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quarta-feira, 9 de maio de 2018

A falta de médicos no SNS é uma realidade indesmentível




Os três centros de orientação de doentes
urgentes (CODU) estão a funcionar
sem os médicos necessários e não
raras vezes estão a trabalhar com
apenas três, quando deveriam
existir pelo menos seis clínicos.


E nós, por cá, lá vamos cantando e rindo, alimentando aquela vã esperança de que o azar não nos bata à porta... Esta introdução é para os distraídos.

Em situações de emergência médica, um minuto, que seja, pode determinar o destino de uma vida. A nossa, inclusive. Por isso, não podemos deixar-nos embrulhar pelos argumentos "fraudulentos" do governo, nem pela hipocrisia dos partidos da direita, em relação ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), que está a degradar-se, de dia para dia, principalmente no interior do país, onde já se vivem situações dramáticas.

A falta de médicos e de enfermeiros (e foi isto que motivou a actual greve médicos, com uma duração de três dias, e que está a ter um retumbante êxito) é, actualmente, o problema central do nosso sistema de saúde. E sem os meios humanos necessários, nenhum sistema pode ser funcional.

Mas é bom que se perceba por que razão esta situação está a ocorrer, e também por que razão António Costa nunca se pronuncia (ou poucas vezes se pronuncia) sobre o SNS, chutando o ónus dos encargos para o seu ministro da tutela, que, no primeiro dia da greve, em desespero de causa, até afirmou que (pasme-se!), se fosse médico, também teria aderido à greve, afirmação esta que pré-anuncia, a prazo, o fim do seu mandato. Ele irá, certamente, dentro de alguns dias ou semanas, pedir a sua demissão, invocando, como argumento, a falta de condições, para exercer o seu cargo, o que, neste caso, (e só neste caso), o do congelamento da admissão de novos médicos e enfermeiros, é verdadeiro.

A nomeação de um novo ministro da Saúde vai dar a António Costa a oportunidade de tentar travar, por mais uns meses, a contestação dos profissionais da Saúde à sua política em relação ao SNS, ao mesmo tempo que vai alimentando falsas expectativas nos portugueses. 

Não é ainda chegado o momento em que ele possa vir dizer que virou "mais uma página", do livro que anda a ler, um livro que lhe foi aconselhado por Merkel, por Macron e por Junker (tudo boa gente, que só querem a felicidade dos portugueses), e onde consta que Portugal tem um serviço de Saúde acima das suas possibilidades, pelo que, a ter de haver cortes, para equilibrar o défice orçamental, terá de ser neste sistema que eles deverão incidir, recomendação esta que Costa se apressou a sublinhar, (no tal livro que anda a ler), e que Centeno - já com as nádegas bem ajustadas ao assento da cadeira do Presidente do Eurogrupo e talvez já espreitando novas oportunidades de carreira - se prontificou a executar, cativando verbas do Orçamento de Estado em vigor, que já se encontram alocadas ao SNS, e que, assim, ficam em suspenso, dependendo a sua libertação, para execução, do equilíbrio das contas públicas, a meio do segundo semestre do ano. Se o défice, nessa altura, estiver controlado, haverá festa rija, pois, além do êxito financeiro alcançado, haverá um lauto bodo aos pobres, mesmo à beira das eleições legislativas, o que vem mesmo a calhar. Se o défice derrapar, então os hospitais e os centros de saúde têm de se amanhar com os técnicos de saúde, que têm actualmente, e esperar pelo próximo ano. Por sua vez, o dinheiro, que ficou cativo, no actual exercício, será incorporado no abatimento do défice orçamental. Entretanto, quer num caso, como no outro, muitos portugueses vão morrer, por falta de assistência médica atempada, o que será uma situação bem mais grave do que a corrupção de que estão indiciados Sócrates e Pinho, pois uma vida não tem preço no mercado de capitais.

António Costa tem dois problemas graves, que lhe estão a tirar o sono, e ambos com incidência orçamental, e que poderão ter repercussões eleitorais. Um é este, relacionado com o SNS. O outro reporta para os incêndios florestais do próximo Verão, em que um clamor de protestos está a varrer o país, com as várias entidades e instituições ligadas ao sector a pronunciarem-se sobre as graves falhas e carências existentes, ao nível dos meios de ataque aos incêndios, assim como ao nível das estruturas de coordenação. Até parece que é um país inteiro que está a arder.

António Costa, com o caso de José Sócrates e de Manuel Pinho, já perdeu a ambição de conquistar a maioria absoluta, nas próximas eleições legislativas. A canzoada do PSD e do CDS e a imprensa de referência domesticada, que funciona como câmara de ressonância da direita, não vão largar-lhe as canelas, tentando promover o caso ao nível de  uma questão de regime, mas esquecendo os muitos telhados de vidro coleccionados, durante o regabofe do cavaquismo.
 

Se tudo correr mal a António Costa, em relação ao SNS e se os incêndios florestais provocarem outra tragédia, poderá ser o fim da Geringonça e o domínio da direita no aparelho do Estado, o que até agradará aos donos da Europa, que não se coibirão de repetir o jogo das chantagens e das ameaças veladas, antes das próximas eleições. Mas isto, acima de tudo, será uma tragédia para o povo português, pois a direita, além de impor a sua ideologia neoliberal, irá descarregar, sobre os trabalhadores e sobre os reformados, o fel da sua vingança, resultante dos ódios acumulados, durante os últimos quatro anos.

Para que a Geringonça continue a poder viabilizar um outro governo minoritário, do PS, António Costa tem de mudar de agulha e deixar-se de querer fazer joguinhos com o PSD, de Rui Rio, como aconteceu recentemente, ao aceitar discutir com os sociais-democratas um acordo sobre o SNS, quando se sabe que Rui Rio levará debaixo do braço um plano gizado para favorecer a entrada em força dos agentes privados no SNS.

Alexandre de Castro
2018 05 09

terça-feira, 8 de maio de 2018

Como era Portugal antes da Democracia?





Ainda tenho a memória desse tempo sem futuro.
Era o país de Salazar, um campónio doutorado, que odiava o progresso e dele desconfiava, e que, da Cultura, tinha apenas a visão distorcida de um seminarista da província.

Era o país do "Livro Único", onde os portugueses aprendiam a ser "obedientes, pobres, honestos e trabalhadores", e em que se legislava sobre o comprimento das saias das mulheres, que tinham de esconder os joelhos, para evitar os seus perversos efeitos eróticos.

Era o país em que só se deveria "foder", às escuras, embora os portugueses estivessem sempre a ser "fodidos", às claras. (*)

Era o país que até tinha um Portugal dos Pequeninos.

Alexandre de Castro
2018 05 08

(*) Desculpem o calão utilizado, que não é dos meus hábitos, na escrita. Mas, desta vez, tinha de vos escandalizar, tal como, certamente, se escandalizaram com a visualização deste vídeo. E, oxalá, que uma grande crise, que, segundo alguns economistas de renome, vem aí a caminho, não nos ponha novamente a comer, ao pequeno- almoço, caldo de couves e pão com toucinho.

terça-feira, 1 de maio de 2018

O negócio dos corninhos...



O negócio dos corninhos...

Achei muita piada a um texto de opinião de um jornalista, que escreveu: "Afinal, os corninhos de Manuel Pinho eram para todos nós".
Quem deve estar a rebolar-se de riso, é o ex-deputado do PCP, a quem Manuel Pinho dirigiu o insultuoso e obsceno gesto, numa sessão da Assembleia da República.
Mas, a pergunta que se impõe é esta: Quem é o próximo ex-ministro que nos andou a pôr os cornos?

Alexandre de Castro
2018 05 01

domingo, 29 de abril de 2018

Por este andar, ainda virá o dia em que tem de se pagar para trabalhar...


2018 04 29

Simplesmente Mulher...




Simplesmente Mulher...

No Dia Internacional
da Mulher

Até Deus, logo que te viu,
no breve enlevo do paraíso,
te amaldiçoou com o pecado original...
E o Homem, através dos tempos,
impondo o poder que esse Deus lhe deu
nunca te perdoou o encantamento
da bíblica árvore em que se perdeu...

Em nome de Deus, Jeová e Alá,
Moisés, Cristo e Maomé,
cristãos, muçulmanos e judeus,
erguendo aos céus os sagrados livros,
impuseram o silêncio do teu corpo,
riscaram a tua existência, a tua voz...
E a tua vida, separada da tua pujança,
foi apenas uma sombra esquecida...
Benzeram-te com a peçonha
da vergonha
de teres nascido mulher...

E os homens ungiram a tua vagina
para aquecerem a sua volúpia
e dilatarem o teu vigoroso útero,
que pariu a humanidade inteira,
e esquecendo-se, sem remorsos,
da tua dimensão verdadeira...

Eras apenas mãe, esposa ou irmã,
na simples serventia de parideira, vivendo
ao ritmo das mamadas dos teus filhos...
E quando o vento mudava de feição
eras serpente, bruxa e feiticeira,
desgraçada e perdida rameira...
Mulher sem condição...

E tu eras simplesmente Mulher
(e não um objecto qualquer,
escondido na burka, no hábito ou no véu)...
Nem mesmo eras aquela outra Maria
que as asas de um arcanjo cobriu
E que, mesmo chamada virgem, pariu...

Alexandre de Castro

Lisboa, Março de 2005

Registado: IGAC/MC- 5467/2004

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Ary dos Santos - As Portas Que Abril Abriu





As Portas Que Abril Abriu

Não posso deixar de emocionar-me até às lágrimas e com um grande nó a atar-me a garganta, ao ouvir a vigorosa voz de Ary dos Santos, a declamar, com força e emoção, o seu grandioso poema, "As Portas Que Abril Abriu", que é o grande poema da Revolução de Abril e, revolução essa, que o povo, com toda a sua criatividade, logo baptizou como a Revolução dos Cravos, tal foi a profusão de cravos que alastrou pelas ruas de Lisboa, como se tratasse de um fenómeno de geração espontânea, e que começaram a engalanar os canos das espingardas e as coberturas dos tanques.

Fica-nos na memória todo o romantismo que esta revolução inspirou à minha geração, que a viveu em profundidade, com muito amor e com muita convicção, alimentando aquela esperança de que, com o derrube do caduco regime fascista, iríamos construir um país novo.

E essa esperança ainda não morreu, nem pode morrer.

[Por motivos de força maior, não poderei estar presente no desfile da avenida, que, por sinal, se chama da Liberdade. Cantem por mim a "Grândola, Vila Morena".

Alexandre de Castro
2018 04 25

25 de Abril _ Não deixemos morrer os cravos!.


Não deixemos morrer os cravos!...

Alexandre de Castro
2018 04 25


sábado, 21 de abril de 2018

O fim da ETA: verdade ou encenação?

Fotografia típica das famosas conferências de imprensa clandestinas da ETA

O fim da ETA: verdade ou encenação?

A ETA emitiu um comunicado onde pede desculpa a algumas vítimas das suas ações que duraram cinco décadas e fizeram mais de 850 mortos. Dissolução do movimento terrorista está prevista para 5 de maio.

Começo a desconfiar da autenticidade desta notícia, que é a segunda vez que aparece na imprensa espanhola. Não sei se não será uma encenação do governo de Madrid, destinada a esbater, de uma forma subliminar, o forte impacto das tendências autonomistas, principalmente a da Catalunha, que cada vez se agiganta mais.

O teor do texto e o seu tom lamechas, a repisar constantemente o arrependimento, a dor causada às famílias das vítimas, as mortes causadas pelos muitos atentados, soa-me a falso, pois há ali a necessidade de dramatizar, até ao limite, o que, por natureza, foi dramático.
.
Por outro lado, os operacionais da ETA, que, por razões de segurança, deveriam ser, à época, em pequeno número, ou já morreram, ou, se não morreram, já têm uma proveta idade, que já não se compadece com este lirismo textual, que até sugere, de uma forma artificiosa e suspeita, que não vale a pena lutar pela independência do País Basco e que é preferível optar por uma solução democrática, pensamento este que não se coaduna muito com o perfil da forte personalidade de quem escolheu, em tempos, a via da luta armada clandestina, em condições muito difíceis, para alcançar o desiderato da independência do País Basco. Trata-se de pessoas que actuaram sob a pressão de convicções muito fortes e inabaláveis, e que, na minha perspectiva, não estou a ver que a elas possam renunciar, desta forma folclórica.

E também me parece folclórica esta forma estranha a desajustada de promover uma conferência de imprensa, em tudo idêntica às dos velhos tempos, e a realizar no próximo dia 5 de Maio, no País Basco francês, e destinada a anunciar solenemente o fim da ETA. É estranho, porque se se tratasse de verdadeiros militantes, bastava-lhes, para apaziguar a sua consciência e o seu sentimento de culpa, a emissão dos comunicados, que já foram divulgados, em que se anunciava o definitivo desmantelamento daquela organização, que pôs de cabeça à roda à polícia secreta do ditador Franco.

Os velhos militantes operacionais recusariam, certamente, tanta teatralização, para anunciar a sua morte política. E será uma teatralização, se, na realidade, como eu suspeito, tudo isto não for uma manobra bem engendrada do governo de Madrid, destinada, pelo efeito de simpatia, a desmoralizar e a denegrir o movimento independentista da Catalunha.

O que os velhos operacionais da ETA querem, neste momento, é que o tempo passe, sem que sejam descobertos e identificados pela polícia espanhola, o que poderia vir a acontecer no território do País Basco francês, pois eles não poderiam vir para a rua, mascarados, tal como iriam apresentar-se, certamente, na dita conferência de imprensa. Seria um grande risco.

Penso, pois, que isto é uma farsa. A ver vamos.

Alexandra de Castro
2018 04 21

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores.


Contentores do Serviço de Neurocirurgia d0 H. S João


Neurocirurgia do Hospital de S. João: Onze anos a funcionar em contentores

É obra! Esta situação, vivida no Serviço de Neurocirurgia do Hospital de S. João, no Porto, e que é verdadeiramente chocante. É um bom exemplo da capacidade de resposta governativa que os partidos do Bloco Central, coligação esta que, agora, parece estar numa outra gestação, são capazes de dar aos problemas concretos do país real.

Deixemos-nos de ilusões: PS e PSD são farinha do mesmo saco. A diferença apenas está na moagem.

É de estarrecer, quando nos defrontamos com este pedaço de prosa, desta reportagem do PÚBLICO.

"A enfermeira veio chefiar o serviço há dois anos e viu parte do hospital onde trabalhava há 30 anos com novos olhos. "Quando me mostraram as casas de banho, a primeira lembrança que tive foi de um campo de concentração". O dia-a-dia trouxe-lhe outras dificuldades: "No Inverno os familiares têm que trazer cobertores. O frio é imenso e ainda há sítios onde chove, nomeadamente numa enfermaria. Há buracos, frequentes pragas de formigas. As sanitas entopem quase diariamente" e Isabel Dias não pode conter a ironia quando olha para o chão colorido dos corredores, símbolo das reparações mais ou menos antigas do piso. Da última vez que este cedeu, uma enfermeira ficou com o pé preso. "Os profissionais estão exaustos", afirma".

Mas o Costa virou mais uma página. Uma página amarelecida pelo tempo, o tempo de onze anos, e, página essa, que foi "virada a ferros".

Entretanto as crianças com cancro, deste hospital, continuam no corredores, a fazer os tratamentos de quimioterapia. E o Marcelo ainda não apareceu por lá, para os habituais beijinhos e abracinhos. Claro, o homem não pode ir a todas.
Alexandre de Castro
2018 04 19

domingo, 15 de abril de 2018

EUA: Um Presidente, que não faça uma guerra, não é um bom presidente...


Checkpoint Asia

Desde meados da década de sessenta, do século passado, todos os presidentes dos EUA tinham de engrandecer o seu currículo, desencadeando uma guerra. Trump já tem a sua, mas que não passou de uma vitória de Pirro.
Alexandre de Castro
2018 04 15

Milagres, há muitos… Oh, palerma…


Primeira página do Correio da Manhã

Milagres, há muitos… Oh, palerma…

Por enquanto, apenas são sinais anunciadores, dos milagres que hão-de vir, e que serão enviados pela chancelaria divina, mas, como de costume, sem a indicação dos respectivos prazos de validade.
Eu sempre disse que Fátima é a fábrica da cera e dos milagres, dois produtos de elevado valor acrescentado, mas que estão isentos do pagamento do IVA., o que, só por si, já é um autêntico milagre da santa, assim como é, também,   milagre o facto das esmolas dos peregrinos não pagarem aquele imposto. Isto, num país onde a caça aos impostos, ao nível da classe média, é particularmente tenaz e incisiva, não deixando espaço para o cidadão respirar.
Alexandre de Castro
2018 04 15

Rússia: “Tais acções vão ter consequências”




Rússia: “Tais acções vão ter consequências”

Numa primeira reacção, o embaixador russo nos EUA, Anatoly Antonov, publicou um comunicado no Facebook, afirmando que os EUA e os seus aliados sabem "que tais acções terão consequências". E acrescentou: “Insultar o Presidente da Rússia é inaceitável e inadmissível”, além de que os EUA “não têm moral para criticar os outros países”, uma vez que tem um grande arsenal de armas químicas, argumentou.

Os alvos dos bombardeamentos dos EUA já tinham sido evacuados há vários dias, disse à Reuters uma fonte de uma aliança regional que apoia o regime de Assad. “Tivemos um aviso dos russos sobre o ataque e todas as bases militares foram evacuadas há alguns dias”, disse a mesma fonte. “Cerca de 30 mísseis foram disparados no ataque e um terço deles foi interceptado”.
PÚBLICO

***«»***

No ponto de vista militar, a operação desencadeada pelos predadores Trump, May e Macron foi um fracasso.

A operação destinava-se mais para consumo interno da opinião pública americana e europeia do que para assustar a Rússia e a Síria, que suportam bem estas arranhadelas.

No entanto, não deixou de ser um grave acto de guerra e uma agressão a um país independente, que o Direito Internacional proíbe e sanciona.

A Carta das Nações Unidas apenas consente o uso da força militar, contra um país soberano, no caso de legítima defesa ou actuando, através de um mandado do Conselho de Segurança da ONU, o que não foi o caso, permitindo assim que possamos considerar delinquentes paranóicos os três dirigentes políticos acima citados, e que, com esta iniciativa criminosa, deslustraram os valores da chamada civilização ocidental, que dizem defender.

Em relação às armas químicas, cito o PÚBLICO:
“A Convenção sobre o Uso de Armas Químicas diz que o Conselho de Segurança pode impor 'medidas' contra quem voltar a usar armas químicas na Síria, mas não autoriza directamente o uso da força. O tratado não tem um mecanismo de imposição que autorize outras partes a atacarem ou a punirem quem o violar”, explica Sofia Olofsson, na revista online Cornell Policy Review".

O crime está provado. E a apatia e a condescendência do secretário geral da ONU também.

Uma nota a preceito:
Parece que, agora, é moda chamar políticos portugueses para cargos internacionais importantes. Pudera!... São os melhores lacaios.
Eu, por mim, continuo a preferir os cães de guarda. São mais fiéis.

Alexandre de Castro
2018 04 15

sábado, 14 de abril de 2018

De falácia em falácia até ao desastre final…



De falácia em falácia até ao desastre final…

À enorme falácia de Bush, sobre a existência de armas de destruição massiva, no Iraque, e que nunca foram encontradas, segue-se, agora - como argumento para os EUA desencadearem uma guerra contra a Síria - a falácia das armas químicas (que ninguém provou existirem).

A Síria e o Irão são os únicos países do Médio Oriente que o imperialismo americano ainda não conseguiu vergar, impedindo-se assim o seu desígnio de pretender assegurar o seu domínio total sobre a zona onde se encontram as maiores reservas de petróleo do mundo. Trata-se, pois, de uma guerra de rapina, que o mundo inteiro deve condenar.

Mas, esta guerra contra a Síria poderá ter consequências dramáticas, a nível global, despoletando uma espiral de violência, nunca vista, através do recurso às armas nucleares, pois a Rússia reagirá imediatamente, para proteger o seu aliado histórico, que é um país independente, reconhecido pela comunidade internacional, que tem assento na ONU e que tem todo o direito de defender a sua soberania e a sua integridade territorial.

Alexandre de Castro
2018 04 12

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Resposta a uma pergunta sobre o texto “A bivalência da coisa”


Resposta a uma pergunta sobre
o texto “A bivalência da coisa”


Num Grupo do facebook, um leitor interessado, reagiu ao meu texto, A bivalência da coisa, também aqui publicado, deixando a seguinte pergunta: Qual a solução?

Respondi assim:

Há várias soluções, A T:

1ª - Se eu tivesse uma bomba atómica, lançava-a no edifício da sede da UE. Cortava-se o mal pela raiz.

2ª - Forçar, da parte do governo português, a renegociação da dívida e a sua reestruturação, perdoando-se parte do seu montante e alongando o prazo da sua total liquidação, para dar folga a Portugal, que assim poderia aumentar o investimento público, de forma a fazer crescer a economia para os quatro e cinco por cento, o que não está a ser conseguido, nem pode estar, porque a dívida contraída às entidades da troika, tal como está estruturada, constitui um verdadeiro garrote para a economia portuguesa.

Não está a pedir-se nada que a então Alemanha Ocidental não tenha pedido aos países vencedores da Segunda Guerra Mundial, em relação ao pagamento das indemnizações de guerra, entretanto transformadas em dívida

Recorde-se que, quando o governo da nossa desgraça assinou o acordo com a troika, o cálculo então feito - para que Portugal conseguisse pagar a dívida até ao prazo estabelecido (2035 para a dívida do FMI e 2036 para a dívida ao BCE e à Comissão Europeia) - apontava para a necessidade da economia portuguesa crescer os tais quatro a cinco por cento, ao ano. Ora, nos últimos três exercícios anuais, o crescimento da economia nem sequer chegou a metade dessa percentagem, nem nunca vai chegar, se não houver dinheiro para mais investimento público.

A não se negociar nada, o esforço orçamental do Estado português terá de ser muito maior, em prejuízo dos salários, das pensões e do Serviço Nacional de Saúde, como, aliás, já está a acontecer com o Orçamento de Estado deste ano. E, com excepção dos anos eleitorais, os orçamentos serão cada vez mais apertados, o que se vai repercutir na descida gradual do nível de vida dos portugueses, no aumento da pobreza e na degradação do Estado Social.

Pergunto: É isto que os portugueses querem? É desta forma cruel que a Europa é amiga de Portugal? É a isto que se chama virar a página, como António Costa anda sempre a dizer?

3ª– Se a primeira hipótese é inviável, impraticável e impossível e a segunda é rejeitada pelos partidos europeístas nacionais, então o melhor é ir à bruxa.
É o que eu também vou fazer.

Alexandre de Castro
2018 04 12

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A bivalência da coisa




A bivalência da coisa

Era de prever este golpe. Na altura em que Centeno tomou posse, como presidente do Eurogrupo, eu escrevi uma coisa, mais ou menos assim:

"Como é que Centeno vai conciliar o seu discurso em Bruxelas com o discurso do Terreiro do Paço"? Passados uns dias, cheguei à conclusão que o próprio António Costa estava na mesma onda, a jogar na mesma ambiguidade. E, na realidade, nesta metade do mandato, Centeno e Costa entregaram-se à tarefa de fazer um número de ilusionismo, dando por um lado e tirando por outro lado. Designei o governo, como o governo do “tira e põe”.

Só que, os profissionais da Saúde resolveram partir a loiça, fazendo um grande estardalhaço, e ponde a nu as carências e os graves problemas do sector, que só poderão ser resolvidos com uma inversão da política que o governo está a seguir, de inteira submissão a Bruxelas, e, política esta, que não vai mudar, como já se percebeu, limitando-se apenas, e mais uma vez, a ir tapar buracos com provisórios remendos, a fim de calar as vozes dissonantes.

Com o PCP a afirmar que vai ser crítico, mas que não quer a ruptura e um BE, que anda um pouco desorientado para encontrar uma estratégia para resolver este dilema, e, também, com um PSD fragilizado (e que fique muitos anos assim), António Costa pode fazer a política que Bruxelas e Berlim apoiam e pretendem. Com as próximas eleições no papo, o próximo mandato governamental será cada vez mais europeísta, continuando a governar-se à volta da centralidade do défice, e da dívida, dívida que nunca poderemos pagar, a não ser que Portugal venha a ser o Benim da Europa, depois de perder a maior parte de tudo que ganhou no passado.

Já me chamaram “pessimista doentio”, mas eu julgo que tenho razão. Armadilhado com o euro e com a dívida, Portugal não vai ter o futuro, mil vezes prometido. E não sei, até, se poderá continuar a ser um país viável.

E na minha avenida, em Lisboa, vejo cada vez mais pedintes e pessoas a dormir, debaixo dos alpendres, o que, à semelhança do que aconteceu no passado, é, para mim, um sinal premonitório da crise, que vem aí.

Nem a santa de Fátima nos salvará.

Alexandre de Castro
2018 04 10

domingo, 8 de abril de 2018

Prisão de Lula da Silva: quando a verdade é uma agulha num palheiro


Prisão de Lula da Silva: quando a verdade é uma agulha num palheiro


Léo Pinheiro, à altura presidente da OAS, começou por ser interrogado pelas autoridades no âmbito da Operação Lava Jato em 2014, tendo sido logo preso. Negociou um acordo de delação premiada com os investigadores mas, em 2016, o acordo caiu por terra. Tudo porque a Procuradoria acusou-o de quebra de confidencialidade, depois de ter surgido uma notícia sobre o acordo na revista Veja. Apesar disso, Pinheiro quis colaborar na mesma com a investigação, na esperança de que tal ajudasse a reduzir a sua pena, o que veio a acontecer: Sérgio Moro, no final do julgamento, reduziu a pena que lhe aplicou de 10 anos e oito meses de prisão para uma pena de apenas 2 anos e seis meses em regime fechado, passando o resto da pena a regime aberto. Léo Pinheiro está ainda condenado a outros 42 anos de prisão, por outras duas sentenças também aplicadas por Moro, relacionadas com a Lava Jato.


****«»****

Lendo o artigo do OBSERVADOR, que segue a linha de pensamento da narrativa do juiz Sérgio Moro, até parece que, na realidade, Lula da Silva foi corrompido, tal é a força das provas trazidas para o processo.

No entanto, na narrativa da acusação, há uma nebulosa opaca, como são todas nebulosas, e, ao mesmo tempo, intrigante, que não deixa ver toda a verdade, escondida que está no meio de tantas assumidas certezas. Refiro-me a Léo Pinheiro, director, à altura dos factos, da OAS, a dona do célebre Triplex, e que começou a ser investigado pelas autoridades, ainda no âmbito da Operação Lava Jato, em 2014, tendo sido imediatamente preso. E é na prisão que ele propõe (ou aceita?) um acordo de delação premiada, uma figura jurídica controversa, que muitos juristas contestam e condenam, pois, a partir desse momento, o arguido diz, afirma, subscreve (e põe-se de joelhos, se necessário for) tudo o que os investigadores quiserem, caso o objectivo da investigação esteja inquinado (por motivos políticos ou por motivos de outra natureza) pela tentação de atribuir a culpa a quem a não tem e, noutros casos, de absolver quem a tem.

E, no final do julgamento de Lula da Silva, o juiz Sérgio Moro foi magnânimo para com Léo Pinheiro. A generosidade da clemência fala por si, e levanta alguma suspeição, embora eu, da minha parte, não queira promover nenhum processo de intenções. Sérgio Moro, que condenou Léo Pinheiro a dez anos e oito meses de prisão, premiou a delação, reduzindo-lhe a pena para, apenas, “dois anos e seis meses, em regime fechado, passando o resto da pena a regime aberto”, o que prova que a delação compensa, mesmo que seja comprada pela investigação, em muitos casos.

Entretanto, eu, por mim, neste texto, consegui dizer tudo o que tinha a dizer, sem me comprometer com nada, uma vez que a verdade nem sempre vem à tona da água.

Alexandre de Castro
2018 04 08

sábado, 31 de março de 2018

A política também é feita de humor…


A política também é feita de humor…

Por vezes, os dirigentes comunistas são criticados por terem um discurso político rígido, hirto e muito formal, como se fosse desenhado a régua e esquadro e talhado e moldado pela foice e pelo martelo, e em que faltam as subtilezas da linguagem, que, uma vez bem enquadradas, podem ter um efeito corrosivo enorme.
Foi esse efeito corrosivo, engalanado por uma subtil e oportuna ironia, que Jerónimo de Sousa conseguiu desmontar a gratuitidade (e, também, alguma hipocrisia) daquelas frases chavão, sonoras e grandiloquentes, que exprimem pensamentos sublimes e sedutores. mas que apenas valem pela sua amplitude metafórica, não tendo nenhuma repercussão na realidade vivida e sentida.
E com esta frase de antologia, "PCP defende aumentos salariais para que Marcelo deixe de ter vergonha da pobreza" Jerónimo de Sousa, sem deixar de fora o que politicamente exigia, arrasa, de uma penada, a vacuidade do pomposo discurso político, em que o disfarce, a demagogia e até a mentira andam de mãos dadas.

Alexandre de Castro
2018 03 31

sexta-feira, 30 de março de 2018

Um combate de boxe viciado à partida



Um combate de boxe viciado à partida

A Coreia do Norte há muito que diz estar aberta a abandonar o seu arsenal nuclear se os Estados Unidos retirarem as suas tropas da Coreia do Sul e cessarem a sua aliança de segurança do “guarda-chuva nuclear” com Seul, entre outras condições.
Os Estados Unidos, por seu lado, têm insistido num desmantelamento completo, verificável e irreversível do armamento nuclear da Coreia do Norte e de todas as infra-estruturas necessárias para a sua produção
PÚBLICO
 ***
Ronald Trump quer entrar num combate de boxe com o líder norte-coreano Kim Jong-un, mas com a condição de ser declarado vencedor, à partida, pelo que exige ao adversário que baixe os braços, para não se defender dos golpes desferidos.
Kim Jong-un já declarou, alto e em bom som, que está disposto a destruir o arsenal nuclear do seu país, desde que os Estados Unidos retirem as suas tropas da Coreia do Sul e cessem a sua aliança de segurança do “guarda-chuva nuclear” com Seul, entre outras condições, declaração esta que não teve retorno por parte dos Estados Unidos nem da Coreia do Sul, o que leva a concluir que as intenções destes dois países não são honestas e enformam de má-fé.
Alexandre de Castro
2018 03 30

quarta-feira, 28 de março de 2018

Cuidado com as cabalas do imperialismo…

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Cuidado com as cabalas do imperialismo…


Andou bem o governo português em não alinhar com a histeria colectiva da expulsão de embaixadores russos nos países ocidentais, com base no argumento da tentativa de assassinato, por envenenamento, de um ex-espião russo, no Reino Unido, tentativa essa rapidamente atribuída, com uma grande ligeireza, à maldade de Putin, mas sem que fosse apresentada uma qualquer prova material e objectiva. Quem me diz a mim, que o antigo espião não foi vítima de uma operação levada a cabo pelos serviços secretos britânicos, num esquema combinado pelo governo britânico e pelo governo dos EUA, para assim, através deste incidente mediático, explorado até ao limite da infâmia, dar o pontapé de saída a uma nova guerra fria, que, nos tempos actuais, poderá transformar-se numa guerra quente?
Não tenho nenhuma prova para fazer esta presunção de culpa, é certo. Mas também a primeira-ministra britânica não possui nenhuma prova (pelo menos não a publicitou) de que aquela tentativa de assassinato tenha o dedo de Putin.
Por outro lado, uma campanha destas, mediaticamente bem programada e também bem executada e ampliada pela comunicação social do sistema, serve perfeitamente para desviar as atenções da opinião pública, em relação aos crimes de guerra que os EUA, através da CIA, e a França e o Reino Unido, através de destacamentos militares especializados, andam impunemente a cometer no território da Síria, repetindo o modelo que os EUA e a França aplicaram na Líbia, com os resultados que se conhecem: metade do mundo árabe, em vinte anos, foi devastado por guerras sanguinárias, levadas a cabo pelos EUA, como foi o caso da invasão do Iraque, ou com o seu apoio e patrocínio, como foi nos restantes casos. E disto ninguém fala, porque tudo foi feito em nome dos supremos valores da civilização ocidental.

Alexandre de Castro
2018 03 28
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Percorri alguns blogues progressistas da minha preferência e verifiquei uma grande sintonia de posições em relação a este caso do antigo espião russo.

No entanto, em alguns desses blogues também se refere a necessidade que a primeira-ministra-ministra, Theresa May, teria tido para construir uma narrativa empolgante, à maneira das tragédias gregas, para desviar a atenção da opinião pública britânica da discussão sobre o Brexit, que está a aquecer, como é natural.

Ao mesmo tempo, e isto já é da minha lavra, os países ocidentais aproveitaram a ocasião para mostrar ao mundo que estão unidos, o que é uma outra narrativa para tentar esconder as profundas divisões que estão a minar o bloco euro-americano.

A situação começa a ficar preocupante. A tentação do Trump de querer carregar o botão nuclear é enorme. Isto remete-me para os períodos antes das duas guerras mundiais, do século passado, em que os futuros beligerantes alternavam nas provocações, a fim de medir forças e intenções.

Os EUA chegaram a uma situação desesperada. Perderam a hegemonia militar, em relação à Rússia, e estão também a perder a posição dominante, a nível económico, em relação à China. Estes dois motivos ponderosos são suficientes para levar Trump a carregar no botão, antes que seja tarde, a fim de eliminar de vez os dois adversários. E é disto que eu tenho medo, pois as consequências para a Humanidade (aquela que viesse a sobreviver), seriam incalculáveis e nem sequer temos capacidade para as imaginarmos.

O Hitler não soube ponderar os riscos de uma guerra... E basta um doido, para fazer deflagrar a guerra, que todos nós tememos.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Défice orçamental armadilhado…





Défice orçamental armadilhado…


O ministro das Finanças, Mário Centeno, atacou o Eurostat
por ter "preconizado uma decisão errada" ao incluir
o custo com a capitalização da Caixa Geral de
Depósitos (CGD) no défice público de
2017 (em contabilidade nacional), fazendo-o
subir para 3% do produto interno
bruto (PIB). Se o Eurostat não
o tivesse feito, a operação
da CGD iria apenas à dívida
e o défice final seria
de 0,9%.


Tecnicamente o Eurostat tem razão. A injecção, feita pelo accionista Estado, na Caixa Geral de Depósitos, em 2017, no valor de 3.944 milhões de euros, a fim de evitar a sua insolvência, deve ser registada como despesa no Orçamento de Estado daquele ano. E isto, por uma razão muito simples, que nenhum artifício político pode desmentir. É que, desde sempre, quando a Caixa Gera de Depósitos obtinha lucros, os respectivos dividendos, entregues ao accionista Estado, eram contabilizados, em termos orçamentais, como receita. Não se pode, ao mesmo tempo, ter sol na eira e chuva no nabal, nem mudar as regras, ao sabor das conveniências do momento.
No entanto, falta saber se não houve veneno político nesta decisão do Eurostat, destinada a obrigar Portugal a ir mais além na política de austeridade, uma vez que, com esta manobra contabilística, o défice orçamental de 2017 trepa dos 0,9% (já andavam por aí a lançar foguetes) para os três por cento, que é o que vai valer, no futuro, para os burocratas de Bruxelas , que mandam no país - situação que muitos portugueses ainda não perceberam, porque teimam em não querer perceber - poderem impor rígidas barreiras aos gastos do Estado Português, principalmente ao nível da Saúde e da Educação, dois pilares exemplares do nosso Estado Social, que eles e os seus patrões (leia-se Alemanha e França) ainda não conseguiram engolir.

Alexandre de Castro
2018 03 26