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quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sombra protetora!...


É por isto que eu nunca me separo da minha própria sombra!...

Poema: Pernoitas em Mim - por Al Berto


Pernoitas em Mim

pernoitas em mim 
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer 

pressinto o aroma luminoso dos fogos 
escuto o rumor da terra molhada 
a fala queimada das estrelas 

é noite ainda 
o corpo ausente instala-se vagarosamente 
envelheço com a nómada solidão das aves 

já não possuo a brancura oculta das palavras 
e nenhum lume irrompe para beberes 

Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Euro em Debate | 6 junho 2013 - Instituto Franco-Português

*
Num comentário a este vídeo, publicado no MR5OUT, por Orlando Almeida, deixei o seguinte comentário (revisto):
"O euro é uma moeda demasiadamente forte para o perfil da economia portuguesa, o que não facilita o crescimento económico, através do aumento das exportações. Ao aderir à moeda única, Portugal fez a figura daquela criança, que, com vaidade, vestiu o casaco do pai..Sobravam mangas! Mas, o mais grave, é que, agora, passados estes treze anos, o casaco transformou-se numa albarda, de que muita gente teima não prescindir.

Remeto o leitor para a minhas Notas do meu rodapé (aquiaqui), onde eu defendo a saída de Portugal da moeda única.

Agradecimento


Agradeço à Brígida Luz a gentileza de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

PCP: portugueses não se identificam com discurso do PR


O deputado do PCP, António Filipe, afirmou hoje que a intervenção do Presidente da República, na sessão solene comemorativa do 10 de Junho, em Elvas, "não é um discurso com que o país se possa identificar".
"Aquilo que hoje preocupa os portugueses, que é a crise em que vivem, os problemas que os afetam, desemprego, recessão económica, não tiveram eco, de facto, neste discurso do 10 de Junho", disse.

***«»***
Foi um discurso despropositado e tematicamente desviante, o do Presidente da República, neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um discurso escrito por quem sabe que as suas responsabilidades políticas na atual crise, as presentes e as passadas, estão a ser-lhe assacadas por um número cada vez maior de portugueses, que também deixaram de acreditar na instituição presidencial. Neste discurso, Cavaco Silva, mais uma vez a tropeçar dislexicamente na palavra cidadões, refugiou-se no tema da Agricultura, para poder rebater as afirmações dos que o acusam de ter sido ele, enquanto primeiro-ministro, a provocar o desmantelamento e a desestruturação do setor primário da economia portuguesa, em cega obediência aos interesses da então CEE, que estava mais interessada em fazer de Portugal um país importador de produtos agrícolas e agro-industriais, oriundos da Espanha e da França, do que em desenvolver a agricultura portuguesa. 
A Cavaco Silva falta o sentido de Estado para poder exercer esta alto cargo com a devida independência em relação aos partidos políticos e aos grupos dominantes. Como Presidente da República foi sempre um homem de partido, do seu, daquele partido que está a conduzir o país para o ciclo infernal da pobreza e para a consumação da tragédia. E sobre os perigos que ameaçam a sobrevivência de Portugal como Estado independente e soberano, nada disse.

Poema: missa às escuras e outras notícias (isto é um poema em forma de não poema) - por maria azenha

Quadro negro
Imagem selecionada pela autora

missa às escuras e outras notícias
(isto é um poema em forma de não poema)

aníbal desafia portugueses a praticarem desporto
o pedre marto realiza missas às escuras
a C.M.L. leva mais de 130 hortas a concurso
a bíblia é uma compilação de 66 livros
novo livro reune todas as cartas entre Pessoa e Ofélia 
seguro vê com bons olhos capitais brasileiros na TAP
a primavera ameaça não chegar ao verão
alemanha receia efeitos de guerra com a China
chuva a Norte, sol à tarde no Sul
ordem dos Advogados enfrenta chuva de processos
assunção considera que agricultura portuguesa 
está a atravessar boa fase 
verão volta a Lisboa no dia de Santo António
valor dos cheques-dentista baixa de 40 para 35 euros
gaspar diz que a chuva prejudicou o investimento
mulher desconhecia gravidez
e entrou em trabalho de parto 
enquanto corria maratona 
portugal pode dar início à recuperação máxima 
hoje é o dia 10 de junho : ministros sob vigilância máxima
céu muito nublado, chuva e trovoada para hoje
maria azenha

Insólito: "Missa às Escuras" em Fátima dedicada aos cegos


"Missa às Escuras" em Fátima dedicada aos cegos

O padre da paróquia de Fátima, Rui Marto, vai realizar uma "Missa às Escuras" dedicada aos cegos, no dia 27 de abril, disponibilizando vendas "a toda a população que queira participar", disse esta quinta-feira o sacerdote. O padre salientou que os vitrais da igreja "vão ser tapados", mas as pessoas não vão ser abandonadas: a eucaristia vai contar com a ajuda de guias, "até para evitar que existam atropelos ou despistes, como por exemplo no momento da comunhão", e obrigará o pároco, de 55 anos, a decorar a homilia.
18 de Abril de 2013
***«»***
Com todo o respeito pelos cegos e amblíopes e apesar da bondade que eventualmente possa existir nesta bizarra cerimónia religiosa, quase a indiciar uma iniciação esotérica, eu pergunto-me como é que o padre Marto, responsável pela paróquia de Fátima, irá, no futuro, organizar missas para coxos, manetas e surdos-mudos? Bem, para a missa dedicada aos surdos mudos, os outros fiéis sempre poderão usar tampões nos ouvidos e mordaças adesivas na boca. Agora, para a dos coxos e manetas, é que será mais complicado!

A Associação Ateísta Portuguesa comemorou o seu 5º aniversário


Associação Ateísta Portuguesa – 5.º Aniversário
Mensagem

Ao celebramos o 5.º aniversário da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo todos os sócios, ateus e ateias, os que vieram e os que não puderam vir, e ainda os agnósticos, racionalistas e todos os livres-pensadores, especialmente os que vivem em países onde são perseguidos e mortos pelo fanatismo das teocracias ou marginalizados pelo poder, onde as religiões se infiltraram no aparelho do Estado.
A minha solidariedade, neste momento, vai sobretudo para os resistentes ao processo de reislamização na Turquia, que ora proíbe carícias em público, ora restringe a venda e o consumo de álcool e não tardará a banir a carne de porco, a impor cinco orações diárias, normas de vestuário, hábitos alimentares e, finalmente, a sharia, de acordo com o Corão.
A AAP repudia o proselitismo e não será a central de propaganda que incense o ateísmo ou promova a xenofobia. Defende, sim, a laicidade do Estado, e não se calará perante a ameaça de religiões, que fomentam a xenofobia, o racismo, a misoginia e a homofobia.
Vemos com preocupação, os judeus das trancinhas à Dama das Camélias, a promover o sionismo, levando a violência e a morte à faixa de Gaza, e, com igual repulsa, islamitas a imporem a sharia na Palestina.
 Por todo o lado, do protestantismo evangélico ao cristianismo ortodoxo, do catolicismo dos exorcismos e milagres ao fascismo islâmico, do judaísmo sionista ao hinduísmo das castas e vacas sagradas, as religiões rivalizam em malignidade com a sua falsidade.
Em Portugal, com o agravamento das condições económicas e sociais, a Igreja católica faz valer esse ultraje à Constituição – a Concordata –, e a Lei da liberdade religiosa feita à medida dos privilégios que reduzem Portugal a protetorado do Vaticano. A fé não se pode impor por tratados nem os Estados assumir a sua difusão. A laicidade é requisito da tolerância e garantia da liberdade para todas e cada uma das religiões.
Os professores de Religião católica, nomeados e exonerados discricionariamente pelos bispos, mas pagos pelo Estado, doutrinam adolescentes nas escolas públicas enquanto aumentam o poder na educação e na assistência, particulares, à medida que o SNS vai sendo desmantelado.
O feriado do 5 de outubro, data emblemática do regime e da separação da Igreja e do Estado, foi suprimido em conluio com a Igreja católica, a única que acrescenta aos 52 domingos, os únicos feriados religiosos que existem, em igualdade com os cívicos.
Cabe à AAP lutar para que, neste período de crise, o IMI e o IRC sejam estendidos às instituições da Igreja católica. Os privilégios de que goza são uma ofensa à laicidade e fonte de injustiça, em concorrência desleal com lares, hospitais, universidade, editoras, colégios e outros estabelecimentos comerciais não isentos de impostos. A AAP defende a igualdade dos cidadãos perante a lei e a laicidade do Estado, respeitando os crentes e combatendo o poder das religiões, rumo a uma sociedade onde as crenças particulares não interfiram nos assuntos de Estado.
Porque pensamos que não há sociedades livres sem respeito pela liberdade individual e pela igualdade de género, repudiamos a moral imposta pelas religiões, gozando a vida, este bem único e irrepetível a fruir até ao limite do nosso prazo ou da nossa decisão.
Caros ateus e ateias, bem-vindos ao almoço do 5.º aniversário da AAP. Viva o livre-pensamento.
Carlos Esperança
Presidente da AAP
Coimbra, 08-06-2013

A mulher de vermelho

 

De vestido de algodão vermelho, colar e saco de pano ao ombro, era apenas uma das jovens manifestantes do Parque Gezi em Istambul, mas facilmente se tornou um símbolo da resiliência turca, neste que já é um dos movimentos sociais que certamente alterará o panorama político da Turquia. Esta mulher de vermelho, que com toda a frontalidade estava na linha da frente do protesto, bombardeada com gás lacrimogéneo, e mesmo assim de pé, sem abdicar da sua luta, é hoje um rosto desta manifestação. Como ela, são muitas as que enchem neste momento a Praça Gezi, e que sonham com uma Turquia livre, longe da ditadura de Erdogan. Contudo a mulher de vermelho não representa apenas um símbolo do que se está a passar na Turquia, representa acima de tudo a face visível de quem combate a escassez de democracia que assombra o mundo.
Porque esta mulher não tem idade, veste-se como quer, é dona de si própria, é pro-ativa e combativa, é a mulher do progresso, do hoje e do amanhã, num claro combate à sociedade machista e patriarca em que vivemos, numa procura incansável pela democracia e justiça social.
Neste momento mais do que o destino do Parque Gezi discute-se o destino da mulher e da democracia na sociedade turca e quem sabe no mundo islâmico. Não fiquemos indiferentes a isso. Onde houver um governo autoritário, uma troika, um fanático religioso, um fascista, um capitalista, haverá sempre uma mulher de vermelho. Porque no final de contas, nós crescemos ao ritmo da vossa violência, seja sob que forma for.
André Moreira
In ESQUERDA NET

domingo, 9 de junho de 2013

25 e Assalto ao Castelo - Galandum Galundaina - ao vivo


Um tesouro etnográfico de inestimável valor, que, felizmente, foi salvo do esquecimento, a que a onda do progresso o condenara. Talvez tenhamos de recuar mais de vinte séculos, aos tempos da ocupação romana, para encontrar a provável origem desta manifestação da cultura popular. A longa permanência de uma legião romana na cidade de Leon teria inspirado os povos autóctones da época,  na coreografia das suas danças (a batalha), na escolha da indumentária (o saiote) e dos adereços (o pau). A gaita de foles, essa, é, provavelmente, uma herança celta.
A dança dos Pauliteiros das terras nordestinas do planalto mirandês é uma das peças mais genuínas do folclore português, quer pela sua beleza, quer pela sua originalidade, quer ainda pela sua antiguidade.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Ao saque através da da dívida especulativa, segue-se a chantagem e as privatizações forçadas de bens públicos...

Amabilidade da minha irmã Helena
Para ativar a tradução para português, clique no primeiro retângulo branco da barra inferior do vídeo
*
Já aqui dissemos que as instituições europeias (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc.) são o braço político não democrático do imperialismo financeiro europeu, comandado pela Alemanha, o que facilita a imposição de medidas políticas impopulares, que os governos da União, apesar de comprometidos com os mesmos objetivos predadores do grande capital, não poderiam arriscar tomar, sem evitar o desmascaramento da sua democracia de fachada.
Esgotado que está o tempo do encantamento, com a promoção da abundância, através de um estímulo à criação de dívida, por parte dos Estados, das empresas (bancos dos países periféricos incluídos) e das famílias (uma situação de inferioridade e de dependência), chegou o tempo da chantagem com essa própria dívida, impondo condições draconianas para o seu pagamento, através dos ditos planos de ajustamento (palavra de uma grande inocência!). E isto, depois de se ter desencadeado uma gigantesca manobra, através das agências de rating, para empolar os problemas estruturais das economias dos países devedores, que assim se viram obrigados a assumir uma governação tutelada, embora escondida sob um certo disfarce.
Todos sabiam que, com aquelas medidas draconianas, baseadas numa brutal austeridade, a sacrificar exclusivamente salários, pensões e os apoios sociais, o crescimento económico ficaria comprometido, não havendo, pois, margem de manobra para a criação de excedentes ao nível do saldo comercial com o exterior e ao nível da balança de pagamentos, condições necessárias para pagar a gigantesca dívida, que, entretanto, irá crescendo. É isto que o capitalismo europeu pretende. Ao saque, através da austeridade, que serve para ir pagando juros exorbitantes e especulativos, vai seguir-se o resgate do capital da dívida, através da privatização forçada, a preços de saldo, das empresas nacionais estratégicas, de grande rentabilidade e a exigirem investimentos mínimos. É o caso da água, como a peça visionada demonstra, onde o processo de privatização já começou, com alguns municípios (entre os quais aquele em que serei candidato à câmara municipal, pela CDU, nas próximas eleições autárquicas) a alienarem a captação e o abastecimento de água a multinacionais francesas e alemãs. A gestão de um bem público, como é a água, fica assim na posse de mãos estranhas e perigosas, longe de um qualquer escrutínio democrático, que contrarie o cortejo especulativo sobre o seu preço e o controlo sobre a sua qualidade. 
E esta estratégia, ao nível da privatização da água pelas grandes multinacionais, que, afinal, tem uma ambição continental (outros bens públicos se seguirão), tem por objetivo colmatar a perda da liderança económica dos países ricos europeus, a nível mundial, como as estatísticas sobre o crescimento económico demonstram (o crescimento económico tem sido raquítico, não ultrapassando as décimas). Perdendo posições a nível da indústria, a favor dos países asiáticos, principalmente da China, e não podendo repetir a manobra altamente lucrativa, porque especulativa, através da formação de novas dívidas às famílias dos países periféricos (foi chão que deu uvas), o capitalismo europeu (que já provocou duas guerras mundiais) prepara-se para um segundo saque, em larga escala, da riqueza dos países mais pobres da Europa, onde se encontra Portugal.
Quando, daqui por alguns anos, se fizer o balanço entre os ganhos e as perdas com a adesão à mítica União Europeia, que deslumbrou tantos portugueses ingénuos, talvez se chegue à conclusão, e esta é a minha prévia e premonitória opinião, que Portugal perdeu mais uma oportunidade, por ter jogado, sem condições de salvaguarda, no tabuleiro errado. Se somarmos a esta oportunidade perdida os custos de uma Guerra Colonial injusta e a consequente perda do Império Colonial, há menos de meio século, poderemos concluir que está em perigo a sustentabilidade e a independência de um país com mais de oito séculos de História. É difícil sobreviver ao falhanço na África e ao falhanço na Europa.

Raquel Varela: exploradores e mandriões


A exaltação da ideia do empreendedorismo, como solução final e redentora para resolver o desemprego jovem, não passa de uma armadilha ideológica, baseada num valor absoluto louvável, mas que, no contexto sócio económico atual, apenas pretende conduzir à autoflagelação moral de quem não consegue arranjar emprego. Portugal está, a passos largos, a caminhar para a sua autofagia, com a classe possidente, a quem, precisamente, falta o sentido do empreendedorismo empresarial, a tentar aumentar desmesuradamente a sua renda, através de uma brutal desvalorização salarial, para compensar a sua incapacidade genética de, por mérito próprio, gerar a riqueza nacional.
Quando a oferta de emprego, mesmo o medianamente qualificado, está a ser remunerado abaixo do salário mínimo nacional, que, só por si, já não permite a subsistência do trabalhador e a  sua sobrevivência digna, estamos a falar de um novo tipo de escravatura. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Poema: "De frente para os versos" - maria azenha

óleo -Gustavo Poblete Catalan.
Imagem selecionada pela autora.

"De frente para os versos" 

De frente para os versos 
entro no quarto do poeta. 
Está sentado numa nuvem. Os olhos, 
duas tochas acesas nos vidros das ruas.
Minha mãe, no camião das vozes, uma estrela 
de modos silenciosos, noviça de futuro.
E vai deixando tombar nas mãos de meu pai 
uma criança, uma gazela, e a manhã branca 
coroada de rosas.

Lá fora, se não fora o vento e os gomos de junho,
cada fruto cairia dentro de si. 

Em foco, 
a luz do poeta nos ombros de Deus,
para medir a solidão do mundo.

maria azenha 

Nota:  Este poema transporta-nos, em convulsão, para um universo etéreo de emoções, que vão desde a puríssima ternura da manhã branca coroada de rosas até à grandeza épica de um poeta, que, nos ombros de Deus, mede a solidão do mundo.
Será também interessante transcrever um comentário de um amigo da “poeta”, Citoyen du Monde, a propósito deste poema:  Dois sujeitos, o pai - o poema, a mãe - a poesia e o ofício de "medir a solidão do mundo". Muito belo.
AC

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

Agradecimento


Agradeço à Eu... Suzana e a Portojo a gentileza de terem aderido ao Alpendre da Lua, como amigos/Seguidores.

domingo, 2 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Saída do euro é a única alternativa (*)


O erro foi Portugal ter aderido à moeda única, uma moeda que foi criada, no interesse da Alemanha, com um valor cambial demasiado elevado para a realidade macro-económica de Portugal, que, imediatamente, começou a perder competitividade externa.
A partir daí, tudo se agravou, com os sucessivos governos do PSD e do PS a deixarem, no interesse dos bancos nacionais e do lobie da construção civil, que a dívida externa privada fosse canalizada, na sua maior parte, para o mercado da compra de casa para habitação própria, um investimento que, agora, perdeu valor, deixando de promover retorno para a economia. É diferente, em termos de sustentabilidade futura, uma economia investir na construção de um conjunto de prédios para habitação ou investir numa unidade industrial, por exemplo. A construção de casas apenas dinamiza a economia, até ao momento em que a obra acaba, enquanto uma unidade industrial continua, durante um período prolongado, a acrescentar valor ao investimento e a manter postos de trabalho. A dívida dos bancos nacionais ao estrangeiro (260% do PIB) formou-se assim, o que permitiu aos acionistas, com os subsequentes empréstimos a empresas e a particulares, acumular fabulosos lucros em juros e amortizações. Agora, esses acionistas, para poderem salvar os seus bancos, aguardam o retorno do dinheiro ganho com austeridade em curso, que o BCE controla através da troika, e que, posteriormente, lhes irá emprestar com um juro de um por cento. Entretanto, a dívida contraída com o chamado ajustamento está a pagar um juro de 3,5 por cento. O diferencial fica nas mãos do capital financeiro. Quer dizer: serão os portugueses, através desta brutal austeridade, que vão pagar os desmandos dos bancos, que, tal como está organizado o sistema financeiro internacional, têm sempre a possibilidade de socializar os prejuízos dos seus balanços (nos EUA, o governo injetou diretamente o dinheiro dos impostos nos bancos falidos).
O objetivo de submeter Portugal a um programa de ajustamento, depois de se ter desencadeado, com êxito, uma estudada campanha para desestabilizar o mercado da dívida soberana portuguesa, consiste em promover uma brutal desvalorização salarial, na ordem dos 30 por cento, através da austeridade, evitando-se assim uma desvalorização idêntica para o capital e os respetivos rendimentos. Se Portugal não tivesse aderido ao euro, Portugal contornaria o problema do excessivo endividamento, desvalorizando controladamente a sua moeda nacional, no sentido de ganhar competitividade externa. Neste caso, a desvalorização também apanhava o capital e os seus rendimentos. Haveria um empobrecimento geral, mas, em contrapartida, e se os governos fossem honestos e competentes, as dificuldades seriam superadas a médio prazo, pois o crescimento das exportações faria crescer a economia e, indiretamente, promoveria também o mercado interno.
Por isso, na minha modesta opinião, só vejo alternativa, para Portugal ultrapassar a crise, na saída negociada do euro e na reestruturação da dívida soberana, com condições que favoreçam o crescimento económico.

(*) - Este texto resultou de um comentário que coloquei no blogue anónimo séc. XXI

sábado, 1 de junho de 2013

Imagem do blogue Ladrões de Bicicletas

Orçamento Retificativo de 2013: um país à beira do abismo...

Clicar para ampliar a imagem
OE 2013 Retificativo/OE 2013 Inicial
Imagem da página de Carlos Adelino da Silva

Assusta olhar para este Orçamento Retificativo de 2013. Nele está espelhada a profunda recessão da economia portuguesa, com as duas principais alavancas do PIB, o investimento e o consumo interno, a caírem (a previsão da queda de 7,6 por cento do investimento é aterradora), e o desemprego a subir para um nível record de 18,2 por cento da população ativa, bem como as consequências da imposição de mais severas medidas de austeridade sobre os rendimentos dos reformados, que nunca escapam às tesouradas do governo, e sobre os rendimentos do trabalho, desta vez os funcionários públicos, sobre os quais está a pesar a espada de Dâmocles do despedimento. O IRS, que tem uma enorme subida neste ano, é o imposto que segura as receitas fiscais, pois é o único imposto que sobe percentualmente e em valor, o que demonstra a insanidade deste governo troikeano, que não recua no seu propósito de agravar o empobrecimento da população portuguesa e de liquidar a classe média.
Para quem dizia que Portugal não era a Grécia e que em 2013 a economia regressaria ao crescimento, aqui tem o resultado. Pior, só será em 2014.
Na rápida recuperação económica, de que os acólitos da austeridade falam, já ninguém acredita, assim como ninguém acredita na quadratura do ciclo desta política de austeridade, que pretende aumentar o resultado da soma, diminuindo o valor das parcelas. Como é possível acreditar que a economia poderia crescer, provocando, durante anos sucessivos e através da austeridade, a descida do consumo interno, que na economia portuguesa tem uma expressão percentual elevada, em relação ao investimento e às exportações? E é isto que é preocupante, pois ao analisar-se o orçamento de 2013, deduz-se facilmente que os dos próximos anos serão piores.
Trata-se de uma verdadeira política de terra queimada, que não quer aproveitar o potencial do trabalho para o desenvolvimento do país, o que é um desperdício. Quando um país tem no desemprego, entre a sua população ativa, cerca de metade dos jovens, com menos de 35 anos, é, sem dúvida, um país que não tem futuro. Assim como não tem futuro um país com um governo que mais parece ser uma filial do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, onde impera o lema, a Europa manda, Portugal obedece.  

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Poema: Mulher Maio - por José Carlos Ary dos Santos

Pintura de Rui Alves

E porque hoje é o último dia de Maio..... 

Mulher Maio

Bom dia minha amiga digo em Maio
és uma rosa à beira dum tractor
neste campo de Abril onde não caio
a nossa sementeira já deu flor.

Bom dia minha amiga eu sou um gaio
um pássaro liberto pela dor
tu és a Companheira donde saio
mais limpo de mim próprio mais amor.

Bom dia meu amor estamos primeiro
neste tempo de Maio a tempo inteiro
contra o o tempo do ódio e do terror.

Se tu és camponesa eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro
dentro de ti eu fui trabalhador.

José Carlos Ary dos Santos

 Publicado por Isabel Faria, através de Carlos Esperança.

Nota: Ary dos Santos foi o grande poeta de Abril. Mas Abril já morreu. É necessário inventar Maio com a Grândola na boca e um cravo na mão.

Falta de vagas no internato médico é hoje debatida na Assembleia


O parlamento vai hoje debater uma petição na qual os estudantes de medicina contestam a falta de vagas para o internato médico, essencial para exercer a profissão, e por isso defendem a redução das vagas nos cursos.
“Só se é médico com internato. É obrigatório que todos os que terminam o mestrado tenham a hipótese de ingressar no internato. Não podemos abrir vagas para estudantes que depois não podem completar a formação”, indicou à agência Lusa o presidente da Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM).
***«»***
Há falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque os sucessivos governos tudo têm feito, em surdina, para limitar o seu acesso ao Internato Geral (sem o qual um licenciado em Medicina não pode exercer a respetiva atividade), bem como impedir a sua progressão na carreira, através de sucessivos concursos (que não se realizam), a fim de preencher as vagas dos médicos que vão saindo  do sistema. É pois falaciosa, quando os responsáveis políticos vêm justificar as insuficiências a este nível, aquela tentativa de fazer crer que a falta de médicos é uma causa e não uma consequência. 
A este propósito, vale a pena recordar aqui uma história, que ilustra bem a hipocrisia dos responsáveis governamentais, e que me foi contada, há uns anos, pelo primeiro presidente do Sindicato Independente dos Médicos. À margem de uma cerimónia oficial, aquele médico sindicalista abordara o antigo ministro da Saúde, Arlindo de Carvalho, do segundo governo cavaquista, no sentido de o alertar para a necessidade de ir abrindo concursos para a admissão de mais especialistas de Medicina Geral e Familiar (Médicos de Família), que se encontravam suspensos, a fim de prevenir previamente os hiatos geracionais, que inevitavelmente iriam ocorrer, quando a primeira fornada destes médicos viesse a reformar-se. Em tom informal, o ministro ter-lhe-ia confidenciado: "Oh, doutor! Cale-se com isso! É que, por cada médico introduzido no sistema, a despesa dispara logo, pois, ao respetivo vencimento, tem de somar-se a despesa do seu receituário".  
E foi esta visão redutora, e exclusivamente economicista, que norteou a ação de todos os ministros da Saúde posteriores, e que, depois, também acabou por vir a aplicar-se às especialidades hospitalares. 
Fica assim explicado, porque há falta de médicos. Fica assim explicado por que razão milhares de portugueses não têm Médico de Família, o que os obriga a terem de se sujeitar ao martírio matinal da extensa fila de espera, à porta dos seus respetivos centros de Saúde, para se inscreverem numa consulta avulsa do médico de turno, uma prática médica incorreta, já que, deste modo, não se forma um elo de continuidade na importante relação médico/doente, nem os elementos da história clínica poderão ser totalmente valorizados.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Opinião: «Será o fim do neoliberalismo?» - por Joseph Stiglitz


«Joseph Stiglitz: «Será o fim do neoliberalismo?»

«O mundo não tem poupado o neo-liberalismo, esse amálgama de ideias que tem por base a noção fundamentalista de que os mercados se auto-corrigem, aplicam recursos de forma eficiente e servem devidamente os interesses do público. Foi este fundamentalismo de mercado que esteve na génese do “thatcherismo”, da “reaganomics” e do chamado “Consenso de Washington”, que privilegiou a privatização, a liberalização e os bancos centrais independentes focalizados apenas na inflação.
Os países em desenvolvimento têm-se digladiado entre si nos últimos 25 anos e o resultado dessa luta é hoje claro. Os países que adoptaram políticas neo-liberais são os grandes derrotados. E por duas razões. Primeiro, não souberam tirar partido do crescimento. Segundo, quando cresceram de facto, os benefícios ficaram essencialmente nas mãos dos que ocupam o topo da pirâmide.
Por muito que os neo-liberais não queiram admiti-lo, a verdade é que a sua ideologia chumbou ainda noutro teste. Ninguém pode dizer que os mercados financeiros tenham feito um excelente trabalho no final da década de 90. Mas produziu, apesar de tudo, alguns efeitos positivos, como a descida dos custos de comunicação, que resultou numa maior integração da China e da Índia na economia global.
(...)
Os defensores do fundamentalismo de mercado querem agora que os erros do mercado sejam vistos como erros de governo. Um delegado do governo chinês colocou o dedo na ferida: os EUA deviam ter feito mais para ajudar os norte-americanos com rendimentos mais baixos a gerir melhor o problema do crédito hipotecário à habitação. Estou plenamente de acordo, mas isso não altera os factos: os bancos norte-americanos geriram especialmente mal o risco e essa má gestão tem consequências globais. Mas a injustiça é ainda maior quando se sabe que, apesar dos erros, os gestores dessas instituições saíram airosamente e com indemnizações milionárias.
Actualmente, existe uma grande disparidade entre os retornos sociais e os retornos privados. Se não forem alinhados, o sistema de mercado nunca poderá funcionar bem. O neo-liberalismo foi sempre uma doutrina política ao serviço de certos interesses e nunca se fundamentou em teorias económicas. (...)»
Joseph Stiglitz
Diário Económico  

Poema: para voltar ao princípio do mundo - por maria azenha

óleo-Wladyslan Slewinski (Woman Brushing her Hair, 1897)
Imagem selecionada pela autora

para voltar ao princípio do mundo 

sei de uma mulher
que penteava os cabelos ao sol
porque tinha no pensamento uma flor

sei que os lavava ao luar
porque tinha no coração uma corola
para voltar ao princípio do mundo

com a boca mordia o ar
e prendia os vestidos ao vento

era uma mulher sentada numa pedra
coroada por um lírio salgado na fronte

um dia
cortou os cabelos
atirando-os um a um ao mar

e disse: tece-me

e o mar inclinou-se para dentro
para tecer
o poema

maria azenha (2009)
(contagiada por Daniel Faria )
 .........................
O cabelo e o mar: um poema de Maria Azenha

"Para surgir um poema é necessário se despir de ações que embaçam o modo mais simples de tecer um poema-vida. Despir-se de tais ações é cortar os cabelos, pois estes por si mesmos não tecem o poema. Os fios de cabelo fazem esquecer do que propriamente um poema se faz, do que uma vida se faz. Para esse pensamento que se esquece na flor; para esse pensamento que volta o seu coração para uma corola; para esse pensamento que morde o vento, aprisionando-se a um vestido que se recusa a sentir o vento, preciso é levantar-se e cortar o excedente dessas ações.
...
Libertando-se do cabelo é que o feminino encontra a fertilidade do que pode gerar o poema: o mar. Entregar ao mar esses fios é deixar o poema tecer, dizendo ao oceano: “tece-me”. Confiar no mar a atitude de ser com ele o poema revela a mulher que se liberta dos fios que a prendiam para doar ao mundo os fios que se juntam ao mar. União que a tecerá como verdadeira mulher, porque essa é a ação mais simples “para voltar ao princípio do mundo”. 
Jefferson Bessa

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Notas do meu rodapé: Será a modernidade uma tragédia?


Num debate em que participei no Facebook, a propósito de uma discussão sobre os efeitos nefastos da nova sociedade de informação/comunicação e das novas tecnologias que a suporta, escrevi este comentário, que achei por bem partilhar com os leitores do Alpendre da Lua:

Estou cada vez mais ligado ao mundo, às pessoas, as que conheço e as que não conheço. No entanto, se morrer, ninguém irá dar conta! Anulamos-nos nas multidões invisíveis, que se escondem para lá dos ecrãs das televisões, dos telemóveis, dos computadores e das redes sociais. A solidariedade das sociedades só funciona por choques emocionais e não existe na sua forma racionalizada e organizada. Vivemos, há mais de vinte anos, no meio do turbilhão de uma revolução, que não é só tecnológica, mas a Humanidade acabará por a absorver positivamente, tal como aconteceu com a outra grande revolução que a antecedeu - a Revolução Industrial. Para compreender alguma coisa, o que será sempre insuficiente, temos de olhar para os ciclos longos da História da Humanidade, que abarcam várias gerações, e que registam o axioma invariável, porque permanente, da lei da mudança, com mais ou menos velocidade e intensidade. E neste nosso tempo, porque atingimos a Idade Global, em que se vive o instantâneo e em que a memória se satura, a mudança é muito intensa e veloz, e mais difícil de compreender, o que explica a dificuldade da respetiva adaptação. Mas existe um perigo. Um perigo que não vem da televisão, dos telemóveis, da Internet e das redes sociais. E esse perigo é a Guerra Global, que poderá levar a Humanidade à estaca zero. A atual crise económica e financeira, cuja gravidade não está a ser percecionada em plenitude (é uma crise que ainda não tem solução à vista) poderá desencadear a maior tragédia do planeta.

O Planeta Terra és Tu

Amabilidade da minha irmã Helena
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O Homem nega-se a si próprio ao provocar uma desapiedada delapidação do planeta. Os demónios que governam tentacularmente o mundo negligenciam o Ambiente, confiando o seu destino à força cega dos mercados e aos desígnios do lucro fácil. Com a globalização não controlada da economia, perdeu-se o sentido de equilíbrio entre o Homem e a Natureza, equilíbrio este que norteou durante milénios a Humanidade. As futuras gerações irão pagar muito caro os desmandos ambientais que estão a ocorrer no nosso tempo, a que se juntam as trágicas repercussões da atual crise mundial. A uma ferida profunda junta-se outra, para agravar a infeção.      

Colapso Econômico, Fome e Miséria Programados e Iminentes

Amabilidade de Campos de Sousa
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Impressiona a enormidade da gigantesca burla e assusta a gravidade das suas consequências, que poderão desembocar na eclosão de uma Guerra Global. 

domingo, 26 de maio de 2013

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, anunciou nova jornada de luta da central sindical para 30 de Maio.


“Mais do que salvar a coligação do Governo, como pretende o Presidente da República, estamos aqui a manifestar-nos para salvar o país de uma política que inferniza as nossas vidas e hipoteca o futuro colectivo da nação”, afirmou Arménio Carlos durante a sua intervenção. Aproveitou para censurar o líder do CDS-PP, Paulo Portas. “Afirma-se como defensor dos reformados, mas não nos esquecemos que foi o CDS que deu cobertura a medidas que atingem esta camada”, disse, indicando os cortes nos subsídios como exemplo. 
***«»***
Trata-se, na realidade, de salvar o país e de reconquistar a dignidade perdida. Trata-se, na realidade, de uma luta para evitar um desastre social de proporções gigantescas.
A CGTP-Intersindical poderá ser o rio principal de todo o nosso descontentamento, para onde devem confluir todos os afluentes, que queiram fazer chegar ao mar a sua água. As trincheiras da luta, que cada um de nós vai construindo, serão inúteis, se não se integrarem num exército organizado, com meios e estratégia para poder derrotar o inimigo - o inimigo interno e o inimigo externo. 

“Carta Aberta” ao Presidente (Esta é forte!!!)


Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,

Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio [o Facebook], uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma. É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).
Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República, Presidente da República).
No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor:
1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral;
2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos);
3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos);
4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos);
5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D. Maria) que são PAGAS por um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos);
6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).
Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem como toda a sua família directa e indirecta).
Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.
E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional:
a) Trabalhou no Banco de Portugal;
b) Deu aulas na Universidade; no ISEG e na Católica.
Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.
BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).
Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).
AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade (hoje ISEG), mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.
Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.
Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.
Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.
Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade:
a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça;
b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO;
c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.
Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros
PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.
Respeitosamente,
Carlos Paz

Carta publicada no Facebook, por Carlos Paz.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

PGR abre inquérito a Miguel Sousa Tavares por chamar "palhaço" a Cavaco


A Procuradoria-Geral da República abriu um inquérito às declarações do escritor Miguel Sousa Tavares por ter chamado “palhaço” a Cavaco Silva. Pela lei, trata-se de um crime de ofensa à honra do Presidente da República, punível com pena até três anos.
Em comunicado, a PGR considera que “as expressões proferidas na entrevista [publicada nesta sexta-feira no Jornal de Negócios sob o título ‘Beppe Grillo? “Nós já temos um palhaço. Chama-se Cavaco Silva”’] são susceptíveis de integrar a prática do crime de ofensa à honra do Presidente da República”. Tal crime, previsto no Código Penal, é de natureza pública, daí que o Ministério Público tenha decidido instaurar um inquérito.
PÚBLICO
***«»***
A Procuradoria-Geral da República deveria elaborar uma lista com os nomes que poderão chamar-se a Cavaco Silva, sem incorrer na prática de um crime à honra do Presidente da República. E isto deveria ser feito ainda hoje, para evitar a instauração de milhares de processos judiciais na manifestação de protesto de amanhã, junto ao Palácio de Belém.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Desenhos e Pinturas de Afonso Armada de Castro

Equilíbrio 1997- afonso armada de castro

Indio 1998-afonso armada de castro

Infinito 1996-afonso armada de castro

Quatro Estações 1995-afonso armada de castro
*
Por se tratar de trabalhos artísticos do meu filho, eu deveria abster-me de fazer uma qualquer abordagem crítica. No entanto, julgo que não serei acusado de favoritismo nem de parcialidade, se assinalar aqui a capacidade de estilização das formas e a intensidade policromática, muito bem combinada, que ele, de forma incisiva, conseguiu transmitir aos seus quatro trabalhos. 
"Equilíbrio" foi uma obra premiada num concurso para universitários, organizado pelo Diário de Notícias. Posteriormente, foi ilustração de capa do livro de Psicologia, "O que é o Transpessoal?", de Marc-Alain Descamps  É de uma grande beleza geométrica, com as figuras, delicadamente, a desafiarem o equilíbrio, de uma forma que parece periclitante e instável. Há, no seu traço, uma nítida influência de Salvador Dali.
"Índio", com uma grande carga de expressividade e de um pormenor exaustivo, é a obra onde a policromia e a estilização atingem uma eficaz complementaridade estética e funcional, provocando um grande impacto visual. 
As outras duas obras, não perdendo as características das duas anteriores, mergulham a fundo num abstracionismo eclético, onde qualquer significado se perde no emaranhado das cores e das linhas. Em o "Infinito", a ideia de vertigem atinge o olhar e assoma ao pensamento de quem observa o desenho/pintura. 

Poema: "o amor não é de modo nenhum uma receita veloz" - por maria azenha

Fotografia © maria azenha, Abril,16, 2013

"o amor não é de modo nenhum uma receita veloz"

o amor não é de modo nenhum uma receita veloz.
com um pouco de água
cenouras
batatas e cebolas
não se fazem manjares.
também não é uma sopa instantânea
nem tão pouco caseira,
exige traje a rigor
bordado a pontos de travesseiro.
é absolutamente indispensável
ter uma cozinha no universo.
olhar de vez em quando, com ternura, a terra.
deve-se estar elegantemente preparado 
para chorar quando se descascam as cebolas,
observar com rigor cada lágrima
vertê-la para dentro de uma caixinha
e colocá-la de novo no mar,
chuva entre os intervalos da cozedura.
é indispensável 
para lavar a amargura, algum sol.
para que a receita se possa tornar um manjar
um pouco de mel
e o produto final
possa ser assinado 
não por um homem e uma mulher
mas por duas abelhas. 

não esquecer
uma sinfonia durante o tempo de permeio
fogo
muito fogo
primeiro forte
depois suave
cultivando sempre e com rigor a devoção alheia.
de um ingrediente a outro
devem observar-se as nuvens
a temperatura ambiente
fazer pousio,
só depois recomeçar o movimento
à semelhança da nostalgia das dunas
reparar ainda se há depósito de lodo.
deve haver.
para que mais tarde possa nascer
da invisibilidade da água
a maravilhosa flor

maria azenha

Nota: Maria Azenha é já uma "poeta" consagrada, premiada e reconhecida, com mais de uma dezena de títulos publicados. O que se verifica em toda a sua obra, além da elevada qualidade dos seus poemas, é a sua enorme capacidade em diversificar os seus "estilos poéticos". Este poema, que hoje se publica, é um exemplo típico dessa diversidade de processos literários. Convido o leitor a dar uma espreitadela (etiqueta Poesia de Maria Azenha) aos vinte poemas da autora, publicados neste blogue, onde poderá constatar esta asserção. Cada poema busca o seu próprio estilo.
Assim acontece com esta "receita" de amor. Trata-se de um exercício poético em que Maria Azenha mostra como um texto de prosa pode transformar-se num texto poético. Começa-se a ler, e o discurso não é seguramente poesia, mas sim prosa, a falar-nos de cenouras, batatas e cebolas, como se tratasse de uma vulgar receita culinária. Mas, no final do décimo primeiro verso, aparece a frase metafórica "ter uma cozinha no universo", a remeter imediatamente o leitor para o universo poético. O mesmo acontece ao longo do poema, com as frases metafóricas "e colocá-la de novo no mar"(a lágrima), "mas por duas abelhas", "nostalgia das dunas"e "maravilhosa flor". Só com este processo criativo, a linguagem de uma vulgar receita se transforma num poema, que é também uma receita, mas uma receita de amor, bem elaborada literariamente.
Quero deixar aqui, por ser o espaço próprio para o efeito, o amável comentário que a "poeta" Maria Azenha deixou na minha página do Facebook, a propósito do quarto aniversário do Alpendre da Lua, e que não resisto em transcrever: 
"felicitações e agradecimento ao valioso Alexandre de Castro pelos contributos deste blog ...que ainda me faz crer que é possível pensar, refletir e caminhar pela Arte ..."
Obrigado, Maria Azenha.

A “poeta” Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.