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segunda-feira, 16 de junho de 2014

Um milhão de nascidos em Portugal vive noutro país europeu


Um milhão de nascidos em Portugal vive noutro país europeu
Após uma análise detalhada aos dados dos Censos de 2011, o Observatório da Emigração concluiu que, em 2011, cerca de um milhão de pessoas nascidas em Portugal estava a residir noutro país da União Europeia.
França, Luxemburgo, Alemanha, Suíça, Reino Unido e Espanha detinham 98% das pessoas que nasceram em Portugal mas que agora residem noutro país da União Europeia (UE). Esta é uma das conclusões do estudo do Observatório da Emigração após análise dos Censos 2011.

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A Pátria sempre foi madrasta para os seus filhos!... Só é mãe para alguns!... E mãe perdulária para muito poucos!...

domingo, 6 de abril de 2014

Que esperar dos nossos credores? - por António Catita


À exceção dos partidos da coligação e seus adeptos, há uma convicção generalizada de que é urgente renegociar as condições da nossa dívida.
Não será porém fácil demover os credores, ligados intimamente, como estão, aos grandes interesses económicos que dominam toda a política ocidental. (...) Li uma entrevista com Marisa Matias, deputada com assento no Parlamento Europeu. Foi como relatora desse órgão que participou em reuniões com o Banco Central Europeu, de cuja administração obteve uma resposta muito eloquente: As medidas impostas a Portugal alcançaram um "indicador positivo", a baixa do custo do trabalho no País. Tão honesta resposta revela bem a estratégia global da troika e portanto dos altos interesses económico-financeiros que nos governam: baixar ao máximo os níveis salariais dos países não industrializados, para que as empresas dos poderosos tenham à sua disposição, em países permanentemente dependentes, um manancial de mão-de-obra baratíssima.
António Catita
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Cercados pela economia dos EUA, com um maior valor acrescentado, e pelas economias dos países asiáticos, principalmente a da China, com baixos custos salariais, as economias mais robustas da Europa, com a da Alemanha à cabeça, estão a promover aceleradamente, através da austeridade, a baixa dos custos unitários do trabalho nos países do sul da Europa. Ou através da migração de trabalhadores dos países mais pobres ou, no futuro próximo, deslocalizando meios de produção para as economias destes países, os países ricos vão ver assim aumentada a sua competitividade. 
Com esta reestruturação económica à escala europeia, os desequilíbrios entre os países ricos e os países pobres tenderá a agravar-se. Não serão as remessas dos emigrantes, que, a curto e a médio prazo, virão atenuar os desequilíbrios de médio e longo prazo, provocados aos países da periferia, dos quais se destacam, principalmente, as futuras quedas da natalidade, que irão marcar um destino duradouro de uma pobreza endémica e de um acentuado subdesenvolvimento.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Notas do meu rodapé: Os novos emigrantes talvez venham a querer esquecer o país que os pariu e que os condenou a pertencerem à "Geração à Rasca"

"Governo resolve o problema mandando os jovens emigrar"
O deputado Paulo Pisco (PS) considerou hoje que o Governo pode não ter uma política de emigração para os jovens portugueses, mas adota uma postura de tentar resolver o desemprego entre esta camada da população "mandando-os emigrar".
Diário de Notícias
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A emigração, historicamente, sempre foi a válvula de escape dos portugueses mais desafortunados, em tempos de crise económica. A mais importante, aquela que teve um efeito estruturante na economia do país, foi a que ocorreu nos anos sessenta do século passado, e que teve como destino a França e a Alemanha, para onde se deslocou massivamente a maioria dos homens válidos das zonas rurais. O despovoamento do interior, a que esses emigrantes deram origem, nunca mais foi invertido.
Mas, agora, a emigração começa a ser uma alternativa para os jovens técnicos qualificados, que, em Portugal, não encontram saídas profissionais, e aos quais o primeiro-ministro, numa confissão implícita de impotência e de descrença, convida a abandonar o país. É um sinal pouco animador dado por aquele governante, que assim desmente as expetativas otimistas, mil vezes anunciadas, sobre as vantagens futuras das suas políticas de austeridade. Já nem ele acredita que o país possa vir a recuperar, depois da devastação a que está a proceder, a mando da senhora Merkel e em benefício do grande capitalismo financeiro europeu.
Poderemos dizer que, pela primeira vez na nossa história, se assiste à fuga de quadros qualificados, numa escala nunca vista anteriormente. E, neste caso, ocorre uma dupla perda para a economia portuguesa. Por um lado, perde-se o elevado potencial desses quadros, que dariam um contributo significativo para a criação da riqueza nacional, e, por outro lado, e isto não ocorreu nos períodos emigratórios precedentes, perde-se o avultado investimento que o país dispendeu na sua formação. Atinge-se assim o limite do desperdício, que irá ter consequências nefastas no nosso futuro coletivo. Se o ciclo emigratório dos jovens mais qualificados atingir grande dimensão estatística, daqui a dez ou quinze anos, Portugal irá ter falta de massa crítica, já que claudicará a transferência geracional no topo das carreiras profissionais, das públicas e das empresariais, e também ao nível dos respetivos dirigentes. O problema é muito sério, o que não deveria permitir a manifestação de tamanha leviandade por parte de um primeiro-ministro, que se desacredita, quando, no seu discurso, vem estimular a ocorrência deste fenómeno. 
E não colhe validade o argumento, que já anda a ser badalado por aí, pelos papagaios encartados do regime, que este desequilíbrio seria compensado com a incorporação das respectivas remessas de capital na economia portugesa, como aconteceu no século passado. Os jovens quadros que emigrarem irão atrás de um projeto de enraizamento integral nos países de destino, onde constituirão família e onde guardarão as suas poupanças e património, para transmitirem aos seus filhos. Muitos deles, até, talvez venham a querer esquecer o país que os pariu, mas que os condenou a pertencerem à "Geração à Rasca", abandonando-os ao seu destino.