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domingo, 21 de novembro de 2010

Papa admite uso do preservativo em certos casos mas mantém que não é solução

Não é uma revolução, mas uma porta entreaberta.
Num livro-entrevista que será publicado terça-feira,
o Papa Bento XVI mantém que não considera o
preservativo "uma solução verdadeira e moral", mas
admite a sua utilização em casos concretos: "Num ou
outro caso, embora seja utilizado para diminuir o risco
de contágio, o preservativo pode ser um primeiro
passo na direcção de uma sexualidade vivida de outro
modo, mais humana."
PÚBLICO
***
Os fabricantes de preservativos perderam o maior promotor da sua utilização: o próprio papa Bento XVI. Quanto mais a ICAR o demonizava, tentando bani-lo como contraceptivo e como protector das doenças sexualmente transmissíveis, mais pessoas, mesmo entre os católicos, ganhavam a consciência dos riscos que corriam se não o utilizassem nas suas relações sexuais.
O papa, ao ser obrigado, perante a gravidade do crescimento exponencial da sida, principalmente no continente africano, e de outras doenças transmitidas sexualmente, não teve outro remédio, senão recuar na sua posição fundamentalista, embora de modo cauteloso para não perder a cara. A experiência de dois mil anos de magistério ensinou a ICAR a saber recuar estrategicamente, sem nunca se dar por derrotada, sempre que os seus valores e as suas teorias eram postas em causa pelas evidências objectivas da ciência ou pelo senso comum que as sociedades em desenvolvimento iam adquirindo, o que a obrigava, mais tarde ou mais cedo, a renunciar à validade dos seus princípios.
A partir de agora, a ICAR vai abster-se de falar no assunto, e, por omissão, acabará por aceitar a utilização do preservativo em todas as situações que, de momento, ainda critica.
Se fosse obrigatório acreditar no pensamento único e dogmático da ICAR e dos papas, ainda hoje acreditaríamos que era o Sol a mover-se à volta da Terra.
http://jornal.publico.pt/noticia/21-11-2010/papa-admite-uso-do-preservativo-em-certos-casos-mas-mantem-que-nao-e-solucao-20666930.htm

Berlusconi gasta 70 mil euros em pénis de estátua romana

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi,
gastou cerca de 70 mil euros na reconstrução do
pénis de uma estátua romana, do Deus Marte,
que se encontra no escritório do italiano, revela
a imprensa local.
... O arquitecto oficial de Berlusconi, Mario Catalano,
garante que a restauração foi autorizada, e que as
partes do corpo, um pénis e uma mão, vão ser
adicionadas e serão “removíveis”.
Correio da Manhã
***
Como as peças anatómicas são "removíveis", não se chegará a saber se Berluscini, com fama de garanhão, não irá pedir emprestado o pénis ao Deus Marte, em caso de necessidade urgente e inadiável, que ele, pelos seus próprios e exclusivos meios, não possa satisfazer.

A soneca do Embaixador...


Amabilidade de Mário Jorge Neves, que enviou as imagens
.
O Embaixador de Portugal em Timor adormeceu, durante uma cerimónia oficial, tendo divertido o presidente daquele país, Ramos-Horta, que até se entregou à tarefa de o fotografar naquela postura nada ortodoxa.

sábado, 20 de novembro de 2010

As SCUT 's acabaram, querido! Agora tens de pagar a portagem...



O voto devia ser obrigatório para as mulheres!...

Votar é um prazer!...
.
O partido socialista da Catalunha lançou um vídeo para
incentivar a massa mais jovem a votar. Sob o mote
"Votar é um prazer", compara este gesto ao ato sexual,
com a mulher a ter um orgasmo ao colocar o voto na urna.
Mas esta campanha já foi alvo de várias críticas, mesmo
dentro do partido. A líder do partido popular da Catalunha,
Alicia Sanchez-Camacho, diz que este ataca a dignidade da
mulher.
Bibiana Aido, ministra para a igualdade, pertencente ao
partido socialista, afirma "se fosse verdade a participação
eleitoral ia subir de bom grado, mas estamos a lidar com
publicidade enganosa".
Mas para o líder do partido socialista catalão, o vídeo pode
ser positivo: "Se encorajar as pessoas a votar, é uma coisa boa".
Expresso
***
Já estou a ver José Sócrates, nas próximas eleições legislativas, a afirmar que "Portugal segue as melhores práticas que se praticam lá fora".
Se assim for, volto a querer exercer as minhas funções de presidente da mesa eleitoral de uma das secções de voto da freguesia de S. Jorge de Arroios. Será um dia em cheio.

As malandrices do Padre Alberto...

Clicar na imagem para a ampliar

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento à Flavia Luiza Nogueira pela sua decisão de se inscrever como amiga deste blogue

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Notas do meu rodapé: Não são os que enterraram o país, que agora o podem salvar...

O Eixo do Mal- Edição de 13-11-2010


Exibo este vídeo, apenas para evidenciar o discurso demencial de dois altos responsáveis políticos, que já não sabem o que dizer sobre o desastre que ameaça o país. Dizem banalidades. Um, sem qualquer tipo de escrúpulos, utilizou a crise para os seus objectivos eleitorais, o outro aceitou a missão de se travestir de primeiro-ministro, depois de ter elaborado um Orçamento de Estado, que não convenceu ninguém. É certo que falta aqui o verdadeiro primeiro ministro, a pessoa que melhor conheço a imitar os papagaios amestrados, mas ele apercebeu-se a tempo que já não é levado a sério, nem sequer pelos seus mais fiéis correlegionários, dos quais, alguns, já andam a tentar fazer-lhe a cama. Diz-se que ele vagueia, solitário, pelas amplas salas do palácio de S. Bento, à procura de uma solução para si. Ele tem medo dos fantasmas que o perseguem, e já há quem diga que ele está a tentar ser nomeado ministro do Ambiente do próximo governo, seja ele de coligação ou de salvação nacional. É que já consta por aí que o Freeport quer instalar-se também na margem norte, tendo escolhido o Parque de Monsanto para construir um novo espaço comercial.

Roubo milionário à porta de Teixeira dos Santos

Prédio onde vive Teixeira dos Santos, que tem um
agente da PSP à porta, fica a 40 metros da entrada
principal do centro Monumental, por onde os
assaltantes entraram. Causaram estrondo à chegada
Imagem e legenda do Correio da Manhã
***
Sete ladrões com marretas invadiram centro Monumental
e limparam joalharia. PSP em casa de Teixeira dos Santos,
a 40 metros, não viu nem ouviu.
Correio da Manhã
***
Se o défice orçamental dimimuir nos próximos dias, já se fica a saber quem foi um dos sete assaltantes.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Mulher prevenida, vale por duas!...


Esta mulher, com grande antecipação, encomendou a sua urna, não vá haver crise no sector, no dia em que ela for necessária.

sábado, 13 de novembro de 2010

A nova versão Laurel & Hardy (Bucha e Estica)...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou esta imagem
.
É assim que a História, no futuro, os irá ver. Ambos colocaram as suas ambições políticas pessoais à frente dos interesses do país. Um era um plebeu que se transformou num novo-rico da política. O outro era um aristocrata, que quer ser considerado um patriarca.

Notas do meu rodapé: Um país às avessas!....

Corte no salário leva juiz a adiar audiências
.
Juiz do Tribunal de Alenquer vai trabalhar menos duas horas por dia por causa de corte salarial de 600 euros
.
Numa iniciativa inédita, o juiz-presidente do Tribunal de Alenquer, Afonso Dinis Nunes, decidiu reduzir o seu horário de trabalho em cerca de duas horas diárias, por causa do corte de 600 euros a que o seu salário vai ser sujeito. O ministro da Justiça, Alberto Martins, evitou comentar o caso, remetendo responsabilidades para o Conselho Superior de Magistratura (CSM), o órgão de gestão e disciplina dos juízes. Ao PÚBLICO, o juiz José Manuel Duro, do CSM, confirmou que o caso está a ser averiguado, para aferir se será ou não de "tomar alguma medida". Até lá, "não há comentários a fazer".
PÚBLICO
***
Assim é que se enxofra! Eu só lamento que o meio de milhão de desempregados não possam também reduzir unilateralmente o seu horário de trabalho, que, desgraçadamente, não têm.
Àquele corajoso juíz, atrevo-me, respeitosamente, a aconselhar-lhe que nos próximos julgamentos, que vier a realizar, comece a condenar quem provar que é inocente e a absolver quem é comprovadamente culpado. Isto, para que o país fique às avessas, e possa aparecer alguém que o comece a endireitar. Porque, caros leitores, eu já não acredito que, no quadro político do actual regime, que nasceu sob os bons auspícios da gloriosa revolução do 25 de Abril, possa ser encontrado o caminho seguro que salve Portugal. O 25 de Abril foi miseravelmente abastardado por políticos desonestos, néscios e incompetentes, por empresários oportunistas e gananciosos e pelo bando de mercenários do capital financeiro. É necessário e urgente fazer uma nova revolução, um novo 25 de Abril, com cravos ou sem cravos, talvez com espinhos.
Este juíz fez a melhor caricatura do pântano em que vivemos. É isso: Portugal já é uma grotesca caricatura.

http://jornal.publico.pt/noticia/13-11-2010/corte-no-salario-leva-juiz-a-adiar-audiencias-20609992.htm?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+JornalPublico+%28P%C3%9ABLICO+-+Edi%C3%A7%C3%A3o+Impressa%29

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Um Poema ao Acaso: Um poema de Herberto Helder

Picasso

Estende a tua mão contra a minha boca e respira
e sente como respiro contra ela,
e sem que eu nada diga,
sente a trémula, tocada coluna de ar
a sorvo e sopro,
ó
táctil, ininterrupta,
e a tua mão sinta contra mim
quanto aumenta o mundo

Herberto Helder
Ofício Cantante

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Manifestação com cinco estudantes escoltada por dez polícias

Era assim que os cinco estudantes se imaginavam na sua solitária manifestação
.
Lentamente e com passo miudinho cinco estudantes
do ensino secundário de Beja caminharam, nesta
quarta-feira, ao longo da principal avenida da cidade,
segurando uma faixa amarela com três palavras de
ordem escritas a negro: “Não aos exames – ao regime
de faltas – estudantes estão na rua”.
PÚBLICO
***
Eventualmente, poder-se-ia ter dado o caso de os restantes manifestantes terem ficado para trás, ou para beber um copo numa qualquer tasca, ou por manifesto atraso, dando assim credibilidade à proverbial fama dos alentejanos, que pedem licença a um pé para avançar com o outro pé.
Outra hipótese plausível, e que muitos comentadores defendem com algum fundamento, é que o tema do fim dos exames já não é suficientemente mobilizador, pois os estudantes já perceberam que o seu grau dificuldade é tão básico, que nem sequer será necessário estudar para obter a merecida aprovação. Mantendo-se o regime de exames, assim, tal como está, sempre se salvam as aparências do rigor da avaliação.
Mas eu, contrariando o pensamento das maiorias (detesto o pensamento da maiorias, porque a sua natureza intrínseca é idêntica ao pensamento único), tenho outra explicação para o comportamento evidenciado por aqueles cinco estudantes. Eles quiseram demonstrar quanto este país é grotesco e insólito. Dez polícias para controlar cinco manifestantes!?... Até os polícias se sentiram constrangidos.

Morreu João Serra, o "Senhor do Adeus"

João Manuel Serra, conhecido em Lisboa como
o "Senhor do Adeus", morreu ontem aos 80 anos
de idade.
PÚBLICO
***
Morreu João Manuel Serra, o "Senhor do Adeus", o homem que, para combater a sua solidão, escreveu o poema mais bonito da cidade de Lisboa, "O Poema do Adeus". Não era um poema de despedida. Não era um poema com palavras. Era um significativo gesto solidário de boas -vindas, traduzido num original cumprimento, que os lisboetas não irão esquecer, quando, no seu funeral, e retribuindo-lhe a simpatia e a simplicidade da sua grande humanidade, o saudarem com o último "Adeus".
Há homens que sabem reinventar-se. João Manuel Serra foi um desses homens. Era um verdadeiro aristocrata da simpatia.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Morreu o Dr, José António Macedo Girão

O Prof. Girão (era assim que o tratávamos) foi meu professor de Educação Física, no liceu de Lamego. Jovem diplomado pelo antigo INEF, levou para aquela cidade os ideais de transformar a docência da Educação Física, tentando impor a filosofia abrangente de que a prática daquela actividade, devidamente estruturada para cada um dos grupos etários, era essencial para o desenvolvimento integral do indivíduo, não só na sua dimensão física, mas também na dimensão intelectual e na dimensão moral, conceitos estes, cuja aplicação nas aulas aos jovens liceais, constituiu uma verdadeira revolução pedagógica, que os espíritos mais retrógrados da época não entenderam.
Na mensagem de pêsames, enviada à sua filha, e de que transcrevo uma parte, exprimi o meu respeito pelo Prof. Girão, nestes termos:
O seu pai, o meu querido amigo e antigo professor, Prof. Girão, foi uma das figuras que marcou muito a minha formação de jovem estudante. Com ele aprendi, e disso me orgulho, o valor e a importância da Educação Física na formação dos jovens e no seu desenvolvimento integral. Tive a oportunidade de lhe dizer isto mesmo, da última vez que falámos, num comovente reencontro, depois de 50 anos de ausências. Penso que ele ficou orgulhoso, e eu fiquei feliz por ainda ter tido tempo de lhe mostrar a minha gratidão e admiração.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Só faltava mais esta!...

Políticos e juízes em lista de prostituição
Polícia caçou nomes de clientes no computador de angariador Carlos Pinota, repórter da RTP.
Correio da Manhã
http://www.cmjornal.xl.pt/detalhe/noticias/exclusivo-cm/politicos-e-juizes-em-lista-de-prostituicao024756220

Notas do meu rodapé: Orçamento de Estado - Antes da cosmética é necessário lavar a cara...



Juros da dívida aproximam-se dos 7%
.

A remuneração que os investidores exigem para
deter dívida pública está a alcançar máximos
históricos e a aproximar-se do limite de 7%, que
o ministro das Finanças, Teixeira dos Santos,
referiu como tecto mínimo para admitir recorrer
ao financiamento do FMI, adianta hoje o Jornal de
Negócios.
Diário de Notícias
***
O governo tem revelado uma indesculpável irresponsabilidade e uma grande incompetência na gestão da dívida pública e de todos os problemas a ela associados. Irresponsabilidade, por não ter reagido atempadamente, quando já era previsível a intenção dos credores em subir as respectivas taxas de juro, em face da degradação imparável das finanças públicas e da incapacidade crónica da economia portuguesa de não acompanhar, em termos de competitividade, as economias suas concorrentes nos mercados externos. Por motivos eleitoralistas, no ano passado, o governo escamoteou os resultados alarmantes das contas públicas até às eleições legislativas. Mentindo descaradamente, o primeiro-ministro e o seu ministro das Finanças anunciavam que a situação portuguesa não era igual à grega e que a crise já tinha batido no fundo. Os portugueses foram votar, sem saberem do estado calamitoso das finanças públicas, em situação de pré-ruptura, e da dimensão da dívida pública, já a ultrapassar os limites razoáveis da sua potencial solvabilidade.
Incompetente, porque cometeu o erro de elaborar um Orçamento de Estado, tal como aconteceu com os dois Planos de Estabilidade e Crescimento, sem coerência estrutural e funcional. O orçamento foi maquilhado e não houve a preocupação de, primeiro, lhe lavar a cara. No lado da despesa, os cortes orçamentais são uma autêntica manta de retalhos. Cortou-se onde era mais fácil e não onde era mais necessário. E o mais necessário seria encolher a despesa corrente primária, que é um verdadeiro cancro das finanças públicas. No lado da receita, o orçamento sustentou-se principalmente no aumento brutal do IVA, o que vai prejudicar muito a economia.
Tenho para mim, e isto poderá ser um a grande asneira, que teria sido mais fácil, e mais convincente para os credores, lançar um imposto geral, progressivo em relação aos rendimentos, aos lucros e às mais-valias, e que, a par de uma redução da despesa corrente primária, que deve estar alinhada com a da média europeia, reportada ao respectivo PIB, gerasse a receita necessária para alcançar o objectivo do défice orçamental. Tavez fosse mais justo e mais eficaz.
http://dn.sapo.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=1705818

O rei vai nu!...

A Democracia não deve gravitar à volta de concepções repressivas, nem autoregular-se pela via do justicialismo. Deve, antes, ser o sistema que é capaz de – em todos os momentos - desenvolver mecanismos de fiscalização e participação popular que responsabilizem a acção e os actores políticos. Mas quem exerce o poder em representação popular, i. e., através de eleições livres, a responsabilidade para actos no âmbito da política será sempre… política.

e-pá! do blogue Ponte Europa, a propósito das declarações de Passos Coelho, ao pretender criminalizar os responsáveis políticos pelas más execuções orçamentais.
***
Vamos estar atentos às execuções orçamentais dos governos de Passos Coelho, quando ele for primeiro-ministro.

domingo, 7 de novembro de 2010

Notas do meu rodapé: A crise tem rosto... A crise tem culpados...



A classe média está a chegar à sopa dos pobres
.
Ficaram sem ter como pôr comida na mesa e começam
agora a engrossar as filas nas instituições que prestam
ajuda assistencial. Muitos dos 280 mil portugueses que
dependem dos cabazes do Banco Alimentar contra a Fome
são da classe média. Tinham emprego, férias, acesso à net
e tv por cabo, cartão de crédito. Ficaram com uma casa
para pagar ao banco, um subsídio de desemprego que tarda
a chegar - quando chega - ou que já acabou. Um carro que já
não sai da garagem.
Na maioria das vezes, os pedidos chegam por email. "Desde o
ano passado que nos chegam pedidos de professores, advogados,
engenheiros: profissões que nada fazia prever que precisariam
de ajuda institucional", diz Daniela Guimarães, educadora social
na Cáritas do Porto.
PÚBLICO
***
Para quem acreditava que a crise era conjuntural e passageira, para quem julgava que a crise só batia à porta dos outros, para aqueles que, neste país pacificado por trezentos anos de Inquisição e quarenta de salazarismo, pensavam que Portugal era um quintal à beira mal plantado, ao abrigo das tempestades que assolam o mundo, para aqueles que acusavam de pessimistas e de anti-patriotas todos aqueles que prognosticaram um cenário catastrófico para o futuro do país, para todos aqueles que ainda não perceberam o que está a acontecer nem o que irá acontecer, a reportagem do PÚBLICO, aqui referida, talvez possa ser aquele clarão de luz que ilumine a verdade, que todas as mentiras propaladas têm escondido.
E o problema não reside no que de trágico já está a acontecer. O problema reside no futuro, que se apresenta cada vez mais incerto e inseguro. Neste mundo globalizado, onde os países funcionam em rede, sob o totalitário controlo do grande capital financeiro internacional (não devemos ter medo dos chavões), que já não permite a cada um deles a assumpção por inteiro da sua autonomia e da sua independência, ao nível das decisões políticas e económicas fundamentais, salvam-se aqueles que souberam a tempo tirar partido da globalização, impulsionada pelo neo-capitalismo, posicionando-se estrategicamente nos mercados internacionais e apetrechando-se com as ferramentas necessárias.
Ora, Portugal, ao longo dos últimos quarenta anos, não soube fazer o trabalho de casa. Perdeu a oportunidade da integração europeia (o que se ganhou, vai perder-se agora) e está a perder a batalha da globalização. E isto não aconteceu por acaso, nem por vontade divina. A crise não é uma entidade abstracta e difusa, de uma natureza idêntica a um qualquer cataclismo. A crise tem rostos. A crise tem culpados.

Os cinco cavacos- por Daniel Oliveira


Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural,
económica e politica que somos na Europa
.
Sem contar com a sua breve passagem pela pasta das Finanças, conhecemos cinco cavacos. Mas todos os cavacos vão dar ao mesmo.
O primeiro Cavaco foi primeiro-ministro. Esbanjou dinheiro como se não houvesse amanhã. Desperdiçou uma das maiores oportunidades de deste País no século passado. Escolheu e determinou um modelo de desenvolvimento que deixou obra mas não preparou a nossa economia para a produção e a exportação. O Cavaco dos patos bravos e do dinheiro fácil. Dos fundos europeus a desaparecerem e dos cursos de formação fantasmas. O Cavaco do Dias Loureiro e do Oliveira e Costa num governo da Nação. Era também o Cavaco que perante qualquer pergunta complicada escolhia o silêncio do bolo rei. Qualquer debate difícil não estava presente, fosse na televisão, em campanhas, fosse no Parlamento, a governar. Era o Cavaco que perante a contestação de estudantes, trabalhadores, polícias ou utentes da ponte sobre o Tejo respondia com o cassetete. O primeiro Cavaco foi autoritário.
O segundo Cavaco alimentou um tabu: não se sabia se ficava, se partia ou se queria ir para Belém. E não hesitou em deixar o seu partido soçobrar ao seu tabu pessoal. Até só haver Fernando Nogueira para concorrer à sua sucessão e ser humilhado nas urnas. A agenda de Cavaco sempre foi apenas Cavaco. Foi a votos nas presidenciais porque estava plenamente convencido que elas estavam no papo. Perdeu. O País ainda se lembrava bem dos últimos e deprimentes anos do seu governo, recheados de escândalos de corrupção. É que este ambiente de suspeita que vivemos com Sócrates é apenas um remake de um filme que conhecemos. O segundo Cavaco foi egoísta.
O terceiro Cavaco regressou vindo do silêncio. Concorreu de novo às presidenciais. Quase não falou na campanha. Passeou-se sempre protegido dos imprevistos. Porque Cavaco sabe que Cavaco é um bluff. Não tem pensamento político, tem apenas um repertório de frases feitas muito consensuais. Esse Cavaco paira sobre a política, como se a política não fosse o seu ofício de quase sempre. Porque tem nojo da política. Não do pior que ela tem: os amigos nos negócios, as redes de interesses, da demagogia vazia, os truques palacianos. Mas do mais nobre que ela representa: o confronto de ideias, a exposição à critica impiedosa, a coragem de correr riscos, a generosidade de pôr o cargo que ocupa acima dele próprio. Venceu, porque todos estes cavacos representam o nosso atraso. Cavaco é a metáfora viva da periferia cultural, económica e politica que somos na Europa. O terceiro Cavaco é vazio.
O quarto Cavaco foi Presidente. Teve três momentos que escolheu como fundamentais para se dirigir ao País: esse assunto que aquecia tanto a Nação, que era o Estatuto dos Açores; umas escutas que nunca existiram a não ser na sua cabeça sempre cheia de paranóicas perseguições; e a crítica à lei do casamento entre pessoas do mesmo sexo que, apesar de desfazer por palavras, não teve a coragem de vetar. O quarto Cavaco tem a mesma falta de coragem e a mesma ausência de capacidade de distinguir o que é prioritário de todos os outros.
Apesar de gostar de pensar em si próprio como um não político, todo ele é cálculo e todo o cálculo tem ele próprio como centro de interesse. Este foi o Cavaco que tentou passar para a imprensa a acusação de que andaria a ser vigiado pelo governo, coisa que numa democracia normal só poderia acabar numa investigação criminal ou numa acção política exemplar. Era falso, todos sabemos. Mas Cavaco fechou o assunto com uma comunicação ao País surrealista, onde tudo ficou baralhado para nada se perceber. Este foi o Cavaco que achou que não devia estar nas cerimónias fúnebres do único prémio Nobel da literatura porque tinha um velho diferendo com ele. Porque Cavaco nunca percebeu que os cargos que ocupa estão acima dele próprio e não são um assunto privado. Este foi o Cavaco que protegeu, até ao limite do imaginável, o seu velho amigo Dias Loureiro, chegando quase a transformar-se em seu porta-voz. Mais uma vez e como sempre, ele próprio acima da instituição que representa. O quarto Cavaco não é um estadista.
E agora cá está o quinto Cavaco. Quando chegou a crise começou a sua campanha. Como sempre, nunca assumida. Até o anúncio da sua candidatura foi feito por interposta pessoa. Em campanha disfarçada, dá conselhos económicos ao País. Por coincidência, quase todos contrários aos que praticou quando foi o primeiro Cavaco. Finge que modera enquanto se dedica a minar o caminho do líder que o seu próprio partido, crime dos crimes, elegeu à sua revelia. Sobre a crise e as ruínas de um governo no qual ninguém acredita, espera garantir a sua reeleição. Mas o quinto Cavaco, ganhe ou perca, já não se livra de uma coisa: foi o Presidente da República que chegou ao fim do seu primeiro mandato com um dos baixos índices de popularidade da nossa democracia e pode ser um dos que será reeleito com menor margem. O quinto Cavaco não tem chama.
Quando Cavaco chegou ao primeiro governo em que participou eu tinha 11 anos. Quando chegou a primeiro-ministro eu tinha 16. Quando saiu eu já tinha 26. Quando foi eleito Presidente eu tinha 36. Se for reeleito, terei 46 quando ele finalmente abandonar a vida política. Que este homem, que foi o politico profissional com mais tempo no activo para a minha geração, continue a fingir que nada tem a ver com o estado em que estamos e se continue a apresentar com alguém que está acima da politica é coisa que não deixa de me espantar. Ele é a política em tudo que ela falhou. É o símbolo mais evidente de tantos anos perdidos.
.
Publicado no Expresso Online
.
Sugestão do Diamantino Silva

sábado, 6 de novembro de 2010

Bravata de transmontano!...

Clicar na imagem para a ampliar e, depois, voltar a clicar
amabilidade da Dalia Faceira(Dacha), que enviou a imagem
.
Com aquela idade, sem o comprimido, é obra! A não ser que seja uma bravata, típica dos transmontanos (por mim falo, que também sou transmontano). Mas, tal como aconteceu ao senhor Manuel Fernandes Cerdeiral, quando chega a hora da verdade, também tenho uma fortíssima diarreia. Só não digo que foi do polvo.

Arcebispo belga esbofeteado na missa...

***
O chefe da Igreja Católica belga, o arcebispo
André-Joseph Léonard, foi esbofeteado
durante uma missa...
André-Joseph Léonard suscitou recentemente
a indignação em muitas pessoas ao afirmar que
a primeira propagação do vírus da sida foi uma
"espécie de justiça perdurável".
Sobre a homossexualidade, o arcebispo disse que
"não está em coerência com a lógica objectiva da
sexualidade".
Jornal de Notícias
***
Se repararem bem, o arcebispo, piamente, ofereceu a outra face.

Que país a este, que aprendi a amar?!

Clicar na imagem para a ampliar
ESCOLAS ABREM AO FIM DE SEMANA
PARA MATAR A FOME AOS ALUNOS
Na Damaia (Amadora),
onde mais metade
dos alunos são
carenciados, as escolas
estão a fazer
um levantamento
dos casos
de crianças
com fome
EXPRESSO
***
Dói muito ler esta notícia do Expresso. Um país que não sabe tratar das suas crianças nem dos seus idosos não merece existir. É um país falhado. E este tema não vem abordado no Orçamento de Estado, que só admite, implicitamente, o conceito de país falhado, se a normalização do défice orçamental e da dívida pública não for conseguida. Mas, a verdade, é que Portugal trata muito mal as suas crianças e os seus idosos, principalmente os das classes mais desfavorecidas.
O meu desgosto e a minha revolta não podem ser maiores.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao grande poeta André Domingues, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

Um Poema ao Acaso: Máquinas malogradíssimas - André Domingues

Máquinas malogradíssimas

Uma máquina de fazer sumo da Terra e não haver sumo na Terra,
senão suor proveniente da máquina e do seu esforço incómodo,
humilhante e repetido para o conseguir.
Uma máquina de barbear mentiras, mas sem lâminas capazes de
cortar rente os pêlos encravados das mentiras. A face mentirosa
cheia de pistas de sangue e pequenas insurreições, mas a barba
intacta, como se as mentiras fossem parasitas de ferro e amassem
os pêlos em toda a sua extensão e península.
Uma máquina de costurar segredos. Segredos desfeitos. Impossíveis
de coser. Nem com a linha mais inventiva. A paciência mais pálida e
solene. A precisão de deus quando opera a sua autonomia relativa. E
os segredos degradados, como doentes parkinsónicos, perdidos de
riso, fazendo tremer o repouso onde a inutilidade de tudo exerce a
sua vocação vazia.
Uma máquina de fazer máquinas de fazer cócegas a tudo isto.

André Domingues

Ver meu comentário na hiperligação seguinte:
http://doamormau.blogspot.com/2010/10/maquinas-malogradissimas.html

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

O padre apenas estava a obrigar a senhora a cumprir a penitência que lhe decretara na confissão

Esposo sorprende a su mujer teniendo relaciones con cura en parroquia de Trujillo

Padre filmado a ter relações sexuais choca Peru
O caso tem todos os ingredientes de uma telenovela: o marido, suspeitando da infidelidade da mulher, armou-se com uma câmara de vídeo e encontrou-a a ter relações sexuais com o padre, dentro da igreja. As imagens foram transmitidas na televisão peruana
Os personagens da história são um padre católico, a empregada de limpeza da igreja e um marido traído e o caso passou-se numa paróquia no norte do Peru. O marido filmou a mulher em pleno ato sexual com o padre, no seu quarto dentro da igreja.
A mulher, Tedolinda Amaya Altamirano, alega que foi forçada a manter relações sexuais com o padre José Antonio Boitrón Solano, de quem estará grávida de quatro meses.
As imagens do flagrante foram emitidas por uma televisão peruana. O religioso, no entanto, continua a celebrar missas normalmente, enquanto a amante foi despedida.
VISÃO

Até Alberto João Jardim chama "ladrão" ao Estado!



Jardim chama “ladrão” ao Estado por não lhe permitir acumular reforma
O presidente do governo regional da Madeira, Alberto
João Jardim, acha que o Estado português “é ladrão”
porque não permite a acumulação de pensões de
aposentação com qualquer tipo de salário no sector
público.
O governante madeirense que acumula o vencimento
do cargo com a totalidade da pensão da reforma,
quando a nível nacional apenas era permitir juntar
com um terço da outra remuneração, insurgiu-se
hoje contra nova medida aprovado pelo governo da
República que proíbe qualquer acumulação. Devido
a esta decisão do Ministro das Finanças tomada no
âmbito do plano de austeridade, o também conselheiro
de Estado anunciou que vai “pôr o Estado em tribunal”.
PÚBLICO - Por Tolentino de Nóbrega
***
E o homem até tem razão. Isto de tomar medidas com efeitos retroactivos - como fizeram com os desempregados, que lhes alteraram as regras do jogo a meio do campeonato, quando já estavam a receber a prestação do seu subsídio de desemprego, segundo as normas vigentes, à data do início da sua inscrição, como desempregados, nos centros de emprego - também é escandaloso e inconstitucional. E, na altura, Alberto João Jardim não se fez ouvir com a sua voz tonitruante.

Um Poema ao Acaso: Um outro Poema de Amor- Nuno Júdice

Um outro Poema de Amor

No fundo, as relações entre mim e ti
cabem na palma da mão:
onde o teu corpo se esconde e
de onde,
quando sopro por entre os dedos,
foge como fumo
um pequeno pássaro,
ou um simples segredo
que guardávamos para a noite.
.
Nuno Júdice

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O colonialismo português até na onomástica foi perverso!...

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Universidade tem curso sobre Lady Gaga


Lady Gaga e a Sociologia da Fama" é o nome da
cadeira lecionada por um professor fã da estrela
pop na Universidade da Carolina do Sul.
O curso deverá abrir na primavera do próximo ano,
partindo da análise de Lady Gaga como "um evento
social", nas palavras do professor Mathieu Deflem,
sociólogo belga e grande fã da cantora, que já a viu
em 30 concertos.
VISÃO
***
Quando a moda chegar a Portugal, desconfio que a escolha irá recair sobre a Carolina Salgado. E ela não precisou da "merda" do Facebook, a ferramenta internautica mais estupidificante, para ter sido possível constituir-se num caso de estudo na área da Sociologia da Comunicação, se algum iluminado professor desta área do conhecimento se tivesse lembrado em ser original e inovador. A ela bastou-lhe o Pinto da Costa. Não sendo a Carolina Salgado, só vejo, como alternativa, a Lili Caneças.
A Sociologia da Comunicação tem conseguido avanços notáveis nos últimos cinquenta anos, a tal ponto, que já é uma disciplina científica autónoma, ganhando o seu próprio espaço, ao nível das metodologias e das abordagens desenvolvidas na investigação, e conseguindo libertar-se assim, progressivamente, da tutela da Sociologia Geral e da Psicologia, das quais ainda recebe contributos, embora também já consiga retribuir com os seus. Mas a ideia do professor Mathieu Deflem encontra-se, à partida, contaminada, pela aparente falta de neutralidade, em relação ao objecto do estudo, já que, ele, como fanático admirador da pequena, segundo confessa, está a desenvolver uma ligação afectiva e emocional, que o pode levar à formulação de ideias pré-concebidas e de juízos de valores eivados de parcialidade, ingredientes que poderão vir revelar-se fatais para o rigor analítico que a ciência exige. O facto de espalhafatosamente apresentar o seu novo curso, já deixa algumas dúvidas sobre a provável intenção profunda que o anima. O curso deveria desenrolar-se sem este escusado mediatismo, no recato da universidade. A não ser que o professor tenha desejado emocionar a diva, que, certamente, surpreendida com a importância do evento, sentiu aquele frémito a subir-lhe pela espinha e a eriçar-lhe o corpo, idêntico àqueles que qualquer mulher sente, quando um poeta lhe dedica um poema. Isto até poderá vir a transformar-se num idílio sublime se Lady Gaga suspeitar que, com esta aliança entre a ciência e a música pop e entre a universidade e o espectáculo, os neurónios ainda voltarão a crescer-lhe, só não se sabendo para que parte do corpo eles irão migrar. Só espero que Lady Gaga não seja convidada para dar uma aula.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Um Poema ao Acaso: A lua e Marilyn - de Jorge de Sousa Braga

Andy Warhol’s

A lua e Marilyn

Tinha duas faces como a lua
Uma que toda a gente conhece
e outra (a que nunca se vê, a que não reflecte o sol)
e que ninguém (ou quase ninguém) está interessado em conhecer
É esse o teu lado que me fascina
que sempre me fascinou
Pousavas sobre as coisas (uma bicicleta, os lábios de Yves Montand)
como uma borboleta
e não pesavas mais do que isso
e o écran ficava amarelo quando te punhas a sacudir
o pólen que trazias agarrado nas mãos
Eu que sempre gostei de ir ao fundo de tudo
(e acabo por me ficar pela superfície de tudo)
custa-me a entender como é que tu ao passares a língua
pela casca de um fruto carnudo
lhe ficavas logo a conhecer o sabor ácido da polpa

90-60-90…

São essas rigorosamente as medidas do universo
em que te movias
as medidas do pesadelo
que faz com que de manhã o céu acorde com olheiras enormes
e eu todo partido como se tivesse levado uma grande surra
Vejo-te a navegar num mar onde milhares de homens
desaguam desesperadamente
O mar está encapelado
Nem me dou conta que está morta –
Subiram o pano
A sessão da tarde vai começar…
Gostaria de me encontrar depois contigo
num dos manicómios desta cidade
(há vários e vai ser difícil escolher)
Talvez nos pudéssemos dedicar aí a cultivar rosas
amarelas e fragrantes
nos jardins da nossa inconsistência

Jorge de Sousa Braga
O Poeta Nu
Lisboa, Fenda, 1999

Estatística do Alpendre da Lua - Outubro de 2010

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Visitas mensais
*
Visitas diárias do mês de Outubro 2010


Distribuição das últimas 100 visitas por países
***
O mês de Outubro confirmou o forte aumento do número de visitas (2.580), verificado em Setembro (2.630), o que de certa forma já permite concluir, ainda que não definitivamente, que não se tratou de um crescimento ocasional. Verificou-se, certamente, após o mês de Agosto, a chegada de um número significativo de novos visitantes, que acabaram por se fidelizar, tal como se verificou, anteriormente, com o registo de uma forte fidelização dos leitores mais antigos, alguns deles desde a primeira hora.
Estes resultados são, ao mesmo tempo, gratificantes e estimulantes, o que obriga a uma maior responsabilização da parte do editor.
Apenas se lamente a muito fraca participação dos leitores, através dos comentários, na discussão dos diversos temas que têm sido abordados. E a opinião dos leitores é tão ou mais importante do que a do editor. Por isso, todos os comentários serão bem acolhidos neste espaço, que se pretende aberto e plural.
Saudações
Alexandre de Castro

Nestas situações, o que é preciso é ter imaginação...


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Imagens inéditas do III Reich (5) - FIM


IMPRESSIONANTE A QUALIDADE DAS FOTOS TIRADAS HÁ CERCA DE 7O ANOS. III.REICH, PELA REVISTA LIFE (1939-1940)

As fotos foram feitas por um fotógrafo da Revista Life entre 1939 e 1940 em Berlin e ficaram desaparecidas por mais de 50 anos, pois esse fotógrafo americano desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua máquina fotográfica marca Rolleiflex e esses diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas) a maioria em 6 x 9 polegadas (vejam os detalhes das molduras originais dos cromos).Esses cromos foram achados por uma enfermeira alemã de um hospital em Berlin, que os guardou todos esses anos. Após a sua morte, sua filha os achou e devolveu ao atual editor americano que tem os direitos da marca Life Magazine, que não é mais publicada desde o início dos anos 70.Interessante o fusca VW em 1939, um fantástico avanço tecnológico na época.E a Eva Anna Paula Braun. Exatamente como descrito no livro: "O menino do pijama listrado" - (mais bonita que as atrizes escolhidas para o papel nos filmes).










Amabilidade do João Fráguas, que enviou estas imagens.

Javier Limón agua misteriosa videoclip oficial mujeres de agua

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Há magia nesta música. Mexe no sangue. Vem misturada com os cheiros desta amálgama de gentes que a História cruzou no coração da Espanha. Lembro-me sempre de Lorca e da pureza da sua poesia. Do esplendor de Granada e do tom avermelhado das muralhas de Alhambra, dos touros pujantes saídos dos dedos de Picasso e do flamenco, essa dança feiticeira, de beleza e mistério. Lembro-me dessa Espanha, que sempre me seduziu, desde que visitei Salamanca, no fim da minha adolescência. A Espanha de Unamuno e de Ortega y Gasset. A Espanha, enfim, que se aprende a amar uma primeira vez e que nunca mais se esquece.

CAVACO SILVA TEM RAZÕES MUITO SÉRIAS PARA NÃO QUERER OUTDOORS NA CAMPANHA…

4 MIL MILHÕES DE EUROS!!!

Um Poema ao Acaso: Uma Paixão - Al Berto

Uma Paixão

Visita-me enquanto não envelheço
toma estas palavras cheias de medo e surpreende-me
com teu rosto de Modigliani suicidado
.
tenho uma varanda ampla cheia de malvas
e o marulhar das noites povoadas de peixes voadores
vem
.
ver-me antes que a bruma contamine os alicerces
as pedras nacaradas deste vulcão a lava do desejo
subindo à boca sulfurosa dos espelhos
vem
.
antes que desperte em mim o grito
de alguma terna Jeanne Hébuterne a paixão
derrama-se quando tua ausência se prende às veias
prontas a esvaziarem-se do rubro ouro
perco-te no sono das marítimas paisagens
estas feridas de barro e quartzos
olhos escancarados para a infindável água
vem
..
com teu sabor de açúcar queimado em redor da noite
sonhar perto do coração que não sabe como tocar-te
.
Al Berto

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Poema declamado: Ode ao filho da puta - João Negreiros

***
Amabilidade da Maria José Meireles, que enviou o
vídeo e, posteriormente, o texto, a propósito do poema
de Alberto Pimenta, publicado, há dias, neste espaço.
***
ode ao filho da puta
e querem estes filhos da puta que a gente lhes dê ouvidos quando nem temos o que comer
porque os filhos da puta se alambazaram antes de nós e deixaram-nos na toalha uma côdea
porque disseram que não era bom que tivéssemos miolos
e querem estes filhos da puta que confiemos neles e na merda dos fatinhos de pronto a vestir que lhes escolheu a amante ou a mulher enquanto ele a encornava
e querem estes filhos da puta que a gente goste deles quando eles não gostam de nós
os cabrões dizem bem de tudo e mal de todos e vão aos urinóis olhar para a cobra cega uns dos outros
só para ver qual é o que tem mais peçonha
o senhor ministro leva aí um belo instrumento
ó Sousa isto não é nada mas já agora sacuda-ma para não me pingar para o fato
e depois fazem um número nas entrevistas do canal cultural em que mostram as fotografias que tiraram na praia numa ilha qualquer miserável do Pacífico
e querem que a gente acredite que eles são humanos só porque andam de fato de banho
grandes filhos da puta
eu queria era que um ciclone desse lá um saltinho e os levasse a todos para o inferno
se bem que o diabo não tem culpa nenhuma porque só está a fazer o trabalho dele e não merece ter que levar com os vossos discursos
ai os discursos
os filhos da puta dos discursos
os discursos dos filhos da puta a dizer que é importante que os grunhos que não sabem ler venham da terrinha para a guerrinha combater lá uns gajos que nem falam português
que um gajo para os matar tem que aprender a ler
e depois ainda tem que aprender a falar estrangeiro
e não é que os filhos da puta mandam a malta para lá sem sequer um curso de línguas
e depois ainda vão ao enterro abraçar os orfãozinhos e comer-lhes os croquetes
e quando a viúva chega a casa e liga a televisão é só paz por uns tempos mas depois
quando o coveiro começa a ganhar o fôlego
trata de comprar mais uma carrada de F17 que se vendem à grosa
mas para os países de terceiro mundo até pode ser avulso
e lá vão mais uns provincianos da terra p’rá guerra
e morrem sem saber ler nem escrever
e matam sem saber ler nem escrever
e depois quem fica por cá sente aquilo tudo pelos noticiários como se fosse connosco
e quem não tem TV sente pelos GNR com metralhadora à porta das embaixadas
que para nós é um brasileiro a dar toques
mas para os outros é um consolo ou um consulado
e os filhos da puta nem sequer apanham trânsito
nem cheiram o sovaco do autocarro porque têm batedores que lhes fazem as claras em castelo p’ra que cheguem depressa ao palácio e se alambazem com as natas
e depois são os nossos representantes
esses filhos da puta
que falam como quem se peida
que gritam como quem caga mandam nesta merda toda
e a liberdade e o genocídio são irmãos gémeos que vestem de igual e que lambem o mesmo chupa-chupa que é uma terra miserável a nadar em ouro negro
e a gente olha para eles e diz
aquele animal não pode ser o nosso presidente mas é o filho da puta é
aquele animal não pode ser o nosso ministro mas é o filho da puta é
e é vê-los todos a rir que quase lhes saem os dentes fora quando o espectáculo acaba
a gozar com o povinho que anda com eles às costas
e cada vez nos dói mais mas às vezes parece que não
que quando dizemos que nos dói muito os que ainda carregam mais que nós dizem que nem é tanto assim que
agora andamos menos corcundas mas só me sinto sempre de gatas
e os meus irmãos dizem ser psicológico que antigamente é que era
que isto agora não é nada
dantes é que eles eram mesmo filhos da puta
agora disfarçam bem
e é tudo tão claro
estamos todos tão bem informados que já não há lugar para um bufo como eu
um bufo que denuncia os amigos que não prestam
um bufo que aponta o dedo a quem se deixa matar
um bufo que puxa a língua a quem acha que é melhor estar calado
e eu quero sê-lo para que esses filhos da puta não levem sempre a melhor
assim vão levar quase sempre a melhor
e vão beijar menos órfãos e violar menos viúvas
e na tristeza deles encontro a minha razão de viver
é no espaço que vai da relativa felicidade até à felicidade absoluta de um filho da puta que eu me encontro
e vou ficar lá para sempre a fazer barulho como o sino que lembra ao operário que a hora de almoço chegou
e que ele pode comer
mesmo que não tenha fome
mesmo que não saiba mastigar
mesmo que a marmita que trouxe de casa há séculos atrás lhe pareça uma miragem
mesmo que já não se recorde de quem é
de onde vem
e quanto sofreram seus pais na tortura
na prisão
na pobreza
mesmo que já não tenha ideia dos tempos que já passaram
das pessoas que já não estão
e das almas sem corpo que nos pedem todos os dias baixinho para resistir
resistir mesmo sem forças
sem futuro
e sem lembrar o passado.
.
João Negreiros
in "luto lento"
***
João Negreiros é o a autor deste poema por si declamado. Tive a oportunidade de ouvir (ler) um outro, a que o leitor pode ter acesso, através da hiperligação, indicada em baixo, onde o autor pronuncia uma frase, que me deixou pensativo. Diz João Negreiros, com algum crueza e realismo:
Quero gastar as únicas energias a fazer a manutenção às memórias.
Mortífera, esta frase, a provocar um esgar de pânico e um surdo alarme, perante inevitabilidade de um dia nem sequer poder reconhecer-me, naquilo que fui, do que sou ainda e do que ainda posso vir a ser. Perder a memória é perder a seiva mais fecunda da árvore que há em cada um de nós. É como se, na escada que já se desce, um dos degraus falhasse e nos precipitássemos em queda livre num sótão, onde reina uma escuridão medonha.
O grande escritor José Cardoso Pires dizia que, para a escrita, a memória é mais importante do que a inteligência.

Santos e Pecadores- Fala-me de amor

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Todos os grunhidos de amor são ridículos. Excepto os de cada um de nós, aos quais reconhecemos autenticidade sentimental...

É a vantagem da propriedade horizontal...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou esta imagem
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Ou a sua desvantagem, na perspectiva dos interesses do senhor do chapéu. O gato é que não estava no guião...

Um Poema ao Acaso: Princípio do escuro - Margarida Vale de Gato


PRINCÍPIO DO ESCURO

Acordei hoje como se fosse natural-
mente necessário ter o comprimento
do teu corpo na minha cama e estranhei
que não me abraçasses, nem preenchesse
o encaixe da tua pélvis
as minhas nádegas, a tua mão
sobre o meu monte, os teus joelhos
encostados à dobra onde os meus flectem

Vês daí como tudo ainda e sempre
treme continuamente, e a descompasso
do real, todos os dias tenho calores
de imaginação, trabalho a libido
do cansaço, se fecho os olhos não durmo,
encho-me, ao invés, de fricções. Depois
no outro plano, já sentiste, custa-me
estar presente: das consecutivas vezes
que nos tocámos na boca, estudei os beijos
como uma alegoria embaraçosa:
tudo sob o comando diferido
da cabeça, com tensão mais que tesão,
a minha língua esgrimia a tua, quase
nada clamava ou humedecia, talvez
exceptuando um latido pequeno de amor
a pingar com irritação, não sei,
e além do mais haveria a indagar
se são de facto compatíveis nossas
espécies, se nisso há inevitabilidade,
ou onde preciso das tuas carícias
nos anéis das cervicais ou dedos
na pele ou o princípio do escuro
a partir do perímetro da cintura.

Margarida Vale de Gato,

in O prisma das muitas cores - Poesia de Amor Portuguesa e Brasileira, org. Victor Oliveira Mateus, Labirinto, Outubro de 2010, p. 120.