Páginas

Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

domingo, 15 de dezembro de 2013

País em regressão civilizacional e cultural, diz Jerónimo de Sousa


Líder do PCP citou “desmantelamento da Direcção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direcção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura"

A política do atual Governo é de regressão económica e social mas também “civilizacional e cultural”, afirmou hoje em Lisboa o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa.
“Na cultura a situação é hoje de profunda crise e de abandono de qualquer perspetiva real da sua democratização. Olhe-se para onde se olhar é a política de destruição que impera”, disse o responsável numa sessão evocativa de Álvaro Cunhal, antigo secretário-geral do partido, que morreu em 2005.
No ano em que faria 100 anos se fosse vivo, porque nasceu a 10 de novembro de 1913, o PCP tem organizado iniciativas para o lembrar, uma delas hoje ao juntar intelectuais e artistas para debater precisamente o tema “Álvaro Cunhal, o intelectual e o artista”, no âmbito da qual se falou da sua faceta de escritor, pintor, músico e até tradutor.
Ao falar no encerramento do encontro Jerónimo de Sousa lembrou o artista e pensador e falou da cultura e da forma como é “maltratada pela política da direita”, que teme “o seu imenso potencial de criação, liberdade e transformação”.
É isso, acrescentou, que tem feito o atual Governo, nomeadamente na educação, na informação e comunicação, na ciência, na arte contemporânea, nas culturas artísticas ou no património.
Há, disse Jerónimo de Sousa, “uma ofensiva destruidora” alargada aos serviços públicos da área da cultura, com “cortes brutais” nos Orçamentos de Estado, desmantelando-se e desqualificando-se serviços, que são centralizados e depois requalificados “para o despedimento”. É, acusou, “uma operação de aglomeração para ser mais fácil destruir”.
Jerónimo de Sousa citou depois o “desmantelamento da Direção Geral do Património Cultural” e “as limitações impostas à Direção Geral das Artes” para dizer que há “uma clara intenção de retirada total do Estado nas áreas da cultura, “o que também pode ser entendido como uma censura financeira às artes e à cultura”.
E o resultado desta política está exemplificado nos últimos dados europeus divulgados (Eurobarómetro), disse o responsável: “O que se vê é que estamos a andar para trás e a divergir com outros povos europeu. Estamos no fim da lista”, disse.
“É este o rumo de uma política também de desastre cultural que está em curso. Uma política que não só destrói o que existe como inviabiliza a criação do novo”, disse Jerónimo de Sousa, concluindo que “é tempo de pôr fim” ao “rumo de desastre”, razão que tem levado o partido a pedir com insistência a demissão do Governo e a realização de eleições antecipadas.
*Este artigo foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico aplicado pela Agência Lusa

***«»***
A direita sempre se deu mal com a Cultura. Nutre por ela um ódio de morte. Talvez porque a Cultura seja a sua antítese, ao rejeitar o conservadorismo bacoco e provinciano  e tentando, por outro lado, progredir sempre pelo caminho ousado da descoberta da modernidade, em plena liberdade.
Em Portugal, este governo de direita (o governo mais reacionário do regime democrático), não podendo eliminá-la por decreto, nem puxar por uma pistola, quando dela ouve falar, como dizia o ministro da Propaganda de Hitler, Joseph Goebbels, procura asfixiá-la financeiramente e desestruturá-la organicamente, ao nível do aparelho de Estado. O que vem dar ao mesmo.
A Cultura é a expressão da alma de um povo, ao qual está intimamente ligada. Querer liquidá-la, é querer matar esse mesmo povo.
AC

sábado, 4 de setembro de 2010

Notas do meu rodapé: As gerações falhadas


Americanização intelectualmente frígida
.
"Um estudo divulgado nos Estados Unidos revela que a maioria dos norte-americanos que está prestes a entrar na universidade não consegue escrever em letra cursiva. Também de acordo com a "Mindset List" ", uma pesquisa feita anualmente por académicos da Universidade de Beloit , no Wiscosin, os alunos que se vão licenciar em 2014 pensam que a Checoslováquia nunca existiu.
Os resultados da pesquisa são preocupantes: Os estudantes inquiridos, que vão integrar as turmas de 2014, acham que Beethoven , o célebre compositor alemão, é apenas "um cão", enquanto que Michelangelo , o renomado pintor italiano, não passa de "um vírus de computador".
.
Conhecimentos de uma geração
De acordo com a "Mindset List", para os estudantes nascidos em 1981, a Jugoslávia nunca existiu. Já os norte-americanos que vieram ao mundo em 1980 acham que João Paulo II foi o único Papa que existiu.
Na área do cinema, os estudantes também não mostraram mais conhecimentos. Por exemplo, o célebre ator, realizador e produtor norte-americano Clint Eastwood , é, segundo os jovens, um "famoso cineasta de Hollywood" e nunca protagonizou o filme "Dirty Harry" ("'Dirty Harry'? O que é isso?", perguntaram).
No desporto, os conhecimentos também não melhoram. Para os estudantes norte-americanos, John McEnroe é um modelo de publicidade que nunca pôs os pés num court de ténis.
A pesquisa revela ainda que, com telemóveis a informarem permanentemente a hora, já nenhum estudante norte-americano usa relógio.
.
Referências culturais efémeras
A maioria dos estudantes norte-americanos prestes a entrar na universidade acha que Beethoven é "um cão" e que Michelangelo não passa de "um vírus de computador", revela o estudo "Mindset List".
A "Mindset List" foi elaborada pela primeira vez em 1998 pelo professor de Humanidades, Tom MacBride, e pelo ex-diretor de Relações Públicas, Ron Nief, da Universidade de Beloi. As conclusões surgiram a partir de perguntas feitas à geração que teria um diploma universitário em 2002.
Os professores levaram um ano para compor o estudo, tendo pedido apoio a colaboradores, consultado trabalhos literários e notícias divulgadas pelos meios de comunicação no ano do nascimento das pessoas que entraram na universidade em agosto ou setembro, início do ano escolar os EUA.
O objetivo inicial era chamar a atenção das autoridades na área da Educação para uma realidade: As referências culturais evaporam-se. A pesquisa acabou por ganhar popularidade e passou a ser feita anualmente, tornando-se num género de radiografia dos conhecimentos de uma geração."
Notícia do Expresso, citada pelo Iluminatus Lex
.
***
Esta ausência de referências culturais não é só evidente nos Estados Unidos. Afecta as novas gerações de todos os países desenvolvidos, que iniciaram a massificação do ensino no pós-guerra. Em Portugal. o processo iniciou-se no início da década de setenta, do século passado, com a reforma do ministro caetanista, Veiga Simão.
Conscientemente ou não, o processo não referenciou os modelos educacionais ao princípio do desequilíbrio entre a quantidade/qualidade, não acautelando com medidas correctoras a inevitável deterioração das competências culturais adquiridas.
Existem já inúmeros estudos sociológicos sobre este problema, a maioria a equacionar como causa principal o hiato geracional ao nível da cultura. Inicialmente, com a crescente urbanização das populações rurais, e, actualmente, com o aparecimento das sucessivas gerações dos filhos dos imigrantes, todos os modelos esbarraram com a dificuldade de ultrapassar a falta de cultura dos pais dos alunos, o que leva a sobrelevar, como factor decisivo para a aquisição de cultura (o que é diferente da aquisição de conhecimentos), a influência do meio familiar e social em que os alunos estão inseridos.
Outro factor apontado como limitador da aquisição da capacidade cultural é a influência das novas tecnologias, que não propiciam o saber pensar, que só o método dialéctico atinge na plenitude. E aqui a culpa é dos responsáveis das políticas educacionais, que, progressivamente, têm desvalorizado o tronco das ciências sociais e humanas e menorizado o ensino da Filosofia.
Recordo-me que nos anos oitenta do século passado, um professor universitário norte-americano referia a predominância do pensamento bipolar, desenvolvido no ensino secundário com a iniciação da aprendizagem da informática, nos seus novos alunos do curso de Física, o que dificultava a sua inserção na metodologia do pensamento científico, baseado no binómio da causa/efeito.
Mas, à volta deste fenómeno, o das deficiências culturais, existe uma outra dimensão preocupante, e que não passou despercebida aos ideólogos do actual sistema produtivo, o capitalismo neo-liberal, a quem interessa uma população acéfala culturalmente, apenas apetrechada com os conhecimentos específicos para o desempenho das tarefas que o sistema exige, e, ao mesmo tempo, incapaz de se interrogar sobre a natureza perversa do próprio sistema, que se sustenta através da exploração desenfreada do factor trabalho. Talvez seja por isso que se assiste a uma estranha apatia em relação à teorização sobre a origem da actual crise mundial. As pessoas, mesmo as que possuem estudos superiores, não a entendem, o que sossega as classes possidentes.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Paulo Nozolino devolve prémio AICA


COMUNICADO
Recuso na sua totalidade o Prémio AICA/MC 2009 em repúdio pelo comportamento obsceno e de má fé que caracteriza a actuação do Estado português na efectiva atribuição do valor monetário do mesmo. O Estado, representado na figura do Ministério da Cultura (DGARTES), em vez de premiar um artista reconhecido por um júri idóneo pune-o! Ao abrigo de “um parecer” obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em 10% em sede de IRS, ao contrário do que acontece com todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas.
A saber: Quem concorre para ganhar um prémio está isento de impostos pelo Código de IRS. Quem, sem pedir, é premiado tem que dividir o seu valor com o Estado!
Na cerimónia de atribuição do Prémio foi-me entregue um envelope não com o esperado cheque de dez mil euros, como anunciado publicamente, mas sim com uma promessa de transferência bancária dessa mesma soma, assinada por Jorge Barreto Xavier, Director Geral das Artes. No dia seguinte, depois do espectáculo, das luzes e do social, recebo um e-mail exigindo-me que fornecesse, para que essa transferência fosse efectuada, certidões actualizadas da minha situação contributiva e tributária, bem como o preenchimento de uma nota de honorários, onde me aplicam a mencionada taxa de 10%, cuja existência é justificada pelo Director Geral das Artes como decorrendo de um pedido efectuado por aquela entidade à Direcção-Geral dos Impostos para emitir “um parecer no sentido de que, regra geral, o valor destes prémios fosse sujeito a IRS”.
Tomo o pedido de apresentação das certidões como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má fé. A nota de honorários implica que prestei serviços à DGARTES. Não é verdade. Nunca poderia assinar tal documento.
Se tivesse sido informado do presente envenenado em que tudo isto consiste não teria aceite passar por esta charada.
Nunca, em todos os prémios que recebi, privados ou públicos, no país ou no estrangeiro, senti esta desconfiança e mesquinhez. É a primeira vez que sinto a burocracia e a avidez da parte de quem pretende premiar Arte. Não vou permitir ser aproveitado por um Ministério da Cultura ao qual nunca pedi nada. Recuso a penhora do meu nome e obra com estas perversas condições. Devolvo o diploma à AICA, rejeito o dinheiro do Estado e exijo não constar do historial deste prémio.
Paulo Nozolino
1 de Julho de 2010
***
Paulo Nozolino não se vendeu. A sua dignidade vale muito mais do que o prémio amputado, que o Estado lhe queria dar, e a que ele, justamente, chamou presente envenenado. A dualidade dos critérios fiscais a aplicar aos prémios obtidos por concurso público e aos que são atribuídos por um júri qualificado não tem qualquer justificação séria. É uma autêntica aberração. Paulo Nozolino fez bem em mandar à merda o Ministério da Cultura.