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sábado, 28 de janeiro de 2012

Micro contos: Sem título

Farta de toda aquela homogeneidade, despiu-se e caminhou nua pelas ruas da cidade. Entre olhares de censura e de espanto, um homem de figura esguia ofereceu-lhe um jornal e um olhar reconfortante. Sorrindo, pegou no papel tisnado por notícias feias e fez um lindo vestido. Deu um beijo na testa do homem e este começou a chorar. Ela secou-lhe as lágrimas com uma folha que dizia que no dia seguinte o sol iria brilhar num céu sem nuvens.
Micro Contos

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Micro contos: S/Título

Compartimentado numa gaveta de betão com janelas viradas para sul, António apenas saía para trabalhar num escritório sem janelas, do outro lado do rio. Quando chegava à noite, ficava acordado até quase ao amanhecer a escrever poesia. Naquela noite de Inverno, apesar de ser ateu, rezou para que um raio o rachasse ao meio e acabasse com aquela agonia.
Micro contos
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terça-feira, 25 de outubro de 2011

Micro contos: S/Título

Guardava os olhos em duas covas profundas cavadas no rosto. Num outro buraco escuro, escondia um coração negro e pesado. Os seus passos eram como um permanente caminhar pelo corredor da morte. Arrastava os pés, sulcando no chão regos onde semeava sementes de solidão de onde viriam a brotar tristeza. Chama-se Alzira, mas quase todos a chamavam velha cigana. Apesar de todo o amor que tinha para dar, todos a rechaçaram e ninguém a amou como merecia
Autor(a): Odemira