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quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Uma explicação necessária em relação à morte de Mário Soares


Uma explicação necessária em relação à morte de Mário Soares

Nestes dois últimos dias, fui deixando, pelos vários grupos, em que colaboro, várias mensagens, que traduziam o meu estado de espírito, sobre a morte de Mário Soares, que lamentei, naturalmente. Reproduzo esta, que enviei à amiga Ana Henriques, que é que melhor sintetiza o meu pensamento sobre o político que, a par de Álvaro Cunhal, foi a figura mais marcante do regime de 25 de Abril, tal como o foram, no tempo da República, Afonso Costa e António José de Almeida: " É certo que Mário Soares foi um antifascista e que lutou pela liberdade e pelo fim da Guerra Colonial. Pelo recolhimento a que me obrigo, pela sua morte, e cumprindo o estado de luto nacional, não irei agora fazer qualquer abordagem à sua obra e à sua personalidade. Fica para mais tarde, quando as emoções colectivas e as individuais serenarem".
Alexandre de Castro

Imagens dos funerais das duas figuras políticas mais emblemáticas dos últimos 50 anos

Imagem retirada do Grupo do Facebook, Álvaro Cunhal
Há uma diferença significativa entre um funeral de Estado e um funeral do povo.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Face ao falecimento do Dr. Mário Soares


NOTA DO SECRETARIADO DO COMITÉ CENTRAL DO PCP

Face ao falecimento do Dr. Mário Soares
7 Janeiro 2017
O Partido Comunista Português, face ao falecimento do Dr. Mário Soares já apresentou directamente ao Partido Socialista e à família as suas condolências.
Mário Soares, fundador do Partido Socialista, seu Secretário-geral, personalidade relevante da vida política nacional, participante no combate à ditadura fascista, no apoio aos presos políticos, desempenhou após o 25 de Abril os mais altos cargos políticos, designadamente como Primeiro-Ministro, como Presidente da República e membro do Conselho de Estado.
Lembrando o seu passado de antifascista, o PCP regista as profundas e conhecidas divergências que marcaram as relações do PCP com o Dr. Mário Soares, designadamente pelo seu papel destacado no combate ao rumo emancipador da Revolução de Abril e às suas conquistas, incluindo a soberania nacional.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Soares avisa que "quer atirar abaixo o Governo"


O ex-chefe do Estado fez duras críticas à actuação do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, nomeadamente às "pressões terríveis" e ao "atrevimento" de discutir a decisão do Tribunal Constitucional: "Isto tem algum sentido democrático? Onde é que está a democracia para esses senhores?"
O fundador do PS vincou que Portugal não tem condições para pagar a dívida e que "o Estado, por mais que roube o dinheiro às pessoas, não é capaz de pagar aquilo que deve", tendo defendido que "quando não se pode pagar, a única solução é não pagar".
Soares considerou ainda que é necessário "falar grosso à troika" e, de forma muito clara, dizer que não é possível continuar com esta política.
Para o ex-Presidente da República, num momento em que "mais de dois terços do país" estão contra o executivo de Passos Coelho, torna-se indispensável "acabar com a austeridade e com a ânsia de ser úteis à senhora Merkel", tendo considerado que o caminho passa por mudar de Governo.
***«»»***
Até que enfim vejo alguém do PS em tendencial sintonia com aquilo que eu penso! E esse alguém não é uma pessoa qualquer. Trata-se de um ex-Presidente da República, de um ex-primeiro-ministro, que exerceu dois mandatos sucessivos em cada uma daquelas altas funções, de um ex-deputado à Assembleia Constituinte e à Assembleia da República, e, acima de tudo, do fundador do Partido Socialista, do qual foi o secretário-geral mais carismático.  Desassombradamente, Mário Soares disse aquilo que o governo e a direita não gostam de ouvir e que muitos socialistas pensam, mas que não têm tido coragem de o afirmar. Já dissemos aqui que a condição de devedor não obriga à submissão à vontade discricionária do credor. À chantagem dos dirigentes da UE, Portugal, fazendo das fraquezas forças, só tem que responder com a firme ameaça de não pagar a dívida e de sair do euro. É o suficiente para provocar um terramoto financeiro e político na Europa, e que aqueles dirigentes, a todo o custo, querem evitar. A arrogante Alemanha viu várias vezes, durante o século passado, parte as suas dívidas a serem generosamente perdoadas, inclusivamente as dívidas das indemnizações de guerra à Grécia. Porque negar, agora, a Portugal e à Grécia o mesmo tratamento?
Portugal já não poderá pagar a totalidade da sua dívida pública, tal é o seu montante. E as dificuldades de cumprir aquele compromisso aumentarão na proporção direta do aumento da austeridade, que venha a ser aplicada ao país, tal como está a ser planeado na reunião do eurogrupo, em Dublin.  Já está provado que, com a austeridade, não há crescimento. Há recessão económica, que irá provocar um desastre de proporções gigantescas e dramáticas.