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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

É caricato reduzir a discussão sobre a Europa a uma simples metáfora…


É caricato reduzir a discussão sobre a Europa a uma simples metáfora…

Se o PS perder as eleições (e, possivelmente, a coligação PSD/CDS vai ganhá-las tangencialmente), os dirigentes, militantes e simpatizantes socialistas não poderão admirar-se. E o motivo é só um: num período de crise económica e social e com um futuro carregado de incertezas, o PS não conseguiu fazer a diferença programática em relação aos partidos de direita. Nas questões estruturantes e importantes, como seja o posicionamento perante a Europa, ambos convergem, o que nos leva a dizer que os dois partidos (PS e PSD) são as duas faces da mesma moeda, que aqui até pode ser o euro. Ambos, europeístas convictos, por crença ou por oportunismo, quer Costa quer Coelho nunca falaram da dívida, da sua eventual reestruturação e de como ela vai ser paga. A dívida e tudo que respeitasse à Europa foi assunto tabu. E isto, discutir a relação com a Europa, é que é verdadeiramente importante para os portugueses. Costa ainda veio com aquela esfarrapada metáfora da toalha da mesa de jantar, que os países ricos puxam para o seu lado, roubando a comida aos países pobres, para afirmar, depois, que os países pobres também têm de puxar a toalha para o seu lado. Mas não passou disto. É caricato reduzir a discussão sobre a Europa, que tem na mão todos os cordelinhos do poder, a uma simples metáfora Assim, o PS não consegue ganhar eleições Arrisca-se até a obter um resultado humilhante, tal como o PSOE e o PASOK.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Kenneth Rogoff: "Grécia e Portugal nunca deviam ter entrado no euro"


O economista norte-americano Kenneth Rogoff afirmou hoje [23 de Setembrode 2011] que "Portugal e a Grécia nunca deviam ter sido admitidos na zona euro", considerando inevitável uma reestruturação da dívida grega, e também da portuguesa, em entrevista ao Frankfurter Allgemeine.
"Acho que a Grécia e Portugal nunca deviam ter sido admitidos na zona euro, isso foi um hybris (exagero), tal como foi um exagero admitir a Eslováquia e a Letónia", disse o ex-chefe do gabinete de estudos do FMI.
***«»***
Kenneth Rogoff é o economista que, juntamente com a economista Carmen Reinhart, elaborou o célebre estudo - entretanto contestado por o programa de Excel utilizado conter erros de cálculo que, eventualmente, comprometeriam a credibilidade dos seus resultados - em que se pretendia demonstrar que uma dívida soberana acima dos noventa por cento do PIB comprometia o crescimento económico,  conclusão que serviu de referência para as políticas de austeridade que os países europeus estão a aplicar cegamente.
Entretanto, e isto é uma originalidade no campo dos economistas neoliberais, Rogoff admitiu que Portugal e a Grécia nunca deveriam ter entrado na zona euro, dando assim razão à minha metáfora da criança que veste o casaco do pai. 
Para ser coerente, faltam duas coisas no pensamento de Rogoff. A primeira é que as políticas de austeridade também não conduzem ao crescimento sustentado para poder pagar a dívida pública, como os indicadores macro-económicos de Portugal e da Grécia estão a demonstrar, o que obriga os respectivos governos a recorrer a mais privatizações (por este caminho, Portugal ainda terá de privatizar o mar). A segunda, é que, se Portugal e a Grécia não deveriam ter entrado na zona euro, a única medida que se impõe, para evitar o descalabro e a tragédia, será promover, de modo pacífico, a sua saída.
Pouco a pouco, a realidade vai demonstrando que é a Economia a ter de ir à frente das Finanças, e não o contrário. E, nesta perspectiva, não é o défice orçamental que é importante, embora não possa ser totalmente ignorado. O importante é promover a desvalorização de uma nova moeda nacional, para que os produtos portugueses sejam competitivos nos mercados internacionais, e por esta via se criem excedentes e se aumente de forma vigorosa e sustentada o PIB. Se Portugal não optar por esta política, que contrarie a emigração dos jovens, o progressivo envelhecimento da sua população e o alastramento da pobreza à classe média, o futuro será irredutivelmente muito sombrio. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Agradecimento


Agradeço à Leonidia Marinho, ao Luís Tavares e ao João Matos a amabilidade de terem aderido ao Alpendre da Lua

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Notas do meu rodapé: A Al-Qaeda e o Estado Islâmico serão uma grande burla histórica?...


A história da Al-Qaeda e a do Estado Islâmico ainda está por descobrir e por contar. Para já, começam a surgir algumas peças de um complexo puzzle de cumplicidades políticas várias, que nos levam a acreditar que estamos perante uma grande burla histórica de grandes proporções, nunca antes ensaiada, e destinada, através da intoxicação mediática, a instalar o medo nas opiniões públicas, que assim ficam preparadas para aprovar as guerras de punição contra falsos e inventados inimigos, guerras estas que, entretanto, e secretamente, são consideradas estratégicas para os governos dos países que querem dominar o mundo, começando, em primeiro lugar, por tentar exercer o domínio exclusivo sobre as principais fontes de petróleo. Não esqueçamos que a instabilidade política e ou a instabilidade militar estão instaladas - através de sofisticados meios artificiais, que passam pelo financiamento, apoio e mobilização de oposições minoritárias - nos países que possuem grandes reservas de petróleo no seu subsolo (países do Médio Oriente e do norte de África, aos quais se junta a Venezuela), ou na sua Zona Económica Exclusiva (ZEE), como é o caso da Grécia, e, no futuro, provavelmente, será o caso de Portugal. 
O que se sabe, até aqui, é que Bush e Blair escavacaram um país, o Iraque, porque confundiram as caixas de fósforos, que os iraquianos traziam nos bolsos para acender cigarros, com armas secretas e perigosas, de destruição maciça. Já antes, a destruição das Torres Gémeas deu o pretexto (falso, segundo algumas teorias de conspiração, que denunciam uma grande intimidade e cumplicidade entre a CIA e Bin Laden), para lançar uma impiedosa guerra contra os talibãs e a Al-Qaeda, no Afeganistão, um país que faz fronteira com a China, e que, por isso, é ideal para lá instalar rampas de lançamento de mísseis para domesticar o único país que poderá vir fazer frente às ambições hegemónicas dos EUA. Na Líbia, o rebelde Kadafi ousou, tal como Saddam Hussein, no Iraque, quebrar a regra da exclusividade do dólar, como meio de pagamento do petróleo vendido, começando também a aceitar outras moedas, principalmente o euro, e, por isso, viu o seu país invadido por mercenários do Qatar, treinados e armados pela CIA e disfarçados de opositores ao regime, e que foram transportados para o cenário de guerra por barcos da Marinha francesa. Saddam e Kadafi pagaram com a vida a ousadia, embora tivessem tido o privilégio de serem televisionados nos momentos das suas execuções. Nada melhor para cortar qualquer devaneio insurrecional aos dirigentes políticos renitentes.
A Síria, cujo governo dos Assad (do pai e do filho) tem sido o opositor mais coerente ao regime sionista de Israel, que lhe anexou os Montes Golã, é o último obstáculo para que os EUA exerçam um total domínio do Médio Oriente, já que fica desimpedida a via terrestre que liga a Turkia à Arábia Saudita e aos emiratos árabes. Não estranhemos, pois, a assassina, hedionda e avassaladora onda invasora das forças do Estado Islâmico contra a Síria, forças estas que estão a praticar um autêntico genocídio, destruindo tudo por onde passam, lançando o pânico e provocando o maior êxodo da História Contemporânea.
Deixo, finalmente algumas perguntas, que só no futuro, quando se reescrever a História, terão a devida resposta:
Primeira: Por que razão o governo dos EUA e os das potências europeias foram tão lestos a desencadear uma guerra de punição no Iraque, por causa das tais caixas de fósforos dos iraquianos (repare-se que as tais armas de destruição massiva nunca apareceram e nunca mais se falou delas), e não se mobilizaram para destruir o grupo terrorista do Estado Islâmico (uma autêntica aberração nos tempos modernos)?
Segunda: Quem é que financia e promove, com grande facilidade, a aquisição de sofisticadas armas de guerra por parte do Estado Islâmico?
Terceira: Como é que foi possível aos agentes do Estado Islâmico (ou seriam os agentes de uma outra coisa qualquer?) fazerem um recrutamento massivo de jovens árabes radicados na Europa para as suas fileiras no Médio Oriente, mesmo nas barbas das eficientes polícias secretas europeias?
Quarta: Por que razão a Alemanha já lançou a bisca exploratória de pretender uma gestão integrada, centralizada na comissão europeia, de todos os mares que banham a Europa e de querer constituir um Exército europeu? Será que nos planos secretos dos verdadeiros patrocinadores do Estado Islâmico, escondidos na sombra, a invasão da Península Ibérica está mesmo prevista e caucionada, para depois fazer nascer um estado totalmente colaborante com o imperialismo alemão e com o imperialismo americano, após o extermínio e o êxodo da população autóctone? É que pelas costas dos outros podemos ver as nossas e, por outro lado, na política internacional não há amigos, mas apenas interesses hegemónicos. E, no caso de Portugal, esses interesses estão concentrados na rapina das potenciais riquezas da maior ZEE do mundo
Quinta: Porque será que Bin Laden está vivo e em liberdade, a acreditar na notícia da Hispan.TV (ver aqui), com base na informação do insuspeito Snowden?

Dois poemas s/ título _ por Maria Gomes


Dois poemas s/ título _ por Maria Gomes

Não quero mais do que uma réstia de sol
tenho a promessa das acácias
nas manhãs pagãs
a memória dos teus olhos
infindos
a tua mão clara cor do trigo.


______________mariagomes


***«***


Que a minha sepultura seja uma flor lapidar
cabendo nela a recusa...
Que ali pernoite o amor
e os olhos da inclinação do vazio, e as aves,
e uma espada, uma espada que cruze o mar.


______________mariagomes

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Vila Real, Santuário de Panóias (1ª Parte)

O "roubo" das pensões... [Raquel Varela]


«É totalmente ilegítimo cortar as pensões e reformas. Nunca é demais lembrar que o Estado não é dono da segurança social e portanto não pode apropriar-se destes recursos. O Estado é depositário das contribuições e está obrigado a pagar as pensões. Tudo o resto é roubo. Vou repetir, assumindo exactamente o valor desta palavra - tudo o resto é roubo. Portanto os portugueses devem reagir e resistir aquilo que é desnecessário do ponto de vista económico, imoral do ponto de vista social e, finalmente, totalmente ilegal».
Raquel Varela_ Historiadora

[Amabilidade de Lara Raquel Caldeira Ferraz]

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

A mentira das estatísticas oficiais sobre o mercado de trabalho...


Os números oficiais sobre o mercado de trabalho não correspondem à realidade, porque ignoram o desemprego oculto, o desemprego disfarçado e o desemprego dos inactivos. E isto, para não falar no aumento da carga horária dos trabalhadores empregados, em alguns sectores da economia - o que limita o recurso a novas contratações - bem como da emigração dos jovens, fenómenos estes que, não tendo efeitos directos nas estatísticas do mercado de trabalho, vão ter, contudo, no futuro, elevados custos, ao nível da sustentabilidade social, da demografia e da economia. Portugal irá ser um país envelhecido e empobrecido. Mas os sobas, esses, não se extinguirão...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Morreu Ana Hatherly [Poema: Príncipe ]


Príncipe 

Era de noite quando eu bati à tua porta 
e na escuridão da tua casa tu vieste abrir
e não me conheceste. 
Era de noite 
são mil e umas 
as noites em que bato à tua porta 
e tu vens abrir 
e não me reconheces 
porque eu jamais bato à tua porta. 
Contudo 
quando eu batia à tua porta 
e tu vieste abrir
os teus olhos de repente 
viram-me 
pela primeira vez 
como sempre de cada vez é a primeira

a derradeira 
instância do momento de eu surgir 
e tu veres-me.
Era de noite quando eu bati à tua porta 
e tu vieste abrir 
e viste-me 
como um náufrago sussurrando qualquer coisa 
que ninguém compreendeu. 
Mas era de noite 
e por isso 
tu soubeste que era eu 
e vieste abrir-te 
na escuridão da tua casa. 
Ah era de noite 
e de súbito tudo era apenas 
lábios pálpebras intumescências 
cobrindo o corpo de flutuantes volteios 
de palpitações trémulas adejando pelo rosto. 
Beijava os teus olhos por dentro 
beijava os teus olhos pensados 
beijava-te pensando 
e estendia a mão sobre o meu pensamento 
corria para ti 
minha praia jamais alcançada 
impossibilidade desejada 
de apenas poder pensar-te. 

São mil e umas 
as noites em que não bato à tua porta 
e vens abrir-me 

Ana Hatherly _ in "Um Calculador de Improbabilidades

***«»***
Morreu Ana Hatherly
Escritora, artista plástica e cineasta, Ana Hartherly integrou, ao nível da poesia, o movimento experimentalista, o concretismo, que surgiu no Brasil, de forma estruturada (publicou-se um manifesto), em meados do século passado, tendo-se expandido para a Europa, onde veio a potenciar a afirmação de vários poetas, que procuravam ultrapassar o modernismo.
Ana Hartherly foi a primeira autora portuguesa a escrever um poema “concreto”, uma forma de escrever poesia, em que o poema perde o conceito absoluto (não vale só por si), antes se articula, para ganhar uma maior expressividade, com outras formas artísticas ou com outros formas comunicacionais, entretanto inventadas, como seja a folha de papel ou o mural, onde ele é escrito de forma não convencional (dispersão desordenada, com uma disposição inteligível e esteticamente conseguida, dos vocábulos, frases e caracteres).
Na prosa, Ana Hartherly escreveu, entre outros “O Mestre” e o conto “No Restaurante”, que tiveram várias edições em Portugal e no Brasil e em mais de uma dezena de países.
Como académica (era professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa), destacou-se também ao nível do ensaio.
Alexandre de Castro

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Santa Teresa d' Ávila


«(...) Neste estado, agradou ao Senhor dar-me a visão que aqui descrevo. Vi um anjo perto de mim, do meu lado esquerdo; não era grande, mas sim pequeno e muito belo; o seu rosto afogueado parecia indicar que pertencia à mais alta hierarquia, aquela dos espíritos incendiados pelo amor. Vi nas suas mãos um longo dardo de ouro com uma ponta de ferro na extremidade da qual ardia um pouco de fogo. Às vezes, parecia-me que ele me trespassava o coração com esse dardo, até me chegar às entranhas. Quando o retirava, parecia-me que as levava consigo, e ficava em chamas, totalmente inflamada de um grande amor por Deus. Era tão grande a dor, que me fazia dar gemidos, mas ao mesmo tempo era tão excessiva a suavidade que me punha essa enorme dor, que não queria que terminasse, e a alma não se podia contentar com nada menos do que Deus. Este sofrimento não é corporal, mas sim espiritual, e no entanto o corpo participa, e não participa pouco.»

***«»***
Este admirável texto foi escrito por Teresa d’ Ávila, mais tarde santa, e que se fez freira apenas com dezasseis anos, no século XVI. Com estas inflamadas visões não admira que tivesse subido ao céu várias vezes, motivo este mais do que suficiente para fundamentar a sua canonização pela Igreja Católica Apostólica Romana.
Alguns historiadores admitem que Teresa d’Ávila seria uma ninfomaníaca e que teria orgasmos quando, em intensa meditação, se concentrava mentalmente em visionários encontros com o anjo enviado pelo Senhor. Eu, que não me atrevo a avançar com nenhuma justificação para este fenómeno místico-erótico, apenas quero deixar uma pergunta: Aquilo seria mesmo um anjo?

domingo, 2 de agosto de 2015

Notas do meu rodapé: Temos de encontrar e conquistar uma nova Ceuta...


Temos de encontrar e conquistar uma nova Ceuta... Não para construir outro império nem para escravizar outros homens, mas para nos libertarmos do imperialismo alemão e deixarmos de ser escravos do capitalismo financeiro europeu. Uma nova Ceuta, que nos devolva a dignidade perdida e recupere a nossa auto-estima como povo. 
Está provado que não será na Europa que iremos encontrar o nosso desígnio colectivo, a não ser que essa Europa mude radicalmente de paradigmas.
Se D. Afonso Henriques, o rei fundador, venceu pela astúcia e pela bravura os leoneses e os mouros, ao mesmo tempo que consolidava politicamente as suas vitórias militares (ele foi também um grande estadista), D. João I, o fundador da nova dinastia que se formou, revolucionariamente, em consequência da grande crise de 1383-1385, foi um rei visionário, que percebeu a tempo a necessidade do seu reino ganhar uma nova força política e económica, expandindo-se e enriquecendo-se fora do contexto ibérico, onde não passava de um parceiro menor. A conquista de Ceuta foi a salvação do Portugal de então, e que sobreviveu até hoje (exceptuando os sessenta anos do domínio espanhol).
Passados seiscentos anos, e em contextos naturalmente diferentes, coloca-se novamente o problema da nossa sustentabilidade como país e da nossa identidade como povo. Perdido o império caduco e obsoleto, que, na sua agonia final, só trouxe problemas ao povo português e, particularmente, à minha geração, que foi obrigada a fazer a Guerra Colonial, Portugal, para sobreviver à humilhação, que só a revolução de Abril resgatou, entregou-se de braços abertos a uma Europa sedutora e moderna, mas da qual alguns de nós, eu incluído, tínhamos algumas razões para dela desconfiar. A anestesia da modernidade - aquela modernidade, cuja faceta mais ridícula foi aquela apressada corrida à compra das chapas de matrícula com as estrelinhas amarelas, para ostentar em automóveis obsoletos - durou quarenta anos, envolvendo duas gerações de portugueses. Em termos históricos, foi pouco tempo, mas deu para atingir o clímax do deslumbramento. Já participámos no Tratado de Maastricht, que fundou a a União Económica e Financeira da Europa e adoptou a moeda única. Poucos perceberam o alçapão que estava escondido debaixo dos nossos pés. Poucos perceberam (e até eram menosprezados por perceberem) que o euro tinha sido nivelado por cima, para servir as economias dos países ricos da Europa, principalmente a Alemanha e a França. Poucos perceberam, que, escondido no euro, estava a germinar a pulsão imperialista da Alemanha, que, para se impor no contexto global, necessitava de dominar política e economicamente a Europa. Veio a crise de 2008, e a Alemanha conseguiu camuflar a bolha especulativa dos bancos, concebendo um hábil estratagema, apoiado no falacioso argumento das dívidas públicas elevadas dos países do sul. O objectivo de forçar um maior endividamento público desses países, foi a fórmula encontrada para transferir as dívidas dos bancos e o valor dos seus produtos tóxicos para as dívidas públicas dos países intervencionados, impondo como garantia de retorno o produto proveniente da austeridade, que se vai perpetuar por longos anos. Ainda hoje, e apesar da crise grega ter posto a nu as intenções imperialistas da Alemanha, existe muita gente que não percebeu o esquema e vai votar nos intermediários políticos indígenas dos seus algozes.
Portugal (e também a Grécia) encontra-se na perigosa encruzilhada, em que o caminho que lhe está a ser imposto, é o do declínio irreversível, da pobreza, que virá a ser endémica, e da perda de tudo aquilo que ainda tem valor. Tudo irá para o sorvedouro da dívida. É necessário reagir. É necessário encontrar governantes da têmpera de D. Afonso Henriques e de D. João I (a que juntamos as figuras de D. João II e do Marquês do Pombal). Se estes talentosos e patrióticos estadistas ressuscitassem, iriam corar de vergonha com a situação degradante do país que ajudaram a construir. Dariam um murro na mesa e expulsariam do Templo os fariseus. É isso que temos de fazer, para iniciar o processo de regeneração.
Alexandre de Castro

sábado, 1 de agosto de 2015

quinta-feira, 30 de julho de 2015

“Enquanto a banca for privada, qualquer governo é refém do capital financeiro”


Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala esquerda
Num pavilhão cheio de simpatizantes da ala esquerda do Syriza, Lafazanis defendeu a saída da Grécia do euro, criticou a estratégia de Tsipras e respondeu à “campanha de difamação” na imprensa, que diz ter como alvo o conjunto do partido e toda a esquerda grega.
Lafazanis defendeu o controlo público da banca da Grécia para desempenhar o papel de apoio à economia. “Enquanto os bancos permanecerem sob controlo e gestão privada, os governos, quaisquer governos, só poderão ser reféns do capital financeiro”, argumentou, lembrando que só agora estão a ser investigados a fundo os escândalos que envolvem alguns dos principais bancos gregos das últimas décadas.
***«»***
Qualquer processo revolucionário tem de contemplar na sua estratégia a nacionalização da banca. No sistema capitalista, são os bancos que detêm o poder cambial e o poder monetário, um poder que não é escrutinado pelos cidadãos, mas que é de uma importância fundamental para o planeamento e a execução das políticas económicas dos governos nacionais.
Com a adesão à moeda única, os países que aderiram perderam o poder cambial e o monetário. Com o Tratado Orçamental de 2012, o poder orçamental ficou amputado. Agora, e aproveitando-se dos efeitos da crise grega, a Alemanha e os seus aliados e os seus lacaios pobretanas já querem um Orçamento europeu, reduzindo assim os poderes de cada Estado. A concretizar-se esta deriva federalista, cada país será apenas uma província da Europa e os respectivos primeiros ministros passarão à categoria de governadores civis. Num quadro destes, Portugal estaria para a Europa, assim como a província de Trás-os-Montes está para Lisboa.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Gobierno griego firma tratado militar de cooperación y formación con Israel


Gobierno griego firma tratado militar de cooperación y formación con Israel

Fue muy difícil rastrear la noticia. Solo la habían publicado páginas israelíes y unas pocas webs de los Estados Unidos. Pero no había dudas. Todas y cada una reproducían la sorpresiva noticia de la firma de un acuerdo militar entre Grecia e Israel que no tiene precedentes (enlaces al pie).  En la noticia se habla de cooperación militar,  relaciones excelentes,  mantener y continuar la capacitación conjunta….Una histórica relación que en la campaña electoral Tsipras decía que se iba a acabar (*). No fue así… la relación continuó y se ha fortalecido de acuerdo con las noticias aparecidas desde hace 48 horas.

***«»***
A sombra das dúvidas instalou-se, a a partir do momento em que li, há dias, esta surpreendente notícia, o que poderá projectar uma nova luz sobre a narrativa daquela histórica e humilhante capitulação do governo grego, face às arrogantes e despóticas exigências dos donos da Europa.
É verdadeiramente impressionante o discurso do ministro da Defesa grego, em Telavive, perante o seu homólogo israelita: “El pueblo griego está muy cerca del pueblo de Israel. En cuanto a nuestra cooperación militar, nuestras relaciones son excelentes, y van a continuar para mantener la capacitación conjunta. El señor Kammenos ha añadido: “El terrorismo y la Jihad no golpean el Oriente Medio, sino también a los Balcanes y Europa. Esto es la guerra. También estámos muy cerca de Israel por todo lo que se relaciona con el programa de misiles de Irán. Estamos en el alcance de estos misiles. Si un misil iraní se dirige hacia el mar Mediterráneo, puede significar el fin de todos los países de la región.”

(*) No Programa eleitoral do Siriza constava no ponto 38 a abolição de toda a cooperação militar com Israel.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Uma palavra só_ poema de maria azenha

Óleo sobre tela _ maria azenha

Uma palavra só_

Uma mulher sentada numa cadeira
na poeira de um segredo/
mantém-se iluminada por uma labareda acesa.
Como um capricho violento dos deuses
o poema aflora em seus níveis De incertezas
através de fragmentos de relâmpagos e memórias.
Procura o quê?
A clemência do instante invade então as horas
e as águas feitas de alçapões e prosas
encontram-se e desprendem-se.
Aqui vemos o céu escuro levantar-se das paredes
pousando a mão num momento incandescente/
entrando pelas sombras do vestido escarlate
que a mulher sustenta.
Através dos olhos dela posso ver um aquário
transparente/
onde pequenos peixes se movem/
como num teatro /
na própria luz do movimento.
Digo Uma palavra só. Uma palavra persistente.

© maria azenha
***
Comentário à pintura de Maria Azenha:
 A pintura ganha um especial relevo pela marcação de um forte contraste das duas cores, sabiamente escolhidas.

Comentário ao poema de Maria Azenha:
Aqui não se trata do vivo contrastes das cores, a marcar o Tempo. Aqui, no poema, são as vozes dos deuses a inspirar a “poeta”, quando “vemos o céu escuro levantar-se das paredes”. Depois são as “labaredas”, as “incertezas”, os “relâmpagos”, as “memórias” e as “horas”, que deixam ver “um aquário transparente”.

domingo, 26 de julho de 2015

Merkel caiu da cadeira


Merkel caiu da cadeira

A chanceler alemã assistia à inauguração do Festival Richard Wagner de Bayreuth.
Angela Merkel caiu, ontem à noite, da cadeira, no intervalo da ópera "Tristão e Isolda", que inaugurou o festival de Bayreuth, na Alemanha.
***«»***
Quem foi que enviou a cadeira do Salazar para a Alemanha?...
A cadeira não suportou o peso da senhora. Mas não sei se o lamentável acidente foi devido ao peso do seu corpo ou ao peso da sua consciência...
De qualquer forma, espero que a conta da compra de uma cadeira nova não seja enviada aos gregos, para a pagar. Ou a nós, portugueses.
Desejo sinceramente as melhoras da senhora... É que faz muita falta aos ministros do governo português, que ficariam órfãos, se, entretanto, ela viesse a morrer, vítima de um qualquer hematoma, como aconteceu a Salazar. Oxalá que não... Até porque todos nós perderíamos uma grande amiga, já que foi ela que, para nos salvar, inventou aquela mágica teoria económica de “empobrecer para, depois, enriquecer”, e que está a dar óptimos resultados, principalmente na Grécia

sexta-feira, 3 de julho de 2015

EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança


EUA consideram Rússia e China ameaças à sua segurança
A nova estratégia militar dos EUA particularizou países como a China ou a Federação Russa como agressivos e ameaçadores para os interesses de segurança norte-americanos e preveniu para os crescentes desafios tecnológicos e a deterioração da estabilidade global.

***«»***
São precisamente os EUA quem tem desestabilizado a paz mundial. Têm um historial negro no envolvimento direto ou indireto nos mais sangrentos conflitos militares, nos últimos sessenta anos: Vietname, Laos, Cambodja, Afeganistão, Guerra do Golfo, invasão e destruição do Iraque, que nunca mais teve paz, assim como na Líbia, em que o seu apoio logístico à França (transporte de mercenários do Qatar, que se fizeram passar por rebeldes líbios), foi decisivo, e, atualmente, o apoio aos rebeldes sírios, aos quais enviam armamento e munições, através da Turquia. E ainda resta saber que tipo de cumplicidade existe com o Estado Islâmico, através da Arábia Saudita.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Mariano Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia


Mariano Rajoy apoia renúncia do Syriza na Grécia
O primeiro-ministro de Espanha espera a vitória do "sim" no referendo de domingo na Grécia, sobre um acordo do governo grego com os credores, e um novo governo em Atenas.

***«»***
As declarações do primeiro-ministro, Mariano Rajoy, ao apelar ao voto no SIM, no próximo referendo na Grécia, e ao distorcer o objetivo desse mesmo referendo, que não questiona os cidadãos gregos sobre a permanência ou a saída do euro, é uma grave e inadmissível ingerência nos assuntos internos do Estado grego, cujo governo, em sinal de protesto, pela via diplomática, deveria chamar a Atenas o embaixador grego em Madrid, para consultas. Trata-se de um ato hostil e impróprio, que envergonha a Espanha. É também a quebra do princípio da solidariedade institucional, a que se obrigam os Estados membros da UE, nas suas relações entre si. 
Rajoy reagiu desta forma destemperada, porque vive apavorado com o previsível contágio do efeito Syrisa em Espanha, que o PODEMOS, com êxito, tem vindo a capitalizar, politicamente e eleitoralmente..

Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para declarar 'sim' à Europa


Milhares em Atenas enfrentam mau tempo para declarar 'sim' à Europa

A chuva e a trovoada não fizeram desmobilizar muitos milhares de pessoas em Atenas que hoje quiseram manifestar um voto de confiança na Europa, respondendo "nai" ("sim") às propostas dos credores da Grécia.
Apesar da chuva, num protesto em que se fizeram ouvir muitos apitos, a Atenas "elegante e europeia" voltou a descer à rua. 'Blazers', camisas às riscas, sapatos de ultima moda e chapéus denunciavam em muitos dos presentes uma origem social mais privilegiada.

***«»***
E ainda andam por aí uns ideólogos encartados, a cheirar a naftalina, que querem fazer-nos acreditar que não existe no processo histórico, político, económico e social uma dinâmica de luta de classes. Karl Marx tinha razão. E esta manifestação da alta sociedade ateniense e da burguesia endinheirada, bem vestida e bem alimentada, comprova este postulado marxista. 
Foi uma manifestação de egoísmo classista e marcadamente antiptriótica das pessoas de direita, que nada se importam com o lastro de miséria que afeta a maioria da população grega, e que os credores institucionais (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e FMI) insistem em querer empobrecer até ao limite do absurdo.

Países mais pequenos têm sido "os mais duros com a Grécia"


"Eu fiz todos estes esforços, estamos muito melhor, agora vocês também têm de fazê-los", dizem os países pequenos à Grécia.

***«»***
Trata-se de uma manifestação infantil de um grande complexo de inferioridade.No caso de Portugal, dizer que o país está melhor é uma grande falácia. O crescimento da economia é raquítico, a dívida pública aumentou, e, a manter-se a atual política, terá de haver muito mais austeridade para a a pagar, e é por isso que o FMI e a Comissão Europeia têm vindo a dizer, constantemente, que é necessário cortar mais nas pensões e nos salários. O desemprego continua elevado, e o desemprego de longa duração já penetrou nas gerações mais novas, o que é muito grave.O único indicador macro-económico que o governo controlou foi o défice orçamental. Mas isto é o mais fácil, pois até um porteiro do Ministério das Finanças conseguiria aumentar os impostos e cortar nas pensões, nos salários e nas despesas dos serviços sociais. E se Portugal passou no exame da troika e saiu do plano de ajustamento, no ano passado, é porque um segundo caso de fracasso, depois do da Grécia, faria cair por terra a validade do modelo austeritário aplicado. Por outro lado, também se impunha a necessidade de premiar a fidelidade, humilhantemente canina, de Passos Coelho e do seu governo. 
Em 2016, iremos ser duramente ser confrontados com a verdade. Quem anda a dizer que Portugal não é a Grécia está profundamente enganado. Portugal anda apenas atrasado um ano e meio, em relação ao único país que soube bater o pé e dizer não.

Nota à Imprensa: SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL


SINDICATO DOS MÉDICOS DA ZONA SUL

A desonestidade política como marca gestionária de alguns ACES da ARS Lisboa e Vale do Tejo


A desonestidade política como marca gestionária de alguns ACES da ARS Lisboa e Vale do Tejo Em diversos ACES as direcções nomeadas pela ARS e pelo Ministério da Saúde têm ampliado as medidas arbitrárias e ilegais de imposição unilateral de horários e de “limpeza” das listas de utentes que visam liquidar o conceito de medicina familiar e de as transformar em listas de meros utilizadores. A estas situações graves importa acrescentar a degradação generalizada das condições de trabalho e as permanentes debilidades informáticas nos centros de saúde que se traduzem numa degradação da qualidade assistencial e num clima de exaustão profissional.
Gozando de completa impunidade política da parte dos seus tutores políticopartidários, várias direcções de ACES em vez de se empenharem em promover a solução dos principais problemas existentes, voltam a recorrer a acções de clara e chocante desonestidade política para procurar denegrir as organizações sindicais e em particular o Sindicato dos Médicos da Zona Sul/FNAM.
Face aos justos protestos de um número crescente de médicos em virtude de medidas prepotentes de imposição de regras de horários de trabalho, algumas direcções de ACES recorreram ao argumento de que diversos aspectos com eles relacionados se encontravam reconhecidos num “parecer jurídico” do nosso Sindicato. Afinal, o propalado “parecer” consiste num guião sobre a organização do tempo de trabalho médico/regime jurídico que se limita a enumerar os artigos da legislação específica da Carreira Médica e as matérias aí definidas.
Este guião pode ser consultado no seguinte endereço electrónico: http://www.fnam.pt/antigo/dafnam/pareceres_files/FNAM201301.pdf
O recurso a este tipo de expedientes já se tinham verificado há cerca de um ano e meio quando algumas administrações hospitalares foram espalhando nas respectivas instituições que a avaliação do desempenho tinha sido exigida pelas organizações sindicais médicas, mentindo deliberadamente e procurando esconder que tal aberração era, tão somente, uma imposição de 2 leis aprovadas na Assembleia da República.
 Apesar de esta conduta de alguns dos nomeados políticos da clientela partidária não constituir propriamente uma surpresa, a boçalidade política e o degradante nível provocatório não podem deixar de suscitar o nosso mais veemente repúdio.
O objectivo concreto dessas direcções é procurar desviar as atenções dos resultados desastrosos da sua deliberada acção de destruição dos Cuidados de Saúde Primários e do próprio SNS.
 Em conformidade com esta grave situação, temos de aprofundar a nossa firme determinação em impedir que lhes seja possível concretizar esses objectivos.

Lisboa, 1/ 7/2015

A DIRECÇÃO

Pintura: Almada Negreiros [6]

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Amabilidade do João Fráguas

Agradecimento


Agradeço ao Eduardo Júlio a amabilidade de ter aderido ao Alpendre da Lua