domingo, 27 de setembro de 2020
terça-feira, 22 de setembro de 2020
Estou cansado…
Estou cansado…
Estou
cansado,
cansado
de estar cansado.
Sinto o peso do chumbo
dentro de mim
e durmo embrulhado dentro da noite.
O Tempo foge-me pelos dedos
e queima-me a palma das mãos
e só agora descubro que ele existe
e que é tormento, dor,
uma ferida rasgada no coração,
uma fogueira que arde
e que nada nem ninguém pode apagar.
Já não sou o que era
e já não serei o que sou…
Alexandre de Castro
Lisboa, Setembro de 2020
Sinto o peso do chumbo
dentro de mim
e durmo embrulhado dentro da noite.
O Tempo foge-me pelos dedos
e queima-me a palma das mãos
e só agora descubro que ele existe
e que é tormento, dor,
uma ferida rasgada no coração,
uma fogueira que arde
e que nada nem ninguém pode apagar.
Já não sou o que era
e já não serei o que sou…
Alexandre de Castro
Lisboa, Setembro de 2020
domingo, 6 de setembro de 2020
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Há
mulheres que trazem o mar nos olhos
Não
pela cor
Mas
pela vastidão da alma
E
trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam
para além do tempo
Como
se a maré nunca as levasse
...
Da praia onde foram felizes
Há
mulheres que trazem o mar nos olhos
pela
grandeza da imensidão da alma
pelo
infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há
mulheres que são maré em noites de tardes
e
calma.
Sophia de Mello Breyner
Andresen (?)
Depois de ter publicado este poema, que, na respectiva fonte, apareceu, como sendo da autoria de Sophia de Mello Breyner, recebi, de um leitor anónimo, a seguinte informação:
Este poema não é de Sophia, embora apareça muitas vezes como sendo seu.
Trata-se de uma homenagem a Sophia por parte da juíza Adelina Barradas de Oliveira que escreve poesia nos tempos livres e publica no seu blogue Cleopatra Moon.
Poema bonito, mas de outra autora.
Leitor anónimo:
Poema bonito, mas de outra autora.
Leitor anónimo:
Agradeço-lhe a informação prestada, que só hoje li. E peço desculpa aos leitores por este meu engano involuntário.
quinta-feira, 27 de agosto de 2020
A propósito da Festa do Avante
Quando surgiu a polémica, a propósito da decisão do PCP, de pretender organizar, este ano, em tempos de epidemia, a Festa do Avante (a maior manifestação política de Portugal), eu defini, apenas para mim mesmo, e com algumas dúvidas e hesitações, a minha posição.
Não a divulguei imediatamente, neste espaço, pois preferi aguardar por outras opiniões, que inevitavelmente iriam surgir. E surgiram muitas, e muitas delas trazendo à ilharga um feroz anti-comunismo. É o costume.
E a minha posição é a que apresento a seguir, e que já publiquei noutro local.
"Tudo vai bem, quando tudo corre bem. O pior será se o André Ventura infiltrar, no espaço do evento, uma vintena de contaminados (pagos), e, nos dias seguintes, emergir uma corrente de transmissão, entre pessoas, que estiveram na Festa do Avante. Aí, cai o Carmo e a Trindade.
É elevada a probabilidade de se gerarem várias cadeias de contaminação, num agregado de milhares de pessoas. E esta asserção, baseada nas probabilidades e nas estatísticas, deve sobrepor-se aos argumentos de ordem políticos e partidários, porque, em primeiro lugar, está em causa a defesa da Saúde Pública".
Declaração de interesses: Sou simpatizante do PCP, desde antes do 25 de Abril, votei no PCP em todas as eleições realizadas e fui candidato do PCP, à presidência da Câmara Municipal de Ourém, nas penúltimas eleições autárquicas.
Alexandre de Castro
Lisboa, Agosto de 2020
quarta-feira, 26 de agosto de 2020
segunda-feira, 24 de agosto de 2020
Poema aos ventos dos céus
Poema aos ventos dos céus
Ah!... Como é dilacerante
a luta entre o Espírito e a carne
entre a Matéria e o Verbo
a Terra treme debaixo dos meus pés
quando amo
e todos os sonhos do mundo
cabem dentro de mim…
Não há paz no Universo
para meu sossego…
Procuro-te, oh deusa dos céus
dentro da minha visão lunática
que me leva ao princípio dos abismos…
Tudo se apaga à minha volta
e só consigo ver o luzeiro do céu estrelado
e o galope dos ventos cósmicos
que te fecundam…
Alexandre de Castro
Lisboa, Outubro de 2015
sábado, 15 de agosto de 2020
Dissertação para antecipar a velhice…
Dissertação para antecipar a velhice…
Tento sempre enganar a sombra
sobram-me desconfortos
quando já não encontro os sonhos
em que durmo
as palavras medem-me todos os dias
e teimam em ser iguais
quando as escrevo
porque já não tenho margens
para anotar tudo aquilo de que me esqueço…
Lisboa,
Janeiro de 2008
sábado, 1 de agosto de 2020
Nos destroços da demência e da memória…
Nos
destroços da demência e da memória…
E eu, no meio da minha cegueira,
entre as linhas que nos separam,
digo-te esta mentira, que reclamas:
“já me esqueci de ti...
Nunca te amei, desde que te vi.
Nem as feridas eram verdadeiras,
nem os beijos ardiam nos meus lábios,
nem os poemas, que te dediquei, eram meus.
Tudo era falso”.
…
E, agora, nos destroços da demência e da memória,
sofro com a verdade, porque sempre te amei…
Alexandre de Castro
Fevereiro de 2017
quarta-feira, 29 de janeiro de 2020
quinta-feira, 21 de novembro de 2019
E se eu vos disser...
E se eu
vos disser...
E se eu vos disser que me lembro
de todas as rugas daquele tempo
cavadas no granito e nos rostos...
E se eu vos disser que me lembro
da geografia da fome
e de todos aqueles para quem
a sua miserável pobreza
era a sua maior riqueza...
E se eu vos disser que ainda ouço
a voz das pedras dos caminhos e dos casebres
e o crepitar do lume das lareiras, nos Invernos,
para aquecer o frio e fazer crescer os sonhos...
E se eu vos disser que aquele tempo
era um tempo sem tempo,
que apenas sevia para esperar a morte...
E se eu vos disser que o mundo
nascia e morria ali,
porque não havia mais mundos
para além das serranias e dos baldios...
E se eu vos disser que tudo isto
é memória dorida,
ferida a sangrar em carne viva
que o tempo não alivia...
Este era o meu povo,
o povo ignorado que não esqueço
e que ainda trago na lembrança…
Alexandre de Castro
Lisboa, Outubro de 2014
terça-feira, 11 de junho de 2019
terça-feira, 21 de maio de 2019
Dissertação sobre o Big Bang…
Dissertação
sobre o Big Bang…
E naquele momento zero em que tudo começou,
no primeiro segundo cósmico,
surgido a partir do Nada
a energia, concentrada e tensa, explodiu
fazendo saltar matéria incandescente a alta
velocidade
para formar estrelas, cometas, planetas e
galáxias
a ensaiar uma louca dança orbital
e a obedecer com precisão infinita
à lei da gravitação universal.
Newton ainda estava a muitos anos-luz de
distância
na escala temporal, até uma maçã o despertar.
Galileu leu todos os sinais dos céus,
observou, fez experiências, analisou e calculou
e tudo ficou mais claro e transparente
para um cabal e definitivo entendimento.
Nem o Papa, que o mandou calar,
nem a sentença da Sagrada Inquisição
estancou aquele pensamento perverso
de ser a Terra continuamente a rodar
e de nunca ter sido o centro do Universo
desmentindo assim as verdades divinas
vertidas pela Fé nas Escrituras
e o Mundo continuou a girar, a girar,
rasgando segredos e descobrindo infinitos
com estrelas ainda a nascer
e outras a desaparecer, em lenta agonia cósmica
até um buraco negro as devorar
como se tudo se reduzisse a uma liminar equação
entre energia e matéria, na sua matemática
relação
e que Einstein revolucionariamente resolveu.
Mas há ainda uma outra lei desconhecida,
a do ciclo e do contra-ciclo, marcada pelo
tempo,
com o Universo a inverter-se e a matéria a
contrair-se
quando a
energia se esgotar e o espaço terminar,
deixando de se dilatar
aparecendo, então, uma força descomunal
a esmagar galáxias, estrelas, cometas e planetas
(fulminando a Humanidade, se ela ainda existir)
até a matéria se dissolver
e a energia regressar ao ponto inicial
para um outro Big Bang começar…
Alexandre de Castro
Lisboa,
Dezembro de 2008
sexta-feira, 17 de maio de 2019
terça-feira, 30 de abril de 2019
segunda-feira, 22 de abril de 2019
quinta-feira, 18 de abril de 2019
Dissertação sobre a ode à liberdade…
Dissertação
sobre a ode à liberdade…
A todos os tarrafalistas
e aos que tombaram pela liberdade
Já só tenho muros à minha volta
grades nas janelas sem vidraças
para que as palavras arrefeçam lentamente
escrevo nas paredes
os nomes e os símbolos
daquilo em que acredito
e já não tenho medo do carcereiro
nem do degredo
levo as mãos para as algemas
e olhos e alma para chorar
mas serei amanhã um homem livre…
Lisboa,
Novembro de 2007
sábado, 6 de abril de 2019
Brenda Fassie, a "Madona dos municípios"
Brenda Fassie, a "Madona dos municípios"
A "poeta" Maria Gomes homenageou, no Google+, Brenda Fassie, a cantora negra sul-africana, a quem a revista Time chamou a "Madona dos municípios", e que morreu precocemente em Maio de 2004. Era a voz dos marginalizados, escreve a "poeta", no seu texto. Era a voz da negritude, acrescentarei eu, num país que viveu a humilhação e o horror do apartheid.
Deixo aqui, a acompanhar o vídeo da malograda cantora, na sua interpretação de "Meneza", o texto e o belíssimo poema, que a "poeta" Maria Gomes lhe dedicou.
Deixo aqui, a acompanhar o vídeo da malograda cantora, na sua interpretação de "Meneza", o texto e o belíssimo poema, que a "poeta" Maria Gomes lhe dedicou.
Alexandre de Castro
///
"A Madonna dos municípios" foi Brenda Fassie, cantora pop sul-africana. A sua voz foi a voz dos marginalizados do apartheid.
A sua voz leva-me aos difíceis anos 90, anos de guerra. Ressoava noite adentro, vindo algures das redondezas da minha casa... e eu ficava, muito quieta, entregue àqueles acordes e à noite, sentindo um
renascer da esperança. Brenda foi, também para mim, a luz da noite escura.
Ainda é.
renascer da esperança. Brenda foi, também para mim, a luz da noite escura.
Ainda é.
"A Madonna dos municípios" morreu aos 39 anos em Joanesburgo, a 9 de Maio de 2004, com uma overdose de cocaína. Seu colapso e consequente internamento no hospital Sunninghill foi notícia de primeira página na imprensa sul-africana. Nelson Mandela e Thabo Mbeki visitaram-na no hospital.
Poema
Imorredoura voz, mãe da serenidade aflorando
do abraço infinito em que regresso,
haverá um país talhado na cartografia do amor?
Ó fogo que arde, ó flor do tumulto,
dai-me uma ave imaginária, uma paisagem real,
para que eu viva um caudal de enlevo
e erga as cinzas do poema na obstinação e na candura.
__________mariagomes
//
2019 04 06
domingo, 24 de março de 2019
A "decapitação" de Theresa May
A
"decapitação" de Theresa May
Se Theresa May - uma política que me convenceu,
embora eu me encontre nos antípodas da sua linha ideológica - for
"decapitada" pelos deputados do seu próprio partido, o Reino Unido,
com o tempo, passará a ser uma colónia da Alemanha, como já o são Portugal e a
Grécia. Não colónias do tipo clássico, como o foram as colónias africanas do
passado, mas colónias em que a dominação é ocultada pela acção política e
financeira da UE, e que o cidadão comum não percebe. Deste modo, com a UE e
também com a instituição do Euro (à qual o Reino Unido ainda não aderiu), a
Alemanha, paulatinamente, está a marcar pontos, para obter o ambicionado
estatuto de grande potência mundial. Está a conseguir aquilo que não conseguiu
com as duas guerras mundiais, que desencadeou no século XX, e que, como
consequência, ditaram o declínio da Europa.
Theresa May, apesar de não ser favorável ao
Brexit, assumiu, como ponto de honra, obedecer ao resultado do referendo, que
lhe foi adverso, e tudo fez para que o Reino Unido saísse do campo armadilhado
da UE. Esta coerência e esta honestidade, que é rara no mundo da política, têm
de lhe ser reconhecidas.
Alexandre
de Castro
2019 03 24
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019
Poema onde cabe o silêncio...
Poema onde cabe o
silêncio…
Falas-me
todos os dias
naqueles
teus silêncios mudos
em
que és a excelsa esfinge
e
a inefável musa…
Falas-me
com os teus olhos líquidos
pousados
na minha sombra
para
eu ouvir o eco do teu corpo
e
eu sinto o aperto do teu abraço
a
envolver o mundo,
e
mergulho no teu sono
onde
estão guardadas todas as tuas jóias…
Caminho
pelos trilhos da escuridão
entre
mundos que se repetem e se consomem
na
voracidade do tempo…
Jamais
me encontrarei comigo próprio…
Sou a raiz viva de uma árvore morta…
Alexandre
de Castro
Lisboa,
Junho de 2016
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019
Um país que envelhece é um país que empobrece
Um país que envelhece é um país que empobrece
As perspectivas demográficas, para Portugal, não
são animadoras. Até 2080, Portugal perderá 2,6 milhões de habitantes e o número
de jovens diminuirá de 1,4 milhões para 900.000, revelou o INE, em Junho
passado, ao mesmo tempo que informou que o número de idosos deverá aumentar de
2,2 milhões para 2,8 milhões. “No futuro, mantém-se o declínio populacional e o
agravamento do envelhecimento demográfico”, antevê o INE.
Perante estas projecções, no final do século,
Portugal será um país de velhos. E um país que envelhece é um país que empobrece.
E eu não vejo os nossos políticos, os dos partidos do arco do poder (PS, PSD e
CDS), a encararem de frente este grave problema, preocupados que estão, a fim
de politicamente sobreviverem, em aplicar apenas políticas de curto e médio
prazo, muitas delas viciadas com o traiçoeiro e enganador eleitoralismo.
Em vez de construir, estamos, por antecipação e
por inércia, a destruir o Portugal do futuro, assumindo por inteiro aquele
adágio “quem cá fica que se amanhe”.
Alexandre
de Castro
2019 02 20
domingo, 17 de fevereiro de 2019
Último Testemunho de Unamuno...
Último Testemunho de Unamuno...
Tal como Pablo Neruda morreu dias depois do
golpe de Pinochet, também Miguel Unamuno não sobreviveu por muito tempo ao
golpe de Franco.
Morreu amargurado ao ver a sua Espanha dominada
pela barbárie fascista e suportou desassombradamente todos os enxovalhos e
insultos a que o submeteram as autoridades franquistas, logo no início da
Guerra Civil, destacando-se o célebre episódio ocorrido na sessão solene da
abertura do ano académico da Universidade de Salamanca, de que era reitor, onde
o grosseiro general franquista Millán Astray, que presidia, lançou o animalesco
grito "Muera la inteligência".
E foi com este mesmo bárbaro grito que os
assassinos de Garcia Lorca comemoraram com uma bebida, num bar de Granada, a
perpetração do seu hediondo crime.
Unamuno foi um dos mais brilhantes escritores da
sua geração. Pertenceu ao movimento literário, denominado "Geração de
98", onde também pontificavam Ortega y Gasset e Perez de Ayala. É
considerado um Príncipe das Letras Espanholas, juntando o seu nome à Galeria de
Honra formada por Cervantes e Quevedo.
Visitou várias vezes Portugal, onde tinha alguns
amigos, tendo enaltecido o facto das letras portuguesas, com a geração do
Orpheu, terem aderido rapidamente ao movimento modernista, nascido em Itália em
1910.
Alexandre
de Castro
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 31 de janeiro de 2019
A realidade na Venezuela é esta: garantir, por parte dos EUA - e tal como aconteceu no Iraque e na Líbia - o controlo das maiores reserva de petróleo do mundo
Para se perceberem melhor as hipócritas
intenções dos EUA e dos países ocidentais, seus fiéis aliados, é necessário
rever o que se passou no Iraque e na Líbia, em que as respectivas invasões
militares, que destruíram aqueles dois países, foram justificadas pela cruzada
da democracia, e precedida pela diabolização de Saddam Hussein e de Kadafi, que
foram barbaramente assassinados, por mercenários dos países invasores. E o
denominador comum entre aqueles dois martirizados países e a Venezuela, é que
todos eles têm petróleo, no seu subsolo. Se a Venezuela de Maduro sucumbir aos
lacaios treinados pela CIA, os EUA ficam a dominar as principais reservas de
petróleo do mundo, o que constituirá uma enorme vantagem estratégica em relação
à Rússia e à China. E andam por aí uns tolos a reduzirem tudo isto à democracia, aos Direitos Humanos e à Liberdade, quando tudo não passa de uma
grosseira cabala para justificar o saque.
Alexandre de Castro
2019 01 30
sábado, 26 de janeiro de 2019
O Mundo emocionou-se com o drama do pequeno Julen
O Mundo
emocionou-se com o drama do pequeno Julen
Chegou ao fim o drama do pequeno Julen, que teve
um fim decepcionante, embora esperado. Um drama que emocionou o mundo, numa
grande e silenciosa manifestação solidária global, como já não se via há muito
tempo. Resta registar e louvar o esforço e a abnegação de toda a equipa de
salvamento, que, em condições muito adversas, foi rápida e eficiente na sua
actuação. Julgo que todos os seus elementos teriam chorado, perante o facto de
não terem encontrado o Julen com vida. Ficou, contudo, a consolação de
resgatarem o seu corpo morto, para que os seus pais o possam enterrar com toda
a dignidade, que a morte de um ente querido reclama.
Alexandre
de Castro
sábado, 19 de janeiro de 2019
A Revolta da Marinha Grande em 1934
A 18 de Janeiro de 1934, a Marinha Grande
acordou com um levantamento operário vidreiro contra a fascização dos
sindicatos enquadrada pelo Estatuto Nacional do Trabalho. Os revoltosos
conseguiram tomar o poder por algumas horas, mas a repressão de Salazar
acabaria por esmagar a revolta e enclausurar os revoltosos nos cárceres do
fascismo, onde alguns jaziram. Em 29 de Outubro desse ano, 57 marinhenses que
participaram no 18 de Janeiro inauguraram o Campo do Tarrafal, na ilha de
Santiago, em Cabo Verde
Jornal
AbrilAbril
***«»***
Estes homens foram os “Heróis” de um tempo em
que a fome não era uma metáfora.
Alexandre
de Castro
2019 01 19
segunda-feira, 14 de janeiro de 2019
MASSACRE INDÍGENA, MATO GROSSO DO SUL
AMAZÓNIA:
O massacre
das populações indígenas e a desmatação da Amazónia
Este apelo desesperado de uma indígena Guaanys
Kaiowà é de 2016. Em lágrimas, ela denunciava o massacre que estava a ser
perpetrado sobre o seu povo.
O mundo ficou calado e mudo!... Os governos
ocidentais, tão diligentes em condenar os países considerados inimigos de
estimação, por estes, supostamente, não respeitaram os direitos humanos, também
ficaram calados, tentando, assim, esconder a sua cumplicidade. O mesmo se pode
dizer da comunicação social, toda ela nas mãos das classes possidentes, que à
distância comandam o poder político.
E, com a eleição do fascista Bolsonaro, as
comunidades índias correm o risco de ser dizimadas, para abrir caminho ao
sector do agro-negócio, que pretende instalar-se na Amazónia, desmatando-a e
destruindo-a progressivamente, acções estas, que irão contribuir para o
agravamento das alterações climáticas.
Estamos na presença de crimes contra a
Humanidade, que é necessário denunciar em todas as instâncias. E a divulgação,
através das
redes sociais, deste vídeo e deste texto, poderá ser o início de um longo
caminho, se todos colaborarem.
Alexandre
de Castro
terça-feira, 18 de dezembro de 2018
LOUVOR
Centro Oncológico Dra.
Natália Chaves - Carnaxide
LOUVOR
A crítica fundamentada e objectiva envolve ou o
protesto indignado ou o elogio rasgado. E, neste caso, é o autêntico elogio que
o subscritor pretende expressar neste pequeno apontamento.
A primeira impressão positiva a registar, para
quem cruza este espaço, o Centro Oncológico Dra. Natália Chaves, remete para a
concepção arquitectónica do edifício, a marcar a sua modernidade, através do
estilo sóbrio das suas linhas rectilíneas e da nobreza, ajustadamente simples e
desnudada, dos materiais utilizados, quer no seu exterior, onde se consegue uma
harmonia com a paisagem ajardinada envolvente, quer, principalmente, no seu
interior, onde, num cruzamento de uma combinação feliz, se descobre uma
estética, despojada de inúteis maneirismos, e, ao mesmo tempo, se consegue
obter a respectiva funcionalidade, para o fim em vista.
Uma outra observação positiva, a registar, e
esta, talvez, a mais importante e a mais significativa, já que se trata da
humanização deste espaço, vai dirigida directamente para os funcionários da
instituição, com quem o subscritor mais lidou, ao longo destes dois meses do
seu tratamento. Embora não se encontre credenciado para proceder a uma qualquer
avaliação sobre as respectivas competências técnicas, o subscritor, de uma
forma indirecta e sumária, pode anotar, com toda a segurança, o bom desempenho
profissional desses funcionários, que se detecta pela forma expedita e segura
como cumprem os rigorosos protocolos instituídos, para cada função a
desempenhar. E tudo isto só é possível, porque a direcção da instituição soube
assumir uma gestão criteriosa e rigorosa dos procedimentos a aplicar para todas
as funcionalidades inerentes à sua missão. Assim se explica a ausência de
confusões e, a cada momento, o surgimento de uma grande aglomeração de doentes,
ao mesmo tempo que se proporciona e o seu atendimento atempado.
E, tal como uma cereja em cima de bolo, é de
registar a enorme e espontânea simpatia, sem ser compulsivamente forçada, com
que todos funcionários da instituição envolvem os doentes. E aqui, embora não
pretenda discriminar ninguém, e, talvez, porque o acaso determinou uma maior
frequência de contactos no processo de atendimento, é de toda a justiça
destacar a simpatia e o aprumo profissional da recepcionista, D. Sónia Canelas.
E é, principalmente, pelo ângulo desta
perspectiva humanizante, que o subscritor regista, com agrado, o seu
agradecimento aos profissionais de enfermagem e aos técnicos de radioterapia,
bem diferenciados tecnicamente, às recepcionistas, diligentes e simpáticas, no
atendimento, aos funcionários administrativos e aos imprescindíveis
funcionários auxiliares, e isto sem esquecer a valiosa prestação da médica,
Dra. Rosário Vicente, assim como a oportuna intervenção avulsa da senhora
enfermeira Paula Dias, a quem o subscritor apelidou amavelmente de a sua
querida torturadora.
Alexandre
Lopes de Castro
Jornalista
Lisboa,17 de Dezembro de
2018
domingo, 2 de dezembro de 2018
A França sempre nos habituou a ser a aurora das revoluções.
A França sempre nos habituou a ser a aurora das
revoluções. E, agora, já não são os estudantes românticos do Maio 68 a
manifestar-se, nem os operários a fazer greves, uns e outros já domesticados
pelo sistema. Agora, são todos aqueles franceses da França profunda e "do
fim do mês difícil", que apoiam este movimento dos coletes amarelos, um
movimento que poderá vir a ser capturado pela extrema - direita, se é que o
referido movimento – sem liderança visível e que se apresenta como uma
estrutura inorgânica e horizontal – não nasceu por uma sua secreta inspiração.
De qualquer maneira, vem-nos à cabeça o Maio 68.
Alexandre
de Castro
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