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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

O ajuste de contas…


Durante os próximo tempos, os portugueses interessados vão assistir ao desenvolvimento de duas narrativas mediáticas, que seguem em paralelo. Uma é o inquérito parlamentar ao caso BES e a outra centrar-se-á no desfecho da primeira parte (despacho de pronúncia) dos processos judiciais sobre eventuais casos de corrupção de altas figuras do Estado, envolvendo a concessão dos passaportes dourados.
Em ambos os casos, as revelações vão ser surpreendentes e, provavelmente, aterradoras e demolidoras, o que leva a prever que não está só em causa a sobrevivência deste indesejado governo, mas também o próprio regime democrático. Pode acontecer que, através das centenas de depoimentos, quer na Assembleia da República, quer no Tribunal Central de Instrução Criminal, a cascata da água cristalina da verdade acabe por galgar a barreira que a sustinha, e o caso dos submarinos da Armada e o do Freeport (e, eventualmente, outros) venham em turbilhão desaguar na praça pública, com novas revelações. Então, talvez se venham a perceber as verdadeiras causas do descalabro pantanoso em que se encontra o país, governado durante quarenta anos pelo PS, PSD e CDS.
A cosmética da demagogia já não engana e muitos portugueses começaram já a exigir o devido ajuste de contas.

domingo, 8 de agosto de 2010

À terceira será de vez...


É a segunda vez que Cândida Almeida iliba José Sócrates de suspeitas da prática de ilegalidades
Foi aquela procuradora quem, em 2007, arquivou
o inquérito sobre a licenciatura em Engenharia Civil
do primeiro-ministro. No despacho de Julho de
2007, Cândida Almeida concluiu não haver prática
de crime de falsificação do documento da Universidade
Independente. Três anos depois, Cândida Almeida
arquiva os indícios da alegada prática de corrupção
no Freeport, que envolveram Sócrates. O governante
do PS nem sequer foi ouvido.
Correio da Manhã
***
Já estou como o Procurador Geral da República. Em toda a minha vida nunca vi um inquérito judicial chegar ao fim, sem que todas as partes envolvidas fossem formalmente ouvidas. Espanta-me que a senhora procuradora Cândida Almeida tenha afirmado recentemente, em relação ao processo de inquérito do Freeport, que a audição do primeiro ministro, José Sócrates, referido como suspeito do crime de corrupção passiva pelas autoridades policiais inglesas, tenha sido considerada dispensável, já que não iria alterar o sentido do despacho final dos procuradores titulares do processo, o que me leva a levantar a hípótese de admitir que aquela magistrada sabe mais do que aquilo que diz saber.

sábado, 7 de agosto de 2010

'Gestão do caso Freeport foi desastrosa' - Germano Marques da Silva


O penalista Germano Marques da Silva considerou
hoje, a propósito da polémica que envolve o
processo Freeport e o procurador-geral da República,
que a gestão do caso foi "desastrosa" e que todos os
intervenientes falaram demais.
Diário de Notícias
***
Eu diria, sem quualquer margens para dúvidas, que a gestão do caso Freeport foi "intencionalmente" desastrosa, a fim de facilitar a vidinha aos "chicos espertos" e de ir lixar o mexilhão. Não me admiraria nada que os procuradores titulares do processo Freeport, bem como o do processo Face Oculta, não venham a ser sancionados por terem atentado contra o carácter do primeiro ministro.

Cândida Almeida negociou não ouvir Sócrates


Cândida Almeida negociou a inclusão das 27
questões no despacho final como contrapartida
pela não inquirição do primeiro ministro e
ministro da presidência.
Foi a diretora do Departamento Central de
Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida
Almeida, que decidiu incluir as 27 perguntas no
despacho final do Freeport como moeda de troca
para não inquirir José Sócrates.
Expresso
***
Os valores da Justiça já se negoceiam, como se de uma mercadoria se tratasse. Ainda irei ver o governo de José Sócrates a transformar o Departamento Central de Investigação e Acção Penal numa empresa pública S.A., ou até, quem sabe, numa parceria público-privada. Possivelmente até já há candidatos para o cargo de presidente do conselho de administração.

Notas do meu rodapé: Golpe de Estado no Ministério Público?!


O PSD, pela voz do seu líder parlamentar, falou em revolução, respondendo às declarações de Vitalino Canas, do Partido Socialista, que admitia a disponibilidade do seu partido para reformular (aumentando-os) os poderes do Procurador Geral da República (PGR). Na realidade, trata-se antes de um golpe de Estado, já que é conduzido por um núcleo muito pequeno de revanchistas, que pretendem subordinar, com propósitos bem determinados, toda a estrutura do Ministério Público ao rígido controlo do governo.
O pontapé de saída foi dado pelo PGR, Pinto Monteiro, que explicitamente pediu, na sequência do despacho final dos procuradores do processo Freeport, que lhe desagradou, um Ministério Público mais autónomo e devidamente hierarquizado, o que, para o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, representava a perda de independência dos respectivos magistrados e o regresso a uma concepção de magistratura, onde imperava "o quero, posso e mando" da cúpula dirigente daquele órgão judicial.
A partir destas declarações bombásticas de Pinto Monteiro, tão insólitas quanto absurdas, já que se trata do procurador, a quem foram atribuídos mais poderes, desde o início do regime democrático, a máquina de propaganda do Partido Socialista, infiltrada na comunicação social e na blogosfera, desatou a denegrir o papel do sindicato e a pôr em causa a independência dos magistrados, atribuindo-lhes a culpa por todos os males de que enferma justiça em Portugal. O bastonário da Ordem dos Advogados deu o tom da música para a orquestra executar, exigindo uma rígida hierarquização daquela magistratura, que se subordinaria totalmente ao PGR.
O apelo à governamentalizção do Ministério Público não podia ser mais evidente, atendendo que aquele magistrado é proposto pelo governo e nomeado pelo Presidente da República. A vingar este reordenamento daquele órgão judicial, a competência para determinar a prioridade do que se investiga e como se investiga passaria para as mãos do PGR.
É evidente que esta manobra não é inocente nem surgiu por um qualquer capricho do PGR. O caso Freeport continua a ser um fantasma para as consciências pouco tranquilas. Apesar do processo de instrução ter sido concluído e de deixar de estar abrangido pelo segredo de justiça para os interessados e para os assistentes, tudo indica que novas revelações possam a vir a público.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público questiona o Procurador Geral da República

Amigos de peito

CARTA ABERTA A PINTO MONTEIRO
O Estatuto do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) estabelece para a instituição, entre outras funções, a de pugnar pela dignificação da magistratura do Ministério Publico, objectivo e referência que não podem ignorar-se, sobretudo em momentos de crise, profunda, como a que atravessa, neste momento, o Ministério Público.
O SMMP comemora este ano o seu 35.º aniversário e a sua história está ligada à actual configuração desta magistratura. É uma instituição respeitada e ouvida, participativa e envolvida nos processos legislativos na área da justiça.
Ao longo da história do SMMP, o Ministério Público foi dirigido pelos procuradores-gerais da República Arala Chaves, Cunha Rodrigues e Souto Moura, os quais, apesar de algumas divergências, sempre reconheceram nesta entidade um interlocutor legítimo, válido e imprescindível.
As relações institucionais foram, assim, sempre marcadas pelo respeito mútuo. Respeitavam o SMMP como estrutura representativa dos magistrados do Ministério Público e eram respeitados, com naturalidade, pelos magistrados e pelo seu sindicato.
Nunca se desculparam que os fracassos, que também tiveram, se devessem a falta de poderes hierárquicos sobre os magistrados do Ministério Público. Estes reconheciam-lhes autoridade. Não apenas em função dos poderes legais e estatutários que exerciam, mas sobretudo devido ao respeito pessoal e institucional que sempre mereceram.
O juiz conselheiro Pinto Monteiro, ao contrário dos antecessores, manifestou desde o início um profundo desrespeito pelo SMMP. Olvida que, ao fazê-lo, desrespeita em simultâneo os magistrados do Ministério Público de todos os graus hierárquicos, que, ocupando vários cargos na estrutura hierárquica, se revêem no seu sindicato.
Foi assim com a Direcção anterior. É assim com a actual, a qual, talvez por isso, foi legitimada pela maior votação de sempre. Apesar disso, não contou esta direcção, no acto de posse, com a presença do procurador-geral da República, em contraste, e até com desconsideração, pelas várias entidades políticas e judiciárias presentes.
As relações entre o juiz conselheiro Pinto Monteiro e o SMMP são, assim, praticamente inexistentes. Reduzem-se aos mínimos que o decoro e a sensatez nos aconselham a não ultrapassar. Entretanto, e paradoxalmente, deu V. Ex.ª ao SMMP o protagonismo e a relevância que nunca teria em circunstâncias normais, determinando muita da nossa acção em defesa do prestigio desta magistratura, nunca antes tão diminuída e descredibilizada.
Elegeu o SMMP como o seu alvo preferencial. Habituou-nos, habituou os portugueses, a apontar publicamente o dedo a bodes expiatórios dos seus insucessos e fracassos. Especializou-se em endossar a terceiros responsabilidades exclusiva ou maioritariamente suas.
É, de todos, o procurador-geral da República com mais poderes na história da nossa democracia. Teve o engenho e a arte de acrescentar aos dos seus antecessores novos poderes, inéditos, inconstitucionais, inexplicavelmente concedidos pela maioria parlamentar na legislatura anterior.
Como dissemos há um ano atrás, a hierarquia do Ministério Público está moribunda. Não por falta de poderes, agora reforçados, mas da falta de capacidade para os exercer. Por mais que lhos confiram sempre lhe parecerão poucos.
Há muito que o SMMP afirma que o Ministério Público tem falta de verdadeira hierarquia: não a obcecada por percentagens, não a do “quero, posso e mando”, não a da visão militarizada, mas daquela que, por directivas, ordens e instruções uniformize formas de actuação, fazendo do Ministério Público o efectivo garante de uma Justiça igual para todos, independentemente da sua condição social, cultural, económica ou outra.
O desafio que lhe lançamos é que, de uma vez por todas, explique aos portugueses que poderes são esses que insistentemente reclama sem nunca nomear. Dá-se hoje a circunstância de termos no topo da hierarquia alguém cuja concepção da magistratura do Ministério Público é desconhecida e misteriosa.
Apenas por contraposição com a actual configuração constitucional e legal do Ministério Público, e com as ideias do sindicato, nos permitimos adivinhar as de V. Ex.ª. É certo que tem instigadores, cujo pensamento é mais claro e nos permitem percepcionar os seus. Sempre criticaram os poderes, que consideravam excessivos, dos procuradores-gerais anteriores. Agora pretendem reforçar-lhe os seus.
Não se exima, assuma os que tem. Esquece-se V. Ex.ª que o Departamento Central de Investigação e Acção Penal (DCIAP), cujo desempenho é desde há muito questionado, embora com uma directora coordenadora cuja comissão de serviço já foi renovada por duas vezes neste seu mandato, a ultima das quais em Fevereiro passado, depende directamente de si sem interferência de outros níveis hierárquicos? Ou será que só agora V. Exª deu conta que nem tudo corre ali como seria suposto?
A reorganização do ineficiente sistema de inspecções, senhor juiz conselheiro Pinto Monteiro, há quanto tempo se arrasta penosamente no Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) a sua discussão e votação, instrumento tão importante para a avaliação do mérito quanto V. Ex.ª tendencialmente culpabiliza os seus inferiores hierárquicos dos insucessos do Ministério Público?
A manutenção em situação de ilegalidade, conforme vêm sinalizando eminentes juristas, do actual vice-procurador-geral da República, cuja carreira mereceria melhor epílogo que aquele que lhe reservou, é o exemplo que nos quer transmitir?
O poder, de mais que duvidosa legalidade, de indeferir porque injustificado, um pedido de aceleração processual mas, concomitantemente com isso, estabelecer prazos para finalização de investigações em curso, interferindo directamente na estratégia da investigação e na escolha e selecção das diligências consideradas necessárias e pertinentes, assim comprometendo investigações?
O poder de determinar inquéritos de natureza disciplinar e instaurar processos-crime a titulares de processos criminais como resposta a exigências de terceiros com interesses conflituantes com os da investigação? A gestão da Procuradoria-Geral da República ignorando as competências do CSMP, órgão previsto na Constituição da República?
O que os acontecimentos dos últimos dias demonstram à saciedade é a absoluta importância da autonomia de cada magistrado do Ministério Público na condução do inquérito: só assim podem obedecer apenas à lei, com objectividade, isenção e imparcialidade, imunes a qualquer tipo de pressão ou interferência.
Autonomia tanto mais importante quanto são por de mais evidentes as dificuldades de um exercício independente do cargo de procurador-geral da República.
Saiba V. Exª que este Ministério Público, que teima em configurar à sua imagem e semelhança, como se de feudo seu se tratasse, não é o Ministério Público em que acreditamos, com que nos identificamos e que a Constituição e a Lei configuram. Este é, quando muito, o 'seu' ministério público, apenas isso.
O Ministério Público não está balcanizado. Está unido. Apenas tem a ocupar o cargo de procurador-geral da República quem não tem com o Ministério Público qualquer empatia nem se identifica com o seu Estatuto.
Já que foi tão célere a abrir (mais) um inquérito a magistrados encarregues há menos de dois anos de uma melindrosa investigação, deverá V. Ex.ª, que perfaz quatro anos de mandato no próximo mês de Outubro, esclarecer os portugueses o que o levou a permitir que a investigação ficasse no Montijo, entregue a um magistrado do Ministério Público com centenas de outros a seu cargo, e se nesse período, por alguma vez que fosse, se inteirou do andamento do processo, que apoio deu ao magistrado, porque razão o DCIAP o devolveu por duas vezes, que diligências fez junto das autoridades inglesas para acelerar o cumprimento da carta rogatória que já então se aguardava, razões por que não avocou no âmbito dos poderes hierárquicos que já hoje tem e não exerce.
Deverá esclarecer por que razão critica publicamente um despacho de arquivamento cujo teor foi transmitido e obteve a concordância absoluta da Directora do DCIAP a qual, segundo notícias vindas a público, teve o cuidado de lho remeter com urgência depois da na véspera lho transmitir telefonicamente? Quem são afinal os visados no inquérito que tão apressada e impensadamente mandou abrir?
Ou será que é esperável que estejamos todos disponíveis a passivamente aceitar que as responsabilidades recaiam só sobre uns com exclusão e imunidade de outros?
Para finalizar permita V. Ex.ª que lhe deixemos uma certeza, uma esperança e um apelo. A certeza que resistiremos! Que nada demoverá o SMMP de continuar a ser, em todas as circunstâncias, um incansável defensor do Ministério Público, contra todos os que do exterior ou no seu interior (estes contam-se pelos dedos de uma só mão) o pretendam diminuir e descredibilizar.
Contará V. Ex.ª com a nossa atenção e vigilância permanentes, com a nossa crítica e firme oposição sempre que justificadas, cientes como estamos de que a actual situação do Ministério Público, de que é o principal responsável vai para quatro anos, não nos dá margem para disfarçar o indisfarçável, permitir ocultar o inadmissível, ou assistir a atitudes de permanente desresponsabilização. A esperança na regeneração.
Que decorridos os dois anos que lhe faltam para cumprir o mandato de procurador-geral da República, o Ministério Público terá capacidade para se regenerar e refortalecer. Os que cá estávamos quando iniciou o mandato há quatro anos, resistiremos. Volvidos mais dois anos continuaremos. De cabeça erguida.
Um apelo. Que nos ajude, com todas as suas capacidades, a dignificar o Ministério Público que o catapultou para um cargo de cúpula da Justiça portuguesa.
***
Desde a primeira hora, como primeiro-ministro, José Sócrates sempre alimentou a ideia de governamentalizar a Justiça e, particularmente, o Ministério Público. Ele lá saberia a razão! Esperavam-no grandes trabalhos com a justiça, relacionados com o seu passado. Pinto Monteiro foi a escolha certa para concretizar aquele objectivo de domesticar o Ministério Público à vontade do chefe de turno. Não passou despercebida à opinião pública a sua dúbia actuação nos processos que envolveram, como suspeito, José Sócrates, e que muito prejudicou a imagem do órgão que tutela. O homem que, em Março, disse que a autonomia do Ministério Público é um exemplo na Europa, é o mesmo homem que agora questiona despacho de magistrados titulares do processo Freeport. Estranho!

sexta-feira, 2 de abril de 2010




O ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado,
disse ontem que o Governo tomará uma decisão
definitiva sobre o cônsul honorário de Portugal em
Munique, suspeito de envolvimento no caso dos
submarinos, após a averiguação das denúncias.
Luís Amado ressalvou que o Governo português,
assim que foi informado pelas autoridades alemãs
de que havia um processo de investigação em curso
por parte do Ministério Público, decidiu
imediatamente suspender as actividades de Jürgen
Adolff.
... Ontem, (quarta feira) o Governo português
anunciou que suspendeu o diplomata das suas funções
até a investigação apurar a verdade.
PÚBLICO
***
Pasme-se, com esta encenação "justiceira" do governo. No caso Freeport - embora o primeiro ministro, José Sócrates, também tivesse sido dado como suspeito de corrupção num célebre relatório da polícia inglesa, (onde verdadeiramente começou a cabala, e não na comunicação social), e ao qual ele nunca teve a coragem de fazer qualquer referência - ninguém se lembrou de aplicar o mesmo critério, o que prova que a moral apenas é igual para alguns.
Não creio que a credibilidade da polícia inglesa seja menor do que a do Ministério Público alemão.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Opinião: O PS de Sócrates é contra a liberdade

Eduardo Cintra Torres *


A decisão de censurar o Jornal Nacional de 6ª (JN6ª) foi tudo menos estúpida. O núcleo político do PS-governo mediu friamente as vantagens e os custos de tomar esta medida protofascista. E terá concluído que era pior para o PS-governo a manutenção do JN6ª do que o ónus de o ter mandado censurar. Trata-se de mais um gravíssimo atentado do PS de Sócrates contra a liberdade de informar e opinar. Talvez o mais grave. O PS já ultrapassou de longe a acção de Santana Lopes, Luís Delgado e Gomes da Silva quando afastaram a direcção do DN e Marcelo da TVI.A linguagem de Santos Silva e do próprio Sócrates na quinta-feira sobre o assunto não engana: pelo meio da lágrimas de crocodilo, nem um nem outro fizeram qualquer menção à liberdade de imprensa. Falaram apenas dos interesses do PS e do governo. Sócrates, por uma vez, até disse uma verdade: o PS não intervinha no JN6ª. Pois não, foi por isso que varreu o noticiário do espaço público.O PS-Governo de Sócrates não consegue coexistir com a liberdade dos outros. Criou uma central de propaganda brutal que coage os jornalistas. Intervém nas empresas de comunicação social. Legisla contra a liberdade. Fez da ERC um braço armado contra a liberdade (a condenação oficial do JN6ª pela ERC em Maio serviu de respaldo ao que aconteceu agora). Manda calar os críticos. Segundo notícias publicadas, pressiona e chantageia empresários, procura o controle político da justiça e é envolvido em escutas telefónicas. Cria blogues de assessores com acesso a arquivos suspeitos que existem apenas para destruir os críticos e os adversários políticos. Pressiona órgãos de informação. Coloca directa ou indirectamente “opiniões” e “notícias” nos órgãos de informação. Etc.O relato da suspensão do JN6ª, no Jornal de Notícias e no Diário de Notícias e outros jornais de ontem é impressionante, sinistro e muito perigoso. Provir de supostos “socialistas”, portugueses e espanhóis, em nada diminui a gravidade desta censura. Esta suposta “esquerda” dos interesses, negócios e não resolvidos casos de justiça é brutal.Intervindo na TVI, o PS-Governo atingiu objectivos fundamentais. Como disse Mário Crespo (SICN, 03.09), o essencial resume-se a isto: J.E. Moniz e M. Moura Guedes foram eliminados —e com eles as direcções de Informação e Redacção e um comentador independente como V. Pulido Valente. Este PS-Governo é muito perigoso para a liberdade. Até o seu fundador está preso nesta teia, por razões que têm sido referidas. Ao reduzir a censura anticonstitucional, ilegal e protofascista do JN6ª a um caso de gestão, Soares desceu ao seu mais baixo nível político. É vergonhoso que seja ele, o da luta pela liberdade, a dizer uma coisa destas. Será que em 1975 o República também foi calado só por “razões de empresa”?O PS-governo segue o mesmo caminho de Chàvez, ao perseguir paulatinamente, um a um, os seus críticos: e segue o mesmo caminho de Putin, ao construir uma democracia meramente formal, em que se pode dizer que a decisão foi da Prisa não dele, em que se pode dizer que os empresários são livres, que os juízes são livres, que os funcionários públicos são livres, que os professores são livres, que os jornalistas são livres, que a ERC é livre, etc — mas o contrário está mais próximo da verdade. Para todos os efeitos, Portugal é uma democracia formal, mas estas medidas protofascistas vão fazendo o seu caminho. Não dizia Salazar que Portugal era mais livre que a livre Inglaterra? Sócrates e Santos Silva dizem o mesmo.
PÚBLICO online 04/09/2009
*Eduardo Cintra Torres é crítico de televisão e escreve no PÚBLICO

sábado, 5 de setembro de 2009

A promoção ao "Jornal Nacional" da TVI censurada

***
Segundo o Expresso, este vídeo promocional teria sido censurado, tendo desagrado à administração da Media Capital, que resolveu afastar Manuela Moura Guedes da apresentação do Jornal Nacional de 6ª feira. No entanto, outras fontes revelam que a drástica e polémica medida teria vindo directamente de Madrid, da administração da Prisa.

Portugal não pode ter um primeiro ministro sob suspeita!...

Se José Sócrates não fosse primeiro ministro, as provas e os testemunhos já recolhidos sobre o caso Freeport, teriam sido suficientes para justificar a sua audição pelo Ministério Público e, eventualmente, ser constituído arguido. Aí, ele não poderia recusar-se a responder àquelas perguntas incómodas, já formuladas, sem qualquer êxito, por alguns jornalistas, e que assentavam sobre as contradições e tergiversões das suas declarações públicas.

***


Uma nova cara, a mesma notícia. O caso Freeport abriu o ‘Jornal Nacional’ da TVI de ontem. Sem Manuela Moura Guedes, foi a Patrícia Matos, uma estagiária, quem coube dar a novidade: há mais um primo de José Sócrates alegadamente envolvido no caso do outlet de Alcochete. Chama-se José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, mais conhecido por ‘Bernardo’ ou ‘Gordo’.
A notícia da TVI nasceu com base em depoimentos de dois arguidos do caso Freeport que pediram o anonimato. Os denunciantes falaram à estação de Queluz de um homem mencionado em e-mails apreendidos pela Polícia Judiciária e cujo nome de código terá sido utilizado por Charles Smith e outros intervenientes no negócio.

Já no famoso DVD divulgado há meses pela TVI Charles Smith afirmava ter entregue durante dois anos envelopes com subornos a um primo de José Sócrates que alegadamente os faria chegar ao então ministro do Ambiente.
Num dos e-mails, agora na posse da PJ, datado de 18 de Maio de 2002, e enviado por Charles Smith para o seu sócio na Smith & Pedro, Manuel Pedro, lê-se: "Temos que pedir ao Freeport para enviar 80 mil libras ainda esta semana para podermos pagar ao pinochio algo no dia 31 de Maio, conforme eu combinei com o Bernardo, para não arriscar nada."

DESMENTIDO DE MADRID MAL RECEBIDO EM LISBOA
O desmentido da Prisa sobre o papel de Cébrian no cancelamento do ‘Jornal de Sexta’ de Manuela Moura Guedes foi muito mal recebido na administração da Media Capital. Uma fonte do grupo espanhol fez saber à Lusa que o conselheiro-geral da Prisa nada tinha a ver com assunto e que a decisão tinha sido tomada pela administração da Media Capital, isto é, por Bernardo Bairrão. Acontece que, como o CM noticiou ontem, a ordem irreversível de cancelamento foi dada na terça-feira por Cébrian a Bernardo Bairrão, e este ainda tentou, face à ameaça de demissão da direcção de direcção da TVI e ao terramoto político que a decisão iria provocar em plena campanha eleitoral, adiar para depois das eleições o fim do ‘Jornal de Sexta’. Apenas depois de Cébrian se ter mostrado inflexível o processo seguiu os seus termos, com a direcção de Informação a dizer na quarta-feira Manuela Moura Guedes que ia ser afastada dos ecrãs. O CM contactou a Prisa em Madrid, e o gabinete de comunicação do grupo espanhol referiu apenas que não havia nadaa dizer sobre a matéria.
Correio da Manhã, 5 de Setembro de 2009

Sócrates ataca TVI e Manuela Moura Guedes [Entrevista 21-04-2009 @ RTP1]





***

Portugal não pode ter um primeiro ministro que, deliberadamente, confunde uma crítica ou uma "suspeição fundamentada" com um insulto e que, da liberdade de imprensa, tem um conceito redutor, típico de um aprendiz a ditador. O condicionamento da liberdade de imprensa, invocando os mais variados pretextos, desde o da ameaça à segurança do Estado, como fez Salazar, até à necessidade de defender a honaribilidade de pessoas e das instituições, como defende José Sócrates, é sempre um recurso daqueles políticos obcecados com o pensamento único e com a necessidade de um Estado musculado, que limite as liberdades individuais.
José Sócrates, na sua cruzada de tentar abafar o seu envolvimento no caso Freeport e de desviar as atenções da opinião pública, assume o cínico papel de dama ofendida e acusa os jornalistas, que, através das suas investigações, referiram factos, que a justiça está a averiguar. É estranho que nunca lhe tenha ocorrido processar o Serious Fraud Office do Reino Unido, que foi a primeira entidade policial a considerá-lo suspeito do crime de corrupção passiva, num relatório enviado às autoridades judiciais portuguesas, e que, verdadeiramente, deu origem às posteriores investigações dos jornalistas, que, entretanto, num trabalho meritório, foram recolhendo novos factos comprometedores.
Se o lesse, José Sócrates iria considerar este pequeno apontamento como um insulto à sua pessoa, quando, na realidade, é apenas a expressão do exercício da liberdade crítica de um cidadão, que tem todo o direito, baseado na interpretação dos factos do seu conhecimento, de desconfiar da presuntiva inocência do actual primeiro ministro.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Um acto censório inadmissível num regime democrático...


Quando José Sócrates, no último Congresso do PS, e numa atitude autoritária sem precedentes na democracia portuguesa, anatematizou grosseiramente o programa de informação Jornal Nacional de sexta feira da TVI, apresentado por Manuela Moura Guedes, deu um sinal claro à administração da TVI de que o programa deveria ser suspenso e de que toda a investigação sobre o caso Freeport, onde ele aparece envolvido, não deveria ser publicada. A equipa de investigação jornalística daquele programa deverá ter na sua mão material informativo, altamente explosivo, que, em virtude da aplicação do princípio do contraditório, será do conhecimento do primeiro ministro, sabendo-se agora que ele iria ser publicado na próxima sexta feira, em pleno período da campanha eleitoral e a três semanas da realização das eleições legislativas. A actual administração da TVI, já desenvencilhada da presença de José Eduardo Moniz, que não tinha a intenção de abdicar do exercício de um jornalismo livre e responsável, aguardou até ao último momento a possibilidade de domesticar a direcção de informação, o que não teria conseguido, tendo recorrendo in extremis à suspensão do programa.
É evidente que não vai ser possível demonstrar a interferência directa do governo nesta obscena e escandalosa decisão, que agride perigosamente a liberdade de informação. Mas a interferência indirecta do governo está mais que provada, e isso, além de obsceno e escandaloso, é também inadmissível, principalmente se se considerar que a atitude vem de um partido que se diz socialista e democrático.
José Sócrates pretende a todo custo abafar o caso do Freeport, que foi relançado por mérito da Serious Fraud Office, do Reino Unido, que o considerou suspeito do crime de corrupção passiva, e não pelo mérito das autoridades policiais e judiciais portuguesas, que, incompreensivelmente, mantiveram paradas as investigações desde 2005. A tentativa de intimidar os actuais magistrados, titulares do respectivo processo, um crime grave que parece que não vai ter consequências penais, tal é a impunidade reinante no país, foi o primeiro sinal de que José Sócrates iria arriscar tudo por tudo para ser considerado ilibado de qualquer culpa.
Perante este atentado à liberdade de informação, chegou a hora de clarificar definitivamente esta escabrosa situação, pois se os portugueses podem conviver com um primeiro ministro incompetente e demagogo, não podem, contudo, admitir um primeiro ministro eventualmente corrupto.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Vieira da Silva sofre de amnésia!...


Quando Vieira da Silva, recorrendo ao estafado argumento da "campanha negra", vem condenar as declarações de Aguiar Branco, do PSD, quando este afirma que o governo do PS é um governo sob suspeita, não se sabe se ele já se esqueceu do teor da carta rogarória do Serious Fraud Office, enviada para o Ministério Público português, onde explicitamente se considera José Sócrates como suspeito do crime de corrupção, no caso Freeport.
Para avivar a memória do actual ministro do Trabalho, aqui se reproduz a parte do texto, onde essa referência é feita, não sem antes anotar que o Serious Fraud Office é uma polícia do Reino Unido, altamente especializada na investigação dos crimes financeiros mais complexos e, que se saiba, não se lhe conhece nenhuma actividade ao nível da montagem de campanhas negras contra dirigentes políticos:

"Além disso, os cidadãos abaixo indicados, que não são do Reino Unido, são considerados como estando sob investigação no sentido de terem solicitado, recebido ou facilitado pagamentos que sejam relevantes aos crimes indicados no Anexo”1”.
7. José Sócrates
8. José Marques
9. João Cabral
10. 10 Manuel Pedro"

domingo, 30 de agosto de 2009

Caso Freeport: Incompetência ou conivência?



Ehud Olmert também começou por negar tudo, clamando, ofendido, a sua cândida inocência. Só que, pelos vistos, a polícia israelita não está hipotecada aos governos.
Ainda alguém terá de explicar por que razão as investigações sobre o caso Freeport estiveram paradas de 2005 a 2008, e não se respondeu em tempo útil às primeiras solicitações do Serious Fraud Office.


http://arquivogeralpress.blogspot.com/2009/08/jose-socrates-mantido-fora-da-acusacao.html

http://jornal.publico.clix.pt/noticia/29-08-2009/situacao-de-socrates-ainda-esta-dependente-dos-peritos-ingleses-17675544.htm