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quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ary dos Santos - As Portas Que Abril Abriu





As Portas Que Abril Abriu

Não posso deixar de emocionar-me até às lágrimas e com um grande nó a atar-me a garganta, ao ouvir a vigorosa voz de Ary dos Santos, a declamar, com força e emoção, o seu grandioso poema, "As Portas Que Abril Abriu", que é o grande poema da Revolução de Abril e, revolução essa, que o povo, com toda a sua criatividade, logo baptizou como a Revolução dos Cravos, tal foi a profusão de cravos que alastrou pelas ruas de Lisboa, como se tratasse de um fenómeno de geração espontânea, e que começaram a engalanar os canos das espingardas e as coberturas dos tanques.

Fica-nos na memória todo o romantismo que esta revolução inspirou à minha geração, que a viveu em profundidade, com muito amor e com muita convicção, alimentando aquela esperança de que, com o derrube do caduco regime fascista, iríamos construir um país novo.

E essa esperança ainda não morreu, nem pode morrer.

[Por motivos de força maior, não poderei estar presente no desfile da avenida, que, por sinal, se chama da Liberdade. Cantem por mim a "Grândola, Vila Morena".

Alexandre de Castro
2018 04 25

terça-feira, 3 de maio de 2016

Ary dos Santos - As Portas que Abril Abriu


Ary dos Santos é o poeta da Revolução de Abril e "As Portas que Abril Abriu" é o poema mais emblemático de todo o processo revolucionário, iniciado pelo golpe militar dos jovens capitães, que derrubou um regime pérfido, bafiento e decadente. É um poema épico e grandioso, de exaltação patriótica e revolucionária, que fala do povo, dos ceifeiros, dos operários, dos soldados e dos capitães. E Ary, ao declamá-lo, empresta-lhe a sua voz tonitruante e modulada, que nos empolga e emociona.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Poema: Mulher Maio_ José Carlos Ary dos Santos

Pintura de Rui Alves

Mulher Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.
Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.
Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.
Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Poema: Mulher Maio - por José Carlos Ary dos Santos

Pintura de Rui Alves

E porque hoje é o último dia de Maio..... 

Mulher Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos

 Publicado por Isabel Faria, através de Carlos Esperança.

Nota: Ary dos Santos foi o grande poeta de Abril. Mas Abril já morreu. É necessário inventar Maio com a Grândola na boca e um cravo na mão.