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domingo, 9 de outubro de 2011

À falta de humanos, avançam os cães...

Uma mulher reza ao lado do seu cão. No dia de S. Francisco de Assis,
padroeiro dos animais no Brasil, os crentes levam-nos à igreja
para serem abençoados (Nacho Doce / REUTERS)
A irracionalidade da Fé não ofende a irracionalidade dos cães. Não sei, no entanto, se este será o entendimento das Sociedades Protectoras dos Animais, que poderão vir a contestar estas conversões à força.
Imagem retirada do blogue papa açordas

sábado, 8 de outubro de 2011

A verdade acerca da economia - Robert B Reich

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Tenho aqui afirmado recorrentemente que o objectivo das teorias neoliberais consiste em dar cobertura às iniquidades do sistema financeiro internacional, que tem promovido silenciosamente a tranferência da riqueza dos países pobres para os países ricos, e, em cada país, a transferência dos rendimentos do trabalho para os rendimentos do capital. O economista Robert B Reich não me deixou em mentira.

Recado de Maria da Conceição Tavares para os jovens economistas

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O discurso que irrita os neoliberais, que não querem ouvir falar da economia do bem-estar das sociedades modernas.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Processo contra antigos gestores do BCP foi anulado

O juiz António da Hora decidiu que as provas contra os antigos gestores do banco privado são nulas e não podem ser usadas em processos de contra-ordenação. Deste modo o processo foi anulado.
O processo de contra-ordenação do Banco de Portugal contra seis antigos gestores do BCP é nulo, decidiu o juiz António da Hora.
"O processo sofre uma mal-formação genética", justificou o juiz na audiência que decorreu hoje.
Há duas semanas, o juiz que está a julgar o recurso contra as penas aplicadas pelo BdP aos ex-administradores do BCP decidiu apreciar a questão da nulidade da prova, argumento invocado por alguns arguidos há vários anos.
Os representantes da defesa estavam convencidos que António da Hora ia considerar a prova nula por se tratar de documentação obtida através do crime de violação de segredo bancário, o que, alegavam, teria de resultar na anulação deste processo.
Jornal de Negócios
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Não há hipótese! Não há qualquer hipótese de condenar judicialmente os aristocratas do regime. Há sempre uma manhosice na lei, que lhes é favorável. Os projectos dos códigos e os projectos de outras leis mais complexas são elaborados, normalmente, nos grandes gabinetes de advocacia, e que, posteriormente, os governos enviam para a Assembleia da República, para aprovação. Com uma intencionalidade premeditada, os advogados desses gabinetes não se esquecem de criar alçapões ardilosos, que, no futuro, irão servir para isentar arguidos poderosos e influentes. Políticos, banqueiros, accionistas das grandes empresas e figuras gradas do regime acabam, assim, por fugir às malhas da justiça, que, por diferenciação negativa, não é igual para todos. E já não pode haver esperança que o iníquo sistema político e judicial se regenere. É urgente mudá-lo por outros processos. 

"Indignados" de Nova Iorque levam protesto a Washington

“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre na Internet,
O movimento de protesto em Nova Iorque contra as desigualdades económicas e a ganância dos especuladores financeiros ganhou novo fôlego na quarta-feira, com a entrada em cena dos sindicatos, que também marcharam na zona do coração financeiro da América.
Como um número cada vez maior de pessoas na rua, o movimento Occupy Wall Street também ganhou o apoio de estudantes em várias universidades espalhadas pelo país que abandonaram as aulas em sinal de solidariedade para com os protestos de Nova Iorque.
E agora o movimento prepara-se para levar a sua luta até Washington. Com o objectivo de combater “a máquina corporativa”, os organizadores prometem um concerto ao meio-dia e um comício da Freedom Plaza, junto à Pennsylvania Avenue, a poucos quarteirões da Casa Branca.
“Parem a máquina. Criem um Mundo Novo”, é o apelo que corre desde ontem na Internet, pedindo aos manifestantes para aparecerem com sacos-cama no local da protesto para,"DE FORMA NÃO VIOLENTA, resistir à máquina corporativa ocupando a Freedom Plaza para exigir que os recursos da América sejam investidos nas necessidades humanas e na protecção ambiental em vez da guerra e a da exploração”.
Em Nova Iorque, milhares de pessoas marcharam da Foley Square até ao Zuccotti Park, a sede dos protestos onde dezenas de manifestantes estão acampados desde o dia 17 de Setembro e onde se concentram diariamente cada vez mais “indignados”.
“A classe média está a carregar com o fardo, mas os mais ricos do nosso país não estão”, disse ao jornal Washington Post, Sterling W. Roberson, vice-presidente da Federação de sindicatos de professores.
“O mundo está virado do avesso. Estamos aqui para lutar pelas nossas famílias e pelos nossos filhos”, explicou à Reuters, Michael Mulgrew, outro dirigente da Federação de sindicatos de professores.
PÚBLICO
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Estas manifestações de protesto em Nova Iorque podem ser o inicio de um gigantesco movimento, que poderá vir a abalar a América, nos tempos mais próximos. Foi assim que começaram, na década de sessenta do século passado, os protestos dos movimentos anti-segregacionistas dos afro-americanos e os dos movimentos contra a guerra do Vietname, cuja força e determinação conseguiram mudar a sociedade americana. Os Estados Unidos não são a Grécia nem o apático Portugal. Ali, os movimentos de protesto ganham dinâmicas sociais impetuosas, com uma enorme ressonância internacional, o que obriga o poder político a recuar. Por prudência, e pondo em prática o calculismo eleitoralista, o presidente Obama, na sua reacção aos protestos, veio tentar colar-se, hipocritamente, aos objectivos do movimento Occupy Wall Street, quando afirmou que  “as manifestações reflectem a frustração do povo”, como se ele estivesse isento de culpas em relação ao agravamento das condições económicas da classe média. 
Ao contrário do que aconteceu aos recentes movimentos de protesto, em Portugal e Espanha, o Occupy Wall Street procedeu a uma identificação correcta do poder a contestar, o capitalismo financeiro, e não apenas o poder político, que, como fez Obama, vai tentar passar a imagem de que não é uma correia de transmissão dos interesses desse mesmo capitalismo financeiro, que já actua a uma escala planetária. Foi essa identificação correcta do alvo a contestar que faltou ao movimento da Geração à Rasca e aos indignados das Portas do Sol da cidade de Madrid. 
Sou levado a acreditar que o que está a ocorrer em Nova Iorque possa vir a ter repercussões na Europa, nomeadamente em Portugal, que necessita de um forte estremeção para poder ser capaz de combater a política assassina do governo do PSD/CDS, que se submeteu servilmente aos interesses do capitalismo financeiro europeu. 

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Carlos Tavares, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Grécia: Degrau em degrau até ao fracasso final...

Atenas falha metas de défice para 2011 e 2012
O Governo grego confirmou hoje (seguna feira), após uma reunião extraordinária, que não vai cumprir as metas do défice para 2011 e 2012 fixadas pela Comissão Europeia, pelo Fundo Monetário Internacional e pelo Banco Central Europeu.
Diário de Notícias- 2 de Outubro de 2011
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Zona euro deve perdoar derrapagem orçamental deste ano na Grécia
Os países da zona euro procuraram nesta segunda feira desdramatizar a derrapagem das contas públicas deste ano na Grécia, confirmando implicitamente o pagamento da tranche de 8 mil milhões de euros da ajuda externa em curso dentro de duas semanas e negando qualquer cenário de incumprimento da dívida (default).
PÚBLICO- 3 de Outubro de 2012
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Estas duas notícias, do início da semana, demonstram duas coisas:
Em primeiro lugar a falta de fiabilidade das previsões dos iluminados funcionários da troika, quanto à evolução dos indicadores macroeconómicos da Grécia, apesar da determinação do governo grego em querer impor sucessivamente, e sem qualquer êxito, as draconianas medidas de austeridade. Nem o défice orçamental vai atingir os valores previstos para 2011 e para 2012, nem a economia grega vai deixar de se degradar para além dos limites da sua própria sustentabilidade.
Em segundo lugar, também ficou demonstrado que a a ortodoxia neoliberal dos dirigentes europeus não é tão rígida, quanto parecia ser. Perante a realidade dos factos, recuaram nas suas iniciais exigências, embora não queiram, por enquanto, admitir o fracasso das suas políticas em relação aos países em dificuldades económicas e financeiras, o que demonstra que teria sido possível aos respectivos governos destes países, se, na realidade, fossem governos patrióticos, empenhados na defesa intransigente dos interesses dos seus cidadãos, ter negociado programas de reajustamento financeiro menos severos e com uma maior racionalidade económica. Mas não foi isso que aconteceu. Os governos da Grécia e de Portugal assinaram de cruz os memorandos com a troika, sem pestanejar. Colocaram-se de joelhos, numa atitude obediente e servil, e passaram a considerar o memorando da troika como a sua verdadeira bíblia.  

Discursos e impressões... ("Ditosa Pátria donde brotam tão ilustres filhos") ...

«Comemora-se em todo o país uma promulgação do despacho número Cem da Marinha Mercante Portuguesa, a que foi dado esse número não por acaso mas porque ele vem na sequência de outros noventa e nove anteriores promulgados....»
Presidente da República Portuguesa, Américo Thomaz.
- in revista Opção, ano II, n.º30
«Hoje reparei no sorriso das vacas, que estavam satisfeitíssimas, olhando para o pasto. Fiquei surpreendidíssimo por ver que as vacas avançavam, uma atrás das outras…»
Presidente da República Portuguesa, Cavaco Silva.
- in jornais e rádios
Amabilidade do João Fráguas

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Portugal invertido...

Amabilidade de Francisco Aragão, autor da imagem.
Não precisei de ouvir o vigoroso discurso de Carvalho da Silva, no final da grande manifestação dos trabalhadores portugueses, no passado dia 1 de Outubro. Esta imagem, obtida nesse próprio dia, na praça dos Restauradores, esclareceu-me. É uma verdadeira caricatura do meu país.
Os meus agradecimentos ao Francisco Aragão.

domingo, 2 de outubro de 2011

Notas do meu rodapé: Ontem, o povo saiu à rua para protestar...

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As manifestações políticas e sindicais deixaram de ser românticas. Em face do agravamento das condições de vida dos trabalhadores portugueses e da população em geral, os manifestantes já não descem a avenida, cumprindo um ritual e embrulhando a bandeira no fim da festa. A jornada de protesto deste domingo, promovida pela CGTP-Intersindical, foi uma manifestação de viragem, quer pela sua elevada adesão, quer pela mudança de atitude dos manifestantes, que já estão a sentir na pele os efeitos gravosos das medidas impostas pelo governo de direita e ditadas pelo capitalismo financeiro internacional, através da troika (UE-BCE-FMI). Vi pessoas a chorar. Vi muitas pessoas, cujo rostos já evidenciavam os sinais de profundas carências.
Carvalho da Silva, o secretário geral da CGTP, fez um discurso vigoroso, denunciando com objectividade os meandros obscuros das causas da actual crise e a perversidade das medidas de austeridade, que mais não visam do que diminuir os rendimentos do trabalho. Zurziu no Presidente da República (ver na parte final do primeiro vídeo), pondo a ridículo uma resposta de Cavaco Silva a uma jornalista, em que ele, de uma forma desastrada e infantil, mais parecendo um mau aluno que não trouxe a lição estudada, afirmou que o crescimento económico regressaria em 2013, porque era isso que estava escrito no memorando de entendimento da troika.
Mas Carvalho da Silva foi, com as suas palavras, altamente mobilizador para os trabalhadores em geral e para os jovens em particular, convidando estes a construir o seu futuro, envolvendo-se na luta geral de protesto, através da sua integração nas organizações sociais, políticas e sindicais.
Ao Partido Socialista deixou o recado de que não poderia fazer mais o jogo duplo habitual, apregoando na oposição aquilo que não fez quando foi governo.
A última semana de Outubro irá ser determinante para a continuação sequencial do protesto contra o governo do PSD/CDS. Será uma semana de greves e de mais manifestações. 
Os rios fazem-se através dos seus muito afluentes. Também o caudal do descontentamento irá engrossar com a chegada de mais portugueses descontentes e desesperados. 

O sistema educativo integra, mas integra mal...

Amabilidade do João Fráguas
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É certamente um caso extremo, que constitui uma excepção. Mas temos de admitir que a escola falhou. Salva-se uma pequena elite de bons alunos, proveniente da classe média alta. A maioria dos alunos não conseguiu alcançar os objectivos desejados, principalmente em duas disciplinas fundamentais, a Matemática e a Língua Portuguesa. E, em relação a esta última, basta passear os olhos pelo Facebook. Só se ouvem grunhidos, e tropeça-se constantemente em caracteres e rabiscos, que mais parecem hieróglifos.  Em cada palavra, a sua minhoca. Além dos erros ortográficos, das conjugações verbais mal formuladas e da pobreza de vocabulário, a maioria das pessoas não consegue exprimir por escrito um pensamento mais complexo. Um desastre! 

sábado, 1 de outubro de 2011

O Infante D. Henrique vai passar a jogar a extremo-esquerdo na Selecção Nacional


Cavaco Silva promoveu a cavaleiros  os futebolistas da Selecão Nacional

PENALTI
Com grande solenidade e divulgação pública, foi dado conhecimento da atribuição de vários graus da Ordem do Infante D. Henrique aos componentes de uma equipa de futebol, que no recente campeonato do mundo de uma categoria sub-20 alcançou o 2.º lugar.
Comendadores e Cavaleiros estiveram em S. Bento para receberem das mãos do Presidente da República a respectiva condecoração, e o país, indiferente como vai sendo hábito nestas e noutras questões, terá entendido tal atribuição como justa, salvo algumas reacções discordantes de cidadãos ofendidos.
Não é o meu caso. Cidadão atento e sempre aberto a todas as lições que os grandes senhores desta “Pátria minha Amada” me queiram dar, tenho estado alerta a este “contexto” das cerimónias envolvendo condecorações, particularmente quando partem da presidência da República.
Foi assim com o Dr. Jorge Sampaio, que na ânsia de não deixar ninguém descontente (esqueceu-se de mim!) terminou o seu consulado impondo às mãos cheias as mais diversas ordens e desordens, contemplando, quando já esgotada a lista telefónica nacional, algumas das figuras que não tinham sequer telefone conhecido. Foi assim com a Maria do Ó, com o Januário cauteleiro, a Xica da esquina, a Noémia, florista do Martin Moniz, a Micas do intendente, o Manel engajador, o Duarte, poeta desertor, e tantos outros e outras cujos nomes encheram dez páginas de papel A4.
Passou esse reinado de D. Jorge, “o Sentimental” e eis que sobe ao trono D. Aníbal “o Continuador”.
Entendeu S.Exª premiar os jovens futebolistas com o grau de cavaleiro, ainda que a jogarem com os pés ficaria melhor o grau de infante. Efectivos, suplentes, massagistas, médicos e farmacêuticos, dirigentes, cabeleireiros, cozinheiros, maqueiros e roupeiros, todos foram agraciados, porque em meia dúzia de jogos a equipa conseguiu a fantástica proeza de chegar à final e aí perder sem apelo nem agravo.
Tentando minorar o profundo desgosto e sempre atento aos problemas sociais dos cidadãos, nada melhor do que abrir os salões de Belém para uma apoteótica recepção a quem tanto fez pela pátria, arriscando a vida e o menisco, na defesa das fronteiras da grande área, durante tão longas pelejas contra inimigos com outras capacidades, outro armamento, outro orçamento, outras fontes de recrutamento e outro PIB.
Um pequeno senão: havia que verificar se os contemplados saberiam quem fora o Infante D. Henrique, não se desse a circunstância de algum curioso jornalista, após a cerimónia, lhes colocar alguma pergunta inconveniente.
Todos satisfeitos com as respostas que aqui se deixam transcritas para complemento desta pequena crónica: o primeiro, coçando a cabeça meio pintada de amarelo, respondeu que “dada a semelhança de apelidos estava tentado a dizer que era filho de Afonso Henriques”; outro, mais avançado na escola, embora ainda não tivesse dado a matéria, porque beneficiando do estatuto de alta competição estava desobrigado de assistir às aulas, respondeu que fora um antigo ponta de lança que jogou no “Ponta de Sagres Futebol Clube”; outro mais, ainda incomodado com a recente tatuagem gravada à volta do umbigo, com a inscrição “Amo-te Adélia”, respondeu que estava na dúvida “entre ser neto do Carmona ou primo de Gilberto Madail”.
Mais estimulantes foram as palavras de D. Aníbal, salientando que se a sorte tivesse sorrido a tão briosos cavaleiros e se tivessem alcançado o almejado triunfo final, a condecoração teria sido o Grande Colar da Torre e Espada, e isto, porque para os que tombam mesmo em defesa da pátria, a recompensa, e a título póstumo, que lhes estará reservada, passará a ser a Medalha de Mérito Desportivo.
José Pires de Lima
Oficial da Reserva Naval
Fonte: A Voz da Abita (na Reforma)
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Uma peça de humor brilhante, que merece ser divulgada, tal é a sua força devastadora, ao explorar o ridículo da caricata decisão de atribuir diversos graus das Ordem do Infante D. Henrique a jogadores de futebol, cujo o único mérito que lhes é reconhecido é o de terem conseguido a proeza de fazer migrar os seus neurónios para os pés.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Isaltino Morais detido

Isaltino Morais começa a experimentar as delícias da prisão
O presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais, foi detido esta tarde por agentes da PSP em sua casa e  encontra-se agora preso no estabelecimento prisional anexo à directoria nacional da Polícia Judiciária em Lisboa.
O autarca deveria ter comparecido às 20h de hoje na inauguração de um monumento evocativo dos 250 anos do município, que se estão a celebrar, mas a cerimónia foi cancelada à última hora.
Isaltino tinha sido condenado na primeira instância a sete anos de prisão efectiva pelos crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção passiva e ainda ao pagamento de uma indemnização de 463 mil euros ao Estado.
Posteriormente, o Tribunal da Relação de Lisboa reduziu a pena de prisão efectiva para dois anos, considerando provados apenas os crimes de branqueamento de capitais e fraude fiscal e baixando ao mesmo tempo o valor da indemnização para 197 mil euros.
Numa terceira fase, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a pena de dois anos de prisão, mas mandou repetir o julgamento — que ainda está para ser marcado — relativamente aos crimes de corrupção passiva de que o arguido vinha acusado. Ao mesmo tempo, repôs a indemnização ao Estado no valor inicialmente fixado pela primeira instância.
Isaltino Morais aguardava neste momento resposta aos dois recursos que tinha interposto para o Tribunal Constitucional, contestando as decisões do STJ. Terá sido a decisão do Constitucional, que ainda não foi tornada pública, a determinar a execução da pena a que o autarca estava condenado.
O advogado de Isaltino, Elói Ferreira, vai requerer amanhã um pedido de habeas corpus no sentido de evitar que o autarca passe o fim-de-semana na cadeia. A defesa alega que o autarca foi detido ilegalmente, por a juíza que ordenou a detenção ter ignorado a existência de recursos ainda pendentes e que, por isso, suspendem a decisão do Supremo Tribunal de Justiça.
PÚBLICO
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COMENTÁRIO
Isaltino Morais exerceu o cargo de presidente da Câmara Municipal de Oeiras durante vários mandatos. Ficou célebre naquelas eleições locais, em que ele e mais dois autarcas, Avelino Ferreira Torres e Fátima Felgueiras, para espanto e indignação do país, conseguiram a reeleição nos seus cargos, apesar de já se encontrarem na situação de arguidos por suspeita de crimes de corrupção e branqueamento de capitais, entre outros. Além disso, Isaltino Morais, uma figura emblemática do PSD, tinha sido ministro do Ambiente no governo mais patético que Portugal teve, o de Santana Lopes. E recordo aqui o que ele me disse numa entrevista para o jornal A Capital sobre este enfant terrible do PSD, a propósito das suas constantes diatribes contra as várias lideranças do seu próprio partido. "Enquanto não o deixarem ser primeiro-ministro, ele (Santana Lopes) não os vai deixar em paz", confidenciou-me Isaltino Morais.
Tratando-se do concelho mais rico do país, medido pelo rendimento per capita dos munícipes, e beneficiando da proximidade de Lisboa, não foi difícil a Isaltino Morais lançar uma obra urbanística de grande envergadura, a tal ponto que todas as aldeias do concelho, com o seu casario rústico, ficaram cercadas pelo cimento e pelo tijolo, com algumas a serem engolidas pela voragem da construção. E foi no cimento e no tijolo que Isaltino Morais sujou as mãos. Quando foi descoberta a sua conta na Suíça, ele tentou justificar-se que o dinheiro era de um seu sobrinho, que lhe tinha pedido para ser o respectivo titular, o que este negou. Foi a partir daí que, em Portugal, começou na política a guerra entre tios e sobrinhos, pois, poucos anos depois, também o tio de José Sócrates desmentiu publicamente o seu sobrinho, no célebre caso do Freeport. Perante tantas fidelidades familiares traídas, os políticos portugueses passaram a renegar os seus tios e os seus sobrinhos, não fosse o diabo tecê-las. 

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O impacto de um asteróide

Amplie a imagem para a tela inteira (canto inferior direito)
Amabilidade do João Fráguas
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Será a próxima brincadeira de deus. Ele vai fartar-se de gozar!...
A realização deste filme é notável, quer em termos cinematográficos, quer em termos científicos. Os geólogos e os vulcanólogos, devido aos avanços da Ciência, já conseguem fazer uma previsão muito precisa, do que aconteceria, se um desatre destes ocorresse. Nã há certezas, mas julga-se que há 60 milhões de anos, um asteróide colidiu com a Terra, na zona onde se situa hoje o golfo do México, tendo sido esta a causa do desaparecimento repentino dos dinossauros, cuja cadeia alimentar foi quebrada, devido à enorme camada de cinzas que cobriu o planeta.

A resposta merecida...

Retirado do blogue 5DIAS.net

Ministério cancelou prémios de 500 euros a dias de entregá-los aos melhores alunos do país


O prémio de mérito no valor de 500 euros, que distingue os melhores alunos dos vários cursos do ensino secundário de cada uma das escolas do país, foi suspenso pelo actual Governo.
A notícia apanhou ontem de surpresa todos os directores das escolas das regiões Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, que já tinham comunicado aos vencedores que depois de amanhã, no "Dia do Diploma", receberiam o cheque, numa cerimónia aberta às comunidades. Representantes dos directores e dos pais dizem-se "chocados" e classificam a medida como "frustrante e desmotivadora" para os alunos.
PÚBLICO
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Andam a enganar as criancinhas. Qualquer dia, comem-nas, para não darem despesa.

O símbolo @ (arroba)

Durante a Idade Média os livros eram escritos à mão pelos copistas. Precursores dos taquígrafos, os copistas simplificavam seu trabalho substituindo letras, palavras e nomes próprios por símbolos, sinais e abreviaturas. Não era por economia de esforço nem para o trabalho ser mais rápido (tempo era o que não faltava, naquela época!). O motivo era de ordem econômica: tinta e papel eram valiosíssimos. Assim, surgiu o til (~), para substituir o m ou n que nasalizava a vogal anterior. Se reparar bem, você verá que o til é um enezinho sobre a letra. O nome espanhol Francisco, também grafado Phrancisco, foi abreviado para Phco e Pco – o que explica, em Espanhol, o apelido Paco, comum a quase todo Francisco. Ao citarem os santos, os copistas os identificavam por algum detalhe significativo de suas vidas. O nome de São José, por exemplo, aparecia seguido de Jesus Christi Pater Putativus, ou seja, o pai putativo (suposto) de Jesus Cristo. Mais tarde, os copistas passaram a adotar a abreviatura JHS PP, e depois, simplesmente, PP. A pronúncia dessas letras em sequência explica por que José, em Espanhol, tem o apelido de Pepe. Já para substituir a palavra latina et (e), eles criaram um símbolo que resulta do entrelaçamento dessas duas letras: o &, popularmente conhecido como e comercial em Português, e ampersand, em Inglês, junção de and (e, em Inglês), per se (por si, em Latim) e and. E foi com esse mesmo recurso de entrelaçamento de letras que os copistas criaram o símbolo @, para substituir a preposição latina ad, que tinha, entre outros, o sentido de casa de. Foram-se os copistas, veio a imprensa - mas os símbolos @ e & continuaram firmes nos livros de contabilidade. O @ aparecia entre o número de unidades da mercadoria e o preço. Por exemplo: o registro contábil 10@£3 significava 10 unidades ao preço de 3 libras cada uma. Nessa época, o símbolo @ significava, em Inglês, at (a ou em). No século XIX, na Catalunha (nordeste da Espanha), o comércio e a indústria procuravam imitar as práticas comerciais e contábeis dos ingleses. E, como os espanhóis desconheciam o sentido que os ingleses davam ao símbolo @ (a ou em), acharam que o símbolo devia ser uma unidade de peso. Para isso contribuíram duas coincidências: 1 - A unidade de peso comum para os espanhóis na época era a arroba, cuja inicial lembra a forma do símbolo;2 - Os carregamentos desembarcados vinham frequentemente em fardos de uma arroba. Por isso, os espanhóis interpretavam aquele mesmo registro de 10@£3 assim: dez arrobas custando 3 libras cada uma. Então, o símbolo @ passou a ser usado por eles para designar a arroba. O termo arroba vem da palavra árabe ar-ruba, que significa a quarta parte: uma arroba ( 15 kg , em números redondos) correspondia a ¼ de outra medida de origem árabe, o quintar, que originou o vocábulo português quintal, medida de peso que equivale a 58,75 kg . As máquinas de escrever, que começaram a ser comercializadas na sua forma definitiva há dois séculos, mais precisamente em 1874, nos Estados Unidos (Mark Twain foi o primeiro autor a apresentar seus originais datilografados), trouxeram em seu teclado o símbolo @, mantido no de seu sucessor - o computador. Então, em 1972, ao criar o programa de correio eletrônico (o e-mail), Roy Tomlinson usou o símbolo @ (at), disponível no teclado dessa máquina, entre o nome do usuário e o nome do provedor. E foi assim que Fulano@Provedor X ficou significando Fulano no provedor X. Na maioria dos idiomas, o símbolo @ recebeu o nome de alguma coisa parecida com sua forma: em Italiano, chiocciola (caracol); em Sueco, snabel (tromba de elefante); em Holandês, apestaart (rabo de macaco). Em alguns, tem o nome de certo doce de forma circular: shtrudel, em iídisch; strudel, em alemão; pretzel, em vários outros idiomas europeus. No nosso, manteve sua denominação original: arroba.
Amabilidade do amigo Campos de Sousa

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Margarida Jorge, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

domingo, 25 de setembro de 2011

Notas do meu rodapé: É impossível federar a Europa, nem essa seria a solução para os países mais pobres.


O que George Soros está a propor (ler o texto do post anterior) é uma solução federalista para União Europeia, à semelhança da existente no ordenamento político dos EUA. Em abstracto, essa solução seria ideal, mas os arreigados nacionalismos não podem ser ultrapassados por decreto nem pelos tratados entre os vários governos. Razões de ordem histórica e as diferenciações culturais e linguísticas, e até a própria geografia, constituem-se em obstáculos intransponíveis a esse projecto unificador. Todas as tentativas de unificar a Europa fracassaram. De Carlos Magno a Hitler, e passando por Napoleão, ninguém conseguiu domar o apego dos povos europeus à sua independência e à sua identidade.
Oe líderes fundadores da então CEE bem pensaram nisso, mas, prudentemente, arrepiaram caminho, preferindo seguir um caminho integrador por etapas. Ainda estavam bem vivas as feridas da II Guerra Mundial, para colocar de pé a ideia de formar os Estados Unidos da Europa. E, nos tempos actuais, também não existem condições para concretizar tal desiderato. Isto não quer dizer que o objectivo não possa ser alcançado por uma via camuflada, sem os povos perceberem, aproveitando a crise das dívidas soberanas, talvez, até, provocada intencionalmente. George Soros não é o primeiro a preconizar a centralização da política orçamental de todos os países do euro num organismo da UE, que também, em exclusividade, teria o poder de emitir títulos de dívida (os eurobonds), que se destinariam a financiar as necessidades dos estados membros. Fica por demonstrar se esta iniciativa, uma vez institucionalizada, iria ser bem aceite pelos agentes dos mercados de capitais, que não deixariam, certamente, de a considerar artificial e enganadora. O que se sabe, com toda a certeza, é que uma qualquer medida federalizadora, que retire a competência orçamental aos estados membros, não é vantajosa para os países com economias mais débeis (Portugal e Grécia). Seria um erro a somar a outro erro, o da adesão à moeda única, cuja criação obedeceu essencialmente aos interesses da Alemanha, que assim conseguiu atrair capitais, com que financiou a sua economia, tendo, ao mesmo tempo, criado uma enorme reserva para poder emprestar aos países do sul da Europa. Para Portugal, uma moeda de câmbio elevado, revelou-se uma opção desastrosa, embora as forças do establishment omitam, por conveniência, tal juízo de valor. A subida constante do endividamento de Portugal (o do Estado e o dos bancos) e a acumulação dos défices orçamentais iniciaram-se precisamente a partir da adesão ao euro. A competitividade da economia diminuiu e as exportações não cresceram ao ritmo desejado. Como as importações aumentaram, Portugal somou ao défice orçamental, o défice comercial e o défice da balança de pagamentos. A economia ficou de tal modo fragilizada, que não aguentou o impacto da crise de 2008. O país ficou mais pobre, e mais pobre irá ficar se as cruéis medidas de austeridade prosseguirem. Com a taxa de produtividade baixa (é o verdadeiro calcanhar de Aquiles da economia portuguesa), os dirigentes europeus e os nacionais apostam no aumento da competitividade, através da diminuição do valor dos salários reais. Mas por esta via, o crescimento da economia através do aumento das exportações será muito lento e exíguo, o que vai obrigar a contrair, durante muito tempo, novos empréstimos para pagar os actuais. E mesmo que a ideia dos eurobonds avance, Portugal não poderá esperar complacentes benevolências da Alemanha e dos outros países ricos europeus. Eles saberão, tal como os actuais credores, aproveitar a oportunidade de cobrar juros altos e compensadores, Não nos esqueçamos que todo o sistema financeiro internacional foi concebido para operar a transferência da riqueza dos países mais pobres para os países mais ricos, e, dentro de cada país, para efectuar essa transferência do mundo do trabalho para o mundo do capital.

George Soros: "A crise europeia é mais perigosa que a de 2008"

O investidor George Soros acredita que "a crise europeia é mais perigosa que a de 2008", porque nesse ano a comunidade internacional dispunha dos instrumentos e das autoridades necessárias para resolver os problemas. Já nesta crise, "a Zona Euro ainda está a construir" as suas instituições.Poru
Num seminário organizado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a crise na Zona Euro, Soros a disse que a União Monetária precisa de um Ministério das Finanças comum com capacidade de endividamento. Na sua visão é preciso uma instituição que, por um lado, garanta, com credibilidade, que tem capacidade de acudir a países em dificuldades e de ter dinheiro e legitimidade política para comandar um combate à crise. Por outro, precisa de resolver o problema de várias dívidas públicas e uma só moeda.
No seu entender o “Fundo Europeu de Estabilidade Europeia é um embrião desse ministério das finanças” europeu, defendendo que se por acaso o FEEF ganhar o poder para se endividar no mercado então estarão lançadas de forma indirecta as polémicas obrigações europeias (eurobonds).
Soros deu um sinal de esperança na resolução da crise imediata – até porque a quebra do euro implicaria o colapso do sistema financeiro internacional - mas traçou um cenário negro para o futuro de médio e longo prazo.
“A crise europeia poderá acabar por ser controlada, mas temo que se siga uma contracção de grande dimensão do crédito e dos orçamentos”, frisou o presidente da "Soros Fund Management".
O seminário sobre a crise na Zona Euro contou, ainda, com Gao Xiqing, o presidente do fundo soberano chinês, Olli Rehn, comissário europeu, Nemat Shafik directora-geral adjunta do FMI e Vítor Gaspar, ministro das Finanças português.
Dinheiro Vivo

sábado, 24 de setembro de 2011

Marinho Pinto diz que não vai "perdoar nem um centavo" ao Estado

Bastonário da Ordem dos Advogados- Marinho Pinto
Ordem dos Advogados toma posição sobre dívidas aos advogados oficiosos
O bastonário da Ordem dos Advogados, Marinho Pinto, afirmou este sábado que vai tomar "acções judiciais contra o Estado" e que "não vai perdoar nem um centavo dos juros da dívida [cerca de 30 milhões de euros] que o Estado tem para com os advogados oficiosos".
Correio da Manhã
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No regime esclavagista, o escravo trabalhava sem receber uma remuneração, derivada de um contrato individual, livremente aceite por ambas as partes. O seu proprietário apenas lhe garantia o mínimo da sua subsistência. Os advogados oficiosos portugueses nem a isso têm direito. São autênticos escravos do Estado. E ainda queremos ser designados como um país moderno e civilizado. A barbárie já está instalada.

Parlamento chumba taxa à banca, bens de luxo e mais-valias


Diplomas tinham sido apresentados pelo PCP na Assembleia da República, mas não convenceram a maioria de direita.
O Parlamento chumbou esta sexta-feira várias iniciativas do PCP sobre a taxação extraordinária da banca, maiores empresas, bens de luxo e mais-valias mobiliárias.
Os comunistas pretendiam uma taxação adicional em 25 por cento do IRC no sector bancário, financeiro e grandes grupos económicos, mas o projecto-de-lei foi rejeitado por todas as restantes bancadas parlamentares.
Também chumbado foi o diploma do PCP que veiculava uma tributação adicional sobre a aquisição e detenção de automóveis de luxo, iates e aeronaves. Neste caso, os votos favoráveis dos comunistas, Bloco de Esquerda e PS não foram suficientes, pois a maioria PSD/CDS chumbou a iniciativa.
A tributação das mais-valias mobiliárias realizadas por Sociedades Gestoras de Participações Sociais (SGPS), Sociedades Gestoras de Capitais de Risco e diversos fundos de investimentos. Este diploma foi chumbado pela maioria de direita.
Os comunistas também pretendiam criar uma nova taxa aplicável às transacções financeiras realizadas em bolsa, mas viram chumbada esta pretensão pela oposição parlamentar.
Foram também rejeitados pelos partidos, os projectos comunistas que previam a criação de uma sobretaxa extraordinária em sede de IRC; a fixação em 21,5 por cento de uma taxa às mais-valias mobiliárias, em sede de IRS; a criação de um novo escalão para rendimentos colectáveis acima dos 175 mil euros, incluindo juros e dividendos de capital; a tributação adicional do património de luxo com uma alteração no Imposto sobre as Transacções Onerosas e o Código do Imposto sobre Imóveis;
Também o Bloco de Esquerda viu dois projectos-de-lei sobre matéria fiscal serem rejeitados pelo Parlamento. Os diplomas pretendiam a inclusão das mais-valias em IRS e a sua tributação a empresas.
Agência Financeira
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A direita e o Partido Socialista estiveram à altura da sua missão histórica: a de defenderem os interesses do grande capital. Ficaram desmascarados com esta iniciativa do PCP. Amanhã, não venham os seus dirigentes dizer que são defensores indefectíveis dos trabalhadores. Afinal, o que os separa do soba da Madeira é apenas uma questão de estilo. Na hipocrisia são iguais.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Hevelyne, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

O encerramento da urgência psiquiátrica do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, gera protestos dos médicos.


Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM
NOTA À IMPRENSA

O encerramento da urgência psiquiátrica do Hospital Curry Cabral
e as suas consequências para os doentes.

Em consequência do programado encerramento da urgência do Hospital Curry Cabral no próximo mês de Outubro, a urgência de Psiquiatria do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Lisboa (CHPL) a funcionar nesta unidade hospitalar, passará para a urgência do Hospital de Santa Maria, funcionando de forma conjunta com a actual urgência psiquiátrica deste hospital.

Assim, importa sublinhar as seguintes questões fundamentais:

1- De forma precipitada, associa-se o atendimento de uma população de cerca de dois milhões de habitantes, actualmente servidos pela urgência de psiquiatria a funcionar no Hospital Curry Cabral, ao atendimento de cerca de 350 mil, realizado no Hospital de Santa Maria.

2- Na urgência de psiquiatria do Hospital Curry Cabral dispunha-se de uma equipa constituída por 2 psiquiatras e 2 enfermeiros com prática de urgência psiquiátrica por turno, e de instalações adequadas, constituídas por 2 gabinetes para observação de doentes, 9 camas de SO (serviço de observação), onde se procurava estabilizar os doentes antes do transporte para o CHPL. Era frequente as camas de SO encherem ao longo das 12h diurnas de urgência, condicionando o transporte dos doentes do HCC para o CHPL após devidamente estabilizados.

3- O que nos é agora proposto é a ausência de uma sala de observações (porque o Hospital de Santa Maria nunca a teve) e a diminuição no número e na qualificação do pessoal de enfermagem (1 enfermeiro não especializado/turno), o que significa um marcado retrocesso no desenvolvimento da qualidade do atendimento aos doentes psiquiátricos.

4- Para a concretização desta urgência alargada e conjunta de Psiquiatria, está prevista a escala de um médico do CHPL e de um médico do Hospital de Santa Maria em cada doze horas, quando até aqui se encontravam escalados três médicos – dois no Hosp. Curry Cabral e um no Hosp. Stª Maria/12h.

5- A urgência de Psiquiatria do Hosp. Curry Cabral atende doentes da área de responsabilidade do CHPL, cobrindo ainda o atendimento dos doentes da região sul do Tejo, onde não existe urgência de Psiquiatria (Beja). Constitui, ainda, recurso para outras regiões onde o escasso número de médicos psiquiatras impossibilita o funcionamento permanente do serviço de urgência (Faro, Portimão, Almada, Portalegre, Setúbal) ou quando o número de camas hospitalares de psiquiatria se torna insuficiente para a cobertura à população.

6- A urgência de Psiquiatria do Hosp. Curry Cabral atende uma média de 30 doentes psiquiátricos/dia e uma média anual entre os 11.000 a 12.000 doentes. Interna uma média de 243 doentes/mês (8,1/dia) e realiza o maior nº de Internamentos Compulsivos, ao abrigo da Lei de Saúde Mental (30,4/mês).

7- De forma precipitada determina-se o funcionamento da nova urgência psiquiátrica em contentores, sem sala de observações (SO) e sem enfermagem psiquiátrica.

8- A especificidade dos doentes psiquiátricos de urgência, muitos deles agitados e agressivos, recusando internamento voluntário, determina a necessidade de ambientes tranquilos e adequados (segundo normas internacionalmente estabelecidas) e de equipas técnicas com formação, de forma a controlar as situações que podem oferecer risco para o doente e/ ou para terceiros. A prática do Hosp. Stª Maria, onde os doentes psiquiátricos permanecem nas mesmas salas de observação com doentes com outros tipos de patologia física, mostra claramente a falta de condições adequadas para servir os doentes psiquiátricos de urgência criando, ainda, um risco adicional de segurança para todos.

9- Como apoiar o elevado número de doentes que esta junção de urgências determina, sem apoio de uma equipa de enfermagem especializada e com prática de urgência psiquiátrica? Quem administra a prescrição das terapêuticas psiquiátricas, sobretudo em situações de agitação? O recurso às figuras de autoridade naquilo que é a prática clínica psiquiátrica, não deve ser generalizado e vulgarizado, só devendo ser usado em situações limite. A prática da psiquiatria de urgência deve ser garantida através do funcionamento de uma equipa médica e de enfermagem coesa e em condições físicas apropriadas ao seu funcionamento, de acordo com regras internacionais.

10- Questionamo-nos sobre onde vão permanecer os doentes em observação psiquiátrica até à estabilização clínica e aqueles que aguardam resultados de métodos complementares de diagnóstico ou de avaliação do foro médico. Como vamos garantir que os doentes estão psiquiatricamente capazes de serem transferidos? Como garantir a segurança do transporte para o CHPL?

11- Esta forma precipitada de associar duas urgências, ignora ainda que a grande maioria dos doentes observados na urgência de Psiquiatria do Hosp. Curry Cabral apresentam como hospital de referência para cuidados médicos/cirúrgicos gerais, o Hosp. de S. José e não o Hosp. de Stª Maria, o que irá determinar o transporte através da cidade de Lisboa de doentes psiquiátricos que necessitem, em simultâneo, de cuidados médicos ou cirúrgicos, pois é previsível que os médicos internistas e de outras especialidades não possam observar doentes fora de área de atendimento.

Está claramente em causa a qualidade de cuidados prestados, criando-se um retrocesso nas condições de funcionamento do serviço de urgência psiquiátrica, com a ausência de condições físicas/humanas adequadas.
É exigido aos médicos psiquiatras que façam urgência em condições que irão levar à má prática médica e ao desrespeito pelos direitos fundamentais dos doentes mentais.
Como tal, há que denunciar a leviandade desta decisão, que não atende aos pressupostos mínimos de garantia de qualidade de cuidados prestados, não garante a humanização do serviço nem a segurança de doentes/ terceiros, o que constitui um retrocesso ao século XIX na forma como os cuidados em Psiquiatria e Saúde Mental são encarados.
Os médicos psiquiatras não podem assumir qualquer responsabilidade decorrente da falta de condições deste serviço, no que respeita à má prática médica que daqui poderá decorrer, nem por qualquer acontecimento que possa colocar em risco a integridade dos doentes ou terceiros.
O Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM desenvolverá todos os esforços para que tais medidas gravosas não sejam implementadas e se desencadeie um processo de reflexão célere sobre as soluções mais adequadas às necessidades de prestação de cuidados numa área tão delicada como a psiquiatria.
Simultaneamente, serão adoptadas firmes iniciativas de denúncia pública de medidas deste tipo que são atentatórias dos direitos dos cidadãos.

Lisboa, 22/9/2011

A Direcção do Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM
***
NOTA: Tijolo a tijolo, o governo, ao serviço da troika, vai desmantelando cirurgicamente o Serviço Nacional de Saúde. Os cortes são feitos às cegas, numa visão estritamente financeira, e não acautelando a qualidade dos serviços médicos e de enfermagem. O acesso dos utentes aos centros de saúde e aos serviços hospitalares já está a transformar-se num pesadelo social. Muitos doentes irão morrer precocemente por falta de assistência médica atempada. Os portugueses estão a ser confrontados com a sonegação de um direito básico, consignado pela Constituição - o direito à Saúde - que, presumo, ainda está em vigor. O Ministério da Saúde está a implementar uma política assassina e cruel, em obediência aos interesses do capitalismo financeiro.

JENNIFER RUSH - 'THE POWER OF LOVE' 1984

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à TS, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

RUINAS DE CONIMBRIGA



Conimbriga: uma reconstituição virtual


Amabilidade do João Fráguas
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A cidade romana de Conimbriga, perto de Condeixa-a-Nova, pertencia à província romana da Lusitânia. As suas ruínas são as mais importantes de todo o território português, quer pela informação arqueológica disponibilizada, quer pelo seu tamanho e monumentalidade, e quer, ainda, pelo seu razoável estado de conservação.
A ocupação romana ocorreu no ano 139 a.C., durante as campanhas militares comandadas pelo general e político Décimo Junio Bruto.
Durante o século primeiro da nossa era, construíram-se as grandes termas e o Forum. A muralha perimetral, com uma extensão de um kilómetro e meio, data do século IV, época em começou a verificar-se o declínio do império romano.
Entre os anos 465 e 468, a cidade sofre vários ataques dos povos bárbaros, tendo caído nas mãos dos suevos, que a saquearam.

sábado, 17 de setembro de 2011

O Beijo do Sol - de Pedro Osório

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Do meu amigo Diamantino Silva, e a acompanhar este vídeo, recebi a seguinte comunicação:

Como talvez saibam, o Pedro Osório está muito doente.Peço que lhe prestem esta pequena homenagem.
Isto é uma autêntica preciosidade Recuso-me é a chamar-lhe relíquia.
Obrigado

DE : Pedro Osório [mailto:pedroosorio@netcabo.pt[1]]

ENVOYé : dimanche 11 septembre 2011 19:58

OBJET : O meu primeiro video

Caros amigos,
Acabei de me estrear a fazer e montar um video. É um video-clip
sobre uma música de um disco meu que está para sair.
Coloquei-o no Youtube e, como sabem, só acima de um certo
número de visionamentos é que ele aparece nos motores de busca.
Peço-vos então que visitem este endereço
Talvez não se aborreçam e, se tal acontecer, por favor passem
aos vossos amigos.
Aqui fica desde já o meu agradecimento.
Pedro Osório

I miei abbracci..​.

Amabilidade da Dalia Faceira
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O simples abraço que pode mudar o mundo por breves instantes. É um abraço emocionante, ao qual ninguém pode ficar indiferente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Tribo na Papua Nova Guiné encontra o homem branco pela primeira vez (1976)

Amabilidade do Campos de Sousa, que enviou este vídeo.
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Um registo raro do encontro da actual civilização com a sua ancestralidade genealógica. O momento mágico da descoberta, onde se misturou o medo e o espanto perante a novidade nunca vista. Foi preciso usar as mãos para desfazer as dúvidas daquilo que o olhar via. Foi preciso tactear os músculos dos braços e apalpar o cabelo, para reconhecer identidades gémeas. E, depois, foi a alegria da descoberta das maravilhas, nunca suspeitadas. Foi difícil aceitar a imagem do rosto, devolvida pelo espelho, que mais parecia um feitiço, e que, por isso, espalhava o terror . Foi difícil apurar o paladar para a comida exótica. Os gestos eram toscos e descoordenados no manuseamento dos objectos esquisitos. Batiam com o punho na cabeça para exprimirem alegria e satisfação. Ficaram a saber que o mundo se estendia muito para além do território da sua vivência de recolectores e caçadores. A História, para eles, tinha parado no tempo.  

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Gardenia Lopes Guimarães, pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Fábulas para as Nações Jovens - EU, O DOUTOR - Fernando Pessoa


EU, O DOUTOR

Entrei uma tarde numa camisaria de onde gastava com o fim imaginado de comprar uma gravata. O caixeiro que estava livre de freguês, e que há muito me conhecia, cumprimentou-me alegremente: «Boa tarde, senhor doutor».
«Não sou doutor» disse-lhe, e era (a) verdade. «Porque é que me julga doutor?»
«Ah, eu realmente julgava...» respondeu ele limpidamente.
Pedi gravatas, escolhi a que preferi, paguei. Nesta altura o outro caixeiro, que também de há muito me conhecia, veio para ao pé do colega.
«Boa tarde», disse eu a ambos.
Os dois caixeiros inclinaram-se amáveis e sincrónicos, e, como um só, disseram:
«Boa tarde, senhor doutor, e muito obrigado».

Moralidade.
Quando a opinião nos faz doutores, doutores temos que ser. Na vida social, somos o que os outros nos julgam, e não o que até fingidamente somos. A nossa personalidade social, para todos, ou histórica, para os célebres, é uma ideia de nós que nada tem de nós. O estadista que saiba saber isto tem a chave do domínio do mundo. Pode, é claro, faltar-lhe a porta; isso, porém, é já destino.

31-1-1932
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993.
- 269.
«Fábulas para as Nações Jovens».

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Grécia e Portugal com novos recordes de risco de bancarrota


Juros continuam subida

A acompanhar este incêndio no mercado dos cds, as yields (juros implícitos) dos títulos do Tesouro dos "periféricos" continuaram a tendência altista no mercado secundário.
Os juros dos títulos gregos a 12 meses estão acima de 117%; no caso dos juros a 2 anos fecharam em 69,55%, segundo dados da Bloomberg.
Os juros das obrigações do Tesouro português estão em alta em todas as maturidades, bem como nos títulos irlandeses.
Os juros das obrigações espanholas (OE) e dos títulos do Tesouro italiano (BTP) a 10 anos continuam a subir acima de 5%: fecharam em 5,33% para as OE e 5,57% para os BTP. A ter havido hoje intervenção do Banco Central Europeu (BCE) no mercado secundário - como alegam muitos analistas -, o seu impacto não obteve a inversão da tendência altista.
De 8 de agosto até 9 de setembro, o BCE já comprou €70,21 mil milhões em títulos soberanos de países membros no mercado secundário.
Em total contraponto, os juros dos Bunds, os títulos alemães, a 10 anos fixaram um novo mínimo histórico, em 1,74%.
EXPRESSO
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A UE já não governa a partir de Bruxelas. Todas as decisões emanam unilateralmente de Berlim. Está a nascer, na Alemanha, um novo tipo de fascismo, o fascismo financeiro. Angela Merkel quer fazer com o compressor do euro aquilo que Hitler não fez com os tanques e canhões.
http://clix.expresso.pt/grecia-e-portugal-com-novos-recordes-de-risco-de-bancarrota=f673345

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Marselha ainda é francesa?!

Clicar na imagem para a ampliar


         O PROBLEMA DA INVASÃO ISLÃMICA EM FRANÇA E EM OUTROS PAISES ´
EUROPEUS NÃO PARECE TER SOLUÇÃO E OS GOVERNOS DENTRO
DE ALGUNS ANOS SERÃO TAMBEM ISLÃMICOS.

Quer as políticas de assimilação, praticadas em França, quer a política de integração, posta em prática na Grã-Bretanha e em mais alguns países nórdicos, em relação aos imigrantes, revelaram-se um autêntico fracasso. A religião de origem da maioria destes imigrantes, a religião muçulmana, teve mais força do que as políticas dos estados e a complacência da sociedade autóctone. Os muçulmanos recusam a assimilação ou a integração e alimentam o sonho, tal como se assistiu nas ruidosas e ameaçadoras manifestações em Londres e em Paris, de fazer um ajuste de contas com o Ocidente. Esta postura é surdamente alimentada pelos sacerdotes, que, silenciosamente, trabalham no grande desígnio de um dia, pela força da demografia, imporem o islão aos europeus.
As violentas manifestações dos jovens descendentes dos abnegados imigrantes, em Paris, em 2007, e, este ano, em Londres, confrontaram as respectivas sociedades com os monstros que estavam a ser fabricados no eu seio. Mas os políticos depressa deixaram cair a discussão no esquecimento, já que se trata de uma questão melindrosa, que poderá vir a causar mais tumultos e violência, adoptando aquela atitude conformista de que quem vier atrás, que feche a porta.
Mas não são apenas causas religiosas e culturais a inquinarem as políticas de assimilação e as de integração. Os filhos dos imigrantes não querem ocupar os empregos dos pais. Como estudaram, fazendo a escolaridade obrigatória, por vezes aos tropeções, anseiam empregos mais qualificados, que a sociedade lhes nega. O gueto e a marginalidade são a solução. Solução enganadora, que irá no futuro rebentar na boca dos europeus.
Fotografias enviadas pelo João Fráguas

domingo, 11 de setembro de 2011

Por que razão a Islândia deveria estar nas notícias, mas não está? - por Deena Stryker


Os povos que já se encontram sob ataque do FMI devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.
É por isso que já não aparece nas notícias.

A história que um programa de rádio italiano conta acerca da revolução que decorre na Islândia é um exemplo impressionante de quão pouco os media nos dizem sobre o que se passa no resto do mundo. Os norte-americanos lembrar-se-ão de que no início da crise financeira de 2008, a Islândia caiu literalmente na bancarrota. As razões foram mencionadas apenas de passagem e, desde então, este membro pouco conhecido da União Europeia caiu de novo no esquecimento.
Há medida que um país europeu atrás do outro atinge ou fica próximo de atingir a bancarrota, pondo em perigo o Euro e com repercussões para o mundo inteiro, a última coisa que os poderes em questão querem é que a Islândia se torne um exemplo. Eis a razão:
Cinco anos de um regime puramente neo-liberal fizeram da Islândia (população de 320 000 habitantes, sem exército) um dos mais ricos países do mundo. Em 2003 todos os bancos do país foram privatizados e, num esforço para atrair o investimento estrangeiro, passaram a oferecer serviços on-line, cujos custos reduzidos lhes permitiram oferecer taxas internas de rendibilidade relativamente elevadas. Estas contas, designadas “IceSave”, atraíram muitos pequenos investidores ingleses e holandeses. Mas, à medida que os investimentos cresciam, também a dívida externa dos bancos aumentava. Em 2003, a dívida islandesa equivalia a 200 vezes o seu PIB e, em 2007, era de 900%. A crise financeira de 2008 foi o golpe de misericórdia. Os três principais bancos islandeses, o Landbanki, o Kapthing e o Glitnir caíram e foram nacionalizados, enquanto o Kroner perdeu 85% do seu valor em relação ao Euro. No final do ano, a Islândia declarou a bancarrota.
Ao contrário do que se poderia esperar, da crise resultou que os islandeses recuperaram os seus direitos soberanos, através de um processo de democracia participativa directa, que acabou por conduzir a uma nova Constituição. Mas só depois de muito sofrimento.
Geir Haarde, primeiro-ministro de um governo de coligação social-democrata, negociou um empréstimo de dois milhões e cem mil dólares, ao qual os países nórdicos acrescentaram mais dois milhões e meio. Mas a comunidade financeira internacional pressionou a Islândia a impor medidas drásticas. O FMI e a União Europeia quiseram apoderar-se da sua dívida, alegando que este era o único caminho para que o país pudesse pagar à Holanda e ao Reino Unido, que haviam prometido reembolsar os seus cidadãos.
Os protestos e as revoltas continuaram, acabando por forçar o governo a demitir-se. As eleições foram antecipadas para Abril de 2009, resultando numa coligação de esquerda, que condenou o sistema económico neoliberal, mas logo cedeu às exigências daquele, de acordo com as quais a Islândia deveria pagar um total de três milhões e meio de Euros. Isto exigia que cada cidadão islandês pagasse 100 euros por mês (cerca de US $ 130) por quinze anos, a juros de 5,5%, para pagar uma dívida contraída por particulares perante particulares. Foi a gota de água que fez transbordar o copo.
O que aconteceu depois foi extraordinário. A crença de que os cidadãos tinham que pagar pelos erros de um monopólio financeiro, que uma nação inteira deveria ser tributada para pagar dívidas privadas caiu por terra, transformando a relação entre os cidadãos e suas instituições políticas, e acabando por trazer os líderes da Islândia para o mesmo lado dos seus eleitores. O Chefe de Estado, Olafur Ragnar Grímsson, recusou-se a ratificar a lei que teria feito os cidadãos da Islândia responsáveis pelas dívidas seus banqueiros, e aceitou o repto para um referendo.
É claro que isto apenas fez com que a comunidade internacional aumentasse a pressão sobre a Islândia. O Reino Unido e a Holanda ameaçaram com represálias terríveis, que isolariam o país. Quando os islandeses foram a votos, os banqueiros estrangeiros ameaçaram bloquear qualquer ajuda do FMI. O governo britânico ameaçou congelar poupanças islandesas e contas correntes. Como afirmou Grimsson: “Foi-nos dito que, se recusássemos as condições da comunidade internacional, nos tornaríamos na Cuba do Norte. Mas, se tivéssemos aceitado, ter-nos-íamos tornado antes no Haiti do Norte.” (Quantas vezes escrevi que quando os cubanos olham para os problemas do seu vizinho, o Haiti, consideram que têm sorte.)
No referendo de Março de 2010, 93% dos islandeses votou contra o pagamento da dívida. O FMI imediatamente congelou o seu empréstimo. Mas a revolução (apesar de não ter sido transmitida nos EUA), não se deixaria intimidar. Com o apoio de uma cidadania em fúria, o governo colocou sob investigações civis e penais os responsáveis pela crise financeira. A Interpol lançou um mandado internacional de captura para o ex-presidente do Kaupthing, Sigurdur Einarsson, à medida que outros banqueiros envolvidos no crash fugiram do país.
Mas os islandeses não pararam por aí: decidiram elaborar uma nova constituição que iria libertar o país do poder exagerado da finança internacional e do dinheiro virtual. (A que vigorava havia sido escrita quando a Islândia ganhou sua independência à Dinamarca, em 1918, sendo que a única diferença relativamente à Constituição Dinamarquesa a de que a palavra “presidente” a palavra substituiu a palavra “rei”.)
Para escrever a nova constituição, o povo da Islândia elegeu 25 cidadãos, de entre 522 adultos que não pertenciam a nenhum partido político, mas recomendados por pelo menos trinta cidadãos. Este documento não foi obra de um punhado de políticos, mas foi escrito na Internet. Reuniões da Constituinte são transmitidas on-line, e os cidadãos podem enviar os seus comentários e sugestões, vendo o documento tomar forma. A Constituição que resultará deste processo participativo e democrático será submetida ao Parlamento para aprovação depois das próximas eleições.
Alguns leitores lembrar-se-ão de que a crise agrícola da Islândia do século IX foi tratada no livro de Jared Diamond que tem esse nome. Hoje, esse país está a recuperar do colapso financeiro de forma exactamente oposta àquela geralmente considerada inevitável, como foi confirmado ontem pela nova presidente do FMI, Christine Lagarde, a Fareed Zakaria. Foi dito ao povo da Grécia que a privatização de seu sector público é a única solução. Os povos da Itália, da Espanha e de Portugal enfrentam a mesma ameaça.
Estes povos devem olhar para a Islândia. Recusando curvar-se perante os interesses estrangeiros, este pequeno país afirmou, alto e a bom som, que o povo é soberano.
É por isso que já não aparece nas notícias.

Traduzido por André Rodrigues P. Silva
In ODiario.info