segunda-feira, 22 de março de 2010
domingo, 21 de março de 2010
Estado mata porcos e avia remédios
está a fábrica de enchidos, a farmácia e um
matadouro. Na corrida às privatizações que
o Governo vai lançar no âmbito do Programa
de Estabilidade e Crescimento (PEC), todos
os contributos são poucos para reduzir a dívida
pública, mesmo as das origens mais improváveis,
como a fábrica de chouriços, a farmácia ou o
matadouro detidos pelo Estado.
Diário de Notícias
Diário de Notícias
***
Vendam a fábrica de chouriços e o matadouro, mas deixem lá os porcos.
Islândia: O exemplo dramático de uma economia que se baseou na especulação bolsista

Os islandeses consideram que não foram responsáveis
pelos riscos assumidos pelos bancos durante a euforia
financeira e pensam que o salvamento dos depositantes
holandeses e britânicos, feito pelos respectivos governos,
foi demasiado generoso: as pessoas sabiam que os
investimentos eram arriscados. Também dizem que não
havia regulação europeia.
Diário de Notícias
***
Em Portugal, os media têm dado pouca atenção ao que se passou na Islândia, no contexto da actual crise. E, no entanto, o que se passou naquele pequeno país escandinavo, onde os seus três maiores bancos levaram ao extremo a especulação bolsista, explica de forma eloquente a ilusão e os malefícios da economia virtual (economia de casino), que o neo-liberalismo estimulou e desenvolveu. Com a crise financeira de 2008, o mundo desabou sobre a cabeça dos islandeses, com o país a precipitar-se na bancarrota. Todos aqueles veículos, que atraíram muito investidores, muitos deles portugueses, e que garantiam taxas de retorno elevadas, perderam o seu valor. A Grã-Bretanha e a Holanda cobriram, com o dinheiro dos seus contribuintes, os depósitos dos seus respectivos bancos e empresas, que se deixaram seduzir pela miragem do lucro fácil, e contabilizou essa cobertura como dívida do Estado da Islândia. Em referendo, os islandeses recusaram assumir essa dívida, com o argumento de que não têm de pagar os prejuízos dos alarves.
***
Lista dos investidores portugueses na Islândia (Diário de Notícias)
Banco Finantia S.A. : A instituição bancária aplicou no Banco Kaupthing 53 milhões de euros.
Caixa Geral de Depósitos Banco do Estado quer recuperar os 25,6 milhões que investiu.
Crédito Agrícola Gest confiou ao banco islandês 15,3 milhões de euros.
Banco Banif: O banco de Horácio Roque aplicou 11,14 milhões.
BES Vida Companhia de Seguros: A seguradora do Grupo Espírito Santo investiu 10 milhões de euros.
BPI Vida: A companhia de seguros do grupo financeiro aplicou 3,7 milhões.
Tranquilidade: A seguradora do grupo liderado por Ricardo Salgado reclama quase três milhões de euros.
Allianz Portugal: Mais uma seguradora que se diz lesada em 2,5 milhões.
Banco BPI - Fundo de Pensões: O fundo de pensões do BPI investiu 1,77 milhões de euros.
BPN-Gestäo de Activos Sociedade: gestora entregou ao banco islandês 1,3 milhões.
Banco BPI: A instituição financeira liderada por Fernando Ulrich confiou ao Kaupthing cerca de 600 mil euros.
Santuário de Fátima Fábrica do complexo religioso investiu 10 mil euros.
Sérgio Conceição: O ex-jogador do Standard de Liège foi lesado em cinco mil euros
Caixa Geral de Depósitos Banco do Estado quer recuperar os 25,6 milhões que investiu.
Crédito Agrícola Gest confiou ao banco islandês 15,3 milhões de euros.
Banco Banif: O banco de Horácio Roque aplicou 11,14 milhões.
BES Vida Companhia de Seguros: A seguradora do Grupo Espírito Santo investiu 10 milhões de euros.
BPI Vida: A companhia de seguros do grupo financeiro aplicou 3,7 milhões.
Tranquilidade: A seguradora do grupo liderado por Ricardo Salgado reclama quase três milhões de euros.
Allianz Portugal: Mais uma seguradora que se diz lesada em 2,5 milhões.
Banco BPI - Fundo de Pensões: O fundo de pensões do BPI investiu 1,77 milhões de euros.
BPN-Gestäo de Activos Sociedade: gestora entregou ao banco islandês 1,3 milhões.
Banco BPI: A instituição financeira liderada por Fernando Ulrich confiou ao Kaupthing cerca de 600 mil euros.
Santuário de Fátima Fábrica do complexo religioso investiu 10 mil euros.
Sérgio Conceição: O ex-jogador do Standard de Liège foi lesado em cinco mil euros
sábado, 20 de março de 2010
Primeiro-ministro grego critica forças políticas que esquecem a importância do euro
“Não estamos a pedir alguém para pagar pelos nossos pecados e pelas nossas
dívidas. O que pedimos é o apoio político
contra aqueles que especulam contra nós
e eliminam a possibilidade de contrair
empréstimos em condições que nos
permitam respirar”.
George Papandreou, primeiro-ministro da Grécia
PÚBLICO
***
A apreensão do governo grego, quanto à escolha da oportunidade, por parte dos especuladores, para atacar a moeda europeia, já foi aqui referida no último comentário das Notas do meu rodapé, nos seguintes termos:"Sabe-se agora, que a Grécia, que sempre tem cumprido os seus compromissos, terá de pagar no próximo mês de Abril um empréstimo no montante de 40 mil milhões de euros, que contraiu com um juro de três por cento. O reembolso terá de ser feito através de um novo empréstimo, mas o juro a pagar passará provavelmente para seis por cento. Numa penada, e através da acção concertada com as agências de rating, os bancos credores duplicam a sua rentabilidade, que o povo grego terá de pagar".
Não é nada que, proximamente, não possa acontecer a Portugal. Apesar das medidas de austeridade anunciadas pelo executivo, Anthony Thomas, o analista da Moody, responsável pela análise do risco de crédito do Estado português, afirmou: "o programa não foi capaz de mudar a nossa opinião sobre as finanças públicas portuguesas e o nosso sentimento tem sido o de que Portugal está a passar por uma deterioração gradual das suas perspectivas de crescimento e dos seus indicadores de dívida pública. O Governo apresentou um Programa de Estabilidade e Crescimento ambicioso, mas, baseados nos desempenhos passados, não podemos ter muita confiança que possa ser inteiramente executado".
sexta-feira, 19 de março de 2010
PEC divide socialistas
Congelamento das prestações sociais abre divisões entre ministros de Sócrates
.
Mas dentro do PS há vozes dissonantes
sem receio de desobedecer ao silêncio
estipulado pelo Governo: Mário Soares,
Paulo Pedroso, João Cravinho e
Pedro Adão e Silva. Na Rádio Renascença,
Cravinho acusou o partido de ter entrado
numa "deriva à direita" que só poderá
ser evitada com "grandes alterações na
própria direcção do PS". E lamentou que
o PS tenha caído na "armadilha terrível"
que é o PEC. "Assumiu-se nitidamente
como um partido que punha acima de
tudo as mesmas medidas que um partido
de direita poderia tomar e deixou cair,
sem salvaguarda, sem cuidado, bandeiras
de esquerda que, aqui há dois meses, ainda
afirmava e que eram parte integrante
do seu programa", afirmou o antigo dirigente
socialista, partilhando assim com Mário
Soares a crítica ao esvaziamento ideológico
do partido.
...
Ontem soube-se que alguns deputados
- o independente João Galamba, Ana
Catarina Mendes, Sérgio Sousa Pinto,
vice-presidentes da bancada, José Vera
Jardim e Maria de Belém assinaram uma
declaração de voto em que estranhavam
a não adopção, no OE, de uma medida
prevista no PEC: a tributação das mais-valias.
PÚBLICO
***
E mais disse, João Cravinho: que até Paulo Portas já dava lições sobre políticas sociais de esquerda a José Sócrates.
João Cravinho, de quem se conhece a verticalidade e o seu posicionamento ideológico de esquerda, foi contundente na sua crítica, apontando o dedo acusador à falta de sensibilidade do governo para os gravíssimos problemas sociais, decorrentes da aplicação cega deste Plano de Estabilidade e Crescimento, que visa apenas corrigir o défice orçamental e diminuir a dívida pública, omitindo por completo o desenvolvimento económico e a criação de emprego.
Pauliteiros de Miranda do Douro
***
Os etnólogos inclinam-se a situar a origem da dança guerreira dos pauliteiros de Miranda nos tempos da romanização da Península Ibérica. A relativa proximidade à cidade de Leão, onde uma legião romana estava aquartelada, em permanência, teria inspirado as gentes de Miranda, que, devido ao seu isolamento do resto do país, a conservou até hoje, tal como conservou o seu peculiar dialecto, o mirandês. A gaita-de-foles ainda recua mais no tempo, pois julga-se ser uma reminiscência celta.
Nos tempos actuais, só com muito esforço e dedicação se conseguem manter vivos estes dois patrimónios culturais, a língua e o folclore. A desertificação das Terras de Miranda é irreversível. A população residente no concelho, em 2004, recuou para os valores do princípio do século XIX, 7700 habitantes, o que contrasta com os 19 mil, no início da década de sessenta do século passado.
É enorme o risco de se vir a perder o testemunho vivo de um dos mais antigos registos antropológicos, em Portugal.
Comer no McDonald's dá sempre maus resultados!...
A célebre estátua de David, de Miguel Ângelo,
foi cedida temporariamente, para uma exposição
nos Estados Unidos.
Vai regressar a Itália assim:
Imagens enviadas pelo João Fráguas, seguidor deste bloguequinta-feira, 18 de março de 2010
Notas do meu rodapé: A grande jogada dos bancos internacionais para com a Grécia

Os especuladores financeiros não hesitam, quando se proporcona a oportunidade, em tirar partido das debilidades e das fragilidades das economias, que afectam alguns países. O euro, neste momento, está a ser alvo de um ataque concertado do grande capital financeiro, servindo-se das dificuldades orçamentais e do peso da dívida pública dos países do Sul da Europa, com destaque para a Grécia. Criando artificialmente a instabilidade nas moedas, os grandes bancos especuladores procuram retirar dividendos com as variações do seu valor no mercado de capitais. Além disso, procuram criar condições para aumentarem a taxa de juro dos empréstimos futuros a contrair por esses países. Sabe-se agora, que a Grécia, que sempre tem cumprido os seus compromissos, terá de pagar no próximo mês de Abril um empréstimo no montante de 40 mil milhões de euros, que contraiu com um juro de três por cento. O reembolso terá de ser feito através de um novo empréstimo, mas o juro a pagar passará provavelmente para seis por cento. Numa penada, e através da acção concertada com as agências de rating, os bancos credores duplicam a sua rentabilidade, que o povo grego terá de pagar.
Para os gregos, a União Europeia é uma desilusão e começa a ser um enorme pesadelo, que se vai perpetuar durante muitos anos. Limitada com a política proteccionista da Alemanha, habilmente camuflada, a Grécia não poderá expandir as suas exportações e, por outro lado, como também se irá assistir a uma contracção do seu mercado interno, devido às duras medidas de austeridade, impostas pelo governo, o seu PIB sofrerá uma diminuição, assim como as receitas fiscais. O círculo vicioso instalou-se, o que está a levar o governo grego ao desespero.
Muitos economistas já advogam que a saída voluntária da Grécia da zona euro seria a melhor solução. Afirma o economista Karl Muller: "É possível que se a Grécia saísse da UE sofresse num primeiro momento um certo número de inconvenientes económicos e outros — mas se ela permanecer na UE, os inconvenientes multiplicar-se-ão consideravelmente. Os atenienses dizem que estão fartos da UE e é normal. Não confiar senão nas suas próprias forças e desfrutar da liberdade é mais digno do que levar cada vez mais uma vida de escravos".
Cuidado!.. Os hospitais ao fim-de-semana podem ser fatais!
Clicar na imagem para a ampliar
A estatística tem destas curiosidades úteis. Descobre coisas que, à vista desarmada, passam despercebidas. Quem é que iria adivinhar que nos hospitais portugueses, durante os fins de semana, ocorriam mais óbitos do que nos restantes dias, como se a morte, na sua dança macabra, se orientasse pelas oportunidades do calendário?! Foi esta realidade surpreendente que três investigadores da Escola Nacional de Saúde Pública, da Universidade Nova de Lisboa, anotaram no seu estudo.
A razão é simples e fácil de explicar. Com excepção dos serviços de urgência, nas enfermarias, o pessoal médico e de enfermagem é reduzido ao mínimo, devido ao custo elevado das horas extraordinárias, que têm de ser pagas a esses profissionais. Para cortar despesas, as administrações hospitalares, pressionadas pelo ministério, apenas garantem uma espécie de serviços mínimos, permitindo assim que a morte abrace mais alguns doentes. Numa visão perversamente economicista, que é aquela que prevalece encapotadamente nos serviços hospitalares, poupam-se mais uns euros. Garante-se a rotatividade da ocupação de camas, que conta para a produtividade, e abatem-se ao efectivo, em cada semana, umas dezenas de doentes, que, se forem reformados, até vão aliviar as contas da Segurança Social. Tudo isto a bem do défice, a nova vaca sagrada da União Europeia e deste governo, que inapropriadamente ainda usa o nome do baptismo.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Notas do meu rodapé: Merkel defende expulsão da zona euro de países que não cumpram as condições

A chanceler alemã, Angela Merkel,
admitiu hoje que um país europeu
seja obrigado, em último recurso,
a sair da zona euro se,
“repetidamente, não cumprir as
condições” necessárias para se manter
na moeda única.
PÚBLICO
***
Os países mais pobres da zona euro irão agora começar a pagar, e com juros elevados, a pesada factura da sua adesão ao euro. Se, inicialmente, esses países recolheram alguna benefícios com a abertura de novas oportunidades para as suas exportações, compostas essencialmente por produtos com pouco valor acrescentado, e cuja competitividade se baseava nos baixos custos do trabalho, a actual crise económica e financeira, que atravessou o Atlâtico, a desmentir assim todos aqueles que, por ignorância ou por sofisma, a davam como terminada, veio dar razão a todos aqueles que, na altura, alertaram para os perigos futuros da precipitada integração, que iria apenas beneficiar as economias mais fortes do Eurogrupo.
A Alemanha, a primeira economia da Europa, soube preparar a longo prazo a sua posição dominante para poder concretizar a sua ambição de se transformar numa potência imperialista, não numa base territorial, mas através da dominação económica dos outros países europeus, com base na moeda única. O euro não é mais do que o marco europeizado e o Banco Central Europeu herdou a matriz e a cultura do Deutsch Bank, quando este banco tinha as funções de Banco Central. Apostando nas exportações, a Alemanha conseguiu um alto nível de poupança, que lhe permitiu suportar a crise de 2008. Ao mesmo tempo, durante esta década, travou a massa salarial, que cresceu menos do que a média europeia, diminuindo o poder de compra dos alemães, o que se reflectiu na diminuição das suas importações, e causando problemas nas balanças comerciais dos países que têm a Alemanha como seu principal cliente, o que é o caso de Portugal e da Grécia.
Perante o recente ataque especulativo sobre o euro, tirando partido dos problemas orçamentais dos países da Europa do Sul, que as agências de rating intencionalmente empolaram, a Alemanha, para defender a sua economia, tudo fez para transferir todos os sacrifícios para os povos desses países, impondo-lhes draconianamente, e com urgência, a obrigatoriedade da regularização das dívidas públicas e a correcção dos défices orçamentais.
Agora, para os países incumpridores, paira no ar o espectro da expulsão do clube do euro.
http://economia.publico.pt/Noticia/merkel-defende-expulsao-da-zona-euro-de-paises-que-nao-cumpram-as-condicoes_1427663
terça-feira, 16 de março de 2010
segunda-feira, 15 de março de 2010
Rui Pedro Soares: Este rapaz é um génio!...
Rui Pedro Soares, convicto que está da sua impunidade, até se permite "brincar" com a situação e desrespeitar os deputados, que o ouviam no âmbito das audições sobre a liberdade de imprensa. O presidente da comissão, perante a diatribe, foi demasiadamente bem educado e cortês para com o rapazola. Ele teria merecido outro tratamento, a condizer com a sua grosseira desfaçatez. E é esta gentinha, medíocre e arrogante, que trepa na vida, através da política. O filme provocou-me um enorme vómito, tal foi o nojo que senti.
domingo, 14 de março de 2010
Citações: Paul Krugman

"Em termos mais gerais, confiar na magia do mercado como forma de garantir a segurança dos bancos tem sido sempre uma receita para a desgraça.
.
"Por que razão são os empréstimos que envolvem maior risco propostos aos públicos menos sofisticados? A pergunta já encerra a resposta: os consumidores menos sofisticados são provavelmente levados ao engano de subscrever tais produtos."
.
Paul Krugman
Ferreira Leite acha "muito bem" sanções a quem discorde da direcção

A líder cessante do PSD, Manuela
Ferreira Leite, afirmou hoje achar
"muito bem" haver no partido
sanções para militantes que
discordem da direcção do partido
nos 60 dias antes de actos eleitorais.
Diário de Notícias
***
O PSD acabou por dar um tiro no próprio pé. A partir de agora, os seus dirigentes, aqueles que não se demaracarem deste espúrio atentado contra a liberdade de opinião dos seus militantes, perpetrado no conclave de Mafra, ficam sem qualquer autoridade para falar na falta de liberdade, que outros queiram impor.
A máscara do partido dos caciques e dos populistas caiu estrondosamente e vai soltar todos os fantasmas do salazarismo.
Manuela Ferreira Leite, que, no passado, já se celebrizara com aquele infeliz desabafo, sobre a necessidade de se instaurar uma ditadura temporária para endireitar o país, sai da pior maneira da direcção do partido, revelando a sua pulsão totalitária. Em Mafra, demonstrou-se como a democracia pode ser perversamente aproveitada para impor como lei o mais severo autoritarismo.
Mário Soares critica privatizações previstas no Plano de Estabilidade e Crescimento
O ex-Presidente da República Mário Soares
criticou hoje as privatizações de grandes
empresas, previstas no Plano de Estabilidade
e Crescimento (PEC), e defendeu que o Governo
devia concentrar atenções no combate ao
desemprego, à pobreza e às desigualdades sociais.
PÚBLICO
***
Ao criticar o núcleo central das políticas de José Sócrates, Mário Soares entra em clara contradição com o apoio indefectível que, publicamente, lhe tem manifestado.
http://publico.pt/Economia/mario-soares-critica-privatizacoes-previstas-no-plano-de-estabilidade-e-crescimento_1426959
sábado, 13 de março de 2010
Notas do meu rodapé: Defender o serviço público dos CTT é um imperativo nacional (e patriótico)!...
.
No Programa de Estabilidade e Crescimento, o governo inscreveu, como meio de reduzir a dívida pública, a privatização de algumas importantes empresas do Sector Empresarial do Estado, entre as quais os CTT. Além de se revelar um negócio ruinoso, uma vez que se trata de uma empresa altamente lucrativa, a medida ignora o seu grande contributo para o desenvolvimento da coesão territorial, uma vez que esta empresa pública comporta, na prestação de alguns dos seus serviços, muitas externalidades (efeitos não contabilizados pelo mercado) positivas. Além de se pretender alienar uma empresa emblemática, que já pertence ao nosso património histórico e à nossa memória colectiva, o governo, ao privatizá-la, vai permitir a constituição de mais um perigoso e indesejável monopólio. Nas mãos dos privados, e com o argumento da rentabilidade e da racionalidade do mercado, milhares de portugueses do interior do país, a viver em aldeias recônditas e isoladas, irão ficar excluídos dos serviços do correio, mesmo que, inicialmente, sejam feitas inúmeras e fingidas juras de que tal não irá acontecer. Sem concorrência, e com governos (quer os de sangue rosée, quer os de cor laranja) que não defendem o interesse público (ver o caso do Terminal de Alcântara, da responsabilidade de um governo socialista, e o caso do ruinoso contracto da concessão à Lusaponte de todas as travessias do Tejo, entre Vila Franca de Xira e Belém, da responsabilidade de um governo do PSD), o gigantesco monopólio, que se irá formar, rapidamente apresentará fabulosos lucros (uma vantagem da gestão privada!), à custa do encerramento dos serviços menos rentáveis e do imprescindível aumento dos preços dos serviços prestados (até a saliva para colar os selos passa a ser paga!).
José Sócrates, que tanto gosta de fazer comparações com a Europa, deveria analisar o que está a acontecer na Grã-Bretanha, onde o seu irmão Gordon Brown privatizou os sectores mais rentáveis do Royal Mail, estando a levantar uma onda enorme de protestos das empresas e dos cidadãos, já que se assiste a uma grande deterioração da qualidade dos serviços prestados. Repete-se com o Royal Mail, o que aconteceu com a privatização dos serviços ferroviários, por iniciativa do seu antecessor, Tony Blair, e que redundou num grande fiasco, em termos de qualidade e eficiência.
sexta-feira, 12 de março de 2010
O melhor, seria ir à bruxa!...

Fernando Nobre defende exames médicos periódicos para titulares de órgãos de soberania
.
O candidato presidencial Fernando
Nobre defendeu quinta-feira à noite,
na Figueira da Foz, que os titulares
de órgãos de soberania sejam sujeitos
a exames médicos para avaliar as
condições que possuem para exercer
o cargo.
PÚBLICO
***
Quando li este título, ainda pensei estar a ler o Inimigo Público. Mas não. A frase foi proferida pelo Dr. Fernando Nobre, candidato às próximas eleições para a Presidência da República.
Se me é permitido opinar, preferiria que fossem os candidatos a titulares aos órgãos de soberania a terem de se submeter aos tais exames médicos.
Desenho: Pormenor da Quinta da Rita - de João Grazina
Carvão - Pormenor da Quinta da Rita.
O autor revela, neste desenho, uma grande maturidade no domínio das técnicas pictóricas, onde sobressai a sua preocupação no rigor do detalhe, no pequeno pormenor, o que transmite ao conjunto um grande realismo. Parabéns, João Grazina.
Nota: João Grazina é um leitor assíduo do Alpendre da Lua e é o editor do blogue Arroios.
Governador Civil de Aveiro confirma de buscas da PJ

O Governador Civil de Aveiro, José Mota, foi, no
inicio desta semana, alvo de buscas pela Polícia
Judiciária, na sua residência, por suspeitas de
utilização de meios da autarquia para fins privados,
quando ocupava o cargo de presidente da Câmara
Municipal de Espinho.
Diário de Notícias
***
Mais um socialista, de sangue rosée, metido numa alhada. Aposto que também é amigo de José Sócrates. Desta vez não se trata de campanha negra nem de uma cabala. Trata-se apenas, segundo o visado, de uma acção de pulhas, provavelmente de Espinho.
Será que, neste caso, também existirão escutas telefónicas? Mais um trabalhinho para a Felícia Cabrita explorar.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Notas do meu rodapé: Economia portuguesa voltou às quedas no final de 2009

Portugal registou uma queda de 1% no
último trimestre do ano passado, face
ao período homólogo de 2008, e caiu
0,2 por cento face ao terceiro trimestre
do ano passado, interrompendo dois
trimestres de crescimento.
Diário de Notícias
***
Olhando para a evolução do PIB em 2009, verifica-se que a influência mais determinante na sua queda, em relação ao ano anterior, foi precisamente o consumo interno, profundamente afectado pelo sub-grupo, o consumo das famílias (o consumo interno do sub-grupo Estado até aumentou). Os valores das exportações e do investimento foram manifestamente insuficientes para contrabalançar o desequilíbrio provocado pela queda do consumo das famílias Esta retracção deveu-se principalmente ao aumento galopante do desemprego e à sua consequência directa, a existência de menos rendimento disponível.
Este quadro macro-económico vai agravar-se em 2010, uma vez que o previsível aumento do desemprego, que poderá atingir 13 por cento da população activa, e a diminuição do poder de compra, induzida pelas draconianas medidas do governo para reequilibrar as finanças públicas, e que vão penalizar fortemente a classe média, vão provocar uma mais acentuada queda do consumo interno. Não se antevendo um crescimento significativo das exportações nem do investimento, não se percebe a previsão do governo, ao apontar para um aumento do PIB de 0,7 por cento. O cenário mais provável, em relação ao ano anterior, será a sua estabilização.
Nota: Consumo interno= Consumo Total - Importações
Subscrever:
Comentários (Atom)



































