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sábado, 22 de junho de 2013

Universidade de Coimbra foi hoje reconhecida como Património Mundial da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura),

Fotografia do jornal PÚBLICO

O Comité do Património Mundial, reunido em Phnom Penh, no Camboja, justifica a sua classificação num texto publicado no site da UNESCO que se transcreve:

“Situada numa colina sobranceira à cidade, a Universidade de Coimbra, com as suas faculdades, cresceu e evoluiu no interior da velha cidade durante mais de sete séculos.
Os edifícios ilustres da universidade incluem a Igreja de Santa Cruz, do século XII, e algumas faculdades do século XVI, o Paço Real da Alcáçova, que albergou a Universidade desde 1537, a Biblioteca Joanina com a sua rica decoração barroca, o Jardim Botânico do século XVIII e a Imprensa da Universidade, bem como a ‘Cidade Universitária’ criada durante os anos 1940.
Os edifícios da universidade tornaram-se uma referência no desenvolvimento de outras instituições de estudos superiores no mundo falante de português, no qual exerceu grande influência quer no ensino, quer na literatura.
Coimbra é um exemplo notável de uma cidade universitária integrada com uma tipologia urbana específica, com as suas cerimónias próprias e tradições culturais que foram sendo mantidas vivas ao longo do tempo.”
Ver notícia do jornal PÚBLICO
***«»***
Como português, sinto-me orgulhoso com esta honrosa distinção da UNESCO, ao classificar a Universidade de Coimbra como Património Mundial, destacando-lhe, como atributos, a perspetiva material - o seu histórico e harmoniosos conjunto arquitetónico, bem integrado na malha da cidade - e a perspetiva imaterial - a sua importância na difusão da língua portuguesa e da respetiva cultura, através do mundo, até onde chegou o génio da expansão das Descobertas.
A Universidade de Coimbra, que já fazia parte da nossa identidade coletiva, passa a ser agora um dos seus mais importantes símbolos.
Portugal é um dos países do mundo mais respeitados, como se constatou em Phom Penh, no Cambodja, com os delegados dos países do Comité do Património Mundial a contrariarem o parecer do ICOMOS, órgão consultivo da UNESCO, que aconselhava a adiar a decisão. As palavras do representante da India e o da Tailândia foram comoventes e altamente gratificantes para com Portugal. Saibamos nós, governantes e governados, neste momento difícil, respeitá-lo também.
Pela Universidade de Coimbra passaram sucessivas gerações das elites culturais e políticas de Portugal, que foram moldando a nossa sociedade, no seu melhor e no seu pior. Muito dos que os portugueses são hoje, devem-no à Universidade de Coimbra, que formou aquelas elites. Por isso, esta distinção pertence a todos os portugueses.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Fotografia: Mulheres sem corpo, sem idade e sem sorriso! Só olhos!...

Imagem retirada da página do MR5OUT
*
Por mais que o fotógrafo se esforce, a fotografia sairá sempre a preto e branco.

Sebastião Salgado: O silencioso do drama da FOTOGRAFIA

Amabilidade de Diamantino Silva, que enviou este vídeo.

Ao sacrificar a floresta, a industrialização desenfreada, que a globalização promove intensivamente, está a ameaçar a sobrevivência futura da Humanidade. É esta a mensagem de Sebastião Salgado, que, com o seu exemplo, demonstra que é possível inverter este ciclo de destruição, restituindo ao planeta o equilíbrio ambiental e a sustentabilidade necessária, para o deixar habitável para as gerações futuras. 
Em Portugal, aos crimes ambientais, que o cimento provocou em toda a orla marítima e nas zonas protegidas, soma-se agora outro crime, de efeitos mais imediatos: a desarticulação da própria sociedade, que a austeridade predadora, a contento do capitalismo financeiro, está a provocar, espalhando a miséria, acentuando as desigualdades sociais e colocando em risco, através da queda da taxa da natalidade, o equilíbrio demográfico futuro. 
A consciência coletiva do povo português tem de acordar para o drama deste cenário político, social e económico, se quiser, saudavelmente, sobreviver no futuro, com liberdade, segurança,  e prosperidade.

Uma Justiça comprometida com o poder dominante...

Imagem retirada da página do Facebook de Valdemar Nascimento
*
Apesar de não ser comparável a complexidade e, naturalmente, a morosidade dos dois processos judiciais, o da gigantesca fraude do BPN e o daquele cidadão justiçado por eventuais insultos(?) ao Presidente da República, o que nos choca é a extrema lentidão da Justiça, quando os suspeitos ou os arguidos são políticos ou individualidades ligadas ao sistema económico e financeiro.Nenhum processo chega ao fim e ninguém vai para a cadeia. Oliveira e Costa (BPN) passeia-se calmamente pelas ruas de Lisboa e Rendeiro (BPP) goza calmamente a sua fortuna, sem sequer ser investigado o esquema especulativo da sua atividade como banqueiro, esquema esse, idêntico ao que Bernard Madoff montou nos Estados Unidos, mas de maiores proporções, e que lhe custou uma condenação a 150 anos de prisão. O contraste entre o sistema judicial americano e o português é esclarecedor e chocante.
Mas em Portugal é assim. Abusando da ingenuidade, da complacência e da ignorância dos portugueses, a democracia à portuguesa apoiou-se em mais um pilar, este não não institucional, mas de uma grande eficácia: a impunidade dos poderosos.

Um texto de Gonçalo M. Tavares*


"...Eu, de facto, gostava de querer, simplesmente, não interessa o quê, gostava de ter vontade de algo, mas nada. Entende?
- Entendo, sim senhor.
- Diante do mundo frio ou quente, encolho os ombros. Diante dos baixos e dos altos encolho os ombros, diante dos convites e dos ataques encolho os ombros. Enfim, começo a ter dores musculares.
- Onde?
- Nos ombros.
- Entendo. Mas sabe, o meu problema é diferente do problema de Vossa Excelência. Vossa Excelência, diante de um caminho que vira para a direita e um caminho que vira para a esquerda... não vira para lado nenhum. É isso? Senta-se, por assim dizer, a meio do cruzamento. É assim?
- Mais ou menos.
- Pois, comigo é o inverso: quero ir ao mesmo tempo para os dois lados; tenho duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo.
- Como? Como?
- Vou repetir: tenho duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo.
- Agora entendi. Vossa Excelência fala muito rápido.
- Mas é isso. Bem que facilitaria ter agora uma vontade e dois minutos depois a vontade oposta. Se fosse assim, apesar de tudo, resolver-se-ia. Mas assim: ter duas vontades exactamente opostas exactamente ao mesmo tempo... assim, é impossível viver.
- Impossível.
- É que eu viro os meus olhos para um lado e os meus pés para o outro. Tropeço, claro, e acabo por não ir para lado nenhum. No fundo, acabo como Vossa Excelência: no meio do cruzamento, imóvel.
- Eu diria que ter duas vontades opostas ao mesmo tempo é o mesmo que não ter vontade nenhuma. Acaba sempre na imobilidade.
- É isso, excelência. É uma questão de matemática: duas acções com sinal contrário igual a... zero. Mais sete menos sete igual a zero.
- Portanto, como o final é o mesmo eu diria que a minha não acção é mais sensata: não faço força nem para um lado nem para outro, deixo-me estar.
- E está bem assim."
Gonçalo M. Tavares
* Texto e imagem do blogue CONVERSA AVINAGRADA.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Poema: Segunda folha DOS CAMINHOS DOS BOSQUES - POEMA VI - por maria azenha


Segunda folha
DOS CAMINHOS DOS BOSQUES

POEMA VI

Ele voltou a cabeça.
não revelou os gestos que talvez os olhos
fossem cegos
iluminou-se entre pequenas faúlhas de ciprestes
interpelou as árvores dos bosques com poemas de acenos
ao crepúsculo,

estávamos às escuras.
disse: isto é o mundo

temos de o percorrer com vogais nas mãos
e os pés unidos em forma de borboleta
colocar asas na boca porque as imagens não
podem voar para trás respirar nos frutos
de cara voltada para a luz

quando fechei o livro, ele tornou a
voltar a cabeça.
sabia que dançar é a história do Universo
vi-o de costas. era belo
e cego.

maria azenha
in " de amor ardem os bosques "

Nota: Depois de ler este poema, lembrei-me subitamente do romance de Saramago, Ensaio sobre a Cegueira, uma história de assombro que nos faz mergulhar num mundo de uma epidémica cegueira, onde os caminhos são percorridos "com vogais nas mãos" e "asas na boca". Não sei se Maria Azenha se inspirou no livro de Saramago. O que sei, é que ela, e recorrendo ao seu inesgotável imaginário metafórico, conseguiu formular uma exemplar definição poética sobre a cegueira, não só aquela cegueira formada por aquela mácula esbranquiçada que tapa a íris, mas também aquela cegueira que se respira nos "frutos de cara voltada para a luz".
AC

A “poeta” maria azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema de sua autoria, às Quintas-feiras. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Caos informático nas unidades de saúde, acusa a FNAM em comunicado.



FEDERAÇÃO NACIONAL DOS MÉDICOS

O caos no sistema de informação das unidades de saúde.
Profissionais e cidadãos “à beira dum ataque de nervos”

Se dúvidas existissem acerca da capacidade do Ministério da Saúde e seus departamentos para as tarefas de desenho, atualização e manutenção das várias aplicações que constituem o Sistema de Informação das Unidades de Cuidados de Saúde Primários, as últimas semanas afastaram todas as dúvidas referentes ao pior dos cenários que qualquer observador avisado já previa há muito.
O caos instalou-se na maioria das unidades e, precisamente, nos aspetos mais sensíveis do atendimento aos cidadãos – acesso aos ficheiros clínicos e registos dos médicos (SAM), ao sistema de apoio à prática de enfermagem (SAPE) e ao módulo de prescrição de medicamentos.
Em todo o país, o panorama caracteriza-se por uma assinalável e comprometedora lentidão no acesso e desempenho das várias aplicações, principalmente quanto à prescrição de medicamentos e MCDT, erros técnicos de escrita, sucessivos e frequentes bloqueios do sistema obrigando a reiniciá-lo, desmultiplicação da maioria das receitas admitindo apenas um medicamento em cada uma, levando assim a um consumo irracional de papel (e tonner) para cada consulta.
Contudo, na área da ARS do Norte o problema agravou-se de forma muito preocupante.
O projeto autónomo desta ARS de concentrar num único data center regional toda a informação dispersa pelos múltiplos servidores existentes nos centros de saúde da região sem que para tal tivessem sido previstos os possíveis imponderáveis e tomadas todas as medidas de segurança que uma decisão como esta aconselhava, ocasionou um completo caos nos serviços onde, para além das perturbações decorrentes da lentidão do sistema, se verifica, em muitas unidades, a impossibilidade de acesso à ficha clínica dos utentes e, quantas vezes, ao desaparecimento de informação relevante.
Trata-se duma situação gravíssima que coloca os médicos a trabalhar em situação de risco, uma vez que tais bloqueios podem comprometer o acesso a informação relevante e, desta forma, a própria segurança dos cidadãos. Já para não falarmos sobre o permanente e prolongado stress a que todos os profissionais estão a ser expostos.
Acontece que a ARS do Norte é uma grande empresa, que tem como missão garantir à população da Região Norte o acesso à prestação de cuidados de saúde, e que envolve a responsabilidade pela gestão dum orçamento de funcionamento superior a mil e duzentos milhões de euros (2012).
Alguma grande empresa com um “volume de negócios” deste nível avançaria para uma operação de manutenção da sua base de dados com semelhante leviandade? Sem se debruçar sobre os cenários possíveis e planos alternativos para minimizar os riscos (prejuízos)? Alguma grande empresa poderia dar-se ao luxo de semelhante desperdício?
E que atitude tomam os seus dirigentes perante semelhante descalabro?
Até agora nem uma palavra de informação, justificação, pedido de desculpas, agradecimento aos seus profissionais médicos e de outras profissões, pela forma quase heroica como diariamente dão a cara e procuram minimizar, à custa dum enorme esforço, os constrangimentos com que a administração os contempla.
Afinal, é a imagem do SNS e a qualidade dos serviços prestados que estão em causa. Uma preocupação dos seus profissionais que, pelos vistos, não é acompanhada pela administração.
Apenas dá respostas aos jornalistas dizendo que o problema estaria resolvido até ao final da semana que terminou no dia 14. Não cumpriram.
A FNAM, através dos três sindicatos que a constituem, alerta os médicos que devem estar atentos às eventuais condições de insegurança no desempenho do seu trabalho, e que reportem por escrito todas as limitações e situações de eventual conflitualidade aos Presidentes dos Conselhos Clínicos e da Saúde e Diretores Executivos dos ACES.
As USF e UCSP deverão ainda fazer uma análise cuidada dos eventuais reflexos que estes constrangimentos poderão ter nas metas contratualizadas e, caso tal se verifique, exigir fundamentadamente uma revisão das mesmas e da Carta de Compromisso assinada para o corrente ano.
Como sempre os gabinetes jurídicos dos nossos sindicatos estarão à disposição dos associados.

Coimbra, 18 de Junho de 2013
                                                                                                 A Comissão Executiva da FNAM

Humor: Quando a França for islamizada...


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Nuno Crato: "Há muitos professores que não querem aderir à greve


Questionado por que motivo o Ministério não aceitou a solução proposta pelo Tribunal Arbitral, que sugeriu o adiamento do exame para o dia 20, Nuno Crato respondeu que "era uma solução extremamente difícil, já há outros exames marcados para esse dia”. De resto, considerou, dos sindicatos em geral não houve abertura nenhuma e "a calendarização dos exames é muito apertada”.
***«»***
Como é que ele sabe? Fez algum inquérito secreto a todos os professores do país? Recebeu cartas de professores a reafirmar-lhe total lealdade? Contou o número de participantes na grandiosa manifestação de professores, do último Sábado, e subtraiu aquele número ao número total de professores em funções, deduzindo, a seguir, cientificamente, que os que não estiveram presentes seriam contra a greve, não lhe passando pela cabeça, nesta complicada conta de subtrair, que muitos professores, não puderam participar, devido à distância dos seus locais de trabalho em relação à capital?
O que se passou à volta da convocação desta greve lançou muita perplexidade junto dos portugueses, que temem uma escalada agressiva de um governo em desespero contra o direito à greve, da qual nenhum trabalhador prescinde, já que constitui a última arma legal de que dispõe para combater as tentativas usurpadoras do Estado e do patronato.
Na sua estratégia, o ministro tentou desacreditar os professores junto da opinião pública, invocando os eventuais prejuízos provocados aos alunos, se os exames não se realizassem nas datas previstas. Ao manter-se irredutível em não adiar a data dos exames, o que era materialmente possível, é o ministro que está objetivamente a prejudicar os alunos.
A greve dos professores tem de ser um êxito, pois, caso contrário, eles perderão tudo o que estão a defender.

domingo, 16 de junho de 2013

Europa quer controlo de tráfego aéreo em "Céu Único"


Bruxelas está de novo a tentar criar um "céu comum" aos 27 Estados Membros da União Europeia, com vista a eliminar a "fragmentação e as ineficiências" na gestão do espaço aéreo. A proposta não é consensual e já deu origem a movimentos de contestação, com uma greve de vários dias dos controladores aéreos franceses.
O plano assenta em quatro pilares, tendo a questão ambiental e a segurança do tráfego de aviões como bandeiras principais, mas não só. "Precisamos de aumentar a competitividade do sector europeu da aviação e criar mais empregos, nas companhias aéreas e nos aeroportos ", afirmou o comissário Kallas.
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Bem me parecia que a União Europeia tinha o Céu Único como limite, embora eu preveja que, a seguir, irá avançar para a gestão do Mar Único (lá se vai a riqueza potencial de Portugal) e do Deus Único (o Papa que se cuide).
Paulatinamente, passo a passo, para não desencadear fortes movimentos de protesto, a Comissão Europeia, obedecendo aos interesses do grande capital, prossegue a sua cruzada federalista, tentando impor o seu resultado como facto consumado, sem que para tal tenha um mandato claro das populações europeias.
Se os dirigentes da União Europeia vão fazer no Céu o que andam a fazer cá da Terra, não tenhamos dúvidas que o Inferno virá a ser uma amarga realidade.

sábado, 15 de junho de 2013

Cinema: LOVEFIELD (Short Film by Mathieu Ratthe)

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Quanto mais a arte cinematográfica utilizar a sua linguagem específica (as imagens em movimento), prescindindo de outras linguagens, mais expressiva e autêntica é a sua afirmação. Foi isso que fez do cinema mudo uma arte universal, e transversal a todos os grupos sociais.
Lovefield é uma curta metragem que atinge em pleno esse desiderato. A história é contada, de forma magistral, só com imagens, utilizando-se apenas, como exceção, o som do crocitar agoirento de um corvo e o som do ranger enervante de uma ferrugenta placa de sinalética toponímica, a ser batida pelo vento. O final, para onde convergem todos os planos narrativos, é verdadeiramente surpreendente.

Última cena de Les uns et les autres (1980) - le Bolero de Ravel

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A todas as minhas amigas e a todos os meus amigos que fazem da Arte um Destino e uma Ambição.

Se a Arte derivou da racionalidade do Homem, sem a qual não teria sido possível a sua existência e evolução, também é verdade que a Arte serviu para humanizar a racionalidade, evitando a sua robotização biológica. O Homem humanizou-se através da Arte, no sentido em que ela lhe moldou o sentido do Belo e do Sublime, do Sonho e da Sublimação, conceitos que mais tarde a Filosofia racionalizou, e que lhe permitiu ultrapassar a fronteira do real e alcançar o o estado da abstracção. Ao contrário da Política, da Economia, das Religiões e da Guerra, é a Arte que une os homens e fomenta a Paz. E é por isso que nos maravilhamos perante uma obra de Arte. 
E é o que acontece ao assistirmos a esta dança, concebida sobre o Bolero de Ravel, em que as duas manifestações artísticas se harmonizam, através das suas linguagens próprias, num equilíbrio estético sublime e grandioso, que desperta intensas e fortes emoções.

Agradecimento


Agradeço ao editor do blogue Sip of Glory e a Elza Maria Coelho a gentileza de terem aderido ao Alpendre da Lua, como amigos/Seguidores.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Poema: " O véu " - por maria azenha

" o Véu" 
óleo sobre tela |© maria azenha , 2013

" O véu "

Às vezes penso por intermédio de cores. as palavras são hieróglifos de um sonho que julga acordar-me. venho da escuridão de estrelas que oculta a minha existência. 
E entre o pousar da mão nas coisas e o meter a chave à porta , reina silêncio. e floras aquáticas com plantas azuis. e árvores ancestrais com estradas de angústia. 

Olho o topázio de Deus na pura física do mundo. e sou ao longo de uma nebulosa as pálpebras de alguém que atravesso, irreal, buscando os ecos nupciais da criação.
E vejo no seu reflexo mapas astrais, pássaros, conchas de água, esmeraldas ,
crianças que bebem sem lábios um tempo enigmático. 

O crepúsculo, translúcida parede de um cais, é a perfeição sem versos que dança através dos corpos.

Tudo reflui como coisas caindo em metáforas de música. e criando destinos dentro da sua própria queda. 
e dos poemas sepultados nas galáxias nasce o som verde das florestas.
Não quero outra coisa senão surpreender-me. fui eu que me inventei. 

E Deus, por amor, criou-me.
maria azenha

Nota: Em relação a este poema, enderecei à "poeta" a seguinte mensagem, que deixo aqui como nota crítica: "Exuberantemente belo e exaltante! Ficamos suspensos nesta cosmogonia metafórica que ressoa pelo Universo inteiro".
Além de "poeta", Maria Azenha também é uma excelente pintora, revelando uma grande sensibilidade no equilíbrio da distribuição das tonalidades das cores. Neste trabalho, a um primeiro olhar, recolhe-se apenas a perspetiva das duas dimensões do plano, o que é ilusório (não sei se intencionalmente), pois, olhando com mais atenção, começa a descobrir-se lentamente, como se estivéssemos  delicadamente a levantar o véu, a terceira dimensão, a da profundidade, que se assume com maior nitidez no vértice da confluência das várias linhas pictóricas. A ser assim, estamos perante um artifício engenhoso da autora, o que engrandece naturalmente a obra.

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

Escultura: Estátua de mulher de autor desconhecido

Fotografia | © maria azenha, Junho,2013

Uma ode à forma e ao branco, é o que se pede para esta peça escultória, cujo autor não é mencionado. 
A suspensão do corpo de uma mulher, com a dinâmica que o único suporte (vertical) lhe transmite, através da flexão dorsal, e a amputação em bisel dos membros superiores e inferiores dão vida à escultura(*) e sugerem ao observador uma sensação de um movimento voluntário, em equilíbrio. Desta forma, o suporte vertical ultrapassa o âmbito desta sua função tradicional, que é a de servir de apoio, para se integrar na leitura da obra, fazendo parte dela, o que marca, de certo modo, a sua grande originalidade, que eu nunca tinha visto em escultura. Um suporte a fazer parte da própria escultura, que a sustenta no espaço, é, para mim, inédito. Por isso, trouxe para aqui a excelente fotografia da "poeta" Maria Azenha, sem contudo deixar de também realçar a arrojada forma expressiva, registada na pedra pelo autor, e o efeito estético obtido para o conjunto, que nos apanha de surpresa.


Nota: Em esclarecimento posterior, a "poeta" Maria Azenha informou o nome do autor da escultura, aqui publicada, tendo anexado a respetiva nota biográfica, que se transcreve:
"O escultor Rogério Timóteo, nascido em Anços, concelho de Sintra, foi aluno de Mestre Anjos Teixeira e a partir de 1989 desenvolve trabalho individual. 
Frequentou o Curso “Novas Tecnologias em Mármore” em Vila Viçosa. Posteriormente, frequentou o curso de desenho com modelo vivo na Sociedade de Belas Artes em Lisboa 
Atualmente, vive e trabalha em Sintra. Conta já com 24 exposições individuais e mais de 100 exposições coletivas. Encontra-se representado em coleções particulares em Portugal e no estrangeiro".

(*) Correção: Substitui no meu texto a palavra "estátua", utilizada por lapso, por "escultura".

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Sombra protetora!...


É por isto que eu nunca me separo da minha própria sombra!...

Poema: Pernoitas em Mim - por Al Berto


Pernoitas em Mim

pernoitas em mim 
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer 

pressinto o aroma luminoso dos fogos 
escuto o rumor da terra molhada 
a fala queimada das estrelas 

é noite ainda 
o corpo ausente instala-se vagarosamente 
envelheço com a nómada solidão das aves 

já não possuo a brancura oculta das palavras 
e nenhum lume irrompe para beberes 

Al Berto, in 'Rumor dos Fogos'

terça-feira, 11 de junho de 2013

O Euro em Debate | 6 junho 2013 - Instituto Franco-Português

*
Num comentário a este vídeo, publicado no MR5OUT, por Orlando Almeida, deixei o seguinte comentário (revisto):
"O euro é uma moeda demasiadamente forte para o perfil da economia portuguesa, o que não facilita o crescimento económico, através do aumento das exportações. Ao aderir à moeda única, Portugal fez a figura daquela criança, que, com vaidade, vestiu o casaco do pai..Sobravam mangas! Mas, o mais grave, é que, agora, passados estes treze anos, o casaco transformou-se numa albarda, de que muita gente teima não prescindir.

Remeto o leitor para a minhas Notas do meu rodapé (aquiaqui), onde eu defendo a saída de Portugal da moeda única.

Agradecimento


Agradeço à Brígida Luz a gentileza de ter aderido ao Alpendre da Lua, como amiga/seguidora.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

PCP: portugueses não se identificam com discurso do PR


O deputado do PCP, António Filipe, afirmou hoje que a intervenção do Presidente da República, na sessão solene comemorativa do 10 de Junho, em Elvas, "não é um discurso com que o país se possa identificar".
"Aquilo que hoje preocupa os portugueses, que é a crise em que vivem, os problemas que os afetam, desemprego, recessão económica, não tiveram eco, de facto, neste discurso do 10 de Junho", disse.

***«»***
Foi um discurso despropositado e tematicamente desviante, o do Presidente da República, neste Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Um discurso escrito por quem sabe que as suas responsabilidades políticas na atual crise, as presentes e as passadas, estão a ser-lhe assacadas por um número cada vez maior de portugueses, que também deixaram de acreditar na instituição presidencial. Neste discurso, Cavaco Silva, mais uma vez a tropeçar dislexicamente na palavra cidadões, refugiou-se no tema da Agricultura, para poder rebater as afirmações dos que o acusam de ter sido ele, enquanto primeiro-ministro, a provocar o desmantelamento e a desestruturação do setor primário da economia portuguesa, em cega obediência aos interesses da então CEE, que estava mais interessada em fazer de Portugal um país importador de produtos agrícolas e agro-industriais, oriundos da Espanha e da França, do que em desenvolver a agricultura portuguesa. 
A Cavaco Silva falta o sentido de Estado para poder exercer esta alto cargo com a devida independência em relação aos partidos políticos e aos grupos dominantes. Como Presidente da República foi sempre um homem de partido, do seu, daquele partido que está a conduzir o país para o ciclo infernal da pobreza e para a consumação da tragédia. E sobre os perigos que ameaçam a sobrevivência de Portugal como Estado independente e soberano, nada disse.

Poema: missa às escuras e outras notícias (isto é um poema em forma de não poema) - por maria azenha

Quadro negro
Imagem selecionada pela autora

missa às escuras e outras notícias
(isto é um poema em forma de não poema)

aníbal desafia portugueses a praticarem desporto
o pedre marto realiza missas às escuras
a C.M.L. leva mais de 130 hortas a concurso
a bíblia é uma compilação de 66 livros
novo livro reune todas as cartas entre Pessoa e Ofélia 
seguro vê com bons olhos capitais brasileiros na TAP
a primavera ameaça não chegar ao verão
alemanha receia efeitos de guerra com a China
chuva a Norte, sol à tarde no Sul
ordem dos Advogados enfrenta chuva de processos
assunção considera que agricultura portuguesa 
está a atravessar boa fase 
verão volta a Lisboa no dia de Santo António
valor dos cheques-dentista baixa de 40 para 35 euros
gaspar diz que a chuva prejudicou o investimento
mulher desconhecia gravidez
e entrou em trabalho de parto 
enquanto corria maratona 
portugal pode dar início à recuperação máxima 
hoje é o dia 10 de junho : ministros sob vigilância máxima
céu muito nublado, chuva e trovoada para hoje
maria azenha

Insólito: "Missa às Escuras" em Fátima dedicada aos cegos


"Missa às Escuras" em Fátima dedicada aos cegos

O padre da paróquia de Fátima, Rui Marto, vai realizar uma "Missa às Escuras" dedicada aos cegos, no dia 27 de abril, disponibilizando vendas "a toda a população que queira participar", disse esta quinta-feira o sacerdote. O padre salientou que os vitrais da igreja "vão ser tapados", mas as pessoas não vão ser abandonadas: a eucaristia vai contar com a ajuda de guias, "até para evitar que existam atropelos ou despistes, como por exemplo no momento da comunhão", e obrigará o pároco, de 55 anos, a decorar a homilia.
18 de Abril de 2013
***«»***
Com todo o respeito pelos cegos e amblíopes e apesar da bondade que eventualmente possa existir nesta bizarra cerimónia religiosa, quase a indiciar uma iniciação esotérica, eu pergunto-me como é que o padre Marto, responsável pela paróquia de Fátima, irá, no futuro, organizar missas para coxos, manetas e surdos-mudos? Bem, para a missa dedicada aos surdos mudos, os outros fiéis sempre poderão usar tampões nos ouvidos e mordaças adesivas na boca. Agora, para a dos coxos e manetas, é que será mais complicado!

A Associação Ateísta Portuguesa comemorou o seu 5º aniversário


Associação Ateísta Portuguesa – 5.º Aniversário
Mensagem

Ao celebramos o 5.º aniversário da Associação Ateísta Portuguesa (AAP) saúdo todos os sócios, ateus e ateias, os que vieram e os que não puderam vir, e ainda os agnósticos, racionalistas e todos os livres-pensadores, especialmente os que vivem em países onde são perseguidos e mortos pelo fanatismo das teocracias ou marginalizados pelo poder, onde as religiões se infiltraram no aparelho do Estado.
A minha solidariedade, neste momento, vai sobretudo para os resistentes ao processo de reislamização na Turquia, que ora proíbe carícias em público, ora restringe a venda e o consumo de álcool e não tardará a banir a carne de porco, a impor cinco orações diárias, normas de vestuário, hábitos alimentares e, finalmente, a sharia, de acordo com o Corão.
A AAP repudia o proselitismo e não será a central de propaganda que incense o ateísmo ou promova a xenofobia. Defende, sim, a laicidade do Estado, e não se calará perante a ameaça de religiões, que fomentam a xenofobia, o racismo, a misoginia e a homofobia.
Vemos com preocupação, os judeus das trancinhas à Dama das Camélias, a promover o sionismo, levando a violência e a morte à faixa de Gaza, e, com igual repulsa, islamitas a imporem a sharia na Palestina.
 Por todo o lado, do protestantismo evangélico ao cristianismo ortodoxo, do catolicismo dos exorcismos e milagres ao fascismo islâmico, do judaísmo sionista ao hinduísmo das castas e vacas sagradas, as religiões rivalizam em malignidade com a sua falsidade.
Em Portugal, com o agravamento das condições económicas e sociais, a Igreja católica faz valer esse ultraje à Constituição – a Concordata –, e a Lei da liberdade religiosa feita à medida dos privilégios que reduzem Portugal a protetorado do Vaticano. A fé não se pode impor por tratados nem os Estados assumir a sua difusão. A laicidade é requisito da tolerância e garantia da liberdade para todas e cada uma das religiões.
Os professores de Religião católica, nomeados e exonerados discricionariamente pelos bispos, mas pagos pelo Estado, doutrinam adolescentes nas escolas públicas enquanto aumentam o poder na educação e na assistência, particulares, à medida que o SNS vai sendo desmantelado.
O feriado do 5 de outubro, data emblemática do regime e da separação da Igreja e do Estado, foi suprimido em conluio com a Igreja católica, a única que acrescenta aos 52 domingos, os únicos feriados religiosos que existem, em igualdade com os cívicos.
Cabe à AAP lutar para que, neste período de crise, o IMI e o IRC sejam estendidos às instituições da Igreja católica. Os privilégios de que goza são uma ofensa à laicidade e fonte de injustiça, em concorrência desleal com lares, hospitais, universidade, editoras, colégios e outros estabelecimentos comerciais não isentos de impostos. A AAP defende a igualdade dos cidadãos perante a lei e a laicidade do Estado, respeitando os crentes e combatendo o poder das religiões, rumo a uma sociedade onde as crenças particulares não interfiram nos assuntos de Estado.
Porque pensamos que não há sociedades livres sem respeito pela liberdade individual e pela igualdade de género, repudiamos a moral imposta pelas religiões, gozando a vida, este bem único e irrepetível a fruir até ao limite do nosso prazo ou da nossa decisão.
Caros ateus e ateias, bem-vindos ao almoço do 5.º aniversário da AAP. Viva o livre-pensamento.
Carlos Esperança
Presidente da AAP
Coimbra, 08-06-2013

A mulher de vermelho

 

De vestido de algodão vermelho, colar e saco de pano ao ombro, era apenas uma das jovens manifestantes do Parque Gezi em Istambul, mas facilmente se tornou um símbolo da resiliência turca, neste que já é um dos movimentos sociais que certamente alterará o panorama político da Turquia. Esta mulher de vermelho, que com toda a frontalidade estava na linha da frente do protesto, bombardeada com gás lacrimogéneo, e mesmo assim de pé, sem abdicar da sua luta, é hoje um rosto desta manifestação. Como ela, são muitas as que enchem neste momento a Praça Gezi, e que sonham com uma Turquia livre, longe da ditadura de Erdogan. Contudo a mulher de vermelho não representa apenas um símbolo do que se está a passar na Turquia, representa acima de tudo a face visível de quem combate a escassez de democracia que assombra o mundo.
Porque esta mulher não tem idade, veste-se como quer, é dona de si própria, é pro-ativa e combativa, é a mulher do progresso, do hoje e do amanhã, num claro combate à sociedade machista e patriarca em que vivemos, numa procura incansável pela democracia e justiça social.
Neste momento mais do que o destino do Parque Gezi discute-se o destino da mulher e da democracia na sociedade turca e quem sabe no mundo islâmico. Não fiquemos indiferentes a isso. Onde houver um governo autoritário, uma troika, um fanático religioso, um fascista, um capitalista, haverá sempre uma mulher de vermelho. Porque no final de contas, nós crescemos ao ritmo da vossa violência, seja sob que forma for.
André Moreira
In ESQUERDA NET

domingo, 9 de junho de 2013

25 e Assalto ao Castelo - Galandum Galundaina - ao vivo


Um tesouro etnográfico de inestimável valor, que, felizmente, foi salvo do esquecimento, a que a onda do progresso o condenara. Talvez tenhamos de recuar mais de vinte séculos, aos tempos da ocupação romana, para encontrar a provável origem desta manifestação da cultura popular. A longa permanência de uma legião romana na cidade de Leon teria inspirado os povos autóctones da época,  na coreografia das suas danças (a batalha), na escolha da indumentária (o saiote) e dos adereços (o pau). A gaita de foles, essa, é, provavelmente, uma herança celta.
A dança dos Pauliteiros das terras nordestinas do planalto mirandês é uma das peças mais genuínas do folclore português, quer pela sua beleza, quer pela sua originalidade, quer ainda pela sua antiguidade.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Ao saque através da da dívida especulativa, segue-se a chantagem e as privatizações forçadas de bens públicos...

Amabilidade da minha irmã Helena
Para ativar a tradução para português, clique no primeiro retângulo branco da barra inferior do vídeo
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Já aqui dissemos que as instituições europeias (Comissão Europeia, Banco Central Europeu, etc.) são o braço político não democrático do imperialismo financeiro europeu, comandado pela Alemanha, o que facilita a imposição de medidas políticas impopulares, que os governos da União, apesar de comprometidos com os mesmos objetivos predadores do grande capital, não poderiam arriscar tomar, sem evitar o desmascaramento da sua democracia de fachada.
Esgotado que está o tempo do encantamento, com a promoção da abundância, através de um estímulo à criação de dívida, por parte dos Estados, das empresas (bancos dos países periféricos incluídos) e das famílias (uma situação de inferioridade e de dependência), chegou o tempo da chantagem com essa própria dívida, impondo condições draconianas para o seu pagamento, através dos ditos planos de ajustamento (palavra de uma grande inocência!). E isto, depois de se ter desencadeado uma gigantesca manobra, através das agências de rating, para empolar os problemas estruturais das economias dos países devedores, que assim se viram obrigados a assumir uma governação tutelada, embora escondida sob um certo disfarce.
Todos sabiam que, com aquelas medidas draconianas, baseadas numa brutal austeridade, a sacrificar exclusivamente salários, pensões e os apoios sociais, o crescimento económico ficaria comprometido, não havendo, pois, margem de manobra para a criação de excedentes ao nível do saldo comercial com o exterior e ao nível da balança de pagamentos, condições necessárias para pagar a gigantesca dívida, que, entretanto, irá crescendo. É isto que o capitalismo europeu pretende. Ao saque, através da austeridade, que serve para ir pagando juros exorbitantes e especulativos, vai seguir-se o resgate do capital da dívida, através da privatização forçada, a preços de saldo, das empresas nacionais estratégicas, de grande rentabilidade e a exigirem investimentos mínimos. É o caso da água, como a peça visionada demonstra, onde o processo de privatização já começou, com alguns municípios (entre os quais aquele em que serei candidato à câmara municipal, pela CDU, nas próximas eleições autárquicas) a alienarem a captação e o abastecimento de água a multinacionais francesas e alemãs. A gestão de um bem público, como é a água, fica assim na posse de mãos estranhas e perigosas, longe de um qualquer escrutínio democrático, que contrarie o cortejo especulativo sobre o seu preço e o controlo sobre a sua qualidade. 
E esta estratégia, ao nível da privatização da água pelas grandes multinacionais, que, afinal, tem uma ambição continental (outros bens públicos se seguirão), tem por objetivo colmatar a perda da liderança económica dos países ricos europeus, a nível mundial, como as estatísticas sobre o crescimento económico demonstram (o crescimento económico tem sido raquítico, não ultrapassando as décimas). Perdendo posições a nível da indústria, a favor dos países asiáticos, principalmente da China, e não podendo repetir a manobra altamente lucrativa, porque especulativa, através da formação de novas dívidas às famílias dos países periféricos (foi chão que deu uvas), o capitalismo europeu (que já provocou duas guerras mundiais) prepara-se para um segundo saque, em larga escala, da riqueza dos países mais pobres da Europa, onde se encontra Portugal.
Quando, daqui por alguns anos, se fizer o balanço entre os ganhos e as perdas com a adesão à mítica União Europeia, que deslumbrou tantos portugueses ingénuos, talvez se chegue à conclusão, e esta é a minha prévia e premonitória opinião, que Portugal perdeu mais uma oportunidade, por ter jogado, sem condições de salvaguarda, no tabuleiro errado. Se somarmos a esta oportunidade perdida os custos de uma Guerra Colonial injusta e a consequente perda do Império Colonial, há menos de meio século, poderemos concluir que está em perigo a sustentabilidade e a independência de um país com mais de oito séculos de História. É difícil sobreviver ao falhanço na África e ao falhanço na Europa.

Raquel Varela: exploradores e mandriões


A exaltação da ideia do empreendedorismo, como solução final e redentora para resolver o desemprego jovem, não passa de uma armadilha ideológica, baseada num valor absoluto louvável, mas que, no contexto sócio económico atual, apenas pretende conduzir à autoflagelação moral de quem não consegue arranjar emprego. Portugal está, a passos largos, a caminhar para a sua autofagia, com a classe possidente, a quem, precisamente, falta o sentido do empreendedorismo empresarial, a tentar aumentar desmesuradamente a sua renda, através de uma brutal desvalorização salarial, para compensar a sua incapacidade genética de, por mérito próprio, gerar a riqueza nacional.
Quando a oferta de emprego, mesmo o medianamente qualificado, está a ser remunerado abaixo do salário mínimo nacional, que, só por si, já não permite a subsistência do trabalhador e a  sua sobrevivência digna, estamos a falar de um novo tipo de escravatura. 

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Poema: "De frente para os versos" - maria azenha

óleo -Gustavo Poblete Catalan.
Imagem selecionada pela autora.

"De frente para os versos" 

De frente para os versos 
entro no quarto do poeta. 
Está sentado numa nuvem. Os olhos, 
duas tochas acesas nos vidros das ruas.
Minha mãe, no camião das vozes, uma estrela 
de modos silenciosos, noviça de futuro.
E vai deixando tombar nas mãos de meu pai 
uma criança, uma gazela, e a manhã branca 
coroada de rosas.

Lá fora, se não fora o vento e os gomos de junho,
cada fruto cairia dentro de si. 

Em foco, 
a luz do poeta nos ombros de Deus,
para medir a solidão do mundo.

maria azenha 

Nota:  Este poema transporta-nos, em convulsão, para um universo etéreo de emoções, que vão desde a puríssima ternura da manhã branca coroada de rosas até à grandeza épica de um poeta, que, nos ombros de Deus, mede a solidão do mundo.
Será também interessante transcrever um comentário de um amigo da “poeta”, Citoyen du Monde, a propósito deste poema:  Dois sujeitos, o pai - o poema, a mãe - a poesia e o ofício de "medir a solidão do mundo". Muito belo.
AC

A "poeta" Maria Azenha colabora neste blogue, publicando-se um poema seu, às quintas-feiras.

Agradecimento


Agradeço à Eu... Suzana e a Portojo a gentileza de terem aderido ao Alpendre da Lua, como amigos/Seguidores.

domingo, 2 de junho de 2013

Notas do meu rodapé: Saída do euro é a única alternativa (*)


O erro foi Portugal ter aderido à moeda única, uma moeda que foi criada, no interesse da Alemanha, com um valor cambial demasiado elevado para a realidade macro-económica de Portugal, que, imediatamente, começou a perder competitividade externa.
A partir daí, tudo se agravou, com os sucessivos governos do PSD e do PS a deixarem, no interesse dos bancos nacionais e do lobie da construção civil, que a dívida externa privada fosse canalizada, na sua maior parte, para o mercado da compra de casa para habitação própria, um investimento que, agora, perdeu valor, deixando de promover retorno para a economia. É diferente, em termos de sustentabilidade futura, uma economia investir na construção de um conjunto de prédios para habitação ou investir numa unidade industrial, por exemplo. A construção de casas apenas dinamiza a economia, até ao momento em que a obra acaba, enquanto uma unidade industrial continua, durante um período prolongado, a acrescentar valor ao investimento e a manter postos de trabalho. A dívida dos bancos nacionais ao estrangeiro (260% do PIB) formou-se assim, o que permitiu aos acionistas, com os subsequentes empréstimos a empresas e a particulares, acumular fabulosos lucros em juros e amortizações. Agora, esses acionistas, para poderem salvar os seus bancos, aguardam o retorno do dinheiro ganho com austeridade em curso, que o BCE controla através da troika, e que, posteriormente, lhes irá emprestar com um juro de um por cento. Entretanto, a dívida contraída com o chamado ajustamento está a pagar um juro de 3,5 por cento. O diferencial fica nas mãos do capital financeiro. Quer dizer: serão os portugueses, através desta brutal austeridade, que vão pagar os desmandos dos bancos, que, tal como está organizado o sistema financeiro internacional, têm sempre a possibilidade de socializar os prejuízos dos seus balanços (nos EUA, o governo injetou diretamente o dinheiro dos impostos nos bancos falidos).
O objetivo de submeter Portugal a um programa de ajustamento, depois de se ter desencadeado, com êxito, uma estudada campanha para desestabilizar o mercado da dívida soberana portuguesa, consiste em promover uma brutal desvalorização salarial, na ordem dos 30 por cento, através da austeridade, evitando-se assim uma desvalorização idêntica para o capital e os respetivos rendimentos. Se Portugal não tivesse aderido ao euro, Portugal contornaria o problema do excessivo endividamento, desvalorizando controladamente a sua moeda nacional, no sentido de ganhar competitividade externa. Neste caso, a desvalorização também apanhava o capital e os seus rendimentos. Haveria um empobrecimento geral, mas, em contrapartida, e se os governos fossem honestos e competentes, as dificuldades seriam superadas a médio prazo, pois o crescimento das exportações faria crescer a economia e, indiretamente, promoveria também o mercado interno.
Por isso, na minha modesta opinião, só vejo alternativa, para Portugal ultrapassar a crise, na saída negociada do euro e na reestruturação da dívida soberana, com condições que favoreçam o crescimento económico.

(*) - Este texto resultou de um comentário que coloquei no blogue anónimo séc. XXI

sábado, 1 de junho de 2013

Imagem do blogue Ladrões de Bicicletas

Orçamento Retificativo de 2013: um país à beira do abismo...

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OE 2013 Retificativo/OE 2013 Inicial
Imagem da página de Carlos Adelino da Silva

Assusta olhar para este Orçamento Retificativo de 2013. Nele está espelhada a profunda recessão da economia portuguesa, com as duas principais alavancas do PIB, o investimento e o consumo interno, a caírem (a previsão da queda de 7,6 por cento do investimento é aterradora), e o desemprego a subir para um nível record de 18,2 por cento da população ativa, bem como as consequências da imposição de mais severas medidas de austeridade sobre os rendimentos dos reformados, que nunca escapam às tesouradas do governo, e sobre os rendimentos do trabalho, desta vez os funcionários públicos, sobre os quais está a pesar a espada de Dâmocles do despedimento. O IRS, que tem uma enorme subida neste ano, é o imposto que segura as receitas fiscais, pois é o único imposto que sobe percentualmente e em valor, o que demonstra a insanidade deste governo troikeano, que não recua no seu propósito de agravar o empobrecimento da população portuguesa e de liquidar a classe média.
Para quem dizia que Portugal não era a Grécia e que em 2013 a economia regressaria ao crescimento, aqui tem o resultado. Pior, só será em 2014.
Na rápida recuperação económica, de que os acólitos da austeridade falam, já ninguém acredita, assim como ninguém acredita na quadratura do ciclo desta política de austeridade, que pretende aumentar o resultado da soma, diminuindo o valor das parcelas. Como é possível acreditar que a economia poderia crescer, provocando, durante anos sucessivos e através da austeridade, a descida do consumo interno, que na economia portuguesa tem uma expressão percentual elevada, em relação ao investimento e às exportações? E é isto que é preocupante, pois ao analisar-se o orçamento de 2013, deduz-se facilmente que os dos próximos anos serão piores.
Trata-se de uma verdadeira política de terra queimada, que não quer aproveitar o potencial do trabalho para o desenvolvimento do país, o que é um desperdício. Quando um país tem no desemprego, entre a sua população ativa, cerca de metade dos jovens, com menos de 35 anos, é, sem dúvida, um país que não tem futuro. Assim como não tem futuro um país com um governo que mais parece ser uma filial do Conselho Europeu e da Comissão Europeia, onde impera o lema, a Europa manda, Portugal obedece.