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quinta-feira, 17 de setembro de 2015
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Notas do meu rodapé: Se houver paz não haverá refugiados...
Eu compreendo que a Alemanha, assim como todos
os outros países da UE, que estão a sofrer o impacto directo da onda migratória
dos refugiados sírios e iraquianos, se debatam com graves problemas logísticos,
para receber tanta gente. Por outro lado, a Alemanha foi dos países que
mais se disponibilizou para receber esses refugiados de guerra, embora essa boa
vontade manifestada não tivesse sido inocente, pois, se eles não excederem o
número previamente calculado, até darão jeito à sua economia, que ali teria uma
enorme reserva de mão de obra barata, ao mesmo tempo que contribuiria para a
desvalorização salarial das áreas da economia que recrutam mão de obra menos
qualificada.
Mas este grave problema, que se apresenta
dramaticamente em termos humanitários - o que não pode ser ignorado, em nome
dos apregoados valores da civilização ocidental e sob pena, se esses valores
não forem respeitados, de regressarmos à barbárie - tem de ser analisado na
perspectiva da História recente. E a primeira questão que se coloca diz
respeito à pergunta incómoda de saber quem é que andou (e ainda anda) a provocar
guerras, desde há vinte anos, no Médio Oriente, em obediência a um agressivo
plano geo-estratégico, centrado no objectivo de dominar totalmente os países
ricos em petróleo.
Os EUA, a Grã-Bretanha e a França (a Alemanha
não se meteu nisso, mas solidarizou-se com esta estratégia, por omissão, assim
como todos os outros países da UE) desencadearam guerras no Afeganistão, no
Iraque, na Líbia e, agora, indirectamente, através do Estado Islâmico, na Síria.
Esses países ficaram totalmente destruídos, nas suas infra-estruturas, na sua
economia e a nível social, pois nunca mais tiveram paz. As populações, que o
puderam fazer, fugiram àquela violência bárbara e criminosa. É um dever da
Europa e dos outros países do mundo prestarem a sua ajuda desinteressada.
Mas, o tiro da agrssão saiu pela culatra à
Europa, que está agora a braços com uma grave crise migratória e humanitária.
Os EUA semearam ventos e a Europa está a colher as tempestades. Por isso, só há
um caminho. Em primeiro lugar, acolher esses refugiados, até ao momento que
possam regressar em paz aos seus países. Em segundo lugar, acabar com os conflitos
militares no Médio Oriente e desistir de querer liquidar o regime sírio,
objectivo que os EUA perseguem.
Se houver paz não haverá refugiados.
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