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quinta-feira, 18 de junho de 2009

A China numa nova encruzilhada...


A China poderá salvar o mundo da depressão?
Pretender que as áreas rurais da China sirvam como plataforma de arranque para a recuperação nacional e global exigiria uma viragem fundamental de políticas, e o governo teria de ir contra os interesses, locais e externos, que se cristalizaram em volta da estratégia da industrialização orientada para as exportações e dependente de capitais externos.
Walden Bello* - 15.06.09

Virá a China a ser o «pólo de crescimento» que pode arrancar o mundo às garras da depressão? Esta pergunta passou a ser um tema favorito desde que a heróica classe média dos consumidores americanos, sobrecarregada por uma dívida esmagadora, deixou de ser o estímulo fundamental para a produção global.Embora a taxa de crescimento do PIB da China tenha descido para 6,1% no primeiro trimestre – o mais baixo em quase dez anos – os optimistas descortinam “vislumbres de recuperação” numa explosão de 30% no investimento em activos fixos urbanos e num salto da produção industrial em Março. Estes indicadores são prova, dizem eles, do êxito do programa de estímulo chinês de 586 mil milhões de dólares – que, em relação ao PIB, é proporcionalmente muito maior do que o pacote da administração Obama de 787 mil milhões de dólares.
A Zona Rural como Rampa de Lançamento para a Recuperação?
À medida que as áreas urbanas do litoral da China, orientadas para a exportação, sofrem prejuízos com o colapso da procura global, muita gente, dentro e fora da China, vira as esperanças de uma recuperação global para a zona rural chinesa. Uma boa parte do pacote de estímulo de Beijing é destinada a infra-estruturas e despesas nas áreas rurais. O governo está a distribuir 20 mil milhões de yuans (3 mil milhões de dólares) em subsídios para ajudar os residentes rurais a comprar televisões, frigoríficos e outros equipamentos domésticos.Mas, perante a redução da procura de exportações, será que esta estratégia de apoiar a procura rural funcionará como motor para a maciça máquina industrial do país?Há razões para cepticismo. Por um lado, mesmo quando a procura de exportações estava em alta, já 75% das indústrias chinesas estavam com problemas de excesso de capacidade. Por exemplo, antes da crise, a capacidade total da indústria automóvel foi projectada para produzir 100% mais de veículos do que os que podiam ser absorvidos num mercado em crescimento. Nos últimos anos, os problemas de excesso de capacidade provocaram a redução para metade da taxa do crescimento anual de lucros em todas as grandes empresas.Mas há um outro problema, ainda maior, na estratégia de tornar a procura rural num substituto para os mercados de exportação. Mesmo que Beijing lhe introduza mais uma centena de milhares de milhões de dólares, o pacote de estímulo não contrariará provavelmente de modo significativo o impacto depressivo duma política com 25 anos de sacrificar a zona rural em prol de um crescimento industrial orientado para a exportação, com uma base urbana. As implicações para a economia global são enormes.
A subordinação da agricultura à indústria
Ironicamente, a ascensão da China nos últimos 30 anos começou com as reformas rurais que Deng Xiaoping iniciou em 1978. Os camponeses queriam acabar com as comunas da era de Mao, e Deng e os seus reformadores satisfizeram-nos introduzindo o “sistema de responsabilidade do contrato familiar”. Segundo este sistema, cada agregado familiar recebeu um bocado de terra para cultivar. O agregado familiar podia guardar o que sobrava da produção depois de vender ao estado uma proporção fixa a um preço estipulado pelo estado, ou pagando uma taxa em dinheiro. O restante podia ser consumido ou vendido no mercado. Foram os anos tranquilos dos camponeses. O rendimento rural subiu em média mais de 15% ao ano, e a pobreza rural caiu de 33% para 11% da população.Mas esta idade de ouro dos camponeses chegou ao fim quando o governo adoptou uma estratégia de industrialização orientada para a exportação e baseada na orla costeira, pressupondo uma rápida integração na economia capitalista global. Esta estratégia, que foi desencadeada no 12º Congresso do Partido Nacional em 1984, na prática construiu a economia industrial urbana em cima dos “ombros dos camponeses”, como definiram os especialistas rurais Chen Guidi e Wu Chantao. O governo apostou na acumulação do capital primitivo nomeadamente por meio de políticas que reduziram fortemente os excedentes dos camponeses.As consequências desta estratégia de desenvolvimento industrial orientado para as cidades foram brutais. O rendimento camponês, que tinha crescido 15,2% por ano, de 1978 a 1984, caiu para 2,8% por ano, de 1986 a 1991. No início dos anos 90 assistiu-se a uma pequena recuperação, mas a estagnação do rendimento rural foi marcante durante a última parte da década. Em contraste, o rendimento urbano, já mais alto do que o dos camponeses em meados dos anos 80, foi em média seis vezes maior do que o rendimento dos camponeses em 2000.A estagnação do rendimento rural foi provocada por políticas que favoreceram a subida dos custos dos produtos industriais para a agricultura, a descida dos preços para os produtos agrícolas e o aumento de impostos, tudo isso combinado para transferir o rendimento do campo para a cidade. Mas o principal mecanismo para subtrair os excedentes aos camponeses foi os impostos. Em 1991, os organismos estatais centrais lançaram impostos sobre os camponeses em 149 produtos agrícolas, mas isso veio a provar-se ser apenas uma parte duma fatia muito maior, quando os níveis mais baixos de governo começaram a lançar as suas próprias taxas, honorários e encargos. Actualmente, os diversos níveis de governo rural impõem um total de 269 tipos de taxas, juntamente com todo o tipo de encargos administrativos arbitrariamente impostos.Supostamente, as taxas e honorários não devem exceder 5% do rendimento de um lavrador, mas normalmente o seu valor total real é muito maior. Alguns inquéritos do Ministério da Agricultura relataram que a carga fiscal do camponês é de 15% – o triplo do limite nacional oficial.O aumento dos impostos talvez pudesse ter sido suportável se os camponeses recebessem em troca melhores cuidados de saúde, melhor instrução pública e mais infra-estruturas agrícolas. Na ausência desses benefícios tangíveis, os camponeses vêem que as suas receitas estão a subsidiar o que Chen e Wu descrevem como o “crescimento monstruoso da burocracia e a proliferação do número de funcionários” cuja função parece ser apenas a de os sugar cada vez mais.Além de estarem sujeitos a preços de produtos para a agricultura mais altos, a preços mais baixos para as suas produções, e a impostos mais pesados, os camponeses têm suportado o peso do foco urbano-industrial da estratégia económica de outras formas. Segundo um relato, “40 milhões de camponeses foram expulsos das suas terras para dar lugar a estradas, aeroportos, barragens, fábricas e outros investimentos públicos e privados, e todos os anos há mais um milhão que é desalojado”. Outros investigadores citam um número muito mais alto de 70 milhões de agregados familiares, o que significa, se calcularmos 4,5 pessoas por agregado familiar, em 2004, que a apropriação de terras desalojou 315 milhões de pessoas.
Impacto da liberalização do comércio
O compromisso feito pela China de eliminar as quotas agrícolas e reduzir as tarifas, quando aderiu à Organização Mundial do Comércio em 2001, pode ainda minimizar o impacto de todas as mudanças anteriores por que os camponeses passaram. O custo da admissão da China está a revelar-se enorme e desproporcionado. O governo esmagou a tarifa agrícola média de 54 para 15,3%, em comparação com a média mundial de 62%, levando a que o ministro do comércio se gabasse (ou se lamentasse): “Nenhum membro da história da OMC fez um corte tão drástico [nas tarifas] num período de tempo tão curto”. O acordo com a OMC reflecte as prioridades actuais da China. Se o governo optou por pôr em risco grandes sectores da sua agricultura, tais como o feijão de soja e o algodão, fê-lo para abrir ou manter abertos os mercados globais para as suas exportações industriais. As consequências sociais deste negócio ainda estão por se fazer sentir totalmente, mas os efeitos imediatos têm sido alarmantes. Depois de anos a ser um exportador líquido de alimentos, a China registou em 2004 um défice no seu comércio agrícola. As importações de algodão subiram em espiral de 11.300 toneladas em 2001 para 1,98 milhões de toneladas em 2004, um aumento de 175 vezes. Os agricultores chineses de cana-de-açúcar, de feijão de soja e principalmente de algodão ficaram destruídos. Em 2005, segundo Oxfam Hong Kong, as importações de algodão americano barato provocaram uma perda de receitas aos camponeses chineses de 209 milhões de dólares, juntamente com 720.000 postos de trabalho. A liberalização do comércio provavelmente também contribuiu para o dramático abrandamento da redução da pobreza entre 2000 e 2004.·
O fim do regime de propriedade
Nos últimos anos, a prioridade dada à transformação capitalista da zona rural para fomentar a industrialização orientada para as exportações levou o partido a promover não apenas a liberalização do comércio agrícola mas o abandono de um regime de propriedade semi-socialista que favorece os camponeses e os pequenos agricultores. Isso implica o abrandamento dos controlos públicos sobre as terras a fim de passar para um regime total de propriedade privada. A ideia é permitir a venda dos direitos às terras (criação de um mercado de terras) a fim de que os produtores mais “eficientes” possam expandir as suas propriedades. Nas palavras eufemísticas de uma publicação do Departamento de Agricultura dos EU, a “China está a fortalecer os direitos dos agricultores – embora hesite em permitir a posse total da terra – e assim os agricultores podem alugar a sua terra, consolidar as suas propriedades e conseguir maior eficiência em dimensão e em escala”.Esta liberalização dos direitos às terras passou pela aprovação da Lei do Arrendamento Agrícola em 2003, que reduziu a capacidade das entidades aldeãs para redistribuir a terra e deu aos agricultores o direito a herdar e a vender propriedades alugadas de terra arável por 30 anos. Com a compra e venda dos direitos à utilização das terras, o governo restabeleceu basicamente a propriedade privada de terras na China. Ao falar de “quintas familiares” e de “agricultores de grande escala”, o Partido Comunista Chinês sancionou, de facto, uma via de desenvolvimento capitalista para suplantar outra que se baseara na agricultura camponesa de pequena escala. Conforme descreveu um defensor da nova política, “A reforma criará uma economia de escala – aumentando a eficiência e baixando os custos de produção agrícola – e também resolverá o problema das terras abandonadas pelos que migram para as cidades”.Apesar da garantia do Partido de que estava a institucionalizar os direitos dos camponeses à terra, muitos deles recearam que a nova política viesse legalizar o processo de apropriação ilegal de terras que estava a ocorrer em grande escala. Isso irá criar, alertaram eles, “meia dúzia de senhores das terras e muitos camponeses sem terras que deixarão de ter meios de subsistência”. Dada a turbulenta transformação da zona rural provocada noutros países pela libertação desenfreada das relações capitalistas de produção, estes receios não deixavam de ter razão.Em resumo, distribuir dinheiro para fazer aumentar a procura rural não parece ser solução para combater as poderosas estruturas económicas e sociais criadas pela industrialização orientada para as exportações à custa do desenvolvimento da zona rural. Estas políticas contribuíram para uma maior desigualdade entre os rendimentos urbano e rural e atrasaram a redução da pobreza nas áreas rurais. Pretender que as áreas rurais da China sirvam como plataforma de arranque para a recuperação nacional e global exigiria uma viragem fundamental de políticas, e o governo teria de ir contra os interesses, locais e externos, que se cristalizaram em volta da estratégia da industrialização orientada para as exportações e dependente de capitais externos.Nos últimos anos Beijing tem falado muito sobre um “Novo Acordo” para a zona rural. Mas há poucos indícios de que tenha a vontade política de adoptar políticas que poderiam traduzir a sua retórica em realidade. Portanto, não se espere que Beijing salve a economia global tão depressa.
* Walden Bello é analista e ex-director executivo do Instituto de Investigação e Activismo para o Sul Global, com sede em Banguecoque e vice-presidente do Fórum Social Mundial
Este texto foi publicado em www.zmag.org/znet/viewArticle/21574
Tradução de Margarida Ferreira
In ODiário.info

Por esta, é que não esperava!...

Imposto sobre o tabaco obriga a poupar...

Bebam leite em vez de cerveja...

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Sócrates: construir uma nova imagem

Tal como ontem previ, no post aqui publicado, José Sócrates mudou de figurino. Hoje, na Assembleia da República, admitiu erros na governação, esforçou-se por perder a sua habitual arrogância e descartou a sua ostensiva infalibilidade ao recuar na aventura do TGV. Isto, porque compreendeu o sinal que os portugueses lhe deram nas eleições para o Parlamento Europeu.
Resta saber duas coisas: se ele terá a capacidade camaleónica de construir outra imagem mais sedutora até às eleições legislativas e se os portugueses irão engolir essa aparente mudança de estilo.
Eu ainda não sei se o voto de protesto dos eleitores nas últimas eleições penalizou apenas a actuação de José Sócrates, como primeiro-ministro, ou se pretendeu castigar o Partido Socialista, como partido do governo. A resposta a esta pergunta será crucial para entender melhor o estado de espírito dos portugueses em relação à actual conjuntura. Espero que uma empresa de sondagens me esclareça.
http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1387137

Um Poema ao Acaso (8): Segredo - Maria Teresa Horta


SEGREDO



Não contes do meu
vestido
que tiro pela cabeça

nem que corro os
cortinados
para uma sombra mais espessa

Deixa que feche o
anel
em redor do meu pescoço
com as minhas longas
pernas
e a sombra do meu poço

Não contes do meu
novelo
nem da roca de fiar

nem o que faço
com eles
a fim de te ouvir gritar

Maria Teresa Horta

Sócrates: o anúncio de um novo perfil...


Na última reunião da comissão política nacional, José Sócrates, a propósito das próximas eleições legislativas, entrou a falar de uma maioria parlamentar e saiu a falar de uma maioria absoluta. Para piorar as coisas, enredou-se num lastimável equívoco entre os dois conceitos.
Por outro lado, entrou falcão para sair pomba. Já se percebeu que a máquina de marketing vai começar a trabalhar uma nova imagem do secretário-geral do PS. Um novo perfil, a contrariar o anterior, que prevaleceu durante quatro anos. Vamos ter um Sócrates mais dialogante, mais conciliador, mais compreensivo, a substituir aquele Sócrates arrogante, teimoso e autoritário.
Fica-me a dúvida se haverá tempo para diluir da memória colectiva o que foram estes quatro anos de permanente crispação governativa e os casos das inúmeras trapalhadas, mal explicadas, que não dignificaram o primeiro-ministro.

É preciso ter lata!...British Airways pede trabalho grátis aos empregados


Começo a ter medo que um dia o governo venha pedir-me um mês da reforma.
Pelo rumo que as coisas estão a tomar, ainda irei a assistir à insólita situação dos patrões exigirem aos empregados que paguem para trabalhar!... Isso irá acontecer quando, em concorrida e ruidosa manifestação, eles começarem a gritar: "os pobres que paguem a crise".
http://clix.expresso.pt/british-airways-pede-trabalho-gratis-aos-empregados=f520967

O dia em que o Adão e a Eva foram à bola ...

Enviado pelo meu amigo/Jorge Ribeiro

Adoro esta irreverência e estes actos de rebeldia, que não agridem nem ofendem ninguém. São os gestos saudáveis da Liberdade.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Diário de um professor e de uma aluna (1)

a António Marques e Catarina Amaro (PÚBLICO)

Numa iniciativa original, o PÚBLICO vai publicar diariamente, durante as duas próximas semanas, as impressões de um professor de Artes Visuais e de uma aluna da área de Humanidades, sobre as respectivas vivências e expectativas em relação aos exames nacionais do 12º ano, que hoje se iniciaram com a prova de Português. Iremos acompanhá-los com atenção.

No seu primeiro depoimento, António Marques destacou a especificidade da sua área de docência, não aplicável às outras áreas, em que o aluno pode ser motivado e aliciado, no processo da aprendizagem, para um projecto criativo de descoberta, a nível individual, o que desencadeia outro entusiasmo e envolvimento. E isto, segundo este professor, que considera imprescindíveis as avaliações anuais padronizadas e universais, não é mensurável neste tipo de exames.

Na minha modesta opinião, penso que uma coisa não invalida a outra, já que estes exames nacionais se destinam a avaliar os resultados e não os processos de aprendizagem. Se o aluno aproveitou bem o tal projecto individual, criativo e motivador, com que o professor, com todo o mérito e competência, conseguiu seduzir o aluno, certamente que isso irá aparecer reflectido na maior parte dos casos, nos resultados finais.

A aluna Catarina Amaro escreveu um texto muito mais intimista. A sua grande preocupação reside nas opções que terá de fazer em relação ao curso que irá escolher. Apavora-a a ideia de tirar um curso profissional com poucas saídas profissionais e ter de se resignar, acabado o curso, a ter de trabalhar na caixa de um supermercado.

É legítima a preocupação da Catarina, preocupação esta de capital importância, que aflige a maioria dos alunos do ensino secundário, e à qual o Ministério da Educação não tem dado uma solução eficaz, remetendo o problema da escolha para a intuição de cada um e para o seu foro pessoal. Desta forma, o ministério está a lançar os alunos e as suas famílias para os braços de profissionais, alguns sem preparação adequada, que se dedicam empiricamente a fazer orientação profissional, baseando-se numa curta e redutora entrevista de confessionário e nas notas obtidas ao longo do percurso escolar. Normalmente, estes orientadores profissionais actuam em função das expectativas dos pais e dos alunos.

Nas próprias escolas, deveriam existir psicólogos, bem preparados através pós-graduações qualificadas e certificadas e devidamente enquadrados numa carreira profissional, que ao longo dos anos, e recebendo o contributo dos respectivos professores, traçassem continuamente o perfil psico-profissional dos alunos e lhes corrigissem atempadamente as ideias fantasiosas, assimiladas ao longo do tempo, em relação a algumas profissões, principalmente aquelas que, por serem muito sedutoras, preenchem o imaginário de um qualquer jovem e vão ao encontro dos desejos dos pais.

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386588


Será Cristiano Ronaldo um produto tóxico?...

Será Cristiano Ronaldo um produto tóxico?

No momento em que a Espanha se encontra mergulhada numa crise económica gravíssima, e com uma taxa de desemprego galopante, a estratégia do presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, em assumir a contratação de jogadores mediáticos por valores extravagantes, é obscena e escandalosa.
Bem sabemos que, com a mediatização do futebol, estrategicamente montada pela FIFA, nos último vinte anos, aproveitando a massificação global do acesso ao televisor, os clubes, as federações e as uniões passaram a funcionar numa lógica de mercado, onde o dinheiro começou alucinantemente a circular e a gerar receitas. O futebol ascendeu à categoria de espectáculo, tal como já acontecera na Roma Antiga com a luta dos gladiadores. Não admira, pois, que os grandes clubes assumam um comportamento de verdadeiras multinacionais, onde se concentram enormes poderes financeiros com as suas ramificações perigosas no mundo da política.
Mas, tal como são gigantes nas receitas e nos lucros, os clubes também têm de satisfazer os seus clientes, que, neste caso, se chamam adeptos. E os adeptos espanhóis, principalmente os do Real Madrid são muito exigentes, e não vão perdoar ao seu presidente se ele não conseguir ganhar todas as competições nacionais e internacionais, em que o clube alinhe.
E aqui coloca-se a questão de saber se a personalidade de Cristiano Ronaldo conseguirá aguentar a enorme pressão que vai exercer-se sobre ele.
O seu comportamento recente, quando se viu subitamente milionário e liberto do férreo controlo, que o treinador do Manchester exercia sobre a sua vida profissional e privada, não lhe permitindo devaneios comportamentais, que prejudicassem o seu rendimento desportivo, evidencia uma falta de amadurecimento e de maturidade. Pareceu ser um jovem adolescente que aproveitou uma distracção dos pais.
Alguém já alvitrou que o sucesso de Cristiano Ronaldo no Real Madrid vai depender muito do treinador. Concordo inteiramente. Se ele não corresponder às enormes expectativas que os adeptos depositaram na sua milionária aquisição, Ronaldo depressa se apagará e não passará de um produto tóxico para o Real Madrid, assim como este clube será um produto tóxico para os patrocinadores e para os bancos que, com sólidas garantias, o financiaram, se não ganhar as mais importantes competições nacionais e internacionais.
http://desporto.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1386876&idCanal=4745

ARMAM-SE EM ESPERTOS....DEPOIS LIXAM-SE..HAHAAHAH

Quem anda à chuva, molha-se.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Os animais selvagens também se embebedam...


Enviado pelo amigo Diamantino Silva

Palestina: A mistificação continua...



Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro de Israel, sem qualquer pudor, veio propor que não se opõe à criação de um Estado palestiniano independente, desde que totalmente desmilitarizado e que venha a reconhecer o Estado judaico e a exclusividade da cidade de Jerusalém como a sua capital.
Perante esta cínica proposta, que Obama e os dirigentes da União Europeia saudaram calorosamente, considerando-a positiva, ocorre perguntar se esse Estado terá direito à bandeira e ao hino nacional.
Com estas anacrónicas condições leoninas, Israel e o seu aliado americano, aos quais se junta a subserviente União Europeia, não deixam margem de manobra aos palestinianos, a não ser a da escolha da guerra de libertação e a da radicalização das suas posições. Também o terrorismo islâmico irá aproveitar em seu favor esta manifestação inequívoca de falta de vontade política em corrigir o erro histórico que, há mais de cinquenta anos, amputou os direitos inalienáveis do povo da Palestina.

Tourada à portuguesa...

Quem viveu os tempos da ditadura, recorda-se bem como esta canção, escrita por Ary dos Santos, conseguiu caricaturar jocosamente o regime. Foi o momento em que a tourada deixou de pertencer exclusivamente aos aficcionados. Curiosamente, nos dias de hoje, a tourada continua com outros cavaleiros e com outros touros. As bandarilhas ainda são as mesmas, só que mais enfeitadas e garridas, para melhor esconder o ferro.

Um Poema ao Acaso (7): Cidade - Jorge de Sena


Cidade

Imensa, troglodita, ambiciosa,
vai a cidade até à praia;
perdeu no campo as rochas cor-de-rosa,
e o mar, se a busca, evita-a, não desmaia,
antes se ergue negro contra o desconforto.

O rio leva casas debruçadas
que já, com o tempo, foi cavando em arcos
de perfil sem cal, inclinado e morto…
e leva também barcos.

No céu, as nuvens correm desviadas,
Enquanto o sol, em dardos, sobre o mar as crava.

Jorge de Sena


domingo, 14 de junho de 2009

O Inferno da Luz...

Agora se percebe por que chamam "Inferno da Luz" ao estádio do Benfica!
Enviado pelo amigo Pedro Frias

Sporting: O Bitencur no meio dos adeptos!!!!

O que será que estes leões de Alvalade ainda irão exigir ao "Bitencur"?...

Enviado pelo amigo Mário Jorge

O confronto do islão com o Ocidente

O confronto do islão com o Ocidente

Aquilo que a antiga Roma ligou, o cristianismo e o islão dividiram. O mediterrâneo, que antes fora o caminho seguro do avanço civilizacional, depressa se transformou num campo de batalha. A norte, a civilização europeia, marcada pelo cristianismo, e a sul, o mundo árabe e muçulmano, dois universos e duas concepções de pensamento e de cultura, irreconciliáveis entre si.
Em Poitiers, os árabes – que transportavam o gérmen de uma civilização requintada, muito superior à dos bárbaros, que dominavam a Europa, depois de terem feito em cacos o já decadente império romano, já totalmente cristianizado – tiveram de se contentar com o domínio da Península Ibérica, de onde foram expulsos séculos depois, em consequência das guerras da Reconquista, em cuja estratégia política e militar, aparecia também, muito pronunciadamente, a vertente religiosa, como elemento universal aglutinador. Ungida pelos papas, a Reconquista consolidou o conceito amplo de Cristandade, conceito que iria moldar a vida dos estados e dos povos europeus, até ao advento das sucessivas modernidades, a começar pelas concebidas por Newton, Copérnico e Galileu, na ciência, a de Martinho Lutero, na religião, e às quais se seguiram a dos enciclopedistas, a da revolução francesa e as das duas revoluções industriais. O mundo começou a mudar para melhor. Apesar dos desvios totalitários, apesar dos erros e dos crimes, a Humanidade, pelo menos para alguns, ascendeu a um novo patamar civilizacional, conquistando a liberdade individual e a democracia para os cidadãos e desenvolvendo, em crescente ritmo exponencial, as ciências, as tecnologias e a economia, numa procura desenfreada de mais riqueza material e de novos valores culturais. O colonialismo, que se sobrepôs temporalmente ao advento de todas aquelas expressões da modernidade, foi a poderosa arma de um novo e implacável domínio, que acrescentou, através do saque, novas riquezas às já produzidas, à custa de muito sofrimento infligido aos povos colonizados.
Mas se a Europa conseguiu libertar-se da canga que a Cúria Romana lhe atrelou, durante séculos de obscurantismo, o mundo muçulmano não conseguiu libertar-se do peso e da influência de uma religião que, na maior parte dos países, onde está enraizada, se confunde com o próprio Estado, ou que, pelo menos, lhe modela o poder na base das desajustadas leis corânicas. O islão continua mergulhado no mundo das trevas, da ignorância e da insanidade, impondo aos seus fiéis uma moralidade anacrónica, principalmente às mulheres, e cujo cumprimento é severamente controlado pelo numeroso exército de imãs e de mullahs. Orienta-se dogmaticamente por um livro, que teria sido escrito por inspiração divina, tal como o Velho Testamento dos hebreus, e onde as causas e os efeitos se anulam pela vontade suprema de Alá ou Jeová.
Durante toda a evolução histórica, e perante o domínio colonial, este obscuro islamismo constituiu-se no cimento unificador das sociedades muçulmanas e das sociedades tribais islamizadas. E hoje, já libertas do colonialismo, e perante uma nova modernidade, a da globalização, essas sociedades, fortemente controladas, tentam travar os efeitos desestruturantes das rápidas mudanças operadas no mundo.
E é neste contexto que, tendo por fundo a agressão sionista ao povo palestiniano, os muçulmanos vêem com esperança o ressurgimento do fanático fundamentalismo islâmico, que os salvará da desonra e das humilhações milenares.
Nota: Esta reflexão foi proporcionada pela entrevista de Miguel Portas ao PÚBLICO, a propósito da publicação do livro “Périplo”, de cujos textos é autor, e onde analisa os contrastes políticos, sociais e culturais, entre os dois lados do mediterrâneo.
O vídeo, enviado pelo meu amigo Kitó, evidencia toda a hipocrisia de um imã, quando adverte que, ao bater na mulher, a impunidade divina apenas se mantém se o marido não lhe provocar hemorragias nem nódoas negras.
http://sorisomail.com/email/3268/como-espancar-uma-mulher.html
http://ipsilon.publico.pt/livros/texto.aspx?id=233908

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pádua festeja Santo António de forma original

Se para os portugueses e, principalmente, para os lisboetas, Santo António é uma figura popular, um santo bonacheirão e bem disposto e com fama de casamenteiro, na cidade de Pádua, onde faleceu em 13 de Junho de de 1231, ele foi apropriado pela sua dimensão de grande teólogo e de brilhante pregador. As suas relíquias, expostas ao público na basílica daquela cidade italiana, continuam a ser veneradas e visitadas por milhares de turistas.
Este ano, no entanto, no aniversário da sua morte, as autoridades eclesiásticas de Pádua acederam em representar o santo milagreiro, explorando a sua fama de casamenteiro, e recriaram, de forma animada e original, o que resta do seu esqueleto. Ora vejam.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

BPP- Quem joga no casino não pode queixar-se!



As duas notícias, insertas nas duas hiperligações indicadas abaixo, concordam, no seu teor, com tudo aquilo que já escrevi sobre o caso dos clientes do BPP, que, neste banco, subscreveram os indevidamente chamados depósitos de retorno garantido.
O primeiro erro estratégico cometido por estes clientes, quando tardiamente se aperceberam das iminentes dificuldades financeiras do banco fundado e gerido por João Rendeiro, consistiu na sua tentativa de pretenderem que se considerassem aquelas entregas de dinheiro como normais depósitos a prazo, que na realidade não o eram, pois nos contractos assinados constava inequivocamente a natureza das operações financeiras a que se destinavam, e onde também era referido o respectivo risco inerente. Nenhum depósito normal apresenta riscos de retorno, nem também necessita do estabelecimento de um contracto escrito em duas páginas A4.
Com este obtuso e caricato argumento, pretendiam eles serem ressarcidos, em capital investido e em juros, através das garantias estatais aos depósitos a prazo, accionados nos casos de insolvência dos bancos.
Desmascarados, passaram a esgrimir manhosamente um outro argumento falacioso, apregoando aos quatro ventos na comunicação social de que tinham sido enganados e que tinham alinhado no negócio, onde se entrava por convite, julgando que se tratava de depósitos a prazo e não da gestão de uma carteira de investimentos. Argumento pueril e inútil. Não consta que esses clientes sejam analfabetos funcionais, e, se fosse esse o caso, deveriam aconselhar-se com quem de direito, e não deixarem seduzir-se pela promessa de lucros fáceis, antes de assinarem o contracto.
O terceiro erro baseou-se na convicção que poderiam chantagear o governo e comover a opinião pública com manifestações ruidosas e de duvidosa legalidade, já que nunca foi pedida autorização ao Governo Civil para a sua realização, formalidade impiedosamente cobrada aos trabalhadores quando pretendem manifestar-se na via pública.
O quarto erro cometido foi não terem recorrido aos tribunais, interpondo acções contra o banco, mesmo sabendo que teriam poucas probabilidades de as ganhar, já que a lei não lhes era favorável, como se viu através do chumbo de todas as providências cautelares, submetidas ao Tribunal Administrativo.
Lamenta-se a ocorrência desta situação escandalosa, em que centenas de pessoas perderam o seu dinheiro. Mas seria muito mais lamentável e totalmente condenável se o governo satisfizesse as suas pretensões, ressarcindo-os das perdas com o dinheiro dos nossos impostos.
Quem vai jogar no casino não pode queixar-se!

quarta-feira, 10 de junho de 2009

A pandemia da gripe. Acidental ou provocada?

Não vos garanto a fidedignidade da informação contida neste vídeo, nem a credibilidade do seu autor. Não sei também se o citado Dr. James Robertson é um criminoso da estirpe do médico nazi Josef Mengele e se a Novavax se dedica previamente a propagar epidemias para vender mais vacinas. Também não sei de o Dr. Leonard Horowitz é um arreigado fundamentalista ou se tem alguns interesses na alternativa verde para o tratamento da gripe, quando sugere o Oxysilver, uma combinação de ervas destiladas. Não sei quem tem razão.

A única coisa que vos posso dizer é que existem bruxas, embora eu não acredite nelas, e que por detrás de uma qualquer multinacional americana existe um crime escondido, e que, se essa multinacional pertencer ao ramo da indústria farmacêutica, os crimes passarão a ser dois.
Vídeo enviado pelo meu amigo Diamantino Silva.

Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades

António Barreto proferiu um discurso demolidor sobre a actual crise da sociedade portuguesa na cerimónia oficial do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades", e que veio ao encontro das preocupações da maioria da população, que, atónita e desorientada, não comprende o desnorte que se apoderou do Estado e da sociedade. Embora realçando o muito de positivo que a instauração da democracia proporcionou, a António Barreto só faltou dizer que, neste dia, não havia nada a comemorar.
A castigadora abstenção, verificada nas últimas eleições, forneceu-lhe o lastro para acusar os políticos de se afastarem cada vez mais dos cidadãos e de oculterem-lhes a verdadeira natureza das políticas e dos interesses que defendem.

O avô cantigas e o neto

Enviada pelo P. Frias

terça-feira, 9 de junho de 2009

1969- O ano de todas as lutas contra o regime...

Se em 1958, com Humberto Delgado, se demonstrou que já era possível fazer tremer o ditador, em 1969 provou-se que o regime já se encontrava em decadente agonia, desorientado com o impasse da Guerra Colonial, onde a solução militar se mostrava inviável, e com a crescente contestação interna, principalmente a dos estudantes universitários. Os estudantes de Coimbra, dando continuidade às lutas de 62 e 65, conduziram com enorme coragem e grande determinação um processo de luta, que culminou na grande humilhação infligida a Américo Tomás. Nessa gloriosa luta teve papel determinante Celso Cruzeiro, que foi meu colega no liceu de Viseu, no antigo 7º ano. Já aí ele teve um papel determinante na luta conduzida pelos estudantes do ensino secundário.

Foi também em 1969 que a oposição democrática ganhou consciência da sua própria força política na sociedade portuguesa, principalmente nos meios urbanos e junto do operariado, o que lhe permitiu aproveitar o simulacro das eleições para a monocolor Assembleia Nacional para desencadear uma mobilização popular sem precedentes e assim enfrentar o marcelismo. A CDE e a CEUD aglutinaram grandes faixas de cidadãos, que, nessa luta desigual, perceberam que era possível derrubar o regime. E o 25 de Abril estava ali, bem próximo.

Agradeço ao João Fráguas, meu antigo colega no liceu de Lamego, a cedência destas históricas fotografias das lutas académicas em Coimbra, em 1969.

http://docs.google.com/gview?a=v&pid=gmail&attid=0.1&thid=121c5fc76969edec&mt=application%2Fvnd.ms-powerpoint&pli=1

Os dois rostos da derrota de um partido...

A Vital Moreira faltou-lhe a coragem para se expôr a uma monumental tareia no 1º de Maio. Se tivesse ido para o hospital, a esguichar sangue e com um olho ao peito e cheio de nódoas negras, o PS não teria tido esta humilhante derrota.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Um Poema ao Acaso (6) - Porto - Luís Veiga Leitão


P0rto

A cidade equestre
No rio mergulha
Seus cascos de granito
E sobe
A galope
Encosta arriba

Num salto a prumo
(Lá onde o casario morre)
Upa!
É uma torre

Torre de pedras e nuvem
De pássaros de fogo
De corpo de mulher
Torre de tudo e de quanto
O sonho a palavra o canto
Pode e quer.

Luís Veiga Leitão

Presidentes dos EUA

Aquilo não é uma República. É uma Monarquia. Parecem-se todos uns com os outros, excepto o último.

Berlusconi no seu melhor...

Nem o motorista lhe escapa!...

domingo, 7 de junho de 2009

Cá se fazem, cá se pagam! Sócrates perdeu a invencibilidade!




A abstenção penalizou profundamente o Partido Socialista e, principalmente, o primeiro-ministro, José Sócrates, que neste momento terá de reflectir se tem condições políticas para governar o país, no delicado momento em que grassa uma grave crise económica.
Muitos dos eleitores tradicionais do PS, descontentes com o rumo da governação, governação caracterizada por um clima de crispação permanente contra tudo e contra todos, e evidenciando uma enorme inoperância em concretizar correctamente as reformas políticas prometidas, preferiram engrossar a clássica abstenção nas eleições europeias ou deslocar o seu voto para o Bloco de Esquerda, que, claramente, foi o grande vencedor destas eleições, a par do PSD.
Ao longo destes últimos quatro anos, o eleitorado percebeu que as reformas introduzidas por José Sócrates apresentavam um cariz economicista, sendo pressionadas pela urgência em reduzir o défice orçamental, em detrimento da procura de modelos mais racionais e de menores custos, e que não sacrificassem a eficiência do funcionamento do Estado, nem a sua prestação de serviços em benefício do cidadão. Na saúde, na educação, na segurança social e na economia, a classe média e as classes mais desfavorecidas foram fortemente penalizadas, e nenhuma propaganda, nem nenhuma demagogia conseguiram iludir essa dura evidência.
Também o caso Freeport fez muita mossa, e os resultados também reflectem o profundo descontentamento dos portugueses perante as tergiversações de José Sócrates e da Justiça. Nenhum governante pode governar sob suspeita, e José Sócrates, neste caso, é suspeito para a maioria dos portugueses, embora ninguém conteste o princípio jurídico da presunção de inocência. E os dirigentes socialistas não perceberam isto, colando-se desesperadamente ao lado de Sócrates e alimentando a tese da “cabala” e da “campanha negra”, comportamento este muito diferente do assumido recentemente pelos dirigentes do Partido Trabalhista do Reino Unido, que já pedem a cabeça do primeiro-ministro Gordon Brown, devido a um escândalo financeiro que, bem vistas as coisas, assume menor gravidade do que a do caso Freeport.
Também foi visível para os portugueses o comportamento do governo do PS na sua reacção à crise económica e financeira, onde claramente privilegiou o capital financeiro, injectando biliões de euros no BPN, que não deveria ter sido nacionalizado, desobrigando assim os accionistas de ter de suportar os custos da má gestão de Oliveira e Costa. E se a opinião pública não estivesse atenta, também iriam ser os contribuintes a pagar dos seus impostos a devolução de 1,2 aos clientes do BPP. E, neste momento, ainda não se sabe se isso não irá acontecer.
Por tudo isto, o PS e José Sócrates mereceram esta clamorosa derrota.

Há pecados que não devem confessar-se!...

Um ministro aflito em dia de eleições


Ana Carolina e a sacanagem



Portugal deixou no Brasil três coisas importantes: a Língua Portuguesa, a religião católica e a corrupção. Apenas a primeira é grandiosa.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Eleições europeias: onde não se falou da Europa




A Europa andou longe dos discursos dos candidatos ao parlamento europeu. Entretiveram-se a debitar o que o marketing político aconselhava, abordando aspectos secundários, que uma ou outra frase de efeito retórico emoldurava, e que logo a comunicação social amplificava. O discurso foi pobre e frouxo e não conseguiu vencer a apatia dos portugueses em relação a uma realidade longínqua, como é esta, a da política europeia, da qual cada vez desconfiam mais, passada que foi a época da chuva de euros, que fez obra e comprou consciências.
Este alheamento não é exclusivo de Portugal. Em todos os países, verificou-se um distanciamento dos eleitores em relação aos políticos, e que irá reflectir-se nas elevadas abstenções esperadas, aprofundando assim a convicção, cada vez mais generalizada, da falta de democraticidade das instituições europeias e do previsível falhanço de um projecto.
Sobre a crise económica e financeira pouco se falou, ou apenas foi abordada pela rama, assim como ninguém avançou com um plano de medidas estruturais para a ultrapassar. Nem sequer a posição assumida recentemente pela chanceler Ângela Merkel, ao formular a sua crítica e oposição à actual política do Banco Central Europeu (BCE), que assumiu as funções de um autêntico bad bank , ao injectar biliões de euros na compra dos títulos tóxicos aos bancos em dificuldades, comoveu os candidatos ao parlamento europeu. E era importante que esta magna questão tivesse sido discutida, para se separar as águas entre os partidos que defendem a polémica medida de, a todo o custo, salvar os bancos com o dinheiro dos contribuintes, acalentando a esperança de assim ultrapassar a crise e restaurar e reproduzir o mesmo sistema, e aqueles partidos que defendem a mudança de paradigma, com uma outra organização da economia, e que não privilegie o grande capital financeiro internacional, afinal o grande culpado do caos que se instalou no mundo.

BPP- Teixira dos Santos disse o que devia

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, disse o que devia: os contribuintes não têm que pagar os desmandos de um banco. E os clientes só têm que pedir responsabilidades à respectiva administração e aos seus accionistas.
http://diario.iol.pt/economia/portugal-bpp-teixeira-dos-santos-financas/1068210-4058.html

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Crescei e multiplicai-vos!


Lenda do Padre Costa faz 520 anos
Uma lenda antiga diz que um padre de Trancoso, de seu nome Francisco Costa, que viveu no reinado de D. João II teria tido cerca de três centenas de filhos gerados por mais de meia centena de mulheres muitas das quais suas familiares directas.A "história" do Padre Costa parece ter começado em 1487 quando, por carta régia datada de 31 de Agosto, o monarca português "legitimou Maria Gomes, filha de Diogo Gomes, pároco da igreja de São Pedro ( de Trancoso) e de Maria Eanes, mulher solteira, residente na vila de Trancoso", segundo explica o investigador Santos Costa.Diz o autor que poderá ter sido esta legitimação que deu origem à figura do padre que, pelas suas luxúrias e prazer da carne, teve tal procriação e descendência."Bastava sentir fêmea ao largo, santo Deus, nem sabia o que fazia. A truncatura dom pecado da tentação acometia-o como se fosse picada de tarântula"Submetia então a sua libido à maliciosa prova da carne, independentemente que esta fosse de donzela fresca e insegura ou de seca marafona sabida", refere o autor nas suas "Lendas Trancosanas".A "história" correu mundo, desde simples panfletos à moderna Internet. A tradição afirma que o sacerdote dormiu com 29 afilhadas de que, segundo o respectivo processo, nasceram 97 raparigas e 37 rapazes.Não bastava esta aventura, o padre Costa não poupou as mães das ditas afilhadas e vai daí de nove comadres teve 38 rapazes e 18 meninas. Mas não se ficou por aqui...As irmãs, tão próximas em amizade e sangue familiar, não foram poupadas e delas teve 18 filhas ou melhor "filhas sobrinhas", passando-se depois para as sete amas que o serviam e delas 29 filhos e cinco filhas viram a luz do dia.Revela o historiador Santos Costa que o abnegado sacerdote dispunha no seu presbitério de "duas escravas zagalas e pelotiqueiras" que foram "uma espécie de bombo do bródio" de quem teve 21 filhos e sete filhas.O incansável padre movido pela sua " fé libidinosa" qual cio fustigante ou tentação irresistível, conta no seu repertório, além daquele vasto "rebanho" de fiéis (?) levou para a sua alcofa uma tia chamada Ana Cunha de quem teve três filhos e, diz-se, da própria mãe " em amor pecaminoso" teve dois filhos.Perante tal desbaste, o padre Francisco Costa foi chamado a capítulo aos 62 anos de idade e foi-lhe aplicada pesada sentença:" ...degradado de suas ordens, seria arrastado pelas caudas de dois cavalos; em seguida seria o seu corpo esquartejado e espalhados os pedacinhos pelos diversos distritos, como exemplo", afirmam as "Lendas Trancosanas".Mas o rei D. João II usou a sua clemência e ordenou a sua libertação e perdoou os castigos.Trancoso, apesar de ser uma terra onde se tem notado um crescimento da população, insere-se numa região onde se acentua o despovoamento, o abandono da terra, dos campos e das aldeias, outrora pupulados de gente.Por isso há gente que afirma que a gentalha que o padre Francisco de Trancoso, melhor, o Padre Costa, fez vir ao mundo, faz agora falta nestas paragens do interior.O historiador Santos Costa tem em prelo um livro de sua autoria e edição sobre esta figura lendária trancosana que vai ser lançado em 1 de Outubro.
As Beiras Online

Matrícula do ano...


quarta-feira, 3 de junho de 2009

O BPP outra vez- O quixotesco Carlos Tavares





Eu ainda não percebi as razões que levam Carlos Tavares, presidente da CMVM, e antigo ministro de Santana Lopes, a empenhar-se com um crescente entusiasmo na defesa das teses defendidas pelos clientes BPP, quando o Tribunal Administrativo não deu provimento às sucessivas providências cautelares accionadas por eles. Embora não se trata de uma sentença definitiva, os argumentos jurídicos aduzidos pelo juíz dão um relevador sinal indicativo sobre a ilegalidade da pretensão. Os valores monetários entregues ao BPP por aqueles clientes não podem ser considerados depósitos a prazo, mas sim aplicações financeiras, sujeitas ao risco da oscilação do seu valor nas bolsas de valores, para onde o banco os encaminhou, a fim de gerar mais-valias, parte das quais os clientes recebiam em forma de um juro fixo contratualizado, mais elevado do que o praticado pela banca para os depósitos a prazo. Por outro lado, esses valores e essas aplicações não constavam do balanço do BPP, razão pela qual não podem ser activados pelo governo os dispositivos das garantias dos depósitos, em caso de falência.

Este é o entendimento geral do ponto de vista legal e que nem sequer desencadeou nenhuma polémica entre os juristas. Só Carlos Tavares, sabe-se lá por que razão, pensou de maneira contrária.




Moralidade, precisa-se! Ministros britânicos demitem-se, devido a escândalos.


Se em Portugal, a exigência moral e cívica tivesse a mesma elevação da existente na Grã-Bretanha, correr-se-ia o perigo da ingovernabilidade do país, a nível nacional e, principalmente, a nível das autarquias, onde a corrupção alastra.
Porque será que os nossos governantes e dirigentes políticos não imitam estes bons exemplos que vêm daquela Europa, que eles tanto gostam de citar quando lhes convém? Falta-lhes em coluna vertebral o que lhes sobra em descaramento.
Quando nas últimas eleições autárquicas, vi reeleitos Fátima Felgueiras, Isaltino Morais e Avelino Ferreira Torres, assustei-me. Reconheci o Portugal dos brandos costumes e o rebanho da carneirada obediente.


Insólito


Não sei se este padre católico é irlandês e se a mulher, que está a seu lado, se dedica a práticas sadomasoquistas.

Um Poema ao Acaso (5) - A pequena praça - Sophia de Mello Breyner Andresen


A PEQUENA PRAÇA


A minha vida tinha tomado a forma da pequena praça
Naquele Outono em que a tua morte se organizava meticulosamente
Eu agarrava-me à praça porque tu amavas
A humanidade humilde e nostálgica
Das pequenas lojas
Onde os caixeiros dobram e desdobram
fitas e fazendas
Eu procurava tornar-me tu porque tu ias morrer
E a vida toda deixava ali de ser a minha
Eu procurava sorrir como tu sorrias
Ao vendedor de jornais ao vendedor de tabaco
E à mulher sem pernas que vendia violetas
Eu pedia à mulher sem pernas que rezasse por ti
Eu acendia velas em todos os altares
Das igrejas que ficam no canto desta praça
Pois mal abri os olhos e vi foi para ler
A vocação do eterno escrita no teu rosto
Eu convocava as ruas os lugares as gentes
Que foram as testemunhas do teu rosto
Para que eles te chamassem
Para que eles desfizessem
O tecido que a morte entrelaçava em ti

Sophia de Mello Breyner Andresen

Até os esqueletos gostam!...


BPP- Começou a pressão política e mediática dos clientes


Os clientes do BPP, com uma exuberante arrogância, a lembrar os retornados das ex-colónias, em 1975, e que grosseiramente acusavam de traição os militares e os políticos do 25 de Abril, pretendem agora obter por pressão política e empolamento mediático aquilo que não conseguiram obter nos tribunais. Todas as providências cautelares submetidas ao Tribunal Administrativo não tiveram provimento, sinal claro de que a lei não está a seu favor.
Tendo já percebido que ninguém acredita na sua inocência e na sua ingenuidade, como investidores, nem na sua manobra de querer considerar como depósitos a prazo (normais) as aplicações financeiras que subscreveram e contratualizram com o BPP, e que por isso não fazem parte do respectivo balanço, mudaram de estratégia. Por um lado, tentam comover a opinião pública com o choradinho do pobrezinho e, por outro lado, vão fazendo um ruído de fundo, neste período crítico de campanha eleitoral, para pressionar o governo a indemnizá-los com o dinheiro dos nossos impostos. E em causa estão 1,2 biliões de euros, que somados aos cerca de quatro biliões de euros que já foram devorados no BPN, levam qualquer cidadão honesto a interrogar-se se o dinheiro dos seus impostos tem de servir para tapar os buracos dos desmandos especulativos dos bancos e dos "chicos espertos" que com eles conscientemente colaboraram.
Por graça, até apetece sugerir ao governo que entregue a gestão do BPP aos clientes descontentes, a fim de lhes alimentar o ego antigo e a ambição. Daqui por uns anos aqueles títulos, que a crise desvalorizou, vão valer alguma coisa.
Com o dinheiro dos nossos impostos é que não.

http://dn.sapo.pt/bolsa/interior.aspx?content_id=1251614

terça-feira, 2 de junho de 2009

BBC afirma que Governo Sócrates cortou pensões e aumentou idade de reforma


Não há dúvida. São os ingleses que andam a tramar a vida de Sócrates. Não bastava aquele viperino relatório policial, a considerá-lo suspeito de corrupção no caso Freeport, vem agora a BBC a denunciar a sua política perversa contra a classe média portuguesa, empobrecida através da diminuição real do valor das pensões e do aumento da idade da reforma, para que fosse possível reduzir o déice orçamental, que a crise se encarregará novamente de desequilibrar. Por sua vez, os ricos ficaram ainda mais ricos.
Sócrates deve estar arrependidíssimo de ter andado a queimar as pestanas a estudar "Inglês Técnico".

Perversidade nos hospitais privados face aos doentes com cancro

Os seguros de saúde em Portugal têm crescido exponencialmente. As causas são várias. Uns optam por tal solução por pedantismo, numa atitude diletante, a marcar claramente o território exclusivo da sua condição social, tal como fazem com os cartões de crédito de prestígio, ou com o automóvel em que se passeiam. Repugna-lhes o suor do povo, a formar bichas nos balcões de atendimento dos hospitais públicos e dos centros de saúde. Outros, porque, por vezes, não obtêm a resposta atempada que desejam no acesso aos serviços de saúde públicos, onde são confrontados com as intermináveis listas de espera para as cirurgias e para a primeira consulta externa num hospital. Por último, as grandes empresas, principalmente as multinacionais, que resolveram, não inocentemente, no ponto de vista político, reassumir uma serôdia e falsa postura paternalista, pagando seguros de saúde aos seus funcionários.
Mais tarde ou mais cedo, todos estes utentes que recorrem à medicina privada, a coberto da titularidade de um seguro de saúde, acabam por ter experiências negativas e frustantes, quer as que resultam das insuficientes práticas médicas da maioria dos operadores de saúde privados, quer as que derivam das manobras enganadoras ou da interposição de cláusulas contratuais leoninas por parte das próprias companhias de seguros.
Esta notícia, do Diário Digital, tipifica bem o comportamento "perverso" de quem olha para a saúde como um negócio lucrativo.
AC


«Perversidade» nos hospitais privados face doentes com cancro
A alta comissária para a Saúde, Maria do Céu Machado, disse hoje à Lusa que alguns hospitais privados praticam uma «perversidade» que «não pode existir», referindo-se, nomeadamente, aos doentes com cancro.
«Alguma perversidade que se vê nos privados não pode existir», afirmou à Agência Lusa a alta comissária, sublinhando que, à semelhança do que acontece em outros países, a legislação portuguesa deveria obrigar os hospitais privados a concluirem o tratamento dos seus doentes, mesmo que o «plafond» do seguro termine.
«Os doentes que iniciam tratamento num privado devem aí concluir o tratamento e não serem encaminhados para um hospital público», salientou.
Maria do Céu Machado considerou ainda que a iniciativa privada é importante, mas deve complementar-se ao sector público.
À margem da Conferência Nacional de Gestão Hospitalar, que terminou hoje no Centro de Congressos do Estoril, a alta comissária para a Saúde considerou essencial a existência de uma articulação entre os hospitais, os cuidados primários e os cuidados continuados.
Além disso, Maria do Céu Machado frisou que “os hospitais devem ser transparentes”, no sentido de que o cidadão quer e tem direito a saber os resultados da unidade de saúde e do serviço onde está a ser tratado.
“Isto certamente iria gerar uma competição entre os hospitais, mas eu creio que seria uma competição saudável”, arescentou.
No âmbito das comemorações dos 30 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a alta comissária reconhece que “a saúde de hoje é muito melhor do que há uns anos” e que o SNS é “excelente”, mas considera que “ainda há outro tanto a melhorar”.
“Deve haver uma articulação para que os cuidados hospitalares funcionem a 100 por cento, deve haver um sistema de informação integrado e deve haver um processo clínico único”, enunciou.
Na cerimónia de hoje participou também o representante do Subcomité dos Assuntos Europeus da Associação Europeia dos Gestores Hospitalares, Mark Haster.
Diário Digital / Lusa - 29 Maio 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Um Poema ao Acaso (4) - Carta de Agosto - Inês Lourenço


Carta de Agosto

Um ermo de turismo alarve este
Calor paleolítico, uma poeira meridional
ateia os objectos ressequidos, um misto
de esquinas e esplanadas de cerveja, homens
de camisa às riscas escarrando na noite e mulheres
de pernas depiladas e axilas com Impulse. Enjoa
este cortejo carnívoro de utentes
de O Mesmo. Nos balcões
toda a posteridade de Sancho Pança estende as mãos
e há nas ruas muitos vendedores de brincos e colares,
honestos emigrantes, decentes empreiteiros,
padres, cartomantes,
velhas prostitutas e mais
milhentas entidades cheias de humanas intenções
e ainda mais senso comum. Gostava
de te ouvir por alguns momentos. Envio-te
mensagens telepáticas que repito sete vezes seguidas.
Há palavras gastas que não escrevo nem digo há tanto tempo,
como: Amo-te muito. Meu amor, que saudades.
Vem depressa.
E outras ainda mais gastas que digo todos os dias,
como: Foda-se esta merda. (Somos do norte e não somos
castos nem cautos na linguagem). Abundam as reprises
pelos cinemas escassos. Há jardins ralos. Passeios gordurosos.
Bufões
de motocicleta. Os cimos das torres das igrejas
à espera das bátegas de chuva dum íntimo Outono
são ainda as únicas glórias do verão.

Inês Lourenço

BPN- um banco que os portugueses vão pagar


Desenha-se mais um negócio ruinoso para o Estado. Os 2,55 biliões de euros já enterrados no BPN dão bem a dimensão dos desmandos de um grupo de malfeitores, chefiados por Oliveira e Costa, o único que se encontra preso.
Ao nacionalizar o BPN, resguardando-se no falacioso argumento de que a sua falência teria um efeito sistémico no sistema bancário nacional, argumento este já amplamente refutado, e de que a sua repercussão internacional poderia agravar as condições de crédito, a obter no estrangeiro, o governo revelou, mais uma vez, os verdadeiros interesses que defende e representa. A intenção divulgada de que não iria atender às reivindicações da Sociedade Lusa de Negócios, quanto a uma indemnização devida pela nacionalização do BPN, já está a ser desmentida pela disponibilidade da Caixa Geral de Depósitos em oferecer-se como comprador, o que na prática significa mascarar perante a opinião pública a efectiva intenção de indemnizar os respectivos accionistas com os impostos dos portugueses.
http://economia.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1384392&idCanal=57

A inocência das crianças!

"Querido Papai do Céu, este ano por favor mande roupas para todas aquelas pobres mulheres do computador do papai, amêm."
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Há orações que vêm mesmo a calhar no Dia da Criança, que hoje se comemora.
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Enviada pelo meu amigo Jorge Ribeiro Magalhães