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segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Notas do meu rodapé: O efeito dominó está em marcha

Fotografia do PÚBLICO
Islamistas jordanos recusam entrar no executivo
Os islamistas jordanos, a principal força de oposição no reino, recusaram integrar o novo Governo de unidade.
Face às manifestações das últimas semanas, o rei Abdullah II demitiu o primeiro-ministro, como exigia a rua, e nomeou um novo, encarregando-o de pôr em prática um programa de reformas políticas e económicas. Ambos se têm desdobrado em encontros com a oposição.
A Frente de Acção Islâmica, que é a organização política da Irmandade Muçulmana jordana, criticou a escolha de Bakhit, mas aceitou, ainda assim, reunir-se com ele. “Ouvimos promessas de reformas, agora esperamos por factos”, explicou um responsável da Frente.
PÚBLICO
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Começa a ficar claro que a Irmandade Muçulmana egípcia, com ramificações no Magrebe e no Médio Oriente, soube organizar-se ao longo do tempo para poder intervir num movimento generalizado de contestação aos regimes árabes comprometidos com os países ocidentais e, principalmente, com os Estados Unidos, que, por culpa própria, se transformaram no seu inimigo número um. Foram muito profundas as feridas desferidas à nação árabe com a guerra do Iraque, exclusivamente desencadeada para controlar a região onde se concentram as maiores jazidas de petróleo. Escavacou-se um país inteiro numa guerra injusta, através de um pretexto inventado e pueril. A Irmandade Muçulmana registou e interiorizou no seu seio a humilhação sofrida e soube transmiti-la aos seus fiéis, aos seus militantes e aos seus guerrilheiros. O plano gizado está em marcha, para desespero dos tiranetes locais e dos dirigentes dos países ocidentais, que não vão conseguir acudir a todos os fogos, que vão incendiar o Magrebe e o Médio Oriente. E esta crise política, cuja extensão e profundidade ainda é difícil de avaliar, vem no momento em que os países ocidentais estão a tentar sair da crise estrutural mais profunda do sistema capitalista. Basta ocorrer uma mudança política radical num país árabe estratégico, que ponha em causa o abastecimento de petróleo, e uma nova guerra será desencadeada, agravando todas as dimensões da crise económica e financeira, que se declarou em 2008.
Tal como no Egipto, a Jordânia está a braços com os protestos da população, que viu no último ano os preços dos alimentos subirem em flecha, o que provocou o agravamento da pobreza. Entretanto, através da corrupção, a classe dirigente acumula cada vez mais riqueza, que é desviada para os bancos suíços. Os jovens, cada vez em maior número, vivem sem perspectivas para o seu futuro. É neste quadro, que se replica em todos os países do Magrebe e do Médio Oriente, que a contestação se desenvolve exponencialmente, ameaçando a estabilidade dos respectivos regimes políticos que, ou são ditaduras, ou são regimes democráticos travestidos.
Os fundamentalistas islâmicos esperam a sua vez para instaurarem as suas ditaduras teocráticas.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento a Figueira para sempre, pela decisão de se inscrever neste blogue.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O que esta mulher não poupa em cosméticos!...

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Notas do meu rodapé: Já há fumo branco no Cairo?


Comité deverá estudar reformas constitucionais
O Governo egípcio e membros da oposição acordaram a formação de um comité que vai preparar alterações à Constituição até à primeira semana de Março. A notícia foi avançada no final da reunião que colocou à mesma mesa o vice-presidente, Omar Suleiman, e a Irmandade Muçulmana.
PÚBLICO
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Com a constituição deste comité, entre o governo e as forças da oposição, com a missão de preparar alterações à Constituição, a liderança da actual situação política sai da rua, onde tem andado, e volta para os gabinetes dos políticos. A desmobilização dos manifestantes vai ser conseguida com este expediente, pois não fará sentido que as forças da oposição entrem com um pé em negociações com o governo e deixem o outro pé na praça Tahir.
A Irmandade Muçulmana, ao deixar cair a sua principal exigência, de só aceitar negociações, após a retirada da cena política de Mubarak, legitimou, de certa maneira, a liderança do recém-nomeado vice-presidente Omar Suleiman, naquela que é a sua primeira intervenção visível no exercício do seu cargo. Tal reunião seria impossível de realizar com Mubarak. Mas, por outro lado, a Irmandade Muçulmana também somou pontos ao ser reconhecida como parceiro na actual situação política. Ganhou visibilidade interna e externa. Para um movimento, que foi ferozmente perseguido pelo regime e que foi obrigado a transferir a sua intensa actividade política fundamentalista para a clandestinidade das mesquitas, onde a polícia não se atrevia a entrar, com receio de ser acusada de profanação, este reconhecimento e esta visibilidade vêm ao encontro dos desejos do seu actual líder, Mohamed Badie, que optou por uma estratégia discreta, que não despertasse muita atenção aos inimigos do Islão, ao mesmo tempo que poupava os seus militantes às perseguições policiais.
Omar Suleiman, que é visto como um homem duro, aparece junto dos seus concidadãos com uma imagem tolerante, a manifestar abertura, o que lhe será proveitoso para vir a ser o próximo chefe incontestado do regime.
Apena falta conhecer o destino de Mubarak e o comportamento dos manifestantes. Quer um, quer outros podem desfazer este equilíbrio.
http://publico.pt/Mundo/comite-devera-estudar-reformas-constitucionais_1478849

Notas do meu rodapé: A revolução em que todos chegaram atrasados...

EUA pressionam Cairo a deixar cair Mubarak
O dia que a oposição esperou fosse o da "partida" do Presidente egípcio, terminou com todos os cenários políticos em aberto e do Cairo não chegou qualquer indício de que o regime esteja prestes a deixar cair Hosni Mubarak, apesar das multidões concentradas no Cairo e da pressão crescente da diplomacia ocidental.
PÚBLICO
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A revolução do Egipto é a revolução mal amada, em que, com a excepção do povo, todos os principais intervenientes, com verdadeiro poder de decisão, chegaram atrasados. Barak Obama, que ainda está a tentar, na Tunísia, que a situação fique na mesma, alterando qualquer coisa, ainda julgou, quando das primeiras manifestações nas cidades do Cairo, Alexandria e Suez, que poderia aguentar no poder o seu fidelíssimo aliado, Hosni Mubarak. Já se percebeu, agora, que, para Obama, o ditador já ultrapassou o seu prazo de validade, e que a sua teimosia em não abandonar o poder, só poderá complicar a situação, atirando o povo para os braços da discreta Irmandade Muçulmana, que é a organização mais importante das forças do radicalismo islâmico. Não nos esqueçamos que foi da Irmandade Muçulmana, fundada por um fanático muçulmano, Hasan al-Banna, um admirador e aliado de Adolfo Hitler, que saiu Ayman al-Zawahiri, braço direito de Osama bin Laden, o criador da Al-Qaeda, e Mohamed Atta, um dos suicidas que fez destruir as Torres Gémeas em 2001.
A Irmandade Muçulmana, por cálculo estratégico, também chegou atrasada. Embora tivesse sido apanhada de surpresa pela dimensão da vaga de protesto, o seu actual líder, Mohamed Badie, não quer assustar os países ocidentais, nem as ditaduras dos regimes árabes, compremetidos com os Estados Unidos, exibindo a sua enorme força. Só ao fim de quatro dias, depois das primeiras manifestações de protesto, é que Mohamed Badie activou as suas células de militantes.
O Exército, a força mais importante do Egipto, e o verdadeiro sustentáculo do regime fundado por Nasser, em 1952, hesitou num primeiro momento sobre a atitude a tomar em relação a Mubarak, o general da Força Aérea, herói nacional das guerras travadas com Israel, e que, como vice-presidente, subiu ao poder, há trinta anos, após o assassinato do presidente Sadat, perpetado por elementos da Irmandade Muçulmana, durante um desfile militar. Desconhece-se o equilíbrio de forças existente entre as altas patentes das Forças Armadas. Num primeiro momento, a nomeação para vice-presidente de Omar Suleiman, o mais poderoso espião do Médio Oriente, dava a entender que a solução já estaria encontrada, e que aquela saída dos tanques para a rua, no auge das manifestações, com a promessa de que nunca atacariam o povo, fazia parte da manobra para ganhar tempo, deixando que os ânimos arrefecessem.
Mas, no entanto, Mubarak não aceitou a carta de despedimento com justa causa, que o povo, nas ruas, lhe endereçou. E se Mubarak não saiu, é porque tem apoios fortes nas altas esferas militares, que, possivelmente, não querem aceitar uma solução vinda da rua ou dos países aliados, o que demonstraria a sua fraqueza. Esta posição dos militares, que defendem a continuação de Mubarak na presidência, até ao fim do seu actual mandato, parte do pressuposto de que é necessário mostrar firmeza para que a Irmandade Muçulmana não venha alimentar veleidades de querer atingir o seu principal objectivo secreto, que faz parte da sua matriz original, e que se consubstancia no estabelecimento no Egipto de uma ditadura teocrática islâmica.
Esses militares só cederão nas suas inflexíveis posições se os Estados Unidos fizerem chantagem com os 1300 milhões de dólares anuais de ajuda militar.
A União Europeia, como sempre, também chegou atrasada, e com a agravante de não ter conseguido consenso na ameaça de cortar a ajuda ao Egipto, no valor de 449 milhões de euros entre 2011 e 2013.
Por aqui se vê a hipocrisia dos países ocidentais. Desencadeiam guerras para instaurar regimes democráticos, mas depois financiam as ditaduras.
http://publico.pt/Mundo/eua-pressionam-cairo-a-deixar-cair-mubarak_1478755?p=2

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A verdadeira dimensão do dedo polegar...











Não é o tamanho do dedo do polegar que me preocupa. O que me assustou nesta dissertação científica, foi saber que a pele humana pesa duas vezes mais do que o cérebro. Está tudo explicado!...
Uma informação adicional, apenas: O polegar a que o estudo se refere, é o do pé e não o da mão. Deve pois, o leitor começar a descalçar os sapatos e tirar as peúgas.

Exposição do Mundo Português 1940 (4) - FIM

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Amabilidade do João Fráguas, que enviou estas imagens
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Depois de ter consolidado politicamente o seu poder pessoal, durante a década de trinta do século passado, é, em 1940, com a realização da Exposição do Mundo Português, cujo comissário foi, curiosamente, Henrique Galvão, que Salazar inicia a liturgia do regime, onde a vertente arquitectónica assumiu uma importância de relevo. Numa Europa mergulhada numa guerra devastadora, Salazar pretendeu mostrar ao mundo a pujança do país (onde o analfabetismo atingia setenta por cento da população), a força do seu regime, a justeza da sua política de neutralidade (embora falsa) e a grandeza do seu império colonial (que só se iria manter mais 35 anos). A nível interno, pretendeu demonstrar a sua capacidade empreendedora. A imagem de Salazar saiu reforçada com esta exposição, que passou a ser uma das marcas do regime fascista lusitano.
FIM

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Autofagia partidária!...


Redução de deputados deixa Lacão e PS «em rota de colisão»
Deputados e membros da bancada socialista questionaram se o ministro tem condições para continuar.
O dirigente do PS Vitalino Canas pediu a Jorge Lacão explicações sobre a sua conduta em defesa da redução do número dos deputados e membros da bancada socialista questionaram se o ministro tem condições para continuar.
Portugal Diário
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Depois de terem feito a digestão de Manuel Alegre, os deputados socialistas preparam-se para "comer" o ministro Jorge Lacão. Ninguém já consegue controlar aquele apetite insaciável.
O deputado Ricardo Manuel de Amaral Rodrigues, conhecido por "O Farfalha" , declarou não estar interessado no festim. Gosta mais de "papar" gravadores aos jornalistas...
http://www.tvi24.iol.pt/politica/reducao-deputados-jorge-lacao-ps-tvi24/1230672-4072.html

Momento de Humor: História de Itália resumida

Amabilidade do João Fráguas, que enviou esta imagem
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Cada um dá o que tem e o que pode. E a mais não é obrigado.

Exposição do Mundo Português 1940 (3)










Amabilidade do João Fráguas, que enviou as imagens

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Um Poema ao Acaso: Morreste-me - de José Luís Peixoto


Morreste-me (excerto) (*)

o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei.
José Luís Peixoto
Lisboa, In Morreste-me, Temas e Debates, 2001
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José Luís Peixoto
Nasceu em Setembro de 1974 em Galveias (Portalegre). Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Inglês e Alemão, pela Universidade Nova de Lisboa. Em 2000, estreou-se com a pequena ficção Morreste-me (Prémio Jovens Criadores 97), publicada em edição de autor. Nesse mesmo ano, publicou o romance Nenhum Olhar (Prémio José Saramago 2001). Publicou ainda A Criança em Ruínas (poesia, 2001), Uma Casa na Escuridão (romance, 2002), A Casa, a Escuridão (poesia, 2002), Antídoto (prosa, 2003) e Cemitério de Pianos (prosa, 2006).Tem textos publicados em inúmeras revistas portuguesas e estrangeiras. Assina colunas permanentes em várias publicações portuguesas e estrangeiras.Os seus romances estão publicados em 12 idiomas.
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(*) O editor do Alpendre da Lua optou por classificar como poesia este belo texto de prosa de José Luís Peixoto, integrando-o neste capítulo "Um Poema ao Acaso". O autor desculpar-me-á o abuso, mas não resisti a este impulso, provocado pela beleza poética que emana deste texto, e que respira poesia por todas as palavras.

Opinião: Que socialismo? - por Baptista Bastos

Que socialismo?
Segundo ouvi dizer, o PS vai promover um congresso, lá para os adiantes de Março. É uma ideia magna. Mas não deixa de cravar, nos espíritos amenos, uma estilha de dúvida e desassossego. Que vai o PS discutir? O "socialismo moderno", cujos resultados foram um roteiro calamitoso? E ainda existem socialistas, numa agremiação que liquidou a memória história para ceder aos caprichos do tempo e às imposições do "pragmatismo"? Que PS deseja o PS ser?, se é que deseja ser alguma coisa que não essa massa amorfa, convencional e reaccionária, perseguidora dos que não alimentam as ideias transeuntes?Com rigor, deixou, há muito, de ser socialista, de alimentar e estimular a ideia socialista, incapaz de reagir ao desmoronamento da União Soviética, sem saber enfrentar e combater, ideológica e politicamente, as pressões de um capitalismo cada vez mais feroz e devastador.Olhamos aquela galeria de rostos alinhados nas bancadas e estremecemos de pavor. Nem uma ideia, nem o bafo morno de um pensamento activo que permitissem uma esperança, um alívio mental. Apercebemo-nos de que é uma gente ausente de leituras, obediente à cartilha, que forma o que vai dizer nos comentadores do óbvio, compatíveis com as práticas do instante. Quando, nas contas pós-eleitorais, ficamos a saber que 70 por cento daqueles "socialistas" preferiram votar em todos menos em Manuel Alegre, a indignação torna-se numa violenta náusea. Não creio que esta questão vá estar na ordem dos trabalhos. Nem o caso Manuel Maria Carrilho, removido do lugar de embaixador por ser recalcitrante. E muito menos, claro!, o aberrante assunto de um tal Correia de Campos, o qual admitiu escolher a "estabilidade" configurada no dr. Cavaco aos fundamentos morais propostos pelo candidato apoiado pelo PS.O poder, não a ideologia; o mando, o ascendente, o domínio e não a causa pública, são os motores que movem o PS. Há trinta e tantos anos que tudo é assim. Vai-se para o PS como quem garante um emprego. E não é com uma vistosa reunião de três dias, em Março, que se altera um esquema criado e ancilosado. Estes jogos estão de tal modo enraizados na nossa existência que os reconhecemos como legais. Não o são. A unidade austera e digna que dera consistência a uma maneira de ser republicana foi transformada em negócios, em malabarismos de interesses. É improvável que as coisas se alterem nos próximos tempos.
Baptista Bastos
Escritor e jornalista
Texto recebido por email

Notas do meu rodapé: Na Praça de Tahir ignorou-se a influência dos Estado Unidos

Depois da revolta pacífica, a violência no Cairo
Os confrontos físicos espoletaram por volta do meio-dia locais, quando apoiantes de Hosni Mubarak romperam as linhas militares de segurança na Praça Tahrir (da Libertação), montados a cavalo e em camelos, e empunhando paus e chicotes.
Três camiões militares chegaram a ser tomados por apoiantes de Mubarak, bloqueando as entradas da praça. Apesar dos apelos à calma gritados por altifalantes, eram disparados tiros para o ar e havia pedras a voar por todo o lado, descreveram vários media internacionais presentes no local. O Exército – que mais tarde viria a abandonar a praça – não interveio nos confrontos.
PÚBLICO
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Parece que o objectivo principal dos manifestantes da praça Tahir não vai ser alcançado. Mas, com em todas as revoluções, há sempre um pré-anúncio, que normalmente sai frustrado. Como escreveu o comentarista político Alan Woods, "No momento em que todo o povo se levanta e diz «não», nenhum Estado, exército ou força policial do mundo pode detê-lo".
Ao movimento popular egípcio, genuíno e pleno de autenticidade, faltou a direcção política, fundamental para centralizar e coordenar qualquer acção revolucionária. Os egípcios entraram na grande vaga que teve o seu epicentro na Tunísia, dando razão à opinião da maior parte dos analistas não comprometidos, que previam a ocorrência de um efeito dominó, a propagar-se pelos países do Magreb e do Médio Oriente. E o Egipto e o Iémem do Sul foram os países que primeiro receberam o embate dessa gigantesca onda. Em Marrocos, na Argélia, na Jordânia e na Arábia Saudita, também estão presentes os mesmo ingredientes que serviram de rastilho à revolução tunisina: ditaduras ferozes, ausência de liberdades, níveis elevados de pobreza, regimes submetidos ao imperialismo americano, corrupção, enriquecimento escandaloso das classes dirigentes e uma taxa elevadíssima de desemprego, que afecta principalmente os jovens, principalmente os mais qualificados. Uma realidade potencialmente explosiva, que mais tarde ou mais cedo irá mudar o rumo da História naquela importante região do mundo.
Mas, além da ausência de uma cabeça política, o movimento da praça Tahir enfrentou um outro obstáculo de monta, que não se apresentou aos tunisinos: os interesses vitais dos Estados Unidos. O Egipto é uma peça central para os Estados Unidos no tabuleiro do Médio Oriente. Desde que Anwar Al Sadat reconheceu o Estado de Israel, visitando a Jesuralém ocupada pelos sionistas, e assinou o Tratado de Paz de Camp David, o Egipto tornou-se um aliado subserviente dos Estados Unidos. Não é por acaso que é o Egipto o país mais apoiado pelos Estados Unidos em material bélico, o que lhe permite ter umas forças armadas poderosas e uma força policial temível. E os generais egípcios, que têm um influência política importante, agora mais pronunciada, devido à fragilidade de Mubarak, sabem que têm de seguir as secretas instruções do governo americano, já que em Washington existem fundados receios de que um outro qualquer governo, seja ele laico ou assumidamente islâmico, venha a alterar a correlação de forças, mudando de campo e de política. Se Mubarak resistiu e não fez as malas para fugir para Londres, onde já lá colocou a família, por precaução, e onde tem a sua fortuna pessoal, é porque o o governo doa Estados Unidos assim o exigiu ao poder político egípcio, ao mesmo tempo que a CIA aconselhou a manobra para quebrar a força popular, mandando os serventuários e os agentes policiais do regime, à paisana, disfarçados de apoiantes de Mubarak, fazer uma contra-manifestação, com recurso à violência, evitando-se assim comprometer o exército. Impõe-se perguntar de onde vieram os camelos e os cavalos desses contra-manifestantes, assim como será legítimo perguntar a razão por que o exército ficou inactivo perante o confronto violento que ocorreu, com a agravante de ter deixado roubar pelos contra-manifestantes dois carros de combate.
http://publico.pt/Mundo/depois-da-revolta-pacifica-a-violencia-no-cairo_1478351?all=1

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Momento de humor


Estatística do Alpendre da Lua - Janeiro de 2011

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Nº de visitas mensais nos últimos 12 meses

Nº visitas diárias em JAN 2011


Nº visitas diárias da última semana de JAN 2011
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Com uma média diária de 108 visitas, o Alpendre da Lua obteve, no mês de Janeiro, um total de 3.345 visitas, o que constitui um novo record. Desde Setembro do ano passado, começou a desenhar-se um crescimento mensal significativo, que contrasta com o plafonamento verificado nos oito meses anteriores. Este novo perfil evolutivo pode atribuir-se, talvez, ao aparecimento de novos leitores.
No entanto, a fidelização dos leitores, dos mais antigos aos mais recentes, tem sido a característica principal, que justifica a grandeza destes números.
O Brasil e os EUA posicionam-se, depois de Portugal, como os países com um maior número de visitas registadas, embora, ultimamente, a França e a Espanha tenham reforçado ligeiramente a sua posição. As visitas oriundas dos restantes países são meramente pontuais e ocasionais, não tendo continuidade.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ZEITGEIST: MOVING FORWARD | OFFICIAL RELEASE | 2011

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Para quem viu o Zeitgeist Addendum, este novo documentário aborda assuntos como a natureza humana, genótipo vs fenótipo, o estado actual da tecnologia, e como o sistema monetário nos escraviza através dos bancos. Desta vez, o conhecimento científico nestas áreas é tratado por especialistas, maioritariamente de universidades de renome, por exemplo o famoso (génio) Robert Sapolsky.
João Castro Mota
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Nota: Este novo documentário Zeitgeist: Moving Forward já está disponível e legendado em Português.
Para seleccionar as legendas têm de carregar em cc.

Notas do meu rodapé: Todos os caminhos vão dar ao Cairo

ElBaradei pede a Mubarak que saia do Egipto
Milhares de egípcios já se acumulam nas ruas do Cairo, indiferentes ao anúncio de uma mudança de Governo e de abertura do diálogo, no dia em que estão marcadas, para várias cidades, marchas que têm como objectivo simbólico juntar um milhão de manifestantes.
Multidões reúnem-se no centro do Cairo (cerca de 100 mil pessoas, às 12h00 locais), muitos tendo passado a noite na praça Tahrir (da Libertação) em desafio à ordem de recolher obrigatório, exigindo o fim do regime do Presidente, Hosni Mubarak, 82 anos e há já três décadas no poder, num protesto que foi engrossando desde a passada terça-feira contra a pobreza e desemprego, a corrupção e a ausência de representação de vastíssimas fatias da população, em particular dos jovens, cada vez mais numerosos.
PÚBLICO
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Hoje, todos os caminhos já não irão dar a Roma. Vão dar ao Cairo, mais propriamente à Praça Tahrir. O Egipto está a reescrever a sua História e quer entrar na modernidade, tal como o povo tunisino, há umas semanas atrás, e tal como vai acontecer, a seguir, nos países do Magreb e do Médio Oriente, que ainda estão amordaçados por regimes totalitários.
Pode-se até dizer que o futuro desses povos será decidido hoje ou amanhã pelo povo egípcio. Se Hosni Mubarak cair, cairá também o paradigma de toda uma estrutura política e ideológica, construída pelos militares árabes, que fizeram no pós-guerra revoluções vitoriosas contra monarquias corruptas, mas que acabaram por se transformar em ditaduras ferozes, igualmente corruptas.
Esta revolução (a da Tunísia e a do Egipto) é uma revolução feita pelos jovens, que descobriram que a mudança que preconizam exige o afastamento das ditaduras e dos movimentos políticos islâmicos. Os jovens são os verdadeiros catalisadores do que está acontecer no Magreb e no Médio Oriente e, politicamente, já não se revêem nos generais emproados nem na vozearia dos mullahs radicais. .
Os militares egípcios, que detêm realmente o poder, compreenderam esta evidência. De nada lhes valerá destituir Mubarak e substituí-lo por um outro potencial ditador, mantendo a mesma estrutura de poder. Também a Irmandade Muçulmana, a única oposição política, tolerada por Mubarak, foi apanhada de surpresa por este impetuoso e espontâneo movimento popular, nada mais lhe restando do que manifestar-lhe o seu tímido apoio, já que não o poderá liderar. A instauração de um regime democrático é a única alternativa.
O eco longínquo da revolução dos cravos parece ter chegado ao Cairo.

Oe deuses também têm de fazer as suas necessidades fisiológicas!...


Um deles sofre de hemorroidal...

Nas traseiras da sede do Banco de Portugal - texto e fotografia de João Grazina





Vistas do Banco de Portugal
Os pilares em que me apoiei para tirar estas fotos são do Banco de Portugal. Nas minhas costas, na porta aqui ao lado, entrava até há bem pouco tempo Vítor Constâncio, top ten a nível mundial na remuneração entre governadores dos Bancos centrais.
Que paradoxo. Seremos o único país da Europa, e entre os primeiros no mundo, onde possamos conjugar duas realidades tão escandalosamente contrastantes uma da outra, e elas podem muito bem servir para ilustrar o país que muitos teimam em manter.
João Grazina
Retirado do Arroios