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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Poeta Ashraf Fayadh condenado à morte por apostasia, na Arábia Saudita…

Ashraf Fayadh _ pintura de Mona Kareem

“O petróleo é inofensivo...” Assim começa um poema de Fayadh, o saudita condenado à morte
Ashraf Fayadh tem 35 anos e foi condenado à morte por um tribunal saudita. Poetas, escritores e organizações de Direitos Humanos pedem clemência e a comutação da pena do homem que cantou as “gotas da chuva”
 “O petróleo é inofensivo, exceto no rastro de pobreza que deixa para trás”, assim começa um poema de Ashraf Fayadh, 35 anos, poeta de origem palestiniana condenado à morte por apostasia na Arábia Saudita.

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Que as "gotas da chuva"(*) lavem a desonra de um reino, que ainda não se libertou da escuridão das trevas medievais e cujo brilho da ostentação do dinheiro do ouro negro não consegue esconder... Levantem-se os homens contra a ignomínia de mandar matar em nome de um Deus, que outros homens querem bárbaro e assassino. Que as areias abrasadoras do deserto queimem os olhos de quem assim pensa. A cegueira da Fé só consegue ver a luz das catacumbas da morte...
AC

(*) "gotas de chuva" é uma expressão de um poema de Ashraf Fayadh.
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Já experimentámos o fascismo das botas cardadas, que inventou o medo e a fábrica da morte em Auschwitz; vivemos alegremente o silencioso fascismo financeiro, nascido das entranhas fedorentas do dinheiro; e agora estamos a ser confrontados com um novo tipo de fascismo, o fascismo religioso, o da traiçoeira bomba jihadista e o da ditadura da Fé. Os três não se diferenciam na sua natureza perversa, nos seus métodos hediondos e nos seus propósitos totalitários. Os três juntos querem dominar o Céu e a Terra e as nossas consciências. Têm um ódio visceral à Liberdade e têm medo do nosso pensamento.
AC

domingo, 6 de dezembro de 2015

Sauvons le poète Ashraf Fayad condamné pour apostasie par l'Arabie Saoudite

Le poète palestinien Ashraf Fayad

Sauvons le poète Ashraf Fayad condamné pour apostasie par l'Arabie Saoudite

Quem mata um poeta, em nome de Deus, está a matar o próprio Deus...
A idade das trevas e da escuridão ainda habita no coração daqueles homens que se inspiram nos livros sagrados para fazerem leis demoníacas e sanguinárias contra a liberdade de pensamento.
A condenação à morte do poeta Ashaf Fayad, por apostasia, é um acto monstruoso e ignóbil, que, a concretizar-se, irá renegar os valores civilizacionais do nosso tempo.
Salvar a vida e conseguir a libertação de Ashaf Fayad é um imperativo urgente da nossa consciência, a individual e a colectiva, a fim de nos podermos resgatar da barbárie.
Alexandre de Castro


sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Rusia muestra cómo Turquía está involucrada en el negocio del Estado Isl...














Acredito que a Espanha vai mudar de paradigma...


Acredito que o cenário político, em Espanha, vai mudar. A grande crise austeritária que atravessa a Europa, e, principalmente, a que afecta os países do seu flanco sul, não poderá deixar de se reflectir na ocorrência de efectivas mudanças no xadrez político. É o que reza a História e que os homens do establishment, por comodismo, por interesse ou por ignorância, não querem admitir.
O exemplo da surpreendente viragem à esquerda do PS português poderá vir a contagiar uma Europa, que já não tem respostas para resolver a crise, e que tem vivido sob a ditadura do pensamento único, imposto pela Alemanha. Os partidos agrupados no Partido Socialista Europeu, e que têm por bandeira o socialismo (!?), já perceberam que entrarão num ciclo de declínio, se continuarem a querer ser a muleta do sistema e não propuserem aos seus potenciais eleitores uma verdadeira política de alternativa. Isto de fazer promessas nas campanhas eleitorais e não as cumprir, quando no exercício do poder, já não colhe votos. Isto de ser socialista na oposição e neoconservador e neoliberal no governo já não ilude a maioria dos eleitores. Foi isto que António Costa compreendeu, antes do tempo. E agora, que já se iniciou a contagem do novo tempo, será a vez do PSOE, coligado com o Podemos, apanhar a carruagem da mudança, que já está em movimento.
As últimas sondagens, conhecidas no dia em que se iniciou a campanha eleitoral para as eleições legislativas de 20 de Dezembro, mostram que nenhum dos quatro partidos, melhor posicionados, vai ser capaz de obter sozinho a maioria absoluta. O Partido Popular, o Ciudadanos e o PSOE aparecem praticamente empatados, em redor dos 22 por cento, com o Podemos, que tem vindo a crescer, desde a sua queda a pique, devido ao fracasso da reviravolta grega, a obter 17 por cento das intenções de voto.
Nada está perdido para a esquerda. Para o PSOE, se quiser ser governo, terá obrigatoriamente de tentar conquistar votos ao PP e ao Ciudadanos, pois se vai conquistar espaço eleitoral ao Podemos, não faz crescer o somatório dos votos dos dois partidos de esquerda, crescimento este indispensável para se poder formar uma coligação pós-eleitoral maioritária.
Reciprocamente, também o Podemos não deverá, caso olhe para o caso português, transformar o PSOE no seu principal inimigo. Se o fizer, poderá crescer eleitoralmente, mas impossibilitará a formação de uma maioria de esquerda, devido enfraquecimento do seu potencial aliado, o PSOE. O Podemos tem de virar-se para os eleitores descontentes, que andam dispersos pelos pequenos partidos de esquerda.
Em resumo: o PSOE e o Podemos não podem digladiar-se entre si.
A vitória de uma coligação entre o PSOE e o Podemos é de vital importância para os partidos de esquerda da UE e, principalmente, para o governo do PS, em Portugal. António Costa levaria para as estâncias europeias um aliado de peso, o que permitiria suster a fúria predadora de Bruxelas e Berlim. Uma das razões do fracasso grego repousa no isolamento do governo do Sirysa, perante os abutres esfomeados, sem nenhum outro governo da zona euro, a colocar-se do seu lado da barricada. Com a Península Ibérica alinhada à esquerda (uma esquerda não colaboracionista, claro) o ruído da Europa seria outro. 

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Vitória ao alcance de três partidos espanhóis no início da campanha


Vitória ao alcance de três partidos espanhóis no início da campanha

36 milhões de eleitores espanhóis são chamados a votar no dia 20. Nenhum partido deverá ter maioria absoluta
A campanha eleitoral para as legislativas espanholas de dia 20 arranca hoje com a vitória ao alcance de três partidos políticos: o PP, o Ciudadanos e o PSOE. A única certeza que existe, para já, é que nenhum deles conseguirá uma maioria absoluta como a do PP em 2011, muito fruto do sucesso de formações como o Ciudadanos e o Podemos. Muitos preparam-se já para decretar o fim do bipartidarismo (herdado da transição em Espanha).

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O Podemos está a pagar a traição de Alexis Tsipras, da Grécia, a quem, em Bruxelas, deram uns pózinhos de perlimpimpim, para o virar do avesso.  

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Na Dinamarca não há fungagá da bicharada

Lars Rasmussen _ primeiro-ministro da Dinamarca

Na Dinamarca não há fungagá da bicharada

Se os direitinhas lusos, que, logo a seguir às eleições legislativas de quatro de Outubro, começaram a "vomitar", até à exaustão, o estafado argumento do partido mais votado, fossem dinamarqueses, teriam trucidado Lars Rasmussen, que, no rescaldo das últimas eleições, na Dinamarca, foi indigitado primeiro-ministro, pela rainha, tendo saído da lista de deputados do terceiro partido mais votado. E os dirigentes dos dois partidos, que se posicionaram no primeiro e segundo lugares, respectivamente, em relação ao número de votos obtidos, não foram montar a barraca para a Feira da Ladra, a protestar. 
Falta à direita política portuguesa a cultura cívica necessária para poder ser respeitada. Presidente da República, primeiro-ministro e ministros, do anterior governo, e deputados do PSD e do CDS assumiram um comportamento vergonhoso, no período pós-eleitoral, ao quererem manter a todo o custo os partidos da direita no poder, não se inibindo em tentar subverter a Constituição, distorcendo grosseiramente a interpretação do seu artigo 187º, que reza assim: "O Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais". Se os deputados constituintes tivessem querido dizer que seria nomeado primeiro-ministro o primeiro deputado da lista do partido mais votado, tê-lo-iam expressado textualmente. E não o fizeram, e muito bem, pois previram que, em função dos resultados eleitorais, pudesse surgir um quadro parlamentar que não suportasse tal solução, em termos de sustentabilidade e durabilidade do respectivo executivo. Foi o que aconteceu ao governo imposto por Cavaco Silva. Caiu, não resistindo à maioria de deputados da oposição, que aprovou em bloco a moção de rejeição.
O Presidente da República, devido à sua empedernida teimosia, sustentada por um enviesado e perverso preconceito, por um viscoso e aberrante fundamentalismo ideológico e por um doentio partidarismo, prejudicou a economia do país, ao, através do seu jogo palaciano dilatório, provocar o atraso da elaboração do Orçamento de Estado de 2016, que só será aprovado lá para meados de Fevereiro.
Por outro lado, com as suas delongas premeditadas, a fim de dar tempo e espaço à direita, para descarregar todo o veneno acumulado sobre a esquerda e continuar a martelar o argumento do partido mais votado, Cavaco Silva provocou, desnecessariamente, uma crispação na sociedade portuguesa, o que não é saudável para a democracia, que nunca pode ser desvirtuada no plano ético.
Ver notícia do OBSERVADOR

O alargamento e o euro são os dois grandes erros que arruinaram a Europa _ Wolfgang Münchau


O alargamento e o euro são os dois grandes erros que arruinaram a Europa
Wolfgang Münchau

Quase não houve um ano em que a União Europeia não se tenha visto a braços com uma crise: a banca, a dívida soberana, a anexação da Crimeia pela Rússia e agora os refugiados. Podemos sempre apontar o dedo a políticos específicos e atribuir a culpa. Mas é altamente improvável que os fracassos em série da UE possam sempre ser explicados como resultantes de acidentes e de maldade.
Eu culpo dois erros catastróficos cometidos durante a década de 1990 e no início deste milénio. O primeiro foi a introdução do euro; o segundo foi a União de 15 ter sido alargada a 28 membros há duas décadas. Podemos concordar com uma destas afirmações ou com a outra ou com nenhuma das duas. Mas poucas pessoas concordarão com ambas.
Eu estava entre aqueles que apoiaram a união monetária na altura da sua introdução. Os defensores do euro na época vinham de dois grupos diferentes que abraçaram um pacto faustiano.
Os membros do primeiro grupo acreditavam que o euro, tal como estava desenhado, seria um fracasso e esperavam que ele fosse de alguma maneira corrigido. Os outros pensavam que o sistema se manteria rígido e que daria uma nova forma às economias dos seus membros. Este último grupo sabia que, para aguentar os rigores de um sistema de câmbio fixo que se assemelha, nem mais nem menos, ao padrão-ouro, os países teriam de se adaptar aos choques económicos através de mudanças nos salários e nos preços - um rumo que, acreditavam eles, os membros do euro seriam obrigados a seguir.
A admissão de que o euro foi um erro não deve ser confundida com um desejo de o dissolver. Isso seria ainda mais catastrófico. É um mero reconhecimento de que estamos presos num sistema monetário disfuncional.
Mas qual é o papel do alargamento nisto? Este não é um desacordo em relação a um qualquer membro específico com cujas ações por acaso discordamos. Nem é um desacordo com o princípio do alargamento, que é fundamental para a UE. A minha divergência prende-se com a velocidade de adesão e com os critérios que os aspirantes a membros têm que cumprir. Tal como os países têm capacidades máximas de absorção de migrantes, a UE tem uma capacidade máxima de absorção de novos membros. Não faço ideia qual é esse número num qualquer período de tempo determinado, mas certamente não é o de 13 membros numa única década.
O alargamento afetou a capacidade da Europa para responder às crises nos anos subsequentes de duas maneiras. Primeiro, forçou a UE a tirar os olhos da bola numa época crítica quando esta se deveria ter concentrado na estruturação das instituições necessárias para fazer com que o euro funcionasse. Em segundo lugar, o alargamento significou que os países da UE que não estavam na zona euro viram-se de repente em maioria. Essa mudança moldou naturalmente a própria agenda da UE. Lembro-me da obsessão com a competitividade durante esses anos, uma questão económica típica dos países pequenos. Os debates sobre a reforma dos tratados europeus durante esses anos concentraram-se nos direitos de voto e na proteção das minorias. A opinião esmagadora das autoridades europeias e dos membros do Parlamento Europeu era a de que a zona euro em si não precisava de ser corrigida.
Naquela época teria sido relativamente fácil configurar uma união bancária. Mas uma vez a crise instalada, com os bancos a sofrerem enormes perdas, os países deixaram de poder partilhar os seus regimes de segurança de depósitos e muito menos criar um regime único para toda a gente. Depois de a crise ter começado, o debate sobre mecanismos de seguros comuns interligou-se com o debate sobre transferências. A crise interrompeu assim rudemente a aproximação passo a passo e respeitadora dos tempos da UE à integração.
Um otimista pode interpor neste ponto que vale a pena mantermo-nos por lá. As crises vêm e vão. A UE continuará lá. Talvez, mas perguntemo-nos: Por que motivo o período entre 1950 e o final da década de 1990 foi mais estável quando comparado com o período que se lhe seguiu?
Nos primeiros anos da então Comunidade Económica Europeia, os riscos de segurança externa eram tratados pela NATO. Quase não havia riscos para a estabilidade financeira porque a regulação era extremamente rigorosa pelos padrões atuais. Apesar de as crises económicas, como as do petróleo e da inflação nos anos setenta, não terem sido menos graves do que as atuais, os membros da UE tinham a capacidade de as absorver através de taxas de câmbio flexíveis.
Atualmente Bruxelas tem de repente de olhar pelos seus próprios interesses de política externa e de gerir a segunda maior economia do mundo. A UE não está pronta institucionalmente para nenhuma destas tarefas. E os seus líderes também não estão intelectualmente prontos.
Devemos esperar mais crises, mais ação unilateral por parte de Estados-membros, maior vontade de explorar opções de saída, a invocação de circunstâncias excecionais para suspender ações a nível da UE, mais quebrar de regras e por aí fora.
O verdadeiro risco não é uma separação formal. Essa seria tecnicamente difícil de fazer. Mas isso não serve de consolo. O verdadeiro perigo é que a UE vai simplesmente desvanecer-se e transformar-se num fantasma.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

2015-02-24 - ARTE - Poderosa e Descontrolada: A Troika (720p)




A manobra chantagista sobre Grécia é o exemplo mais evidente da pulsão imperialista da Alemanha, que se manifesta através da hábil manipulação das instâncias comunitárias e da cumplicidade servil da maioria dos governos europeus. 

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

40 anos após Novembro _ a minha memória em carta a um amigo


40 anos após Novembro _ a minha memória em carta a um amigo

Amigo João:
Nessa noite, o toque a recolher das bandeiras foi dramático. Estive em Monsanto e ouvi os tiros da tropa do Jaime Neves. Mas eu julgo que houve sensatez da parte do saudoso Álvaro Cunhal, que se apercebeu da desproporção das forças em presença, quando esteve reunido com Melo Antunes, na casa de Bredorote dos Santos, que promoveu esse encontro histórico. Perderíamos a guerra, se ela se tivesse desencadeado. E se as forças militares, comandadas pelo Eanes, não fossem suficientes, os americanos invadiriam Portugal, a rogo de Mário Soares. Estava tudo combinado, e seria um mar de sangue.
Gorbachov, delegado da URSS ao Congrsso do PCP, no Porto, poucos meses antes, foi bem claro, quando afirmou, no seu discurso, que a URSS não estava interessada em arrastar Portugal para a Guerra Fria. Nessas condições, era difícil vencer qualquer conflito militar. E só quinze anos depois, quando vi Gorbachov a abdicar do poder, é que percebi a razão por que a URSS não ajudou as forças revolucionárias portuguesas. Já não podia! E não podia porque a sua economia, sempre boicotada pelo Ocidente, começara a entrar em crise, porque já não aguentava o peso (improdutivo, mas necessário) da sua enorme indústria militar.
Esta é a verdade que não podemos ignorar. Chegámos tarde a uma revolução que teria sido vitoriosa, se tivesse ocorrido em 1960.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Cavaco Silva julga-se um monarca absoluto, ungido por poderes divinos...


Cavaco Silva julga-se um monarca absoluto, ungido por poderes divinos.

As exigência feitas, hoje, pelo Presidente da República ao secretários geral do PS, António Costa, são apenas grosseiros subterfúgios, para esconder as acções subversivas, de verdadeira sabotagem, que evitem a formação de um governo de esquerda. Essa intenção é logo evidente na primeira questão colocada, aquela que se refere às moções de censura, vindas da oposição, e às moções de confiança, pedidas pelo governo. Mesmo que os acordos firmados não se referissem à questão, o que não é verdade, bastava a posição confortável, sentida por António Costa, que confiou inteiramente na palavra de Jerónimo de Sousa e de Catarina Martins, para que Cavaco Silva dormisse descansado. Mas o acordo fala disso, e nele está bem sinalizado o compromisso de que o PCP e o Bloco de Esquerda rejeitarão qualquer moção de censura, vinda da direita. Todas as outras pretensas dúvidas sobre as garantias da sustentabilidade de um governo PS são redundantes e absurdas.
Mas, o mais grave desta esquizofrenia presidencial incide na exorbitância de poderes que Cavaco Silva está ostensivamente a assumir, e que a Constituição não lhe confere, quando, com as suas acções abusivas, pretende invadir as competências do parlamento e tentar esvaziar a vontade política dos partidos de esquerda, que, devido aos acordos pós-eleitorais, constituem hoje uma maioria clara e legítima.Tão legítima como aquela que ele tem, como Presidente da República
Cavaco Silva não se convence que o nosso regime político é semi-presidencialista e não presidencialista. Mais! Ele julga-se um monarca absoluto, ungido por poderes divinos.

Fotografia _ Milú Cardoso

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Milú Cardoso, além de ter sabido captar a belíssima tonalidade sépia, oferecida pela Natureza, efeito obtido, possivelmente, através da escolha criteriosa do
filtro de luz mais apropriado, conseguiu fazer um enquadramento perfeito da imagem, em que a ramagem desfolhada da árvore, em primeiro plano, e o grande espelho de água, a definir a profundidade da terceira dimensão, constituem os principais elementos figurativos estruturantes.
Do que conheço, julgo tratar-se da melhor fotografia da autora.

sábado, 21 de novembro de 2015

A roubalheira continua _ Estado fica como fiador das dívidas da TAP aos bancos portugueses

Naquele tempo era assim:
Eles pareciam almirantes e elas modelos de passerelle

A roubalheira continua _ Estado fica como fiador das dívidas da TAP aos bancos portugueses

Eu nem queria acreditar no que estava a ler (ver notícia aqui). Belisquei-me, para me certificar que estava acordado, e tive de ler três vezes a notícia, para ter a certeza de que não estava com Alzheimer.
O Estado, para obter receitas para ir pagando a dívida à troika (assim o exige o memorando de entendimento de 2011), vende a joia da coroa, a TAP, a um consórcio internacional, que leva também as dívidas da companhia aos bancos portugueses. Mas os banqueiros portugueses, por um sentido patriótico, NÃO PERMITEM O NEGÓCIO (onde é que já chegámos, com os bancos a mandarem no Estado!), e exigem do Estado garantias, como se o Estado, depois da venda, continuasse a ser o devedor. E o governo da nossa desgraça dobra os joelhos aos banqueiros, garantindo-lhes que, no futuro, no caso do consórcio comprador falhar com os compromissos de pagamento da dívida da TAP (o que será o mais certo), será o Estado a suprir essa falha, comprando acções da TAP, com o nosso dinheiro, para, também com sentido patriótico, as converter em meios de pagamento, a favor dos banqueiros portugueses, que, como se vê, são os verdadeiros donos disto tudo.
Eu nunca vi um negócio assim!... É mais uma originalidade à portuguesa. E os portugueses vão aceitar estes negócios escuros e opacos, que delapidam o erário público?
ACORDAI, OH GENTE!... ACORDAI PARA A REALIDADE!... ESTE GOVERNO, ALÉM DE NOS ROUBAR INDECENTEMENTE, AINDA QUER FAZER DE NÓS ESTÚPIDOS!...
E ainda falta saber quanto dinheiro, em luvas e comissões, circulou por baixo da mesa.

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Afinal, Paris está mais perto!...


Estado Islâmico executa 200 crianças publicamente

Os terroristas do autoproclamado Estado Islâmico executaram 200 crianças sírias e publicaram o vídeo na Internet.
A gravação mostra que as crianças foram alinhadas umas ao lado das outras e obrigadas a baixar as cabeças  em direcção ao chão. Estão de costas voltadas para os carrascos, que as mataram em segundos.

***«»***

Afinal, Paris está mais perto!...

Há crimes que não passam debaixo dos nossos olhos. Não se vêem, não se conhecem, não se sentem. Não se cantam hinos patrióticos nos estádio de futebol. Não se ouvem discursos inflamados nos parlamentos nem nos fóruns internacionais. As vítimas não têm nome.Não chega lá a solidariedade, nem as lágrimas da emoção, nem os gritos dos protestos, simplesmente porque faltámos à chamada e não ouvimos o rebate dos sinos, porque os sinos não tocaram. É um outro mundo que não entra nas nossas casas, na hora do jantar.
Afinal, Paris está mais perto!...
AC

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Paris13... o meu endereço...

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Amabilidade de Leila Gomes.
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O terrorismo islâmico não está a atacar os seus inimigos. Está a matar, à traição, cidadãos inocentes…

domingo, 15 de novembro de 2015

"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"


"Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora"

Uma jovem de apenas 22 anos acreditou que o ataque ao Bataclan seria o fim da sua vida.
Isobel Bowdery tem apenas 22 anos e, na passada sexta-feira, assistiu ao ataque terrorista ao Bataclan, em Paris, tendo revelado todos os seus sentimentos através de uma publicação na sua página de Facebook. As palavras desta jovem estão a tornar-se virais nas redes sociais e já contam com quase 140 mil partilhas.
“Nunca pensamos que vai acontecer connosco. Era apenas uma sexta-feira à noite num espetáculo de rock. O ambiente era tão bom e todas as pessoas estavam a dançar e a sorrir”, é desta forma que Isobel começa o seu texto, mostrando a normalidade que tudo apresentava no início de um fim-de-semana em Paris.
“Quando os homens entraram pela porta da frente e começou o tiroteio, ainda pensámos, ingenuamente, que fazia tudo parte do concerto”. As sensações de felicidade foram brutalmente assassinadas pela realidade nua e crua que pôs fim ao concerto. “Não foi apenas um ataque terrorista, foi um massacre”, frisa.
Através de palavras, a jovem relembra as dezenas de pessoas baleadas à sua frente, as “poças de sangue”, “os gritos de homens adultos”… “Futuros destruídos, famílias com os corações partidos”, refere Isobel Bowdery, que jamais olhará para o mundo da mesma forma.
“Chocada e sozinha, fingi estar morta mais de uma hora, a suster a minha respiração, a tentar não me mexer, não chorar – não dando a esses homens o medo que desejavam ver. Tive uma sorte incrível em sobreviver. Mas muitos não o fizeram”, assume, relembrando os mortos do ataque e a enorme quantidade de feridos, e referindo que as imagens daqueles homens a assombrarão o resto da vida.

***«»***
Isabel Bowdery, uma jovem francesa, salvou-se do massacre terrorista do Bataclan, em Paris. Com grande sangue frio e dominando a emoção que a iminência da morte transtorna, através da cavalgada do medo, deitou-se no chão e fingiu-se morta. Salvou a vida e salvou os sonhos de a viver em plenitude. Mas a sua vida vai ser um inferno, pois irá arrastar para sempre o pesadelo da tragédia. Vai acordar as noites, em pânico e aos gritos, no meio do sangue e dos cadáveres e ouvindo os gritos lancinantes dos feridos e o ensurdecedor matraquear dos tiros assassinos, disparados.
Boa sorte, Isabel Bowdery. Que consigas também apagar a dor da memória, já que não poderás esquecer a tragédia dessa noite de terror.
Quero também dizer-te que o teu depoimento me emocionou muito. Li-o, com um nó espetado na garganta, para enganar as lágrimas. Lágrimas que eram por ti e por todos aqueles que morreram. E a mão tremia, enquanto escrevia.
Guardarei luto por essa trágica noite.
AC

Barack Obama sangra-se em saúde _ por Odete Santos*


Barack Obama sangra-se em saúde

No coração da Europa, em Paris, bem perto de nós, o Isis perpetrou um conjunto de ataques, reivindicando-os e atribuindo-os ao facto de a França ter colaborado nos bombardeamentos contra o Estado Islâmico.E o que me faz escrever estas linhas é precisamente a hipocrisia daqueles países e sinistras personalidades que, vertendo lágrimas de crocodilo, se sangram em saúde lamentando estes atentados terroristas.
Hoje, está mais do que assente a responsabilidade dos E.U.A. na criação e desenvolvimento do ISIS
Sabe-se, e está hoje assente que os E.U.A são o Estado mais terrorista do mundo. Falam por nós os atentados de 11 de Setembro que provocaram o derrube das três torres. Foram três e não duas.
Sabe-se e está hoje assente que a guerra do Iraque assentou numa mentira: a de que Sadam Hussein utilizava armas proibidas. Mentira, aliás reconhecida por uma das personagens principais desse melodrama, Tony Blair, que reconhece que essa mentira muito provavelmente estará na origem da formação do Estado Islâmico..
Sabe-se que os Estados Un idos da América prestam assistência militar ao Estado Islâmico, para que este apoie a oposição ao Presidente Bachar el Assad.
Sabe-se e as carrinhas Toyota nas mãos do Estado Islâmico disso são prova, do suporte técnico dos E.U.A. ao Estado Islâmico.
Sabe-se que a Nato que agora também se sangrou em saúde a propósito dos atentados em Paris, esteve na base da destruição da Líbia transformando este país num ninho de terroristas
Não posso dar mais do que uma modesta contribuição na denúncia dos verdadeiros criadores do Estado Islâmico. Mas vou fazê-lo para que o mundo não se esqueça de quem o lança na 3ª Guerra mundial

Odete Santos
* Ex-deputada do PCP _ Assembleia da República

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A União Europeia já é um projecto falhado...


A União Europeia e, especialmente, a União Económica Europeia nasceram para morrer e não para vencer. Pelo caminho, ficou a miséria, provocada pela destruição das economias do sul da Europa, unicamente em benefício das economias dos países mais ricos, principalmente a da Alemanha, país este que se serviu da moeda única para alimentar o seu velho sonho imperial.
Mas as identidades das nacionalidades dos povos europeus, nas suas diferentes expressões políticas e linguistas, fala mais alto. Como já afirmei algumas vezes, ninguém consegue unir a Europa. Nem Carlos Magno, nem Napoleão nem Hitler conseguiram alcançar esse desiderato pela força das armas. Também não serão os mercados financeiros nem o euro a unir um continente inteiro, onde nas situações mais críticas os nacionalismos emergem. As forças centrífugas são mais fortes do que as forças centrípetas. 
Antes da crise das dívidas soberanas, em 2010, cerca de sessenta por cento dos europeus acreditava no projecto de integração na União e na moeda única. Em finais de 2013, essa percentagem desceu para cerca de trinta por cento. Hoje, depois do que aconteceu na Grécia, que foi castigada com mais austeridade, a credibilidade das instituições europeias está de rastos.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

E a razão está do nosso lado...


Interrompeu-se um ciclo, um tenebroso ciclo, que parecia não ter fim. Iniciou-se outro, o da esperança. Compete a todos nós, aos cidadãos de esquerda, aos eleitores e aos eleitos, assegurar e consolidar o seu ascendente caminho. Socialistas, comunistas e bloquistas estão, assim, convocados para a luta. A Direita está unida na humilhante derrota. A Esquerda tem de estar unida na gloriosa vitória. Não tenhamos medo, porque a História acaba sempre por dar razão aos quem têm razão... E a razão está no nosso lado.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O Dinheiro Como Dívida - parte 2 de 5

O "PACTO DA ALAMEDA", de 1975, foi quebrado

Mário Soares discursando no comício da Alameda (Fonte Luminosa)

O "PACTO DA ALAMEDA" (Fonte Luminosa), de 1975, foi quebrado. Passados quarenta anos, o Partido Socialista atravessou a linha que o separava da esquerda e assumiu a liderança de um processo de mudança, que já é considerado um momento histórico para Portugal e para a Europa. 
Há momentos, escrevi, num comentário, que o PS não é o Sirysa. Ao contrário de Sirysa, o PS é um partido com história, que teve no passado uma importante participação na construção da UE, e que, por isso, não pode ser achincalhado nem vilipendiado pelos barões de Bruxelas nem pela czarina de Berlim. 
Os comunistas e os bloquistas assumiram com grandeza as suas responsabilidades políticas e históricas, ao viabilizarem um governo liderado por António Costa, que, durante este complicado processo, revelou qualidades ímpares de negociador, o que augura para o futuro a sua afirmação como grande estadista. De uma assentada, passou de vencido a vencedor, baralhando a direita, seduzindo o PCP e o BE e anulando as dissidências incendiárias, no seu próprio partido. A quase unanimidade alcançada na comissão nacional e na comissão política vai aumentar a sua credibilidade junto dos militantes, simpatizantes e eleitores socialistas.
Foi uma grande vitória política da esquerda e da democracia.

sábado, 7 de novembro de 2015

É urgente a mudança!

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Bill Maher
Amabilidade de João Fráguas

Não sei quem é Bill Maher. Mas não faz mal. O que interessa é que ele proferiu uma afirmação verdadeira, com a qual todos nós concordamos. Na realidade, ninguém pode votar bem, quer dizer, ninguém, politicamente, poderá defender os seus interesses, se não estiver bem informado e se não procurar uma base mínima de entendimento do complexo mundo da Política, da Economia, da História e da Sociedade. É um problema universal, de difícil resolução. Mas tenhamos esperança, pois hoje o número de pessoas esclarecidas já é significativo. E será desejável que assim seja, para que não se confirme um desabafo meu, escrito por aqui, há uns meses, e que dizia: Um paradoxo que existe entre a Ditadura e a Democracia, é que, em Democracia, por vezes, é o povo que escolhe os carrascos.
Mas, no momento em que escrevo este pequeno e modesto texto, começo a sentir a aproximação do tempo da mudança e do renascimento da esperança. Os sinais são animadores. São sinais de uma ruptura (embora diplomaticamente suavizada) com um tenebroso passado recente e que poderão novamente ser o anúncio de uma nova onda de choque que varra a empedernida Europa. Não seria a primeira vez que Portugal serviria de exemplo e de modelo, ao posicionar-se na vanguarda da descoberta de novos caminhos. Sem querer comparar o que é incomparável, recordemos os Descobrimentos, que rasgaram com a sua luz, a escuridão medieval europeia, e a revolução de Abril, que, por efeito de simpatia, contribuiu para o derrube de todas as ditaduras militares, existentes à época, na Europa e na América Latina.
E ninguém nos agradeceu esse trabalho… Antes nos roubaram o seu produto… E, agora, querem continuar a roubar-nos… É urgente a mudança!

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

T-Mobile Sing-along Trafalgar Square (extended version)

Amabilidade da «poeta» Maria Gomes
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É comovente e exaltante!... Uma única ideia, um único pensamento, uma única luz e uma música emblemática unem em uníssono, num culto profano de irmandade, uma multidão de jovens... 
Apetece ter estado lá!...

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Pablo Picasso


Picasso fez uma revolução total na pintura. Uma ruptura radical com o passado e, de tal modo profunda e incisiva, que marcou não só a sua própria geração, mas, principalmente, todas as gerações que lhe sucederam, até à actualidade. Não há nenhum pintor da modernidade que não se inspire nas forma pictóricas, inventadas por Picasso.
Embora isto já tivesse sido tentado timidamente por pintores que o antecederam no tempo, foi com Picasso que a pintura deixou de ser uma representação do espaço real visível, para se transformar numa vibrante expressão criativa da imaginação, transmitida à tela. Para isso arriscou cortar com o cânone, recorrendo, em relação à forma, à distorção dos objectos e das figuras humanas, nestas principalmente ao nível da intervenção nos rostos (o espaço anatómico por ele preferido para fazer as suas experiências de representação, na procura de expressões geniais, bem vincadas)  e no recurso  às formas arredondadas dos corpos e ao jogos da desproporção das dimensões. Isto permitiu-lhe ganhar liberdade criativa (já que não pretendia captar o real) para poder jogar com o efeito das cores, principalmente as cores fortes e garridas, que acabavam por dominar o espaço visual do espectador.
Como se tivesse regressado à Idade Média, Picasso ignorou, na maioria dos seus trabalhos, a terceira dimensão, a da profundidade, para que o primeiro plano ganhasse relevo e importância. Seguiu um processo contrário ao do seu contemporâneo e compatriota, Salvador Dali (outro grande pintor), que, precisamente, preferiu a terceira dimensão para dar azo, através da desproporção das figuras, à sua imaginação febril e fantasmagórica.
Picasso ganhou a imortalidade. E vai ser difícil, nos próximos tempos, que um novo génio surja para lhe roubar a influência que continua a ter nos pintores da actualidade. Só se surgir uma revolução, recorrendo ao digital. Mas isso talvez não seja já pintura. Poderá ser outra coisa.

Alexandre de Castro  
4 de Novembro de 2015
***«»***



Carta a Picasso

(A propósito da pintura “Les Demoiselles d’ Avignon”)*

Não sei se as fodeste, antes de as pintares
para lhes matar o erotismo e a beleza
sei que não te enforcaste atrás da tela
como previra Derain
a carne rósea está lá, bem esquadrinhada,
sob o fundo azul da tua matriz original
e em explosivo esplendor,
resultado da tua arte,
mas espartilhada na frieza
das linhas firmes
rasgadas a régua e a esquadro.
Os rostos foram talhados a machado
e só os olhos brilham
em esquadrias angulosas
e não sei se há naqueles olhares
um qualquer desapiedado desprezo
ou algum apelo ou desagravo
ou até uma incisiva acusação,
pois ternura e afectos são coisas que lá não vejo.
Eu sei que te inspiraste em formas arcaicas
embora negues a herança negróide
do nariz de todas elas
mas quero dizer-te, Picasso,
com esta geometria descentrada
salvaste a pintura e a Humanidade
e soubeste afirmar a arte como mentira
tal como Plínio afirmou
a propósito daquele pintor romano
que pintou uvas tão perfeitas
que até os pássaros as foram debicar.
E, para comer, tu apenas nos deixaste
no fundo da tela
o cacho de uvas, a pêra, a maçã,
e uma talhada de melancia.
És um forreta, Picasso,
e agora já sei que as fodeste, antes de as pintares.

Alexandre de Castro

Ourém, Abril de 2009

* Célebre pintura de 1907, que inaugurou a corrente cubista.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Milagres!...

Imagem importada do blogue Ponte Europa

Os milagres operam-se por hipnose ou por ilusionismo... A crendice popular faz o resto...
A ideia subjacente ao conceito de milagre, e que inspira quem os inventa e, metodicamente, os organiza, vai ao encontro da ambição de cada ser humano pretender vir a adquirir uma capacidade  restauradora e renovadora da sua confiança no futuro, que as difíceis condições da existência ameaçam constantemente. O desejo que aconteça um milagre, que inverta o sentido de uma realidade adversa, nasce do sentimento de impotência do Homem, perante a Natureza e perante a Vida, quando não a sabe interpretar, compreender e explicar. Fica assim aberto o caminho para os operadores e técnicos dos milagres, que os transformam em investimento imaterial e com proveitos imateriais e materiais.
AC

Agradecimento


Agradeço ao Zé Nisa e ao Jaime Pedruco a amabilidade de terem aderido ao Alpendre da Lua

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domingo, 1 de novembro de 2015

Quem sai aos seus não degenera...

Imperador Guilherme II da Alemanha

Em Maio de 1900, eclodiu na China a segunda guerra do século XX, um século que haveria de conhecer muitas mais, o que fez dele o século mais sangrento de sempre. A primeira guerra, a  Guerra Boér, na África do Sul, apanhou a dobragem do século e acabou, com a vitória das forças militares do Império Britânico, em Maio de 1900.
Na China, também em Maio, os boxers [punhos harmoniosos e justiceiros] desafiaram a autoridade do imperador e marcharam sobre Pequim, assassinando pelo caminho todos os estrangeiros e saqueando e destruindo todos os seus bens. De imediato, se formou uma coligação internacional,  envolvendo os Estados Unidos, Grã-Bretanha, Rússia, Itália, França e Japão, que naquele país tinham interesses, para, através de uma acção militar punitiva, esmagar a rebelião. Não sei se, na altura, já estava na moda o argumento das armas de destruição maciça e massiva.
A Alemanha enviou para a China quatro mil soldados, que embarcaram num porto do Mar do Norte, embarque esse que teve honras da presença do imperador Guilherme II, que, no seu patriótico discurso, afirmou:

“Quando encontrardes o inimigo, derrotá-lo-eis. Não dareis tréguas, não fareis prisioneiros. Que todos quanto vos caírem nas mãos fiquem à vossa mercê. Tal como os Hunos, há mil anos, sob o comando de Átila, ganharam uma reputação de virtude, que lhes deu um lugar na tradição da história, que também o nome da Alemanha fique de tal modo conhecido na China, que nenhum chinês volte alguma vez a ousar sequer olhar um alemão de soslaio

Os chineses, ainda hoje, tremem de medo, quando alguém pronuncia a palavra Alemanha, e os chineses que vivem na Alemanha têm um cuidado muito especial, quando olham para um alemão, não vá o diabo tecê-las.
Destaquei e enquadrei as palavras de Guilherme II para assinalar que a assumpção do militarismo, do totalitarismo, do profundo desprezo pelo “outro” e pelo “inimigo”e a exibição arrogante da superioridade da raça não começaram com Hitler. Tiveram antecedentes. E também têm sucessores condignos, que, em vez dos canhões e das baionetas, utilizam as armas financeiras para dominar os povos.

Lisboa - O Terramoto de Novembro de 1755