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quinta-feira, 19 de abril de 2018

Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores.


Contentores do Serviço de Neurocirurgia d0 H. S João


Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores

É obra! Esta situação, vivida no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto, e que é verdadeiramente chocante. É um bom exemplo da capacidade de resposta governativa que os partidos do Bloco Central, coligação esta que, agora, parece estar numa outra gestação, são capazes de dar aos problemas concretos do país real.

Deixemos-nos de ilusões: PS e PSD são farinha do mesmo saco. A diferença apenas está na moagem.

É de estarrecer, quando nos defrontamos com este pedaço de prosa, desta reportagem do PÚBLICO.

"A enfermeira veio chefiar o serviço há dois anos e viu parte do hospital onde trabalhava há 30 anos com novos olhos. "Quando me mostraram as casas de banho, a primeira lembrança que tive foi de um campo de concentração". O dia-a-dia trouxe-lhe outras dificuldades: "No Inverno os familiares têm que trazer cobertores. O frio é imenso e ainda há sítios onde chove, nomeadamente numa enfermaria. Há buracos, frequentes pragas de formigas. As sanitas entopem quase diariamente" e Isabel Dias não pode conter a ironia quando olha para o chão colorido dos corredores, símbolo das reparações mais ou menos antigas do piso. Da última vez que este cedeu, uma enfermeira ficou com o pé preso. "Os profissionais estão exaustos", afirma".

Mas o Costa virou mais uma página. Uma página amarelecida pelo tempo, o tempo de onze anos, e, página essa, que foi "virada a ferros".

Entretanto as crianças com cancro, deste hospital, continuam no corredores, a fazer os tratamentos de quimioterapia. E o Marcelo ainda não apareceu por lá, para os habituais beijinhos e abracinhos. Claro, o homem não pode ir a todas.
Alexandre de Castro
2018 04 19

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Hospital Oriental de Lisboa terá 825 camas e autonomia pediátrica


Hospital Oriental de Lisboa terá 825 camas e autonomia pediátrica

Ministro da Saúde anunciou que o futuro hospital oriental de Lisboa terá 825 camas e uma pediatria autónoma
O futuro Hospital Oriental de Lisboa, que acolherá as unidades do Centro Hospitalar de Lisboa Central, vai ter 825 camas e uma autonomia pediátrica, anunciou hoje o ministro da Saúde.
Adalberto Campos Fernandes falava durante uma audição na Comissão Parlamentar da Saúde, durante a qual disse aos deputados que espera enquadrar as primeiras verbas para os novos hospitais no Orçamento do Estado para 2017.
Em relação ao futuro Centro Hospitalar de Lisboa Oriental - que acolherá os atuais hospitais de São José, Santa Marta, Curry Cabral, Capuchos, Maternidade Alfredo da Costa e Dona Estefânia -, o ministro garantiu que a gestão clínica será pública, mas que ainda estão a ser avaliadas eventuais vantagens de uma Parceria Pública Privada (PPP) para a construção e equipamentos.

***«»***
O número de camas (825) do novo hospital é igual ao somatório do número de camas dos antigos hospitais a integrar? Parece-me que não. Por este lado, Lisboa vai perder capacidade de resposta, em termos de oferta de cuidados de saúde hospitalares. Assim como vai perder dois hospitais carismáticos, bem localizados no centro da cidade, e altamente especializados (Hospital D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa), que, ao longo de um século, desenvolveram uma "cultura médica propria", de elevada qualidade técnica, científica e assistencial, e que, possivelmente, irá fragmentar-se, o que se lamenta. 
O novo, só porque é novo, não pode destruir aquilo que o velho tem de bom.
Também não sei se acabou por prevalecer aquela ideia do modelo americanado da enfermaria única para todos os serviços clínicos, ao contrário da estrutura espacial e funcional dos hospitais a substituir - em que cada serviço tem a sua própria enfermaria - ignorando-se assim os benefícios dos efeitos de proximidade do doente acamado, em relação ao seu respectivo serviço, e também as respectivas especificidades técnicas diferenciadas, para cada um deles, quer ao nível do mobiliário, quer ao nível da aparelhagem médico-cirúrgica.
AC

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Deixem-se de guerras inúteis. Exijam mais camas de cuidados paliativos…


Eutanásia: Ministro não acredita que profissionais de saúde não cumpram a lei

Bastonária dos Enfermeiros afirmou este sábado que há médicos que sugerem a eutanásia a alguns doentes.
O ministro da Saúde disse hoje não acreditar que os profissionais de saúde não cumpram a lei no caso da eutanásia e sublinhou que a bastonária da Ordem dos Enfermeiros terá oportunidade de explicar melhor as suas palavras.
"Solicitei Inspetora-geral das Atividades em Saúde que tomasse uma primeira iniciativa para esclarecer eventuais dúvidas que possam existir. Não acreditamos que os profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) não façam aquilo que a lei determina, que a sua consciência exige e que os princípios da ética e rigor profissional exigem, por isso vamos ter serenidade", disse.

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Deixem-se de guerras inúteis! A Ordem dos Enfermeiros e a Ordem dos Médicos faziam melhor em juntar esforços para denunciarem o facto de, no país, existirem apenas 250 camas de cuidados paliativos, o que é um escândalo. 
O direito de optar pela morte assistida, a fim de evitar um prolongado e inútil sofrimento, quando manifestada, previamente, na posse do pleno uso de todas as faculdades mentais, deve ser concedido a todo o cidadão, devendo também vincular deontologicamente, como agentes activos, todos os médicos e enfermeiros. Os argumentos de cariz religioso não podem, nesta matéria, violar a vontade livre de qualquer cidadão. A mim, pouco me importa que o Papa, o bispo, o padre e a catequista considerem a eutanásia um crime. Pelo contrário, o verdadeiro crime consiste em, por omissão, submeter à mais brutal tortura um doente crónico em fase terminal.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Uma descida ao inferno...

O Inferno de Dante | Botticelli

Uma descida ao inferno...
Ainda não se atingiu o pico da procura, que, normalmente, ocorre nesta época do ano, e já os hospitais estão a entrar em ruptura. Os portugueses começam a pagar mais uma factura, e esta bem pesada e dolorosa, de quatro anos de uma política assassina, de um governo de direita, que nos dizia constantemente estar apostado em salvar a Pátria. E, para já, o actual governo não pode fazer mais do que recorrer ao improviso, para poder tapar buracos. O relato desta notícia  é verdadeiramente pavoroso. É como descer ao inferno de Dante!

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Caos: Macas amontoadas, pessoas a gritar e médicos agredidos


O caos nas urgências continua a dominar a atualidade. Depois das medidas anunciadas pelo ministro da Saúde, uma equipa de reportagem da TVI visitou alguns hospitais para saber se a situação tinha mudado. A conclusão é preocupante.
A TVI quis saber se os hospitais, depois das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde, estão a ser capazes de atender todos os pacientes normalmente. Mas parece que não.
A jornalista da TVI filmou, com uma câmara oculta, o interior do Hospital de Chaves, do Hospital Garcia de Orta, do Hospital Amadora-Sintra, do Hospital de Santa Maria e ainda do Hospital de Setúbal. A situação é de caos.
Há doentes deitados em macas durante horas que acabam por ficar amontoados em corredores devido à falta de camas. Não há cortinas a separar uma maca de outra e no Hospital de Chaves os bombeiros tiveram de esperar duas horas até verem a sua maca libertada, pois o hospital não tinha nenhuma livre para acomodar o paciente. No Hospital de Setúbal passa-se o mesmo.
No Garcia de Orta, a jornalista assistiu ao momento em que um paciente caiu de uma maca. No Amadora-Sintra a filha de uma paciente contou que “o espaço entre as macas é mínimo”, há “pessoas a gritar”, pessoas a “quererem deitar-se por debaixo das macas com fraldas à vista” de quem quer passe.
No Hospital de Santa Maria a situação não é mais tranquilizadora. A chefe da Equipa de Banco contou que já foi agredida por familiares de pacientes e que os médicos mais novos, sem experiência, podem até assustar-se com o caos vivido.
“Quando os familiares invadem um gabinete onde muitas vezes estão médicos novos sem a experiência que eu tenho, já me bateram (…). Estamos a falar muitas vezes de médicos muito novos. A probabilidade de entrarem em pânico e errarem e de se sentirem mal e da próxima vez não quererem aparecer é muito grande”, contou à TVI Nídia Zózimo.

***«»***
Trata-se de um cenário macabro e dantesco de um país do Terceiro Mundo!... 
Ou os portugueses reagem com violência, ou o país afunda-se para sempre.
Os canibais têm de ser apeados!

terça-feira, 18 de novembro de 2014

COMUNICADO DA FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS (FNAM)


FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

O Internato Médico, o seu retrocesso e os novos desafios decorrentes da política mercantilista desta equipa ministerial

O Internato Médico, constitui a base insubstituível do exercício qualificado e diferenciado da profissão médica e um fator de contínuo fortalecimento das Carreiras Médicas.
Logo no início da profunda reflexão encetada em torno da estruturação do próprio conceito das Carreiras Médicas, o conhecido e sempre atual “Relatório sobre as Carreiras Médicas”, divulgado em 1961, considerou que “os internos constituem um elemento imprescindível da orgânica hospitalar, de tal modo que os serviços onde eles rareiam, funcionam dificilmente…”.
Importa lembrar que naquela altura não existiam centros de saúde e que o trabalho médico organizado em equipas se desenvolvia exclusivamente nos poucos hospitais em funcionamento.
Ainda antes de existirem no plano legal quaisquer enquadramentos de carreiras médicas, o Internato Médico já era uma realidade marcante no funcionamento das unidades hospitalares públicas e com acrescidas exigências de rigor formativo e de contínuo aprofundamento científico.
Podemos considerar que sem essas exigências na formação dos novos médicos que várias gerações de distintos médicos hospitalares seniores se empenharam em desenvolver, ao mesmo tempo que preservaram a formação médica de intromissões e perversões políticas mesmo em tempos difíceis da ditadura, não teria sido possível mais tarde, e já em democracia, criar o edifício jurídico e técnico-científico das Carreiras Médicas.
A estruturação do Internato Médico ao longo dos anos e o enquadramento legal que foi estabelecido a nível curricular, de transparência de processos de avaliação e de equidade formativa, fazem dele um exemplo ímpar no plano  
internacional e com amplo reconhecimento por múltiplas instâncias de diversos países.
No início da década de 1990 e após a conclusão do processo negocial do segundo diploma das Carreiras Médicas (D.L. n.º 73/90), foi legalmente eliminada a possibilidade de efetuar internatos da especialidade voluntários pela Ordem dos Médicos.
De acordo com essa via, os médicos que não obtivessem uma nota na prova de seriação nacional que lhes possibilitassem escolher a especialidade que pretendiam, estabeleciam contactos com diretores de serviço para obter a respetiva autorização para se integrarem nas atividades do respetivo serviço e concluída a formação equivalente à dos médicos internos aí colocados por concurso, apresentavam-se a um júri designado pela Ordem dos Médicos para obterem o título de especialista.
O trabalho no serviço e a formação obtida não eram objeto de qualquer remuneração, o que implicava a realização de trabalho indiferenciado por parte desses médicos noutros locais após o horário relativo a esse internato voluntário.
Durante esses anos, este processo dos internatos voluntários esteve sempre envolto em grandes polémicas e contestações, porque em múltiplos casos eram levantadas suspeições de que não era colocado a concurso um número razoável de vagas para depois assegurar o seu preenchimento pelos voluntários da simpatia de alguns diretores, bem como o facto dos médicos internos colocados por concurso serem muitas vezes preteridos em benefício dos referidos voluntários na construção do currículo.
Assim, o então Departamento de Recursos Humanos do Ministério da Saúde emitiu a Circular Normativa n.º 18/92, onde num dos seus parágrafos é afirmado que: “É, pois, oportuno e necessário reafirmar esse impedimento que se mantem vigente e que decorre nomeadamente de disposições legais comunitárias. De acordo com o Anexo à Diretiva 75/CEE, aditado pelo artigo 13.º da Diretiva 82/76/CEE, a formação deve ser efetuada em postos específicos, com toda a dedicação à atividade e ser objeto de remuneração adequada. Será forma de garantir as condições e a qualidade da formação e, consequentemente, o reconhecimento de diplomas, certificados e outros títulos obtidos”.
Deste modo, foi com algum espanto que verificamos estar previsto o retorno dos internatos voluntários à Ordem dos Médicos na última versão do documento ministerial relativo à revisão do Internato Médico.  
A introdução dessa possibilidade nessa versão constitui formalmente a liquidação da titulação única.
Acaba por se tornar inevitável trazer à discussão, com maior ou menor grau especulativo, a ligação entre uma medida deste tipo e as afirmações, sem qualquer fundamento, acerca das grandes limitações futuras da capacidade formativa dos serviços ou até dos propósitos de alguns intervenientes quanto à eventualidade desta fase formativa não ser objeto de qualquer remuneração.
Com a alegação, não demonstrada, de que não existem adequadas capacidades formativas e com a recriação de internatos voluntários para obter títulos pela Ordem dos Médicos, está criado o cenário para o desmembramento do Internato Médico, para subir mais uns patamares na escravização do trabalho médico e para a colocação num mercado de trabalho selvagem muitos jovens médicos indiferenciados e com baixas remunerações.
Simultaneamente, a existência de Parcerias Público-Privadas na saúde e de unidades de saúde privadas que solicitam a atribuição de idoneidade formativa de alguns dos seus serviços, colocam questões delicadas que necessitam de uma abordagem esclarecida, realista e desligada de interesses alheios aos médicos.
A interdependência vital entre a formação de qualidade do Internato e as Carreiras Médicas adquiriu uma evidência de tal dimensão que hoje não é possível negá-la.
A excelência da escola médica no nosso país passou a ser uma incomodidade para diversos círculos económicos e para certos sectores políticos que há largos anos continuam a desenvolver esforços para destruir mais um “mau exemplo” de dois importantes serviços públicos: saúde e educação.
O claro reconhecimento internacional da qualidade da escola médica e da formação pós-graduada no nosso país tem determinado que as instâncias oficiais de diversos países europeus, e até de alguns países árabes, tenham escolhido os nossos médicos como alvo prioritário da sua abordagem de contratação laboral.
Nesse sentido, quando existem pressões políticas para conceder idoneidade formativa a serviços de unidades privadas que na sua grande maioria têm um corpo médico a tempo parcial, que não aplicam qualquer estrutura de carreira médica, nem de progressão e diferenciação profissional, e que nem sequer dispõem de qualquer instrumento de contratação coletiva, o objetivo fundamental só pode ser a promoção do rápido desmoronamento do Internato Médico.
O mesmo objetivo se aplica às PPP, que estão obrigadas legalmente a aplicar o regime das carreiras médicas por disposição expressa do D.L. n.º 176/2009, no  
caso de não disporem da correspondente contratação coletiva negociada com as organizações sindicais médicas.
É deste quadro de avaliação das várias situações existentes que a FNAM irá definir as suas posições reivindicativas nesta importante matéria.
O Internato Médico constitui, na prática, o alicerce das Carreiras Médicas e a sua permanente fonte alimentadora.
Os inimigos dos médicos, das suas carreiras e do SNS sabem que a liquidação do Internato Médico constitui um passo quase irreversível de destruição da qualidade dos cuidados de saúde e da função social e constitucional dos serviços públicos de saúde.
A FNAM assume, de forma inequívoca, o compromisso de desenvolver todos os esforços na defesa do Internato Médico e dos legítimos interesses socioprofissionais dos médicos internos.
A FNAM não pactuará com quaisquer tentativas de restaurar práticas de compadrio e de escravização do trabalho dos médicos internos, independentemente das fórmulas dissimuladas com que se apresentem.

Coimbra, 17/11/2014

A Comissão Executiva da FNAM

quinta-feira, 19 de junho de 2014

66 diretores do Centro Hospitalar S. João demitem-se


A demissão em bloco foi apresentada esta manhã. São 66 diretores, entre chefes de unidades intermédias de gestão, diretores clínicos e não clínicos, que disseram não estar disponíveis para continuar na unidade perante a degradação dos cuidados. Administração está solidária.
Entre as razões apontadas para a decisão tomada em bloco estão "a qualidade na prestação de cuidados de saúde à população estar em risco", a desvalorização do centro hospitalar e da sua missão e a centralização administrativa "no que concerne a políticas de recursos humanos, investimento, manutenção estrutural e infraestruturas e de equipamentos e compras, que afetará gravemente a prossecução da atividade assistencial".

***«»***
O diretores do Centro Hospitalar de S. João já fiizeram o que deviam, demitindo-se em bloco, devido à degradação progressiva da qualidade dos serviços de saúde, prestados à população, iniciativa que o conselho de administração subscreveu.. Falta agora idêntica iniciativa dos responsáveis de todas as outras unidades de saúde do país.
Não se trata de uma reação corporativa, à procura de privilégios, nem de nenhuma reivindicação sindical a exigir aumentos de salários. É apenas o aflorar de um sentimento coletivo de impotência, perante a ofensiva surda de um ministro, apostado em destruir gradualmente o Serviço Nacional de Saúde, para que os privados possam abocanhar a sua parte mais rentável. E as queixas apresentadas pelos profissionais demissionários do Centro Hospitalar de S. João são comuns a todo o universo do Serviço Nacional de Saúde.
O ministro da Saúde que, com o seu ar bonacheirão, tem passado incólume pelos intervalos da chuva, levou, com esta demissão coletiva, uma estocada de morte. Ele até pode não se demitir - pois está vinculado, tal como todos os outros ministros deste governo, ao compromisso de "missão" de instalarem em Portugal um verdadeiro Estado neoliberal e de obedecerem cegamente aos interesses dos agentes do capitalismo financeiro internacional e aos diretórios políticos europeus - mas, a partir de agora, ele ficou a saber que a onda de protesto vai molhá-lo dos da cabeça até aos tornozelos.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Trocar o certo pelo incerto: a promessa de um hospital em Chelas - por Pilar Vicente


Começaram por vender ao desbarato os terrenos onde estão implantados edifícios históricos que são património arquitetónico ímpar, recheados de azulejaria e outras preciosidades, sem que os cidadãos saibam qual vai ser o seu destino...

Entretanto estes hospitais públicos pagam rendas exorbitantes por edifícios e terrenos que sempre foram nacionais (consta que serão cerca de 6 milhões/ano...) Preparam-se para destruir os Hospitais Civis que reúnem equipas de profissionais de saúde de alta qualidade, com um serviço reconhecido internacionalmente em muitas áreas, sem garantir uma verdadeira alternativa. A qualidade do exercício clínico depende das equipas de saúde, das pessoas. Desmembrar e destruir é fácil. Fazer renascer demora muito mais. Os profissionais dos Hospitais Civis foram sempre o motor da evolução, da inovação; faz parte da cultura dos "Civis" a participação e empenho na resolução de problemas, o espírito de serviço público, o trabalho em equipa. Desdenhar esta herança, é crime! Constatamos a sistemática redução da sua capacidade: desde 2003 o número de camas foi reduzido de 2195 para 1403 para uma população das freguesias referenciadas de 643 183. Do mesmo modo, a redução brutal em pessoal origina mais dificuldades em manter a qualidade de cuidados, tanto mais que estes hospitais são a referência em cuidados especializados para grande parte do sul do País. Diminuir mais o acesso à saúde dos cidadãos é crime!
A população é envelhecida, dependente, empobrecida, que recorre com frequência aos serviços de saúde. Se estes hospitais desaparecerem ficam sem alternativas, pois deslocarem-se para Chelas... só de ambulância e em situações extremas! Esquecer as limitações e dificuldades da população, é crime!
Não é aceitável a destruição dos "Civis" quando faltam na cidade hospitais de retaguarda de cuidados continuados, bem como melhor acesso a cuidados de reabilitação e cuidados domiciliários para os doentes crónicos.
O Hospital de Chelas não é por si só uma alternativa. Os Hospitais Civis devem manter-se!
Pilar Vicente
Médica e dirigente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM)

01 FEV 2014

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comunicado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul sobre o encerramento das urgências nocturnas na zona da Grande Lisboa


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL

COMUNICADO

Uma só urgência hospitalar para a zona da Grande Lisboa ou o desmascaramento final de uma política de ódio ao direito constitucional e humano à saúde?

Foi divulgada recentemente na comunicação social a decisão da A.R.S. de Lisboa e Vale do Tejo de colocar em funcionamento, a partir do próximo dia 2 de Setembro, uma única urgência hospitalar em toda a zona da Grande Lisboa durante o período noturno, encerrando todas as outras.
Face à gravidade da situação que irá ser criada e às inevitáveis consequências que daí advirão e que são de fácil previsão, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM decidiu tomar a seguinte posição:

1- A decisão agora anunciada revela um profundo desprezo ministerial pelas necessidades assistenciais de um conjunto muito significativo de cidadãos que não se circunscreve à zona geográfica anunciada.
Como sabemos, existem múltiplas situações clínicas que de toda a zona sul do país são enviadas para as urgências dos hospitais centrais de Lisboa.
Ao contrário do que foi sendo apregoado nos últimos meses pela propaganda ministerial sobre uma hipotética reestruturação das urgências da cidade de Lisboa vem agora a revelar-se que o real objetivo se estende a toda a zona da Grande Lisboa, tornando-se claro que não existe qualquer estudo prévio que fundamente tais propósitos nem sequer uma avaliação do impacto que eles terão na população atingida.

2- Os argumentos utilizados pela citada A.R.S. para justificar tal decisão referem-se à escassez de recursos humanos e ao envelhecimento dos respectivos quadros, o que não tem qualquer correspondência com a realidade objetiva dos factos.
Existem médicos mais jovens que continuam a aguardar por concursos públicos e que têm formas precárias de trabalho sem qualquer possibilidade de evolução técnico-científica.
Aquilo que está realmente em causa é uma política ministerial, desde há muito premeditada, para encerrar gradualmente o maior número possível de instituições públicas de saúde.

3- Também recentemente, cerca de meia centena de USF da zona da Grande Lisboa vieram denunciar que essa A.R.S. lhes estava a impor exigências "de redução de custos para níveis que podem colocar em causa a qualidade, a segurança e a equidade dos cuidados prestados".
Ora, todos sabemos que o recurso em maior ou menor grau às urgências hospitalares está diretamente relacionado com a capacidade de resposta dos centros de saúde e, em particular, da medicina geral e familiar.
Com esta redução de custos, é fácil prever que o recurso às urgências hospitalares pode ser a única via de acesso à prestação de cuidados para muitos cidadãos da zona da Grande Lisboa.
E aí, a medida do Ministério da Saúde é encerrar em larga escala a quase totalidade das urgências hospitalares durante o período noturno.

4- A atual equipa do Ministério da Saúde tem desenvolvido um plano dissimulado de amplos cortes cegos na saúde, muito para além dos compromissos assumidos pelo Governo junto da chamada Troika.
Apesar desses cortes indiscriminados, ainda recentemente a auditoria do Tribunal de Contas veio mostrar que o resultado líquido do exercício do SNS relativo a 2011 continuava a apresentar um brutal agravamento de largas dezenas de milhões de euros.
Este facto, por si só, mostra que a gestão ministerial tem pautado a sua ação por meros cortes nas funções assistenciais aos cidadãos.

5- Apesar da referida medida ser apresentada como relativa ao período noturno, não podem subsistir quaisquer dúvidas que isso constitui uma etapa inicial que rapidamente conduzirá à sua integral aplicação durante todo o período diário.

6- Torna-se já escandaloso o sistemático comportamento do Ministro da Saúde que em vez de assumir as medidas iníquas idealizadas por uma política governamental de liquidação das políticas sociais e do Estado Social se esconde atrás dos seus nomeados nos órgãos de gestão dos serviços de saúde reservando-lhes a eles o papel de anunciadores e de supostos decisores perante a opinião pública sempre que estão em causa medidas impopulares.
É fácil prever num contexto desta gravidade que a drástica redução da capacidade de atendimento a nível das urgências irá traduzir-se, inevitavelmente, por situações muito delicadas no plano humano.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM continuará a desenvolver todos os esforços para impedir o desenvolvimento desta ação clara de liquidação do SNS e do direito constitucional à saúde.

Lisboa, 19/8/2013
A Direção

Av. Almirante Reis, 113, piso 5, pt. 501; 1150-014 Lisboa
Telf.: 213194240


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Trata-se de mais de mais um ataque brutal ao Serviço Nacional de Saúde, inserido numa estratégia silenciosa e oculta de proceder ao seu progressivo desmantelamento. Com o falso argumento da reestruturação dos serviços, os objetivos do Ministério da Saúde são claros. Reduzir ao máximo os serviços das unidades de saúde, para diminuir a despesa do Estado e, ao mesmo tempo, abrir o caminho aos privados, que nunca poderão substituir, até pela sua vocação comercial, a universalidade, a equidade e a qualidade de cuidados de saúde, que o SNS presta a todos os portugueses.  

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Fármacos contra cancro restringidos nos hospitais


Infarmed nega, mas associações de doentes denunciam dificuldades no acesso a medicamentos de combate ao cancro, hepatite C e artrite reumatóide.
Segundo o Público, há doentes que veem negado o tratamento, outros que o recebem a conta-gotas ou fora do prazo. Médicos e associações dizem que o ministério não pode alegar desconhecimento.
Diário de Notícias, citando o PÚBLICO
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Este governo já tinha passado o limite da decência. Agora começa a pisar o caminho da ignomínia. Só falta, depois, consumar o crime. Paulo Macedo quer transformar os hospitais em campos de extermínio e reproduzir em Portugal um silencioso Holocausto. Tudo em nome da troika e escondendo-se atrás de um relatório suspeito, encomendado ao Conselho de Ética! 

quarta-feira, 11 de abril de 2012

“O lugar onde se nasce nunca devia morrer”



“A MAC é vida, jamais poderá ser destruída” e “Não tirem à cidade esta maternidade”. Estes foram alguns dos slogans entoados pelas cerca de mil pessoas que protestaram contra o encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), em Lisboa.
Depois de muitas palmas e até das “ondas” que se costumam ver em estádios de futebol, as pessoas concentraram-se à porta da maternidade, onde, já com a ajuda dos Homens da Luta vestidos de mulher e “grávidos”, entoaram vários slogans contra a intenção do Ministério da Saúde. Paulo Macedo deve ter ficado com as orelhas a arder: “Senhor ministro conhece a MAC?” ou “Macedo escuta a MAC está em luta” foram dois dos gritos de ordem.
PÚBLICO
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Eu estive lá. A emoção correu por aqueles cordões humanos, que cercaram o magnífico edifício da Maternidade Alfredo da Costa (MAC). Mais de mil pessoas uniram-se na mesma onda de protesto contra a decisão do governo de encerrar a mais sofisticada maternidade do país, aquela que reune uma maior especialização nas áreas da Ginecologia e da Obstetricia e que está apetrechada com os mais modernos equipamentos. É esta maternidade que o Ministério da Saúde quer encerrar, dispersando as suas equipas pelos novos hospitais, que esão a ser construídos na periferia de Lisboa, em regime de parcerias público-privadas. E a esta decisão do Ministério da Saúde, não é estranha a influência dos poderosos lobies da saúde, titulares daquelas parcerias, que querem transferir todos aqueles equipamentos para as novas unidades hospitalares e benefiar da alta especialização dos profissionais da MAC, reduzindo assim os seus encargos de investimento, que lhe irão aumentar os lucros. Na perspetiva empresarial, os serviços hospitalares de Obstetrícia são os mais rentáveis no ponto de vista económico, já que apresentam uma elevada rotatividade na ocupação de camas e um tempo médio de internamento por utente muito curto. 
Por outro lado, uma empresa e, principalmente, um hospital não são apenas a soma das partes. São algo mais, e que tem a ver com a cultura institucional, que se vai construindo ao longo do tempo, e que se reflete na formação dos profissionais, quer pela transmissão dos saberes inter-geracionais, quer pelos sinergias entre as diferentes sub-especialidades. Com o encerramento da MAC, vai perder-se todo esse espólio imaterial, que demorou dezenas de anos a construir. 
Não é displicente abordar o lado emocional desta medida irracional. A maioria dos lisboetas nasceu na MAC, e isso explica a sua grande adesão aos protestos contra o seu encerramento. Enquanto falava com uma manifestante, que nasceu na MAC, e onde também vieram a nascer os seus filhos e os seus netos, e desfiando, cada um de nós, de parte a parte, os argumentos críticos contra esta aberração, que vai prejudicar o Serviço Nacional de Saúde, um manifestante, que ouvira a conversa, interrompeu-nos, para, com emoção, afirmar: "Eu nasci nesta maternidade, Ela também é minha!.
http://publico.pt/Sociedade/o-lugar-onde-se-nasce-nunca-devia-morrer-1541584

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Ginecologia com homens

Já não é a primeira vez que a falta de camas na
unidade hospitalar de Almada é denunciada.
Fotografia e legenda do Correio da Manhã
A falta de camas no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, obriga ao internamento de homens numa área partilhada pelo Serviço de Ginecologia. É um doente que, num agradecimento aos médicos do serviço de Neurocirurgia, por lhes terem salvo a vida, acaba por denunciar a falta de camas. "Agradeço às grandes profissionais do Serviço de Ginecologia que me acolheu na recuperação pós-cirúrgica, uma vez que não havia camas na Neurocirurgia" lê-se num anúncio ontem publicado.
A medida, explica fonte do HGO, prende-se com a necessidade de aproveitar a capacidade de internamento do hospital. O HGO "garante a privacidade dos utentes". "As dificuldades de internamento são comuns a todos os hospitais e as camas não pertencem a um serviço, estão à disposição das necessidades dos hospitais." A mesma fonte acrescenta que aos hospitais é colocado um novo desafio: funcionar com menos camas e em regime de ambulatório. O objectivo é que os doentes sejam reencaminhados para casa no menor tempo possível, uma vez que estar num hospital implica um maior risco de infecção.
Em Fevereiro, o CM já tinha noticiado a presença de três homens no Serviço de Ginecologia do HGO, uma situação que causou estranheza e controvérsia entre os profissionais de saúde.
Ana Carvalho Vacas
Correio da Manhã 
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Eu até nem me importo, desde que não ponham os homens a parir.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Ministra: Maternidade não deve cobrar pelo sémen


A Maternidade Alfredo da Costa terá de incluir o preço do sémen de dador importado no custo global dos tratamentos para a infertilidade, em vez de o cobrar ao utente, revelou à agência Lusa a ministra da Saúde.
A maior maternidade do país, localizada em Lisboa, avançou hoje que iria iniciar brevemente tratamentos de infertilidade com esperma de dador, mas quem os receberia teria de pagar o sémen, que é importado de Espanha e custa 350 euros.
Diário de Notícias
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Porra! Não sabia que era assim tão valioso! E eu que desperdicei tanto!