Páginas

sábado, 16 de outubro de 2010

Uma fotografia ao acaso...

Estas duas belas mocinhas estão prontas para dar tudo pelo défice e pela Pátria.

Governo quer apresentar proposta de alteração da Lei de Imprensa

O Governo pretende apresentar em 2011 uma
proposta de alteração à Lei de Imprensa, segundo
a versão preliminar do Orçamento do Estado para
o próximo ano.
O objectivo é “contribuir para o incremento das
condições de transparência e pluralismo dos órgãos
de comunicação social”, refere o documento, no âmbito
das actividades da Presidência do Conselho de Ministros.
PÚBLICO
***
Alterar a Lei de Imprensa é uma obsessão permanente de José Sócrates. Já no seu primeiro mandato, as duas primeiras iniciativas legislativas que fez avançar, envolviam a alteração daquela lei fundamental da comunicação social e a alteração das férias judiciais, esta última logo entendida como um ataque aos juízes e aos magistrados do Ministério Público. Mais tarde, perante os diversos escândalos em que ele apareceu envolvido, percebeu-se perfeitamente qual a sua secreta intenção. Seria daqueles dois importantes pilares que o perigo poderia surgir. E foi realmente isso o que veio a acontecer. Se a Lei de Imprensa tivesse sido consagrada, tal como a proposta do governo pretendia, em que se pretendia arrasar o princípio da protecção das fontes de informação dos jornalistas, em sede judicial, todos aqueles escândalos facilmente seriam controlados. Tratava-se de reintroduzir a censura, embora de uma forma encapotada. Também a nível judicial, o governo pretendia, para efeitos de investigação criminal, impor o princípio de oportunidade, o que permitiria, caso fosse consagrado, escolher à pinça, por via administrativa e por decisão unilateral do Procurador Geral da República, um cargo de escolha governamental, o que deveria ser investigado prioritariamente.
Agora, aproveitando oportunisticamente a discussão e a aprovação do Orçamento de Estado, inclui-se naquele documento, de forma aberrante, uma lei que não tem nada a ver directamente com as finanças públicas. Também aqui a intenção é clara. O objectivo é diluir esta proposta no emaranhado das questões económicas e financeiras, tentando assim anular a previsível reacção negativa dos jornalistas, caso a Lei de Imprensa fosse dicutida autonomamente.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

As fotografias do meu descontentamento: A Guerra do Vietname



Há pesadelos que a memória nunca mais consegue apagar. A ignomía e a brutalidade a tornarem cada vez mais ténue a frágil fronteira entre a vida e a morte.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Sinais exteriores de riqueza!...

É aos moradores deste tipo de prédios que José Sócrates deve sacar dinheiro para cobrir o défice orçamental. Quem exibe antenas parabólicas deste tipo, é porque tem mais de 100 mil euros em contas bancárias.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Notas do meu rodapé: O euro tem futuro?

Megafundo para estabilizar o euro "provavelmente tornar-se-á permanente
.MMMm.
O megafundo europeu para a apoiar os países
da zona euro em dificuldades, criado na sequência
da crise da dívida grega, deverá ser tornado
permanente, afirmou hoje em Lisboa o comissário
europeu responsável pelo orçamento da União
Europeia, Janusz Lewandoski.
PÚBLICO
***
Tornar o provisório em definitivo é uma especificidade portuguesa, que, pelos vistos, já contaminou a União Europeia. Pelo menos, já temos alguma coisa com que nos orgulhar, além do Cristiano Ronaldo e do Mourinho.
Mal foi conhecida a intenção de institucionalizar de forma permanente o Fundo de Estabilização do Euro, criado em Maio passado, para acudir à aflição grega, a chanceler Angela Merkel veio imediatamente afirmar que não estava para aí virada, ao mesmo tempo que exigia a aplicação de sanções muito pesadas aos países que não equilibrassem as suas contas públicas, de acordo com o Pacto de Estabilidade e Crescimento. Sendo o maior contribuinte da União Europeia, a Alemanha não está disposta a suportar os excessos dos países indisciplinados, onde se inclui Portugal.
Mas a institucionalização daquele fundo é uma inevitabilidade, já que, desde o início da sua fundação, a moeda única europeia enferma de um defeito congénito, que consiste na ausência de uma política orçamental centralizada, dirigida e coordenada por quem administra e emite essa moeda. A institucionalização daquele fundo vai conduzir inevitavelmente a um aumento de poderes da comissão europeia, que vai querer aprovar os orçamentos anuais de cada país, antes da sua apresentação aos respectivos parlamentos nacionais. Este é um primeiro passo para a emergência da pulsão federalista europeia, com o BCE a centralizar uma única dívida soberana e a elaborar, em colaboração com cada estado da zona euro, um orçamento europeu, comum a esses estados. Deste modo, a avaliação de risco da dívida soberana exercer-se-ia apenas, ao nível daquele orçamento comum. A ideia, numa visão estritamente económica, tem toda a razão de ser, já que quem emite moeda tem de controlar o orçamento, até para poder jogar com as variáveis da desvalorização e valorização, de acordo com a competitividade da economia e da necessidade de estimular as exportações e impor constrangimentos às importações. Mas esta tarefa centralizadora vai ter de enfrentar muitos obstáculos, uns, de natureza económica, uma vez que o estadio de desenvolvimento é diferente em cada país e os seus interesses estratégicos também não são coincidentes, e outros, de natureza política, devido aos nacionalismos entranhados em cada país.
E é devido a estas enormes dificuldades estruturais, que muitos acreditam que o euro não tem condições para sobreviver no futuro.

O regabofe continua!...

Tacho para a cunhada de José Sócrates
.
Cunhada de Sócrates é assessora na EPAL
.
A EPAL, empresa pública tutelada pelo Ministério do Ambiente, contratou em Junho deste ano, já em plena derrapagem das contas públicas, a cunhada do primeiro-ministro para assessora do conselho de administração. A admissão de Mara Mesquita Carvalho Fava, irmã de Sofia Fava (ex-mulher de José Sócrates), nos quadros da EPAL ocorreu após quase dois anos como trabalhadora da empresa a recibos verdes. A cunhada de José Sócrates terá um salário mensal bruto de 2103 euros, acrescido de 21,5% do ordenado por isenção de horário de trabalho.O ingresso de Mara Fava nos quadros da EPAL foi revelado pelo próprio jornal da empresa: na edição de Junho de 2010 do ‘Águas Livres’, na coluna Movimento de Pessoal, indica-se que foram admitidas Mara Fava e Mariana Barreto Dias de Castro Henriques, mulher de Jorge Moreira da Silva, ex-secretário de Estado do Ambiente, ex-consultor do Presidente da República e vice-presidente do PSD.
A Comissão de Trabalhadores, em resposta ao CM, assume que o assunto "é falado entre os trabalhadores da EPAL e em termos nada abonatórios para os envolvidos directa ou indirectamente na sua admissão, assim como para a justificação do vencimento mais isenção de horário de trabalho".
COMENTÁRIO: Assessora de um assessor!!!! looooooooooooooool 2103€ + 452€ (21,5%) = 2555€ por mês!!! Para quem era precária....de um momento para o outro não é nada mau!!! É para isto que servem os Institutos Públicos, Empresas Públicas e Municipais, Fundações...
***
Este texto foi rebido por email e foi publicado na íntegra.

Maurice Bejart- Bolero de Ravel

***
Uma peça coreográfica de rara beleza, explorando o sincronismo de duas linguagens, a musical e a corporal, e servida por uma execução técnica perfeita. O desenho coreográfico, bem balizado pelos batimentos musicais, e com uma exactidão de movimentos, como se fossem traçados a régua e esquadro, amplia a dimensão estética do conjunto.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Função Pública

*
Umas aulas de Canto no Conservatório, com a respectiva avaliação, não seriam demais para afinar a voz a esta meia dúzia de funcionários públicos. E com uma partitura diferente, claro. Eu aconselharia a optarem pelo canto gregoriano.

Portugal já se transformou num circo: Ministro das Finanças Suíço fala sobre Portugal

Depois do justificado alerta do leitor e amigo João Grazina, este vídeo foi retirado, pois não foi possível comprovar a sua fidedignidade. A justificação sobre a decisão de manter o texto encontra-se no comentário de agradecimento, endereçado ao João Grazina, a quem mais uma vez agradeço a oportuna intervenção. Aos leitores, o pedido de desculpa pelo erro cometido.
Alexandre de Castro
***
Eu já afirmei aqui várias vezes que Portugal não podia ter um primeiro-ministro sob suspeita permanente e com o qual o chefe do principal da oposição já se recusa a reunir a sós. Se já é humilhante, perante a Europa e perante o mundo, exibirmos a nossa indigência e inépcia, mais grave é ainda proporcionarmos motivos para o espectáculo da chacota universal.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Uma pedrada no charco num país que está a afundar-se...


A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres
humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família.
Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três
anos. Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição
da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.
Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.
Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

Pedro Afonso
Médico psiquiatra

PÚBLICO, 21-06-2010

Sugestão do João Fráguas

Infertilidade: Tratamentos na Maternidade Alfredo da Costa “brutalmente” interrompidos após circular da tutela


As mulheres que estão a fazer tratamentos de
infertilidade pela segunda vez este ano na
Maternidade Alfredo da Costa (MAC) estão a ver
o processo “brutalmente” interrompido por
determinação da tutela, mesmo aquelas que já
receberam várias injecções hormonais.
PÚBLICO
***
O governo renunciou à destruição por implosão do Serviço Nacional de Saúde, como pretendia o PSD. Optou por destruí-lo tijolo a tijolo, para não levantar muita poeira..
O governo também já fez saber que o princípio da não retroactividade das medidas para combater défice apenas se aplica às situações de quem está acumular pensões e vencimentos. Só nos casos futuros, é que aquela acumulação não será permitida. Em todas as outras situações, aplica-se aquele princípio. Temo que nem os mortos dos cemitérios escapem à sanha do governo.

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Manoel Carlos, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue.

domingo, 10 de outubro de 2010

Imagens inéditas do III Reich (1)


IMPRESSIONANTE A QUALIDADE DAS FOTOS TIRADAS HÁ CERCA DE 7O ANOS. III.REICH, PELA REVISTA LIFE (1939-1940)
As fotos foram feitas por um fotógrafo da Revista Life entre 1939 e 1940 em Berlin e ficaram desaparecidas por mais de 50 anos, pois esse fotógrafo americano desapareceu logo no início do conflito, juntamente com a sua máquina fotográfica marca Rolleiflex e esses diapositivos originais (utilizados na época para reprodução em revistas) a maioria em 6 x 9 polegadas (vejam os detalhes das molduras originais dos cromos). Esses cromos foram achados por uma enfermeira alemã de um hospital em Berlin, que os guardou todos esses anos. Após a sua morte, sua filha os achou e devolveu ao atual editor americano que tem os direitos da marca Life Magazine, que já não é publicada desde o início dos anos 70. Interessante o fusca VW em 1939, um fantástico avanço tecnológico na época. E a Eva Anna Paula Braun. Exatamente como descrito no livro: "O menino do pijama listrado" - (mais bonita que as atrizes escolhidas para o papel nos filmes)
Clicar na imagem para a ampliar
*

*


*
*

*

*

*

*

*

*
Amabilidade do João Fráguas

sábado, 9 de outubro de 2010

Um Poema ao Acaso: Fomos apanhados a desaparecer



Fomos apanhados a desaparecer

Fomos apanhados a desaparecer
do mundo, uma noite em Madrid,
cobertos de decibéis e querosene,
depois de termos gasto metade do corpo
em tratados de tauromaquia,
massagens idiomáticas
e aulas práticas de suicídio
reversivo.
Era costume atirarmo-nos para a noite
e darmos saltos ornamentais
da plataforma da vida
para uma piscina de corpos
com menos de um metro de profundidade
e águas amarelas.
Era nítido o desejo pelo desaparecimento,
como uma aparição em ruínas.
Mas a pátria recomeçava invariavelmente no dia seguinte,
bombardeada e indiferente.

Hasta aquella fría noche de Madrid,
en una casa ubicada en la Avenida de los Aparentes,
cuando hemos por fín comprendido
la sagrada inutilidad de desaparecer.

André Domingues
(Do Amor Mau)

Os novos cavalos da GNR...

Amabilidade do João Fráguas, que enviou esta imagem

Finalmente, o Governo começou a reduzir as despesas do Estado. Os animais passarão a ser alimentados com palha transgénica.

Para os membros de GREVE GERAL contra o ataque brutal - Dia 24 Novembro*

Do ataque feito aos trabalhadores e outras camadas da população que o Governo tem feito e continua a fazer consta a intenção de privatizar um conjunto de empresas que são altamente rentáveis financeiramente e socialmente necessárias para prestarem serviços no ambito do que se considera serviços publicos.Claro que a intenção do Governo é entregar estas empresas a Grupos Económicos como aconteceu com outras privatizações.Os utentes passam a pagar os serviços mais caros, há sempre redução /despedimentos de trabalhadores, serviços prestados em condiçoes defecientes e claro que muitos lucros para os futuros propriétarios que arrajam logo forma de não pagarem impostos.
Jorge Antunes Jorge
*Texto retirado do Facebook

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

É preciso ter lata!...


Proibição de acumular pensão com salário só se aplica para o futuro
Primeiro sim, depois não e agora de novo sim. O Governo
recuou e, afinal, quem está a acumular salários com
pensões do Estado poderá manter-se nesta situação.
De acordo com as explicações dadas ao início da tarde pelo
Ministro das Finanças, a norma que proíbe a acumulação
de salários com pensões suportados pelo Estado só se
aplicará às situações futuras.
PÚBLICO
***
É curioso que, para os desempregados, não foi utilizado o mesmo critério, em relação ao subsídio de desemprego e ao subsídio social de desemprego. Sem contemplações, as gravosas alterações introduzidas abrangeram também quem já estava a receber aquelas prestações sociais. É preciso ter lata, na verdade!
http://economia.publico.pt/Noticia/proibicao-de-acumular-pensao-com-salario-so-se-aplica-para-o-futuro_1460110

Agradecimento

O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao Kaplan, pela sua decisão de se inscrever como amigo deste blogue. É uma presença da Galiza, que se junta a este painel.

Não há dúvida nenhuma: Elas é que mandam!...

Clicar na imagem para a ampliarAmabilidade do amigo João Fráguas

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Mineiros chilenos.33 Homenagem (Geogirna Efigénio)

Amabilidade de Maria Alonso Seisdedos, que enviou o vídeo.

De forma admirável, do ponto de vista pictórico, e numa manifestação de homenagem, a pintora Georgina Efigénio retratou o rosto dos 33 mineiros chilenos, que, desde há dois meses, continuam presos numa mina, a 700 metros de profundidade. Um caso trágico que emocionou o mundo.
A visualização do objecto do trabalho teria sido feita, segundo creio, através das fotografias dos mineiros, publicadas nos jornais, o que aumentou o grau de dificuldade da tarefa. Para a obviar, Geornina Efigénio refugiou-se na opção do contraste do preto e do branco, o que lhe permitiu, sem defraudar o rigor das expressões faciais, prescindir da observação dos pormenores pouco significativos, detendo-se antes, e carregando-os com o seu traço vigoroso, naqueles que, por si só, marcam a identidade de cada rosto. Por outro lado, a opção pelo preto e branco reproduz melhor o ambiente escuro de uma mina. Há pois, em todas as figuras, uma força pictórica a emergir com vigor e realismo, que o jogo de sombras, bem marcadas e a alternar com o branco, reforça.
Trata-se de um trabalho artístico primoroso de técnica e de arte.
Oportuno, o enquadramento musical com a voz rouca da grande cantora argentina, Mercedes Soza, que o Alpendre da Lua homenageou no ano passado, depois de conhecida a sua morte, em 4 de Outubro.

Estudo sobre sexo oral dos morcegos vence Prémio IgNobel



Prémio IgNobel 2010 de Biologia, sobre
o lado mais divertido e disparatado da
Ciência, foi para estudo sobre sexo oral
entre morcegos. Galardão foi atribuído
pela revista "Anais da Investigação
Improvável".
Tudo o que você queria saber sobre o sexo
dos morcegos, como recolher o muco das
baleias, ou, ainda, uma maneira invulgar
de aliviar a dor humana, constam dos estudos
distinguidos na edição 2010 do prémio
IgNobel , uma paródia ao Nobel. Dez
investigadores foram apresentados como
vencedores numa cerimónia realizada no
Sanders Theatre da Universidade de Harvard,
EUA.
Sabia, por exemplo, que os morcegos fazem sexo
oral? Pois fazem. Assim o provou a equipa de
cientistas chineses liderados por Min Tan, do
Instituto Entomológico de Guandong - com a
participação de Gareth Jones da Universidade de
Bristol, Grã-Bretanha -, que acaba de receber o
prémio IgNobel na categoria de Biologia, com o
primeiro caso documentado de felação praticada
pelos morcegos.
Expresso
***
Eu não vos dizia, a propósito daquele rapaz que conseguiu fazer a proeza de meter a ponta da sua língua no seu próprio nariz, que existem inúmeras janelas de oportunidades a explorar num nicho de mercado em franca expansão? Até os morcegos já entenderam isto!

António José Seguro: portugueses “estão fartos de fazerem sacrifícios sem ver resultados"



O possível candidato à sucessão de José Sócrates
considera “inaceitável” que os sacrifícios não
estejam a ser pedidos a todos, especialmente
àqueles que mais têm.
O deputado socialista António José Seguro lançou,
na noite de terça-feira, fortes críticas ao Governo
e às recentes medidas de combate à crise financeira.
Para o presidente da Comissão de Assuntos
Económicos da Assembleia da República é
“inaceitável que quando se pedem sacrifícios aos
portugueses, não sejam todos, em particular aqueles
que mais têm, a dar esse exemplo e a fazer mais
sacrifícios”.
PÚBLICO
***
António José Seguro, ao exprimir a sua opinião pessoal sobre a perversidade das medidas de combate à crise financeira, veio também dar voz aos milhares de socialistas que, ainda em silêncio, começaram já a perceber o embuste deste governo e a maquiavélica acção do primeiro-ministro José Sócrates.
Aqui, no Alpendre da Lua, em recentes artigos, temos denunciado a falta de equidade na repartição dos sacrifícios, cuja inutilidade o tempo futuro se encarregará de evidenciar. A receita neo-liberal vai conduzir o país para a ruína. Com o desemprego, previsivelmente, a subir em flecha e a pobreza a alastrar, poder-se-à chegar a uma ruptura social gravíssima.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Inovação & Desenvolvimento

Este rapaz, se começar a pôr a língua a render, enriquecerá rapidamente. Ele, possivelmente, é que ainda não descobriu a janela de oportunidade que um nicho de mercado, em franco crescimento, lhe poderá abrir.
Simplesmente, estou a utilizar o jargão da linguagem da economia. Nada mais... nem sequer, estou a expressar segundas intenções. Essas ficarão a cargo do leitor.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Homenagem à 1ª República Portuguesa

A Revolução de 5 de Outubro de 1910

Notas do meu rodapé: Economia portuguesa a caminho da anemia


As severas medidas restritivas anti-crise, que o governo tem vindo a implementar desde o início do ano, não se destinam apenas a cumprir o objectivo orçamental de correcção do défice das contas públicas, imposto pelo Programa de Estabilidade e Crescimento da União Europeia. Existe um outro objectivo oculto, que, por impopular, não é referido publicamente, e que se centra na necessidade de baixar o custo unitário do trabalho para, desta forma miserabilista, aumentar a competitividade externa.
Com o investimento público e privado em declínio e sem grandes expectativas de conseguir um significativo aumento das exportações, principalmente, devido às incertezas sobre evolução da economia espanhola, uma das principais clientes, o governo optou por assumir medidas que vão diminuir o consumo, principalmente o consumo privado. O aumento do IVA para 23 por cento é a medida mais emblemática desta estratégia. Os cortes dos apoios sociais e a anunciada intenção de passar a cobrar IRS aos reformados que, devido ao baixo valor das suas reformas, se encontravam isentos daquele imposto, aponta no mesmo sentido. Aliás foi este o conselho da OCDE, quando no seu boletim, Economic Survey of Portugal 2010, afirmava que “é necessário restaurar a competitividade da economia portuguesa mediante um aumento da produtividade e uma transferência do consumo para as exportações como motor do crescimento”.
Estamos perante uma confissão clara da incapacidade da economia portuguesa conseguir aumentar a sua competitividade externa através da inovação e desenvolvimento, quer por incúria dos últimos governos, quer pelo comodismo atávico dos empresários, que, habituados ao proteccionismo do Estado, nunca aprenderam a competir com audácia nos mercados externos nem perceberam a tempo a mudança de paradigma que a globalização impôs, de forma radical e incontornável.
Perante este quadro, a economia portuguesa irá descer nos próximos anos no ranking mundial, como resultado do empobrecimento do país. Por outro lado, os custos da estratégia deste governo irão repercutir-se ao nível do emprego e ao do agravamento da desigualdade social. Durante os próximos anos, Portugal terá de conviver com uma taxa de desemprego muito elevada e com o aumento generalizado da pobreza.

Viva a República!...

A revolução de 5 de Outubro, que implantou o regime republicano, foi também uma revolução generosa, que procurou abnegadamente devolver ao povo português a sua dignidade, que a dinastia dos braganças tinha usurpado. Por erro dos homens e pela acção dos que contra ela sempre conspiraram, não cumpriu integralmente o seu destino. Mas cumpriu a democracia!

domingo, 3 de outubro de 2010

Governo compra Mercedes de 141 mil euros



O objectivo do Governo é receber as altas individualidades
estrangeiras e os convidados do Estado com dignidade e
cumprindo "as obrigações protocolares". O automóvel
utilizado até aqui era já em segunda mão quando foi comprado
em 1998 (um BMW 750 iLA), estava "tecnologicamente
desactualizado" e apresentava uma factura muito alta em
manutenção (desde 2004 já gastara 38.308 euros) e precisava
agora de uma intervenção de 23 mil euros. A decisão?
Optar por um novo.
PÚBLICO
***
Também o chefe do governo deveria ser abatido ao efectivo e substituído por um novo primeiro-ministro, adquirido através do sistema de leasing. É que o actual já está "tecnologicamente desactualizado" e começa a apresentar uma "factura muito alta" em despesas de manutenção.

Quem não tem cão, caça com um gato!...


Mais de um milhão de pensionistas passam a pagar IRS


Ao contrário do que acontecia até agora, um
pensionista com um rendimento anual de seis
mil euros verá 2112 euros dos seus rendimentos
serem sujeitos a IRS já no próximo ano.
As medidas de combate ao défice anunciadas pelo
Governo vão afectar directamente os rendimentos
de mais de um milhão de pensionistas até agora
isentos do pagamento de IRS. As contas foram
feitas pelo economista Eugénio Rosa, do Gabinete
de Estudos da CGTP. E apontam para um
agravamento da factura fiscal para os pensionistas
que recebem menos de seis mil euros por ano.
Diário de Notícias
***
Evidenciando uma grande insensibilidade para os problemas sociais, o governo socialista de José Sócrates desferiu mais um dos seus traiçoeiros golpes sobre um dos sectores mais vulneráveis da população portuguesa - os idosos com pensões de miséria. Tal como aconteceu com os desempregados, trata-se de um ataque selectivo, a distorcer a equidade na repartição dos sacrifícios, aos grupos mais fragilizados do tecido social, que já nem sequer têm meios para poder exercer o seu direito à indignação e à justa revolta.
Sendo dos mais penalizados pelo brutal aumento do IVA, sentindo na pele os efeitos na diminuição da comparticipação na compra de medicamentos e vivendo a angústia do congelamento do aumento das suas pensões, os idosos vão agora também de ter de pagar o IRS, de que estavam isentos. No próximo ano, eles irão perceber que são uma carta fora do baralho na sociedade portuguesa e nas preocupações do governo. A desumanidade impiedosa e a vileza cavernícola deste governo estão bem espelhadas neste monstruoso esbulho sobre a população mais pobre e mais dependente.

A campanha de intoxicação mediática contra o presidente Lula e contra a candidata Dilma Rousseff



Os órgãos da comunicação social privada em guerra contra Lula e Dilma **

Por: Leonardo Boff *

Sou profundamente a favor da liberdade de expressão pela qual fui castigado com “silêncio obsequioso” pelas autoridades eclesiásticas do Vaticano. Com o risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar o livro Brasil Nunca Mais, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente, como suporte, as fontes militares, livro esse que contribuiu para a aceleração da queda do regime autoritário.
Esta história da minha vida dá-me autoridade para fazer as críticas que faço agora da guerra actual entre o presidente Lula e os meios de comunicação social, que se queixam de que está a ser menosprezada a sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um embate de ideias e de interpretações sobre o uso legítimo da liberdade de imprensa. Pelo contrário, está a ocorrer um claro abuso da liberdade de imprensa, porque, prevendo uma derrota eleitoral, esses meios da comunicação social decidiram desencadear mediaticamente uma guerra tenaz contra o presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nesta guerra vale tudo: A ocultação de factos, a distorção e a mentira directa.
É necessário dar o nome destes poderosos meios e dos seus agentes. São famílias que, quando vêem contrariados os seus interesses comerciais e ideológicos, se comportam como «família mafiosa». São patrões que pretendem falar para todo o Brasil e manter sob a sua tutela a chamada opinião pública. São os patrões de O Estado de São Paulo, A Folha de São Paulo, O Globo e a revista Veja, nos quais se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e mafioso na imprensa brasileira. Estão ao serviço de um bloco histórico, assente sobre o capital, que sempre explorou o povo e que não aceita um presidente proveniente desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discussão pública, pois essa é a missão da imprensa, esses meios empresariais comportam-se como um feroz partido da oposição.
.
* Teólogo brasileiro e o principal mentor da Teologia de Libertação.
**Tradução do castelhano da responsabilidade do Alpendre da Lua, a partir do texto da revista Rebelion.

sábado, 2 de outubro de 2010

Agradecimento


O editor do Alpendre da Lua manifesta o seu agradecimento ao leitor(a) que se apresenta com o pseudónimo MFLARTE, pela sua decisão de se inscrever como "amigo" deste blogue.

Um Poema ao Acaso: POEMA À MÃE - Eugénio de Andrade (declamado)


POEMA À MÃE

No mais fundo de ti,
eu sei que traí, mãe.

Tudo porque já não sou
o menino adormecido
no fundo dos teus olhos.

Tudo porque tu ignoras
que há leitos onde o frio não se demora
e noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
são duras, mãe,
e o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
que apertava junto ao coração
no retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
esqueceste que as minhas pernas cresceram,
que todo o meu corpo cresceu,
e até o meu coração
ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? –
às vezes ainda sou o menino
que adormeceu nos teus olhos;
ainda aperto contra o coração
rosas tão brancas
como as que tens na moldura;
ainda ouço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
no meio de um laranjal…

Mas – tu sabes – a noite é enorme,
e todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo-te as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.

Eugénio de Andrade

Do livro “Os Amantes sem Dinheiro”

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

A Matemática é muito complicada!...

Clicar na imagem para a ampliar
Só não consigo descortinar onde é que está o escadote!...

Um Poema ao Acaso: Cardiologia - Fernando Pinto do Amaral

Nadir Afonso

Cardiologia

Talvez na sua vida o maior estímulo
fosse a curiosidade.

Era o motor de tudo: aproximava-se
de todas as mulheres que conhecia,
mas só lhe interessavam os seus corações.

Cultivava com método essa obsessão
e tal como as crianças costumam fazer
aos brinquedos preferidos,
também ele queria vê-los por dentro,
saber ao certo como funcionavam,
desfibrar lentamente cada esperança,
dissecar com um rigor quase científico
cada angústia ou desejo inconfessável
até saborear o gosto sempre novo
de cada uma dessas células.

Após cada experiência, observava
aqueles corações já desmontados
e, por não conseguir juntar as peças,
guardava-as uma a uma no seu peito.
Era um lugar seguro
e com tantos pedaços de outras vidas
na sua pulsação descompassada
podia enfim acreditar
que tinha também ele um coração.

Fernando Pinto do Amaral
Poemas Escolhidos (1990-2007)

Estatísticas do blogue do mês de Setembro de 2010

Clicar nas imagens para as ampliarNúmero de visitas por mês


Número de páginas visitadas por mês


Número de visitas diárias em Setembro de 2010

***
No mês de Setembro, o Alpendre da Lua passou para um outro patamar, ao nível da sua audiência, atingindo as 2.630 visitas, verificando-se assim um crescimento de 80 por cento em relação à média de visitas mensais dos últimos 12 meses. Este aumento significativo deve-se à chegada de novos leitores ao Alpendre da Lua, facto que se regista com satisfação. À estabilização do número de visitas mensais nos últimos 12 meses, que traduzia a enorme fidelização dos leitores mais antigos, segue-se agora uma nova fase, que, esperamos, venha a consolidar-se no futuro.
Este crescimento, como se pode verificar no gráfico respeitante às visitas diárias do mês de Setembro, ocorreu surpreendentemente na segunda quinzena, o que não permite ainda tirar uma conclusão definitiva sobre a sua solidez em termos de projecção.
A todos os leitores, aos mais antigos e aos mais recentes, o Alpendre da Lua apresenta as suas calorosas saudações.
O editor

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

E ainda há quem diga que a leitura não dá prazer!...

Para onde vai a economia portuguesa?


O retrato não é animador. As empresas ainda
não estão a investir, o desemprego continua
a aumentar e o consumo privado teima em cair.
E a situação só tenderá a alterar-se a partir
de 2012.
As conclusões são do estudo Eurozone Forecast,
da Ernst & Young, que hoje está a ser apresentado
a nível europeu e que aponta para que a economia
portuguesa tenha regressado à recessão no segundo
semestre.
PÚBLICO
***
Na minha nota de rodapé de 23 Abril, a propósito da aprovação das medidas de austeridade, consignadas no PEC, escrevi o seguinte: "E a pergunta que se coloca inevitavelmente é esta: o que iremos fazer em 2013 com a economia, sabendo que o paradigma em que assentou o desenvolvimento económico do país nos últimos trinta anos se encontra completamente esgotado?". As conclusões do estudo Eurozone Forecast, da Ernst & Young, vêm dar a resposta correcta à pergunta então colocada. A economia portuguesa irá ressentir-se gravemente, já que o governo, que não fez o trabalho de casa em devido tempo, está a comprometer o crescimento de dois importantes pilares do sistema económico, cujas variáveis servem de referência para o cálculo do PIB - o investimento privado e o consumo interno. O aumento brutal do IVA, o imposto mais perverso e mais estúpido do sistema fiscal, já que não é equitativo, irá provocar enormes estragos no tecido produtivo do país. A diminuição do poder de compra da população, já de si precário ao nível das classes menos favorecidas, vai determinar a falência de muitas pequenas e médias empresas e o consequente aumento do desemprego, o que, pelo efeito de ricochete, mais pressão irá provocar sobre o consumo.
Perante esta negra perspectiva, dominada por um dramático clima de incerteza, também os investidores privados adiarão os seus projectos e os seus investimentos, o que se reflecte negativamente na oferta de novos postos de trabalho.
E a pergunta continua a ser esta: Para onde vai a economia portuguesa?

http://economia.publico.pt/Noticia/portugal-arrisca-um-regresso-a-recessao-no-final-do-ano_1458750

Um Poema ao Acaso: Auto-retrato com fantasmas e mamíferos

Auto-retrato com fantasmas e mamíferos
.
Eu e tu: o resto são fantasmas. Fábricas de lençóis aflitos. Empresas
inadequadas ao mundo visível. A disfunção eréctil da promessa de
aparição.
A sociedade aquosa e secreta dos fantasmas. Espécie de produto
catabólico do omisso, que é o distintivo do amor e a pistola
impalpável do mortal, que por mais amar o próximo se tornou
efectivamente longínquo.

A casa deserta, continuamente adiada, sem episódios de maior
relevo ou directrizes. Horas mais que malignas escoam do espaço
interior a sua manutenção inevitável. A invertebrada mobília da
noite. Os moluscos da insónia. A escuridão adesiva. O silêncio
adesivo. A música da água morta nas canalizações. Passos
imperceptíveis, dados em falso num plano sem gravidade nem
resolução.
Tudo parece evitar-se a custos baixíssimos. Um aquário cheio de
instantes destruídos, adaptados entretanto com as guelras da
memória vã.

Eu e tu, dois mamíferos elegantemente despidos, maravilhados com
as suas imperfeições ideais.
A luz da Lua que atravessa o postigo e descola imagens e desloca
olhares. Técnicas nulas e mistas para acender a audácia,
para ascender à audácia, como se estivéssemos mergulhados na pré-
historia do ânimo e do aviso, no futuro trémulo da hesitação.
E no entanto, passeiam-se à nossa volta as formas plenas da
desobediência em lingerie, influentes flores do interlúdio, os
dejectos delicados da insensatez que já não nos assustam com a sua
epilepsia mordaz.

André Domingues
(Do Amor Mau)

domingo, 26 de setembro de 2010

Farmville: Pensado para viciar, garante especialista

O Farmville é um verdadeiro engodo, assim como a filosofia que enforma o Facebook. Como diz este especialista da Universidade do Minho, que o Expresso entrevistou (ver ligação), o jogo apenas se destina a fidelizar os aderentes. Eu acrescentarei que existe naquele jogo a técnica manipulatória da infantilização, habilmente concebida para sublimar o desejo, que cada ser humano manifesta inconscientemente, de regressar aos tempos da infância, ou, pelo menos, de recuperar ludicamente a sua respectiva memória.
O próprio Facebook também utiliza várias técnicas para que a rede se multiplique em cascata.
Eu aderi com relutância ao Facebook, apenas para ser simpático para quem me convidava, mas rejeitei sempre, por higiene mental, corresponder às solicitações para aderir ao Farmville ou a qualquer outro jogo.
Acautelem-se os entusiastas do Facebook, pois as vossas mensagens podem acabar por chegar aos destinatários menos desejáveis ou aos mais inconvenientes. Já ocorreram, naquele mundo fantasiado e travestido de um enganador poder virtual, muitos amargos de boca e muitos dissabores. Não tardarão a surgir estudos sociológicos e investigações jornalísticas sobre esta matéria.
http://clix.expresso.pt/farmville-pensado-para-viciar-garante-especialista=f605434

É essencial continuar a apoiar o mercado de trabalho, segundo o FMI e a OIT


“Se os efeitos das recessões do passado
servirem de guia, estes desenvolvimentos
[no mercado de trabalho] podem ter um
custo humano pesado.
Para os que ficam desempregados pode ser
uma perda permanente no rendimento, uma
redução da esperança de vida, e piores
resultados académicos e salariais para os seus
filhos. Além disso, o desemprego deverá
provavelmente afectar as atitudes de forma a
reduzir a coesão social, um custo que permanecerá”.
Do Relatório Conjunto FMI/OIT (Setembro 2010)
***
No mundo, existem actualmente 210 milhões de desempregados, o que revela a extensão e a profundidade da actual crise, que agora já começa a ser entendida na sua verdadeira dimensão. Hoje, já ninguém se atreve a dizer que ela era conjuntural e que afectava apenas o sector financeiro, ignorando que a origem teria de ser encontrada no funcionamento da economia, cujo paradigma se alterou com a globalização.
O relatório das duas agências da ONU dá grande ênfase ao forte crescimento verificado no desemprego de longa duração, entre os jovens, e aponta o perigo que essa realidade pode provocar no futuro, a nível económico e social (mais pobreza, mais exclusão social e uma maior conflitualidade, que, nalguns casos, pode ser explosiva). Daí a necessidade dos governos manterem os apoios ao desemprego e à criação de emprego, tarefa que vai tornar-se muito difícil no actual contexto económico e financeiro.
O relatório não se esqueceu de referir Portugal, como um dos países que mais foi afectado pelo desemprego estrutural e um dos poucos que, erradamente, começou a retirar os apoios públicos aos desempregados e à criação de novos postos de trabalho.