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sábado, 5 de outubro de 2013

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Ourém: Rescaldo eleitoral



Declarações de Alexandre de Castro, o último candidato a ser ouvido pelo Notícias de Ourém, no rescaldo da noite eleitoral.
Notícias de Ourém

Registo de uma candidatura





A minha irmã e o marido visitaram-me em Ourém, no último dia da campanha eleitoral, e fizeram questão em obter estes registos. Naturalmente, fiquei sensibilizado. 

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Ex-ministro grego: "Vitória de Merkel significa o empobrecimento dos países do sul"


O ex-ministro da Presidência grego, Georges Contogeorgis, afirmou hoje, em Coimbra, que a vitória de Angela Merkel nas eleições alemãs de domingo significa "a desvalorização económica e o empobrecimento" dos países do sul da Europa.
Os países do sul "não vão sair deste impasse nem nesta, nem, provavelmente, na próxima geração", disse Georges Contogeorgis à agência Lusa, no final de uma conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, intitulada "Da crise ocidental à crise da Europa política - A natureza da crise".
O também ex-reitor da Universidade de Panteion de Atenas considerou que os governos de Portugal e Grécia "estão conformados" e "de acordo" com as medidas impostas pela ‘troika', defendendo que os países do sul, juntamente com o apoio da França, deveriam "exprimir-se, a uma só voz, contra a política alemã".
Notícias ao Minuto

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Estou de acordo com a posição expressa pelas duas altas individualidades gregas, que marcaram presença na conferência organizada pelo Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da Universidade de Coimbra, quando referem a pulsão totalitária da Alemanha, ao querer exercer uma hegemonia económica e política no continente europeu, um desígnio sucessivamente tentado, sempre sem sucesso, desde o início do último quartel do século XIX. Já aqui escrevi que a Alemanha de Merkel pretende fazer com o euro e com a política de austeridade o que Hitler não conseguiu fazer com os tanques e os canhões. Contando com a cumplicidade dos governos europeus (conservadores, socialistas e sociais democratas), a Alemanha, com o falso pretexto das dívidas soberanas, declarou uma guerra financeira aos países periféricos, procurando transformá-los, através das instituições comunitárias, em verdadeiros protetorados. Com esta política assassina, a Alemanha também procura salvar a desagregação da UE e da sua moeda única - uma e outra à beira da ruptura, tal é a instabilidade financeira instalada na Europa - recuperando para o BCE os resultados líquidos da austeridade, na forma de juros, respeitantes aos empréstimos dos chamados planos de ajustamento orçamentais, que por sua vez são canalizados à taxa de um por cento para os bancos do sistema financeiro europeu, o que permitirá cobrir os passivos tóxicos (títulos de dívida incobráveis), num processo que durará mais cinco anos, segundo a previsão das autoridades alemãs.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Jerónimo critica PS por querer "sol na eira e chuva no nabal" em relação a ´troika´


O secretário-geral do PCP foi hoje acolhido por uma Cuba unida em torno da Coligação Democrática Unitária (CDU) e voltou a condenar o PS por querer "sol na eira" do Parlamento e "chuva no nabal" das autarquias.
O secretário-geral do PCP foi hoje acolhido por uma Cuba unida em torno da Coligação Democrática Unitária (CDU) e voltou a condenar o PS por querer "sol na eira" do Parlamento e "chuva no nabal" das autarquias.
"Como é que eles, lá na Assembleia da República, com a ´troika', assinam uma coisa e depois vêm para as autarquias dizer que defendem os interesses de quem trabalha ?"

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O Partido Socialista continua a não querer demarcar-se do memorando da troika, que assinou, e que é o fator estruturante de toda a política de austeridade, imposta pela Alemanha aos países periféricos, através da União Europeia. Pedir a aplicação de políticas de crescimento e o fim da austeridade, sem exigir a renegociação da dívida e o alargamento dos prazos das suas maturidades, é o mesmo que pedir a um pescador, a quem roubaram a cana, que continue a pescar. O ciclo vicioso provocado pelo roubo das pensões, pelos cortes nos salários e pela descaracterização dos pilares do Estado Social, ao repercutir-se gravemente na diminuição do consumo interno e na consequente falência das pequenas e médias empresas não favorece o crescimento económico nem o crescimento do emprego, tal como a realidade dos últimos dois anos de austeridade inequivocamente demonstrou.
As próximas eleições do dia 29 de Setembro, além de servirem para escolher os autarcas para o exercício do Poder Local, devem constituir uma oportunidade para mostrar um cartão vermelho ao atual governo e aos partidos da troika. 

domingo, 22 de setembro de 2013

Lamego: Apelo ao voto em versao sexy

Jovem explica que a sua "primeira vez" será no dia 29 de setembro.
Amabilidade de João Fráguas

Provavelmente, a cidade de Lamego, a cidade da minha adolescência, vai ser comentada pelas piores razões: a da indignidade. A indignidade de um candidato (da coligação PSD/CDS) à presidência do executivo camarário, que não hesitou em recorrer grotescamente ao universo da sexualidade feminina para promover a sua campanha, provavelmente porque lhe escasseiam argumentos de natureza política. Foi ultrapassada a linha vermelha da decência e ofendida a dignidade da democracia, que todos os políticos têm o dever de respeitar. Como cidadão e como candidato à presidência de uma câmara municipal, a do concelho de Ourém, sinto-me envergonhado.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

OXFAM: Portugal tem beneficiado “elites económicas” e arrisca-se a ser um dos países mais desiguais


Ou a Europa arrepia caminho em relação à austeridade ou o resultado da receita será apenas mais pobreza. Esta é a principal conclusão do último relatório da organização não governamental (ONG) Oxfam, que destaca Portugal como um dos casos onde as políticas seguidas estão a beneficiar apenas os mais ricos e a colocar o país em risco de se tornar num dos mais desiguais do mundo.
De acordo com o relatório da Oxfam, se nada for feito e as medidas de austeridade actualmente em vigor continuarem a ser implementas, em 2025 vão estar em risco de pobreza cerca de 25 milhões de europeus. “Apelamos aos Governos europeus que liderem um novo modelo social e económico que invista nas pessoas, reforce a democracia e procure um sistema fiscal justo”, afirma Natalia Alonso, responsável pela Oxfam na União Europeia.
Outro problema é que a organização, que foi formada em 1995 por 17 ONG internacionais espalhadas por 90 países, estima que possam ser necessários 25 anos para que se recupere o nível de vida que se tinha antes da crise económica e financeira – um caminho que só poderá ser invertido com medidas muito bem estruturadas de combate à pobreza.

Mais endividamento, menos crescimento
O relatório intitulado A Cautionary Tale: The true cost of austerity and inequality in Europe surge nas vésperas do encontro dos ministros europeus da Economia e pretende alertar os responsáveis políticos para que os resgates financeiros que têm vindo a ser feitos apenas estão a causar níveis de pobreza e de desigualdade que podem perdurar décadas. “Pelo contrário, as medidas de austeridade não estão a conseguir reduzir o nível de endividamento tal como se supunha que fariam, nem a impulsionar um crescimento económico inclusivo”, diz a Oxfam.
Ainda em relação a Portugal, a ONG salienta que a crise está a afectar muitos jovens, mas também a dificultar a vida a populações que são sempre mais vulneráveis nestas alturas, como as mulheres. Além disso, mesmo quando se mantêm os apoios sociais “adoptam-se diversas medidas que aumentam os requisitos que devem cumprir os desempregados” para poderem aceder às ajudas.

Desigualdade nos rendimentos
O relatório salienta também a pressão internacional para Portugal privatizar serviços como a energia, água e transportes, assim como alguns serviços de saúde, ao mesmo tempo que deveria liberalizar o mercado laboral. Só que aponta que tudo isto foi feito sem a garantia das devidas protecções ao emprego e sem uma vigilância apertada.
“Grécia, Portugal e Espanha aplicaram políticas dirigidas a desmantelar os sistemas de negociação colectiva, o que provavelmente se traduzirá no aumento da desigualdade e na queda contínua do valor real dos salários”, lê-se no documento – que refere ainda o aumento o IVA como mais um factor que dificultou o poder de compra no país.
Sobre Portugal é ainda dito que entre 2010 e 2011 a desigualdade nos rendimentos tem beneficiado as “elites económicas”, dando-se como exemplo o crescimento do mercado de bens de luxo, e é dito que após as crises financeiras em geral os mais ricos vêem os seus rendimentos crescer 10% enquanto os mais pobres os perdem na mesma proporção.

Lições da América Latina, Sudeste Asiático e África
Para esta organização a União Europeia deve tirar lições de outros períodos de austeridade que foram, por exemplo, vividos em países da América Latina, do Sudeste Asiático ou de África durante as décadas de 1980 e 1990, para evitar cair nos mesmos erros.
“A gestão europeia da crise económica ameaça reverter décadas de progresso em matéria de direitos sociais. Os agressivos cortes na segurança social, na saúde e na educação, as reduções nos direitos dos trabalhadores e um sistema fiscal injusto estão a envolver milhões de cidadãos europeus num ciclo vicioso de pobreza que pode perdurar durante gerações. Não faz nenhum sentido nem do ponto de vista moral nem económico”, reforça Natalia Alonso. A responsável insiste que as medidas tomadas apenas beneficiam os 10% da população mais rica.
No relatório são citados exemplos concretos de países, além de Portugal, como Espanha, Grécia, Irlanda e Reino Unido, onde a austeridade está a ser aplicada de forma mais rigorosa, defendendo-se que “rapidamente estarão entre os países com maior desigualdade do mundo se os seus líderes não mudarem de rumo”.
Aliás, o documento lembra que as próprias instâncias internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, três anos após os memorandos de entendimento com alguns países “estão a reconhecer que as suas medidas não só não conseguiram reduzir o endividamento público e os défices orçamentais, como pelo contrário aumentaram a desigualdade e travaram o crescimento económico”.
O próprio prefácio deste relatório é feito pelo Nobel da Economia Joseph Stiglitz que escreve que “a onda de austeridade económica que varreu a Europa corre o risco de provocar danos sérios e permanentes ao modelo social”, insistindo que “está a contribuir para a desigualdade que vai tornar as fraquezas económicas mais duradouras”.

Mais pobres que os pais
Para a Oxfam os recordes atingidos no desemprego são o maior exemplo disso, sobretudo entre os mais jovens, assim como a redução de salário. “Pelo menos um em cada dez famílias europeias com trabalho vive na pobreza e esta estatística pode piorar gravemente”, alerta o relatório, que diz que mesmo as pessoas com trabalho serão muito mais pobres que os seus pais.

A Oxfam insiste que a história se está a repetir e que “os nossos líderes estão a ignorar as consequências das medidas de austeridade”, voltando a citar casos em que houve cortes ou privatizações na saúde e na educação e em que a consequência foi “um fosso entre pobres e ricos”. “A Indonésia demorou dez anos a voltar aos níveis de pobreza de 1997 enquanto alguns países latino-americanos demoraram 25 anos a voltar ao que tinham antes de 1981”, defende Natalia Alonso.

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Um relatório arrasador e demolidor que projeta para o futuro um cenário dantesco e aterrador.
Com a insistência obsessiva de aplicar duras políticas de austeridade, invocando o álibi da correção de défices públicos excessivos e também a solvência das enormes dívidas externas, que o próprio sistema bancário internacional provocou, para delas obter elevados juros, muitos deles já cobrados, o imperialismo financeiro ocidental procura agora a desvalorização salarial, principalmente a dos salários mais baixos (mantendo intocáveis os rendimentos do capital), para poder ganhar competitividade, a nível económico, em relação aos países emergentes, principalmente os do leste da Ásia, que, com salários mais baixos e com o acesso já garantido às tecnologias de ponta e a todas as áreas do conhecimento, ameaçam a economia da Europa e a dos Estados Unidos. O que está a ser feito com a austeridade é provocar o nivelamento por baixo, reduzindo salários e pensões de reformas e libertando as correspondentes disponibilidades financeiras dos estados, através da destruição do Estado Social, para disponibilizar para os bancos e para os projetos dos grupos económicos. Em Portugal, já se percebeu que o governo vai destruir parte do Serviço Nacional de Saúde (a parte mas rentável), e a escola pública para outorgar ao setor privado a respetiva gestão e exploração. O mesmo se irá passar com a Segurança Social, com as seguradoras a abocanharem a parte de leão. Tudo isto em prejuízo da classe média e das camadas populacionais mais frágeis.
Prossegue, pois, por parte do imperialismo financeiro ocidental, a tentativa de promover a transferência da riqueza dos países pobres para os países mais ricos, e, dentro de cada país, transferir os rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital.
É este o grande plano do capitalismo, que, para melhor atingir os seus objetivos, se serve da cumplicidade de governos liberais, socialistas e sociais democratas, engajados ao sistema, e da complexa rede de off shores, que, na década de setenta do século passado, criou e espalhou pelo mundo, para resguardar os capitais da cobrança de impostos, nos seus respetivos países de origem, como a ONG Oxfam denunciou em Maio último (ver aqui).
AC

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Definição de "jotinha"...


Definição de jotinha:
Espécie animal invertebrada, da família dos moluscos, que, tal como o eucalipto, no mundo vegetal, contamina irreversivelmente o ambiente, secando tudo à sua volta. Exala um cheiro nauseabundo.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Autárquicas 2013: Debate do Notícias de Ourém a 16 de Setembro


Autárquicas 2013
Debate do Notícias de Ourém a 16 de Setembro

O Notícias de Ourém promove um debate com os quatro candidatos à presidência da Câmara Municipal de Ourém a 16 de Setembro. Em ambiente informal, no Arte Caffé, em Ourém, a partir das 21h30.
Será um momento para conhecer as propostas de cada um para os próximos quatro anos, bem como, tempo de balanço deste mandato.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Texto: "rua do mundo" - por maria azenha

Fotografia © maria azenha, Agosto, 2013

"rua do mundo"

Nesta rua do mundo estremeço sob o arrepio das palavras que este livro contém.
penso muito baixo para que ninguém me ouça. talvez eu esteja querendo entrar para dentro do Sol, e ele só me serve para eu saber que conheço tudo às escuras. só depois é que vem o medo e eu grito para dentro de um poço tapado. os cavalos brancos correm invisíveis em meus olhos abertos de sono. às vezes sou estranha e misteriosa como debussy. e este homem é o sonho que estou escrevendo para dentro do sangue ... 

maria azenha

Nota: Este texto eleva-nos à quinta-essência da beleza literária, esgotando-nos a sensibilidade dos sentidos. Maravilhoso!

Poema: RELÓGIO DE GRITOS - por maria azenha

pintura de Valdemar Ribeiro

RELÓGIO DE GRITOS

um homem vive às escuras
só um relógio de gritos
o
pode 
puxar

ou seremos amantes de olhos fechados
com lâmpadas nos dedos
para 
poder 
pintar?

in " Symbolos", 2002

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às quintas-feiras. 

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Comunicado do Sindicato dos Médicos da Zona Sul sobre o encerramento das urgências nocturnas na zona da Grande Lisboa


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL

COMUNICADO

Uma só urgência hospitalar para a zona da Grande Lisboa ou o desmascaramento final de uma política de ódio ao direito constitucional e humano à saúde?

Foi divulgada recentemente na comunicação social a decisão da A.R.S. de Lisboa e Vale do Tejo de colocar em funcionamento, a partir do próximo dia 2 de Setembro, uma única urgência hospitalar em toda a zona da Grande Lisboa durante o período noturno, encerrando todas as outras.
Face à gravidade da situação que irá ser criada e às inevitáveis consequências que daí advirão e que são de fácil previsão, o Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM decidiu tomar a seguinte posição:

1- A decisão agora anunciada revela um profundo desprezo ministerial pelas necessidades assistenciais de um conjunto muito significativo de cidadãos que não se circunscreve à zona geográfica anunciada.
Como sabemos, existem múltiplas situações clínicas que de toda a zona sul do país são enviadas para as urgências dos hospitais centrais de Lisboa.
Ao contrário do que foi sendo apregoado nos últimos meses pela propaganda ministerial sobre uma hipotética reestruturação das urgências da cidade de Lisboa vem agora a revelar-se que o real objetivo se estende a toda a zona da Grande Lisboa, tornando-se claro que não existe qualquer estudo prévio que fundamente tais propósitos nem sequer uma avaliação do impacto que eles terão na população atingida.

2- Os argumentos utilizados pela citada A.R.S. para justificar tal decisão referem-se à escassez de recursos humanos e ao envelhecimento dos respectivos quadros, o que não tem qualquer correspondência com a realidade objetiva dos factos.
Existem médicos mais jovens que continuam a aguardar por concursos públicos e que têm formas precárias de trabalho sem qualquer possibilidade de evolução técnico-científica.
Aquilo que está realmente em causa é uma política ministerial, desde há muito premeditada, para encerrar gradualmente o maior número possível de instituições públicas de saúde.

3- Também recentemente, cerca de meia centena de USF da zona da Grande Lisboa vieram denunciar que essa A.R.S. lhes estava a impor exigências "de redução de custos para níveis que podem colocar em causa a qualidade, a segurança e a equidade dos cuidados prestados".
Ora, todos sabemos que o recurso em maior ou menor grau às urgências hospitalares está diretamente relacionado com a capacidade de resposta dos centros de saúde e, em particular, da medicina geral e familiar.
Com esta redução de custos, é fácil prever que o recurso às urgências hospitalares pode ser a única via de acesso à prestação de cuidados para muitos cidadãos da zona da Grande Lisboa.
E aí, a medida do Ministério da Saúde é encerrar em larga escala a quase totalidade das urgências hospitalares durante o período noturno.

4- A atual equipa do Ministério da Saúde tem desenvolvido um plano dissimulado de amplos cortes cegos na saúde, muito para além dos compromissos assumidos pelo Governo junto da chamada Troika.
Apesar desses cortes indiscriminados, ainda recentemente a auditoria do Tribunal de Contas veio mostrar que o resultado líquido do exercício do SNS relativo a 2011 continuava a apresentar um brutal agravamento de largas dezenas de milhões de euros.
Este facto, por si só, mostra que a gestão ministerial tem pautado a sua ação por meros cortes nas funções assistenciais aos cidadãos.

5- Apesar da referida medida ser apresentada como relativa ao período noturno, não podem subsistir quaisquer dúvidas que isso constitui uma etapa inicial que rapidamente conduzirá à sua integral aplicação durante todo o período diário.

6- Torna-se já escandaloso o sistemático comportamento do Ministro da Saúde que em vez de assumir as medidas iníquas idealizadas por uma política governamental de liquidação das políticas sociais e do Estado Social se esconde atrás dos seus nomeados nos órgãos de gestão dos serviços de saúde reservando-lhes a eles o papel de anunciadores e de supostos decisores perante a opinião pública sempre que estão em causa medidas impopulares.
É fácil prever num contexto desta gravidade que a drástica redução da capacidade de atendimento a nível das urgências irá traduzir-se, inevitavelmente, por situações muito delicadas no plano humano.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM continuará a desenvolver todos os esforços para impedir o desenvolvimento desta ação clara de liquidação do SNS e do direito constitucional à saúde.

Lisboa, 19/8/2013
A Direção

Av. Almirante Reis, 113, piso 5, pt. 501; 1150-014 Lisboa
Telf.: 213194240


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Trata-se de mais de mais um ataque brutal ao Serviço Nacional de Saúde, inserido numa estratégia silenciosa e oculta de proceder ao seu progressivo desmantelamento. Com o falso argumento da reestruturação dos serviços, os objetivos do Ministério da Saúde são claros. Reduzir ao máximo os serviços das unidades de saúde, para diminuir a despesa do Estado e, ao mesmo tempo, abrir o caminho aos privados, que nunca poderão substituir, até pela sua vocação comercial, a universalidade, a equidade e a qualidade de cuidados de saúde, que o SNS presta a todos os portugueses.  

domingo, 18 de agosto de 2013

Kenneth Rogoff: "Grécia e Portugal nunca deviam ter entrado no euro"


O economista norte-americano Kenneth Rogoff afirmou hoje que "Portugal e a Grécia nunca deviam ter sido admitidos na zona euro", considerando inevitável uma reestruturação da dívida grega, e também da portuguesa, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine.
"Acho que a Grécia e Portugal nunca deviam ter sido admitidos na zona euro, isso foi um hybris (exagero), tal como foi um exagero admitir a Eslováquia e a Letónia", disse o ex-chefe do gabinete de estudos do FMI.
Rogoff afirmou ainda que os políticos europeus não querem ouvir falar de uma eventual insolvência da Grécia "porque não têm um plano para estancar o incumprimento, mas a posição dos governo europeus não é credível, porque a Grécia não poderá cumprir os seus compromissos".
E se a Grécia cair, na opinião do professor de economia na Universidade de Harvard, "aumentará o receio de não se poder aguentar Portugal e a Irlanda, e as preocupações estender-se-ão à Espanha e à Itália", advertiu Rogoff.
"É preciso um plano para conter o risco de contágio, e de momento não há nenhum plano, se a Grécia amanhã falhar, a primeira coisa que vão fazer é comprar títulos da dívida pública de Portugal, mas isso é absurdo, porque a dívida de Portugal também tem de ser reestruturada", advertiu o economista norte-americano, na entrevista ao matutino alemão.
Outro "guru" das finanças internacionais, George Soros, defendeu, em artigo publicado hoje no Financial Times Deutschland, que para resolver a crise das dívidas soberanas "é preciso considerar a hipótese" de a Grécia, Portugal e a Irlanda já não poderem pagar as suas dívidas e terem de deixar o euro.
dinheirovivo  (23-09-2011)

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Kenneth Rogoff é o economista que, juntamente com Carmen Reinhart, publicou o estudo (onde, posteriormente, um aluno de Economia foi detetar um erro no programa de Excel utilizado pelos autores), que serviu de fundamento doutrinário à conceção das políticas de austeridade, a aplicar nos países com dívidas públicas elevadas.
Kennet Rogoff é um neoliberal e um homem politicamente conservador. Isso, contudo, não o impediu de, em 2011, ter considerado um erro a adesão de Portugal e da Grécia à moeda única, afirmação esta que não teve sequência nem consequências, entre nós, ao nível do discurso dos paladinos da moeda única, que só lhe engrandecem as virtudes, que são poucas, e negando-lhe os defeitos, que são muitos. Tenho aqui recorrido frequentemente àquela minha imagem do casaco: ao aderir ao euro, Portugal fez a figura daquela criança que veste o casaco do pai. Sobram-lhe mangas e o casaco tapa-lhe os joelhos.
A economia portuguesa, devido ao seu fraco desenvolvimento tecnológico, que lhe determina um baixo nível de produtividade, perdeu competitividade externa, o que, como numa correia de transmissão, veio a afetar as exportações, o crescimento do PIB, as receitas fiscais, o défice orçamental e a dívida soberana. A este erro estrutural veio somar-se um outro, que veio complicar mais a situação. Os multiplicadores do FMI, uma das instituições que faz parte da troika, revelaram-se errados. Os técnicos desta instituição internacional consideravam que, por cada euro na redução do défice orçamental, o PIB apenas se reduzia em 0,5 em euros, o que não estava a acontecer, o que os levou a rever o modelo matemático e a concluir que aquela redução do PIB poderia a vir a situar-se entre 0,7 a 1,6 euros, uma diferença que, no seu limite, aponta para um erro em cerca de trezentos por cento, o que desacreditou imediatamente o programa de ajustamento aplicado a Portugal. O PIB caiu, as receitas fiscais desceram, apesar do brutal aumento de impostos, o défice orçamental ficou longe dos objetivos, o consumo privado desceu, a falência de empresas disparou e o desemprego tornou-se um pesadelo. O fracasso desta política de austeridade foi inteiramente assumido pelo homem que a aplicou, o ex-ministro das Finanças, Vítor Gaspar. E, no entanto, o governo de Passos Coelho está a preparar mais austeridade, numa obediência cega aos interesses do capitalismo financeiro europeu. 

Equador anuncia fecho de embaixadas em nove países, incluindo em Portugal


O Presidente do Equador, Rafael Correa, anunciou neste sábado o encerramento de nove embaixadas em diversos pontos do mundo, entre as quais Portugal, Holanda e Bélgica, “porque não há reciprocidade” e para poupar custos.
“Temos 49 embaixadas no mundo, mas 11 desses países não têm reciprocidade com o Equador, não têm embaixadas aqui”, disse Correa durante o seu relatório semanal de trabalhos, acrescentando que as embaixadas na Holanda e na Bélgica serão encerradas.
O chefe de Estado equatoriano referiu ainda as delegações em Portugal, África do Sul, Áustria, Austrália e Malásia. “Haverá uma redução considerável de gastos e uma poupança para o país”, sublinhou.
Rafael Correa observou, contudo, que se deve ser “realista”, pois apesar de, por exemplo, a Índia não ter embaixada em Quito, o Estado equatoriano precisa de ter a sua em Nova Deli.
E apontou que há países relevantes no sistema internacional em questões estratégicas nos quais o Equador manterá embaixadas embora não tenham representação no país andino.
O Governo equatoriano está imerso num processo de reforma do seu serviço no exterior que inclui alterações também nos consulados e melhoria no sistema de atendimento electrónico.
PÚBLICO

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Os governantes apenas devem preocupar-se com uma coisa: governar bem, ao serviço do bem comum.

“Um país desenvolvido e miserável”!... A equação perfeita que vai permitir um colonialismo de um novo tipo, em que as multinacionais do call center (que pouco valor acrescentado introduzem na economia) se substituem aos exércitos que garantiam a ocupação territorial das antigas colónias africanas e asiáticas das potências europeias.
Será este o destino de um país, que nunca soube acertar as contas com a sua história: passar para a condição de país colonizado.
18 de agosto 2013

(Comentário em Ladrões de Bicicletas)

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Entrevista: D. Renato I. "Vendam-me Portugal, que eu governarei melhor que os portugueses" - por Rosa Ramos

Retrato oficial de D. Renato I, Príncipe da Pontinha

O príncipe da Pontinha, dono de um pequeno ilhéu na baía do Funchal, diz que quer comprar Portugal por um euro
Quer comprar Portugal por um euro e compromete-se a assumir a totalidade da dívida do Estado. Na Madeira há quem garanta que é louco. Outros gabam-lhe a franqueza. Há 13 anos que Renato Barros, professor de EVT, reivindica a independência de um ilhéu na baía do Funchal - um forte em cima de uma rocha que comprou em 2000. Autoproclamou--se príncipe - dá pelo nome de "D. Renato I, o Justo" - porque garante que o Principado da Pontinha foi alienado pelo rei D. Carlos em 1903. Numa entrevista via email, o príncipe da Pontinha gaba- -se de liderar um dos poucos estados do mundo sem dívida pública e revela que procura uma nova primeira-dama. Acusa Cavaco Silva de lhe dever dinheiro, atira-se aos bancos e aos políticos portugueses e nem o bispo do Funchal escapa às suas críticas.

O Principado da Pontinha ainda não é um reino. Porquê?
Por acaso já perguntaram à família Rainier do Mónaco porque são um principado e não um reino? O meu principado será um reino quando estiver em fase expansionista. A esse propósito, reitero a firme proposta de aquisição de Portugal, por um euro, e assumindo o respectivo passivo. Enviei um ofício real ao vosso ex-ministro Vítor Gaspar a dar conta da minha proposta, mas ainda estou a aguardar que o representante da República na Madeira me dê uma resposta. A não ser, claro, que tenham escondido o ofício - como esconderam os swaps.

O D. Renato não reconhece a soberania portuguesa?
Tal qual Portugal se desfez de vários territórios (Macau, Timor, Goa, Moçambique, Guiné, etc.), também a minha ilha - o Principado Ilhéu da Pontinha - foi alienada pelo vosso rei D. Carlos I em Outubro de 1903. É uma realidade que as vossas autoridades pretendem camuflar e daí ser mais fácil mandarem-me chamar louco ou irresponsável. Quando o que estou a fazer é o legítimo exercício de um direito à autodeterminação, face ao qual os vossos governantes não sabem como lidar, tão-pouco conseguem ver esta situação de uma maneira mais positiva e até rentável para todos os lados. Preferem (ilegalmente) cobrar IMI a uma realidade à qual dão (para efeitos fiscais) 74 anos de vida. Isso é ridículo. Não reconheço legitimidade nem soberania a Portugal sobre o meu território independente. Aliás, já em 1973 a Guiné era reconhecida pelas Nações Unidas e Portugal ainda para lá mandava soldados. Vocês não evoluíram nada. Por isso não estou surpreendido.

Quem são os seus súbditos na ilha?
Quer uma "Lista de Schindler" ao contrário? A senhora jornalista já pediu ao seu presidente a lista dos cidadãos nacionais? Tenho súbditos espalhados pelo mundo, tal como os portugueses têm os seus imigrantes. E dou plena liberdade aos meus súbditos para afirmarem, ou não, em público a sua lealdade ao meu principado. Não o farei por eles, por uma questão de princípio.

E como é afinal um dia normal na vida do líder de um principado?
É um dia-a-dia igual ao de qualquer chefe de Estado que esteja verdadeiramente empenhado na bem-estar da sua nação e do seu povo. Mas até neste propósito parece que estou em minoria técnica.

Tem filhos? A educação deles está a ser pensada em função de um dia virem a assumir o governo da ilha?
A minha vontade foi ser príncipe. A vontade dos meus filhos é deles, não interfiro. Eles não são como a gentil Diana de Gales, que, de acordo com uma sua biografia, e para explicar a degradação do seu casamento, terá dito que se achava uma "égua de Windsor", destinada a procriar reizinhos.

O principado apresenta contas publicamente?
O principado não é nenhuma sociedade de responsabilidade limitada que tenha de prestar contas. Até a filial irlandesa do "benemérito" Bill Gates (que manda vacinas, e não comida, para África) passou a ser de responsabilidade ilimitada para não ter de as prestar. Por que razão teria de o fazer? Ele quer ser Dom? Eu já sou.

E a crise? Já chegou ao principado?
Apenas leves ricochetes, vindos daí desses lados, de crises de valores, ignorância, inveja, mesquinhez e falta de sentido de humor.

Também há desemprego aí?
Antes pelo contrário. Mas há um lugar para um sem-abrigo destinado a um tal Ulrich. A ver se ele aguenta...

A ilha é auto-suficiente? E exporta?
Sou um principado global e não faço embargo a nenhum país. Há dois tipos de produtos: os materiais ou (a)palpáveis (o vinho do príncipe, e, em breve, o tomate fortezão, pela falta que parece existir por aí) e os imateriais: criatividade, originalidade e irreverência. Ou seja, também exporto inteligência natural.

Diz a Wikipédia que, até 2010, a economia do principado se resumia ao turismo. Mas consta que está a preparar uma revolução económica, expandindo-se para outras áreas. Quais?
Enquanto andam a assassinar a economia portuguesa, eu dei instruções claras ao meu governo para fomentar e diversificar áreas de negócio que dêem aos portugueses (que pretendam a dupla nacionalidade luso-fortense e a outros cidadãos do mundo) emprego, bem-estar económico e desenvolvimento cultural. Tenho, por exemplo, um Real Centro Internacional de Negócios e as minhas 200 reais milhas marítimas para explorar. Sempre será melhor que vender tudo aos angolanos, como parece que o (Santoro?) país-irmão está a fazer.

Que opinião tem acerca do seu congénere português, D. Duarte?
Para já ele não é Dom, porque não tem o domínio sobre nada. Eu sou D. Renato porque tenho a posse e o domínio sobre o meu principado. Não conheço pessoalmente esse sujeito, não me posso pronunciar com rigor. Se é realmente monárquico? deixará, a meu ver, um pouco a desejar, pois, sinceramente, já teria mais que condições para reunir as tropas e pôr ordem nessa bagunça republicana. Preferia encontrar-me com a duquesa do Cadaval. Teria todo o gosto em recebê-la no meu principado.

Também já convidou Passos Coelho?
Quando Portugal tiver um primeiro- -ministro que não seja uma marioneta dos Bilderberg (do "amigo Balsemão") ou da Maçonaria, do Opus Dei, ou mesmo da recente Opus Gay, então terei todo o gosto em mandar formular um convite real. Até, inclusive, dada a minha dupla cidadania luso-fortense, pois não renego as minhas origens lusas, apenas não me conformo com quem governa (mal) os portugueses. No que toca ao sujeito em questão, um eventual convite teria de ter em conta os períodos anuais de abertura da caça ao dito, para não coincidir e criar um conflito armado desnecessário, pois não ouso cercear a liberdade dos meus súbditos no que a essa prática desportiva diz respeito.

Tem acompanhado a situação política portuguesa?
É uma crise política forjada para distrair os portugueses da má governação, da supressão de direitos sociais, económicos e culturais e, daqui a tempos, dos próprios direitos, liberdades e garantias. Vejam as cidades chinesas isoladas, qual Muro de Berlim, onde só entram os livros que as autoridades querem. Quem fomentou a crise deveria pagar do seu próprio bolso o diferencial agravado da situação financeira que causou ao Estado que diz ("i?rrevogavelmente") servir.

Defenderia eleições antecipadas?
Defendo a imediata intervenção das Forças Armadas portuguesas para que ponham no poder pessoas para quem o interesse colectivo pese mais que os interesses individuais ou corporativos. Eu disponibilizo as minhas forças armadas nesse desígnio conjunto. E até ofereço os calabouços reais.

Aceitaria uma troika no principado?
Se, além da China, sou o único estado do mundo sem dívida pública, não vejo tal necessidade. Quando muito eu próprio aceitaria intervir na troika, a bem dos portugueses e dos europeus.

Como é que a Europa poderá sobreviver à crise económica?
Só há crise económica porque vós estais todos nas mãos da (recapitalizada com o dinheiro dos contribuintes) alta finança internacional e nacional e porque deixaram os vossos governantes gastar mais do que estava orçamentado sem que o Tribunal de Contas exercesse a responsabilidade financeira reintegratória. Nacionalizem os bancos e confisquem os beneficiários das parcerias público- -privadas (beneficiários de um enriquecimento sem causa vergonhoso à luz do vosso direito civil) e das fundações-fantasma que delapidam o Orçamento do Estado e voltarão a ver o desenvolvimento económico em Portugal e na Europa.

Portugal precisaria de um Presidente da República mais incisivo?
A rainha de Inglaterra tem alguma palavra? Cavaco Silva já fez tanta asneira enquanto primeiro-ministro - ao assassinar a agricultura e a indústria - e o prémio foi a presidência. E, já agora, deve- -me 360 mil euros por ter atravessado o meu espaço aéreo (quando foi às Selvagens) sem a minha autorização. Já entreguei a nota real de débito junto do representante da República, que agora tem instruções para não receber cartas minhas, em clara violação ao vosso Código do Procedimento Administrativo.

Sonha conquistar Portugal um dia?
O sonho de qualquer cidadão português preocupado com o futuro do país é ter um príncipe como eu a liderar o seu destino colectivo. E já disse que ofereço um euro e assumo a vossa dívida, incluindo os swaps tóxicos.

Sente-se confortável com o facto de se ter autoproclamado soberano?
Tão confortável como D. Afonso Henriques e os conselheiros da revolução portuguesa de 1974. E, já agora, a evolução (justificada) dos rendimentos desses senhores e dos políticos portugueses antigos e actuais chegou a ser auditada pelo Tribunal de Contas?

Sei que é professor de EVT. Como concilia a sua actividade profissional com a actividade de príncipe?
Sou professor em Portugal e príncipe no meu estado. Ao contrário da maioria dos governantes, não tenho públicas virtudes nem vícios privados, nem chamei o Rumsfeld a Portugal para intimidar as minhas próprias autoridades.

Os seus alunos tratam-no por "professor Renato" ou por "D. Renato"?
Em Portugal sou professor.
Li que tem embaixadores em alguns países. Onde? E quem são?
Tenho representação diplomática em países como o Brasil, a Costa Rica, a Argentina, Timor, o Irão, Espanha, a Austrália, a Venezuela, o Reino Unido e Portugal. O meu primeiro-ministro é que lhe poderia dar informação mais detalhada.

E o que é que os embaixadores fazem, concretamente?
Já fez essa pergunta ao titular do Palácio das (efectivas) Necessidades, homólogo do meu chanceler para os Negócios Exteriores?

Em que ponto está o pedido que enviou à ONU sobre a independência do ilhéu? Já teve uma resposta?
O meu advogado em Nova Iorque está com esse processo em carteira e a prestar contas directamente ao meu embaixador plenipotenciário em Londres, Sir Kevin Almond, que tem a responsabilidade pela coordenação internacionalista, ao nível de uma comissão trilateral (entidade, tal como o C. F. R. do Braga de Macedo, que vocês ocultam aos leitores portugueses).

É Verão. O príncipe D. Renato tira férias? Costuma ir para onde?
Gozo as férias na minha fragata real, ao longo das 200 milhas marítimas adjacentes ao meu principado, à luz do direito internacional público.

Na sua página do Facebook apela a donativos para a causa da independência do principado. Quanto é que já angariou?
Prefiro donativos a ter de cobrar impostos. Sobre montantes, quem trata disso é o meu chanceler para a Economia e a Criatividade, cujo perfil pessoal marcante é não revelar assuntos de Estado.

Em que medida é que esse dinheiro pode ajudar a causa?
A senhora jornalista parece estar equivocada. A independência é um dado adquirido. Por favor leia a Carta Régia do meu colega luso D. Carlos I - cuja inequívoca legalidade foi reconhecida pelo vosso Arquivo Nacional da Torre do Tombo. O reconhecimento da independência é o que está neste momento em causa por Portugal. Este processo, de âmbito internacional, junto de muitos países, tem, naturalmente, os seus custos, pelo que qualquer ajuda é bem-vinda.

O D. Renato escreve com "y" em vez de "i" e com "k" em vez de "q". Isto é a língua do principado? Tem nome?
Falta acrescentar a troca do "m" pelo "w". A língua oficial chama-se "fortense". A raiz da minha língua resulta, por um lado, do legítimo direito à diferença e à autodeterminação (que até está na vossa Constituição - mas não foi Vital Moreira que aconselhou "suspendê-la", em estado de emergência?). Por outro lado, introduzimos os "y" porque aqui não temos necessidade de pôs os pontos nos is. Também é uma tentativa de contrariar a estupidificação do ensino em Portugal (92% dos alunos chumbam num exame de Cultura Geral?), levando as pessoas a exercitar os neurónios. E é ainda uma reacção diplomática junto dos irmãos-PALOP ao novo ("socretino") acordo ortográfico em vigor no país-irmão Portugal. Estou aliás disponível para ajudar à internacionalização do vosso jornal i, obviamente alterando o nome para "Y".

Já recebeu pedidos de asilo político? E tem concedido alguns?
Já recebi. Claro que concedo. E se a Rússia do meu colega Putin se vergar aos americanos, o Snowden pode vir para cá.

A quem nunca concederia asilo?
Aos pedófilos, aos canalhas internacionais dos Bilderberg e aos políticos portugueses que, uma vez irradiados pelo seu povo, rastejarão em frente do meu principado, em vez de pensarem em expropriar o meu forte, como já me disseram que tencionam fazer, contratando uma sociedade de advogados para o efeito. Mas como pode Portugal expropriar um território que já alienou?

E pedidos de asilo fiscal, também concede?
Alguns até são públicos, tendo em conta o torniquete fiscal aos contribuintes portugueses. Basta ir à minha página de Facebook e ler as mensagens de compatriotas seus.

O principado tem algum banco?
Sim. Além do banco real, onde me sento, há também os bancos de jardim, os do miradouro do Forte, etc. Com o reconhecimento internacional, ou até antes, se me apetecer, o principado terá o seu Banco Nacional e mandarei emitir títulos do Tesouro.

O Estado social é um conceito ultrapassado e insustentável?
O que é insustentável são as mordomias de quem "gere" (delapida) o Estado social. A riqueza está mal distribuída em todos os países. E se em vez de recapitalizarem os bancos começarem a recapitalizar as famílias e as pequenas e médias empresas, então o vosso problema estará automaticamente resolvido. Mas vocês, portugueses, infelizmente, são uns cobardes, têm medo de quem está no poder. Não os vêem como meros empregados, que recebem um vencimento à conta dos vossos impostos.

Como se define em termos de estilo de governação?
O poder é meu, mas antes de decidir ouço atentamente os meus chanceleres e reflicto na melhor decisão a tomar. E estou grato pela lealdade dos meus chanceleres, que não precisam de assessores nem de "afrodites", o que desonera substancialmente os cofres reais. Um exemplo a seguir...

Costuma ser convidado para casamentos e eventos das outras casas reais europeias?
Só agora o "manto de encobrimento" a respeito do Principado da Pontinha (graças à acção dos embaixadores e cônsules honorários no estrangeiro) começa a ser desfeito. Mas não sou muito desses eventos sociais, acho até uma fantochada para distrair as populações de assuntos mais sérios e para os políticos continuarem a fazer as suas negociatas na sombra.

O Principado da Pontinha é laico? Qual é a religião oficial?
Sou um príncipe cristão que admite que cada pessoa tenha o seu deus e a sua religião.

É verdade que anda a tentar comprar um papamóvel do Papa João Paulo II?
O meu chanceler para os Assuntos Religiosos tem tido alguma dificuldade em encontrar o bispo do Funchal, que, não tendo favelas para onde ir, parece que gosta muito de estar à mesa do poder. A aquisição do papamóvel permitiria criar um roteiro turístico na ilha-sobrinha Madeira, tal como o Papa aparece semanalmente aos fiéis na Praça de S. Pedro, ou tal e qual a minha colega rainha de Inglaterra na varanda do seu palácio aos súbditos e turistas. Cego é quem não quer ver este potencial. O Vaticano tem o seu banco, a rainha tem os seus negócios e eu não posso ter um príncipemóvel?

Quando morrer quer ser enterrado onde?
No meu principado, é óbvio. Um projecto de vida merece um fim digno e não uma vala comum ou um canto qualquer num condomínio fúnebre.

Ainda é casado? Está a receber candidaturas ao cargo de primeira-dama?
Sou divorciado. A magia da vida decerto irá funcionar para quem não olha essa mesma vida com talas e sob orientação superior.

Que características terá de ter a primeira-dama ideal da Pontinha?
Uma rosa sem espinhas? com pétalas (e não ramos) no regaço.

Qual é a posição do D. Renato em relação a temas como o casamento gay, a co-adopção de crianças por casais do mesmo sexo ou o aborto?
Casamento gay? Nada a opor. Co-adopção? Essa vossa mania de legislarem sobre tudo (e sobre nada) acaba por impedir que façam o que quer que seja de jeito. Não se pode definir por decreto aquilo que é melhor para as crianças, mas olhando para as situações em concreto. Quantos estafermos e estafermas, ditos bem casados com pessoas de sexo oposto, fazem pior às crianças? Não sejam hipócritas. Aborto? Já Gonçalves Zarco usava preservativos de carneiro quando deu a primeira queca da globalização no meu principado. Assim controlou a natalidade a montante. E não era a Simone de Oliveira que cantava que "quem faz um filho fá-lo por gosto"?

Politicamente, define-se como de direita ou de esquerda?
Defino-me como Justo, que, ao contrário de quem vos governa, põe os interesses colectivos acima dos individuais. Desde que a revolução russa de 1917 foi financiada pelo banco americano J. P. Morgan que só não percebe quem é burro: a ideologia é uma treta, apenas serve para dividir e não para fazer as pessoas pensarem em boas ou más gestões dos dinheiros públicos (dos contribuintes). E para os obrigarem a prestar contas e a repor os desvios.

D. Renato vive num apartamento no Funchal.
O meu domicílio fiscal é no Principado Ilhéu da Pontinha. Nada me impede de ter (ou de viver em) apartamentos em Portugal e, por outro lado, as minhas embaixadas fazem parte do principado, à luz do direito internacional.

Que vantagens tem para oferecer aos portugueses que queiram mudar-se para o Principado da Pontinha?
Os meus irmãos portugueses sofrem com o PIB. Eu ofereço-vos a F. I. B. (felicidade interna bruta). Quando os portugueses perceberem que andaram a ser enganados e derem valor ao ser em vez de ao ter, então, mesmo para vós, tudo começará a fazer sentido. Vendam-me Portugal, pois eu governarei melhor os portugueses. Não é o dinheiro nem o poder que me move, ao contrário do que acontece convosco.


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D. Renato é, sem dúvida, excêntrico e extravagante. Louco é que ele não é. Muito menos, ignorante. A sua análise e as suas opiniões sobre a política nacional e internacional e sobre as questões económicas mostram um homem clarividente e muito bem informado. Se Portugal tivesse um punhado de "loucos" como D. Renato, talvez a crise e o seu tratamento não tivessem vindo a infernizar a vida dos portugueses. 
Neste sentido, eu também sou um "louco", e, depois de ter lido esta hilariante entrevista, talvez me abalance a vir a obter o Principado das Berlengas...