mais actual. Adianta sim “acordar a malta, que é o que faz falta”.
Como vêem já existem vozes no Parlamento Europeu a explicar o que é óbvio e quem manda de facto no Mundo. Os governos que, descaradamente, já nomeiam à revelia dos eleitores, e as assembleias nacionais que aceitam esses factos consumados, só sabem dizer que tudo isto não passa de “teoria da conspiração” e o que importa é credibilizar os países perante o poder financeiro, pagando os empréstimos a tempo, mas esquecendo que a maior parte desses empréstimos já foram pagos nos juros agiotas impostos. Entretanto os Povos vão empobrecendo “alegremente” à espera que chegue o “salvador da pátria” o messias chamado Hitler, Salazar, Franco, Mussolini, ou um seu filio adepto à ordem do capital financeiro, como o senhor Monti e o grego do Goldman Sachs, que vem “acabar com a malandragem e meter isto na ordem!” se os povos os deixarem.
Os mais novos não sabem como é que os “messias” conseguem esse “milagre”, mas nós os velhos, sabemos, porque já os vimos. Basta matar ou deixar morrer mais uns tantos judeus, árabes, ou ciganos. Hoje é diferente porque nesses grupos muitos se passaram para o outro lado... Hoje é mais fácil identificar alvos sempre actuais: São os pobres e pedintes porque não se lavam, tresandam, incomodam, mendigam, e é um grupo crescente, que não se esgota, com candidaturas sempre prontas na classe média, de onde se desce mais depressa do que se sobe. Basta agir “inteligentemente” nas políticas de saúde, da segurança social e do trabalho. Depois é só esperar que morram!
Já me esquecia que tudo isto não passa de “teoria da conspiração”, para os súbditos apátridas e alguns “xico-espertos”, muitos deles sem se darem conta de que são “os senhores que se seguem”.
Espero que divulguem o anexo.
João Sequeira
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
O politico que representa realmente a opinião da população... :-)
Amabilidade da Dalia Faceira
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Políticos ignorantes, incompetentes, estúpidos, falhados e vigaristas, afirmou o deputado britânico, Godfrrey Bloom, no Parlamento Europeu, referindo-se aos políticos dos países altamente endividados. Estes apropriados epítetos também se aplicam aos dirigentes políticos portugueses, pertencentes aos partidos do arco do poder, os quais eu comecei a designar por partidos do arco da traição. É perverso, injusto e imoral que sejam os contribuintes a ter de pagar os desmandos dos governantes e a avidez insaciável dos bancos. As políticas de austeridade não são mais do que a infame legalização do assalto aos rendimentos de quem trabalha e trabalhou. Tal como o senhor Bloom, também eu me interrogo por que razão o dinheiro da minha de reforma está a ser desviado para o Estado, em nome de uma dívida, que não contraí e de um défice orçamental para o qual não contribuí? O dinheiro roubado ao Estado, através da corrupção e do nepotismo, pelas mafias e pelos lobies que gravitam à volta dos ministérios, ultrapassa o valor da dívida e seria suficiente para corrigir o défice orçamental.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
VOU SER ROUBADO!
Decidi escrever este texto com duas intenções claras: a primeira, de desabafo, a segunda, de protesto. Estou farto de ouvir nas notícias que vou ser roubado. Até hoje nunca fui roubado. Esta vai ser a primeira vez. Felizmente nunca tive a necessidade de recorrer à polícia por um crime desse tipo. Agora, pela primeira vez na minha vida, sei com grande antecedência que vou ser roubado. Vão-me roubar muito dinheiro, o dinheiro dos subsídios de férias e de natal que conquistei com grande esforço, para o qual trabalho e ao qual acho que tenho direito. Não fiz nada para merecer este roubo. Sempre cumpri com as minhas obrigações, nomeadamente com as minhas obrigações fiscais, nunca deixei de cumprir com os meus compromissos financeiros, nunca deixei de pagar tudo aquilo que devia, nunca na minha vida roubei. Agora dizem-me que tenho que aceitar ser roubado por culpa dos erros de outros. Dizem-me também que aos responsáveis pelo facto de ter que ser roubado nada irá acontecer. Esses sim, aqueles que geriram mal os dinheiros públicos, aqueles que são os responsáveis pelas políticas que conduziram o nosso país à situação em que está, aqueles que gastaram dinheiros públicos muito para além das suas possibilidades,… foram eles que contribuíram para a situação em que se encontra o meu país. Não me recordo de ter tido algum comportamento ou ter feito algo que contribuísse para esta situação. Mas afinal, porque é que eu tenho que me deixar roubar e contribuir para pagar os erros de outros? Será que um dia também existirá o risco de me mandarem para a prisão por crimes que outros cometeram? Será que o meu erro foi, após anos a recibos verdes e a contratos a prazo, ter lutado com unhas e dentes para entrar para a função pública onde eu esperava encontrar estabilidade e segurança para assegurar segurança à minha família? Será este roubo uma inevitabilidade? Não quero acreditar! Quero lutar contra isto!
Gostaria de manifestar a minha indignação e a minha profunda revolta com esta situação que me recuso a aceitar e pela qual estou disposto a lutar como nunca lutei tanto por algo na minha vida. Pretendo lutar de todas as formas democráticas e pacíficas que se encontram disponíveis ou que venham a ser disponibilizadas para poder lutar e tentar evitar ser roubado.
Desde já agradecia a todos os que leiam este documento que agora torno público, que o reencaminhassem ao maior número de pessoas possível, que o divulgassem e afixassem, e me indicassem, através do email que a seguir identifico, todas as formas de luta e de protesto a que poderei recorrer e aderir para tentar evitar ser roubado. Conto com a ajuda de todos! Estou disponível e muito interessado por enveredar por todas as formas de luta e de protesto que sejam legais, apesar de duvidar da legalidade daquilo que me querem fazer.
Desde já agradeço a vossa atenção,
Filipe José Queirós Gomes
Psicólogo e Funcionário Público
PS: espero nunca vir a sofrer nenhum tipo de retaliações por enveredar por esta ou qualquer outra forma de protesto pacífico para tentar lutar contra o roubo que me querem fazer, pois entendo que este é um direito que tenho, o direito de manifestar a minha mais profunda indignação com esta situação.
Amabilidade do Jorge Manuel Magalhães Ribeiro
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Por uma nova política económica ao serviço do Povo Português! - por António Garcia Pereira
Os mesmos economistas que ainda há um ou dois anos atrás defendiam, como solução de “sucesso”, o modelo económico de especulação financeira e da destruição da capacidade produtiva - que precisamente conduziu o nosso País, e não só, à crise e ao desastre, reaparecem agora, e sem qualquer pudor, a defender como inevitável o pagamento da dívida e o cumprimento do acordo com a tróica, e a defender como novas soluções de “sucesso” a aposta na facilitação dos despedimentos, no abaixamento dos salários e das contribuições patronais para a segurança social, na privatização e venda a preço de saldo dos poucos activos que ainda restam ao País, na diminuição brutal das garantias sociais, política esta que o Governo, sempre invocando o dito acordo da tróica, mas indo até e por diversas vezes além dele, está agora a tratar de executar a todo o transe.
Ora, e antes de mais, impõe-se referir que o Povo Português não deve aceitar pagar uma dívida que não foi ele que contraiu nem foi contraída em seu benefício e também que, antes e acima de tudo, se imporia fazer uma auditoria independente à mesma dívida, para assim determinar rigorosamente quanto se deve, a quem se deve e porque é que se deve.
Já todos compreendemos, todavia, que os dirigentes políticos e partidos que aceitam e apoiam o citado acordo com a tróica não querem que tal auditoria se realize, pois sabem perfeitamente que, uma vez que se conhecesse com precisão em que consiste e donde provém a propalada “dívida”, nenhum elemento do Povo Português aceitara dar mais um cêntimo que fosse para o respectivo pagamento.
Depois, a lógica do “facto consumado” e a imposição dum verdadeiro “estado de sítio” informal que se nos estão a pretender impor, com a suspensão “de facto” da Constituição e o silêncio cúmplice, entre outros, do próprio Tribunal Constitucional, e tudo isto sob a invocação de que estas medidas estão no referido “Acordo da tróica”, escamoteiam que tal “Acordo” será, quando muito, um Acordo ou Convenção Internacional, de grau hierárquico inferior à Constituição, que por isso não a pode suspender ou invalidar, e que se a contrariar, como sucede com grande parte do seu conteúdo, será inconstitucional e não poderá vigorar na Ordem Jurídica interna.
Por outro lado, é preciso não esquecer que foi precisamente o modelo defendido por estes “especialistas”, assente na lógica da destruição do essencial da nossa capacidade produtiva a troco dos milhões da UE, e da consequente transformação de Portugal num País praticamente sem Agricultura, (que seria para a França) sem Indústria (que seria para a Alemanha), sem Minas e sem Pescas (que seria para a Espanha) e com um sector terciário em larga medida de baixa qualificação, e também na lógica de uma pretensa competitividade decorrente do trabalho intensivo (muitas horas de trabalho), pouco qualificado e mal pago (com salários muito baixos), que conduziu o nosso País ao desastre, à destruição da produção nacional e à transformação de Portugal num País cada vez mais dependente do exterior e, logo, cada vez mais endividado.
Acresce que a tese da pretensa necessidade da “flexibilização”, leia-se da “desregulação”, para assim se atrair investimento estrangeiro, conduz em última instância ao resultado da ausência de qualquer regulação social, já que dentro dessa lógica – e tal como, aliás, as agências de rating, então muito elogiadas, sempre defenderam… – os destinos privilegiados dos investimentos serão sempre os “paraísos” da aniquilação e destruição dos mais básicos direitos humanos e sociais.
Por outro lado ainda, como a experiência dos últimos 30 anos na Europa bem mostra, mas os “economistas” e “especialistas” seus defensores procuram escamotear, não há nenhuma demonstração de que as politicas – que não têm novidade nenhuma e representam apenas o “recauchutamento” de velhas receitas do final dos anos 70 no resto da Europa e meados/finais dos anos 80 entre nós – de flexibilização e desregulação laboral e social tenham tido por resultado o aumento da produtividade ou, mais importante ainda, o aumento do emprego.
Não existe alternativa de desenvolvimento para o País que passe pela aceitação do pagamento da dívida pois, dada a dimensão e natureza da mesma, o resultado desde logo será que quanto a todas as medidas, por mais restritivas e violentas que sejam, adoptadas num mês, logo se vem dizer no mês seguinte que afinal não chegam e que é preciso ainda mais do mesmo, ou seja, aumento dos impostos sobre quem trabalha (nos grandes interesses económico-financeiros obviamente que se não toca, porque isso poderia “assustar os mercados” e “afastar o investimento externo”…), diminuição brutal dos salários (seja pelo seu corte directo, seja pela facilitação e embaratecimento dos despedimentos) e, sob a formula eufemística do “combate à despesa”, a restrição de acesso e o aumento do custo dos serviços essenciais dos cidadãos como a Saúde, a Educação, os Transportes, a Justiça, etc..
O caminho proposto pelos “doutores da ciência económica do regime” será, assim, o da venda dos poucos activos de que o País ainda dispõe e o empobrecimento e o lançamento da grande maioria da população, durante décadas, a níveis mais baixos do que os da governação de Salazar.
Mas, ao invés do que proclamam esses autênticos “doutores da desgraça” (só para o Povo, é claro!), a alternativa existe, sendo que Portugal tem enormes vantagens competitivas de partida, a começar pela sua inigualável localização geo-estratégica!
Para isso, precisamos dum governo democrático patriótico com um programa de desenvolvimento da economia, na linha mestra de tratar de produzir para não ter de importar, e assente num conjunto de criteriosos investimentos na Agricultura, nas Pescas (pois Portugal tem a maior zona económica de toda a UE, hoje absolutamente entregue às frotas pesqueiras estrangeiras, a começar pela espanhola), na Indústria (em particular nos sectores onde temos um enorme e prestigiado “know-how” acumulado, como a Construção e Reparação Naval e Metalurgia e Metalo-mecânica) e na Tecnologia.
Peça essencial desse plano de desenvolvimento da economia nacional, e também de combate ao desemprego, deverá ser o investimento estratégico na edificação de um conjunto de portos atlânticos devidamente modernizados e apetrechados (como já é hoje o caso de Sines, ponto crucial absolutamente estratégico de todo o tráfego marítimo internacional, sobretudo após a abertura, a partir de 2013, do Canal do Panamá à passagem dos maiores porta-contentores do Mundo, determinando assim que a melhor rota de e para Oriente, designadamente de e para a China, seja por Ocidente…) e uma rede de transporte ferroviário misto (passageiros e mercadoria), em bitola europeia, ligando esses portos entre si e fazendo uma ligação à Europa pela via mais directa, rápida e competitiva e que constitui o nosso “pipeline” natural, ou seja, Vilar Formoso – Salamanca – Irún (em vez do trajecto assente essencialmente na passagem pela centralidade de Madrid, como os espanhóis nos pretendem impôr).
E este rasgar de novos caminhos passa também pela aposta nos grandes factores de produtividade do século XXI (incorporação tecnológica, qualificação do trabalho e dos processos, capacidade de inovação, excelência de gestão, etc.), pelo combate sem tréguas à corrupção e à burocracia, pela imposição à Banca – que se especializou em longa medida na mera especulação financeira – do apoio às actividades produtivas e na modificação radical do sistema fiscal, actualmente perseguidor e penalizador dos “alvos fáceis” como os trabalhadores por conta de outrém e ao qual a grande riqueza se exime por completo.
A alternativa existe, pois, e é viável!
Do que o País necessita é, isso sim, duma nova política, democrática patriótica, e duma visão estratégica baseada nessa política, e não da lógica da venda do País a retalho e da definitiva transformação do nosso País numa espécie de “Malásia de 2ª” da União Europeia.
E, como creio que agora todos agora compreenderão – mas quando aqui já uns meses atrás alguns, poucos, o disseram, (quase) ninguém os quis ouvir… – era afinal toda esta problemática que deveria ter sido ampla e democraticamente discutida na última campanha eleitoral, em vez da autêntica fraude a que assistimos, consistente em nos procurarem convencer de que o “Acordo com a tróica” (sempre convenientemente escondido nas suas consequências essenciais e mais gravosas) tinha que ser cumprido e que só poderíamos escolher entre as forças políticas que alunos mais aplicados na sua execução se mostrassem.
Os resultados da aceitação dessa fraude – levada a cabo com a prestimosa colaboração de todo um cortejo de economistas, especialistas, comentadores, jornalistas e analistas – começa agora a estar à vista.
Há agora é que romper com essa lógica, cortar com a traição nacional em curso (porque é disso que verdadeiramente se trata) e impor um rumo novo ao País!
António Garcia Pereira
In Economia com FuturoAntónio Garcia Pereira
Nota do Editor: Imediatamente a seguir à assinatura do chamado Memorando de Entendimento com a troika, assinado pelo então primeiro-ministro, José Sócrates, pelos dirigentes do PSD e do CDS, respectivamente, Passos Coelho e Paulo Portas, e, ainda, pelo actual Governador do Banco de Portugal, Carlos Silva Costa, aqui no Alpendre da Lua, aquela humilhante capitulação em relação ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia foi classificada como crime de alta traição à Pátria. E é com regozijo que se verifica, cada vez com mais frequência, o surgimento de corajosas tomadas de posição a denunciar esta traição.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
O Quarto Reich: A guerra pode ter já recomeçado - por Filipe Luís - VISÃO
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| O Hitler de saias que planeia o "Holocausto" financeiro da Grécia e Portugal |
A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compaghon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados.
As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho.
Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto diretório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o diretório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia.
Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redator do projeto de Constituição europeia.
É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.
Filipe Luís
VISÃO
5/10/2011
Amabilidade do João Fráguas e do João Grazina
domingo, 4 de dezembro de 2011
Passos retira culpas a Merkel e Sarkozy na crise portuguesa
O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho afirmou hoje, no Porto, que a crise portuguesa “não é culpa do senhor Sarkozy ou da senhora Merkel”, apoiando os dois líderes europeus na defesa de um reforço da liderança económica europeia.
“Quando os países são indisciplinados e colocam em risco outros, é natural que os que geriram bem as suas economias e emprestam dinheiro queiram receber garantias em como o que emprestam será bem utilizado. Esse governo económico que precisamos de construir na Europa é essencial para que a Europa possa ser solidária”, sustentou o primeiro-ministro, em declarações aos jornalistas.
PÚBLICO
***
Com um primeiro-ministro destes, Portugal deixará de ser um país soberano e independente. Passará a ser um protectorado da Alemanha.
A mentira não é apenas o contrário da verdade. É também a intencional e tendiciosa distorção dessa mesma verdade, através da manipulação do seu sentido e desfocalização da sua centralidade. O problema não está em não querer pagar as dívidas, como pretende fazer crer o primeiro-ministro, sempre que se vê acossado pelas duras críticas à sua política suicida.. Ninguém colocou essa hipótese, embora na crise de 1891-93, o incumprimento tivesse sido declarado, sem que Portugal tivesse desaparecido do mapa. O problema situa-se ao nível da urgência imposta pela senhora Merkel para a correcção das contas públicas, através de um obtuso e irracional plano de austeridade, que vai arrasar a economia portuguesa, amarrando-a por uns largos anos à estagnação. É uma mentira grosseira pretender fazer passar a ideia de que o crescimento poderá ocorrer com o aumento das exportações e a diminuição do consumo. Os ganhos de um dos factores são anulados pelas perdas do outro. Ninguém é capaz de apontar um exemplo de um país que tivesse crescido através de políticas recessivas, exceptuando o caso dos países exportadores de petróleo, o que não é o caso de Portugal.
Passos Coelho não entende este postulado axiomático das teorias keynesianas, que o pensamento neoliberal relegou para uma pasta de arquivo. Limita-se a papaguear o discurso da senhora Merkel, com visível subserviência e escandalosa subalternidade.
A mentira não é apenas o contrário da verdade. É também a intencional e tendiciosa distorção dessa mesma verdade, através da manipulação do seu sentido e desfocalização da sua centralidade. O problema não está em não querer pagar as dívidas, como pretende fazer crer o primeiro-ministro, sempre que se vê acossado pelas duras críticas à sua política suicida.. Ninguém colocou essa hipótese, embora na crise de 1891-93, o incumprimento tivesse sido declarado, sem que Portugal tivesse desaparecido do mapa. O problema situa-se ao nível da urgência imposta pela senhora Merkel para a correcção das contas públicas, através de um obtuso e irracional plano de austeridade, que vai arrasar a economia portuguesa, amarrando-a por uns largos anos à estagnação. É uma mentira grosseira pretender fazer passar a ideia de que o crescimento poderá ocorrer com o aumento das exportações e a diminuição do consumo. Os ganhos de um dos factores são anulados pelas perdas do outro. Ninguém é capaz de apontar um exemplo de um país que tivesse crescido através de políticas recessivas, exceptuando o caso dos países exportadores de petróleo, o que não é o caso de Portugal.
Passos Coelho não entende este postulado axiomático das teorias keynesianas, que o pensamento neoliberal relegou para uma pasta de arquivo. Limita-se a papaguear o discurso da senhora Merkel, com visível subserviência e escandalosa subalternidade.
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Explicação da Crise Financeira Mundial
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"E tudo o vento levou" seria o título que eu escolheria para este vídeo, que, através de uma fina ironia, explica linearmente a forma como tudo aconteceu. O problema surgiu, quando alguém perguntou o valor das casas, agregado a todos aqueles títulos hipotecários. Um terramoto não teria feito piores estragos. E, passados todos estes anos, tudo continua na mesma. O esquema mantém-se, apenas mudaram os destinatários, disse recentemente Carlos Tavares, o presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), quando se insurgia, numa conferência realizada no Porto, contra a falta de regulação em muitos sectores dos mercados financeiros. A privatização dos lucros e a socialização dos prejuízos continua a ser a regra de ouro de um sistema que não pode reformar-se a si mesmo, sendo necessário, pois, combatê-lo revolucionariamente.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Cavaco espera que Portugal esteja a crescer em 2013
O Presidente da República disse segunda-feira esperar que Portugal esteja a crescer em 2013, no final do período de execução do acordo de assistência financeira, sublinhando que tem de estar "optimista".
Diário de Notícias
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Nesta mensagem optimista, acredito. Vem do limbo dos deuses.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2123754
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2123754
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
Empresa da CP encomenda 13 carros de luxo para chefes
A EMEF, com resultados negativos de 2,2 milhões de euros e um passivo de 71,7 milhões de euros em 2010, gasta 237 120 euros em veículos para directores.
O "Correio da Manhã" escreve que numa altura de cortes dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos e pensionistas, a EMEF - Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário, cujo único accionista é a CP, vai gastar 237.120 euros na aquisição de 13 carros topo de gama para directores.
A EMEF apresentou um resultado líquido negativo de 2,2 milhões de euros no seu Relatório e Contas no que respeita a 2010. O mesmo documento refere que a empresa tem um passivo de 71,7 milhões de euros. O accionista único da EMEF, a CP, registou resultados líquidos negativos no ano passado de 195,197 milhões de euros. No total acumulado, a CP tem um prejuízo de cerca de 5,55 mil milhões de euros.
Diário de Notícias
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É o delírio febril do fim de um ciclo e a prova de que o Estado já não controla as empresas públicas, verdadeiras ilhotas soberanas, que se governam a si próprias e que caminham em roda livre. Cai por terra o argumento, exaustivamente utilizado, de que a austeridade é para todos. E são precisamente aqueles, que não estão a ser afectados por essas medidas, que, nas televisões e na imprensa, afirmam ser necessário fazer sacrifícios. Não eles, claro!
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