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sábado, 2 de janeiro de 2016

Illusion – Henry Brown Fuller 1895


Nem será tanto a glorificação do esplendor do nu, aquilo que o autor nos propõe. Talvez o mais importante, em termos de técnica pictórica, seja a subtil precisão da captação do movimento do “instante”, entre a formulação gestual de um pedido e a expressão terna da sua recusa. É esta impressão da ideia de movimento, a animar duas estáticas figuras humanas, que a pintura ganha grandeza e notoriedade. Tracemos várias rectas paralelas imaginárias, a partir do ombro e da cabeça da criança, até à esfera translúcida e até à cabeça da mulher, e aí descobriremos o “truque” do autor. É nesse espaço que se concentra a força da representação do movimento com que a pintura ganha vida. É este, pois, o ponto central da pintura, o seu eixo estruturante, uma pintura que se enquadra no cânone da corrente artística do Realismo.
Para provocar um maior deslumbramento no espectador, mas assumindo o risco de não poder errar na descrição anatómica figurativa, o que seria fatal, o autor opta por preencher todo o iluminado espaço do primeiro plano com as duas figuras humanas, deixando difuso e escurecido, intencionalmente, o plano de fundo. O efeito, em termos de conjunto, é notável. O nu atinge o seu máximo esplendor, ao mesmo tempo que o espectador é envolvido num ambiente aristocrático, aqui identificado e sinalizado, de uma forma discreta, pelo mármore da balaustrada e do peitoril da varanda.
Em 1895, data da execução desta pintura, a corrente do Realismo, na literatura e nas artes, aproximava-se do fim. A seguir, iria assistir-se à grande revolução do modernismo, nas suas múltiplas expressões, em que se abandona a ideia da representação e da captação do mundo real. As artes passarão a ser comandadas pela “febril” e criativa imaginação dos seus autores e pela descoberta de novas formas e de novas leituras.
AC

sábado, 27 de dezembro de 2014

domingo, 6 de abril de 2014

Pintura: Quadros de antes do Terramoto de 1755 serão expostos ao público em Lisboa (*)

Paço da Ribeira (atual Terreiro do Paçp)

Hospital Real de Todos-os-Santos (atual Rossio)

Mosteiro dos Jerónimos

Convento de Mafra

Quatro quadros pintados a óleo que representam paisagens antigas da cidade de Lisboa estarão em exposição na Cordoaria Nacional a partir deste sábado. As obras são propriedade do Antiquário AR-PAB constituído por Álvaro Roquette e Pedro de Aguiar-Branco.
As pinturas do século XVIII serão expostas no decorrer da Feira de Arte e Antiguidades de Lisboa, organizada pela Associação Portuguesa de Antiquários, entre os dias 5 e 13 de Abril. Os quadros foram adquiridos no mercado de antiquariado internacional e o conjunto dos quatro está agora disponível para venda. “Estes quadros só podem ver vendidos em conjunto, nasceram juntos e pelo menos nas nossas mãos serão vendidos assim”, explica Álvaro Roquette em comunicado.
Os quadros mostram o Hospital Real de Todos-os-Santos, o Palácio da Ribeira, o Mosteiro dos Jerónimos e o Convento de Mafra. Será a primeira vez que os quatro quadros serão expostos.
Datadas de antes do terramoto de 1755, as obras são uma imagem da paisagem lisboeta antes do abalo que deu origem a grandes alterações na reconstrução da cidade. São pinturas que já contribuíram para o conhecimento de edifícios já desaparecidos bem como para o estudo de hábitos de consumo de obras de arte na segunda metade do século XVIII em Portugal. Têm a dimensão de 50X60cm.
PÚBLICO
(*) As pinturas antigas estão disponíveis para venda, mas só se poderá adquirir o conjunto das quatro.
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O terramoto de 1755, além das mortes provocadas e da destruição do património edificado (não só em Lisboa), destruiu também o espólio de importantes obras de arte, acumuladas em palácios e em igrejas. Ao mesmo tempo, perdeu-se, no meio dos escombros e das chamas, grande parte da documentação existente no Palácio da Ribeira e na anexa Casa da Índia, relativa aos Descobrimentos, ao comércio com o Oriente e com a Flandres e à ciência náutica, e que tanta falta faz, para preencher as brechas e as lacunas da nossa historiografia marítima.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Petição pela Manutenção em Portugal das obras de Miró (do património BPN)


Governo não vê a colecção Miró do BPN
como “prioridade” para o Estado

A venda de 85 obras do artista catalão, agendada para Fevereiro na Christie’s de Londres, está a ser alvo de contestação através de uma petição e chega ao Parlamento na sexta-feira. Secretaria de Estado diz que a sua aquisição “não é considerada uma prioridade” ( ver artigo de ontem no Público)

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Além dos graves danos patrimoniais, artísticos, culturais e financeiros, que a decisão comporta, temos de considerar também a ignóbil leviandade ou a grosseira ignorância dos respetivos decisores, que assim, desta forma, também ofendem, insultam e a desconsideram a memória do grande pintor Miró. O povo português não pode consentir tamanha afronta à sua dignidade!.
AC

Assine a Petição aqui

domingo, 27 de janeiro de 2013

Pintura/Desenho: Maternitat - de Stefano Vitale

Maternitat - de Stefano Vitale
Nesta pintura/desenho, de traços firmes e determinantes, o autor afirma, de uma forma original, o seu "modernismo", através de uma conseguida estilização das figuras e recorrendo a uma grande economia de elementos pictóricos, ao mesmo tempo que se inspira, e isto é uma outra originalidade, no figurino genérico da pintura da arte sacra dos finais da Idade Média e à do princípio do Renascimento, das cidades-estado italianas. O efeito da sobreposição de dois rostos da mesma personagem, de tamanhos diferentes, e com um olho comum a ambos, possibilita múltiplas interpretações sobre o(s) conceito(s) da maternidade, que o autor quer explorar nesta obra. Aqui, talvez ele  pretendesse focalizar-se na recorrência da memória da mãe à sua própria infância, num dilatado recuo temporal, que a presença da sua filha, ainda criança, lhe sugere, ficando assim definido, em linguagem pictórica, o fenómeno da sucessão geracional. A ternura, outro elemento que imediatamente salta à vista, concentra-de na mão da criança e na expressão do olhar da mãe.
E a arte é isto. Além do efeito estético, que é importante, a arte tem a função de questionar-se, questionando quem a usufrui. E isto é válido para todas as manifestações artísticas, o que me leva a dizer que a arte não é um fim em si mesmo, mas é, definitivamente, o princípio de tudo.
A imagem foi roubada à Maria João Correia.

Adenda: Acrescento ao meu apontamento sobre a pintura/desenho de Stefano Vitale o comentário que deixei na página do Facebook da Maria João Correia, de onde retirei a imagem e onde esbocei, também na forma de um comentário, aquele apontamento. Uma posterior observação acertada da Maria João, sobre o significado dos dois planos da narrativa da imagem, obrigou a que aprofundasse a análise crítica.

Maria João: tem toda a razão. A linha que atravessa o rosto é a linha limite do horizonte visível, a linha onde se encontra a casa. E o rosto mais pequeno, que o autor intencionalmente encaixou no rosto da mãe, pertence a esse plano recuado, que poderá ser, para o autor, o passado – ou o da avó, como a Maria João sugere, ou o da própria mãe, quando criança, como eu inicialmente pensei. Em qualquer dos casos, pode interpretar-se que o autor pretendeu figurar e homenagear a maternidade, como matriz da sucessão geracional e como origem da nossa própria existência. É um hino à maternidade e à mulher, enquanto mãe.
Maria João, a arte está a operar, neste seu espaço e no meu, o milagre maravilhoso da descoberta, essa descoberta que nos aproxima tendencialmente do enigma da nossa própria existência, que, sabemos, nunca poderemos decifrar. É o que temos estado a fazer aqui, hoje. Ganhámos alguma coisa, pois embebedámos o espírito.
E só agora reparo que o autor marcou os dois planos da sua abordagem com diferentes cores, e que o rosto da mãe se reparte, conforme a cor, pelos dois planos, o do passado e o do presente, num aviso importante de que tudo o que façamos no presente e a olhar para o futuro (os filhos), não nos pode distrair nem desligar da origem de onde viemos.
A Arte continua a falar, Maria João, e agora a bebedeira já é azul, verde e castanha, tal como são as cores utilizadas pelo autor. E aqui está um caso exemplar de como, em Pintura, a forma se deve conjugar com a cor, numa unidade contextual perfeita, aqui em equilíbrio, mas que também pode ser em desequilíbrio, quando a genialidade de cada autor assim a conceber, já que se sabe que qualquer revolução na Arte é provocar um desequilíbrio violento contra o que já estabelecido (o caso de Picasso é paradigmático).
E agora, sim. A bebedeira é de tal tamanho, que já não me aguento de pé!...

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Exposição de pintura de Dália Faceira (Dacha), em Caminha.

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A Dália Faceira (Dacha), minha antiga colega do liceu de Lamego, é uma notável pintora, que, aqui, no Alpendre da Lua, já foi referida várias vezes. A primeira vez que fiz uma referência crítica à sua obra foi no Jornal do Douro, a propósito de uma exposição coletiva de antigos alunos daquele liceu. Dela disse, na altura, que a sua obra pictórica refletia, através da magia da cor, a melhor tradição da pintura impressionista. E essa magia é muito mais evidente quando ela reproduz nas suas telas a água, como elemento figurativo, processo de elevada exigência tecnicista, que só é dominado pelos grandes pintores. E Dália Faceira é, na realidade, uma grande pintora, como o atesta o sucesso das suas inúmeras exposições em Portugal e no estrangeiro. 
Desejo à Dália um grande sucesso nesta exposição que vai realizar em Caminha,  na galeria de Arte Caminhense, entre 24 a 30 de Julho de 2012.

domingo, 20 de novembro de 2011

Exposição de Pintura de Jorge Rodrigues

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Paisagem com árvores
Cidade
crucificação
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Na passada sexta-feira, Jorge Rodrigues, um antigo aluno de liceu de Lamego, inaugurou no Porto, em Aldoar, uma exposição de pintura, sob o título "recomeço de jorge rodrigues". Dos quadros em exposição, destaco a "crucificação", pela dimensão  apocalíptica, que o autor consegue transmitir, transformando o céu num mar de labaredas.
Mas, melhor do que eu, deixo aqui o comentário de Joaquim Sarmento, um outro antigo aluno daquele liceu, onde eu também estudei, e que afirmou, a propósito da obra de Jorge Rodrigues: "É uma afirmação de talento de um amigo que traz na menina dos seus olhos, como todos nós, o esplendor das referencias onde nos inserimoss, o Liceu que amamos, Lamego e o Douro que nos orgulham e repartem a nossa identidade".