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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Um poema ao acaso: Ondas do mar de Vigo


ONDAS DO MAR DE VIGO

Ondas do mar de Vigo,
Se vistes meu amigo?
E ai Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado
Se vistes meu amado?
E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo,
e por que eu sospiro?
E ai Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado,
e por qu’ hei gran cuidado?
E ai Deus, se verrá cedo!

Martin Codax
(século XIII)

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: VIVAMOS, LÉSBIA MINHA; E AMEMO-NOS


VIVAMOS, LÉSBIA MINHA, E AMEMO-NOS

Vivamos, Lésbia minha, e amemo-nos,
E os murmúrios dos velhos mais ressabiados
Consideremo-los todos como um simples tostão.
Os dias podem morrer e nascer,
Mas se esta nossa breve luz morrer
Nós dormiremos uma só noite sem fim
Dá-me mil beijos, e mais cem;
Dá-me outros mil, e mais cem;
Depois, mais uns mil, e mais cem.
E quando, enfim, os tivermos dado aos milhares,
Para esquecer tudo, baralhemos as contas,
De modo a que ninguém com mal possa invejar-nos
Um número de beijos tão grande.

Catulo
(87 a.c.? – 54 a.c.)
..
Tradução de Gena e Filippo Montera
.
Nota: Catulo rompeu com a tradição poética ligada à mitologia greco-romana e iniciou, com outros poetas, um processo de transformação estética e literária, com a poesia centrada na alma humana, no amor e nos sentimentos. Cícero, em sentido pejorativo, designáva-os por poetas novos.

Opinião: Quando a política se afasta da Ciência e da Técnica *

O conceito de país, que temos tanta dificuldade em abandonar, devido "a questões culturais", como, por exemplo, a língua, remonta aos tempos bárbaros em que os conflitos eram resolvidos quase exclusivamente através de guerras. Curiosamente, apesar de desactualizado, este conceito ainda molda a forma de pensar da maioria da população: se o meu país estiver bem "economicamente" e "financeiramente" (termos propositadamente vagos e, na verdade, pouco ligados ao bem-estar da população), então, a probabilidade de eu estar bem "economicamente" e "financeiramente" é elevada. Historicamente, foi o nacionalismo (exacerbado) que levou à primeira guerra mundial, e, consequentemente, à segunda. Portanto, deveria existir uma profunda reflexão sobre se o conceito de nações é o mais adequado, nos tempos actuais, para o bem-estar da população (mundial).
E este tema levará inevitavelmente ao conceito da governação e da tomada de decisões. Em primeiro lugar, nunca existiu nem existe nenhuma verdadeira democracia: o poder foi e é ocupado e mantido pelas elites intelectualmente/financeiramente capazes. No tempo presente, há um "chicote invisível" que nos faz trabalhar e que é manipulado, e de certa forma ocultado, pela elite dominante: o sistema monetário. A ignorância sobre o que o sistema monetário verdadeiramente é e implica é tão grande que a maior parte das pessoas pensa que a inflação é uma coisa positiva. Na verdade, é um imposto invisível que pagamos por utilizar dinheiro. Com isto, quero concluir que a organização social que temos hoje em dia é essencialmente a mesma do que a do império romano, há 2000 anos atrás. Mas então o que é que mudou desde aquela época? A vida do cidadão comum é bastante diferente do que a do cidadão comum romano há 2000 anos. A ÚNICA diferença é a existência de ciência e tecnologia. São estas as duas coisas que melhoram realmente a qualidade de vida das populações. Não é a política e não é a economia (ainda que haja uma correlação entre economia e evolução tecnológica). A política baseia-se em opiniões. Quando a maioria dos problemas que "realmente" existem são de carácter técnico, porque é que havemos de ter os ignorantes (em ciência e tecnologia) políticos a emitirem as suas opiniões e tomarem decisões?
Aproveitei o exemplo da notícia deste post para tentar com que as pessoas reflictam sobre os três conceitos que a notícia envolve: país, dinheiro e decisões políticas. Três conceitos muito antigos, que nunca sofreram actualizações, nem nunca foram objecto de estudo "verdadeiramente" científico.
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João (de Castro) Mota
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* Título da responsabilidade do editor
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Nota do Editor: João (de Castro) Mota é meu sobrinho. É um jovem de 23 anos que, neste momento, é doutorando numa prestigiada universidade norte-americana. Mas não foi pelos laços sanguíneos nem pelas suas elevadas habilitações, que eu resolvi trazer para a primeira página o texto do seu comentário, deixado no post anterior, onde se referia a intenção da comissão europeia de pretender lançar um imposto sobre os cidadãos do espaço comunitário, ao mesmo tempo que se explicava a natureza e as intenções ocultas dessa anunciada medida. O texto vem para a primeira página por mérito próprio, já que explora, numa perspectiva original, o conflito de interesses dos políticos, subordinados aos poderes dominantes, e a evolução das sociedades, que movidas pelo desenvolvimento tecnológico, exigem as rupturas que os políticos tentam travar à nascença.
Talvez este texto tenha sido inspirado por aquilo que actualmente está a acontecer no nosso país, em relação ao Orçamento de Estado de 2011, onde a conflitualidade entre as necessidades da sociedade portuguesa e a subjugação aos interesses dos credores internacionais é flagrante, ao ponto de se poder dizer que se trata de um orçamento centrado exclusivamente no défice e na dívida soberana e que sacrifica as perspectivas futuras, que a geração actual e as gerações vindouras terão de pagar.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Bruxelas propõe a criação de IVA europeu para financiar orçamento da UE

A Comissão Europeia pôs hoje sobre a mesa várias
opções para criar novas fontes de financiamento
para o orçamento da União Europeia e reduzir as
contribuições dos Estados nacionais, entre as quais
a criação de um IVA (imposto sobre o valor
acrescentado) europeu.
...O objectivo é "reduzir as contribuições dos Estados",
explicou a Comissão em comunicado.
PÚBLICO
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Esta proposta, a criação de novos impostos, que pretende justificar-se com a falácia da dicotomia Estado/cidadãos, visa alcançar alcançar, encapotadamente, três objectivos essenciais:
1º- Promover, através da diminuição dos rendimento disponível dos cidadãos, que o aumento de impostos a pagar vai provocar, a redução dos custos de trabalho, a via mais fácil para aumentar a competitividade. Procura-se assim assegurar o crescimento económico à custa do empobrecimento das populações.
2º- Dar início, paulatinamente, à concretização da ideia federalista da União Europeia, começando a concentrar nas instâncias comunitárias funções que pertencem ao foro da soberania dos estados.
3º- Transferir para a comissão europeia, que não vai a votos, o ónus da responsabilidade do agravamento das condições de vida dos trabalhadores.
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Sabendo que o IVA é o imposto mais injusto dos sistemas fiscais, porque não incorpora o conceito da proporcionalidade equitativa, a proposta da comissão europeia procura salvaguardar a intocabilidade dos rendimentos do capital industrial e financeiro, cujos respectivos detentores são os verdadeiros mandantes desta e de outras propostas daquela comissão.

Notas do meu rodapé: Uma grande crise que nos vai levar ao inferno

Quando, em finais de 2008, o banco americano Lehman Brothers encerrou as portas com um enorme estrondo, iniciando um processo de sucessivas falências de outros bancos americanos e fazendo cair a pique os títulos das bolsas em todo o mundo, os dirigentes políticos e os economistas ligados ao sistema apressaram-se a dizer que a crise era exclusivamente financeira e que tinha por causa o super-endividamento das famílias e o excesso de oferta dos bens habitacionais. Fingiram ignorar que por detrás desta evidência havia uma outra obscura realidade, que procuraram esconder. Não era vantajoso para a credibilidade do sistema capitalista neo-liberal, assumir erros e fracassos. Por outro lado, esta explicação falaciosa permitiu ao governo americano assumir, sem a contestação da opinião pública, que não estava minimamente informada sobre a situação, a plena justificação para, do erário público, retirar milhões e milhões de dólares para injectar no sistema financeiro, que tinha ficado sem liquidez, devido à queda dos activos usados na especulação financeira. Com esta decisão, premiaram-se os culpados da crise, absolveram-se os dirigentes políticos e penalizou-se o contribuinte.
Na análise então efectuada, ocultou-se a verdadeira causa da crise, que era essencialmente económica, já que, durante o último quarto do século passado, operou-se uma enorme mudança na economia mundial com a transferência do investimento produtivo, ligado à indústria para a Ásia. E esta crise, os Estados Unidos não a resolveram. Já há quem fale que se avizinha mais uma forte crise, maior do que a que rebentou em 2008 e 2009.
Por sua vez, a a União Europeia - que não tinha sido muito afectada pela crise dos bancos americanos, mas cuja economia apresentava os mesmos dilemas da americana, em relação ao sector industrial, não percebeu a heterogeneidade das diferentes economias dos países que a compõem, e que apresentam diferentes graus de desenvolvimento - não fez o trabalho de casa, e deixou-se apanhar na armadilha do euro e da dívida soberana dos países do sul. Os rigorosos planos de austeridade, que estão a ser aplicados nos países com mais problemas orçamentais e com maiores derrapagens da dívida soberana, vão provocar a agudização de uma crise económica, marcadamente recessiva, com graves repercussões ao nível do desemprego e das desigualdades sociais. A perspectiva aponta para o definhamento da Europa.
Em Portugal, além de se debater com os mesmos problemas da Europa, com uma quebra muito acentuada da produção industrial, devido às falências e às deslocalizações, tem o grande problema da sua fraca competitividade, da existência de um Estado gordo e preguiçoso e da baixa qualificação dos trabalhadores portugueses. Com a aplicação do chamado PEC 3, que ficará consagrado no Orçamento de Estado de 2011, Portugal não vai conseguir sair tão cedo de uma crise recessiva, que irá afectar o índice do seu desenvolvimento em relação aos seus parceiros e aos seus concorrentes e transferir dos custos da crise para as gerações futuras.
Quando se chegar a 2013, todos irão andar de candeia na mão à procura da economia.
Poderemos dizer, recorrendo à astrologia, que se aproxima uma conjugação desfavorável dos astros, que irá desencadear uma gigantesca crise internacional, em cadeia. Portugal será um dos países em que essa crise terá maior impacto.

Um Poema ao Acaso: O menino


O menino

Obedece à verdade e não ao arco-íris,
a beleza queima mais que o fogo,
disse o velho pai. Obedece à verdade,
caminha como fazem os príncipes, nunca deixes
que os teus sapatos sejam mais largos que o teu pé;
não te dobres para levantar dinheiro do chão,
levanta-te, sim,
para dobrares o dinheiro.
Não te curves sobre o triunfo dos outros,
mas sim sobre o teu fracasso.
E se não me entenderes ou se algo para ti for confuso:
sai de casa,
e encontrando alguém observa-o longamente como um cientista
ou um apaixonado.
E só depois fala. E só depois age.
O menino fez então silêncio,
coçou uma borbulha irritante do joelho,
e depois nada disse: ficou calado a pensar noutra coisa.

Gonçalo M. Tavares

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Book - a revolução tecnológica !

Amabilidade da Dalia Faceira, que enviou este vídeo

Não me admiraria nada que o primeiro ministro, José Sócrates, se deixe seduzir por esta revolucionária inovação tecnológica e substitua o Magalhães pelo Book. Suspeito que muita boa gente deitasse para o lixo os iPod e começasse à procura desta novidade desconhecida.

domingo, 17 de outubro de 2010

Sócrates desafia PSD a dar “cheque em branco” ao país

O primeiro-ministro, José Sócrates, apelou ao líder
parlamentar do PSD para “desfazer o tabu” e “dizer
não à insegurança e incerteza”, ou seja, revelar qual
a posição dos sociais-democratas sobre a votação do
Orçamento do Estado. “Não é dar um cheque em
branco ao Governo, mas ao país”, rematou o primeiro-
ministro, em resposta a Miguel Macedo.
PÚBLICO
***
Esta notícia reporta ao período em que ainda não era conhecido o Orçamento de Estado, nem o seu relatório. E se se a relevamos aqui, com dois dias de atraso, é apenas para destacar o descaramento do primeiro-ministro em andar a pedir cheques em branco a toda a gente, para depois sacar o dinheiro que quiser e a quem quiser. E é o que está a acontecer. O verdadeiro saque já começou e não vai parar. Para o ano ainda vai haver mais.
http://www.publico.pt/Política/socrates-desafia-psd-a-dar-cheque-em-branco-ao-pais_1461101

Aquelas loucas praias de 1900-1920!...

Esta fotografia escandalizou a sociedade da época, mais pelo
que se podia adivinhar, do que pelo que se conseguia ver.
*

O saiote do fato de banho das senhoras não podia subir mais
de doze centímetros, a partir do joelho. Diligentes funcionários,
de fita médica em punho, procediam a medidas rigorosas.

*

Naquele tempo, ainda não havia o IVA
e os burros podiam frequentar a praia
sem pagar estacionamento.
*

As viagens low coste faziam-se de burro. A palha
e o desgaste das ferraduras eram pagas à parte.
*

Esta menina ganhou o prémio Miss Praia. Não
foi possível arranjar melhor.Era um tempo de crise.
*

Era nesta pose que os homens faziam peito às mulheres.

*

Na praia, os veraneantes podiam explorar petróleo,
à beira mar, através de uma plataforma petrolífera.
*
A praia, durante a baixa-mar,
tranformava-se numa praça de touros.
*

A minha tia Rosalina negou-se a tomar banho de mar,
por ter-se esquecido de trazer o sabonete

Amabilidade de Mário Jorge Neves, que enviou as imagens.

Uma fotografia ao acaso

Foi por causa desta fotografia, que vi em miúdo, que eu fiquei com um fraquinho pelas enfermeiras... Até já cheguei ao ponto de simular uma doença , só para as ver, na enfermaria de um hospital, a esvoaçar à minha volta como nuvens, leves e ligeiras, envoltas na alvura diáfana das suas batas.
Muito se especulou se esta célebre fotografia, que deu muitas voltas ao mundo, resultou da captação de uma imagem de uma cena espontânea, que o hábil fotógrafo, num golpe cheio de oportunidade, aproveitou, ou se obedeceu a um aturado trabalho de encenação. Cá por mim, inclino-me pela segunda hipótese, já que as figuras em segundo plano parecem não ter sido apanhadas de surpresa pela objectiva, pelos indícios da postura exibida, que as mostra como espectadoras expectantes, divertidas com a originalidade e o ineditismo do que estavam a ver .

sábado, 16 de outubro de 2010

Uma fotografia ao acaso...

Estas duas belas mocinhas estão prontas para dar tudo pelo défice e pela Pátria.

Governo quer apresentar proposta de alteração da Lei de Imprensa

O Governo pretende apresentar em 2011 uma
proposta de alteração à Lei de Imprensa, segundo
a versão preliminar do Orçamento do Estado para
o próximo ano.
O objectivo é “contribuir para o incremento das
condições de transparência e pluralismo dos órgãos
de comunicação social”, refere o documento, no âmbito
das actividades da Presidência do Conselho de Ministros.
PÚBLICO
***
Alterar a Lei de Imprensa é uma obsessão permanente de José Sócrates. Já no seu primeiro mandato, as duas primeiras iniciativas legislativas que fez avançar, envolviam a alteração daquela lei fundamental da comunicação social e a alteração das férias judiciais, esta última logo entendida como um ataque aos juízes e aos magistrados do Ministério Público. Mais tarde, perante os diversos escândalos em que ele apareceu envolvido, percebeu-se perfeitamente qual a sua secreta intenção. Seria daqueles dois importantes pilares que o perigo poderia surgir. E foi realmente isso o que veio a acontecer. Se a Lei de Imprensa tivesse sido consagrada, tal como a proposta do governo pretendia, em que se pretendia arrasar o princípio da protecção das fontes de informação dos jornalistas, em sede judicial, todos aqueles escândalos facilmente seriam controlados. Tratava-se de reintroduzir a censura, embora de uma forma encapotada. Também a nível judicial, o governo pretendia, para efeitos de investigação criminal, impor o princípio de oportunidade, o que permitiria, caso fosse consagrado, escolher à pinça, por via administrativa e por decisão unilateral do Procurador Geral da República, um cargo de escolha governamental, o que deveria ser investigado prioritariamente.
Agora, aproveitando oportunisticamente a discussão e a aprovação do Orçamento de Estado, inclui-se naquele documento, de forma aberrante, uma lei que não tem nada a ver directamente com as finanças públicas. Também aqui a intenção é clara. O objectivo é diluir esta proposta no emaranhado das questões económicas e financeiras, tentando assim anular a previsível reacção negativa dos jornalistas, caso a Lei de Imprensa fosse dicutida autonomamente.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

As fotografias do meu descontentamento: A Guerra do Vietname



Há pesadelos que a memória nunca mais consegue apagar. A ignomía e a brutalidade a tornarem cada vez mais ténue a frágil fronteira entre a vida e a morte.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sinais exteriores de riqueza!...

É aos moradores deste tipo de prédios que José Sócrates deve sacar dinheiro para cobrir o défice orçamental. Quem exibe antenas parabólicas deste tipo, é porque tem mais de 100 mil euros em contas bancárias.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Notas do meu rodapé: O euro tem futuro?

Megafundo para estabilizar o euro "provavelmente tornar-se-á permanente
.MMMm.
O megafundo europeu para a apoiar os países
da zona euro em dificuldades, criado na sequência
da crise da dívida grega, deverá ser tornado
permanente, afirmou hoje em Lisboa o comissário
europeu responsável pelo orçamento da União
Europeia, Janusz Lewandoski.
PÚBLICO
***
Tornar o provisório em definitivo é uma especificidade portuguesa, que, pelos vistos, já contaminou a União Europeia. Pelo menos, já temos alguma coisa com que nos orgulhar, além do Cristiano Ronaldo e do Mourinho.
Mal foi conhecida a intenção de institucionalizar de forma permanente o Fundo de Estabilização do Euro, criado em Maio passado, para acudir à aflição grega, a chanceler Angela Merkel veio imediatamente afirmar que não estava para aí virada, ao mesmo tempo que exigia a aplicação de sanções muito pesadas aos países que não equilibrassem as suas contas públicas, de acordo com o Pacto de Estabilidade e Crescimento. Sendo o maior contribuinte da União Europeia, a Alemanha não está disposta a suportar os excessos dos países indisciplinados, onde se inclui Portugal.
Mas a institucionalização daquele fundo é uma inevitabilidade, já que, desde o início da sua fundação, a moeda única europeia enferma de um defeito congénito, que consiste na ausência de uma política orçamental centralizada, dirigida e coordenada por quem administra e emite essa moeda. A institucionalização daquele fundo vai conduzir inevitavelmente a um aumento de poderes da comissão europeia, que vai querer aprovar os orçamentos anuais de cada país, antes da sua apresentação aos respectivos parlamentos nacionais. Este é um primeiro passo para a emergência da pulsão federalista europeia, com o BCE a centralizar uma única dívida soberana e a elaborar, em colaboração com cada estado da zona euro, um orçamento europeu, comum a esses estados. Deste modo, a avaliação de risco da dívida soberana exercer-se-ia apenas, ao nível daquele orçamento comum. A ideia, numa visão estritamente económica, tem toda a razão de ser, já que quem emite moeda tem de controlar o orçamento, até para poder jogar com as variáveis da desvalorização e valorização, de acordo com a competitividade da economia e da necessidade de estimular as exportações e impor constrangimentos às importações. Mas esta tarefa centralizadora vai ter de enfrentar muitos obstáculos, uns, de natureza económica, uma vez que o estadio de desenvolvimento é diferente em cada país e os seus interesses estratégicos também não são coincidentes, e outros, de natureza política, devido aos nacionalismos entranhados em cada país.
E é devido a estas enormes dificuldades estruturais, que muitos acreditam que o euro não tem condições para sobreviver no futuro.

O regabofe continua!...

Tacho para a cunhada de José Sócrates
.
Cunhada de Sócrates é assessora na EPAL
.
A EPAL, empresa pública tutelada pelo Ministério do Ambiente, contratou em Junho deste ano, já em plena derrapagem das contas públicas, a cunhada do primeiro-ministro para assessora do conselho de administração. A admissão de Mara Mesquita Carvalho Fava, irmã de Sofia Fava (ex-mulher de José Sócrates), nos quadros da EPAL ocorreu após quase dois anos como trabalhadora da empresa a recibos verdes. A cunhada de José Sócrates terá um salário mensal bruto de 2103 euros, acrescido de 21,5% do ordenado por isenção de horário de trabalho.O ingresso de Mara Fava nos quadros da EPAL foi revelado pelo próprio jornal da empresa: na edição de Junho de 2010 do ‘Águas Livres’, na coluna Movimento de Pessoal, indica-se que foram admitidas Mara Fava e Mariana Barreto Dias de Castro Henriques, mulher de Jorge Moreira da Silva, ex-secretário de Estado do Ambiente, ex-consultor do Presidente da República e vice-presidente do PSD.
A Comissão de Trabalhadores, em resposta ao CM, assume que o assunto "é falado entre os trabalhadores da EPAL e em termos nada abonatórios para os envolvidos directa ou indirectamente na sua admissão, assim como para a justificação do vencimento mais isenção de horário de trabalho".
COMENTÁRIO: Assessora de um assessor!!!! looooooooooooooool 2103€ + 452€ (21,5%) = 2555€ por mês!!! Para quem era precária....de um momento para o outro não é nada mau!!! É para isto que servem os Institutos Públicos, Empresas Públicas e Municipais, Fundações...
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Este texto foi rebido por email e foi publicado na íntegra.

Maurice Bejart- Bolero de Ravel

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Uma peça coreográfica de rara beleza, explorando o sincronismo de duas linguagens, a musical e a corporal, e servida por uma execução técnica perfeita. O desenho coreográfico, bem balizado pelos batimentos musicais, e com uma exactidão de movimentos, como se fossem traçados a régua e esquadro, amplia a dimensão estética do conjunto.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Função Pública

*
Umas aulas de Canto no Conservatório, com a respectiva avaliação, não seriam demais para afinar a voz a esta meia dúzia de funcionários públicos. E com uma partitura diferente, claro. Eu aconselharia a optarem pelo canto gregoriano.

Portugal já se transformou num circo: Ministro das Finanças Suíço fala sobre Portugal

Depois do justificado alerta do leitor e amigo João Grazina, este vídeo foi retirado, pois não foi possível comprovar a sua fidedignidade. A justificação sobre a decisão de manter o texto encontra-se no comentário de agradecimento, endereçado ao João Grazina, a quem mais uma vez agradeço a oportuna intervenção. Aos leitores, o pedido de desculpa pelo erro cometido.
Alexandre de Castro
***
Eu já afirmei aqui várias vezes que Portugal não podia ter um primeiro-ministro sob suspeita permanente e com o qual o chefe do principal da oposição já se recusa a reunir a sós. Se já é humilhante, perante a Europa e perante o mundo, exibirmos a nossa indigência e inépcia, mais grave é ainda proporcionarmos motivos para o espectáculo da chacota universal.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma pedrada no charco num país que está a afundar-se...


A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos. Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

PÚBLICO, 21-06-2010

Sugestão do João Fráguas

Infertilidade: Tratamentos na Maternidade Alfredo da Costa “brutalmente” interrompidos após circular da tutela


As mulheres que estão a fazer tratamentos de
infertilidade pela segunda vez este ano na
Maternidade Alfredo da Costa (MAC) estão a ver
o processo “brutalmente” interrompido por
determinação da tutela, mesmo aquelas que já
receberam várias injecções hormonais.
PÚBLICO
***
O governo renunciou à destruição por implosão do Serviço Nacional de Saúde, como pretendia o PSD. Optou por destruí-lo tijolo a tijolo, para não levantar muita poeira..
O governo também já fez saber que o princípio da não retroactividade das medidas para combater défice apenas se aplica às situações de quem está acumular pensões e vencimentos. Só nos casos futuros, é que aquela acumulação não será permitida. Em todas as outras situações, aplica-se aquele princípio. Temo que nem os mortos dos cemitérios escapem à sanha do governo.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Manoel Carlos, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

domingo, 10 de outubro de 2010

Imagens inéditas do III Reich (1)


IMPRESSIONANTE A QUALIDADE DAS FOTOS TIRADAS HÁ CERCA DE 7O ANOS. III.REICH, PELA REVISTA LIFE (1939-1940)
As fotos foram feitas por um fotógrafo da Revista Life entre 1939 e 1940 em Berlin e ficaram desaparecidas por mais de 50 anos, pois esse fotógrafo americano desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua máquina fotográfica marca Rolleiflex e esses diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas) a maioria em 6 x 9 polegadas (vejam os detalhes das molduras originais dos cromos). Esses cromos foram achados por uma enfermeira alemã de um hospital em Berlin, que os guardou todos esses anos. Após a sua morte, sua filha os achou e devolveu ao atual editor americano que tem os direitos da marca Life Magazine, que já não é publicada desde o início dos anos 70. Interessante o fusca VW em 1939, um fantástico avanço tecnológico na época. E a Eva Anna Paula Braun. Exatamente como descrito no livro: "O menino do pijama listrado" - (mais bonita que as atrizes escolhidas para o papel nos filmes)
Clicar na imagem para a ampliar
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Amabilidade do João Fráguas

sábado, 9 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: Fomos apanhados a desaparecer



Fomos apanhados a desaparecer

Fomos apanhados a desaparecer
do mundo, uma noite em Madrid,
cobertos de decibéis e querosene,
depois de termos gasto metade do corpo
em tratados de tauromaquia,
massagens idiomáticas
e aulas práticas de suicídio
reversivo.
Era costume atirarmo-nos para a noite
e darmos saltos ornamentais
da plataforma da vida
para uma piscina de corpos
com menos de um metro de profundidade
e águas amarelas.
Era nítido o desejo pelo desaparecimento,
como uma aparição em ruínas.
Mas a pátria recomeçava invariavelmente no dia seguinte,
bombardeada e indiferente.

Hasta aquella fría noche de Madrid,
en una casa ubicada en la Avenida de los Aparentes,
cuando hemos por fín comprendido
la sagrada inutilidad de desaparecer.

André Domingues
(Do Amor Mau)

Os novos cavalos da GNR...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou esta imagem

Finalmente, o Governo começou a reduzir as despesas do Estado. Os animais passarão a ser alimentados com palha transgénica.

Para os membros de GREVE GERAL contra o ataque brutal - Dia 24 Novembro*

Do ataque feito aos trabalhadores e outras camadas da população que o Governo tem feito e continua a fazer consta a intenção de privatizar um conjunto de empresas que são altamente rentáveis financeiramente e socialmente necessárias para prestarem serviços no ambito do que se considera serviços publicos.Claro que a intenção do Governo é entregar estas empresas a Grupos Económicos como aconteceu com outras privatizações.Os utentes passam a pagar os serviços mais caros, há sempre redução /despedimentos de trabalhadores, serviços prestados em condiçoes defecientes e claro que muitos lucros para os futuros propriétarios que arrajam logo forma de não pagarem impostos.
Jorge Antunes Jorge
*Texto retirado do Facebook

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É preciso ter lata!...


Proibição de acumular pensão com salário só se aplica para o futuro
Primeiro sim, depois não e agora de novo sim. O Governo
recuou e, afinal, quem está a acumular salários com
pensões do Estado poderá manter-se nesta situação.
De acordo com as explicações dadas ao início da tarde pelo
Ministro das Finanças, a norma que proíbe a acumulação
de salários com pensões suportados pelo Estado só se
aplicará às situações futuras.
PÚBLICO
***
É curioso que, para os desempregados, não foi utilizado o mesmo critério, em relação ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego. Sem contemplações, as gravosas alterações introduzidas abrangeram também quem já estava a receber aquelas prestações sociais. É preciso ter lata, na verdade!
http://economia.publico.pt/Noticia/proibicao-de-acumular-pensao-com-salario-so-se-aplica-para-o-futuro_1460110

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Kaplan, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue. É uma presença da Galiza, que se junta a este painel.

Não há dúvida nenhuma: Elas é que mandam!...

Clicar na imagem para a ampliarAmabilidade do amigo João Fráguas

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mineiros chilenos.33 Homenagem (Geogirna Efigénio)

Amabilidade de Maria Alonso Seisdedos, que enviou o vídeo.

De forma admirável, do ponto de vista pictórico, e numa manifestação de homenagem, a pintora Georgina Efigénio retratou o rosto dos 33 mineiros chilenos, que, desde há dois meses, continuam presos numa mina, a 700 metros de profundidade. Um caso trágico que emocionou o mundo.
A visualização do objecto do trabalho teria sido feita, segundo creio, através das fotografias dos mineiros, publicadas nos jornais, o que aumentou o grau de dificuldade da tarefa. Para a obviar, Geornina Efigénio refugiou-se na opção do contraste do preto e do branco, o que lhe permitiu, sem defraudar o rigor das expressões faciais, prescindir da observação dos pormenores pouco significativos, detendo-se antes, e carregando-os com o seu traço vigoroso, naqueles que, por si só, marcam a identidade de cada rosto. Por outro lado, a opção pelo preto e branco reproduz melhor o ambiente escuro de uma mina. Há pois, em todas as figuras, uma força pictórica a emergir com vigor e realismo, que o jogo de sombras, bem marcadas e a alternar com o branco, reforça.
Trata-se de um trabalho artístico primoroso de técnica e de arte.
Oportuno, o enquadramento musical com a voz rouca da grande cantora argentina, Mercedes Soza, que o Alpendre da Lua homenageou no ano passado, depois de conhecida a sua morte, em 4 de Outubro.

Estudo sobre sexo oral dos morcegos vence Prémio IgNobel



Prémio IgNobel 2010 de Biologia, sobre
o lado mais divertido e disparatado da
Ciência, foi para estudo sobre sexo oral
entre morcegos. Galardão foi atribuído
pela revista "Anais da Investigação
Improvável".
Tudo o que você queria saber sobre o sexo
dos morcegos, como recolher o muco das
baleias, ou, ainda, uma maneira invulgar
de aliviar a dor humana, constam dos estudos
distinguidos na edição 2010 do prémio
IgNobel , uma paródia ao Nobel. Dez
investigadores foram apresentados como
vencedores numa cerimónia realizada no
Sanders Theatre da Universidade de Harvard,
EUA.
Sabia, por exemplo, que os morcegos fazem sexo
oral? Pois fazem. Assim o provou a equipa de
cientistas chineses liderados por Min Tan, do
Instituto Entomológico de Guandong - com a
participação de Gareth Jones da Universidade de
Bristol, Grã-Bretanha -, que acaba de receber o
prémio IgNobel na categoria de Biologia, com o
primeiro caso documentado de felação praticada
pelos morcegos.
Expresso
***
Eu não vos dizia, a propósito daquele rapaz que conseguiu fazer a proeza de meter a ponta da sua língua no seu próprio nariz, que existem inúmeras janelas de oportunidades a explorar num nicho de mercado em franca expansão? Até os morcegos já entenderam isto!

António José Seguro: portugueses “estão fartos de fazerem sacrifícios sem ver resultados"



O possível candidato à sucessão de José Sócrates
considera “inaceitável” que os sacrifícios não
estejam a ser pedidos a todos, especialmente
àqueles que mais têm.
O deputado socialista António José Seguro lançou,
na noite de terça-feira, fortes críticas ao Governo
e às recentes medidas de combate à crise financeira.
Para o presidente da Comissão de Assuntos
Económicos da Assembleia da República é
“inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos
portugueses, não sejam todos, em particular aqueles
que mais têm, a dar esse exemplo e a fazer mais
sacrifícios”.
PÚBLICO
***
António José Seguro, ao exprimir a sua opinião pessoal sobre a perversidade das medidas de combate à crise financeira, veio também dar voz aos milhares de socialistas que, ainda em silêncio, começaram já a perceber o embuste deste governo e a maquiavélica acção do primeiro-ministro José Sócrates.
Aqui, no Alpendre da Lua, em recentes artigos, temos denunciado a falta de equidade na repartição dos sacrifícios, cuja inutilidade o tempo futuro se encarregará de evidenciar. A receita neo-liberal vai conduzir o país para a ruína. Com o desemprego, previsivelmente, a subir em flecha e a pobreza a alastrar, poder-se-à chegar a uma ruptura social gravíssima.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Inovação & Desenvolvimento

Este rapaz, se começar a pôr a língua a render, enriquecerá rapidamente. Ele, possivelmente, é que ainda não descobriu a janela de oportunidade que um nicho de mercado, em franco crescimento, lhe poderá abrir.
Simplesmente, estou a utilizar o jargão da linguagem da economia. Nada mais... nem sequer, estou a expressar segundas intenções. Essas ficarão a cargo do leitor.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Homenagem à 1ª República Portuguesa

A Revolução de 5 de Outubro de 1910

Notas do meu rodapé: Economia portuguesa a caminho da anemia


As severas medidas restritivas anti-crise, que o governo tem vindo a implementar desde o início do ano, não se destinam apenas a cumprir o objectivo orçamental de correcção do défice das contas públicas, imposto pelo Programa de Estabilidade e Crescimento da União Europeia. Existe um outro objectivo oculto, que, por impopular, não é referido publicamente, e que se centra na necessidade de baixar o custo unitário do trabalho para, desta forma miserabilista, aumentar a competitividade externa.
Com o investimento público e privado em declínio e sem grandes expectativas de conseguir um significativo aumento das exportações, principalmente, devido às incertezas sobre evolução da economia espanhola, uma das principais clientes, o governo optou por assumir medidas que vão diminuir o consumo, principalmente o consumo privado. O aumento do IVA para 23 por cento é a medida mais emblemática desta estratégia. Os cortes dos apoios sociais e a anunciada intenção de passar a cobrar IRS aos reformados que, devido ao baixo valor das suas reformas, se encontravam isentos daquele imposto, aponta no mesmo sentido. Aliás foi este o conselho da OCDE, quando no seu boletim, Economic Survey of Portugal 2010, afirmava que “é necessário restaurar a competitividade da economia portuguesa mediante um aumento da produtividade e uma transferência do consumo para as exportações como motor do crescimento”.
Estamos perante uma confissão clara da incapacidade da economia portuguesa conseguir aumentar a sua competitividade externa através da inovação e desenvolvimento, quer por incúria dos últimos governos, quer pelo comodismo atávico dos empresários, que, habituados ao proteccionismo do Estado, nunca aprenderam a competir com audácia nos mercados externos nem perceberam a tempo a mudança de paradigma que a globalização impôs, de forma radical e incontornável.
Perante este quadro, a economia portuguesa irá descer nos próximos anos no ranking mundial, como resultado do empobrecimento do país. Por outro lado, os custos da estratégia deste governo irão repercutir-se ao nível do emprego e ao do agravamento da desigualdade social. Durante os próximos anos, Portugal terá de conviver com uma taxa de desemprego muito elevada e com o aumento generalizado da pobreza.

Viva a República!...

A revolução de 5 de Outubro, que implantou o regime republicano, foi também uma revolução generosa, que procurou abnegadamente devolver ao povo português a sua dignidade, que a dinastia dos braganças tinha usurpado. Por erro dos homens e pela acção dos que contra ela sempre conspiraram, não cumpriu integralmente o seu destino. Mas cumpriu a democracia!