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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

O insulto, tal como uma arma, também é uma canção...

Se eu renunciasse a um subsídio seria o de amamentação...  Estou farto de dar de mamar a estes filhos-da-puta.
Amabilidade do Jorge Magalhães Ribeiro

Quercus acusa Governo de querer gastar verbas climáticas em actividades poluidoras


O Governo prepara-se para gastar os 2,1 mil milhões de euros de receita de um mecanismo de combate às alterações climáticas no financiamento de défices tarifários, sobretudo, da produção de electricidade poluente, denuncia hoje a Quercus.
A Quercus considera “escandaloso” e “impensável” que parte da receita do leilão das licenças de emissão de CO2 (dióxido de carbono) – que abrange a grande indústria poluente em Portugal – “seja para pagar a produção de energia eléctrica poluente e de investimentos passados que deveriam ter sido devidamente alocados”.
PÚBLICO - Helena Geraldes
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Este governo é na realidade sui generis. É perito em criar situações na base das contradições dos contrários  Diz que quer promover o desenvolvimento do país, empobrecendo a população. Agora vai gastar dinheiro destinado a combater a poluição, preparando-se para produzir mais poluição. Começo a acreditar que o governo, com as medidas de austeridade, se prepara para matar os velhinhos. Poupa na despesa da comparticipação de medicamentos e no pagamento das pensões de reforma e, ao mesmo tempo, acaba com as listas de espera para as consultas e para as cirurgias. Um sucesso! Maquiavel não se lembrou disto, no seu livro "O Príncipe".

sábado, 5 de novembro de 2011

Vende-se a preço de saldo

Depois da Acrópole, a Grécia vai vender as ilhas do mar Jónico aos alemães.

Insólito: "Pagamento especial por cona"

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Julgo estar resolvido o problema do défice orçamental.

Cimeira do G20 acaba sem compromisso de apoio ao fundo de resgate europeu


O fundo de resgate europeu não será reforçado com a ajuda dos países emergentes, como chegou a ser discutido pelos representantes das principais economias mundiais. A cimeira do G20 chegou ao fim, ao final da tarde desta sexta-feira, sem acordo para ajudar a resolver a crise das dívidas soberanas.
Em Cannes, os chefes de Estado e de Governo deram conta do seu apoio aos países europeus em dificuldades. Mas recusaram ajudar com dinheiro. “Quase nenhum país aqui disse estar disposto a participar no fundo de resgate da zona euro”, observou a chanceler alemã, Angela Merkel, numa conferência de imprensa.
A China e o Brasil eram vistos como potenciais investidores, mas a resposta destes dois países foi cautelosa. Exigem ambos mais detalhes sobre o plano de resgate. A primeira-ministra australiana, Julia Gillard, foi mais lacónica: “A Europa terá de pôr a própria casa em ordem”. “Não vemos nenhuma razão para que o Canadá – ou, com franqueza, qualquer outro país – contribua para este apoio financeiro”, concordou o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.
PÚBLICO
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As declarações da chanceler alemã, Angela Merkel, no final da reunião do G20, traduzem claramente a dimensão do grande fracasso da União Europeia  e, principalmente, da moeda única. Foi a declaração da impotência, perante a tragédia que se avizinha, e que as decisões assumidas nos últimos três anos pelos dirigentes políticos europeus, devido à sua irracionalidade, não vão conseguir evitar. Ninguém quer emprestar dinheiro à Europa, porque já ninguém acredita na Europa. O triunfalismo exibido publicamente, no final de cada reunião dos líderes europeus, em que se declarava sempre ter sido encontrada a solução milagrosa para os problemas financeiros que afectavam o euro, foi sempre desmacarado no dia seguinte pela crua realidade. O folclore não conseguiu iludir a razão e a verdade. 

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

3ª Guerra Mundial - Tropas no Oriente Médio, Ásia, Norte da África para outubro/novembro 2011


Este vídeo foi colocado no You Tube há quatro meses atrás. A previsão sobre o ataque militar à Líbia confirmou-se, o que acrescenta credidibilidade a outras informações deste autor.
A existência de uma gigantesca operação conspirativa, destinada a assegurar o domínio global, sob uma liderança dos EUA e do capitalismo financeiro internacional, tem vindo a ser abordada por alguns autores, que apontam a Maçonaria, o sionismo e o Vaticano como os seus principais mentores. O controlo do Médio Oriente, através da eliminação dos líderes dos países rebeldes, Síria e Irão, e o enfraquecimento da Rússia e da China, cujos regimes políticos não se sujeitam à hegemonia e à influência dos EUA, seriam os objectivos principais a atingir.

Homenagem ao povo grego...

Mikis Theodorakis - Strose to stroma sou & Zorba (live,2005)
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Através da música de Mikis Theodorakis, a minha homenagem ao corajoso povo da Grécia, que resiste estoicamente à agressão da ditadura do capitalismo financeiro internacional. A Grécia, onde nasceu a democracia e a civilização ocidental, saberá defender-se da invasão dos novos bárbaros.

CARTA ABERTA de MIKIS THÉODORAKIS aos povos da Europa

 MIKIS THÉODORAKIS
CARTA ABERTA de MIKIS THÉODORAKIS
aos povos da Europa:

«ao ritmo em que as coisas estão a evoluir os bancos implantarão o fascismo sobre o continente europeu»

Na sua carta aberta aos povos europeus, o resistente anti-fascista e grande compositor grego Mikis Théodorakis escreve:
«Os seus programas de ajuda à Grécia só ajudam os bancos estrangeiros, aqueles que, precisamente, por intermédio dos políticos e governos ao seu serviço, impuseram o modelo político que nos levou à actual crise.(…)
A democracia nasceu em Atenas quando Sólon anulou as dívidas dos pobres para com os ricos. É tempo de não deixar agora os bancos destruírem a democracia europeia, a extorquir somas gigantescas que eles geraram sob a forma de dívidas. (…) Resistam ao totalitarismo dos mercados que ameaça desmantelar a Europa, transformando-a no Terceiro Mundo, que lança os povos europeus uns contra os outros, e que destrói o nosso continente preparando o terreno para o regresso do fascismo.»
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Em resposta ao apelo colectivo do grande compositor grego, Mikis Théodorakis, que circula pela internet, escrevi:
Comungo com  Mikis Théodorakis a ideia (que já expressei neste espaço)  de que está a nascer um novo tipo de fascismo, o fascismo financeiro alemão. E que Angela Merkel está a fazer com o compressor do euro o que Hitler não conseguiu com os canhões e os submarinos.
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Nota a posteriori: Este texto, atribuído a Mikis Théodorakis, deve ser lido sob reserva, já que a sua divulgação pela internet, onde eu o recolhi, não vem acompanhada pela indicação de qualquer fonte. Foi este o alerta de João Vasconcelos Costa, no comentário que enviou para o Alpendre da Lua,  ao mesmo tempo que remete o leitor para o seu blogue, onde justifica a sua dúvida sobre a autenticidade da autoria deste texto, atribuída ao compositor grego.
Agradeço ao João Vasconcelos Costa a sua oportuna intervenção.
http://no-moleskine.blogspot.com/2011/11/maleficios-da-net.html

2ª Nota a posteriori: A fim de garantir a mesma igualdade de tratamento aos comentários que assumem posições divergentes neste assunto importante como é o da autenticidade da autoria da carta, atribuída ao compositor grego Mikis Théodorakis, publico também aqui, na página principal, a opinião do leitor JoZe, assim como a indicação da fonte de prova, em que se sustenta:
"Contrariamente ao que diz o senhor do comentário anterior, esta carta não é invenção:
http://fr.mikis-theodorakis.net/index.php/article/articleprint/538/-1/99/  "

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O perdão de 50 por cento da dívida soberana grega é uma enorme fraude

Polícia grega carregando sobre os manifestantes
Os dirigentes europeus e a imprensa ocidental lançaram foguetes de satisfação com a notícia de que teria sido decidido  uma redução de 50 por cento da dívida soberana grega aos credores particulares (bancos),  que totaliza o valor de 100 mil milhões de euros. Por outro lado, pretendeu-se dar um sinal para o exterior, para consumo das opiniões públicas, de que do principal centro de decisão da União Europeia, o Conselho Europeu, também saíam orientações solidárias para com a Grécia, que tão massacrada está a ser com as brutais medidas de austeridade.
No entanto, as coisas não são bem assim. No acordo que saiu da cimeira da UE, verifica-se que se  procedeu à transferência dos créditos dos bancos para a troika (FMI-BCE-UE), através de uma manobra de engenharia financeira. Foi o Financial Times, citado pelo blogue Ladrões de bicicletas, que descobriu esta manobra. Segundo aquele jornal, o acordo firmado prevê que a troika concederá um empréstimo adicional ao estado grego no valor de 60 mil milhões de euros, a somar a todos os outros já concedidos através do memorando de entendimento, acordado em Maio de 2011, sendo que, dessa verba, são retirados 30 mil milhões de euros para entregar aos bancos credores e outros 30  milhões de euros destinam-se a recapitalizar os brancos gregos, a título de compensação de perdas, devido a este a este procedimento. Feitas as contas, o perdão da dívida soberana grega é apenas de 40 por cento. Os sortudos dos bancos privados é que ficaram a ganhar, recebendo antecipadamente o reembolso da amortização da dívida, embora, para a opinião pública, tivessem deixado passar uma falsa imagem filantrópica Os bancos credores não perderam nada com o negócio. 
http://ladroesdebicicletas.blogspot.com/2011/11/do-perdao-grego-ou-de-algumas-razoes.html

Crise Financeira Mundial - Como funciona - Subprime How Stuff Works - Global Financial Crisis

Notas do meu rodapé: Paulo Portas é um verdadeiro submarino...

Amabilidade da Dalia Faceira
Claro que Paulo Portas é muito mais coisas. Ao longo da sua vida pública foi vestindo vários fatos, inclusivamente o de jovem agricultor ribatejano, com botas e boné a preceito, ao mesmo tempo que foi encenando várias personagens, conforme lhe convinha politicamente. Jornalista irrequieto, que pôs o PSD de Cavaco Silva em polvorosa, transferiu-se para a política activa, disputando a Santana Lopes o papel do enfant terrible. Na oposição, foi sempre um aguerrido contestatário, e no governo, vestindo fatos às riscas de marca, sempre se mostrou impecavelmente manso. É um verdadeiro camaleão.
A escolha, pela qual se bateu, de sobraçar a pasta dos Negócios Estrangeiros do actual governo não foi inocente. Permite-lhe apoiar de longe e discretamente a política geral do governo, e de se remeter ao silêncio, quando são anunciadas as medidas mais impopulares. Ele sabe que Passos Coelho e os os seus principais ministros vão ser queimados em lume brando, e ele não quer ficar chamuscado. Continua à espera da sua vez, quer para si, quer para o seu CDS. Com o agravamento da crise, até pode muito bem acontecer que, com um pouco de sorte e de fortuna, ele possa vir a obter aquilo que não conseguiu alcançar através dos votos. Nos seus cálculos, em 2012, que é quando as coisas vão doer mais, Passos Coelho e o PSD vão andar nas ruas de amargura, com os eleitores e muitos militantes desiludidos a começarem a desertar. A uns e a outros, Paulo Portas estenderá a passadeira vermelha do Palácio do Largo do Caldas. Quando a situação amadurecer e a oportunidade esperada se declarar, ele irá escolher no armário o seu melhor punhal para o espetar nas costas de Passos Coelho, que, neste momento, está mais apostado em querer encostar o PS mais à esquerda, colando-o ao Partido Comunista e ao Bloco de Esquerda. Paulo Portas é um verdadeiro submarino, que, de momento, raramente vem à superfície.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Meia hora extra é "trabalho obrigatório não remunerado", diz João Ferreira do Amaral

O aumento de meia hora por dia no horário de trabalho "é de facto trabalho obrigatório não remunerado, coisa que na nossa civilização não existe há vários séculos", disse hoje o economista João Ferreira do Amaral.
Elevar o horário de trabalho em duas horas e meia por semana "não tem efeitos significativos na economia, do meu ponto de vista", disse Ferreira do Amaral à margem da conferência "O valor da poupança e o rigor das Finanças Públicas", promovida hoje pelo Tribunal de Contas em Lisboa.
"Talvez [o Governo] nem se tenha apercebido da gravidade" desta medida, disse João Ferreira do Amaral, que acrescentou: "O que me mete mais impressão é que estas medidas sejam anunciadas sem haver um estudo do impacto que elas [terão] na realidade."
As duas confederações sindicais, UGT e CGTP, repudiaram hoje a proposta do Governo, considerando que se trata de uma medida que estimula o desemprego e não a competitividade.
"Está em causa a destruição do horário de trabalho, não há memória deste tipo de medida em toda a União Europeia e merece o nosso repúdio total", disse o secretário-geral da UGT, João Proença, no final de uma reunião de concertação social.
Apesar da contestação dos sindicatos, o ministro da Economia e do Emprego, Álvaro Santos Pereira, afirmou aos jornalistas que as confederações acolheram com interesse a proposta do Executivo, contrariando assim o mal-estar do encontro desta manhã.
PÚBLICO
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Trata-se efectivamente de um retrocesso civilizacional, de uma gravidade extrema. Este governo, ao assumir esta irracional medida, de impor arbitrariamente o aumento de meia hora diária do tempo de trabalho, não remunerado, ofende a memória da corajosa luta dos trabalhadores, que, desde a Revolução Industrial, no século XVII e XVIII, lutaram abnegadamente, em condições muito adversas, pela jornada das oito horas diárias. Abrindo este precedente, criar-se-iam as condições para fazer ruir todo o edifício do Direito do Trabalho, e o patronato ficaria com as mãos livres para começar a subverter o regime das Convenções Colectivas, o eixo estruturante da defesa dos direitos laborais dos trabalhadores. Trabalhar sem remuneração, livremente aceite e negociada, constituía a prática comum do regime esclavagista.

domingo, 30 de outubro de 2011

Na Alemanha, foi assim que começou a perseguição aos judeus...

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Painel exposto numa rua de uma cidade alemã (imagem recebida por email)
No século XX, a Alemanha tentou duas vezes, através das armas, dominar a Europa. Perdeu sempre. Agora, procura alcançar o mesmo objectivo com a ditadura do euro. Prescinde das forças da  Wehrmacht, mas está a impor o ideário de um fascismo de novo tipo, o fascismo financeiro alemão. Em Portugal, tem fiéis servidores.

Segunda Guerra - [4 de 4] - Apocalipse - Documentário Completo

Próximo ano será o "bilhete para sair da crise"

Próximo ano será o "bilhete para sair da crise"
Fotografia do Diário de Notícias
O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, admitiu hoje, em Brasília, que 2012 deverá ser o ano "mais difícil" dentro do plano de ajustamentos que o país está a implementar.
"O próximo ano será porventura o ano mais difícil do ajustamento que vamos realizar, mas vale a pena fazê-lo porque é o nosso bilhete para sair da crise", afirmou à Lusa o primeiro-ministro, após encontro com o presidente do Congresso brasileiro, José Sarney.
Diário de Notícias
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À cautela, eu vou comprar o bilhete de ida e volta.
http://www.dn.pt/politica/interior.aspx?content_id=2087443

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Uma machadada muito certeira para rachar de alto a baixo um Cavaco - por António Maria dos Santos

Do WEHAVEKAOSINTHEGARDEN
Carta aberta

Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou
Senhor Presidente
Há muito muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão e mais liberalidades que, pouco acostumados, aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido. Havia pequenos senãos, arrancar vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os veículos topo de gama do momento. Do alto do púlpito, que fora do Obreiro da Nação durante o Estado Novo, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado. O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de bafejados oásis de leite e mel, Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais. Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa. Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir. Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas. Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices dos pupilos, por veladas e paternais palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede. E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter. Que preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão; que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade. Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e sobrevivendo pusilânime como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
Respeitoso e Suburbano, devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika
António Maria dos Santos
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011
 
Amabilidade da Ana Goulart

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Cristina Trincheiras, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Segunda Guerra - [2 de 4] - Apocalipse - Documentário Completo

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Mafalda, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Crimes financeiros. FBI prende ex-director da Goldman Sachs sob acusações de inside trading

Rajat Gupta era um dis homens mais respeitado no mundo da alta finança
“One down, hundreds to go” (um já está, faltam centenas) foi a reacção de alguns seguidores das páginas de movimentos ligados ao Occupy Wall Street no Facebook assim que a notícia foi publicada: Rajat Gupta, ex-director da instituição financeira norte-americana Goldman Sachs, entregou-se às autoridades federais dos Estados Unidos para ser julgado por crimes financeiros.
Um dos mais respeitados nomes da elite do mundo financeiro foi detido pelo FBI na manhã de ontem, em Nova Iorque, uma hora depois de duas fontes da Goldman Sachs terem avançado sob anonimato à AFP que o ex-CEO pretendia entregar-se às autoridades – depois de ter sido indiciado por uso ilegal de informações privilegiadas para obter lucro nos mercados, o famigerado inside trading.
O FBI emitira um mandado de captura para Gupta por, entre outras coisas, ter alegadamente passado informações sobre o investimento de cinco mil milhões de dólares do multimilionário Warren Buffett na instituição em 2008 ao também multimilionário Raj Rajaratnam, condenado a 11 anos de prisão no dia 13 por um tribunal de Nova Iorque pelo mesmo crime.
Até agora, Gupta é o mais importante detido na lista do procurador-geral norte-americano Preet Bharhara, que lançou uma guerra declarada no início deste ano para deter e condenar todos os responsáveis pela actual crise económica e financeira, que estalou em 2008.
E se provas faltavam de que as instituições financeiras, banqueiros e agências de rating têm responsabilidades no problema, as chamadas registadas nos telefones de Gupta abriram portas aos investigadores.
Suspeita-se que os registos recuperados pelo FBI mostram ligações do norte-americano (nascido no Sri Lanka e ex-director do Galleon Group, um dos fundos de investimento cujo principal objectivo é obter ganhos independentemente do desempenho no mercado) a muitos outros membros da elite financeira. Mas, para já, apenas Gupta foi apanhado na rede. Gary Naftalis, o seu advogado, já referiu que este “está inocente”.
Jornal "i"
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O azar de Rajat Gupta foi não ter escolhido Portugal para desenvolver os seus negócios. Portugal é um autêntico paraíso terrestre, com boa comida, gente simpática e tolerante, com muito sol e, principalmente, com uma justiça muito benevolente para com a gente graúda. Aqui, em Portugal, políticos, banqueiros e quejandos passam impunemente ao lado das leis. E se algum deles é apanhado com a boca na botija ou com as calças na mão, rapidamente são accionadas todas as formalidades "garantísticas", que, por sua vez, conduzem ao protelamento das investigações e dos julgamentos. A parcialidade da justiça portuguesa é escandalosa. Uma certa aristocracia de um novo tipo (já não aquela que injectava no sangue tinta azul) acaba por ficar impune, em relação aos crimes de colarinho branco. Neste aspecto, pouco se evoluiu desde a Idade Média, em que as penas eram diferenciadas para cada uma das três classes em que se estruturava a sociedade.
Nos Estados Unidos não é bem assim. O seu sistema judicial não é permissivo às influências dos diversos poderes. Os últimos casos conhecidos assim o demonstram. A condição social dos suspeitos e dos arguidos não condiciona o salutar exercício de uma justiça equitativa. 
Na realidade, o azar de  Rajat Gupta foi não ter nascido em Portugal. Ficava bem no retrato, ao lado de Jardim Gonçalves, de Oliveira e Costa e de João Rendeiro. E dos políticos, nem se fala!

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Abuelita Mamen, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Segunda Guerra - [1 de 4] - Apocalipse - Documentário Completo

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Valmir Flor da Silva, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Kadafi será enterrado no deserto líbio

O corpo de Muammar Kadafi será enterrado, esta terça-feira, num lugar secreto no deserto líbio. Segundo uma fonte do Conselho Nacional de Transição, será uma cerimónia simples, com a presença de clérigos muçulmanos.
Jornal de Notícias
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Quando se decide enterrar um homem num local secreto, é porque alguém tem medo que ele venha a ressuscitar. É que há homens que poderão ter mais força na sua sepultura do que durante toda a sua vida. Foi chocante, tal como já tinha acontecido com o enforcamento de Sadam Hussein, a impúdica exibição pública do cadáver mutilado de Kadafi. Regressa-se ao tempo da barbárie, em que os vencedores exibiam triunfalmente as cabeças decapitadas dos inimigos, espetadas nas pontas das espadas e de paus. O espectáculo foi obsceno e infame. Não houve aquela piedade generosa que enobrece os vencedores, porque, aqui, os vencedores eram ao mesmo tempo criminosos.
É preciso dizer que Kadafi não foi apeado pelo seu povo. Tratou-se de uma conspiração internacional, orquestrada pelo imperialismo americano e que contou com a colaboração dos países árabes do Golfo, cujos dirigentes odiavam Kadafi. Foi a França que, desta vez, sujou as mãos, na encenação da rebelião, utilizando soldados do Qatar, que misturados com a população da região da Líbia, onde Kadafi não era popular, e apoiados pelos violentos bombardeamentos da aviação dos países ocidentais envolvidos, rapidamente empunharam armas sofisticadas para combater em terra o exército líbio.
Kadafi teve o azar de desafiar o império, não cumprindo a ordem de apenas receber dólares para o pagamento das vendas de petróleo e de ter cometido a ousadia de introduzir no sistema financeiro do seu país o padrão-ouro. Por isso, foi considerado um ditador mau. Os ditadores bons, esses, podem continuar sossegados na cadeira do poder, e violentar os seus povos, que o império não os incomodará.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Mónica Carvalho, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Micro contos: S/Título

Guardava os olhos em duas covas profundas cavadas no rosto. Num outro buraco escuro, escondia um coração negro e pesado. Os seus passos eram como um permanente caminhar pelo corredor da morte. Arrastava os pés, sulcando no chão regos onde semeava sementes de solidão de onde viriam a brotar tristeza. Chama-se Alzira, mas quase todos a chamavam velha cigana. Apesar de todo o amor que tinha para dar, todos a rechaçaram e ninguém a amou como merecia
Autor(a): Odemira

Mais qualquer coisa

Anabela Fino
«Há medidas que nos tocam nas telhas da casa, no automóvel ou nas férias, mas estas entram-nos na casa e na cozinha. Entram-nos no estômago, na saúde». As palavras do bispo emérito de Setúbal, D. Manuel Martins, não podiam ser mais singelas e no entanto, ou precisamente por isso, exprimem de modo ímpar a tragédia que ameaça submergir o País caso se concretizem as medidas constantes no Orçamento do Estado para 2012.
Ouvir alguém como D. Manuel Martins – que sempre soube dar voz aos que não têm voz – dizer que as medidas anunciadas por Passos Coelho foram «um tiro no peito» e que «este tipo de democracia não serve, é uma farsa de democracia», devia ser motivo de reflexão para todos os católicos, tenham ou não responsabilidades governativas. Porque aquilo a que se assistiu esta semana foi não só ao anúncio do mais brutal ataque às condições de vida dos portugueses e à democracia – até Cavaco Silva reconhece que estão a ser postos em causa direitos constitucionais –, mas também ao maior embuste alguma vez desencadeado pelo regime dito democrático. Já é um logro colossal dizer que «não há alternativa», mas é ainda intrujice maior pretender convencer os trabalhadores e o povo português de que este é o Cabo das Tormentas que temos de atravessar para chegar ao Cabo da Boa Esperança. As explicações do ministro das Finanças não deixam margem para dúvidas: os cortes nos subsídios de férias e de Natal dos trabalhadores da Administração Pública e das empresas públicas, dos pensionistas e dos reformados, que atingem um total de 2 milhões e 600 mil pessoas, são a forma mais rápida de o Governo reduzir despesas do Estado. Mas não dão, de forma alguma, qualquer garantia de protecção do emprego. Pelo contrário, no horizonte perfila-se o espectro de dezenas de milhares de despedimentos, que o Governo tenta escamotear sob a capa da reforma do Estado.
O mesmo se pode dizer relativamente aos trabalhadores do sector privado para quem o Executivo «propõe» um aumento da carga horária de trabalho de 2,5 horas por semana. São mais de três milhões de pessoas que de uma penada vão sofrer um corte salarial de 6,25 por cento, sendo que a medida pode provocar a eliminação de mais 250 mil postos de trabalho. Em que é que isto contribuiu para as contas públicas? Em nada. O resultado vai para os accionistas e patrões, que por esta via podem arrecadar, num ano, mais de sete mil milhões de euros.
Não terá sido por acaso que no dia seguinte ao anúncio das medidas os juros da dívida soberana portuguesa subiram em todos os prazos. Como não terá sido por acidente que o bem informado presidente do ISEG, João Duque, disse que 2013 «vai ser isto e mais alguma coisa em cima».
Ao contrário de D. Manuel Martins, esta gente fala de números, não de pessoas. Nada sabem da comida que falta na mesa, do remédio que não se pode comprar, da casa expropriada pela banca, do desespero de não ter trabalho, da dignidade roubada. São bestas ao serviço do capitalismo. Por isso mesmo é que toda a coragem é necessária e toda a resistência é legítima. Esse é o «mais qualquer coisa» que temos para dar.
Anabela Fino
In ODiario.info

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Angela Merkel oferece urso de peluche a Sarkozy


A chanceler alemã Angela Merkel ofereceu hoje ao presidente francês um urso de peluche pelo nascimento da filha Giulia na quarta-feira passada.
Diário de Notícias
***
Não foi um! Foram dois, os ursos de peluche que Angela Merkel mandou comprar numa loja de chineses, em Bruxelas. Um para a Giulia e o outro para o próprio Sarkozy.
http://www.dn.pt/inicio/pessoas/interior.aspx?content_id=2076760

Descubra as diferenças...

Se não conseguiu encontrar as diferenças, está de parabéns. É sinal que é inteligente.

domingo, 23 de outubro de 2011

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Lu Zat, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Deus é amor e o capitalismo é o seu sistema...

Retirado do Rebelión
Só não se sabe em que partido político ele vota, ou se é do Benfica ou do Sporting...

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Angela Flores, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Fábulas para as Nações Jovens: O BURRO E AS DUAS MARGENS - Fernando Pessoa

O BURRO E AS DUAS MARGENS
É costume contar-se às crianças, quando começam a estar em idade de começar a ser estúpidas, uma história a propósito de um burro que chega à margem de um rio e não consegue passar para a outra margem.
O rio não tem ponte, o burro não sabe nadar, não há barca que o transporte. O que faz o burro? Depois de algum tempo de pensar, a criança diz que desiste. E então a pessoa adulta, que lhe pôs a adivinha, diz: O mesmo fez o burro. O que devia dizer era: És como o burro, porque assim é que a graça tem graça, se é que a tem.
Mas a história não se passou assim, e foi o burro mesmo que m'a contou.
O burro chegou à margem do rio, e queria passar para a outra margem. Verificou, efectivamente, e nesse particular a história é verídica como se narra, que (a) não havia ponte, (b) não havia barco, (c) ele, burro, não sabia nadar.
Então o burro pensou: O que faria um homem no meu caso? E, depois de pensar, pensou: Desistia. Pois bem, decidiu: Sou como o homem.
Porque, nesta adivinha, ninguém pensou numa coisa: é que o homem desistia também.

Moralidade:
A política partidária é a arte de dizer a mesma coisa de duas maneiras diferentes. O melhor é dizer em segundo lugar, porque como é o homem que faz a adivinha, adiante vai o burro.

Moralidade:
Cuidado com o avesso.
Cuidado com os tecidos políticos que se podem virar do avesso.
Fernando Pessoa
**
s.d.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 270.
«Fábulas para as Nações Jovens».

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao António E. Pereira, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Blogues de António E. Pereira:

Portugal deu contributo positivo para plano de recapitalização dos bancos, diz Passos


O primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, esclareceu hoje que Portugal “não apresentou reservas” quanto ao plano para a recapitalização dos bancos, tendo até dado um “contributo bastante positivo” para a fórmula acordada em Bruxelas.
PÚBLICO
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Os bons alunos são assim. Fazem sempre o que o professor manda.
http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-deu-contributo-positivo-para-plano-de-recapitalizacao-dos-bancos-diz-passos_1517840

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao somanogg, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

O Quarto Reich: A guerra pode ter já recomeçado

A inflamada declaração de Angela Merkel, numa entrevista à televisão pública alemã, ARD, em que sugere a perda de soberania para os países incumpridores das metas orçamentais, bem como a revelação sobre o papel da célebre família alemã Quandt, durante o Terceiro Reich, ligam-se, como peças de puzzle, a uma cadeia de coincidências inquietantes. Gunther Quandt foi, nos anos 40, o patriarca de uma família que ainda hoje controla a BMW e gere uma fortuna de 20 mil milhões de euros. Compagon de route de Hitler, filiado no partido Nazi, relacionado com Joseph Goebbels, Quandt beneficiou, como quase todos os barões da pesada indústria alemã, de mão-de-obra escrava, recrutada entre judeus, polacos, checos, húngaros, russos, mas também franceses e belgas. Depois da guerra, um seu filho, Herbert, também envolvido com Hitler, salvou a BMW da insolvência, tornando-se, no final dos anos 50, uma das grandes figuras do milagre económico alemão. Esta investigação, que iliba a BMW mas não o antigo chefe do clã Quandt, pode ser a abertura de uma verdadeira caixa de Pandora. Afinal, o poderio da indústria alemã assentaria diretamente num sistema bélico baseado na escravatura, na pilhagem e no massacre. E os seus beneficiários nunca teriam sido punidos, nem os seus empórios desmantelados. As discussões do pós-Guerra, incluíam, para alguns estrategas, a desindustrialização pura e simples da Alemanha - algo que o Plano Marshal, as necessidades da Guerra Fria e os fundadores da Comunidade Económica Europeia evitaram. Assim, o poderio teutónico manteve-se como motor da Europa. Gunther e Herbert Quandt foram protagonistas deste desfecho. Esta história invoca um romance recente de um jornalista e escritor de origem britânica, a viver na Hungria, intitulado "O protocolo Budapeste". No livro, Adam Lebor ficciona sobre um suposto diretório alemão, que teria como missão restabelecer o domínio da Alemanha, não pela força das armas, mas da economia. Um dos passos fulcrais seria o da criação de uma moeda única que obrigasse os países a submeterem-se a uma ditadura orçamental imposta desde Berlim. O outro, descapitalizar os Estados periféricos, provocar o seu endividamento, atacando-os, depois, pela asfixia dos juros da dívida, de forma a passar a controlar, por preços de saldo, empresas estatais estratégicas, através de privatizações forçadas. Para isso, o diretório faria eleger governos dóceis em toda a Europa, munindo-se de políticos-fantoche em cargos decisivos em Bruxelas - presidência da Comissão e, finalmente, presidência da União Europeia. Adam Lebor não é português - nem a narração da sua trama se desenvolve cá. Mas os pontos de contacto com a realidade, tão eloquentemente avivada pelas declarações de Merkel, são irresistíveis. Aliás, "não é muito inteligente imaginar que numa casa tão apinhada como a Europa, uma comunidade de povos seja capaz de manter diferentes sistemas legais e diferentes conceitos legais durante muito tempo." Quem disse isto foi Adolf Hitler. A pax germânica seria o destino de "um continente em paz, livre das suas barreiras e obstáculos, onde a história e a geografia se encontram, finalmente, reconciliadas" - palavras de Giscard d'Estaing, redator do projeto de Constituição europeia. É um facto que a Europa aparenta estar em paz. Mas a guerra pode ter já recomeçado.
Filipe Luís
Visão de 5 de Out de 2011
Amabilidade do João Grazina
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A ideia central deste texto coincide com aquilo que aqui tenho afirmado, várias vezes: Está a nascer uma nova forma de fascismo, o fascismo financeiro da Alemanha; Angela Merkel pretende fazer com o rolo compressor do euro o que Hitler não conseguiu com os tanques e os submarinos. Se a guerra é a política por outros meios, agora, a guerra está a fazer-se através da economia.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Cristina Silva, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

Ministro recebe subsídio apesar de passar a semana em casa própria na capital

A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna
afirma que o subsídio é legal (PÚBLICO/Nuno Ferreira Santos/Arquivo)
O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, recebe todos os meses cerca de 1400 euros por subsídio de alojamento apesar de ter um apartamento seu na área de Lisboa onde reside durante toda a semana. A assessoria de imprensa do Ministério da Administração Interna (MAI) afirma que o subsídio é legal, uma vez que o governante tem a sua residência permanente em Braga.
PÚBLICO
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Este homem também é um daqueles que vem à televisão dizer que todos têm de fazer sacrifícios...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao João Afonso, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O dinheiro da Segurança Social não é do Estado. É dos pensionistas...


O Presidente da República teme que os sacrifícios pedidos aos pensionistas já ultrapassem o razoável. "Receio que possamos estar no limite dos sacrifícios. Receio que para os pensionistas, por exemplo, já possamos ter ultrapassado o limite", sublinhou Cavaco à margem do Congresso da Ordem dos Economistas.
Diário Económico
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As primeiras vítimas das medidas de austeridade, consignadas nos diversos PEC do governo de José Sócrates, foram os desempregados e os pensionistas da Segurança Social. A selecção destes dois segmentos populacionais não foi feita ao acaso. Trata-se de grupos de cidadãos muito vulneráveis e fragilizados, que já não têm capacidade de resposta. Não têm sindicatos próprios, que defendam os seus interesses específicos, nem podem fazer greves. A própria sociedade considera-os um desperdício. Por isso, exceptuando as posições assumidas pelo Partido Comunista Português e pelos dirigentes da Intersindical, ninguém de prestígio e com força mediática veio a terreiro denunciar a injustiça.
Agora, é o actual governo de Passos Coelho, que através do Orçamento de Estado, vem anunciar mais um esbulho a esses pensionistas, alinhando-os injustamente com o funcionários públicos, na suspensão dos subsídios de férias e de Natal.
No dia em que foi apresentado o orçamento do próximo ano, a vozearia dos meios de comunicação social apenas realçou a incidência dessa medida no funcionalismo público, deixando para segundo plano a situação dos reformados, que, ao contrário dos funcionários do Estado, já tinham sido barbaramente castigados por José Sócrates. Houve até a preocupação de fazer cálculos, para se perceber o impacto destas brutais medidas no seu poder de compra, preocupação que não foi extensiva à situação dos reformados da Segurança Social, cujas pensões não foram actualizadas em 2011, nem o serão nos próximos dois anos.
Mas existe uma outra dimensão do problema, de quem ninguém fala. O dinheiro dos reformados da Segurança Social não vem do Orçamento de Estado, nem dos impostos dos cidadãos. São o produto dos descontos dos trabalhadores e das suas empresas, ao longo das dezenas de anos da sua vida activa, o que retira o direito ao Estado de fazer uma qualquer apropriação ilícita, como é esta. O Estado poderá lançar impostos, sendo-lhe, no entanto, impedido fazê-los incidir sobre um grupo social em particular, a fim de respeitar a equidade fiscal, mas não pode cortar arbitrariamente os valores das pensões e suspender os subsídios aos pensionistas da Segurança Social. O que este governo está a fazer a estes pensionistas, que já se encontram no último ciclo das suas vidas, e, por isso mesmo, muito fragilizados e indefesos, é uma fraude nojenta, um inqualificável roubo e uma iníqua rapina. Este comportamento do governo de Passos Coelho não dignifica o Estado de Direito.

Nota do editor: Um leitor (ver comentários) manifestou, e com razão, o seu desagrado pelo facto deste texto apenas referir o Partido Comunista Português e a Intersindical, como as únicas forças políticas que condenaram as medidas de austeridade consignadas nos diversos PEC do governo socialista de José Sócrates. A fim de dar uma maior visibilidade à reposição da verdade, transcrevo para a página principal o o respectivo comentário da resposta:
"Tem razão o leitor, João Afonso. Por lapso, não referi o Bloco de Esquerda, que, no Parlamento, através das brilhantes intervenções do seu líder, Francisco Louçã, denunciou com firmeza as medidas de austeridade dos vários PEC do governo de José Sócrates. Teria havido, também, protestos de várias associações de cidadãos, mas cuja voz não chegou aos jornais nem às televisões. Peço, pois, desculpas aos leitores por esta lamentável omissão, que não foi intencional. Ao João Afonso, o meu agradecimento pelo seu oportuno reparo".

http://economico.sapo.pt/noticias/e-injusto-reter-subsidios-so-na-funcao-publica-diz-cavaco_129412.html  

"Vou vender um produto muito especial que é Cascais

Lili Caneças, a raínha do jet-set, em Portugal, quer
vender Cascais para pagar a dívida do país.
Fotografia do Diário de Notícias

Para seleccionar um produto português merecedor de destaque Lili Caneças não precisou de procurar muito: encontrou-o à porta de casa. "Vou vender um produto muito especial que é Cascais. Vivo em Cascais há 57 anos e se estivesse no poder acho que vender Cascais era tão fácil. Porque Cascais podia ser feito das pessoas mais interessantes do mundo", salienta.
Diário de Notícias 
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Inútil, Lili Caneças. Já se vendeu o Martin Moniz e o Intendente aos paquistaneses, e o único resultado que se obteve foi aumentar o número de putas, que não contam para a contabilidade nacional, porque não passam recibo verde.
http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=2066800

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Bem prega o Frei Tomás! Olha para o que ele diz, não olhes para o que ele faz...

Amabilidade de M. Jorge Neves
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Aqui, nestes apontamentos discursivos, Passos Coelho ainda não sabia que iria ser primeiro-ministro. Se o tivessem avisado, ele teria ficado calado.
Nota: É obrigatório divulgar este vídeo.

Ginecologia com homens

Já não é a primeira vez que a falta de camas na
unidade hospitalar de Almada é denunciada.
Fotografia e legenda do Correio da Manhã
A falta de camas no Hospital Garcia de Orta (HGO), em Almada, obriga ao internamento de homens numa área partilhada pelo Serviço de Ginecologia. É um doente que, num agradecimento aos médicos do serviço de Neurocirurgia, por lhes terem salvo a vida, acaba por denunciar a falta de camas. "Agradeço às grandes profissionais do Serviço de Ginecologia que me acolheu na recuperação pós-cirúrgica, uma vez que não havia camas na Neurocirurgia" lê-se num anúncio ontem publicado.
A medida, explica fonte do HGO, prende-se com a necessidade de aproveitar a capacidade de internamento do hospital. O HGO "garante a privacidade dos utentes". "As dificuldades de internamento são comuns a todos os hospitais e as camas não pertencem a um serviço, estão à disposição das necessidades dos hospitais." A mesma fonte acrescenta que aos hospitais é colocado um novo desafio: funcionar com menos camas e em regime de ambulatório. O objectivo é que os doentes sejam reencaminhados para casa no menor tempo possível, uma vez que estar num hospital implica um maior risco de infecção.
Em Fevereiro, o CM já tinha noticiado a presença de três homens no Serviço de Ginecologia do HGO, uma situação que causou estranheza e controvérsia entre os profissionais de saúde.
Ana Carvalho Vacas
Correio da Manhã 
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Eu até nem me importo, desde que não ponham os homens a parir.