Agradeço ao Franscisco
a amabilidade de ter aderido ao Alpendre
da Lua.
domingo, 1 de janeiro de 2017
sexta-feira, 30 de dezembro de 2016
PCP lança campanha sobre saída do euro
PCP lança campanha sobre saída do euro
O PCP anunciou hoje [17 de Dezembro] que vai
realizar uma campanha sobre a saída do euro, entre janeiro e junho de 2017.
***«»***
Trata-se de uma grande iniciativa
do PCP, que faltava ao país. Só com uma moeda própria, adaptada, no ponto de
vista cambial, à produtividade da economia nacional, se poderá caminhar no
sentido do crescimento e do desenvolvimento, que o elevado valor do euro está a
estrangular, pois não favorece o aumento desejável e sustentável das exportações, o que é
urgente e importante, ao mesmo tempo que facilita o aumento das importações, o
que não é favorável para a economia O consumo, através da
importação de bens de luxo, não enriquece o país, antes o empobrece.
Sempre que abordo este tema,
costumo referir a minha metáfora, que é assim: ao aderir ao euro, Portugal fez
a figura daquela criança, que vestiu o casaco do pai. Ficava-lhe grande e
dificultava-lhe os movimentos. O alfaiate cortou-o e tentou adaptá-lo ao corpo
da criança. Ficou mal amanhado. A solução, concluiu-se, é comprar um casaco
novo (ou seja, regressara ao escudo).
Claro como água cristalina. Só
não vê quem é cego ou quem, por conveniência interesseira, finge que é cego.
É certo que uma saída do euro
tem custos e vai exigir sacrifícios (a todos e não apenas a alguns, até aqui os
mesmos de sempre), mas que serão temporários, e podendo ser eliminados quando
começarem a surgir os resultados positivos de uma nova política, assente no
vigoroso aumento das exportações, proporcionado por uma moeda de menor valor, e
no investimento público e privado. No entanto, esse sacrifícios, quer na
intensidade, quer na interinidade, serão muito menos gravosos do que os
existentes na situação actual, que vão perpetuare-se por muito tempo, e em que a economia não conseguirá gerar uma
balança comercial, com um folgado superávit, para poder pagar-se a dívida,
mesmo que reestruturada.
Alexandre
de Castro
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
A casa de ler no escuro _ Maria Azenha
Tive o privilégio de conhecer, no final do mês passado, a “poeta”
Maria Azenha de quem sou um admirador incondicional. O pretexto foi o de
receber das suas mãos o seu último livro de poesia, que recentemente publicou,
e onde inseriu, como nota preambular, uma pequena frase minha, que, previamente,
me solicitara para o efeito, e que aqui transcrevo:
“Todos
anseiam escrever um poema num muro escuro.
Se
possível, com gomos de lume, para incendiar as pedras.”
Entendi o honroso convite, que volto a agradecer,
como uma prova de estima.
***
Maria Azenha, já com duas dezenas de livros publicados,
exprime-se poeticamente num estilo literário inconfundível, que ninguém
consegue imitar, enquadrando os seus poemas numa geometria metafórica
grandiosa, em que o segredo dos efeitos reside na precisão de cada palavra,
milimetricamente escolhida, o que me levou a dizer que os seus poemas são
verdadeiras “catedrais góticas”.
***
Do livro em causa, “A casa de ler no escuro”, escolhi, para aqui deixar, o poema da
página 11 e o da página 33.
O Anjo do
desastre
Chegou a morte com a boca cheia de cravos.
Chegou numa certa manhã escura
com sirenes no deserto e
cavalos
contra a primavera
contra a chuva
sem que o sangue de deus existisse num milagre
ou num mícron de segundo.
Vi o anjo do desastre colocar os pés no mundo.
***
A noite da
europa
Toda a violência procura o disfarce
de uma virgem que é perseguida por
um louco.
Auschwitz é um cão que morde o poema
triunfante de ruína.
O seu verso de saída é um imperador morto
Que busca o ouro nos destroços
Maria Azenha.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Tenho um minuto para escrever este poema _ maria azenha
Tenho
um minuto para escrever este poema
Tenho um minuto para escrever este poema
Um poema que fala de amor e de um deus morto
A minha pena é uma faca de luz e sou o anjo do desespero
Com os dentes trituro a esperança e a tinta da boca
escorre pelas ruas cobrindo-me os ombros.
Sou a nuvem que sobrevoa o silêncio.
O meu voo é o abismo da neve que grita:
Obrigada, meu Deus, por não existires.
Um poema que fala de amor e de um deus morto
A minha pena é uma faca de luz e sou o anjo do desespero
Com os dentes trituro a esperança e a tinta da boca
escorre pelas ruas cobrindo-me os ombros.
Sou a nuvem que sobrevoa o silêncio.
O meu voo é o abismo da neve que grita:
Obrigada, meu Deus, por não existires.
©maria azenha
***«»***
Um
poema original na forma, arrebatador na essência e divinal na existência...
O
poema é fabuloso! Arranca-nos da solidão do Tempo.
Parece-me
que a Poesia continua viva. Não morreu na voragem predadora da Nova Idade.
sábado, 17 de dezembro de 2016
Morreu Laura Ferreira dos Santos
Morreu Laura Ferreira dos
Santos. Morreu sem ter acabado o seu último combate - o Direito à morte
assistida.
Era irmã do poeta Ademar
Santos, também já falecido, que eu muito admirava e com quem me correspondia.
A vida é sempre curta, para
quem tem sonhos grandiosos, ao serviço da plena cidadania dos direitos, que as
instituições políticas e religiosas pretendem negar-nos, como se fossem donas
do nosso destino.
Laura Ferreira dos Santos foi
um exemplo para todos nós, quer na vida, quer na morte. Morreu naquela idade em
que ainda se alimenta o sonho.
Alexandre de Castro
Ver notícia do PÚBLICO
sexta-feira, 16 de dezembro de 2016
O regime sírio não é o agressor…
O regime
sírio não é o agressor…
Não foi o regime sírio, que iniciou esta
fratricida guerra. Nem os sectores da oposição a Bashar-al-Assad teriam meios
para a desencadear, se não fossem os países ocidentais, particularmente os EUA
e a França, a proporem-a aos respectivos dirigentes e a comprometerem-se a
treinar e a armar os seus combatentes.
A CIA aplicou na Síria o mesmo estratagema que
utilizou em relação ao ISIS (Estado Islâmico), e a França enviou os seus
militares para o terreno, a fim de treinar os chamados rebeldes, o que o
presidente francês já admitiu publicamente. Além disto, a CIA, tal como
procedeu na Líbia, mobilizou mercenários do Catar para o teatro das operações.
Não foram, pois, os oposicionistas sírios que, por iniciativa própria e
autónoma, desencadearam as hostilidades. Os verdadeiros agressores foram os EUA
e a França, que descobriram, a fim de se furtarem à condenação pública, que a
melhor maneira de fazer a guerra, a guerra que convém aos seus interesses
estratégicos, seria encomendá-la a terceiros.
Perante este quadro, o regime legítimo da Síria defendeu-se, defendendo também o seu povo, cuja maioria não se identifica com as políticas dos países ocidentais, em relação ao Médio Oriente. A legítima defesa é um direito universal. O ónus da causa desta guerra é a interferência estrangeira num país independente, que faz parte da ONU.
O envolvimento da Rússia (um país aliado da Síria, desde os tempos da União Soviética) foi determinante para inverter o sentido da guerra, que passou a ser favorável às forças do regime. E foi precisamente a partir do momento desta inversão que a imprensa ocidental iniciou a sua campanha a favor do Direitos Humanos do povo sírio, quando antes se tinha remetido a um silêncio cúmplice e comprometedor, em relação às barbaridades cometidas pelos rebeldes, nas cidades que ocupou. O primeiro cessar-fogo, entre as forças beligerantes, fracassou, porque os rebeldes, em vez de deixar sair a população civil das cidades sitiadas, que era o objectivo do cessar-fogo, manteve-a prisioneira, a fim de lhe servir de escudo, pois sabiam que, a partir daí, ficariam mais expostos a um ataque fortíssimo das forças militares do regime. E este aprisionamento da população civil é um crime, previsto no Direito Internacional. Mas isto não pesou na consciência dos media ocidentais, que persistem na intoxicação e na desinformação da opinião pública.
Alexandre
de Castro
sábado, 10 de dezembro de 2016
O Estado Social não pode ser descentralizado nem privatizado...
"A melhor forma de
celebrar estes 40 anos do poder local democrático é confiar e apostar na
necessidade de maior descentralização", reiterou.
Na sua opinião, os autarcas
serão capazes de "governar melhor o mundo", o que justifica um
reforço da descentralização de competências da Administração Central para as
autarquias.
António Costa - primeiro-ministro
***«»***
[Fica a faltar pouco, para
privatizar os municípios].
Eu penso que António Costa,
pressionado pelos apertos orçamentais, provocados pelo torniquete da comissão
europeia e do BCE, vai iniciar a sua deriva à direita. E uma das fugas para a
frente, poderá muito bem ser - à boleia dos propalados
méritos da descentralização (que serão úteis e aconselháveis em alguns
aspectos) - a transferência de competências para as autarquias, de algumas áreas
da Saúde e da Educação, o que será um erro, pois estes dois pilares do Estado
Social, que é necessário defender, têm de ser geridos de uma forma holística,
tal é a sua complexidade.
E, por outro lado, nunca fica garantido que, no
presente e no futuro, o poder central não venha a cortar no financiamento
respectivo. Perante um cenário destes, as autarquias, principalmente as da ala
direita do espectro partidária, seriam tentadas a avançar para a privatização
dessas competências. Seria uma segunda frente para, por exemplo, os privados
prosseguirem a sua estratégia de se instalarem no aparelho do SNS,
principalmente na área hospitalar. E falamos em segunda frente, porque a
primeira já está em marcha, com a cumplicidade e o apoio da actual equipa
ministerial da Saúde, e que consiste em enviar doentes do sector público para
gabinetes privados de meios auxiliares de diagnóstico, que, no último ano,
nasceram como cogumelos nas principais cidades do país. A explicação oficial é
que o sector público, na área dos meios auxiliares de diagnóstico, se encontra
saturado, aumentando dia a dia as correspondentes listas de espera. O slogan é
a enganadora frase, muito atractiva e sedutora, além de bem elaborada, "o
dinheiro anda atrás do doente".
Ora, seria melhor que esse dinheiro
andasse à frente do doente, aplicando-o na compra de novos equipamentos e
alargando a dimensão dos respectivos serviços, o que, em termos de escala e a
longo prazo, ficaria mais barato para o Estado.
Este conceito e este slongan
não são uma novidade lusitana. Um e outro foram usados com sucesso na Grã-Bretanha,
durante o doloroso governo de Margaret
Tatcher, na sua ofensiva brutal contra o Serviço Nacional de Saúde britânico,
que era exemplar. A Dama de Ferro desvirtuou-o totalmente.
Em Portugal, a estratégia dos
privados está a avançar com pèzinhos de lã, para não causar alarme social. De
início, até vão ser pródigos no estabelecimento de custos acessíveis, para o
utente, enquanto o Estado pagar, e no atendimento, até ao dia em que, já completamente
instalados e com o poder de decisão na mão, possam avançar com uma estratégia
predadora e com um outro slogan, do género, "quem quer saúde paga-a".
Por isso, afirmamos: deve
optar-se pela descentralização, não para destruir direitos, mas para os
reforçar. Descentralizar a Saúde e a Educação seria tão desastroso como se se
descentralizassem as Forças Armadas, pois não seria uma boa ideia ver o
presidente da Junta de Freguesia de Ranholas de Cima, promovido a segundo
sargento...
Alexandre de Castro
segunda-feira, 5 de dezembro de 2016
Le Pen dá os parabéns a Salvini
Le Pen dá
os parabéns a Salvini
Marine Le Pen, líder da Frente Nacional, já deu
os parabéns ao líder do considerado partido-irmão da força extremista gaulesa,
a Liga do Norte. Além dos parabéns dados a Matteo Salvini, Le Pen aproveita
ainda, num outro post publicado no Twitter, para considerar que "os
italiano renunciaram à UE e a Renzi". A Liga do Norte defende o regresso à
lira italiana e a saída do projecto europeu.
Jornal de Negócios
Jornal de Negócios
***«»***
Regozijo-me com os resultados de referendo em
Itália, por ver neles uma abertura de oportunidades para, num futuro próximo,
poder desarmar-se a ditadura do euro, que é um verdadeiro torniquete para as
economias dos países do sul da Europa. Mas, por outro lado, preocupa-me o facto
de verificar que, na generalidade dos países, com excepção de Portugal, de
Espanha e da Grécia, o processo está a ser conduzido pelas forças da
extrema-direita xenófoba e fascizante, o que é um mau sinal para o futuro. E a
culpa não é desses partidos. A culpa tem de ser assacada, por inteiro, a todos
os dirigentes governamentais europeus e a todos os altos funcionários das
estruturas da UE, que, através do euro e da centralização de poderes soberanos,
extorquidos aos países membros, quiseram construir uma Europa desigual, facilitando
o saque dos países do sul da Europa, pelo capital financeiro dos países
dominantes (a Alemanha e a França). E os povos, embora tardiamente, começaram a
perceber a engenhosa armadilha que proporcionou o enriquecimento dos mais
ricos, à custa do empobrecimento dos mais pobres.
AC
domingo, 4 de dezembro de 2016
PCP saiu reforçado do XX Congresso e Jerónimo de Sousa saiu consagrado...
O PCP saiu reforçado deste
congresso, com Jerónimo de Sousa a equacionar correctamente aquilo que, para
alguns, seria uma contradição insanável, o de estar, por um lado, a apoiar um
governo minoritário do Partido Socialista, e, por outro lado, ao nível do discurso,
comportar-se como um partido da oposição, não se eximindo a fazer a denúncia de
algumas e importantes posições governamentais. Em boa verdade, pode dizer-se
que, desde o início do processo da viabilização de um governo minoritário do
PS, com o apoio dos dois partidos à sua esquerda, essa contradição nunca
existiu, pois o PCP não fez um acordo de incidência parlamentar para toda a
legislatura e, por outro lado, soube traçar as linhas vermelhas da sua
colaboração, que não poderiam ser ultrapassadas. O que o PCP pretendeu, ao propor
um entendimento à esquerda, para viabilizar um governo minoritário do PS, foi a
necessidade urgente de bloquear a possibilidade da ascensão da direita ao poder,
assim poupando os portugueses a mais quatro anos de dura austeridade e à
continuação da sonegação de direitos, ao nível laboral e ao nível da Saúde, da
Educação e da Segurança Social (as tais linhas vermelhas, entre outras).
Jerónimo de Sousa deixou o
congresso tranquilo. Não houve, não há, nem haverá nenhum recuo do Partido
Comunista Português, a nível ideológico, político e programático.
Um outro aspecto importante,
que o congresso assinalou e registou, foi a afirmação inequívoca da necessidade
urgente de Portugal sair do euro, começando-se desde já a preparar essa saída,
matéria que o PCP, anteriormente, sempre abordou com cautela, porque, entre os
comunistas, quer do topo, quer da base, e também entre o seu tradicional
eleitorado, não haveria uma unanimidade absoluta e garantida. Pela minha parte,
direi que esta proposta só pecou por tardia, mas que vem muito a tempo, e até,
talvez, mais amadurecida, para vir a mobilizar os militantes, simpatizantes e
os trabalhadores para esta inevitabilidade, que já está a ser assumida pelos
economistas marxistas e os economistas keinesianos e tamém por muitos
portugueses que já perceberam que, com uma moeda forte - que não pode servir de
esteio a uma política orçamental nacional, independente dos poderes de Bruxelas
e do BCE - o crescimento económico do país será sempre fraco e débil, assim
aumentando a exposição dos portugueses a mais austeridade, austeridade essa,
que teria de passar por fortes desvalorizações dos salários e das pensões e (isto
é uma opinião pessoal) pela entrega progressiva dos pilares do Estado Social
aos privados. E os lobies dos grupos económicos - ligados às instituições
privadas, que gerem hospitais, e às que gerem estabelecimentos do ensino
secundário e do ensino universitário, bem como o poderoso lobie das seguradoras
– estão à espera que a cereja lhes caia em cima do bolo. Uma proposta recente,
que anda por aí, escondida e envergonhada, de tentar mudar o estatuto público
da Universidade de Coimbra, para se constituir numa Fundação, é uma das cerejas
desse bolo. É que, através das leis, é mais fácil privatizar uma fundação do
que uma universidade pública. Esta e outras “manhosices” vão ser a massa com
que os privados querem fazer o pão. O Estado Social tem um potencial de negócio
enorme, que nenhum grupo económico português iguala em valor. São muitos milhares de
milhões de euros, que estão em causa. Mas, além disso, ficariam comprometidos
os direitos dos portugueses, em relação à Saúde, à Educação e à Segurança
Social.
Em relação ao congresso do PCP,
uma palavra final. Este congresso foi o congresso da consagração de Jerónimo de
Sousa, como Secretário-Geral do Partido Comunista Português. Um líder de elevado mérito,
que conseguiu manter intacta a matriz original do partido. Vai ficar na galeria
da História do PCP e na memória dos militantes, dos actuais e dos futuros.
Impressiona a sua modéstia e humildade, modéstia e humildade que são apanágio dos
grandes líderes.
Alexandre
de Castro
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
A verdade de Jerónimo de Sousa no XX Congresso do PCP
APONTAMENTO
SOBRE
O XX CONGRESSO DO PCP
Esta opção, sublinhou o
secretário-geral do PCP, no seu discurso de abertura do XX Congresso do
partido, passa por "enfrentar o problema da dívida, preparar o país para
se libertar do euro, rejeitar as imposições do tratado orçamental e de outros
instrumentos, assegurar o controlo público sobre a banca e o setor
financeiro".
***«***
Socorrendo-nos da célebre frase
de Émile-Auguste Chartier, e adaptando-a à situação, poderemos dizer que
Jerónimo de Sousa identificou a mãe de todos os vícios – a colossal dívida do
Estado à troika e aos privados – mas também a mãe de todas as virtudes – a
saída de Portugal do euro, a ruptura com o Tratado Orçamental e o controlo
público sobre banca e o sector financeiro.
Por mais piruetas que os
paladinos do europeísmo façam, por mais cantigas de embalar, que entoem, por
mais vantagens que apresentem, em relação à construção europeia (cheia de
entorses) a realidade acabará, tragicamente, por se impor, se não aparecer um
outro Alexandre que, com a sua espada, decepe o nó górdio de Portugal.
Com uma crise demográfica, que
vai agravar-se no futuro, e sem investimento público e privado (quem é que quer
apostar num país falido - uma falência já instalada, tal como afirmou
recentemente Thomas Mayer, ex-economista-chefe do Deutsche Bank), Portugal não
conseguirá crescer sustentadamente, nem gerar excedentes para satisfazer
compromissos financeiros, o que vai obrigar a alienar a privados o Estado
Social (saúde, educação e segurança social), uma opção que, segundo consta, já
estará a ser planeada secretamente, com o beneplácito da Alemanha e da Comissão
Europeia, e que envolve muitos lobies instalados.
Alexandre
de Castro
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
MEMORIAL PARA FIDEL
Cinzas de
Fidel vão percorrer 950 quilómetros em quatro dias
A urna com as cinzas de Fidel Castro deixou hoje
de manhã Havana para uma viagem de quatro dias em caravana pela ilha até
Santiago de Cuba, berço da revolução, onde serão enterradas no domingo.
… Após quatro dias de viagem e percorridos cerca
de 950 quilómetros, as cinzas serão enterradas no domingo no cemitério de Santa
Ifigenia de Santiago, ao lado do mausoléu de José Marti, herói da independência
de Cuba.
Diário de Notícias
***«»***
MEMORIAL PARA FIDEL
É um momento solene de luto. Mas também é um
glorioso momento de exaltação revolucionária, internacionalista e patriótica.
Alejandro Fidel Castro não pertence apenas ao povo cubano. Pertence ao mundo
dos oprimidos e dos humilhados e a todos aqueles que lutaram e lutam contra a
tirania do imperialismo e contra a ditadura do capitalismo financeiro.
Honremos a herança, que nos deixou...
Alexandre
de Castro
domingo, 27 de novembro de 2016
Para Fidel Castro…
Para Fidel Castro…
As árvores ficaram despidas e nuas
quando
a tua voz se calou na sombra da noite
e os
astros incandescentes se apagaram
ouviram-se
os pássaros pendurados nos alpendres
e um
relâmpago riscou o céu
da
Serra Maestra até Havana
a
iluminar o caminho da glória
da tua
marcha heróica e triunfal…
Agora,
junto a tua voz à minha memória
e à
memória da voz do companheiro Che Guevara,
o outro
astro incandescente da nova aurora
o outro
herói da gesta revolucionária
que
acendeu em nós a chama da liberdade
e que
morreu lutando pelo sonho que sonhou…
…
Hasta siempre, comandante Fidel Castro…
Alexandre de Castro
Lisboa, Novembro de 2016
sábado, 26 de novembro de 2016
Homenaje al Comandante en Jefe Fidel Castro
Morreu o HOMEM!... Hoje, também eu morri um
pouco. Fidel Castro foi uma referência
incontornável da minha geração de militância.
Morreu o HOMEM que devolveu a dignidade ao povo
cubano.
Hasta siempre, camarada El Comandante...
sexta-feira, 25 de novembro de 2016
Bilderberg: O Clube Secreto dos Poderosos
“Parece o argumento de um filme mas trata-se de
algo real: o clube Bilderberg, que se reúne há 61 anos, congrega as
individualidades mais poderosas do mundo e aqueles que um dia serão altos dirigentes”,
afirma a TVI numa reportagem sobre o livro O Clube Secreto dos Poderosos, da jornalista Cristina Martín
Jiménez. Esta sevilhana explica que os membros do Bilderberg “têm o
poder como ideologia” e implementam “planos secretos para governar o
mundo inteiro, destruindo gradualmente as soberanias nacionais e tirando aos
países a capacidade de decidir. Desde o 25 de Abril que os portugueses estão
muito alheados do que realmente se passa e muito dependentes dos políticos, que
promovem certas pessoas e outras não. A crise terá sido fabricada entre quatro
paredes para dar mais poder a quem já o tem.”
“José Sócrates foi ao Bilderberg um mês
antes de ser líder do PS e um ano depois ganha as eleições legislativas. Quando
eles vêem que alguém se pode destacar chamam-no e, se passar no teste, terá
todo o apoio de Bilderberg”, garante Cristina Jiménez, recordando que António
Costa é também – tal como Sócrates – outro servo das elites políticas,
tendo ingressado no Bilderberg em 2008.
O vídeo acima inclui a entrevista que a
escritora deu à revista Sábado.
In PORTUGAL CONFIDENCIAL
terça-feira, 22 de novembro de 2016
A entrevista de Bashar al-Assad à RTP e a tragédia do povo sírio...
Para garantir o pleno domínio no Médio Oriente, os EUA necessitam
de abater o regime sírio. Não podendo fazer a guerra directamente, devido à
impopularidade que essa acção desencadearia na opinião pública americana e na opinião
pública mundial, mudaram de estratégia e começaram a encomendar a guerra a
terceiros, a quem prestaram e prestam, juntamente com a França (socialista?), apoio logístico, financeiro e, ainda, um intenso treino militar no território sírio, dominado pelos rebeldes. O próprio ISIS é uma inspiração da CIA, que recrutou,
doutrinou e instruiu os dois principais dirigentes daquele grupo terrorista,
entre os prisioneiros árabes, que enclausurou nas suas prisões no Iraque,
depois da invasão daquele país, ordenada por Bush e por Blair, e cuja justificação, que veio a revelar-se falsa, se baseava na existência, em solo iraquiano, de armas de destruição maciça (nunca encontradas), ao dispor de Hussein Sadam.
Na invasão da Líbia, os EUA recrutaram mercenários do Qatar, que se faziam passar, posando para as televisões ocidentais, por opositores líbios ao regime de Kadafi.
Kadafi e Sadam foram mortos, o primeiro de uma forma bárbara e o segundo foi enforcado, por sentença de um tribunal fantoche iraquiano, manipulado pela CIA. Houve a abjecta preocupação de exibir pelas televisões o seu enforcamento, para que a humilhação e o castigo servissem de exemplo para todos os dirigentes políticos que se atravessem a passar pelo caminho dos interesses estratégicos dos EUA.
Agora, as potências ocidentais querem fazer o mesmo ao líder sírio, Bashar-al-Assad . Para completar o cerco a Damasco, aquelas potências aliciaram as forças da oposição ao governo sírio, treinando-as e financiando-as, a fim de iniciarem uma guerra civil. Com o ISIS a atacar pelo nordeste e os grupos rebeldes a actuarem a oeste, o exército sírio não poderia, sozinho, oferecer resistência, se, entretanto, a Rússia, uma velha aliada do regime sírio, já desde do tempo da União Soviética, não entrasse na contenda, com a sua poderosa aviação militar.
Com esta política suicida, que já tem vindo a ser aplicada, desde a fundação do Estado de Israel, os EUA criaram uma enorme desestabilização em todo o Médio Oriente e destruíram os dois países árabes com maiores afinidade culturais com o ocidente - o Iraque (a comunidade sunita) e a Síria. Mais grave ainda: com esta interferência criminosa no Médio Oriente, os EUA estão a contribuir para internacionalização do conflito, o que constitui uma ameaça para a paz mundial.
A culminar toda esta desumana escalada da violência, provocada pela guerra, o mundo, incrédulo e estupefacto, confrontou-se com o drama dos refugiados, que escreveram a sua Odisseia Trágico-Marítima, que a História não apagará nem a memória colectiva esquecerá.
Alexandre
de Castro
segunda-feira, 21 de novembro de 2016
domingo, 20 de novembro de 2016
Dia da Consciência Negra
Dia da Consciência Negra
O racismo ainda existe em muitos países. Até é
possível que venha a aumentar no país que tem a maior economia do mundo. No
entanto, quero aqui assinalar que o meu país, Portugal, a este nível, fez as
pazes com a História. A integração das comunidades negras, oriundas das suas
antigas colónias, está a ser muito bem sucedia.
O país que teve um grande império colonial, o
país dos "negreiros", que praticou, em grande escala, o comércio e o
tráfego de escravos negros, o país em que a principal casa ducal, a de
Bragança, tinha em Vila Viçosa, confinados a um espaço específico,
"escravos reprodutores", como se fossem cavalos, o país que manteve,
durante treze anos, uma injusta Guerra Colonial, contra os movimentos de
libertação da Guiné, de Angola e Moçambique, esse mesmo país redimiu-se dessa
nódoa da História numa madrugada redentora de Abril, que a negritude da noite
ainda não conseguiu engolir.
É certo que nos encontramos no princípio do
caminho e ainda há muito a fazer para que a integração avance, corrigindo as
desigualdades económicas e sociais. No entanto, a consignação dos direitos está
garantida. E, neste aspecto, orgulho-me do meu país.
Alexandre
de Castro
P.S - Em todas as épocas e em todo o lado, o preconceito sempre se sobrepôs à inteligência. O racismo é um problema de cultura, ou melhor, da falta dela.
P.S - Em todas as épocas e em todo o lado, o preconceito sempre se sobrepôs à inteligência. O racismo é um problema de cultura, ou melhor, da falta dela.
terça-feira, 15 de novembro de 2016
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
De quem é a culpa?
Não há extremista político, populista
isolacionista, ditador ou candidato a ditador que não se encontre reconfortado
com a vitória de Trump.
Vicente Jorge da Silva - PÚBLICO
***«»***
De
quem é a culpa?
A culpa pelo ressurgimento
da extrema-direita não é dos políticos extremistas, dos populistas
isolacionistas e dos ditadores ou dos candidatos a ditadores. É, somente, culpa
do sistema e das actuais elites políticas, económicas, financeiras e culturais
(incluindo a comunicação social), que dirigem esse sistema.
Um sistema que,
pelo delírio neoliberalizante, alargou o fosso entre ricos e pobres.
Um sistema
que regressou aos argumentos da guerra, e que, agora, passou a ser encomendada a terceiros, para
iludir as respectivas opiniões públicas.
Um sistema que fez da globalização uma
bandeira, ignorando a sua rectaguarda ao nível do emprego, cuja oferta diminuiu,
estando, assim, cada vez mais distante o pleno emprego, prometido tantas vezes.
Um sistema que deixou o sector financeiro à solta, sem freios e sem lei nem
roque, para fazer todas as tropelias, que os contribuintes tiveram de pagar.
AC
AC
Globalização: quem ganha e quem perde…
Globalização: quem ganha e quem perde…
Neste insano esforço de defender a desregulamentação dos
mercados, promovida pela globalização, em que se enaltecem, e bem, os
benefícios recebidos pelos países subdesenvolvidos, para onde foram
deslocalizadas as indústrias dos países desenvolvidos, e, ao mesmo tempo, se
destaca o baixo preço dos produtos, importados desses países, esquecem-se dois
aspectos importantes:
1- Os milhões de desempregados que a deslocalização das indústrias provocou nos países ricos, e que ficaram sem alternativa de emprego compatível, assim empobrecendo. Foram estes segmentos populacional que, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, deram a vitória, respectivamente, a Donald Trump e ao Brexit. Cá se fazem, cá se pagam.
2- Também é necessário contabilizar o aumento exponencial de
lucros verificado, o que enriqueceu ainda mais os accionistas dessas empresas
deslocalizadas, essencialmente, as grandes multinacionais.
Poder-se-à dizer que que esses ganhos foram conseguidos à custa do empobrecimento dos trabalhadores despedidos, o que foi injusto E pouco se fala desta injustiça, porque o sistema quer resguardar a imagem pública do neoliberalismo e a desregulamentação dos mercados, provocada pela globalização.
Poder-se-à dizer que que esses ganhos foram conseguidos à custa do empobrecimento dos trabalhadores despedidos, o que foi injusto E pouco se fala desta injustiça, porque o sistema quer resguardar a imagem pública do neoliberalismo e a desregulamentação dos mercados, provocada pela globalização.
Alexandre de Castro
Ver OBSERVADOR
domingo, 13 de novembro de 2016
Blowing In The Wind (Live On TV, March 1963) - Bob Dylan
Blowing in the wind
Quantos caminhos deve um homem percorrer
antes que o chamem de Homem?
Quantos mares deve
uma pomba branca navegar
antes que possa repousar na praia?
Quantas vezes mais
as balas de canhão voarão
até que sejam banidas para sempre?
A resposta, meu amigo, está
em soprar no vento...
Quantos anos deve uma montanha existir
até que desapareça no mar?
Quantos anos devem algumas pessoas existir
até que lhes seja permitido de serem livres?
Quantas vezes pode um homem virar a sua cabeça
e fingir que, simplesmente, não vê?
A resposta, meu amigo, está
em soprar no vento...
Quantas vezes um homem deve olhar para cima
antes que possa ver o céu?
Quantos ouvidos deve um homem possuir
até que possa ouvir o pranto do seu próximo?
Quantas mortes ainda serão necessárias
até perceber que morreram pessoas demais?
A resposta, meu amigo, está
em soprar no vento...
Bob Dylan
**
Esta publicação foi inspirada nas
fotografias de Bob Dylan, contidas num álbum que o meu amigo João Fráguas me
enviou, a propósito da nomeação do grande cantor, compositor e poeta para
o Prémio Nobel da Literatura.
sábado, 12 de novembro de 2016
Carta a uma amiga sobre a semelhança entre Donald Trump e Hitler
Carta a
uma amiga sobre a semelhança entre Donald Trump e Hitler
Amiga Lara:
No meu texto, que lhe enviei, e que anteontem
publiquei no blogue Alpendre da
Lua, eu dizia que Trump me recordava Hitler.
Hitler ganhou o poder, porque, discretamente,
foi apoiado fortemente, no ponto de vista político e financeiro, pelos grandes
industriais alemães, que viviam em pânico, perante o avanço do movimento
comunista. Cada vez mais, intelectuais, operários e franjas das classes médias
começaram a aderir ao marxismo. Por outro lado, as eleições “livres”, burguesas,
antes, devidamente condicionadas pelo pensamento dominante, inspirado pelo
grande capital, começaram a abrir brechas e a não corresponder aos interesses
das classes dominantes. Era necessário uma ditadura e um demagogo, que a
dirigisse, e que soubesse, para encobrir o que de odioso todas as ditaduras
têm, encontrar um inimigo, que o povo, intimamente, também odiasse. Esse povo,
foi o povo judeu. E à boleia da perseguição aos judeus, meteram-se no mesmo
saco os comunistas.
Donald Trump poderá muito bem ser uma emanação política dos mais secretos e sujos interesses das multinacionais americanas e do poderosíssimo clã sionista-judaico, que impera na banca e move todos os cordelinhos na política.
Aliás, Israel vive à custa dos movimentos desses
cordelinhos.
Falta falar da guerra. Há duas semanas, a tensão
entre os EUA e a Rússia esteve ao rubro, o que levou Putin a ter de exibir um
sofisticado míssil balístico, capaz de atingir o coração da América, respondendo
assim à construção de bases de lançamento de mísseis, pela NATO, na sua
fronteira ocidental. A guerra da Síria, país que os EUA precisam de
neutralizar, para dominar o Médio Oriente, está a ser o ensaio geral de uma
guerra total. E Trump é suficientemente louco, tal como Hitler, para a
desencadear.
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
As eleições americanas serão o princípio do fim?
As eleições americanas serão o princípio do fim?
O que eu valorizei mais, nestas eleições dos
EUA, foi a estrondosa derrota do establishment.
Além das elites políticas e económicas americanas, quem também está
verdadeiramente assustado, com a vitória de Trump, são os dirigentes políticos
dos países da ortodoxia neoliberal, aliados do império, e que já estão a ver o
poder a fugir-lhes debaixo dos pés. Foi confrangedor ouvir e ver Holland, no
seu discurso de felicitações (a fazer fisgas) ao novo presidente dos EUA, que
mais parecia um discurso fúnebre, da assumpção da derrota, numas eleições francesas.
Trump, como elemento off side do sistema, baralhou o jogo do discurso do politicamente
correcto, ao falar para todos aqueles americanos, que já não se reviam no
sistema do bipartidarismo instituído, e que os impedia de aceder a uma vida
digna. A população branca americana, marginalizada e pobre, descobriu, nestas
eleições, um processo de dar uma grande machadada nas elites da política, da
economia e das do mundo académico, que sempre a ignoraram, não optando, agora,
pela clássica abstenção, mas votando em Donald Trump. Assim, Donald Trump seria
o elefante, que iria entrar numa loja de porcelanas.
É certo que Trump é um populista perigoso e a
sua eleição lembra-me a eleição de Hitler, como chanceler, que centrou o seu
discurso na xenofobia, no antissemitismo e na restauração do orgulho germânico,
humilhado em Versalhes.
De qualquer forma, não deixo de recorrer ao
paradigma da História: os impérios nascem, crescem, atingem o firmamento na
idade adulta, envelhecem e morrem. E o império americano e os seus apêndices
ocidentais já estão, de forma acelerada, a envelhecer. Não sei se será Trump,
que, inadvertidamente, lhes dará a machadada final. No entanto, uma coisa é
certa: as contradições do imperialismo já são enormes e não têm solução à vista
(a crise da dívida e do euro já dura há seis anos - são muitos anos - e uma nova
crise financeira mundial está prevista para breve).
O Brexit constituiu o primeiro alarme, a
evidenciar o desconforto de grande parte do eleitorado, em relação ao sistema, principalmente
o oriundo da classe média. E, possivelmente, outras hecatombes eleitorais irão
ocorrer brevemente na Europa (França, Itália e Alemanha).
Será o princípio do fim?
Alexandre
de Castro
Agradecimento...
Agradeço ao Manuel, ao Francisco
Serra, ao Álvaro Cartas e
ao João Fernandes a
amabilidade de terem aderido ao Alpendre
da Lua.
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