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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Saia Justa Portugal- O vídeo do insulto aos portugueses...

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Maitê Proença, actriz medíocre e pseudo-escritora falhada de livros de cordel, que deve a sua fama aos seus elogiados atributos físicos, aventurou-se a querer realizar uma reportagem sobre Portugal, abordando assuntos que não domina, o que revela a sua crassa ignorância, ao mesmo tempo que procurou fazer um grosseiro humor, rasteiro e primário, como último recurso à sua indigente incapacidade intelectual, o que a aproxima do rasante analfabetismo funcional. Para finalizar a sua anedótica participação, jocosa e ofensiva, permitiu deixar-se filmar a cuspir para o chão, num gesto de muito má educação, com que procurou mostrar o seu profundo desprezo pelos portugueses.
Maiê Proença visitou Portugal, mas, por miopia cultural, não entendeu nem compreendeu aquilo que viu. É patética a sua perturbação perante a grandiosidade do Mosteiro dos Jerónimos, cujo significado histórico e simbólico lhe passou ao lado, sendo obrigada, para quebrar o mutismo, para o qual sua ignorância a remetera momentaneamente, a largar aquela baboseira de que manuelino vem de Manuel e que o Manuel tinha bom gosto.
A artista, se na realidade pretendesse fazer um trabalho sério, poderia poderia ter optado por uma reportagem sobre os seus compatriotas, que vieram para Portugal procurar o sustento que o Brasil, esse grande país, ainda não lhes pode dar.
Maiê Proença, que se especializou em posar nua para a revista Playboy, e que é a única coisa que parece saber fazer, ao telefonar para o tal hotel de cinco estrelas, onde esteve hospedada, talvez, por engano, não tivesse requisitado o tal assistente de informática, de que necessitava, mas um assistente sexual, que, por hábito, sempre deseja. Só assim se percebe a atrapalhação do homem que o hotel enviou, e que em alvoroço acorreu ao encontro da artista, para lhe descarregar, com o seu teclado, alguns megasbytes, que não os dos computadores, de que nada percebia.
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Nota: Aos muitos leitores do Alpendre da Lua, no Brasil, pretendo deixar claro que as minhas azedas palavras não se dirigem ao Brasil, país que muito admiro, nem pretendem molestar a honra, nem ofender a dignidade dos cidadãos brasileiros, que muito prezo. O meu texto dirige-se exclusivamente a Maiê Proença, a quem devolvo por inteiro o insulto que dirigiu a Portugal e aos portugueses, pagando na mesma moeda, que ela aleivosamente utilizou. Costumo reagir com firmeza a todos aqueles que ousam cuspir o chão que piso.
Ontem, quado visionei o vídeo, que um amigo me enviara, apressei-me a escrever um mail, para o endereço que a artista disponibiliza na sua página da internet, http://www.maite.com.br/ , onde tive a oportunidade de lhe manifestar, de uma forma condizente, o meu desgosto e a minha revolta pela sua indigna atitude. Hoje, deixo o meu testemunho público, acompanhando o gesto de muitos portugueses, que já se manifestaram o seu protesto em abaixos-assinados, a circular pela internet.

Matança cruel de golfinhos, em nome de uma tradição bárbara num país civilizado!...










Fotografias enviadas pelo João Fráguas e pelo Diamantino Silva
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Nas ilhas de Feroe, um arquipélago autónomo da Dinamarca, situado no Atlântico Norte, entre a Escócia e a Islândia, a barbárie exprime-se pela violência gratuita exercida sobre os golfinhos que se aproximam da praia, atraídos pela presença humana. É um espectáculo degradante, inserido numa cerimónia de iniciação da entrada dos jovens na idade adulta, e que, em nome da tradição, obnubila a consciência e o bom-senso da população, que, num entusiasmo crescente, assiste à cruel matança dos animais, condenados, através dos processos utilizados, a uma agonia lenta e dolorosa. O mar fica tingido de vermelho, a marcar a demência daqueles jovens, que se exibem como heróis, quando, na realidade, não passam de uns miseráveis poltrões.

Uma questão de tamanho, apenas!...

Enviado pelo João Fráguas, um seguidor deste blogue

Nestas coisas fica-se sempre longe da verdade. É como aquele dilema do coxo, que nunca chega a saber se tem uma perna muito comprida ou é a outra que é mais curta.

O presidente russo, Medvedev, depois do almoço de uma cimeira do G8!...


Gentileza do Pedro Frias, seguidor deste blogue
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Ele garante que apenas bebeu Coca-Cola, o xarope do imperialismo. Mas, há quem sustente que ele levava uma garrafa de vodka, escondida no bolso interior da casaco.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Sócrates/Morais: uma ligação explosiva!...

António Morais, o célebre professor da "Independente"
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Sócrates e Morais, Morais e Sócrates. Destinos de dois homens, que se cruzam constantemente, para, mais uma vez, confirmar o adágio: Diz-me com quem andas, e eu dir-te-ei quem és. Agora voltam a cruzar-se, no palco folclórico da justiça, que anda e não anda, às vezes faz que anda, mas não anda. Morais já foi constituído arguido, juntamente com a sua ex-mulher. Sócrates, só agora foi ouvido, por escrito, pelo tribunal, que lhe formulou sete perguntas, às quais respondeu, para dizer que só conheceu o Morais na Universidade Independente, numa relação formal de aluno e professor. Morais, um génio desperdiçado, professor de quatro cadeiras, quatro, na dita universidade, e que ainda tinha tempo de administrar empresas e fazer campanha eleitoral na Covilhã, pelo PS, mas marchando nas manifestações de costas voltadas para Sócrates, daí eles não se conhecerem desses tempos. Por isso, Sócrates também não poderia informar o tribunal que conhecia a ASM, a empresa de Morais e da ex-mulher, que, através de uma consulta fictícia, ficou a assessorar a Associação de Municípios da Cova da Beira (AMCB) na adjudicação do concurso para a construção da Estação de Tratamento de Resíduos Sólidos (ETRS).
Esta inquirição ao primeiro ministro tem por base as várias denúncias recebidas pela PJ e também o conjunto de testemunhos, recolhidos em 1997 por aquela polícia, onde unanimamente se aponta o facto do então secretário de Estado do Ambiente do governo de António Guterres ter eventualmente favorecido empresa a quem foi adjudicada a construção da ETRS, da qual teria recebido 750 mil euros. Também já se sabe que a PJ teria pretendido efectuar, em 2003, uma busca à residência de José Sócrates, diligência esta que, estranhamente, o Ministério Público recusou, julga-se que por boas e fundamentadas razões.
Este é mais um caso em que o actual primeiro ministro aparece envolvido num processo de suspeição, embora o tribunal o tivesse inquirido na qualidade de testemunha. Pelo menos, para já. Mas, pelo andar da carruagem, já se percebeu que este comboio nunca mais chegará à estação de destino, como no paradoxo de Zenão.

A vingança serve-se fria!...



Rui Rio pretendia comemorar a sua vitória no estádio do Futebol Clube do Porto. Pinto da Costa negou-lhe a pretensão.

Oeiras transformou-se num sultanato!...




Isaltino teve o grande mérito de provar que, em Portugal, o crime compensa politicamente e que a imbecilidade também merece ganhar em democracia!...
Agora, o que se torna urgente, é decretar uma quarentena e colocar um cordão sanitário à volta de Oeiras, para evitar a contaminação.

Um planeta ameaçado pela loucura dos homens!...


Vídeo da Quercus

Nas três campanhas eleitorais, realizadas este ano, as questões ambientais e as alterações climáticas estiveram arredadas do discurso político. Não rende votos. Os políticos são como os burros. Só andam, quando picados.

domingo, 11 de outubro de 2009

Notas do meu rodapé: Uma democracia anémica...

É assim que os partidos da área do poder querem ver os eleitores

As eleições autárquicas, mais do que qualquer outra do actual sistema político, são as que melhor avaliam a maturidade cívica do povo português, quer pela implicação do efeito de proximidade, entre o eleitor e o eleito, quer pelas repercussões da importância crescente da gestão autárquica na melhoria das condições de vida das populações.
Mas, apesar da visibilidade dos efeitos positivos que o poder autárquico proporcionou no país, o que permite considerar a sua institucionalização como uma das mais importantes conquistas da revolução de Abril, não se verifica um grande empenhamento das populações no seu acompanhamento e controlo. As elevadas taxas de abstenção assim o demonstram, assim como o completo alheamento dos cidadãos em relação aos assuntos dos governos autárquicos, alguns dos quais passam por uma discussão e votação nas assembleias minicipais, normalmente pouco concorridas.
Podem ser avançadas as mais variadas razões para justificar este crónico alheamento, algumas bem injustas para com os cidadãos, a quem se aponta a falta de informação e conhecimentos para poder compreender os assuntos mais complexos do governo da autarquia. Embora verdadeira, esta asserção, ela não passa, contudo, de uma falácia, em que deliberadamente se confunde a causa com o seu efeito, e que procura esconder a fractura entre os partidos políticos e os eleitores e entre os órgãos do poder e os munícipes/cidadãos. A falta de militância dos dois maiores partidos, PS e o PSD, que apenas se lembram dos eleitores, e da pior maneira, em períodos eleitorais, conduziu à anemia da democracia portuguesa. As campanhas eleitorais perderam a dignidade do discurso político, sério e coerente, para se transformarem num arraial de feira e de romaria. O oportunismo político de prometer tudo e mais alguma coisa, sabendo antecipadamente que nada vai ser cumprido, ou o recurso manhoso de apresentar obra pública vistosa, para encher o olho do eleitor, degradaram a essência do processo democrático.
Os partidos da área do poder, em vez de activarem a contínua e esclarecida militância dos seus membros, e constituindo através deles uma verdadeira plataforma de diálogo e discussão com os cidadãos, para os esclarecer e mobilizar, optaram, pelo contrário, por organizar-se à volta das clientelas organizadas, promovendo promíscuas alianças, que lhes obscureceram o património ideológico em troca da obtenção de um clandestino património de interesses, alguns bem imorais e ilícitos.

Há homens que nunca deveriam casar-se!...


sábado, 10 de outubro de 2009

Financeiro condenado a 13 anos de prisão por fraude


"O ex-dirigente da sociedade canadiana de investimento Norbourg, Vincent Lacroix, foi condenado a 13 anos de prisão por ter roubado cerca de 130 milhões de dólares canadianos (84 milhões de euros) a mais de nove mil investidores.
A pena, a mais severa na história do Canadá por este tipo de crime, soma-se a uma condenação a cinco anos de prisão determinada em 2007, num processo penal em que o financeiro já cumpriu três de cadeia.
Lacroix, 42 anos, pode acumular 18 anos de prisão mas pode também pedir liberdade condicional no fim do próximo ano. O financeiro tem afirmado frequentemente que está arrependido das fraudes que cometeu".
Portugal Diário
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Quando tropecei neste título, precipitei-me sofregamente sobre a notícia, julgando que se referia a Portugal. A desilusão foi completa. Afinal, a notícia reportava-se ao Canadá, onde, pelos vistos, tal como em Portugal, também existem burlões, infiltrados no sistema bancário. Apenas com uma diferença. No Canadá, a justiça funciona e mostra resultados, o que não acontece em Portugal.
Não me admiraria nada que, por estes dias, o Ministério Público venha a ilibar os protagonistas (políticos e banqueiros) dos processos mais mediáticos, relacionados com práticas fraudulentas, corrupção, apropriação ilícita, gestão danosa e favorecimento pessoal, dando continuidade ao país dos brandos costumes.
É o Portugal manhoso, incivilizado e peçonhento que está em causa, e que parece conseguir sobreviver na sua tacanha mesquinhez. Já se percebeu que as eleições não o conseguem higienizar!

O sentido da proporção!...


sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Obama: Uma polémica distinção com o Prémio Nobel da Paz...



A atribuição do Prémio Nobel da Paz ao actual presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, está, naturalmente, a levantar uma grande polémica, com muitas personalidades a denunciarem a falta de consistência da justificação apresentada pelo respectivo comité.
Na realidade, a argumentação sustentou-se num perfil curricular, onde apenas existem, vagamente, formulações teóricas de projectos sedutores e manifestações reiteradas de boas e saudáveis intenções, faltando ainda analisar, num futuro próximo, os respectivos resultados finais.
É certo que a metodologia utilizada pelo comité norueguês do Nobel da Paz, assim como a escolha dos seus critérios, enquadram parcialmente esta situação, já que o seu fundador, Alfred Nobel, e apenas para este prémio, pretendeu valorizar e estimular as nobres intenções dos esforços em prol da Paz, dispensando da análise, caso ainda não tivessem ocorrido, os eventuais resultados. E só assim foi possível distinguir personalidades e instituições que lutaram denodadamente por um mundo mais pacífico e solidário, sem que tivessem tido a felicidade de conseguir esse desiderato. O Nobel da Paz é, pois, um prémio com características próprias, já que, em função da disposição testementária do seu fundador, "ele poderá ser atribuído a pessoas ou organizações que estejam envolvidas num processo de resolução de problemas, em vez de apenas distinguir aqueles que já atingiram os seus objectivos em alguma área específica".
Mas se a distinção atribuída a Obama não pode ser criticada, através desta perspectiva, o mesmo não se poderá dizer em relação à consistência da valorização dos processos a favor da paz, em que ele se envolveu. Pelo contrário, algumas das suas acções diplomáticas caracterizam-se por alguma ambiguidade, como aconteceu na aproximação tentada em relação à Rússia, e até na condenável duplicidade, como aconteceu em relação ao golpe de Estado nas Honduras.
Independentemente da auréola de simpatia que envolve Obama, é sabido que um presidente dos Estados Unidos nunca pode contrariar os interesses dominantes das oligarquias económico-financeiras, e estes interesses não se enquadram no perfil que Alfred Nobel desenhou e instituiu para os candidatos ao Prémio Nobel da Paz, embora num passado recente, em 1978, o comité tivesse escandalizado o mundo ao distinguir o sinistro antigo primeiro ministro de Israel, Menachen Begin,um perigoso terrorista do grupo judeu Irgun, responsável pelo atentado à bomba do Hotel King David, em Jesuralém, na altura a central administrativa e militar dos britânicos, durante o Mandato Britânico da Palestina, um atentado que fez 91 mortos.
Também Henry Kissinger, o secretário de Estado de Nixon e de Ford, provocou amargos de boca ao comité Nobel da Paz, ao desmentir posteriormente os atributos pacifistas que lhe atribuiram, em 1973, pelo seu contributo na negociação do Tratado de Paz no Vietnam, por ter protagonizado, pouco tempo depois, o apoio ao golpe sanguinário de Pinochet, no Chile, e à invasão de Timor pela ditadura de Suharto, da Indonésia, acções estas que, à luz do Direito Internacional, o deveriam remeter para a condição de um criminoso de guerra.
Obama passa a ser o quarto presidente dos Estados Unidos a receber o Prémio Nobel da Paz, o que é revelador de uma certa parcialidade em relação aos dirigentes políticos da maior potência do mundo. Antes dele, foram distinguidos Jimmy Carter, em 2002, Thomaz Woodrow Wilson, em 1919, e Theodore Rooselvet, em 1906.

La Dra Rauni Kilde habla sobre la Conspiración de la Gripe Porcina

Enviado pelo João Ribeiro e, também, pelo João Fráguas.
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Todos os anos, e sem nenhuma amplificação mediática, as epidemias de gripe, das estirpes mais benignas, causam milhares de mortes, principalmente entre os idosos com problemas respiratórios crónicos, que são vítimas de outras complicações pulmonares e cardíacas.
Começa a ser intrigante o ruído provocado pela gripe porcina, assim como já começam a surgir desconfianças sobre a origem da sua dissiminação, que estaria ligada aos interesses económicos de duas multinacionais farmacêuticas, interessadas em vender massivamente a respectiva vacina.
A voracidade das multinacionais já não se detém nos limites da ética, já que não se hesita em recorrer a práticas criminosas para engordar a gula dos seus accionistas.

O presidente da câmara de Évora não é um autarca! É um autocrata!...

visita a cme impedida

Gentileza do Pedro Frias, seguidor deste blogue
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Em Évora, como noutras cidades e freguesias do nosso País, os socialistas demonstram ter dificuldade em compreender e aceitar a prática de conceitos como a liberdade e democracia. Às vezes até parece que para alguns destes senhores o 25 de Abril ainda não aconteceu.
Pedro Frias
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Nota do editor: Tinha pretendido fazer um título, onde aparecesse a expressão "poder autocrático". Ao alterar-lhe a forma inicial, ficou lá pendurada a palavra "autocrático", em vez de "autocrata". As minhas desculpas aos leitores.

As mulheres são muito curiosas!...


quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Com amigos destes, Manuela Ferreira Leite não precisa de ter inimigos!...

Marcelo Rebelo de Sousa é o exemplar mais cínico da política portuguesa. Quando menos se espera, e com uma candura bem estudada, lança a ferroada venenosa sobre o alvo a abater. Constrói com mestria a palavra assassina que destrói num àpice a reputação do seu adversário. Coube agora a vez a Manuela Ferreira Leite de ter de engolir o fel da sua viperina língua.
Proclamando há dias, com aquela postura de rectidão bem estudada e dissimulando a sua ambição, que Manuela Ferreira Leite deveria levar o seu mandato até ao fim, vem agora, e sem ser por mera coincidência, a três dias das eleições autárquicas, afirmar que se candidatará ao cargo de presidente do PSD. A facada traiçoeira foi bem funda e, dificilmente, Manuela Ferreira Leite, já muito debilitada politicamente, resistirá à ferida provocada pelo seu companheiro de partido.
Marcelo, ao escolher este momento, mostrou, embora camufladamente, querer duas coisas. Primeiro: que O PSD não obtenha nas eleições autárquicas um resultado que possa vir a reabilitar Manuela Ferreira Leite, a tal ponto, que lhe estimule o ânimo de querer recandidatar-se à presidência do PSD. Segundo: que Manuela Ferreira Leite se aguente até ao fim do mandato, momento em que o futuro governo de José Sócrates começará a entrar em queda livre, devido à crise social e económica, que se vai agravar, e ao crescimento do descontentamento popular, provocado pelas previsíveis medidas para reduzir o défice orçamental. Aí aparece Marcelo, o salvador, a revitalizar um partido anémico e a massacrar o executivo, sem lhe dar tréguas, até à sua queda antecipada, que será sempre desprestigiante.
Para Sócrates, a ascensão de Marcelo Rebelo de Sousa para a liderança do PSD, constitui o pior cenário. Marcelo é inteligente e exímio na arte de convencer e de desmontar os argumentos dos adversários, além de gozar de uma grande simpatia junto dos portugueses, simpatia esta, magistralmente trabalhada, ao longo do tempo, em todas as suas constantes aparições nas televisões. É, sem dúvida, um adversário a temer pelo Partido Socialista, que vai apoiar um governo, à partida fragilizado, e sem grande força anímica para apresentar um projecto mobilizador para o país.
http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=12&id_news=414112

HOPE (Visions of Whitefeather)



Foi neste caminhar pelos séculos fora que nos fizemos Humanidade, desafiando o perigo das encruzilhadas, interrogando ansiosamente o céu, à procura das origens e avançando sempre com o medo de nos perdemos. Aprendemos a viver como lobos, carregando um pesadelo milenar, mas sempre sonhámos com a alegria das pombas, embora a Guerra e a Paz pertençam, implacavelmente, ao nosso património genético primordial. E é difícil libertarmo-nos desse ciclo infernal!...
AC

Douro: Um património paisagístico, cultural e económico!..




Gentileza do João Fráguas, seguidor deste blogue

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HISTÓRIA do VINHO do PORTO


Produto único no mundo e de qualidade assumidamente superior como bebida de classe, o Vinho do Porto nasceu nas encostas do rio Douro por volta do século III, ou IV da era Cristã. Vestígios arqueológicos de lagares e recipientes para vinho têm sido achados por toda a região duriense evidenciando os registos documentais que se conheciam há muito tempo; no entanto, o nome pelo qual ficou conhecida a mais famosa bebida portuguesa só adquiriu essa designação há cerca de 300 anos, quando se começou a dar mais atenção à viticultura e à exportação do vinho, levando-o ao expoente máximo da classificação ao ser criada a região demarcada mais antiga do mundo, em 1756, por Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.
Rivalidades, guerras, picardias e invasões decorrentes no século XVII entre os povos da europa do norte acabaram por promover os vinhos portugueses em detrimento dos mais conhecidos vinhos franceses, que sempre estiveram ao alcance da Inglaterra e Holanda em função da sua privilegiada localização geográfica. Os ingleses passam, então, a importar quantidades apreciáveis de Vinho do Porto e, com o Tratado de Methuen (1703), é forçado um escoamento bipartido em que Portugal passaria a comprar parte da produção inglesa de tecidos, em contrapartida para as exportações de vinho.
Procura acentuada, preços altos, disputas entre produtores e importadores, problemas causados por desconfiança e interesses nem sempre escorreitos acabam por conduzir a uma mais profunda intervenção do Marquês de Pombal que promoveu a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, em 10 de Setembro de 1756. Com isto tentou-se garantir a qualidade do produto em si, equilibrando, ao mesmo tempo, a produção e o comércio do mesmo. Demarcam-se as serras usando-se 335 marcos de pedra que irão conferir a designação de Vinho Fino ao vinho de melhor qualidade aí produzido e que poderá ser exportado para a Inglaterra.
Depois vieram as doenças nos vinhedos produzidas pelo oídio (um fungo) e pela filoxera (um parasita importado nas vides americanas) a partir de meados do século XIX, com a consequente destruição de grande parte das vinhas e ampliação da linha de demarcação para o Douro Superior onde o problema se fazia sentir em menor escala. Novas técnicas de plantio, seleção de castas e enxertos, uso de adubos e evolução no processo de vinificação surgem a partir desta altura firmando-se como práticas correntes para as décadas seguintes; todavia, os problemas só estavam a começar, pois o inimigo maior surgia na forma de uma crise comercial aliada às primeiras fraudes e imitações do Vinho do Porto. Data deste tempo, início do século XX, uma nova demarcação da área produtiva e restabelecimento do rio Douro e do porto de Leixões como eixo de exportação do produto, bem como a reserva de denominação “PORTO” para os vinhos com graduação alcoólica mínima de 16,5º, deixando a protecção e fiscalização da marca a cargo da Comissão de Viticultura da Região do Douro.
Regras novas, proibindo a destilação dos vinhos durienses, obrigando outras regiões a cederem a sua aguardente para o processo de beneficiação, aliadas a um alargamento excessivo da área de demarcação originaram polémica, acabando por obrigar nova demarcação, desta feita por freguesias, o que reduziu a área produtiva conduzindo-a, a bem dizer, ao estado actual (Dec. Lei 10 Dezembro 1921).
A despeito da organização e da crescente capacidade produtiva e exportadora (mais de 100 000 pipas entre 1924 e 25) o povo da região duriense continuava a viver de maneira miserável o que provocou descontentamento e levou a agitação social durante boa parte do início do século XX. Como consequência dessas acções e do novo regime militar de 1926, novos ditames seriam impostos à região, forçando a criação de um entreposto em Vila Nova de Gaia, onde todas as empresas ligadas ao comércio do Vinho do Porto deveriam ter a sua representação para finalização do processo produtivo e armazenamento.
Em 1932 criam-se diversas organizações para representação dos viticultores (Grémios Concelhios), que acabariam por se associar na Federação Sindical dos Viticultores da Região do Douro – Casa do Douro, instituição encarregada, desde então, de zelar e disciplinar a produção do Vinho do Porto, assumindo oito anos mais tarde uma acção mais abrangente e controlodora de todo o processo.
Um ano mais tarde surge o Grémio dos Exportadores de Vinho do Porto e algum tempo depois o Instituto do Vinho do Porto que se propõe a estudar e promover a qualidade, bem como disciplinar o comércio do mesmo. Sistematiza-se e classifica-se a produção de mostos, atribuindo-se a cada produtor uma quota e um preço a ser pago de acordo com a qualidade produzida (de A a F). A isto chamou-se Sistema de Benefício.
Em meados do século surge um movimento cooperativo que não se espalha sobremaneira, atingindo aproximadamente 10% dos produtores regionais. Em 1974 dá-se nova alteração ao nível organizativo, extinguindo-se alguns organismos corporativos, mas mantendo a Casa do Douro e o IvdP em funções e substituindo o Grémio dos Exportadores pela Associação dos Exportadores de Vinho do Porto, actualmente Associação das Empresas de Vinho do Porto.
Os anos passam, o mercado muda, tendências acentuam-se e a exigência ao nível concorrencial acaba por apontar o caminho na direção da concentração de marcas em grupos de empresas. Grandes investimentos são feitos ao nível de novos vinhedos e espaços de plantio, Quintas. Como consequência surge em 1986 a Associação de Produtores Engarrafadores de Vinho do Porto, com o fito da exportação directa, das quintas para o estrangeiro.
Em 1995, nova alteração na Região Demarcada do Douro, novo organismo: CIRDD, Comissão Interprofissional da Região Demarcada do Douro. Nesta, todos têm representação, tanto os profissionais da lavoura, como os do comércio e apontam um objectivo comum em que a disciplina e o controle da produção e comercialização dos vinhos da região norteiam o seu funcionamento; contudo, duas vertentes internas orientam os princípios da instituição, uma voltada para a designação “Porto” e outra para os restantes vinhos de qualidade da região (VQPRD). Mais recentemente um modelo alterado substituiu a CIRDD, integrando-a no IvdP, em 2003.

Retirado do portal do Portwine

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Há perguntas que uma mulher não deve fazer, sem saber que tipo de homem tem pela frente!..

Gentileza do João Fráguas, seguidor deste blogue

Com uma pergunta destas, Judite de Sousa arrisca-se, por castigo, a ser nomeada ministra da Educação do próximo governo.

O Islamismo- por F. Fernandes

A integração dos muçulmanos

Existem aproximadamente vinte milhões de muçulmanos na Europa. Estes representam todo o espectro de atitudes religiosas possíveis, desde a indiferença até ao fanatismo.
Os muçulmanos europeus tendem a viver agrupados em comunidades, quase sempre mal integrados, seja nos subúrbios das grandes cidades, como em França, ou em bairros abandonados pela população autóctone, como em Bruxelas ou Londres. São mais pobres, sofrem uma taxa de desemprego elevada. A maioria chegou à Europa em vagas desde a Segunda Guerra, numa altura em que estes precisavam de emprego e a Europa devastada pela guerra, precisava de mão-de-obra para a sua reconstrução. Pela primeira vez na sua história, a Europa encontra-se na difícil situação de ter que integrar uma enorme massa de imigrantes não europeus. Um desafio difícil que custa levar a bom termo.
A maioria dos muçulmanos europeus, concorda com a emancipação da mulher, com o papel que a esta cabe na sociedade, é a favor de um Islão moderado e não considera os europeus hostis ao Islão. Mas não nos enganemos, o Islão continua a ser o principal pólo identitário dos muçulmanos. A integração destas comunidades na Europa não é realmente um êxito. Apesar de milhões de muçulmanos viverem a sua vida sem causarem problemas no país de acolhimento, nem por isso se fundem na cultura que os rodeia. De nada serve ignorar o problema da integração, ele existe.
Na Europa existem dois modelos de integração, o modelo republicano francês e o comunitário britânico. O primeiro tenta integrar as identidades estrangeiras, transformando os imigrantes em franceses. O segundo aposta em preservar as identidades estrangeiras num mosaico de muçulmanos. Nenhum dos dois resulta. Sustentados por sólidas muralhas ideológicas, as tragédias recentes – o assassinato de Theo van Gogh em Amesterdam, os atentados de Londres, e os tumultos nos subúrbios franceses - derrubaram as muralhas e mostraram o fracasso de tal ideologia. Há que reconhecer: os modelos, cada um, com suas incongruências, acabaram por criar guetos. O multiculturalismo é uma gafe?
A ideologia multiculturalista é ambígua, serve para cobrir com roupagens novas o velho racismo. - Cada um em sua casa e deus na de todos… A ideologia multiculturalista parte quase sempre de uma boa intenção; peca então por ingenuidade. Não existem critérios para determinar o famoso limite de tolerância, mas, queiramos ou não, o multiculturalismo conduz ao gueto. Uma coisa é certa, estão melhor integrados os avós e os pais, do que os filhos, porque será?
A capacidade de integrar, e proporcionar a cidadania a milhões de cidadãos alienados, de criar as condições de autêntica pertença a esse princípio espiritual que é a Nação, é necessariamente geradora de frustração, de isolamento comunitário, da busca de sentido onde haja uma possibilidade de o encontrar. Nem por isso se convertem todos em fanáticos dispostos a matar, mas reúnem-se as condições para que alguns o façam. Uma integração harmoniosa não é só por si, uma garantia contra o fanatismo assassino, mas a capacidade de recrutar adeptos ficaria minorada.
Efectivamente, do trabalho de socialização que o estado se mostra incapaz de realizar, se encarrega o Islamismo. Financiado com dinheiro saudita, através dos irmãos muçulmanos, uma enorme rede de organizações, realiza um incrível trabalho de islamização profunda das comunidades muçulmanas. As mesquitas, associações, instituições caritativas e educacionais, em princípio, não são instituições terroristas. A sua estratégia a longo prazo, tem quatro objectivos bem definidos: assegurar o monopólio da representação das comunidades muçulmanas, impedir a assimilação dos muçulmanos da Europa, preservando e afirmando a sua identidade; reforçar a sua própria capacidade de influência na política nacional nos centros de decisão, e transformar paulatinamente o Islamismo numa força política decisiva na Europa.
Publicado no Diário Ateísta, 3 OUT 2009

中川財務相 眠そうな記者会見 - Tradução: Grande bebedeira!...





Nakagawa na cimeira do G7

Shoichi Nakagawa, que apareceu embriagado numa cimeira do G7, foi encontrado pela mulher deitado, em casa.
O que fez Shoichi Nakagawa nos últimos minutos da sua vida? O que causou a morte do político que ganhou fama pelas suas bebedeiras? A resposta às perguntas é a chave para resolver o caso que está a dar que falar no Japão.
O pouco que se sabe alimenta o mistério. A polícia confirmou a morte do velho liberal mas não desvenda pormenores até estar concluída a autópsia. Os media japoneses revelaram que Nakagawa, 56 anos, foi encontrado pela mulher, deitado de barriga para baixo na cama, na sua casa em Tóquio.O cadáver não tinha ferimentos visíveis, o que dá força à tese de que o álcool esteve por detrás da morte.
Nakagawa é conhecido no Japão e no mundo por não saber resistir ao prazer da bebida. O ex-ministro das Finanças do último Governo de maioria liberal fez notícia, em Fevereiro, quando apareceu embriagado numa cimeira do G7 - grupo das sete maiores economias do mundo - em Roma.

Do Público online

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Mercedes Sosa, "La Negra": Calou-se a voz mestiça da liberdade!...




Morreu Mercedes Sosa, La Negra, cujas canções emocionaram a América Latina e o mundo. Integrou, no início da década de sessenta, o movimento musical, Nueva Canción, onde desempenhou um papel de relevo, juntamente com o seu primeiro marido. As suas canções eram profundamente marcadas ideologicamente pela constante denúncia do imperialismo norte-americano e pelo protesto contra as desigualdades sociais do seu povo. Criou um estilo musical, onde se cruzavam influências da música africana, cubana, andina e espanhola.
A sua militância política custou-lhe o exílio, durante a ditadura do general Vilela, tendo sido presa, em 1979, em La Plata, durante um concerto que estava a efectuar naquela cidade argentina. Só regressou à sua Pátria, em 1982, quando o regime militar, instaurado em 1976, já se encontrava moribundo, devido à humilhação da guerra das Malvinas. Peronista de esquerda, fez oposição ao presidente Carlos Menem e apoiou, nas eleições presidenciais, Néstor e a actual presidente, Cristina Kirchner, que, ao saber da morte da cantora, antecipou o regresso de uma visita à Patagónia, e decretou três dias de luto nacional.
Também Hugo Chávez se lhe referiu, considerando que Mercedes Sosa lhe "iluminou a vida". O jornal londrino, The Daily Telegraph afirmou que ela foi "uma intérprete incomparável de obras de seu compatriota, o argentino Atahualpa Yupanqui, e da chilena Violeta Parra". Helen Poopper da agência Reuters anunciou sua morte dizendo que ela "lutou contra os ditadores da América do Sul com sua voz e se tornou uma gigante da música latino-americana contemporânea".
Mercedes Sosa nasceu em San Miguel de Tucumán, na província de Tucumán, no noroeste da Argentina e morreu no dia 4 de Outubro, em Buenos Aires, onde vivia. O velório do seu corpo realizou-se no edifício do Congresso Nacional.

Mercedes Sosa Gracias a La Vida

Mercedes Sosa e Milton Nascimento - Volver a los 17

É muito mais interessante do que o roubo por esticão!...


Gentileza do amigo Jorge Ribeiro

Convenhamos que as coisas vistas assim ao natural e sem encenações enganadoras têm um outro interesse. Afinal, o brincalhão até acabou por fazer um bom serviço àquelas gentis moças. De outra forma, não teriam tido a oportunidade de exibir os seus belos e esculturais corpinhos, perante uma plateia tão alargada. É certo que não exibiram tudo o que tinham de bom, mas isso compete a cada um adivinhar!...

Figuras proeminentes do cinco de Outubro e da República (4)

Bernardino Machado
Bernardino Machado, intelectual brilhante, formou-se politicamente na Maçonaria, tendo sido dirigente da Loja Perseverança, do Grande Oriente Lusitano. Durante a Monarquia, foi deputado pelo Partido Regenador, em 1882, par do Reino, em 1890, e ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, em 1893. Só adere ao Partido Republicano em 1903. Com o advento da República, é nomeado ministro dos Negócios Estrangeiros, e, em 1913, ocupa o cargo de embaixador no Rio de Janeiro.
Foi o político da República que ocupou mais cargos de Estado, o que diz bem da sua reputação. Foi duas vezes primeiro ministro e foi eleito para dois mandatos presidenciais. Curiosamente, foi ele que teve de entregar o poder, em cada um dos seus mandatos, aos militares que, por duas vezes, derrubaram a República, instituindo governos de ditaduras. Primeiro, em 1917, a Sidónio Pais, que o obrigou ao exílio, e, mais tarde, no segundo mandato, a Mendes Cabeçadas, um dos cabecilhas do golpe de 28 de Maio, que abriu as portas a Salazar e aos quarenta e oito anos anos de ditadura.

José Relvas

Apesar de ser filho de um grande proprietário agrícola ribatejano, José Relvas abraçou com convicção o ideal republicano. Viveu a segunda metade do século XIX, tendo acompanhado toda a evolução do Partido Republicano e a degradação da vida política, enredada num rotativismo partidário estiolado, e que entravava o progresso do país. A revolução republicana apanha-o já numa idade madura, com 52 anos, e é ele e Eusébio Leão que proclamam a República, da varanda dos Paços do Concelho de Lisboa.
Integrou o governo provisório, sobraçando a pasta das Finanças, tendo sido, posteriormente, nomeado embaixador em Madrid, um cargo considerado estratégico, uma vez que era necessário obter exteriormente o reconhecimento do regime, junto das principais capitais europeias. Quando deixa Madrid, afasta-se da política, regressando novamente, em 1919, para chefiar um governo, que durou dois meses.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (3)

Teófilo de Braga


Teófilo de Braga foi um intelectual de prestígio, cujo nome dignificava a República. Licenciado em Direito, leccionou Literatura no Curso Superior de Letras de Lisboa. Como escritor, deixou obras importantes sobre a história literária, filosofia e etnografia.
Não admira, pois, que tenha sido escolhido para presidir ao governo provisório, após a implantação da República. Mais tarde, em 1915, viria a ser eleito pelo Congresso, quase por unanimidade, como Presidente da República, para terminar o mandato de Manuel Arriaga, que pedira a demissão.
A sua militância vem desde 1878, quando os republicanos iniciaram o seu processo organizativo.

Basílio Teles



Basílio Teles foi, talvez, o político republicano mais radical. Depois de ter rejeitado o convite para integrar o governo provisório, como ministro da Finanças, para o desempenho do qual estaria mais vocacionado, atendendo ao seu percurso como investigador da área económica, (pretendia a pasta do Interior, onde a Carbonária o queria colocar), Basílio Teles, no quadro das dificuldades que a República atravessava, apresentou um plano político, que previa a pena de morte, a suspensão das garantias por tempo indeterminado e o encerramento das escolas, até se completar a respectiva reforma. Era um programa político suicida, ao arrepio dos mais mais nobres valores o espírito republicano.
No entanto, teve um percurso brilhante no Partido Republicano Português, fazendo parte dos seus directórios de 1897 a 1899, e do de 1909 a 1911.

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (2)

Machado Santos
Machado Santos, um jovem comissário naval, inveterado conspirador, esteve na maioria das acções da Carbonária, de que era membro. No movimento militar do 5 de Outubro, assumiu a sua coordenação operacional, o que lhe trouxe uma grande popularidade. Instalado na Rotunda, depois de ter mobilizado dois importantea quartéis de Lisboa, não se deixou abater no momento em que corriam rumores do fracasso do golpe militar. Foi considerado o Herói da Rotunda e o Pai da República.
Revelando alguma imaturidade política, e não se apercebendo da inevitabilidade das contradições inerentes a um qualquer processo revolucionário, depressa se desencantou com os dirigentes do Partido Republicano, regressando à acção conspirativa. E assim o vemos a participar nos movimentos insurreccionais de Abril de 1913, de Janeiro de 1914, no Movimento das Espadas de 1915, na Revolta de Tomar, de 1916 e no golpe de 1917, que colocou Sidónio Pais no poder.

Almirante Cândido dos Reis


Se o chefe civil da revolução republicana, Miguel Bombarda, não assistiu à sua vitória, o mesmo aconteceu ao seu chefe militar, o almirante Cândido dos Reis, que se suicidou num dos arrabaldes de Lisboa, julgando que o movimento tinha fracassado. Quando se soube no directório republicano que o chefe do governo monárquico, Teixeira de Sousa, tinha sido informado da iminência do golpe, muitos dirigentes republicanos abandonaram o projecto, aconselhando o seu adiamento, ao que o almirante se opôs. No entanto, já com o movimento revolucionário em marcha, a morte de Miguel Bombarda, interpretada como assassinato político, desmobilizou muitos oficiais do exército e muitas unidades militares. Cândido dos Reis julgou tudo perdido, e como era um indivíduo de temperamento hipocondríaco, entrou em profunda depressão e escolheu o suicídio.
Apesar de ter sido distinguido, durante a sua carreira militar, com as mais altas condecorações, o Almirante Cândido dos Reis, desde muito cedo, começou a participar na luta anti-monárquica, mais como activo conspirador do que como político propagandístico. Por isso, se inscreveu na Carbonária, o movimento revolucionário que punha em pânico as forças de segurança.
A República prestou-lhe a homenagem merecida, utilizando o seu nome como topónimo, na maior parte das cidades e das vilas do país.

Figuras proeminentes do 5 de Outubro e da República (1)

Militares e populares na Rotunda
Foi na Rotunda que se ganhou a revolução. No meio de ordens e contra-ordens, de informações e contra-informações, os oficiais do Exército - que se juntaram a Machado dos Santos, quando este, com militares e civis, assaltou, na noite de 4 de Outubro, os quartéis de Infantaria 16 e de Caçadores 5, dirigindo-se, depois, para a Rotunda, onde acamparam - julgando que o golpe tinha fracassado, aconselharam o abandono do local. Machado dos Santos ficou no local com os seus homens, impedindo assim a movimentação das forças fiéis à Monarquia, que se encontravam no Rossio, encurraladas entre dois fogos dos republicanos.

Miguel Bombarda
Médico ilustre, que desenvolveu a Psiquiatria portuguesa, actualizando-a em relação aos progressos científicos, ocorridos na Europa, abraçou a causa republicana, pugnando pelo registo civil obrigatório e pela expulsão das congregações religiosas. Inscreve-se no Partido Republicano Português, em 1909, e, em 1910, é eleito deputado republicano nas eleições de Agosto. Como membro do comité revolucionário para a implantação da República, é considerado o seu chefe civil. Já não assistiu ao triunfo da revolução, por ter sido assassinado, em 3 de Outubro, por um seu doente, um antigo tenente do Exército, que tinha estado internado no Hospital Psiquiátrico de Rilhafoles, de que Miguel Bombarda era director. O seu assassínio, levou os membros da Carbonária Portuguesa a acelerarem o início das operações.


Afonso Costa
Foi o grande estadista da República e o mais coerente dirigente do Partido Republicano Português, tendo sido o seu verdadeiro ícone. Nomeado ministro da Justiça e dos Cultos no governo provisório, saído da revolução trunfante, rapidamente deu pleno cumprimento a uma das mais queridas promessas dos republicanos, que fizeram do justificado anticlericalismo uma das suas bandeiras, na luta contra a monarquia. Afonso Costa foi o autor da Lei da Separação entre o Estado e a Igreja, medida que lhe acarretou todos os ódios do clero e dos monárquicos, que viam nele a figura de Satanás. Com a instituição do registo civil obrigatório, e a publicação da lei do divórcio, Afonso Costa retirou um enorme poder à toda poderosa igreja católica, que, numa íntima e pública aliança com o poder político, contribuia para o crónico atraso do país. Já na tese de doutoramento, na Universidade de Coimbra, "A Igreja e a questão social", Afonso Costa aborda a laicidade do Estado, ao mesmo tempo que desanca a encíclica, Rerum Novarum, de Leão XIII.
Foi presidente do ministério por três vezes, além de ter sido também, num dos governos, ministro das Finanças, tendo-se notabilizado por ter corrigido o défice orçamental do Estado.

António José de Almeida
Médico e escritor, iniciou a sua actividade, ainda como estudante da Universidade de Coimbra, tendo ficado célebre um seu artigo, publicado no jornal académico Ultimatum, intitulado, "Bragança, o último", que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos, tendo sido, por isso, condenado a três meses de prisão. Quem o defendeu em tribunal, foi o Dr. Manuel Arriaga, que viria a ser o primeiro Presidente da República eleito.
António José de Almeida foi deputado às Cortes, onde fez valer a sua grande capacidade oratória, que o tornaram muito popular. Nomeado ministro do Interior, no primeiro governo provisório, veio, mais tarde, a criar a primera dissidência do Partido Republicano Português, chefiado por Afonso Costa. À volta do jornal República, fundou, em 1912, o Partido Evolucionista, que agregou os sectores mais moderados no campo republicano, o que fragilizou o novo regime.
No meio da constante instabilidade política, António José de Almeida foi o primeiro Presidente da República a cumprir o mandato completo (1919-1923).



Basílio Teles e Eusébio Leão

Eusébio Leão formou-se em Medicina e tirou a especialidade de Urologia e participou activamente na propaganda republicana em torno da questão do Ultimatum britânico de 1890. Entrou para a Maçonaria, em 1893, e, em 1909, foi eleito secretário do Directório do Partido Republicano Português. Coube-lhe a incumbência de ler a proclamação da República, no dia 5 de Outubro, na varanda dos Paços do concelho de Lisboa.

Viva República!...

Quem não se orgulha do seu passado, não pode ter esperança no seu futuro. E isto é válido tanto para os indivíduos, considerados isoladamente, como para os povos e as nações. Recordar e comemorar a revolução republicana de 5 de Outubro é, pois, um dever cívico da sociedade portuguesa, que não pode alhear-se do espírito associado a esta importante data.
A República, ao dar um grande salto histórico, cortando as amarras do atavismo e do conservadorismo monárquico, marcou decisivamente todo o percurso do século XX e institucionalizou no país os nobres ideais da Revolução Francesa, que os revolucionãrios de 1820 já perseguiam, ao instalarem o primeiro regime constitucional em Portugal.
A germinação do ideário da República, inspirado no jacobinismo francês, foi lenta e difícil. Um país divorciado do progresso, pobre e ignorante, dominado por uma igreja reaccionária e de pensamento medieval, um país vilependiado por uma aristocracia estéril, a remoer a sua impotência imperial e que vivia isolado da Europa, onde fervilhavam todas as vontades de mudança, despoletadas pela Revolução Francesa, exigia um grande esforço e dedicação por parte daqueles portugueses honrados e esclarecidos, que sempre acreditaram na permeabilidade das fronteiras ao avanço das ideias generosas e libertadoras.
Quando José Relvas, no dia 5 de Outubro de 1910, hasteou a bandeira verde-rubra da República, na varanda dos Paços do Concelho, em Lisboa, estava a selar a vitória dos combatentes da Rotunda e a homenagear também todos os republicanos que, ao longo dos últimos noventa anos anteriores, combateram pelo seu ideal.
Nesse dia, nasceu um novo país, que haveria de voltar a renascer, no dia 25 de Abril de 1974.

O regresso ao esclavagismo, pela mão do Partido Socialista!...

Diploma Médico Cubano

O Partido Socialista, que só arvora a bandeira do socialismo durante as campanhas eleitorais, arrisca-se a ser achincalhado, até pelo próprio CDS, pela forma indigna e humilhante como contratualizou os médico cubanos, que vieram trabalhar para os centros de saúde do Alentejo, ao estabelecer condições leoninas, na sua remuneração e no seu horário de trabalho, e que, além de serem impróprias de um país civilizado, violam flagrantemente o Código de Trabalho e o Acordo Colectivo da Carreira Médica. É necessário recuar aos tempos da Revolução Industrial para encontrarmos condições de trabalho tão desumanas e aviltantes.
A esses médicos está a ser imposta uma carga horária de 64 horas semanais, repartidas entre as consultas, 40 horas, e as urgências, 24 horas, e a que corresponde uma remuneração de mil euros. A esta carga horária deveria corresponder, de acordo com as tabelas remuneratórias dos médicos, uma remuneração mensal de seis mil euros, já que todo o trabalho prestado pelos médicos portugueses, para além das 42 horas semanais, é remunerado como trabalho extraordinário, aspecto importante que o Ministério da Saúde omitiu na sua explicação atabalhoada, quando confrontado com esta ilegalidade e com esta imoralidade.
Com esta medida arrogante e discriminatória, que ofende a dignidade dos médicos cubanos, altamente qualificados profissionalmente, o governo de Sócrates evidencia bem o desprezo que vota ao mundo do trabalho, e que não tem equivalente no tratamento obsequioso e subserviente, dispensado aos poderosos grupos de interesses, que paulatinamente vão capturarando o Estado.

domingo, 4 de outubro de 2009

Irlanda: uma eleição que poderia ter sido fatal para a União Europeia...

Debaixo de alguma chantagem e amedrontados com efeitos devastadores da crise económica e financeira, os irlandeses deram uma significativa vitória ao Sim, no referendo sobre o Tratado de Lisboa. A chantagem teve o seu epílogo, no último dia de campanha, com a venenosa oferta de 15 milhões de euros, anunciada por Durão Barroso, aos 2.400 ex-empregados da Dell, uma empresa norte-americana, de fabrico de computadores, e que encerrara em Janeiro. O outro tipo de chantagem situou-se ao nível do discurso político dos adeptos do Sim, que, dramatizando ao máximo, transferiram a questão para o errado patamar de transformar o referendo numa escolha entre pertencer ou não pertencer à União Europeia.
Mas foi a crise, que num espaço de um ano virou a Irlanda de pernas para o ar, o motivo da trasferência de votos de muitos eleitores, que no ano passado rejeitaram o Tratado de Lisboa. A estes, há ainda a acrescentar os que se abstiveram no referendo de 2008, e que, agora, com medo da crise, que o actual governo não pode resolver sozinho, votaram no Sim, contribuindo assim para o significativo diferencial de resultados, entre os dois campos.
Se não estava em causa, neste referendo, a escolha da permanência da Irlanda no espaço da UE, como a mensagem subliminar dos adeptos do Sim pretendia sugerir, reconhece-se, contudo, que estava em causa o próprio tratado, que, apesar de já se encontrar ractificado por 24 países (sem qualquer consulta popular), dificilmente sobreviveria a uma rejeição, através de um referendo, mesmo que esse referendo tivesse ocorrido num dos países menos populosos da UE. Seria um desastre total, pois não haveria coragem nem condições políticas para relançar um novo processo de negociação que forjasse um novo acordo para recauchutar o falhado Trado de Nice, a chamada Constituição Europeia, que foi o que se fez no Tratado de Lisboa.
A necessidade de avançar com um novo quadro institucional, que responda à nova geografia da UE e aos desafios das grandes mudanças, ocorridas no mundo, desde a queda do Muro de Berlim, e agora mais acentuadas com a grande crise internacional, tem esbarrado com a desconfiança dos cidadãos europeus, em relação à falta de democracia neste processo. Nem sequer o Parlamento Europeu, a única instituição da UE que pode reclamar a força da representatividade popular, através do voto, teve um papel destacado na formulação deste tratado. Tudo foi concertado entre os países, no Conselho Europeu, com a mediação da Comissão Europeia. E sem democracia, por muito que isto desagrade a Bruxelas, a União Europeia arrisca-se a ser um projecto falhado. Se os irlandeses tivessem mantido a sua rejeição ao Tratado de Lisboa, teriam dado uma estocada fatal à UE.

Cada um usa as armas de defesa que pode, e a mais não é obrigado !...


Às vezes, dá vontade de ser porco!...

Portugal tem a melhor fábrica de "produção" de engenheiros!...

Cortesia do João Fráguas, seguidor deste blogue

Não tenho nada contra este engenheiro. O meu receio é que ele, um dia, também venha a ser primero ministro.

sábado, 3 de outubro de 2009

Parabéns, BRASIL !...


O Brasil mereceu inteiramente a distinção de ter sido escolhido o Rio de Janeiro, como a cidade de acolhimento dos Jogos Olímpicos de 2016. Para os portugueses, a alegria sentida não foi menor do que aquela que encheu de orgulho os brasileiros, incluindo aqueles que honradamente vivem e trabalham aqui, em Portugal, e que, a cada momento, com o seu alegre falar, nos estão recordar como a língua portuguesa é bela e é universal.
O Brasil tem um imenso capital de simpatia no mundo inteiro. Julgo que essa simpatia resulta da forma como aquele povo fez a miscigenação, cruzando no seu sangue a África e a Europa, numa mistura de identidades, que é a sua imagem de marca, e que se reflecte na sua permanente alegria e na sua esfuziante forma de estar. Isto já seria um bom motivo para a relevante escolha.
Mas o Brasil também recebeu esta honra pelo estatuto alcançado como potência económica emergente, a mais importante da América Latina. Compreendo o orgulho do presidente Lula, quando ele dizia há uns meses atrás, no final de uma reunião do G20, que "antes era o FMI a emprestar dinheiro ao Brasil, mas, agora, é o Brasil que empresta dinheiro ao FMI".
E agora, aqui, deste lugar, sou eu que quero emprestar a minha alegria ao povo brasileiro, neste momento especial, e, assim, também retribuir a minha gratidão aos muitos leitores do Brasil que, diarimente, visitam este blogue.

Irlanda: Espera-se que os irlandeses defendam a sua dignidade...


Quando a ansiedade ainda podia ser combatida com acções, em plena campanha, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, foi à Irlanda defender que uma vitória do "não" será "muito negativa para toda a Europa, incluindo, claro, a Irlanda". Em Limerick, a capital da região central do país, com 50 mil habitantes e uma área metropolitana de menos de 100 mil, Barroso anunciou uma ajuda de 15 milhões de euros para os 2400 ex-empregados da Dell, o fabricante de computadores norte-americano que em Janeiro encerrou a fábrica de Raheen, à saída da cidade. Limerick é um dos símbolos da crise e a crise tem tudo a ver com o referendo.
PÚBLICO, 2-10-09


Será que Durão Barroso manterá a proposta, se o "Não" ganhar?
A chantagem eleitoral tomou conta da democracia europeia, ao ponto de se ameaçar veladamente os eleitores, se não votarem em determinado sentido, ao mesmo tempo que, numa atitude indigna e degradante, se promove publicamente a compra de votos, através da oferta de dinheiro.


A única presidente de câmara do BE defende as touradas de morte

Ana Cristina Ribeiro considera que as diferenças com o seu partido só revelam "o enorme respeito que existe" entre a sua equipa e a direcção do Bloco de Esquerda.
Público online

E também um enorme respeito pelos touros!...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Ardi: um esqueleto que "fala" sobre a nossa origem e sobre o nosso longínquo passado...


Com a descoberta do fragilizado esqueleto de Ardi, uma fémea de um hominídio primitivo, que viveu na região de Afar, no território da actual Etiópia, há cerca de 4,4 milhões de anos, aproximou mais os paleontólogos do mais recente antepassado comum do homem e dos grandes símios, e que teria vivido há seis milhões de anos, ao mesmo tempo que pôs em causa ideias consensuais sobre a origem do bipedismo e sobre as características físicas desse misterioso antepassado comum às duas linhagens evolutivas.
Perante as características anatómicas de Ardi, os cientistas atreveram-se a conjurar que o tal antepassado comum teria mais semelhanças com o Ardipithecus ramidus, espécie a que o esqueleoto de Ardi pertence, do que com os chimpazés e de que o bipedismo ter-se-ia desenvolvido no período em que ele ainda vivia nas densas florestas africanas, antes de se abalançar na grande marcha milenar pela savana, a caminho do norte.
Seja qual for o resultado da polémica, que já se instalou nos meios científicos, a verdade é que Ardi vem dar um grande contributo para o conhecimento da nossa origem antropológica.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1403329&idCanal=13

Justiça, precisa-se!

Imagem do DN
Caso que envolve Sócrates foi arquivado e reaberto

Em 2001, um despacho de José Sócrates, como ministro do Ambiente, e de Capoulas Santos, da Agricultura, permitiu o abate de sobreiros para uma urbanização. O caso está em investigação há seis anos sem resultados objectivos, mas com muitas peripécias pelo meio. Já foi arquivado, mas o director do DIAP de Évora mandou reabri-lo em 2008
DN

Esta notícia do Diário de Notícias expõe de maneira muito clara a total inoperância da investigação criminal do país, em relação aos crimes do colarinho branco, principalmente aqueles que envolvem, como suspeitos, membros do governo e gente graúda. A Polícia Judiciária e os magistrados do Ministério Público apenas conseguem amontoar resmas e resmas de papéis inúteis, que o tempo fossiliza, e onde tudo se perde e nada se prova.
Este caso, em que está em causa o actual primeiro ministro, que, enquanto ministro do Ambiente, em 2001, autorizou o abate de milhares de sobreiros numa zona onde surgiu o empreendimento Vale da Rosa ou Nova Setúbal, transformou-se rapidamente numa caricatura da Justiça. Sem que os respectivos responsáveis se tivessem apercebido, os mesmos factos deram origem a dois processos paralelos. Um, conduzido pelo Ministério Público de Setúbal, e o outro pela delegação da Polícia Judiciária, naquela cidade. Duplicaram-se diligências, inquirições e cartas rogatórias, queimaram-se energias desnecessárias, atropelavam-se os agentes de investigação de cada um dos processos e perdeu-se tempo e dinheiro. Mas nem assim, apesar desta duplicação, os resultados apareceram. Um dos processos foi arquivado e, depois, reaberto, obedecendo aos caprichos momentâneos de quem conduz a investigação. Passados estes anos todos, os investigadores encontram-se no mesmo estado de ignorância, que tinham antes, quando abriram os processos.
Estamos perante uma verdadeira comédia da justiça portuguesa, que seria inócua e risível, se não se desse o caso de ser, ao mesmo tempo, uma grande tragédia para o país.
E esta inoperância, caricata e patética, e de contornos kafkanianos, ameaça repetir-se na meia dezena de processos de investigação criminal, ligados à corrupção e ao favorecimento pessoal, envolvendo gente ilustre, que pode dar-se ao luxo de estar sempre acima de qualquer suspeita (Freeport, BCP, BPN, BPP, etc.).