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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Um país que envelhece é um país que empobrece


Um país que envelhece é um país que empobrece

As perspectivas demográficas, para Portugal, não são animadoras. Até 2080, Portugal perderá 2,6 milhões de habitantes e o número de jovens diminuirá de 1,4 milhões para 900.000, revelou o INE, em Junho passado, ao mesmo tempo que informou que o número de idosos deverá aumentar de 2,2 milhões para 2,8 milhões. “No futuro, mantém-se o declínio populacional e o agravamento do envelhecimento demográfico”, antevê o INE.
Perante estas projecções, no final do século, Portugal será um país de velhos. E um país que envelhece é um país que empobrece. E eu não vejo os nossos políticos, os dos partidos do arco do poder (PS, PSD e CDS), a encararem de frente este grave problema, preocupados que estão, a fim de politicamente sobreviverem, em aplicar apenas políticas de curto e médio prazo, muitas delas viciadas com o traiçoeiro e enganador eleitoralismo.
Em vez de construir, estamos, por antecipação e por inércia, a destruir o Portugal do futuro, assumindo por inteiro aquele adágio “quem cá fica que se amanhe”.

Alexandre de Castro
2019 02 20

sexta-feira, 9 de maio de 2014

INE: Desemprego no 1º trimestre baixa 2,4 pontos percentuais


A taxa de desemprego baixou 2,4 pontos percentuais no primeiro trimestre de 2014, comparativamente ao mesmo período de 2013, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). A taxa estimada é de 15,1%.
A taxa de desemprego estimada para o primeiro trimestre de 2014 foi de 15,1%, sendo inferior em 2,4 pontos percentuais comparativamente ao período homólogo de 2013 e em 0,2 pontos percentuais ao estimado para o trimestre anterior, de acordo com os dados divulgados hoje pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Notícias ao Minuto

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A Estatística é uma ciência exata, porque se apoia na Matemática. Mas poderá ser uma volúvel técnica especulativa e manipuladora, conforme a escolha que se faça na abordagem ao objeto em estudo. No caso da avaliação da evolução da taxa de desemprego, e considerando as particularidades da atual situação social do país, ela será sempre insuficiente, e até supostamente parcial e tendenciosa, se a respetiva abordagem não considerar a emigração dos jovens em idade ativa, que, como se sabe empiricamente, é muito elevada. 
O INE, ao apresentar, desta forma simplista e primária, a evolução da taxa de desemprego, está objetivamente a dar ao governo um argumento de peso, que irá ser utilizado como arma de arremesso propagandístico e apresentado como confirmação do sucesso das suas políticas de austeridade. E isto não é verdade, pois o desnível acentuado entre um maior número de empregos destruídos em relação ao número dos empregos criados demonstra precisamente o contrário.
À Estatística não lhe basta ser exata. Tem de ser também séria.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Desempregados com "canudo" crescem mais do que com o básico


Jovens com menos de 35 anos, uma maioria de mulheres, na maior parte dos casos à espera de colocação há menos de um ano. Em Junho de 2010 havia cerca de 43 mil diplomados inscritos no centro de emprego - mais 15 por cento do que um ano antes. E é este o seu retrato. Continuam a ser uma pequena fatia do universo dos que não têm trabalho (oito por cento). Mas o número de desempregados com um curso superior aumentou. E a um ritmo maior do que o registado no desemprego em geral, que subiu 12 por cento, segundo um relatório do Ministério da Ciência e Ensino Superior divulgado esta semana.
O levantamento, que tem como título A procura do emprego dos diplomados com habilitação superior, é feito semestralmente, desde 2008. Baseia-se nas inscrições dos candidatos a emprego, registadas pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional, e na informação fornecida anualmente pelas instituições de ensino. Mostra apenas uma parte da realidade do desemprego, já que, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE), cujos cálculos são feitos com outra metodologia (com base nos inquéritos às famílias), o universo é bem maior. No terceiro trimestre de 2010, do total de 609 mil desempregados, 11,2 por cento tinham concluído um curso superior: eram 68,5 mil, segundo o INE, mais 6,5 por cento do que no ano anterior.
PÚBLICO
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Se existe um sector, em Portugal, onde se verifica que o mercado não tem plena capacidade de, automaticamente, se auto-regular, esse sector é o do ensino superior, que não consegue coordenar a sua oferta com as necessidades de médio prazo do mercado de trabalho e da economia. E ainda ninguém fez as contas aos prejuízos que isso provoca à economia nacional, pois trata-se de um desperdício, quando se gasta dinheiro (das famílias e/ou do Estado) com a formação de um diplomado e esse diplomado não encontra um emprego compatível com a sua formação superior e é obrigado a trabalhar numa actividade, em que essa formação não é necessária.
Os casos mais gritantes de desfasamento entre a oferta de cursos superiores e a oferta do mercado de trabalho, encontram-se ao nível dos cursos de Medicina e de Direito. Em Medicina, por força dos lobbies, existe pouca oferta da parte das respectivas faculdades e muita procura, não satisfeita, por parte do mercado. Em Direito, ocorre precisamente o contrário. Em cada esquina tropeçamos com um licenciado em Direito, enquanto o país se está a ressentir da falta de médicos de família, que constituem a espinha dorsal do Serviço Nacional de Saúde. E o Estado, que há bastantes anos se defronta com este magno problema, mostra-se incapaz de o resolver, abdicando escandalosamente da sua função reguladora. Com esta anarquia, perdem os alunos, perdem as famílias e perde a sociedade. As admissões às universidades e aos institutos politécnicos deveria obedecer a um planeamento nacional, da responsabilidade da tutela, que procuraria, através do numerus clausus, e em coordenação com os outros ministérios e com as associações empresariais, adaptar o número de vagas às necessidades a médio prazo da economia e não apenas em relação à capacidade de cada instituição de ensino superior.
http://www.publico.pt/Educação/desempregados-com-canudo-crescem-mais-do-que-com-o-basico_1480045

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Adenda ao artigo "Estatísticas do emprego deixam de ser directamente comparáveis com os dados existentes"

Quando comentei esta alteração de metodologia no cálculo da taxa de desemprego, dei como adquirido que o Instituto Nacional de Estatística (INE), paralelamente à realização dos inquéritos em 2010, teria testado o novo processo, através de entrevistas pelo telefone, numa amostra populacional mais pequena, mas com significado estatístico, a fim de sinalizar o respectivo desvio, que poderia servir, embora com alguma margem de erro, para comparar a evolução daquele prâmetro estatístico com os anos anteriores, evitando-se assim a sua quebra sequencial. Esse trabalho parece que foi feito, mas a presidente do INE, que ainda não sabe que as instituições do Estado não são uma coutada privada dos ministros e dos seus funcionários superiores, recusou-se a revelar os resultados, o que levantou justificadas suspeitas entre os especialistas da área económica.
Tudo leva a crer que as disparidades dos resultados estatísticos entre os dois processos tenham sido escandalosamente muito pronunciadas, ao ponto de os dirigentes as quererem esconder da opinião pública. As consequências deste comportamento são nefastas para a credibilidade do INE entre os agentes económicos (agências de rating incluídas). Os valores relativos ao emprego e ao desemprego são fundamentais para avaliar o estado da economia, pelo que, em nome do interesse nacional, se exige que a presidente do INE esclareça cabalmente a situação.
Nota: Com comportamentos destes, não admira que os mercados não acreditem no nosso país.

Estatísticas do emprego deixam de ser directamente comparáveis com os dados existentes


O INE está a introduzir alterações no método de recolha de informação para as estatísticas do emprego, que passará a ser feita por telefone, inviabilizando comparações directas com as estatísticas anteriores, num momento em que o desemprego regista um pico histórico no país e em que se perspectiva que continue a aumentar.
PÚBLICO
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Não vai haver telefones que cheguem!...
Já estou a ver o puto, lá de casa: Oh, mãe!... É o homem do desemprego...
Isto para não falar dos desempregados, que foram pôr o telemóvel no prego!...
Não se questiona a vantagem do novo método, que agiliza, sem dúvida, a recolha da informação. Questiona-se, sim, a oportunidade, no momento em que a taxa de desemprego está em alta. Isto vai facilitar a demagogia dos governantes, que poderão sempre dizer, a partir do próximo ano, e tomando como referencial os dados estatísticos de 2011, que o desemprego subiu pouco.
http://economia.publico.pt/Noticia/estatisticas-do-emprego-deixam-de-ser-directamente-comparaveis-com-dados-existentes_1473504