segunda-feira, 31 de agosto de 2015
O "roubo" das pensões... [Raquel Varela]
«É totalmente ilegítimo cortar as pensões e
reformas. Nunca é demais lembrar que o Estado não é dono da segurança social e
portanto não pode apropriar-se destes recursos. O Estado é depositário das
contribuições e está obrigado a pagar as pensões. Tudo o resto é roubo. Vou
repetir, assumindo exactamente o valor desta palavra - tudo o resto é roubo.
Portanto os portugueses devem reagir e resistir aquilo que é desnecessário do
ponto de vista económico, imoral do ponto de vista social e, finalmente,
totalmente ilegal».
Raquel Varela_ Historiadora
[Amabilidade de Lara Raquel Caldeira Ferraz]
sábado, 15 de agosto de 2015
quinta-feira, 6 de agosto de 2015
A mentira das estatísticas oficiais sobre o mercado de trabalho...
Os números oficiais sobre o mercado de trabalho
não correspondem à realidade, porque ignoram o desemprego oculto, o desemprego
disfarçado e o desemprego dos inactivos. E isto, para não falar no aumento da
carga horária dos trabalhadores empregados, em alguns sectores da economia - o
que limita o recurso a novas contratações - bem como da emigração dos jovens, fenómenos
estes que, não tendo efeitos directos nas estatísticas do mercado de trabalho,
vão ter, contudo, no futuro, elevados custos, ao nível da sustentabilidade
social, da demografia e da economia. Portugal irá ser um país envelhecido e
empobrecido. Mas os sobas, esses, não se extinguirão...
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
Morreu Ana Hatherly [Poema: Príncipe ]
Príncipe
Era de noite quando eu bati à tua porta
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste.
e não me conheceste.
Era de noite
são mil e umas
as noites em que bato à tua porta
e tu vens abrir
e não me reconheces
porque eu jamais bato à tua porta.
Contudo
quando eu batia à tua porta
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente
os teus olhos de repente
viram-me
pela primeira vez
como sempre de cada vez é a primeira
a derradeira
instância do momento de eu surgir
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta
Era de noite quando eu bati à tua porta
e tu vieste abrir
e viste-me
como um náufrago sussurrando qualquer coisa
que ninguém compreendeu.
Mas era de noite
e por isso
tu soubeste que era eu
e vieste abrir-te
na escuridão da tua casa.
Ah era de noite
e de súbito tudo era apenas
lábios pálpebras intumescências
cobrindo o corpo de flutuantes volteios
de palpitações trémulas adejando pelo rosto.
Beijava os teus olhos por dentro
beijava os teus olhos pensados
beijava-te pensando
e estendia a mão sobre o meu pensamento
corria para ti
minha praia jamais alcançada
impossibilidade desejada
de apenas poder pensar-te.
São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me
Ana Hatherly _ in
"Um Calculador de Improbabilidades"
***«»***
Morreu Ana
Hatherly
Escritora, artista plástica e cineasta, Ana
Hartherly integrou, ao nível da poesia, o movimento experimentalista, o
concretismo, que surgiu no Brasil, de forma estruturada (publicou-se um
manifesto), em meados do século passado, tendo-se expandido para a Europa,
onde veio a potenciar a afirmação de vários poetas, que procuravam ultrapassar o
modernismo.
Ana Hartherly foi a primeira autora portuguesa a
escrever um poema “concreto”, uma forma de escrever poesia, em que o poema
perde o conceito absoluto (não vale só por si), antes se articula, para ganhar
uma maior expressividade, com outras formas artísticas ou com outros formas
comunicacionais, entretanto inventadas, como seja a folha de papel ou o mural,
onde ele é escrito de forma não convencional (dispersão desordenada, com uma disposição
inteligível e esteticamente conseguida, dos vocábulos, frases e caracteres).
Na prosa, Ana Hartherly escreveu, entre outros “O
Mestre” e o conto “No Restaurante”, que tiveram várias edições em Portugal e no
Brasil e em mais de uma dezena de países.
Como académica (era professora catedrática da
Universidade Nova de Lisboa), destacou-se também ao nível do ensaio.
Alexandre
de Castro
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Santa Teresa d' Ávila
«(...) Neste
estado, agradou ao Senhor dar-me a visão que aqui descrevo. Vi um anjo perto de
mim, do meu lado esquerdo; não era grande, mas sim pequeno e muito belo; o seu
rosto afogueado parecia indicar que pertencia à mais alta hierarquia, aquela
dos espíritos incendiados pelo amor. Vi nas suas mãos um longo dardo de ouro
com uma ponta de ferro na extremidade da qual ardia um pouco de fogo. Às vezes,
parecia-me que ele me trespassava o coração com esse dardo, até me chegar às
entranhas. Quando o retirava, parecia-me que as levava consigo, e ficava em
chamas, totalmente inflamada de um grande amor por Deus. Era tão grande a dor,
que me fazia dar gemidos, mas ao mesmo tempo era tão excessiva a suavidade que
me punha essa enorme dor, que não queria que terminasse, e a alma não se podia
contentar com nada menos do que Deus. Este sofrimento não é corporal, mas sim
espiritual, e no entanto o corpo participa, e não participa pouco.»
***«»***
Este admirável texto foi escrito por Teresa d’
Ávila, mais tarde santa, e que se fez freira apenas com dezasseis anos, no
século XVI. Com estas inflamadas visões não admira que tivesse subido ao céu
várias vezes, motivo este mais do que suficiente para fundamentar a sua
canonização pela Igreja Católica Apostólica Romana.
Alguns historiadores admitem que Teresa d’Ávila
seria uma ninfomaníaca e que teria orgasmos quando, em intensa meditação, se
concentrava mentalmente em visionários encontros com o anjo enviado pelo Senhor.
Eu, que não me atrevo a avançar com nenhuma justificação para este fenómeno
místico-erótico, apenas quero deixar uma pergunta: Aquilo seria mesmo um anjo?
domingo, 2 de agosto de 2015
Notas do meu rodapé: Temos de encontrar e conquistar uma nova Ceuta...
Temos de encontrar e conquistar uma nova
Ceuta... Não para construir outro império nem para escravizar outros homens,
mas para nos libertarmos do imperialismo alemão e deixarmos de ser escravos do
capitalismo financeiro europeu. Uma nova Ceuta, que nos devolva a dignidade
perdida e recupere a nossa auto-estima como povo.
Está provado que não será na Europa que iremos
encontrar o nosso desígnio colectivo, a não ser que essa Europa mude
radicalmente de paradigmas.
Se D. Afonso Henriques, o rei fundador, venceu
pela astúcia e pela bravura os leoneses e os mouros, ao mesmo tempo que
consolidava politicamente as suas vitórias militares (ele foi também um grande
estadista), D. João I, o fundador da nova dinastia que se formou,
revolucionariamente, em consequência da grande crise de 1383-1385, foi um rei
visionário, que percebeu a tempo a necessidade do seu reino ganhar uma nova
força política e económica, expandindo-se e enriquecendo-se fora do contexto
ibérico, onde não passava de um parceiro menor. A conquista de Ceuta foi a
salvação do Portugal de então, e que sobreviveu até hoje (exceptuando os
sessenta anos do domínio espanhol).
Passados seiscentos anos, e em contextos
naturalmente diferentes, coloca-se novamente o problema da nossa
sustentabilidade como país e da nossa identidade como povo. Perdido o império
caduco e obsoleto, que, na sua agonia final, só trouxe problemas ao povo
português e, particularmente, à minha geração, que foi obrigada a fazer a
Guerra Colonial, Portugal, para sobreviver à humilhação, que só a revolução de
Abril resgatou, entregou-se de braços abertos a uma Europa sedutora e moderna,
mas da qual alguns de nós, eu incluído, tínhamos algumas razões para dela
desconfiar. A anestesia da modernidade - aquela modernidade, cuja faceta mais
ridícula foi aquela apressada corrida à compra das chapas de matrícula com as
estrelinhas amarelas, para ostentar em automóveis obsoletos - durou quarenta
anos, envolvendo duas gerações de portugueses. Em termos históricos, foi pouco
tempo, mas deu para atingir o clímax do deslumbramento. Já participámos no
Tratado de Maastricht, que fundou a a União Económica e Financeira da Europa e
adoptou a moeda única. Poucos perceberam o alçapão que estava escondido debaixo
dos nossos pés. Poucos perceberam (e até eram menosprezados por perceberem) que
o euro tinha sido nivelado por cima, para servir as economias dos países ricos
da Europa, principalmente a Alemanha e a França. Poucos perceberam, que,
escondido no euro, estava a germinar a pulsão imperialista da Alemanha, que,
para se impor no contexto global, necessitava de dominar política e
economicamente a Europa. Veio a crise de 2008, e a Alemanha conseguiu camuflar
a bolha especulativa dos bancos, concebendo um hábil estratagema, apoiado no
falacioso argumento das dívidas públicas elevadas dos países do sul. O
objectivo de forçar um maior endividamento público desses países, foi a fórmula
encontrada para transferir as dívidas dos bancos e o valor dos seus produtos
tóxicos para as dívidas públicas dos países intervencionados, impondo como
garantia de retorno o produto proveniente da austeridade, que se vai perpetuar
por longos anos. Ainda hoje, e apesar da crise grega ter posto a nu as
intenções imperialistas da Alemanha, existe muita gente que não percebeu o
esquema e vai votar nos intermediários políticos indígenas dos seus algozes.
Portugal (e também a Grécia) encontra-se na
perigosa encruzilhada, em que o caminho que lhe está a ser imposto, é o do
declínio irreversível, da pobreza, que virá a ser endémica, e da perda de tudo
aquilo que ainda tem valor. Tudo irá para o sorvedouro da dívida. É necessário
reagir. É necessário encontrar governantes da têmpera de D. Afonso Henriques e
de D. João I (a que juntamos as figuras de D. João II e do Marquês do Pombal).
Se estes talentosos e patrióticos estadistas ressuscitassem, iriam corar de
vergonha com a situação degradante do país que ajudaram a construir. Dariam um
murro na mesa e expulsariam do Templo os fariseus. É isso que temos de fazer,
para iniciar o processo de regeneração.
Alexandre de Castro
Ver Expresso
sábado, 1 de agosto de 2015
quinta-feira, 30 de julho de 2015
“Enquanto a banca for privada, qualquer governo é refém do capital financeiro”
Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala
esquerda
Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala
esquerda do Syriza, Lafazanis defendeu a saída da Grécia do euro, criticou a
estratégia de Tsipras e respondeu à “campanha de difamação” na imprensa, que
diz ter como alvo o conjunto do partido e toda a esquerda grega.
Lafazanis defendeu o controlo público da banca
da Grécia para desempenhar o papel de apoio à economia. “Enquanto os bancos
permanecerem sob controlo e gestão privada, os governos, quaisquer governos, só
poderão ser reféns do capital financeiro”, argumentou, lembrando que só agora
estão a ser investigados a fundo os escândalos que envolvem alguns dos
principais bancos gregos das últimas décadas.
***«»***
Qualquer processo revolucionário tem de
contemplar na sua estratégia a nacionalização da banca. No sistema capitalista,
são os bancos que detêm o poder cambial e o poder monetário, um poder que não é
escrutinado pelos cidadãos, mas que é de uma importância fundamental para o
planeamento e a execução das políticas económicas dos governos nacionais.
Com a adesão à moeda única, os países que
aderiram perderam o poder cambial e o monetário. Com o Tratado Orçamental de
2012, o poder orçamental ficou amputado. Agora, e aproveitando-se dos efeitos
da crise grega, a Alemanha e os seus aliados e os seus lacaios pobretanas já
querem um Orçamento europeu, reduzindo assim os poderes de cada Estado. A
concretizar-se esta deriva federalista, cada país será apenas uma província da
Europa e os respectivos primeiros ministros passarão à categoria de
governadores civis. Num quadro destes, Portugal estaria para a Europa, assim
como a província de Trás-os-Montes está para Lisboa.
quarta-feira, 29 de julho de 2015
Gobierno griego firma tratado militar de cooperación y formación con Israel
Gobierno griego firma tratado militar de
cooperación y formación con Israel
Fue muy difícil rastrear la noticia. Solo la
habían publicado páginas israelíes y unas pocas webs de los Estados Unidos.
Pero no había dudas. Todas y cada una reproducían la sorpresiva noticia de la
firma de un acuerdo militar entre Grecia e Israel que no tiene precedentes
(enlaces al pie). En la noticia se habla de cooperación
militar, relaciones excelentes, mantener y continuar la
capacitación conjunta….Una histórica relación que en la campaña electoral
Tsipras decía que se iba a acabar (*). No fue así… la relación continuó y se ha
fortalecido de acuerdo con las noticias aparecidas desde hace 48 horas.
***«»***
A sombra das dúvidas instalou-se, a a partir do
momento em que li, há dias, esta surpreendente notícia, o que poderá projectar
uma nova luz sobre a narrativa daquela histórica e humilhante capitulação do
governo grego, face às arrogantes e despóticas exigências dos donos da Europa.
É verdadeiramente impressionante o discurso do
ministro da Defesa grego, em Telavive, perante o seu homólogo israelita: “El
pueblo griego está muy cerca del pueblo de Israel. En cuanto a nuestra
cooperación militar, nuestras relaciones son excelentes, y van a continuar
para mantener la capacitación conjunta. El señor Kammenos ha añadido: “El
terrorismo y la Jihad no golpean el Oriente Medio, sino también a los Balcanes
y Europa. Esto es la guerra. También estámos muy cerca de Israel por todo lo
que se relaciona con el programa de misiles de Irán. Estamos en el alcance de
estos misiles. Si un misil iraní se dirige hacia el mar Mediterráneo, puede
significar el fin de todos los países de la región.”
(*)
No Programa eleitoral do Siriza constava no ponto 38 a abolição de toda a
cooperação militar com Israel.
terça-feira, 28 de julho de 2015
Uma palavra só_ poema de maria azenha
![]() |
| Óleo sobre tela _ maria azenha |
Uma
palavra só_
Uma mulher sentada numa cadeira
na poeira de um segredo/
mantém-se iluminada por uma labareda acesa.
Como um capricho violento dos deuses
o poema aflora em seus níveis De incertezas
através de fragmentos de relâmpagos e memórias.
Procura o quê?
A clemência do instante invade então as horas
e as águas feitas de alçapões e prosas
encontram-se e desprendem-se.
Aqui vemos o céu escuro levantar-se das paredes
pousando a mão num momento incandescente/
entrando pelas sombras do vestido escarlate
que a mulher sustenta.
Através dos olhos dela posso ver um aquário
transparente/
onde pequenos peixes se movem/
como num teatro /
na própria luz do movimento.
Digo Uma palavra só. Uma palavra persistente.
© maria
azenha
***
Comentário à pintura de
Maria Azenha:
A
pintura ganha um especial relevo pela marcação de um forte contraste das duas
cores, sabiamente escolhidas.
Comentário ao poema de Maria Azenha:
domingo, 26 de julho de 2015
Merkel caiu da cadeira
Merkel caiu da cadeira
A chanceler alemã assistia à inauguração do
Festival Richard Wagner de Bayreuth.
Angela Merkel caiu, ontem à noite, da cadeira,
no intervalo da ópera "Tristão e Isolda", que inaugurou o festival de
Bayreuth, na Alemanha.
***«»***
Quem foi que enviou a cadeira do Salazar para a
Alemanha?...
…
A cadeira não suportou o peso da senhora. Mas
não sei se o lamentável acidente foi devido ao peso do seu corpo ou ao peso da
sua consciência...
De qualquer forma, espero que a conta da compra de uma cadeira nova não seja enviada aos gregos, para a pagar. Ou a nós, portugueses.
De qualquer forma, espero que a conta da compra de uma cadeira nova não seja enviada aos gregos, para a pagar. Ou a nós, portugueses.
Desejo sinceramente as
melhoras da senhora... É que faz muita falta aos ministros do governo
português, que ficariam órfãos, se, entretanto, ela viesse a morrer,
vítima de um qualquer hematoma, como aconteceu a Salazar. Oxalá que não... Até
porque todos nós perderíamos uma grande amiga, já que foi ela que, para nos
salvar, inventou aquela mágica teoria económica de “empobrecer para, depois, enriquecer”, e que está a dar óptimos
resultados, principalmente na Grécia
sexta-feira, 3 de julho de 2015
EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
EUA
consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
A nova estratégia militar dos EUA particularizou
países como a China ou a Federação Russa como agressivos e ameaçadores para os
interesses de segurança norte-americanos e preveniu para os crescentes desafios
tecnológicos e a deterioração da estabilidade global.
***«»***
São precisamente os EUA quem tem desestabilizado
a paz mundial. Têm um historial negro no envolvimento direto ou indireto nos
mais sangrentos conflitos militares, nos últimos sessenta anos: Vietname, Laos,
Cambodja, Afeganistão, Guerra do Golfo, invasão e destruição do Iraque, que
nunca mais teve paz, assim como na Líbia, em que o seu apoio logístico à França
(transporte de mercenários do Qatar, que se fizeram passar por rebeldes
líbios), foi decisivo, e, atualmente, o apoio aos rebeldes sírios, aos quais enviam
armamento e munições, através da Turquia. E ainda resta saber que tipo de
cumplicidade existe com o Estado Islâmico, através da Arábia Saudita.
quarta-feira, 1 de julho de 2015
Mariano Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia
Mariano
Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia
O primeiro-ministro de Espanha espera a vitória
do "sim" no referendo de domingo na Grécia, sobre um acordo do
governo grego com os credores, e um novo governo em Atenas.
***«»***
As declarações do primeiro-ministro, Mariano
Rajoy, ao apelar ao voto no SIM, no próximo referendo na Grécia, e ao distorcer
o objetivo desse mesmo referendo, que não questiona os cidadãos gregos sobre a
permanência ou a saída do euro, é uma grave e inadmissível ingerência nos
assuntos internos do Estado grego, cujo governo, em sinal de protesto, pela via
diplomática, deveria chamar a Atenas o embaixador grego em Madrid, para
consultas. Trata-se de um ato hostil e impróprio, que envergonha a Espanha. É
também a quebra do princípio da solidariedade institucional, a que se obrigam
os Estados membros da UE, nas suas relações entre si.
Rajoy reagiu desta forma destemperada, porque
vive apavorado com o previsível contágio do efeito Syrisa em Espanha, que o
PODEMOS, com êxito, tem vindo a capitalizar, politicamente e eleitoralmente..
Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para declarar 'sim' à Europa
Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para
declarar 'sim' à Europa
A chuva e a trovoada não fizeram desmobilizar
muitos milhares de pessoas em Atenas que hoje quiseram manifestar um voto de
confiança na Europa, respondendo "nai" ("sim") às propostas
dos credores da Grécia.
Apesar da chuva, num protesto em que se fizeram
ouvir muitos apitos, a Atenas "elegante e europeia" voltou a descer à
rua. 'Blazers', camisas às riscas, sapatos de ultima moda e chapéus denunciavam
em muitos dos presentes uma origem social mais privilegiada.
***«»***
E ainda andam por aí uns ideólogos encartados, a
cheirar a naftalina, que querem fazer-nos acreditar que não existe no processo
histórico, político, económico e social uma dinâmica de luta de classes. Karl
Marx tinha razão. E esta manifestação da alta sociedade ateniense e da
burguesia endinheirada, bem vestida e bem alimentada, comprova este postulado
marxista.
Foi uma manifestação de egoísmo classista e
marcadamente antiptriótica das pessoas de direita, que nada se importam com o
lastro de miséria que afeta a maioria da população grega, e que os credores
institucionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) insistem em querer empobrecer até ao limite do absurdo.
Países mais pequenos têm sido "os mais duros com a Grécia"
"Eu fiz todos estes esforços, estamos muito
melhor, agora vocês também têm de fazê-los", dizem os países pequenos à
Grécia.
***«»***
Trata-se de uma manifestação infantil de um
grande complexo de inferioridade.No caso de Portugal, dizer que o país está
melhor é uma grande falácia. O crescimento da economia é raquítico, a dívida
pública aumentou, e, a manter-se a atual política, terá de haver muito mais
austeridade para a a pagar, e é por isso que o FMI e a Comissão Europeia têm
vindo a dizer, constantemente, que é necessário cortar mais nas pensões e nos
salários. O desemprego continua elevado, e o desemprego de longa duração já
penetrou nas gerações mais novas, o que é muito grave.O único indicador
macro-económico que o governo controlou foi o défice orçamental. Mas isto é o
mais fácil, pois até um porteiro do Ministério das Finanças conseguiria
aumentar os impostos e cortar nas pensões, nos salários e nas despesas dos
serviços sociais. E se Portugal passou no exame da troika e saiu do plano de
ajustamento, no ano passado, é porque um segundo caso de fracasso, depois do da
Grécia, faria cair por terra a validade do modelo austeritário aplicado. Por
outro lado, também se impunha a necessidade de premiar a fidelidade,
humilhantemente canina, de Passos Coelho e do seu governo.
Em 2016, iremos ser duramente ser confrontados
com a verdade. Quem anda a dizer que Portugal não é a Grécia está profundamente
enganado. Portugal anda apenas atrasado um ano e meio, em relação ao único país
que soube bater o pé e dizer não.
Nota à Imprensa: SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL
SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL
A
desonestidade política como marca gestionária de alguns ACES da ARS Lisboa e
Vale do Tejo
A desonestidade política como marca gestionária
de alguns ACES da ARS Lisboa e Vale do Tejo Em diversos ACES as direcções
nomeadas pela ARS e pelo Ministério da Saúde têm ampliado as medidas
arbitrárias e ilegais de imposição unilateral de horários e de “limpeza” das
listas de utentes que visam liquidar o conceito de medicina familiar e de as
transformar em listas de meros utilizadores. A estas situações graves importa
acrescentar a degradação generalizada das condições de trabalho e as
permanentes debilidades informáticas nos centros de saúde que se traduzem numa
degradação da qualidade assistencial e num clima de exaustão profissional.
Gozando de completa impunidade política da parte
dos seus tutores políticopartidários, várias direcções de ACES em vez de se
empenharem em promover a solução dos principais problemas existentes, voltam a
recorrer a acções de clara e chocante desonestidade política para procurar
denegrir as organizações sindicais e em particular o Sindicato dos Médicos da
Zona Sul/FNAM.
Face aos justos protestos de um número crescente
de médicos em virtude de medidas prepotentes de imposição de regras de horários
de trabalho, algumas direcções de ACES recorreram ao argumento de que diversos
aspectos com eles relacionados se encontravam reconhecidos num “parecer
jurídico” do nosso Sindicato. Afinal, o propalado “parecer” consiste num guião
sobre a organização do tempo de trabalho médico/regime jurídico que se limita a
enumerar os artigos da legislação específica da Carreira Médica e as matérias aí
definidas.
Este guião pode ser consultado no seguinte
endereço electrónico: http://www.fnam.pt/antigo/dafnam/pareceres_files/FNAM201301.pdf
O recurso a este tipo de expedientes já se
tinham verificado há cerca de um ano e meio quando algumas administrações
hospitalares foram espalhando nas respectivas instituições que a avaliação do
desempenho tinha sido exigida pelas organizações sindicais médicas, mentindo
deliberadamente e procurando esconder que tal aberração era, tão somente, uma
imposição de 2 leis aprovadas na Assembleia da República.
Apesar de
esta conduta de alguns dos nomeados políticos da clientela partidária não
constituir propriamente uma surpresa, a boçalidade política e o degradante
nível provocatório não podem deixar de suscitar o nosso mais veemente repúdio.
O objectivo concreto dessas direcções é procurar
desviar as atenções dos resultados desastrosos da sua deliberada acção de
destruição dos Cuidados de Saúde Primários e do próprio SNS.
Em
conformidade com esta grave situação, temos de aprofundar a nossa firme
determinação em impedir que lhes seja possível concretizar esses objectivos.
Lisboa, 1/ 7/2015
A DIRECÇÃO
segunda-feira, 29 de junho de 2015
O tudo ou nada no referendo na Grécia
O tudo ou nada do referendo na Grécia
A ideia de referendar a última proposta
apresentada pelo Eurogrupo ao governo grego foi uma jogada de mestre. Vai ser o
referendo do século. O governo não só passou o ónus de um eventual fracasso de
um acordo para as mãos dos credores institucionais (Comissão Europeia, FMU e
BCE), como vai conseguir que, pela primeira vez na história da UE, e de forma
indireta, os dirigentes das instituições europeias sejam sujeitos a um
escrutínio popular. Por isso, o pânico instalou-se em Bruxelas e em Berlim. Um
NÃO expressivo do povo grego irá rapidamente ampliar-se por toda a Europa, que
o tomará como seu. Se não ocorrer o efeito dominó, pelo menos será uma bomba ao
retardador, que poderá explodir em qualquer momento. Caso o NÃO vença, as
instituições europeias e os seus políticos e tecnocratas ficarão de rastos,
desprestigiados e enxovalhados, e nunca mais poderão falar de democracia. Há
dias, escrevi que, nestas atribuladas negociações, a Grécia estava a fazer uma
revolução de veludo, e o referendo poderá vir a ser a peça estratégica dessa
revolução, que poderá precipitar imprevisíveis acontecimentos nos países
europeus.
Os gregos estão a provar que é possível desafiar
a toda poderosa Alemanha e domesticar a
soberba de Angela Merkel. Se eles votarem pelo NÃO muita coisa vai mudar na
Europa. Caso contrário, se a opção for o SIM, haverá um grande recuo na luta
contra a austeridade, e Angela Merkel saberá certamente que a vingança se serve
fria.
domingo, 28 de junho de 2015
"O FMI está a fazer o que a Alemanha quer"
"O FMI está a fazer o que a Alemanha
quer", confessou ao Diário Económico uma fonte ligada ao governo grego.
Neste jogo de sombras e de máscaras em que nada é o que parece, por detrás da
cortina o sorriso nada enigmático de Merkel era a melhor demonstração de que,
após tantas discussões e tempo gastos, forçava o pretendido: mais austeridade
para os gregos.
***«»***
Merkel é atriz principal deste filme de
terror!...
Os políticos também não se medem aos palmos…
Os
políticos também não se medem aos palmos…
A grandeza e a importância de um político não se
medem apenas nas urnas. Fala mais alto a sua honestidade, a sua frontalidade e o
seu autêntico espírito de missão ao exclusivo serviço do seu povo, nunca se
esquecendo de dar voz àqueles a quem roubaram a voz.
Tsipras encostou à parede os arrogantes
políticos e tecnocratas, que, embriagados pelos prazeres do poder, que os povos
não podem escrutinar diretamente, já consideravam a soberania dos países
propriedade sua, querendo geri-la como se tratasse de um produto que se vende
nas lojas dos supermercados. Enganaram-se com o povo grego, que está a fazer
uma revolução de veludo e a vergar a arrogância dos credores institucionais,
que ficaram desmascarados perante a opinião pública internacional, devido à
habilidade e perspicácia negocial do primeiro.ministro grego Tsipras e do seu
ministro das Finanças
Alexandre de Castro
Ver VISÃO
Jeroen Dijsselbloem não aprendeu as lições da História...
Jeroen Dijsselbloem não aprendeu as lições da
História
O presidente do Eurogrupo, o senhor Jeroen
Dijsselbloem, não saberá, por acaso, que a Alemanha, em 1953, beneficiou de um
perdão de 50 por cento da sua astronómica dívida externa, e que, entre esses
generosos credores, encontrava-se a Grécia? E não saberá ele, também, que foi
esse alívio da dívida que permitiu à Alemanha começar a fazer crescer a sua
estagnada economia? Não sabe, de certeza, assim como os seus pares do Eurogrupo
também não sabem, pois nas Faculdades de Economia por onde andaram meteram-lhes
uma pala nas orelhas e enfiaram-lhes a cartilha do pensamento único neoliberal
pelos neurónios dentro, para que eles apenas pudessem olhar para os números e
para os mercados e se tornassem insensíveis aos problemas e aos dramas das
pessoas.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Poema: Eu tive a ideia de ficar acordada_ por maria azenha
![]() |
| Pintura de Salvador Dali |
Eu
tive a ideia de ficar acordada_
Eu
tive a ideia de ficar acordada
enquanto
a maior parte dos outros dormiam.
Eu
tive a ideia de abrir uma janela
enquanto
os jornais esvoaçavam do parapeito das árvores.
Vimos
ilhas, montanhas, cenáculos,
rasgados
pelos ventos do abismo .
Como
biliões de pessoas no mar da unidade
ficámos
em múltiplos naufrágios.
Ouvimos
os passos de Atenas
de
um lado para o outro.
Estamos
quase a trinta de junho e são ainda três horas
repletas
de silêncio nos candelabros enterrados nas ruas.
Pensamos
nos livros escritos em dois mil e quinze
com
suicídios, desemprego, pobreza,
e
misérias .
Pensamos
na grande biblioteca de Alexandria
com
milhares de rolos que estão ainda a ser destruídos.
Como
eu desejaria cantar com a precisão de Euclides
e
escrever sobre a poesia de Calímaco!
Nasceriam
de nós biliões de seres e árvores por impulso.
Nós
vivemos à beira de precipícios com frutos de néon e bombas de mentiras.
Enviaram-nos
via nuvens
pátrias,
pedras,
musgos,
águas,
povos
esmagados,
tempestades,
montanhas
planetárias de nova geração.
Como
olharenos agora a Última Ceia?
Como
escrever a caligrafia derramada em laboratórios de sangue?
Nós
tivemos uma ideia do que poderia ser feito esta madrugada:
A
Novíssima Biblioteca de Alexandria
© maria azenha
***«»***
Como se um enorme precipício, um devorador
buraco negro, se abrisse à frente dos nossos pés, arrastando em cascata
multidões inteiras, aos gritos (ouvindo-se os hinos da celebração da morte) e
envolvidas nas nuvens de cinza dos rolos da Biblioteca de Alexandria. E isto
tudo, porque o Partenon vai ser destruído, pedra a pedra, em trinta de Junho,
por decreto divino de Zeus.
A
"poeta" maria azenha colabora regularmente no Alpendre da Lua.
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